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sábado, 6 de dezembro de 2025
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
Dia de São Nicolau (o verdadeiro Pai Natal)
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
Santuário de Fátima organiza um encontro com a controversa teóloga espanhola Cristina Inogés
A polémica e heterodoxa teóloga espanhola Cristina Inogés, formada numa faculdade protestante, é a próxima convidada dos 'Encontros da Basílica' organizados pelo Santuário de Fátima em Portugal.
“Através da palavra, da música ou de ambas, os Encontros da Basílica são uma oportunidade de aprendizagem e um convite à introspeção. A próxima sessão não será diferente e terá lugar no dia 8 de Setembro, tendo como oradora a teóloga Cristina Inogés Sanz. “Fizeste-mo a mim (Mt 25,40): imperativos da dignidade do outro“ é o tema da palestra que começa às 15h30, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima”, lê-se no site do santuário mariano português.
Como se não houvesse bons teólogos católicos, o Santuário de Fátima escolheu convidar e promover Cristina Inogés Sanz que “propõe uma reflexão sobre o imperativo moral cristão de respeitar a dignidade e os direitos dos outros. Muitas vezes aliviamos a nossa consciência acreditando que basta pertencer à Igreja, mas não é assim. Para dizer que pertencemos à Igreja, temos, antes de mais, de ser Igreja na nossa vida quotidiana. Não é por respeito, mas para não pôr em risco a dignidade de ninguém”, diz a nota que acompanha o anúncio do encontro.
Quem é Cristina Inogésé conhecida pelas suas posições heréticas em muitos domínios. Esta teóloga, formada numa universidade protestante, expressou repetidamente o seu desejo de que a Igreja aceitasse e abençoasse a homossexualidade e deixasse de considerar os seus actos como pecaminosos. A “mãe” sinodal nomeada pelo Papa Francisco para participar no Sínodo também deseja que, no futuro, as mulheres se vistam como padres.
Num exercício de omnipotência, chegou mesmo a dizer que a Igreja deveria rever a teologia de todos os sacramentos.
in infovaticana
segunda-feira, 29 de abril de 2024
A heresia é o pecado dos pecados
A suprema deslealdade para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus desdenha neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos da sua enorme odiosidade! É a poluição da verdade de Deus, que é a pior de todas as impurezas.
Porém, quão pouca importância damos à heresia! Fitamo-la e permanecemos calmos... Tocamo-la e não trememos. Misturamos-nos com ela e não temos medo. Vemo-la tocar nas coisas sagradas e não temos nenhum sentido do sacrilégio. Inalamos o seu odor e não mostramos qualquer sinal de abominação ou de nojo. De entre nós, alguns simpatizam com ela e alguns até atenuam a sua culpa. Não amamos a Deus o suficiente para nos enraivecermos por causa da Sua glória. Não amamos os homens o suficiente para sermos caridosamente verdadeiros por causa das suas almas.
Tendo perdido o tacto, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de morar no meio desta praga odiosa, imperturbavelmente tranquilos, reconciliados com a sua repulsividade, e não sem proferirmos declarações em que nos gabamos de uma admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatia tolerante.
Por que estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância das nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade não é sincera porque não é severa, e não é persuasiva porque não é sincera.
Falta-nos a devoção à verdade enquanto verdade, enquanto verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco, porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus ficasse lisonjeado pelas conversões, e não pelas almas trémulas, salvas por uma abundância de misericórdia.
Dizemos aos homens a metade da verdade, a metade que melhor convém à nossa própria pusilanimidade e aos seus próprios preconceitos. E, então, admiramo-nos que tão poucos se convertam e que, desses tão poucos, tantos apostatem.
Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos que a nossa meia-verdade não tenha tanto sucesso como a verdade completa de Deus.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade. Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de recta indignação.
Pe. Frederick William Faber in 'The Precious Blood' (Tan Books and Publishers - 2009)
sábado, 27 de abril de 2024
Profissão de Fé de S. Pedro Canísio contra a heresia protestante
S. Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI. A partir de 1571 passou a incluir esta profissão de fé em todos os seus livros:
Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.
A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.
Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem rectamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.
Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecuménicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.
Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.
Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerónimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.
Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.
Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.
No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.
Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.
Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.
Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Ámen.
PF
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
503 anos da Excomunhão de Lutero
No dia 3 de Janeiro de 1521, Martinho Lutero foi excomungado pelo Papa Leão X. Aqui deixamos algumas afirmações heréticas de Lutero:
Sobre a Missa:
"Quando a Missa for revirada, acho que teremos revirado o Papado! Porque é sobre a Missa, como sobre uma rocha, que o Papado se apoia totalmente, com os seus mosteiros, bispados, colégios, altares, ministérios e doutrina...Tudo isto desabará quando desabar a sua Missa sacrílega e abominável."
(Père Barrielle, Avant de mourir, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne - 1983 - http://amdg.free.fr/lexorand.htm)
Sobre o Ofertório da Missa:
"Segue toda esta abominação à qual se submete tudo aquilo que precede. É o que denominamos de Ofertório, e tudo, nele, exprime a oblação."
(Henri Charlier, La messe ancienne et la nouvelle D.M.M., 1973, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne - 1983)
Sobre o Cânone da Missa:
"Este abominável cânone, que é uma colectânea de lacunas lodosas; ... fez-se da Missa um sacrifício; acrescentaram-se os ofertórios. A Missa não é um sacrifício ou a acção de um sacrificador. Olhemo-la como sacramento ou como testamento. Chamemo-la de bênção, eucaristia, ou mesa do Senhor, ou Ceia do Senhor ou Memória do Senhor."
(Luther, Sermon du 1er dimanche de l'Avent, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne - 1983)
Sobre a táctica a seguir para a implantação da sua nova Missa:
"Para chegar segura e felizmente ao objectivo, é preciso conservar algumas cerimónias da antiga Missa, para os fracos, que poderiam se escandalizar com mudanças demasiadamente bruscas."
(Père Barrielle, La messe catholique est-elle encore permise?, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983)
"O Padre pode, muito bem, actuar de tal modo que o homem do povo ignore sempre as mudanças que fizemos e possa assistir à Missa sem encontrar com o que se escandalizar."
(Jacques Maritain, Trois Réformateurs, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983)
Sobre o Sacerdócio:
"Que loucura querer monopilizá-lo para alguns." (Para ele o sacerdócio não era restrito aos padres, mas compartilhado por todos os fiéis)
(Léon Cristiani, Du luthéranisme au protestantisme, 1910, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983)
Sobre o seu comportamento:
"Eu estou de manhã à noite desocupado e bêbado. Perguntam-me por que razão bebo tanto, por que razão falo tão galhardamente e por que razão como tanto. É para pregar uma peça ao diabo que se pôs a atormentar-me. É bebendo, comendo, rindo, nessa situação, e cada vez mais, e até mesmo cometendo algum pecado, à guisa de desafio e desprezo por Satanás, procurando tirar os pensamentos sugeridos pelo diabo com o auxílio de outros pensamentos, como, por exemplo, pensando numa linda mulher, na avareza ou na embriaguês, caso contrário ficarei muito raivoso."
(Marie Carré, J'ai choisi l'unité - D.P.F., 1973, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983)
"Eu tive até três esposas ao mesmo tempo." (Dois meses após ter dito isto, Lutero 'casou-se' com uma quarta mulher, uma freira)
(Guy Le Rumeur, La révolte des hommes et l'heure de Marie 1981, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne 1983)
Sobre a Igreja:
"Se nós condenamos os ladrões à forca, os assaltantes ao cadafalso, os hereges à fogueira, por que não recorremos, com todas as nossas armas, contra esses doutores da perdição, esses Cardeais, esses Papas, toda essa sequela da Sodoma romana, que não pára de corromper a Igreja de Deus? Por que não lavamos as nossas mãos no seu sangue?"
(Hartmann Grisar, Martin Luther - La vie et son oeuvre - 2ª ed. - Ed. P . Lethielleuz - Paris -1931)
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
O silêncio culpável do Papa Honório I
A heresia Nestoriana defendia que em Jesus Cristo havia
duas pessoas e duas naturezas. O Concílio de Éfeso (431 d.C.) ensina que em
Jesus Cristo há apenas uma pessoa (e não duas), na qual co-existem duas naturezas
- humana e divina - em união hipostática. Ainda como tentativa de
resposta ao Nestorianismo surge outra heresia, o Monotelismo. Esta defendia que
Jesus Cristo tinha apenas uma vontade. Essa teve o apoio (tácito) do Papa
Honório I. O Papa nunca apoiou explicitamente o Monotelismo mas contribuiu com
o seu silêncio para que se espalhasse e por isso foi condenado, como explica
Santo Afonso:
Não negamos
que Honório tenha errado ao impor silêncio àqueles que discutiam sobre se Jesus
Cristo tinha uma ou duas vontade. Sendo uma questão de erro, impor o silêncio é
favorecer o erro. Onde existe um erro é necessário denunciá-lo e abatê-lo. Esta
foi a falta de Honório.
Mas é
indubitável que Honório jamais tenha abraçado a heresia dos Monotelistas, que
dizem o contrário os hereges...responde o Sínodo que condenou Honório, não por
ter abraçado formalmente a heresia, mas pelo favor que prestou aos hereges;
como (o Papa) Leão II escreveu na epístola a Constantino Pogonato na qual
confirma o Sínodo.
Nessa
epístola, depois de enumerar os hereges condenados, fautores dos erros, como
Teodoro de Faran, Ciro de Alexandria, Sérgio, Pirro, Paulo e Pedro sucessores
na sede de Constantinopla, anatematiza também Honório; não por ter adoptado a
sua falsa doutrina, mas por ter permitido que ela não fosse derrubada.
Santo Afonso
Maria de Ligório in 'História das Heresias' (t. I, c. VII, art. II.)
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
113 anos da publicação do Juramento Anti-Modernista que todos os Bispos, Sacerdotes e Professores eram obrigados a professar
O Papa Pio X deparou-se com um movimento subversivo dentro da Igreja que visava alterar a doutrina de sempre com base num suposto aprofundamento do Dogma. Esse movimento chamava-se modernismo, apelidado pelo Papa como "soma de todas as heresias". Para o combater, São Pio X escreveu o decreto Lamentabili, a encíclica Pascendi e tornou obrigatório que todos os Bispos, Sacerdotes e Professores católicos fizessem este juramento anti-modernista. O Papa Paulo VI acabou com essa obrigação em 1967.
Em Latim:
Ego N. firmiter amplector ac recipio omnia et singula, quae ab inerranti Ecclesiae magisterio definita, adserta ac dedarata sunt, praesertim ea doctrinae capita, quae huius temporis erroribus directo adversantur.
Ac primum quidem: Deum, rerum omnium principium et finem, naturali rationis lumine per ea quae facta sunt (Rom 1,20), hoc est, per visibilia creationis opera, tamquam causam per effectus, certo cognosci, ideoque demonstrari etiam posse, profiteor.
Secundo: externa revelationis argumenta, hoc est facta divina, in primisque miracula et prophetias admitto et agnosco tamquam signa certissima divinitus ortae Christianae religionis, eademque teneo aetatum omnium atque hominum, etiam huius temporis, intellegentiae esse maxime accommodata.
Tertio: firma pariter fide credo Ecclesiam, verbi revelati custodem et magistram, per ipsum verum atque historicum Christum, cum apud nos degeret, proxime ac directo institutam eamdemque super Petrum, apostolicae hierarchiae principem, eiusque in aevum successores aedificatam.
Quarto: fidei doctrinam ab apostolis per orthodoxos patres eodem sensu eademque semper sententia ad nos usque transmissam, sincere recipio; ideoque prorsus reicio haereticum commentum evolutionis dogmatum, ab uno in alium sensum transeuntium, diversum ab eo, quem prius habuit Ecclesia; pariterque damno errorem omnem quo divino deposito, Christi sponsae tradito ab eaque fideliter custodiendo, sufficitur philosophicum inventum, vel creatio humanae conscientiae, hominum conatu sensim efformatae et in posterum indefinito progressu perficiendae.
Quinto: certissime teneo ac sincere profiteor, fidem non esse caecum sensum religionis e latebris «subconscientiae» erumpentem, sub pressione cordis et inflexionis voluntatis moraliter informatae, sed verum assensum intellectus veritati extrinsecus acceptae ex auditu, quo nempe, quae a Deo personali, creatore ac Domino nostro dicta, testata et revelata sunt, vera esse credimus, propter Dei auctoritatem summe veracis.
Me etiam, qua par est reverentia, subicio totoque animo adhaereo damnationibus, declarationibus, praescriptis omnibus, quae in encyclicis litteris Pascendi et in decreto Lamentabili continentur, praesertim circa eam quam historiam dogmatum vocant.
Idem reprobo errorem affirmantium, propositam ab Ecclesia fidem posse historiae repugnare, et catholica dogmata, quo sensu nunc intelleguntur, cum verioribus Christianae religionis originibus componi non posse.
Damno quoque ac reicio eorum sententiam, qui dicunt Christianum hominem eruditiorem induere personam duplicem, aliam credentis, aliam historici, quasi liceret historico ea retinere, quae credentis fidei contradicant, aut praemissas adstruere, ex quibus consequatur, dogmata esse aut falsa aut dubia, modo haec directo non denegentur.
Reprobo pariter eam Scripturae sanctae diiudicandae atque interpretandae rationem, quae, Ecclesiae traditione, analogia fidei et apostolicae Sedis normis posthabitis, rationalistarum commentis inhaeret, et criticam textus velut unicam supremamque regulam haud minus licenter quam temere amplectitur.
Sententiam praeterea illorum reiicio, qui tenent, doctori disciplinae historicae theologicae tradendae aut iis de rebus scribenti seponendam prius esse opinionem ante conceptam sive de supernaturali origine catholicae traditionis, sive de promissa divinitus ope ad perennem conservationem uniuscuiusque revelati veri; deinde scripta patrum singulorum interpretanda solis scientiae principiis, sacra qualibet auctoritate seclusa eaque iudicii libertate, qua profana quaevis monumenta solent investigari.
In universum denique me alienissimum ab errore profiteor, quo modernistae tenent in sacra traditione nihil inesse divini, aut, quad longe deterius, pantheistico sensu illud admittunt, ita ut nihil iam restet nisi nudum factum et simplex, communibus historice factis aequandum: hominum nempe sua industria, solertia, ingenio scholam a Christo eiusque apostolis inchoatam per subsequentes aetates continuantium.
Proinde fidem patrum firmissime retineo et ad extremum vitae spiritum retinebo, de charismate veritatis certo, quad est, fuit eritque semper in episcopatus ab apostolis successione, non ut id teneatur, quod melius et aptius videri possit secundum suam cuiusque aetatis culturam, sed ut numquam aliter credatur, numquam aliter intellegatur absoluta et immutabilis veritas ab initio per apostolos praedicata.Haec omnia spondeo me fideliter, integre sincereque servaturum et inviolabiliter custoditurum, nusquam ab us sive in docendo sive quomodolibet verbis scriptisque deflectendo. Sic spondeo, sic iuro, sic me Deus adiuvet, et haec sancta Dei Evangelia.
Eu, N., firmemente aceito e creio em todas e em cada uma das verdades definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério infalível da Igreja, sobretudo aqueles princípios doutrinais que contradizem directamente os erros do tempo presente.
Primeiro: creio que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza e pode também ser demonstrado, com as luzes da razão natural, nas obras por Ele realizadas (Cf. Rm I 20), isto é, nas criaturas visíveis, como [se conhece] a causa pelos seus efeitos.
Segundo: admito e reconheço as provas exteriores da revelação, isto é, as intervenções divinas, e sobretudo os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem sobrenatural da razão cristã, e as considero perfeitamente adequadas a todos os homens de todos os tempos, inclusive aquele no qual vivemos.
Terceiro: com a mesma firme fé creio que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi instituída imediatamente e directamente pelo próprio Cristo verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, chefe da hierarquia eclesiástica, e sobre os seus sucessores através dos séculos.
Quarto: acolho sinceramente a doutrina da fé transmitida a nós pelos apóstolos através dos padres ortodoxos, sempre com o mesmo sentido e igual conteúdo, e rejeito totalmente a fantasiosa heresia da evolução dos dogmas de um significado a outro, diferente daquele que a Igreja professava primeiro; condeno de igual modo todo o erro que pretenda substituir o depósito divino confiado por Cristo à Igreja, para que o guardasse fielmente, por uma hipótese filosófica ou uma criação da consciência que se tivesse ido formando lentamente mediante esforços humanos e contínuo aperfeiçoamento, com um progresso indefinido.
Quinto: estou absolutamente convencido e sinceramente declaro que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas um verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora pela pregação, pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente veraz, nós cremos tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.
Submeto-me também com o devido respeito, e de todo o coração adiro a todas as condenações, declarações e prescrições da encíclica Pascendi e do decreto Lamentabili, particularmente acerca da dita história dos dogmas.
Reprovo outrossim o erro de quem sustenta que a fé proposta pela Igreja pode ser contrária à história, e que os dogmas católicos, no sentido que hoje lhes é atribuído, são inconciliáveis com as reais origens da razão cristã.
Desaprovo também e rejeito a opinião de quem pensa que o homem cristão mais instruído se reveste da dupla personalidade do crente e do histórico, como se ao histórico fosse lícito defender teses que contradizem a fé o crente ou fixar premissas das quais se conclui que os dogmas são falsos ou dúbios, desde que não sejam positivamente negados.
Condeno igualmente aquele sistema de julgar e de interpretar a sagrada Escritura que, desdenhando a tradição da Igreja, a analogia da fé e as normas da Sé apostólica, recorre ao método dos racionalistas e com desenvoltura não menos que audácia, aplica a crítica textual como regra única e suprema.
Refuto ainda a sentença de quem sustenta que o ensinamento de disciplinas histórico-teológicas ou quem delas trata por escrito deve inicialmente prescindir de qualquer ideia pré-concebida, seja quanto à origem sobrenatural da tradição católica, seja quanto à ajuda prometida por Deus para a perene salvaguarda de cada uma das verdades reveladas, e então interpretar os textos patrísticos somente sobre as bases científicas, expulsando toda autoridade religiosa, e com a mesma autonomia crítica admitida para o exame de qualquer outro documento profano.
Declaro-me enfim totalmente alheio a todos os erros dos modernistas, segundo os quais na sagrada tradição não há nada de divino ou, pior ainda, admitem-no, mas em sentido panteísta, reduzindo-o a um evento pura e simplesmente análogo àqueles ocorridos na história, pelos quais os homens com o próprio empenho, habilidade e engenho prolongam nas eras posteriores a escola inaugurada por Cristo e pelos apóstolos.
Mantenho, portanto, e até o último suspiro manterei a fé dos pais no carisma certo da verdade, que esteve, está e sempre estará na sucessão do episcopado aos apóstolos, não para que se assuma aquilo que pareça melhor e mais consoante à cultura própria e particular de cada época, mas para que a verdade absoluta e imutável, pregada no princípio pelos apóstolos, não seja jamais crida de modo diferente nem entendida de outro modo.
Empenho-me em observar tudo isto fielmente, integralmente e sinceramente, e em guardá-lo inviolavelmente, sem jamais disso me separar nem no ensinamento nem em género algum de discursos ou de escritos. Assim prometo, assim juro, assim me ajudem Deus e esses santos Evangelhos de Deus.
Dado em Roma, em São Pedro, a 1 de Setembro de 1910.
PIO PP. X.
quinta-feira, 27 de abril de 2023
São Pedro Canísio SJ: Martelo dos hereges
São Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês,
nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante,
especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente
importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este
santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI.
Dele disse o Papa Bento XVI (9/2/2011):
«São Pedro Canísio transcorreu boa parte da sua vida em contacto com
as pessoas socialmente mais importantes da sua época e exerceu uma influência
especial com os seus escritos. Foi editor das obras completas de São Cirilo de
Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de são Jerónimo e das Orações de São
Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em várias línguas, biografias de
alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas os seus escritos mais
divulgados foram os três Catecismos, compostos de 1555 a 1558.
O primeiro Catecismo destinava-se aos estudantes capazes de entender noções
elementares de teologia; o segundo, aos jovens do povo para uma primeira
instrução religiosa; o terceiro, aos jovens com uma formação escolar a nível de
escolas secundárias e superiores. A doutrina católica era exposta com perguntas
e respostas, brevemente, em termos bíblicos, com muita clareza e sem
comentários polémicos. Só durante a sua vida houve 200 edições deste Catecismo!
E sucederam-se centenas de edições até ao século XX.
Assim na Alemanha, ainda na geração do meu pai, as pessoas chamavam o
Catecismo simplesmente o Canísio: foi deveras o Catequista da Alemanha, formou
a Fé de pessoas durante séculos.»
terça-feira, 28 de março de 2023
Esta citação converteu muitos protestantes ao catolicismo
Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático não herdará o reino de Deus. Se alguém seguir o caminho da heresia não se encontrará de acordo com a Paixão de Cristo. Tende o cuidado de tomar parte numa só Eucaristia.
Porque uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um é o cálice do Seu Sangue e um o altar que faz com que sejamos um. Assim como também um é o Bispo, juntamente com o seu presbitério e os diáconos, meus companheiros na servidão. Assim sendo, o que fizerdes estará de acordo com a Vontade de Deus.
Santo Inácio de Antioquia in 'Carta aos Filadélfios'
domingo, 26 de março de 2023
Pormenores sobre o novo "Rito Maia"
Este é o resumo do novo rito da Missa que poderá ser aprovado no México. Este "Rito Maia" será apresentado aos Bispos mexicanos em Abril e no Vaticano em Maio:
- O incenso é usado durante toda a Eucaristia por leigos ou leigas, chamados "incensadores".
- As orações são ditas por leigos ou leigas que são chamados "principais". Estão ao lado do sacerdote e são considerados "autoridades morais e espirituais". Citação: "A oração comunitária dirigida pelos principais é um elemento essencial que deve ser incluído no Ordinário da Eucaristia presidida com os povos indígenas desta diocese. Sem este elemento, não haveria uma entrada adequada numa relação pessoal com Deus, como se pretende na celebração da Eucaristia com os ritos iniciais".
- As danças rituais podem expressar "acção de graças", substituindo os cânticos de louvor.
- São utilizadas conchas maias, que servem originalmente para "comunicar com os antepassados", como parte do culto aos antepassados.
- Iluminação de velas maias para contactar "outras pessoas vivas ou falecidas" e a "irmã mãe terra".
- Um altar maia, chamado "oferta maia", é colocado na igreja, perto da mesa de refeições. Nele estão plantas, flores, frutos, sementes, velas de diferentes cores que apontam para os quatro pontos cardeais que se crê estarem associados aos deuses.
in gloria.tv
domingo, 15 de janeiro de 2023
Último texto escrito pelo Cardeal Pell: "O próximo Sínodo é um pesadelo tóxico"
Pouco dias antes de morrer, no passado dia 10 de Janeiro, o Cardeal George Pell escreveu o seguinte artigo no 'The Spectator', no qual denunciava o "Sínodo sobre a Sinodalidade" como um "pesadelo tóxico":
O Sínodo dos Bispos Católicos está agora ocupado a construir aquilo que eles consideram ser o "sonho de Deus" da sinodalidade. Infelizmente este sonho divino transformou-se num pesadelo tóxico, apesar das boas intenções professadas pelos bispos. Produziram um folheto de 45 páginas que apresenta o seu relato das discussões da primeira fase de "escuta e discernimento", realizada em muitas partes do mundo, e é um dos documentos mais incoerentes alguma vez enviados de Roma.
Embora agradeçamos a Deus que os números católicos em todo o mundo, especialmente em África e na Ásia estão a aumentar, o quadro é radicalmente diferente na América Latina, com perdas para os protestantes, bem como para os secularistas.
Sem sentido de ironia, o documento intitula-se "Amplia o Espaço da Tenda" e o objectivo de o fazer é acomodar, não os recém baptizados - aqueles que responderam ao apelo de arrependimento e crença - mas qualquer pessoa que possa estar interessada o suficiente para ouvir. Os participantes são instados a serem acolhedores e radicalmente inclusivos: "Ninguém é excluído". O documento não exorta nem mesmo os participantes católicos a fazer discípulos de todas as nações (Mat 28, 16-20), muito menos a pregar o Salvador oportuna e inoportunamente (2 Tim 4, 2).
A primeira tarefa para todos, e especialmente para os professores, é ouvir no Espírito. De acordo com esta recente actualização da boa-nova, a 'sinodalidade' como uma forma de ser para a Igreja não é para ser definida, mas apenas para ser vivida. Ela gira em torno de cinco tensões criativas, começando pela inclusão radical e avançando para a missão num estilo participativo, praticando 'co-responsabilidade com outros crentes e pessoas de boa vontade'. As dificuldades são reconhecidas, tais como a guerra, o genocídio e o fosso entre clero e leigos, mas tudo pode ser sustentado, dizem os Bispos, por uma espiritualidade animada.
A imagem da Igreja como uma tenda em expansão com o Senhor no seu centro vem de Isaías, e o objectivo desta é salientar que esta tenda em expansão é um lugar onde as pessoas são ouvidas e não julgadas, não excluídas. Assim lemos que o povo de Deus precisa de novas estratégias; não de disputas e confrontos, mas de diálogo, onde a distinção entre crentes e descrentes é rejeitada. O povo de Deus deve realmente ouvir, insiste, o grito dos pobres e da Terra.
Devido a diferenças de opinião sobre aborto, contracepção, ordenação das mulheres ao sacerdócio e actividade homossexual, alguns sentiram que não se podem estabelecer ou propor posições definitivas sobre estas questões. O mesmo se aplica à poligamia, ao divórcio e ao “recasamento”. No entanto, o documento é claro quanto ao problema da posição inferior das mulheres e dos perigos do clericalismo, embora seja reconhecida a contribuição positiva de muitos sacerdotes.
O que se deve fazer deste potpourri, desta efusão de boa vontade da Nova Era? Não se trata de um resumo da fé católica ou dos ensinamentos do Novo Testamento. É incompleto, hostil de formas significativas à tradição apostólica e em nenhum lugar reconhece o Novo Testamento como a Palavra de Deus, normativa para todos os ensinamentos sobre fé e moral. O Antigo Testamento é ignorado, o patriarcado rejeitado e a Lei Mosaica, incluindo os Dez Mandamentos, não é reconhecida.
Inicialmente, podem ser feitas duas observações. Os dois sínodos finais em Roma em 2023 e 2024 terão de clarificar o seu ensino sobre questões morais, uma vez que o Relator (escritor chefe e director) Cardeal Jean-Claude Hollerich rejeitou publicamente os ensinamentos básicos da Igreja sobre sexualidade, com o fundamento de que estes contradizem a ciência moderna. Em tempos normais, isto teria significado que a sua continuação como Relator era inadequada, ou mesmo impossível.
Os sínodos têm de escolher se são servos e defensores da tradição apostólica sobre fé e moral, ou se o seu discernimento os obriga a afirmarem a sua soberania sobre o ensino católico. Têm de decidir se os ensinamentos básicos sobre coisas como o sacerdócio e a moral podem ser estacionados num limbo pluralista onde alguns escolhem redefinir os pecados para baixo e a maioria concorda em diferir respeitosamente.
Fora do sínodo, a disciplina está a afrouxar - especialmente no Norte da Europa, onde alguns bispos não foram repreendidos, mesmo depois de terem afirmado o direito de um bispo à dissidência; um pluralismo de facto já existe mais amplamente em algumas paróquias e ordens religiosas sobre coisas como abençoar a actividade homossexual.
Os bispos diocesanos são os sucessores dos apóstolos, o principal professor em cada diocese e o foco da unidade local para o seu povo e da unidade universal em torno do Papa, o sucessor de Pedro. Desde o tempo de Santo Irineu de Lião, o bispo é também o garante da fidelidade contínua ao ensinamento de Cristo, a tradição apostólica. São governadores e por vezes juízes, assim como professores e celebrantes sacramentais e não são apenas flores de parede ou carimbos de borracha.
'Ampliar a Tenda' está atento às falhas dos bispos, que por vezes não ouvem, têm tendências autocráticas e podem ser clericalistas e individualistas. Há sinais de esperança, de liderança e cooperação eficazes, mas o documento opina que os modelos piramidais de autoridade devem ser destruídos e a única autoridade genuína vem do amor e do serviço. A dignidade baptismal deve ser enfatizada, não os estilos de ordenação ministerial e de governação devem ser menos hierárquicos e mais circulares e participativos.
Os principais actores em todos os sínodos católicos (e concílios) têm sido os bispos. De uma forma suave e cooperativa isto deve ser afirmado e posto em prática nos sínodos, para que as iniciativas pastorais permaneçam dentro dos limites da sã doutrina. Os bispos não estão lá simplesmente para validar o devido processo e oferecer um "nihil obstat" ao que ouviram.
Nenhum dos participantes do sínodo: leigos, religiosos, sacerdotes ou bispos, está bem servido pela decisão sinodal de que a votação não é permitida e as propostas não podem ser propostas. Transmitir apenas a opinião do comité organizador ao Santo Padre para que este faça o que ele decide é um abuso da sinodalidade, um afastamento dos bispos, injustificado pelas escrituras ou tradição. Não é um processo justo e é passível de manipulação.
Reuniões contínuas deste tipo aprofundam as divisões e alguns poucos sabem que podem explorar a confusão e a boa vontade. Os ex-Anglicanos entre nós têm razão em identificar a confusão crescente, o ataque à moral tradicional e a inserção no diálogo do jargão neo-marxista sobre exclusão, alienação, identidade, marginalização, os sem voz, LGBTQ, bem como a mudança de noções cristãs de perdão, pecado, sacrifício, cura, redenção. Porquê o silêncio sobre a vida após a morte de recompensa ou castigo, sobre as quatro últimas coisas; morte e julgamento, céu e inferno?
Até agora a via sinodal tem negligenciado, na verdade desvalorizado, o Transcendente, encoberto a centralidade de Cristo com apelos ao Espírito Santo e encorajado o ressentimento, especialmente entre os participantes.
Os documentos de trabalho não fazem parte do magistério. São uma base de discussão; para serem julgados por todo o povo de Deus e especialmente pelos bispos com e sob o Papa. Este documento de trabalho necessita de mudanças radicais. Os bispos devem compreender que há trabalho a ser feito, em nome de Deus, mais cedo do que mais tarde.
Cardeal George Pell in 'The Spectator'
quinta-feira, 27 de outubro de 2022
Chesterton descreve na perfeição o que se passa com o Ocidente
Suponhamos que surja numa rua uma grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinzenta, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: 'Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. "Se a luz for em si mesma boa…".
Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todos correm para o poste e deitam-no abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz eléctrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois os seus objectivos eram maus. Alguns interessavam-se pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa.
Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora temos que discutir no escuro.
G. K. Chesterton in 'Hereges' (1905)
sábado, 1 de outubro de 2022
São Tomás de Aquino explica o perigo e as consequências da Heresia
É muito mais grave corromper a Fé, pela qual a alma vive, do que falsificar o dinheiro, por meio do qual se conserva a vida temporal. De onde, se os falsários ou outros malfeitores são sem demora e justamente condenados à morte pelos príncipes seculares, com muito maior razão os heréticos, tão logo convencidos de heresia, podem não apenas ser excomungados, mas também e com justiça, mortos.
Da parte da Igreja, porém, há misericórdia para a conversão dos que erram. E por isso Ela não condena imediatamente, mas só após uma primeira e segunda correcção, como ensina o Apóstolo (Tito 3, 10). Depois, todavia, se o herege ainda se mostra pertinaz, a Igreja, já não tendo esperança de sua conversão, provê a salvação dos outros, separando-o da Igreja por sentença de excomunhão, e em seguida abandona-o ao juiz secular, para ser morto.
in Summa Theologiae, II-II, q. 11, art. 3
terça-feira, 14 de junho de 2022
São Basílio Magno sobre a crise ariana
São Basílio Magno foi Bispo de Cesareia no séc. IV. É um dos 3 Padres (da Igreja) da Capadócia, sendo os outros: Gregório de Nazianzo e Gregório de Níssa. Os seus sermões são muito importantes em termos doutrinais, especialmente na luta acérrima contra a crise ariana.
Durante esse tempo a maioria dos Bispos e muitos sacerdotes e leigos na Igreja tinham sido seduzidos pelo arianismo - que defendia Cristo como a criatura mais perfeita alguma vez criada mas não como Deus feito homem. Foram tempos difíceis para a Igreja e para os leigos que permaneceram com a Fé Católica, como se pode ver por esta descrição de São Basílio cerca do ano 372:
Os fiéis são obrigados a estar em silêncio mas qualquer língua blasfema tem a liberdade de falar. As coisas sagradas são profanadas, Os leigos verdadeiramente católicos evitam os lugares de oração que são escolas de impiedade e elevam os braços em oração a Deus na solidão, gemendo e chorando. (Ep. 92).
As coisas chegaram a este ponto: as pessoas abandonaram os locais de oração e encontram-se no deserto. É um espectáculo triste. Mulheres e crianças, velhos e doentes, sofrem sem qualquer abrigo com chuva, neve, vento, intempéries e, no Verão, sob um sol abrasador: Eles suportam tudo isto porque não querem ter parte activa no nefasto fermento ariano. (Ep. 242)
Há apenas um pecado que agora é gravemente punido: a observância atenta das tradições dos nossos Pais. Por essa razão, os bons foram expulsos de suas casas e levados para o deserto. (Ep. 243)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
Quem são os infiéis, segundo a Igreja Católica?
INFIDELIDADE é a carência da fé naqueles que não foram baptizados, ou naqueles que a perderam. Há três espécies de infidelidade: a dos hereges, a dos judeus e a dos pagãos.
Os hereges perderam a fé; os judeus não a querem receber; os pagãos ou não a conhecem porque não lhes foi anunciada, ou conhecendo-a não a quiseram receber. O pecado dos hereges é mais grave que o dos judeus; o dos judeus mais grave que o dos pagãos.
A infidelidade é o último pecado a que o homem chega por via doutros pecados. As causas principais da infidelidade daqueles que conhecem a Fé são: a ignorância dos motivos de credibilidade; a independência da vontade que não quer sujeitar-se a nenhuma autoridade; o desprezo da oração; a educação neutra ou irreligiosa dada nas escolas; a leitura de livros contrários às verdades da Fé; a frequentação com incrédulos; a corrupção dos costumes.
Os meios de vencer estes obstáculos são: procurar sólida instrução religiosa; considerar as funestas consequências da falta de Fé, e as vantagens que ela oferece para a vida presente e para a vida futura;
rezar; frequentar os actos do culto religioso.
Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica
sábado, 23 de outubro de 2021
A luta da Igreja contra a heresia para conservar a santa doutrina
A Igreja, fundada nos seus princípios e com consciência do seu dever, em nada tem tido maior zelo e procurado com maior esforço do que conservar de maneira mais perfeita a integridade da Fé. Foi por isso que sempre considerou como rebeldes declarados, e tem expulso para longe de si, todos aqueles que não pensavam como ela, fosse sobre que ponto fosse da sua doutrina.
Os Arianos, os Montanistas, os Novacianos, os Quartodecimanos, os Eutiquianos não tinham abandonado toda a doutrina católica, mas apenas esta ou aquela parte: e no entanto quem é que não sabe que eles foram declarados hereges e rejeitados do seio da Igreja? E julgamento semelhante tem condenado todos os fautores de doutrinas erróneas que têm aparecido depois, nas diferentes épocas da História.
'Nada poderia ser mais perigoso do que esses hereges que, conservando em tudo o mais a integridade da doutrina, por uma só palavra, como que por uma gota de veneno, corrompem a pureza e a simplicidade da fé que recebemos da tradição dominical, e depois apostólica' (Auctor Tractatus de Fide Orthodoxa contra Arianos).
Tal foi sempre o costume da Igreja, apoiada pelo juízo unânime dos santos Padres, os quais sempre consideraram como excluído da comunhão católica e fora da Igreja quem quer que se separe o menos possível da doutrina ensinada pelo magistério autêntico.
Epifânio, Agostinho, Teodoreto mencionaram um grande número de heresias do seu tempo. Santo Agostinho observa que outras espécies de heresias poderiam desenvolver-se, e que se alguém aderisse a uma só delas, separar-se-ia, por esse motivo, da unidade católica.
Papa Leão XIII in Encíclica 'Satis Cognitum' (29.VI. 1896)
sábado, 10 de abril de 2021
A deslealdade suprema para com Deus é a heresia
Alegoria do triunfo do Evangelho sobre a heresia e a serpente - Burchard Precht
A deslealdade suprema para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a coisa mais repugnante que Deus menospreza neste mundo perverso. No entanto, quão pouco compreendemos da sua odiosidade! É o poluir da verdade de Deus, que é a pior de todas as impurezas.
Ainda assim, quão levianamente a levamos! Olhamos para ela e permanecemos calmos. Tocamos-lhe e não estremecemos. Misturamo-nos com ela e não tememos. Vêmo-la tocar as coisas sagradas e não temos nenhuma sensação de sacrilégio. Respiramos o seu odor e não mostramos nenhum sinal de repugnância ou aversão. Alguns até travamos amizade com ela; e alguns até atenuamos a sua culpa.
Ainda assim, quão levianamente a levamos! Olhamos para ela e permanecemos calmos. Tocamos-lhe e não estremecemos. Misturamo-nos com ela e não tememos. Vêmo-la tocar as coisas sagradas e não temos nenhuma sensação de sacrilégio. Respiramos o seu odor e não mostramos nenhum sinal de repugnância ou aversão. Alguns até travamos amizade com ela; e alguns até atenuamos a sua culpa.
Nós não amamos o suficiente a Deus para estarmos zangados para Sua glória. Não amamos o suficiente o homem para sermos caridosamente verdadeiros com as suas almas. Perdendo o tacto, o paladar, a vista e todo o sentido do sagrado, podemos habitar no meio desta praga odiosa, numa tranquilidade imperturbável, reconciliados com a sua imundisse, não sem algumas profissões orgulhosas de admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatias tolerantes.
Porque é que estamos tão abaixo dos velhos santos, e até dos apóstolos modernos destes tempos posteriores, na abundância das nossas conversões? Porque não possuímos a austeridade antiga. Queremos o velho espirito de Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade falta à verdade, porque não é severa; e não persuade porque é falsa.
Falta-nos devoção à verdade como verdade, como verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco, porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus fosse elogiado pelas conversões, em vez de pelo tremer das almas resgatadas por uma extensão de misericórdia.
Falta-nos devoção à verdade como verdade, como verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco, porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus fosse elogiado pelas conversões, em vez de pelo tremer das almas resgatadas por uma extensão de misericórdia.
Dizemos ao homem metade da verdade, a metade que melhor serve a nossa própria pusilanimidade e a sua presunção; e depois perguntamo-nos porque é que tão poucos estão convertidos, e porque é que desses poucos tantos apostatam. Somos tão fracos que nos surpreendemos que as nossas meias-verdades não tiveram tanto sucesso como a verdade-toda de Deus.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade. Um homem que podia ser um apóstolo torna-se uma pústula na Igreja pela falta dessa abominação justa.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade. Um homem que podia ser um apóstolo torna-se uma pústula na Igreja pela falta dessa abominação justa.
Padre Faber, C.O. in, The Precious Blood: The Price of Our Salvation (1860)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Alguns Papas que erraram redondamente
O dogma da Fé não pode falhar, mas as inovações podem falhar-nos. Os homens podem falhar; os leigos podem falhar; os Sacerdotes podem falhar; os Bispos podem falhar; os Cardeais podem falhar; e até o Papa pode falhar em assuntos que não envolvam o Seu carisma de infalibilidade - tal como a História nos demonstra com mais do que um Papa que ensinou, ou pareceu ensinar, alguma inovação.
Por exemplo, o Papa Honório foi postumamente condenado pelo Terceiro Concílio de Constantinopla, no ano 680, por ser auxiliar e cúmplice de heresia, condenação essa que foi aprovada pelo Papa Leão II e reiterada por Papas subsequentes. No Século XIV (1333), o Papa João XXII proferiu homilias - não definições solenes - em que insistia que as bem-aventuradas almas dos defuntos não gozam da Visão Beatífica antes do dia do Juízo Final. Por causa disto foi denunciado e corrigido por teólogos até que, por fim, retratou a sua opinião herética já no leito de morte.
Neste último caso, os Católicos bem informados dessa época (que eram os teólogos) sabiam que João XXII estava enganado no seu ensino sobre o Juízo Particular. Sabiam que havia algo de errado no ensinamento de João XXII, por contradizer aquilo em que a Igreja tinha sempre acreditado - mesmo que, a essa altura, ainda não fosse uma definição infalível. Então, os Católicos que no século XIV conheciam a sua Fé, não se ficaram a dizer simplesmente: 'Ora bem, o Papa fez esta homilia a dizer isto…portanto, nós devemos mudar aquilo em que acreditamos'. Olhando ao ensino constante da Igreja de que os defuntos, falecidos na bem-aventurança, gozam da Visão Beatífica imediatamente a seguir ao Purgatório, os teólogos sabiam que João XXII estava enganado - e disseram-Lho.
E aconteceu que, com o passar do tempo, o carácter imediato da Visão Beatífica foi solene e infalivelmente definido em 1336, pelo sucessor de João XXII, o que arrumou o assunto e o pôs acima de todo e qualquer debate ulterior - ora é precisamente para isso que uma definição infalível foi necessária. O mesmo se pode dizer em relação a todos os outros assuntos infalivelmente definidos pela Igreja. Podemos, e devemos, confiar nestas definições infalíveis com absoluta certeza, e rejeitar todas as opiniões em contrário - mesmo se as opiniões contrárias vierem de um Cardeal ou até de um Papa. (...)
Outro exemplo é o do Papa Libério que, em 357, errou ao assinar um Credo que lhe fora proposto pelos Arianos e que omitia qualquer referência ao facto de o Filho ser consubstancial ao Pai. Resta esclarecer que o Papa Libério consentiu nisto depois de sofrer dois anos no exílio, e sob ameaça de morte. Falhou também (sob prisão e no exílio) ao condenar e excomungar erradamente - na realidade, dando só a aparência de excomungar - Santo Atanásio, que defendia a Fé neste assunto.
Libério, o primeiro Papa a não ser proclamado santo pela Igreja, errou, porque Atanásio ensinava a Doutrina Católica - a verdadeira e infalível doutrina - ensinada infalivelmente pelo Concílio de Niceia no ano de 325 d.C. E era essa definição infalível - não o ensino errôneo do Papa Libério - que tinha de ser seguido naquele caso.
Pe. Paul Kramer in 'O Derradeiro Combate do Demónio' - Associação Missionária, pp. 223-224, Coimbra (Portugal), 2003
domingo, 6 de dezembro de 2020
Rejeitar um único artigo da doutrina católica é deixar de ser católico
Os Arianos, os Montanistas, os Novacianos, os Quartodecimanos, os Eutiquianos não abandonaram a doutrina católica por inteiro, mas apenas esta ou aquela parte: e no entanto quem é que não sabe que eles foram declarados hereges e rejeitados do seio da Igreja?
E julgamento semelhante tem condenado todos os fautores de doutrinas erradas que entretanto apareceram, ao longo das diferentes épocas da História.
“Nada pode ser mais perigoso do que esses hereges que, conservando em tudo o mais a integridade da doutrina, alterando uma só palavra, como uma gota de veneno, corrompem a pureza e a simplicidade da Fé que recebemos através da Tradição Apostólica.” (Anon., Tract. de Fide Orthodoxa contra Arianos)
Tal foi sempre o costume da Igreja, apoiada no juízo unânime dos santos Padres, os quais sempre consideraram como excluído da comunhão católica e fora da Igreja quem quer que se separasse o menor que fosse da doutrina ensinada pelo magistério autêntico.
Papa Leão XIII in Encíclia 'Satis Cognitum', 1896
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