segunda-feira, 31 de maio de 2021

Hoje é dia da Salve Regina

Cantada em tom solene por seminaristas norte-americanos
da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro


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sábado, 29 de maio de 2021

O Bispo que ensinava hinos católicos a comunistas

O Cardeal Van Thuan foi ontem declarado venerável Servo de Deus, as suas virtudes heróicas foram reconhecidas pela Igreja. O Bispo vietnamita foi preso pelos comunistas, e esteve mais de 10 anos em várias prisões. Durante esse tempo converteu muitos dos guardas prisionais.

Numa noite em que estou doente, na prisão de Phú Khánh, vejo passar um polícia e grito: "Por caridade, estou muito doente, dê-me um pouco de remédio!" Ele responde-me: "Aqui não há caridade nem amor, apenas responsabilidade."

Essa é a atmosfera que respiramos na prisão.

Quando fui colocado no isolamento, fui confiado a um grupo de cinco guardas: dois deles estão sempre comigo. Os chefes mudam-nos de duas em duas semanas com os de outro grupo, para que não sejam "contaminados" por mim. Depois, decidiram não mudar mais, pois de outra forma todos ficariam contaminados!

No início, os guardas não falavam comigo, respondiam apenas "yes" e "no". É muito triste; quero ser gentil, cortês com eles, mas é impossível, evitam falar comigo. Não tenho nada para lhes dar de presente: sou prisioneiro, todas as roupas são marcadas com grandes letras "cai-tao", isto é, "campo de reeducação". Que devo fazer?

Uma noite, vem-me um pensamento: "Francisco, tu és ainda muito rico. Tens o amor de Cristo no teu coração. Ama-os como Jesus te ama." No dia seguinte, comecei a amá-los, a amar Jesus neles, sorrindo, trocando palavras gentis. Começo a contar histórias das minhas viagens ao exterior, como vivem os povos na América, Canadá, Japão, Filipinas, Singapura, França, Alemanha… a economia, a liberdade, a tecnologia. Isso estimulou a curiosidade dos guardas, e excitou-os a perguntarem-me muitas outras coisas. Pouco a pouco, tornamo-nos amigos. Querem aprender línguas estrangeiras: francês, inglês… Os meus guardas tornam-se meus alunos! A atmosfera da prisão mudou muito.

Até com os chefes da polícia. Quando viram a sinceridade do meu relacionamento com os guardas, não só pediram para continuar a ajudá-los no estudo de línguas estrangeiras, mas ainda me mandaram novos estudantes.

Um dia, um cabo perguntou-me:

- O que é que pensa do jornal 'O Católico'?

- Este jornal não fez bem nem aos católicos nem ao governo, antes alargou o fosso da separação.

- Porque se expressa mal; usam mal os vocábulos religiosos e falam de maneira ofensiva. Como remediar essa situação?

- Primeiro, é preciso entender exactamente o que significa tal palavra, tal terminologia religiosa…

- Pode ajudar-nos?

- Sim, proponho-lhes escrever um vocabulário de linguagem religiosa, de A a Z. Quando tiverem um momento livre, explicar-vos-ei. Espero que, assim, possam compreender melhor a estrutura, a história, o desenvolvimento da Igreja, as suas actividades…

Deram-me papel, e escrevi esse vocabulário de 1500 palavras, em francês, inglês, italiano, latim, espanhol, chinês, com explicações em vietnamita. Assim, pouco a pouco, com a explicação - as minhas respostas às perguntas sobre a Igreja, e aceitando também as críticas -, esse documento torna-se uma "catequese prática". Há muita curiosidade por saber o que é um abade, um patriarca; qual a diferença entre ortodoxos, católicos, anglicanos, luteranos; de onde provêm os recursos financeiros da Santa Sé…

Este diálogo sistemático, de A a Z, ajuda a corrigir muitas confusões, muitas ideias preconceituosas; torna-se dia-a-dia mais interessante, até mesmo fascinante.

Naquela época, ouvi que um grupo de vinte jovens da polícia estudava latim com um ex-catequista, para estar em condições de entender os documentos eclesiásticos. Um dos meus guardas pertence a esse grupo. Um dia, perguntou-me se lhe podia ensinar um cântico em latim.

- São tantos e tão belos, respondi-lhes.

- Você canta e eu escolho, propôs.

Cantei a Salve Regina, o Veni Creator, a Ave Maris Stella… Podem adivinhar que canto escolheu? O Veni Creator.

Não posso dizer quanto é comovente escutar todas as manhãs um polícia comunista, descendo pela escada de madeira, pelas sete horas, para fazer ginástica e depois lavar-se, cantando o Veni Creator na prisão.

in Cardeal Van Thuan, Cinco pães e dois peixes: Do sofrimento do cárcere, um alegre testemunho da fé


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"A primeira Comunhão"




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sexta-feira, 28 de maio de 2021

Há 44 anos era sagrado Bispo Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI

No dia 28 de Maio de 1977, o Padre Joseph Ratzinger foi sagrado Bispo. Passou então a ser Arcebispo de Munique e Freising. 

Este vídeo incluiu também o momento em que recebeu o barreto cardinalício das mãos do Papa Paulo VI e também o momento em que, já como Papa, numa viagem apostólica à Baviera em 20226, Bento XVI depositou o seu anel episcopal aos pés da Virgem de Altötting.


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Chesterton destrói o Marxismo com a 'História de vacas'

Penso que a maioria dos seguidores de Karl Marx acredita numa doutrina chamada a teoria materialista da História. A teoria é, grosso modo, a seguinte: todas os acontecimentos da História encontram-se radicados numa causa económica. Em resumo, a História é uma ciência, a ciência da busca pela comida.

É verdade que a busca por comida é universal. Aliás, tão universal que nem é exclusivamente humana. As vacas têm um motivo económico; quase diria um motivo exclusivamente económico. A vaca preenche os requerimentos da teoria materialista da História. É por isso que a vaca não tem História. Uma História de vacas seria a coisa mais simples e mais enfadonha do mundo!

Dizer que os motivos do homem se resumem à motivação económica é como dizer que o homem só tem pernas, porque um homem suporta-se em comida como se suporta em pernas. Mas nenhuma teoria económica explica como é que debaixo de fogo, um homem se apoia nas pernas para combater enquanto que outro se apoia nas pernas para fugir.

Em suma, não existiria nenhuma História se o homem apenas se resumisse à teoria económica da História.

G.K. Chesterton in 'O Adorador do Sol'


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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Hino ao Espírito Santo escrito por Santa Teresa Benedita da Cruz

I. Quem és tu, Doce luz que me preenche e ilumina a obscuridade do meu coração? Conduzes-me como a mão de uma mãe E se me soltasses, não saberia nem dar mais um passo. És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si. Se Fosse abandonado por ti cairia no abismo do nada, de onde tu o elevas ao Ser. Tu, mais próximo de mim que eu mesmo e mais íntimo que minha intimidade, E, sem dúvida, permaneces inalcançável e incompreensível, E que faz brotar todo nome: Espírito Santo — Amor eterno! 

II. Não és Tu O doce maná que do coração do Filho flui para o meu, alimento dos anjos e dos bem aventurados? Aquele que da morte à vida se elevou, Também a mim despertou a uma nova vida Do sono da morte. E nova vida me doa Dia após dia. E um dia me cumulará de plenitude. Vida de minha Vida. Sim, Tu mesmo, Espírito Santo, – Vida Eterna! 

III. Tu és o raio que cai do Trono do Juiz eterno e irrompe na noite da alma, que nunca se conheceu a si mesma? Misericordioso e impassível penetras nas profundezas escondidas. Se ela se assusta ao ver-se a si mesma, Concedes lugar ao santo temor, princípio de toda sabedoria que vem do alto, e no alto com firmeza nos unes à tua obra, que nos faz novos, Espírito Santo — Raio penetrante! 

IV. Tu és a plenitude do Espírito e da força com a qual o Cordeiro rompe o selo do segredo eterno de Deus? Impulsionados por ti os mensageiros do Juiz cavalgam pelo mundo e com espada afiada separam o reino da luz do reino da noite. Então surgirá um novo céu E uma nova terra, e tudo retorna ao seu justo lugar graças a teu alento: Espírito Santo — Força triunfante! 

V. Tu és o mestre construtor da catedral eterna que se eleva da terra aos céus? Por ti vivificadas as colunas se elevam Para o alto e permanecem imóveis e firmes. Marcadas com o nome eterno de Deus se elevam para a luz sustentando a cúpula, que cobre, qual coroa, a santa catedral, tua obra transformadora do mundo, Espírito Santo — Mão criadora! 

VI. Tu és quem criou o claro espelho, Próximo ao trono do Altíssimo, como um mar de cristal aonde a divindade se contempla amando? Tu te inclinas sobre a obra mais bela da criação, e resplandecente te ilumina com teu mesmo esplendor. E a pura beleza de todos os seres, Unida à amorosa figura da Virgem, tua esposa sem mancha: Espírito Santo — Criador do Universo! 

VII. Tu és o doce canto do amor e do santo recato, que eternamente ressoa diante do trono da Trindade, e desposa consigo os sons puros de todos os seres? A harmonia que une os membros com a Cabeça, onde cada um encontra feliz o sentido secreto de seu ser, e jubilante irradia, livremente desprendido em teu fluir: Espírito Santo — Júbilo eterno!


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A Tradição atrai os jovens




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quarta-feira, 26 de maio de 2021

20 importantes conselhos de São Filipe Neri

1. Existem tentações, como as da carne, que apenas podem ser vencidas fugindo; outras, como as da raiva, resistindo-lhes, e outras, como a vã glória, desprezando-as.

2. Quando Deus envia tribulações a uma alma dá-lhe um sinal de grande afecto.

3. Aquele que gosta de ser desprezado e se considera como nada é um discípulo perfeito da escola de Jesus Cristo.

4. Entre as graças que devemos pedir a Deus, uma delas deve ser a perseverança.

5. Não há nada mais perigoso na vida espiritual do que querer dirigir-se sozinho.

6. A ociosidade é uma calamidade para o cristão. Devemos fazer sempre alguma coisa, para que o diabo não venha e nos faça cair nas suas armadilhas.

6. Nada ajuda mais o homem do que a oração.

7. Vamos lançar-nos nos braços de Deus e ter certeza de que se Ele quiser algo de nós dar-nos-á forças para fazer o que Ele quiser que façamos.

8. Temos de rejeitar os escrúpulos, porque eles perturbam a alma e geram tristeza.

9. Não há nada mais desagradável a Deus do que uma alma orgulhosa de si mesma.

10. Não devemos odiar ninguém, porque Deus não vem para estar numa alma que não ama o próximo.

11. Na comunhão devemos pedir a cura desse vício a que estamos sujeitos.

12. O demónio, que é muito orgulhoso, tem muito medo da confissão humilde.

13. Vamos separar os nossos corações das coisas deste mundo; perguntemos muitas vezes: e depois? e depois?.

14. Não sejamos precipitados em julgar os outros: primeiro pensemos em nós mesmos.

15. Para estar em paz com os outros, nunca pense nos seus defeitos naturais.

16. Nem sempre estamos interessados no melhor.

17. O servo de Deus não deve querer receber neste mundo a recompensa pelo seu serviço.

18. Quem foge de uma cruz encontrará outra mais pesada no seu caminho.

19. Antes de se confessar, será bom pedir a Deus a vontade de ser santo.

20. A Deus agrada a alma humilde que acredita que ainda não começou a fazer o bem.


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São Filipe Néri levitava durante a Missa

São Filipe Néri ficou conhecido como "o santo da alegria" pelo seu constante bom-humor e por pregar 'partidas' aos jovens que o seguiam pelas ruas de Roma e nos seus oratórios.

Ao mesmo tempo era um homem de oração profundíssima, de tal maneira que muitas vezes entrava em êxtase e levitava, a dois palmos do chão, enquanto celebrava a Missa. De tal forma isto era frequente que as pessoas se habituaram a abandonar a Missa depois do "Cordeiro de Deus". 

O acólito, que servia à Missa, apagava as velas, acendia uma lamparina, deixava na porta um letreiro no qual se dizia que Filipe estava celebrando Missa e ia também embora. Voltava cerca de duas horas depois, acendia as velas e a Missa continuava.

Livro sobre a vida deste grande santo: "São Filipe Néri, o sorriso de Deus" (clicar no título do livro)


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terça-feira, 25 de maio de 2021

segunda-feira, 24 de maio de 2021

A Europa precisa novamente de Nossa Senhora Auxiliadora

Nossa Senhora Auxiliadora é uma das formas de devoção da Virgem Maria, que remonta à vitória da Armada Cristã em 1571, comandada por Dom João da Áustria, que, invocando o auxílio da Virgem, afastou o perigo maometano da Europa. Em agradecimento, o Papa Pio V incluiu na ladainha o título de "Auxiliadora dos Cristãos".

A festa de Nossa Senhora Auxiliadora foi promulgada por Pio VII, no ano de 1816, logo que foi libertado do cativeiro a ele imposto por Napoleão Bonaparte.  

A DEVOÇÃO A MARIA AUXILIADORA

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, começou em datas muito remotas, nascida no coração de pessoas piedosas que espalharam ao seu redor a devoção mariana. Assim, a Mãe de Deus foi sempre conhecida como condutora da felicidade de todo o ser humano. E Maria, sempre esteve junto ao povo, sobretudo do povo simples que não sofre as complicações que contornam e desfazem, muitas vezes, a vida humana, mas que é levado pelas emoções e certezas apontadas pela simplicidade do coração.

Em 1476, o Papa Sisto IV deu o nome de “Nossa Senhora do Bom Auxílio” a uma imagem do século XIV-XV, que havia sido colocada numa Capelinha, onde ele se refugiou, surpreendido durante o caminho, com um perigoso temporal. A imagem tem um aspecto muito sereno, e o símbolo do ‘auxílio’ é representado pela meiguice do Menino segurando o manto da Mãe.

Com o correr dos anos, entre 1612 e 1620, a devoção mariana cresceu, graças aos Barnabitas, em torno de uma pequena tela de autoria de Scipione Pulzone, representando aspectos de doçura, de abandono confiante, de segurança entre o Menino e a sua santa Mãe. A imagem ficou conhecida como “Mãe da Divina Providência”. Esta imagem tornou-se como que meta para as peregrinações de muitos devotos e também para muitos Papas e até mesmo para João Paulo II. Devido ao movimento cristão em busca dos favores e bênçãos de Nossa Senhora e de seu Filho, o Papa Gregório XVI, em 1837, deu-lhe o nome de “AUXILIADORA DOS CRISTÃOS”. O Papa Pio IX, pouco depois de ter sido eleito, também se inscreveu no movimento e, diante desta bela imagem, celebrou a Missa de agradecimento pela seu regresso do exílio de Gaeta. 

Mais tarde também foi criada a ‘Pia União de Maria Auxiliadora’, com raízes num bonito quadro alemão.

E chega o ano de 1815: Nasce aquele que será o grande admirador, grande filho, grande devoto da Mãe de Deus e propagador da devoção a Maria Auxiliadora, o Santo dos jovens: SÃO JOÃO BOSCO. Neste ano era também celebrado o Congresso de Viena e foi a época em que, com a queda do Império Napoleónico, começa a Reestruturação Europeia com restabelecimento dos reinos nacionais e das suas monarquias dinásticas 

Em 1817, o Papa Pio VII benzeu uma tela de Santa Maria e conferiu-lhe o título de “MARIA AUXILIUM CHRISTIANORUM”.

Os anos passaram e o rei Carlo Alberto foi a cabeça do movimento em prol da unificação da Itália, e ao mesmo tempo, os atritos entre Igreja e Estado, deram lugar a uma forte sensibilização política, com atitudes suspeitas para com a Igreja. E como não podia deixar de ser, D. Bosco, lutador e defensor insigne da Igreja de Cristo, ficou sendo mira forte do governo e foi até obrigado a fugir de alguns atentados. Sim, tinha de fato inimigos que não viam bem sua postura positiva a favor da Igreja e nem tão pouco a emancipação da classe pobre, defendida tenazmente pelo Santo.

Pio IX, então cabeça da Igreja, manifestou-se logo a favor de uma devoção pessoal para com a Auxiliadora e quando este sofrido Pontífice esteve no exílio, o nosso Santo lhe enviou 35 francos, recolhidos entre os seus jovens do oratório. O Papa ficou profundamente comovido com esta atitude e conservou uma grande lembrança deste gesto de afecto de D. Bosco e da generosidade dos rapazes pobres.

E continuam muitas lutas políticas, desavenças, lutas e rixas entre Igreja e Estado. Mas a 24 de Maio, em Roma, o Papa Pio IX preside uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria. E em 1862, houve uma grandiosa organização especificamente para obter da Auxiliadora, a protecção para o Papa diante das perseguições políticas que ferviam cada vez mais, em detrimento para a Igreja de Jesus Cristo.

Nestes momentos particularmente críticos, entre 1860-1862 para a Igreja, vemos que D. Bosco toma uma opção definitiva pela AUXILIADORA, título este que decide concentrar a devoção mariana por ele oferecida ao povo. E justamente em 1862, D. Bosco tem o “Sonho das Duas Colunas” e no ano seguinte seus primeiros acenos para a construção do célebre e grandioso Santuário de Maria Auxiliadora. E esta devoção à Mãe de Deus, desde então se expandiu imediata e amplamente. 

D. Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com D. Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de ser conhecida também como a "Virgem de Dom Bosco".

Escreveu o Santo: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".

in farfalline.blogspot.pt


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sexta-feira, 21 de maio de 2021

15 sacerdotes que também foram cientistas

Qual a relação entre a ciência e a fé? Serão opostas? Não. Ciência e fé são totalmente compatíveis e a vida destes homens é prova irrefutável disso.

Aqui está uma lista de 15 sacerdotes que também foram cientistas:
 
1) São Silvestre II, Papa (945-1003)

 
Foi o primeiro Papa francês da história. Foi um grande matemático e introduziu na França o sistema decimal islâmico e o uso do zero, facilitando assim os cálculos.
 
2) Robert Grosseteste (1175-1253)

 
Sendo bispo da diocese de Lincoln (Inglaterra), foi um estudioso em quase todas as áreas de conhecimento da sua época. Também foi precursor da filosofia moderna, introduzindo o pensamento aristotélico na Universidade de Oxford.
 
3) Santo Alberto Magno (1193-1280) 

Renomado sacerdote dominicano, bispo e Doutor da Igreja. Também foi filósofo, geógrafo e um químico famoso, descobriu o arsénio.
 
4) Roger Bacon (1214-1294)

Franciscano conhecido como Doutor Admirável. É um dos precursores do método científico moderno. Já no seu tempo ele dizia “a matemática é a porta e a chave de toda ciência”.
 
5) Jean Buridan (1300-1375)

 
Clérigo secular francês e precursor da mecânica de Newton por meio da sua noção de ímpeto que explicava o movimento de projécteis e objectos em queda livre. Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da inércia, de Isaac Newton.
 
6) Nicolau Oresme (1323-1382)

 
Foi teólogo e bispo de Lisieux e também um génio intelectual. Talvez seja o pensador mais original do século XIV, por sua actividade como economista, matemático, físico, astrónomo, filósofo, psicólogo e musicólogo. Descobriu a refracção atmosférica da luz.
 
7) Nicolau Copérnico (1475-1543)

Este sacerdote oriundo da Polónia é o pai da astronomia moderna por meio da sua teoria heliocêntrica. Também foi matemático, astrónomo, jurista, físico, político, líder militar, diplomata e economista.
 
8) Francesco Maria Grimaldi (1618-1663)

 
Sendo jesuíta, construiu e usou os instrumentos para medir características geológicas na lua e desenhou um mapa que foi publicado por Giovanni Battista Riccioli. Também descobriu a difracção da luz.
 
9) Giovanni Battista Riccioli (1598-1671)

 
Astrónomo jesuíta italiano considerado como um pioneiro da astronomia lunar. Foi a primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre.
 
10) Athanasius Kircher (1602-1680)

Este sacerdote jesuíta foi um dos cientistas mais importantes do período barroco. Era poliglota, erudito e estudioso orientalista. Usando um microscópio rudimentar, examinou doentes com peste e observou de forma pioneira os vermes, construiu um aparelho para projectar imagens, conhecido como lanterna mágica (1646) e relacionou peste bubónica com putrefacção.
 
11) Nicolau Steno (1638-1686) 

É considerado o pai da geologia. Era um polímata, médico, e anatomista dinamarquês. Aderiu ao catolicismo na vida adulta, morreu como bispo missionário. Após converter-se ao catolicismo, foi ordenado padre em 1675, tendo sido ordenado bispo dois anos depois. Veio a falecer em 1686, tendo sido beatificado pelo Papa João Paulo II em 1988.
 
12) Ruder Boskovic (1711-1787)

 
Físico, astrónomo, matemático, filósofo, poeta e sacerdote jesuíta da República de Ragusa (hoje Croácia). Influenciou nas obras de Faraday, Kelvin, Einstein, etc.
 
13) Gregor Mendel (1822-1884)

 
Agostiniano austríaco, pai da genética por descobrir a origem da herança genética, através de pesquisas que conduziu com diferentes ervilhas. As chamadas “Leis de Mendel” falam da transmissão dos caracteres hereditários.
 
14) Georges Lemaitre (1894-1966)

 
Sacerdote belga, astrónomo e professor de física. Lemaitre propôs o que ficou conhecido como teoria da origem do Universo do Big Bang, que ele chamava de “hipótese do átomo primordial“, ou também conhecido como “ovo cósmico”, que posteriormente foi desenvolvida por George Gamow. 

15) Manuel Carreira (1931)

 
Sacerdote jesuíta, teólogo, filósofo e astrofísico espanhol. É membro do Observatório Vaticano e ele tem trabalhado em numerosos projectos para a NASA. É um firme defensor da compatibilidade entre ciência e fé.

in pt.churchpop


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Beija-se o anel do Bispo, não o anel do homem




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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Jesus nasceu em Belém ou em Nazaré?

S. Mateus disse, de maneira explícita, que Jesus nasceu em “Belém de Judá, no tempo do rei Herodes” (Mt 2, 1; cf. 2, 5.6.8.16) e o mesmo referiu S. Lucas (Lc 2, 4.15). O quarto evangelho menciona-o de uma maneira indirecta. Gerou-se uma discussão a propósito da identidade de Jesus e “uns diziam: «Este é verdadeiramente o Profeta». Outros diziam: «Este é o Messias». 

Alguns, porém, diziam: «Porventura é da Galileia que há-de vir o Messias? Não diz a Escritura que o Messias há-de vir da descendência de David e da aldeia de Belém, donde era David?»” (Jo 7, 40‑42). O quarto evangelista serve-se aqui de uma ironia: ele e o leitor cristão sabem que Jesus é o Messias e que nasceu em Belém. Alguns oponentes a Jesus querem demonstrar que Ele não é o Messias dizendo que, para sê-lo, teria nascido em Belém e, pelo contrário, eles sabem (pensam saber) que nasceu em Nazaré. Este procedimento é habitual no quarto evangelho (Jo 3, 12; 6, 42; 9, 40-1). 

Por exemplo, quando a mulher samaritana pergunta: “És Tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacob?” (Jo 4, 12). Os ouvintes de João sabem que Jesus é o Messias, Filho de Deus, superior a Jacob, de modo que a pergunta da mulher era uma afirmação dessa superioridade. Portanto, o evangelista prova que Jesus é o Messias, inclusivamente com as afirmações dos seus oponentes.

Este foi o consenso comum entre crentes e investigadores durante mais de 1900 anos. Contudo, no século passado, alguns investigadores afirmaram que Jesus é considerado em todo o Novo Testamento como “o nazareno” (aquele que é, ou que provém de Nazaré) e que a referência a Belém como lugar do nascimento não passa de uma invenção dos dois primeiros evangelistas, que revestem Jesus com uma das características que, naquele momento, se atribuíam ao futuro Messias: ser descendente de David e nascer em Belém. O certo é que uma argumentação como esta não prova nada. 

No século I diziam-se bastantes coisas sobre o futuro Messias e que não se cumprem em Jesus, mas, tanto quanto sabemos – apesar do que possa parecer (Mt 2, 5; Jo 7, 42) – não parece que a do nascimento em Belém tenha sido umas das que se invocaram mais frequentemente como prova. É antes preciso pensar de modo contrário: é pelo facto de Jesus, que era Nazaré (ou seja, tendo sido criado lá), ter nascido em Belém que os evangelistas descobrem nos textos do Antigo Testamento que se cumpre n´Ele essa qualidade messiânica.

Todos os testemunhos da tradição confirmam, além disso, os dados evangélicos. S. Justino, nascido na Palestina por volta do ano 100 d.C., menciona, uns cinquenta anos mais tarde, que Jesus nasceu numa gruta próxima de Belém (Diálogo 78). Orígenes também dá testemunho disso (Contra Celso I, 51). Os evangelhos apócrifos testemunham o mesmo (Pseudo-Mateus, 13; Proto evangelho de Tiago,17ss; Evangelho da infância, 2-4).

Em resumo, o parecer comum dos estudiosos de hoje, é que não há argumentos fortes para ir contra o que afirmam os evangelhos e nos foi transmitido por toda a tradição: Jesus nasceu em Belém da Judeia no tempo do rei Herodes.

Bibliografia: A. Puig, Jesús. Una biografía, Destino, Barcelona 2005; J. González Echegaray, Arqueología y evangelios, Verbo Divino, Estella 1994; S. Muñoz Iglesias, Los evangelios de la infancia. IV, BAC, Madrid 1990.

in adtelevavi.blogspot.pt


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quarta-feira, 19 de maio de 2021

O Rito Dominicano praticamente desapareceu com a Reforma Litúrgica de 1970




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A Majestade Gloriosa de DEUS, desprezada e ofendida

Não saberei dizer se me devo desculpar ou, pelo contrário, afirmar sem pejos nem respeitos humanos alguns dos aspectos do estado deplorável a que chegou o Culto Divino, em especial o Santíssimo Sacrifício da Eucaristia, a Sagrada Comunhão, e a Sua Presença no Sacrário, em grande parte de Portugal.
 
O cenário é rigorosamente aterrador. O latão e pechisbeque, disfarçando-se, por vezes, de aparências reluzentes, tomaram de assalto as Igrejas: os Sacrários, os cálices, as patenas, as píxides, etc.: um absurdo tanto maior quanto frequentemente tudo isto em prata, ou prata dourada, é menos caro do que o pechisbeque.
 
Uma das irreverências ignóbeis e maiores em relação ao SENHOR JESUS CRISTO GLORIOSO não consiste somente em colocá-lo em Sacrários indignos mas a de virar-lhe as costas e não Lhe fazer as devidas Reverências e Adorações durante a Celebração da Eucaristia - O DEUS GLORIOSO, o SENHOR RESSUSCITADO, está lá realverdadeira e substancialmente presente, e nós, em nome de um rubrica idiota, como já houve tantas outras nos últimos 50 anos, fingimos que não está, e prestamos reverências a coisas que O simbolizam, mas não a ELE. Como se houvera alguma incompatibilidade entre o SENHOR presente no Sacrário e o mesmo SENHOR na Eucaristia! É caso para dizer que a imbecilidade humana, e por vezes a eclesial-clerical, é infinita.
 
Como explicar o absurdo sacrílego numa Igreja em que o Sacrário está igualmente descoberto e virado para o corpo da Igreja e para a sacristia? No corpo da Igreja é Reverenciado e Adorado, no lado oposto é totalmente ignorado e consequentemente desprezado. Ali pode-se virar as costas contra o SENHOR, contar gracejos, fumar, discutir, etc. No corpo da Igreja tudo isso é inconcebível. Há, é verdade, uma diferença, que me fizeram notar para o justificar, é que a porta do Sacrário está virada para o corpo da Igreja não acontecendo o mesmo no sentido contrário - confesso que quando me fizeram essa observação pensei que ou estavam a brincar comigo ou me estavam a tentar envenenar com enxofro.
 
Numa outra Igreja, cujo ambão obriga a estar de costas para Nosso SENHOR no Sacrário, que está perto e ao nível das costas de quem usa o mesmo, alguém propôs, várias sugestões que poderiam, ainda que provisoriamente, remediar essa grave afronta a Nosso SENHOR; mais ainda, ofereceu-se, sabendo que poderia recolher as ofertas necessárias, mudar aquele Sacrário de latão por um de prata ou prata dourada, igual no aspecto ao mesmo. Os projectos foram imediatamente rejeitados.
 
Antepõem-se sempre e sistematicamente outras coisas ao Sacrário: ou é o ambão ou a estética que se pretende na Igreja ou outras coisas quaisquer - não há ideia ou proposta alguma que possa, mesmo que só provisoriamente, dar prioridade ao Sacrário. Tudo é perentória e imediatamente recusado. Não afirmo categoricamente que o seja, mas parece mesmo influência do Maligno.
 
Importa lembrar que esta mentalidade que penetrou com acutilância inusitada, mesmo em muitos jovens Padres ditos tradicionais, é de origem protestante. Não digo que eles disso tenham consciência, mas que disso são vítimas, para além do que foi dito acima, não há dúvida. Mas, enfim, têm sempre alguns Padres, eminentemente considerados pelos próprios, que os justifique e os confirme nos seus erros.
 
À Honra e Glória de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 18 de maio de 2021

Tolkien disse que o Senhor dos Anéis é uma obra Católica

2 Dezembro 1953

Penso que sei exatamente o que quer dizer com a ordem da Graça; e, claro, com as referências a Nossa Senhora, na qual toda a minha pequena percepção de beleza, quer em majestade quer em simplicidade, está fundada. “O Senhor dos Anéis” é, claro, uma obra fundamentalmente religiosa e Católica; inconscientemente à primeira vista, mas conscientemente quando revista. 

É por isto que eu não incluí, ou tive que cortar, praticamente todas as referências a qualquer coisa como “religião”, cultos ou práticas, no mundo imaginário. Porque o elemento religioso é absorvido para dentro da história e do simbolismo.

De facto, eu planeei muito pouco; e deveria estar principalmente agradecido por ter sido educado (desde os oito anos) na Fé que me nutriu e me ensinou todo o pouco que sei; e isso devo-o à minha mãe, que se agarrou à sua conversão e morreu jovem em grande parte pelas dificuldades da pobreza que daí resultaram*.

in JRR Tolkien (ed H Carpenter & C Tolkien), The Letters of J.R.R. Tolkien, Harper Collins Publishers, Londres, 2006.

*Mabel Tolkien converteu-se ao Catolicismo aos 30 anos (quando JRR Tolkien tinha 8 anos de idade), apesar de fortes protestos de familiares que deixaram de a apoiar financeiramente. Morreu quatro anos mais tarde. JRR Tolkien sempre considerou que este último período de vida da mãe como um lento martírio pela fé, testemunho este que moldou profundamente a sua vida cristã.


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No Rito Tradicional o "Mysterium Fidei" é dito durante a consagração do vinho em Sangue de Cristo




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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Peregrinação Paris-Chartres no Pentecostes



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Da Vida de S. Frei Junípero

Frei Junípero, entrando em Viterbo, desnudou-se totalmente com o propósito de ser escarnecido, como Cristo desnudado na Cruz o foi. Pondo as cuecas na cabeça, amarrou o hábito com o cordão e pendurou-o no pescoço. E assim foi nu até à praça pública da cidade. Quando ali se assentou, a malta nova, cuidando que era um louco, mas ignorando que o era por Cristo, atacaram-no com injúrias, zombarias, barro e pedregulhos.

Tendo sido assim destratado e afligido por muito tempo, voltou nu para o convento. Quando os frades o viram ficaram aturdidos e escandalizados. Irados, setearam-no com duríssimas repreensões, injúrias e ofensas (não se recordando de S. Francisco, fundador da Ordem, que se tinha igualmente despojado das suas vestes diante do Bispo de Assis e toda a multidão) julgando alguns, no seu desvario, que ele merecia ser preso ou enforcado ou mesmo queimado. 

Frei Junípero ouvia tudo isto com uma alegria tamanha chegando ao ponto de não só dar sonoras gargalhadas de contentamento, mas adiantando que confirmava o merecimento de todas aquelas penas propostas e até muito maiores por tão grande escândalo.

Suponho que esta atitude possa ser esclarecida por outro episódio da sua Santa vida, a saber:

Tendo Frei Junípero (um simples frade leigo) sido arrebatado durante a Missa, os frades não sabendo (ou não podendo) o que fazer deixaram-no sozinho.

Porém sucedeu que, quando ele voltou a si, foi ao encontro dos frades exclamando: “Quem será tão enobrecido nesta terra que não aceitasse levar de boa vontade um cesto de lama sobre a cabeça por toda esta região se lhe dessem uma casa cheia de ouro?” E dizia: “Ai! de mim! Por que não queremos suportar um pouco de vergonha para poder ganhar a vida eterna?”

À honra de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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domingo, 16 de maio de 2021

Papa Bento XVI fala sobre o 'segredo' de Fátima

«Queria, no fim, tomar uma vez mais outra palavra-chave do “segredo” que justamente se tornou famosa: “O meu Imaculado Coração triunfará”. Que significa isto? Significa que este Coração aberto a Deus, purificado pela contemplação de Deus, é mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer espécie. O ‘fiat’ de Maria, a palavra do seu Coração, mudou a história do mundo, porque introduziu neste mundo o Salvador: graças àquele “Sim”, Deus pôde fazer-Se homem no nosso meio e tal permanece para sempre. 

Que o maligno tem poder neste mundo, vemo-lo e experimentamo-lo continuamente; tem poder, porque a nossa liberdade se deixa continuamente desviar de Deus. Mas, desde que Deus passou a ter um coração humano e deste modo orientou a liberdade do homem para o bem, para Deus, a liberdade para o mal deixou de ter a última palavra. O que vale desde então, está expresso nesta frase: “No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). A mensagem de Fátima convida a confiar nesta promessa».
Cardeal Joseph Ratzinger - Comentário teológico ao segredo de Fátima, 26 de Junho de 2000

«Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé com a Virgem Maria por Mestra; lá ergueu Ela a sua cátedra para ensinar aos pequenos Videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar. Na atitude humilde de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, a Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total, todos e cada um de vós e os sacerdotes vossos directos colaboradores na condução do rebanho, os consagrados e consagradas que antecipam o Céu na terra e os fiéis leigos que moldam a terra à imagem do Céu».
Papa Bento XVI, 10 de Novembro de 2007

«Todos juntos, com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5).

Por nós, não passamos de mísero silvado, sobre o qual pousou a glória de Deus. A Ele toda a glória, a nós a humilde confissão do próprio nada e a submissa adoração dos desígnios divinos que estarão cumpridos quando “Deus for tudo em todos” (cf. 1 Cor 15, 28). Serva incomparável de tais desígnios é a Virgem cheia de graça: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Sinto que me acompanham a devoção e o afecto dos fiéis aqui reunidos e do mundo inteiro. Trago comigo as preocupações e as esperanças deste nosso tempo e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e venho colocá-los aos pés de Nossa Senhora de Fátima».
Papa Bento XVI, 12 de Maio de 2010

«Irmãs e irmãos muito amados, também eu vim como peregrino a Fátima, a esta “casa” que Maria escolheu para nos falar nos tempos modernos. Vim a Fátima para rejubilar com a presença de Maria e sua materna protecção. Vim a Fátima, porque hoje converge para aqui a Igreja peregrina, querida pelo seu Filho como instrumento de evangelização e sacramento de salvação.

Vim a Fátima para rezar, com Maria e tantos peregrinos, pela nossa humanidade acabrunhada por misérias e sofrimentos. Enfim, com os mesmos sentimentos dos Beatos Francisco e Jacinta e da Serva de Deus Lúcia, vim a Fátima para confiar a Nossa Senhora a confissão íntima de que “amo”, de que a Igreja, de que os sacerdotes “amam” Jesus e n’Ele desejam manter fixos os olhos ao terminar este Ano Sacerdotal, e para confiar à protecção materna de Maria os sacerdotes, os consagrados e consagradas, os missionários e todos os obreiros do bem que tornam acolhedora e benfazeja a Casa de Deus.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Então eram só três, cujo exemplo de vida irradiou e se multiplicou em grupos sem conta por toda a superfície da terra, nomeadamente à passagem da Virgem Peregrina, que se votaram à causa da solidariedade fraterna. Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade».
Papa Bento XVI, 13 de Maio de 2010


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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Quão Antigo é o Ensinamento da Igreja sobre Contracepção?

Muitos católicos pensam que a discussão sobre contracepção remonta à encíclica Humanae Vitae de Paulo VI, de 1968. Mas isso não é bem verdade, uma vez que as raízes desse ensinamento vêm bastante detrás. Em larga medida, Paulo VI estava meramente a reiterar, nas suas palavras, um ensinamento anterior. Alguns católicos poderão recordar-se (ou ter aprendido sobre) a encíclica Casti Connubii de Pio XI de 1930. Também esta é importante, mas não é a fonte original.

Então exactamente quão antiga é a oposição da Igreja à contracepção? 1920? 1900? 1880? Afinal de contas, a contracepção é um fenómeno relativmente recente, certo?

Acontece que não. Quem se der ao trabalho de dar uma vista de olhos nos detalhes, por vezes grotescos, do livro “Contraception: AHistory of its Treatment by the Catholic Theologians and Canonists”, escrito por John T. Noonan – algo que, a propósito, e por várias razões, não recomendo – verá que as pessoas andam a enfiar substâncias terríveis pelas mulheres a dentro para tentar evitar que tenham filhos há muito tempo. Há quanto, precisamente? De acordo com Noonan, “cinco papiros diferentes, todos de entre os anos 1900 e 1100 A.C. (Sim, antes de Cristo), incluem receitas para preparações contraceptivas a serem usadas…” – bem, digamos que, de formas que eu preferia não ter de descrever.

Tendo em conta os ingredientes – bosta pulverizada de crocodilo em mucilagem fermentada? Mel com carbonato de sódio? Estas mistelas dificilmente poderiam fazer bem às mulheres que eram obrigadas a tomá-las. Digo “obrigadas”, porque estamos a falar da época antes de os homens terem conseguido convencer as mulheres que a contracepção é uma expressão potente da sua autonomia e não o resultado evidente dos desejos sexuais vorazes daqueles.

Pode-nos parecer que estas misturas eram nojentas, mas seriam assim tão diferentes da prática moderna de encher a mulher de hormonas para convencer o seu corpo de que está gravida? E o estrogéneo todo que usam, de onde acham que vem? Se for ver à internet que é sintetizado, terá de perguntar, sintentizado a partir de quê? Como? Com que químicos? Como é que é “cultivado”? De que animais é extraído? Quando se começa a ver a questão com mais atenção, percebemos que a ideia de bosta pulverizada de crocodilo em mucilagem fermentada afinal não é uma coisa assim tão estranha. Mas fosse qual fosse o ingrediente, muitas civilizações antigas tinham métodos ou mezinhas que acreditavam poder prevenir uma mulher de engravidar depois de ter relações sexuais. Nós, claro, temos os nossos.

E como é que a Igreja primitiva via tudo isto? Enfrentada por uma cultura romana que na maior parte não tinha qualquer problema com contracepção e aborto, tanto quanto conseguimos perceber os cristãos primitivos opunham-se a ela. No importante texto do primeiro século, o “Didaqué”, ou “O ensinamento dos Doze Apóstolos”, o autor, cujo nome desconhecemos, distingue a Via da Vida da Via da Morte.

A Via da Morte, como podemos supor, estava recheada de pecados, um dos quais incluía fazer uso de pharmakeia que são “assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus”. Parece ser uma referência a drogas abortivas ou contraceptivas. O mesmo ensinamento surge na Epístola de Barnabé, do século primeiro. Encontramos ainda na Paedagogus, de Clemente de Alexandria, a admoestação moral: “Por causa da sua instituição divina para a propagação do homem, a semente não deve ser ejaculada em vão, nem deve ser danificada, nem deve ser desperdiçada”.

Para além destas condenações expressas, o que é mais revelador é a insistência repetida, entre todos os padres da Igreja, da inseperabilidade do acto sexual e do propósito procriativo. Trata-se de uma preocupação constante e de um tema repetido nas pregações e no ensinamento. “Nós cristãos”, escreveu o apologista Justino Mártir, “ou casamos para poder produzir filhos ou, se nos recusamos a casar, somos absolutamente continentes”. De igual forma, o bispo Atenágoras, do século II, afirmou numa carta escrita ao imperador no ano 177 que os cristãos não praticam o coito para satisfazer os desejos. Antes, “a procriação de filhos é a medida do desejo dos nossas apetites.”

Naturalmente, o que temos aqui é um mero resumo simplificado destes textos. Cada um deve ser lido no seu contexto original. Nem cheguei ao desenvolvimento mais sério destes ensinamentos noutros padres como Agostinnho, Aquino e muitos outros, ao longo dos séculos. Acredito que é seguro dizer-se que o ensinamento que vemos reflectido no Humanae Vitae e nos desenvolvimentos posteriores levados a cabo por João Paulo II – de que não se deve separar as dimensões procriativa e unitiva do acto conjugal – remonta ao início da Igreja e que tem sido constantemente reafirmada desde então.

Mas sabem como é… Agostinho, Aquino, os primeiros padres da Igreja e 2000 anos de pensamento moral sobre esta questão de um lado e 141 “académicos”, na maior parte da Europa, onde a Igreja está morta (uma das signatárias é uma baronesa de verdade) a apresentar um documento numa reunião da ONU do outro lado,

Ena, é difícil saber que posição, a favor ou contra, devemos tomar sobre esta questão. Talvez o melhor seja atirar uma moeda ao ar.

Randall Smith in 'Catholic Thing' (Traduzido no blog 'Actualidade Religiosa')


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