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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Cardeal exorcista reza oração de libertação pelo Mundo

Aos 96 anos, o Cardeal albanês Ernest Simoni, antigo prisioneiro dos campos comunistas, rezou em latim uma oração de libertação durante um congresso de exorcismo nos Estados Unidos. Um apelo comovente à fé e à oração para um mundo ameaçado pelas trevas.

Durante a «Worldwide Exorcism Conference», organizada em Newark pela John Leaps Evangelization, o Cardeal Ernest Simoni rezou uma oração de libertação em latim, «de cor», para «libertar as almas dos demónios, pelas pessoas com tumores e pelas jovens mães com dificuldades em conceber».

Embora não se tenha tratado de um exorcismo formal com todos os ritos canónicos, o fervor e a força espiritual da oração do Cardeal impressionaram os participantes. Com 96 anos, o Cardeal Simoni passou cerca de 20 anos num campo de trabalho sob o regime comunista albanês, depois de ter sido preso na noite de Natal de 1963. O seu crime? Ter celebrado Missa pelo repouso da alma do presidente americano John F. Kennedy.

«Os comunistas consideravam-me uma ameaça para o Partido e tentaram incansavelmente pôr-me a falar contra ele», contou. «Subornaram alguns dos meus amigos para que me levassem a criticar o governo, mas eu conhecia as suas artimanhas.» Acusado de conspiração contra o Estado, foi condenado à morte por fuzilamento. Após três meses de tortura e isolamento por ter recusado renegar a Igreja Católica, a sua pena foi comutada para 18 anos de trabalhos forçados. Apesar do sofrimento, Simoni continuou a celebrar Missa em latim, tendo memorizado toda a liturgia: «Um amigo fazia-me chegar pão e vinho às escondidas para que pudéssemos celebrar devidamente a missa», confidenciou em 2017.

Sofreu uma nova condenação à morte em 1973, após uma revolta no campo, mas a pena foi novamente comutada. Libertado em 1981, continuou a sofrer pressões do regime: «Tentaram convencer-me a casar, recrutando até os meus pais para tal. Diziam-me que, se abandonasse o sacerdócio, nunca mais iria preso.» A sua resposta ficou para a história: «Já estou casado com a Esposa mais bela que existe; estou casado com a Igreja.»

Após a queda do regime, em 1991, o padre Simoni retomou abertamente o seu ministério, sobretudo nas zonas rurais da Albânia. Celebra regularmente exorcismos, tal como fazia antes de 1963. Em 2018, na Universidade Regina Apostolorum de Roma, afirmou: «Pratico quatro a cinco exorcismos por dia.» O seu testemunho chegou até ao topo da Igreja: depois de o conhecer em 2014, o Papa Francisco elevou-o a Cardeal em 2016, chamando-lhe «mártir vivo». Demasiado idoso para participar no Conclave de 2025 que elegeu o Papa Leão XIV, Simoni permanece contudo activo. Recentemente, participou em peregrinações do Instituto Cristo Rei Sumo Sacerdote, celebrando a Missa Tradicional, que rezava quando estava em cativeiro.

Em 2017, deixou este alerta profético: «Vemos hoje a profecia de Fátima a realizar-se. Se os homens não se voltarem para Cristo, as trevas e o erro engolirão o mundo. Se confiarmos em Deus e nos voltarmos para Ele, nada temos a temer.»

in Tribune Chretienne


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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Halloween: exaltação do horror, do macabro e do demoníaco

Desde há algumas décadas que este mês de Outubro em que nos encontramos se tornou um tempo de frenética preparação da noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, que para muitos já não é mais a noite de Todos-os-Santos, mas tornou-se a noite de Halloween. 

Este acontecimento é hoje em dia uma moda, infelizmente comum na nossa cultura cristã, que serve sobretudo para a instrumentalização da internet, da imprensa escrita e de toda a comunicação social, que tende a divulgá-la. As vitrines das pastelarias, decoradas à moda do Halloween; o negócio dos brinquedos, as revistas para crianças, os sítios da internet chamam constantemente a atenção da sociedade para o Halloween; até as escolas são decoradas com fantasmas, cabeças de abóbora e máscaras monstruosas, que constituem uma real exaltação do macabro.

Tendo em vista essa noite, produzem-se fatos de bruxa, de fantasmas, de demónios, de vampiros, de lobisomens, de esqueletos, de monstros sanguinários e nessa noite organizam-se também manifestações deliberada e gravemente ofensivas em relação à nossa fé cristã, como por exemplo o que aconteceu numa grande discoteca de Roma em que na noite de Halloween se exibiu um fantoche que representava um sacerdote, enforcado pelos pés, com a cabeça para baixo.

O objectivo latente desta festa não é apenas comercial, mas é também e sobretudo o de induzir a opinião pública, em particular as crianças, os adolescentes e os jovens, a familiarizar-se com a mentalidade ocultista e da magia, estranha e hostil à cultura cristã (por vezes com a desculpa de aprofundar o conhecimento da cultura celta). E tudo isto enquanto assistimos à tentativa recorrente de eliminar os crucifixos dos locais públicos e, nas proximidades do Natal, também à proibição de montar o Presépio e de apresentar a mensagem espiritual do Natal nas escolas, nas mesmas escolas onde se promove a festa do Halloween, que é a exaltação da realidade espiritual maléfica, isto é de todas as formas que encarnam o mal, a morte, o medo, o macabro, o demoníaco.

Na noite de Halloween também se regista um aumento impressionante das práticas do ocultismo e de todos os rituais do satanismo, dado que aquela noite corresponde, segundo o calendário das bruxas, à vigília do Ano novo satânico, na qual o ritual de iniciação e consagração a Satanás ocorre em moldes perversos e desumanos.

Assim o Halloween, em vez de promover os valores, as atitudes e os comportamentos morais e espirituais que edificam a personalidade das crianças e dos jovens e consequentemente da sociedade de amanhã, propõe desvalores que não constroem mas destroem, que não elevam mas brutalizam o ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus e criado para O conhecer, amar e servir.

Por isso são bem-vindas na noite do 31 de Outubro para o 1º de Novembro, as vigílias de oração que acontecem em tantas igrejas, as celebrações da fé cristã com a presença de grupos, cantores ou compositores de musica cristã contemporânea, as procissões com as imagens dos Santos e também as representações teatrais das suas vidas, noites de saudável convívio para as crianças e palestras para as famílias, com jogos inspirados na boa tradição e com jantar para todos, que se vão difundindo um pouco por todo o lado, substituindo-se à aberrante exaltação e celebração do horror proposto pelo Halloween.

Traduzido e adaptado dum texto do Padre Francesco Bamonte, ICMS, exorcista da Diocese de Roma e Presidente da Associação Internacional de Exorcistas


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quinta-feira, 13 de junho de 2024

O poderoso Lema de Santo António

A tradição popular diz que Santo António deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demónio. 

O Papa Sisto V, franciscano, mandou esculpir a oração – também chamada de lema de Santo António – na base do obelisco que mandou erigir na Praça de São Pedro, em Roma.

Este é o original, em latim: 
Ecce Crucem Domini!
Fugite partes adversae!
Vicit Leo de tribu Juda,
Radix David! Alleluia!
 

A tradução para português:   

Eis a cruz do Senhor!
Fugi forças inimigas!
Venceu o Leão da tribo de Judá,
A raiz de David! Aleluia!
 

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la – em latim ou português – para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.


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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Oração tradicional a São Miguel Arcanjo


Latim:

In Nomine Patris, et Filii et Spiritus Sancti. Amen.

Princeps gloriosissime caelestis militiae, sancte Michael Archangele, defende nos in proelio et colluctatione, quae nobis adversus principes et potestates, adversus mundi rectores tenebrarum harum, contra spiritualia nequitiae, in caelestibus.

Veni in auxilium hominum, quos Deus creavit inexterminabiles, et ad imaginem similitudinis suae fecit, et a tyrannide diaboli emit pretio magno. Proeliare hodie cum beatorum Angelorum exercitu proelia Domini, sicut pugnasti contra ducem superbiae Luciferum, et angelos eius apostaticos: et non valuerunt, neque locus inventus est eorum amplius in coelo. Sed proiectus est draco ille magnus, serpens antiquus, qui vocatur diabolus et satanas, qui seducit universum orbem; et proiectus est in terram, et angeli eius cum illo missi sunt.

En antiquus inimicus et homicida vehementer erectus est. Transfiguratus in angelum lucis, cum tota malignorum spirituum caterva late circuit et invadit terram, ut in ea deleat nomen Dei et Christi eius, animasque ad aeternae gloriae coronam destinatas furetur, mactet ac perdat in sempiternum interitum.

Virus nequitiae suae, tamquam flumen immundissimum, draco maleficus transfundit in homines depravatos mente et corruptos corde; spiritum mendacii, impietatis et blasphemiae; halitumque mortiferum luxuriae, vitiorum omnium et iniquitatum.

Ecclesiam, Agni immaculati sponsam, faverrimi hostes repleverunt amaritudinibus, inebriarunt absinthio; ad omnia desiderabilia eius impias miserunt manus. Ubi sedes beatissimi Petri et Cathedra veritatis ad lucem gentium constituta est, ibi thronum posuerunt abominationis et impietatis suae; ut percusso Pastore, et gregem disperdere valeant.

Adesto itaque, Dux invictissime, populo Dei contra irrumpentes spirituales nequitias, et fac victoriam.

Te custodem et patronum sancta veneratur Ecclesia; te gloriatur defensore adversus terrestrium et infernorum nefarias potestates; tibi tradidit Dominus animas redemptorum in superna felicitate locandas. Deprecare Deum pacis, ut conterat satanam sub pedibus nostris, ne ultra valeat captivos tenere homines, et Ecclesiae nocere.

Offer nostras preces in conspectu Altissimi, ut cito anticipent nos misericordiae Domini, et apprehendas draconem, serpentem antiquum, qui est diabolus et satanas, ac ligatum mittas in abyssum, ut non seducat amplius gentes. Amen.


Português:

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amen.

Ó gloriosíssimo Príncipe da milícia celeste, Arcanjo S. Miguel, defendei-nos na nossa luta e nosso combate contra os principados e as potestades, contra os governantes deste mundo tenebroso, contra a perversidade espiritual em lugares elevados.

Vinde em auxilio do homem, que Deus criou imortal, à sua imagem e semelhança, e resgatou por grande preço da tirania do diabo. Combatei neste dia a batalha do Senhor, junto com os santos anjos, como já haveis combatido o líder dos anjos orgulhosos, Lúcifer, e o seu exército apóstata, que não tinham poder para vos resistir, nem tinham mais lugar no Céu. Mas aquela antiga e cruel serpente, chamada de demónio ou Satanás, que seduz todo a orbe, foi mandada para o abismo com todos os seus anjos.

Eis que o primordial inimigo e assassino do homem se ergueu veementemente. Transformado em anjo da luz, ele vagueia com toda a multitude de espíritos malignos, invadindo a terra em ordem a extirpar dela o nome de Deus e do Seu Cristo, para, deleitando-se, matar e atirar para a perdição eterna as almas destinadas à coroa da eterna glória.

Este malvado dragão derrama, como torrente imunda, o veneno da sua malícia sobre o homem de mente depravada e coração corrompido; o espirito da mentira, da impiedade e da blasfémia; o odor pestilento da luxúria e de todo o vício e iniquidade.

Estes astutos inimigos encheram e inebriaram com ódio e amargura a Igreja, a esposa do Cordeiro Imaculado, e deitaram as suas mãos impiedosas sobre as suas posses mais sagradas. Onde se encontra a Sede do Santo Apóstolo Pedro e Cátedra da Verdade para ser luz do mundo, eles elevaram um trono da sua abominável impiedade, com o desígnio iníquo de que quando o Pastor é abatido, as ovelhas se dispersam.

Erguei-vos então, ó General invencível, auxiliai o povo de Deus contra os ataques que irrompem dos espíritos perdidos e trazei-nos a vitória.

A Santa Igreja venera-vos como protector e patrono; glorifica-vos como a sua defesa contra os poderes malignos deste mundo e do inferno; a vós Deus confiou as almas do homem para serem estabelecidas na beatitude celeste. Intercedei junto do Deus da paz para que Ele esmague Satanás sob os nossos pés, tão conquistado que não consiga mais prender os homens em cativeiro e magoar a Igreja.

Oferecei as nossas orações à vista do Altíssimo, para que elas possam rapidamente alcançar-nos as misericórdias do Senhor; e derrubando o dragão, a antiga serpente, que é o demónio e Satanás, tornai-o novamente cativo no abismo, para que ele não possa mais seduzir as gentes. Ámen


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quinta-feira, 1 de junho de 2017

A Excelência do Rosário - Pe. Duarte Sousa Lara

Ontem, em Lisboa, na paróquia de Nossa Senhora da Encarnação no Chiado, o Padre Duarte Sousa Lara deu uma conferência sobre "A Excelência do Rosário", inserida num curso sobre o Rosário.

O Padre Duarte Sousa Lara é exorcista da diocese de Lamego desde 2008, tendo sido antes discípulo do Pe. Gabriel Amorth, conhecido exorcista da diocese de Roma que morreu há poucos meses, licenciado em teologia pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma, e fã de desportos radicais. É o exorcista português mais conhecido e uma autoridade na matéria.
O blogue Senza marcou presença e apresenta aqui um resumo da conferência do Pe. Duarte:

O Padre Duarte começou por explicar a importância da virtude da perseverança na nossa vida e como o Rosário é também uma oração de perseverança. Depois prosseguiu contando como surgiu o Rosário, com S. Domingos de Gusmão, contando como as pregações do Santo não pareciam dar frutos, por melhor preparadas que fossem. Ora, certo dia Nossa Senhora aparece a S. Domingos, entrega-lhe o Rosário juntamente com 15 promessas para aqueles que o rezarem e diz a Domingos: "vai e prega o rosário". A partir de então, assim fez o santo e os frutos começaram a aparecer duma maneira impressionante. Diz então o Padre Duarte que "o segredo para o apostolado é obedecer ao céu", fazer a vontade divina.

De seguida o Pe. Duarte referiu outros momentos importantes na história nos quais o Rosário foi protagonista. O primeiro exemplo foi a batalha de Muret, na qual pouco mais de mil cruzados liderados por Simão de Monfort derrotaram o exército albigense que apenas nesse dia (12-IX-1213) perdeu entre 10 e 15 mil homens. Depois falou na batalha de Lepanto, em que o Império Otomano (islâmico), contando com 230 navios, foi derrotado por uma armada cristã menor, que apenas perdeu 12 navios contra os 190 navios turcos capturados/destruídos, libertando assim 12 mil cristãos captivos. A armada cristã fora reunida pelo Papa S. Pio V que era dominicano. E sabendo da perniciosidade da sua posição militar, o Papa ordenou que todos os mosteiros e conventos romanos intensificassem a recitação do Rosário pela batalha que aí viria. Estando em Roma no momento em que a batalha terminou, sem possibilidade de o saber, S. Pio V anunciou que tinham vencido e desde então consagrou o dia da batalha (7-X-1571) a Nossa Senhora do Rosário.

Então, o Padre Sousa Lara prosseguiu a conferência destacando a importância do Rosário em todas as aparições de Nossa Senhora. Referiu como em todas as aparições de Lourdes, Nossa Senhora rezou o terço com Santa Bernardette Soubirous e como nas últimas rezou, inclusivamente os três terços que compõem o Rosário. Falou também da história do Beato Bartolo Longo, "o verdadeiro apóstolo do Rosário", um sacerdote satânico que se converteu, entrou para a ordem terceira dos dominicanos, e em reparação dos seus pecados propagou a devoção do Rosário, fundando o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia.

O Padre Duarte continuou, falando nas aparições de Fátima, cujo centenário celebramos, referindo como em todas as aparições há um pedido comum: "rezem o terço todos os dias!" Referindo como, quando Lúcia perguntou a Nossa Senhora se o Francisco ia para o céu esta respondeu que sim, mas que antes teria de rezar muitos terços, e como, em Julho de 1917, Nossa Senhora disse que apenas a Senhora do Rosário lhes poderia valer. Antes, para demonstrar como Fátima é essencial no nosso apostolado contou como quando pergunta a alguém se gosta de Nossa Senhora de Fátima e respondem que sim, ele diz: «então e já pensou, que um dia vai morrer, vai ver Nossa Senhora e ela lhe vai dizer: "então o terço, meu filho?"»

Pomos a nossa esperança noutros remédios não tão eficazes. O terço resolve!

Após esta história do Rosário, o sacerdote falou da importância do Rosário na vida de três santos modernos. Contou como o Padre Pio, um dos maiores místicos da história da Igreja, escreveu no seu diário em 1929 que prometia a partir daquele dia rezar diariamente 5 Rosários (15 terços!). A lógica tinha sido simples: Nossa Senhora mostrou-nos do céu qual é a melhor maneira de lá chegar, quando ao longo da história nos veio mandando rezar o terço. Portanto não é preciso fazer muita coisa. Só é preciso rezar muitos terços. Certo dia uma senhora disse ao Padre Pio que lhe fazia impressão como é que ele conseguia rezar tantos terços, ao que ele respondeu: "e a mim faz-me impressão como a senhora consegue rezar tão poucos." - Ups!, diz o Padre Duarte, entre gargalhadas da audiência. O Padre Pio era tudo à bruta! (...) Eu gosto muito do Padre Pio.

Depois, o Senhor Padre frisou duas frases da Irmã Lúcia, vidente de Fátima:
"A seguir à Missa, o terço é a oração que mais agrada a Deus."
"Não há nenhum problema, espiritual ou temporal, que não possa ser resolvido com o terço."

O Padre Duarte falou ainda sobre S. João Paulo II, como aquele que lhe mostrou que é possível ser santo e que ser santo é sinónimo de ser feliz. Reforçou que tudo o que é honesto é ocasião de amar a Deus e que o pecado desumaniza. Destrói o homem! Depois contou como S. João Paulo II tinha um grande sentido de humor. Certo dia, ainda Cardeal Wojtyla, chocou um outro cardeal dizendo-lhe: "Sabe? Na Polónia, 50% dos cardeais fazem ski." O outro cardeal, impressionado, não fazia ideia que apenas havia dois cardeais polacos. Quando foi eleito mandou construir uma piscina em Castel Gandolfo e quando um Monsenhor da cúria lhe disse que a obra era muito cara ele respondeu: "é mais caro eleger outro Papa." Tudo isto vindo do homem que disse: "O Rosário é a minha oração preferida. Uma oração maravilhosa pela sua simplicidade e profundidade." - Um Papa muito mariano.

O exorcista, de seguida, referiu três grandes objecções típicas à oração do terço:
1. "O terço não é uma oração litúrgica." - E então? - responde o Padre - Deus quis dar ao terço uma eficácia sublime. É ver todos os exemplos já deixados.
2. "O terço é repetitivo." - O amor é repetitivo! Vejam os namorados. Todos os dias: "estás muito bonita hoje" - algum dia ela se queixa?
3. "O terço é uma devoção a Nossa Senhora, mas nós somos cristãos." - Uma ideia protestante que entrou na Igreja. - diz o Padre Duarte. Olhar para Maria aproxima-nos de Jesus! Ele veio a nós por ela. No terço rezamos a oração que Jesus nos ensinou, no centro da Ave Maria está Jesus: "bendito o fruto do vosso ventre...", meditamos os mistérios da vida de Jesus. O terço não podia ser mais cristocêntrico.

A seguir, o Padre Duarte Sousa Lara falou do Pai Nosso como uma das orações que compõe o Rosário: O Pai Nosso é a oração mais perfeita. Devíamos meditar mais nele. Primeiro indica a quem pedimos e depois fazemos 7 petições.

Contou, posteriormente, como o Papa João Paulo I dizia, com graça, que já tinha feito o funeral ao seu amor próprio desordenado. (À sua soberba. Ao que lhe impede de amar mais a Deus.) Só que ele ressuscita...

Em seguida, falando sobre si, afirmou que até aos 20 anos não rezou o terço. Que em casa não rezava e apenas os avós maternos o faziam diariamente. Que foi muito importante para ele ler as Memórias da Irmã Lúcia. E que certo ano animou um campo de férias de Sairef e que todas as noites, às tantas da manhã, depois de mil actividades, os animadores se juntavam para rezar o terço e lá ia ele. No último dia, numa partilha reforçou como Nossa Senhora tinha dito em Fátima para rezar o terço todos os dias. O ambiente ficou pesado... Tentanto desanuviar o ambiente disse o Padre Nuno Serras Pereira, que os acompanhava: "e tu rezas?" - ao que ele respondeu que não. Aí percebeu que não podia apregoar uma coisa e viver outra e desde então reza o terço todos os dias, rezando hoje mais do que um. Começou a rezar o terço e acabou hoje com "esta bonita fatiota", referindo-se à batina. O Padre Duarte explica como isto é como as mudanças (caixa de velocidades) do carro: ia em primeira, começou a rezar o terço - segunda! - depois a fazer a devoção dos Primeiros Sábados - terceira! - e só pára quando quisermos que pare. A nossa relação com Deus só pára quando quisermos. Quanto mais rezarmos mais nos aproximamos de Deus (apesar de não ser matemático). Há uma relação entre a oração e a caridade.

Nossa Senhora prepara-nos para tempos difíceis que já começámos a viver. Nossa Senhora aparece e diz: "muitas almas se perdem..." Vivemos uma crise tremenda. Tempos dramáticos espiritualmente: paganismo; escândalo que incita as crianças ao pecado; aborto. Estamos a bater no fundo. Mas não podemos ser como alguém que tem um cancro e não aceita isso. Temos de fazer a quimioterapia, para termos uma chance. A humanidade vive um cancro espiritual. E não estamos a tomar o remédio. Mas há esperança: conversão! A palavra que resume Fátima.

Há palavras que assustam, na Igreja: não se pode falar de pecado. - "Senhor Padre, não diga isso!"
E depois na catequese: "Jesus é meu amigo!" - E é verdade. Catecismo, volume 2: "Jesus é muito meu amigo!" Catecismo, volume 3: "Jesus é mesmo mesmo mesmo meu amigo." Crisma: "Jesus é o melhor amigo do mundo." - Então e os 10 Mandamentos? "Não sei." E fingimos que está tudo bem.

"Senhor Padre, o senhor é um bocado negativo..." - Paciência. Não se importa de ser negativo. Quer é ajudar as pessoas a ir para o céu. Quer fazer o que o céu pede. Resumindo e concluindo: Rosário! Rosário! Rosário! Recomenda vivamente, já que experimenta todos os dias. Uma penitência para ele seria: "amanhã não podes rezar o Rosário." - não sabe como geriria isso. Uma pessoa quando gosta nunca mais larga. Portanto, quem tiver coragem experimente: não tem contra-indicações.

Para terminar, o blogue Senza perguntou ao Padre Duarte, na sua experiência como exorcista, qual a reacção do demónio ao Rosário. Se alguma vez tinha dito alguma coisa ou reagido de alguma maneira.

O Pe. Duarte respondeu que o demónio detesta o terço, quer a oração, quer o objecto. Que nos 311 casos graves que assistiu insistiu sempre na obrigação de se rezar o terço todos os dias. Que nos casos graves as pessoas nem são capazes de o fazer. Parece que desmaiam, estrebucham, gritam... Muitas vezes os terços partem-se ou perdem-se. O próprio objecto, durante os exorcismos, causa incómodo ao demónio. É uma das orações que o demónio menos gosta!


Reportagem Senza Pagare


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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A morte de um exorcista: Pe. Gabriele Amorth

O recente falecimento do Pe. Gabriele Amorth apanhou-me de surpresa. Sim, o velho exorcista já contava com 91 anos e, nesta idade, a morte não é propriamente um acontecimento inesperado; a manchete, no entanto, mostrou-me o quão pouco eu acompanhava as notícias a respeito dele. Não sabia que estava doente, aliás nem me lembrava ao certo da idade dele. Na Sexta-Feira passada, no entanto, ele deixou o campo de batalha terreno para nos ajudar lá do Alto, onde agora pode mais junto a Deus.


Há o mau hábito no Catolicismo contemporâneo de ser muito condescendente para com as imperfeições alheias, principalmente no que diz respeito à tendência de conceder uma imediata ascensão aos Céus às almas daqueles que minimamente admiramos. Toda gente é santo súbito, toda a morte é entrada gloriosa no Paraíso. Esquecemo-nos do Purgatório — e isso pode até ser falta de caridade de nossa parte, na medida em que não nos sentimos obrigados de rezar pelas almas daqueles que já consideramos salvos. Esquecemos do Purgatório e queremos que todos os nossos mortos estejam, desde já, desde o instante seguinte à morte, no gozo da Bem-Aventurança dos eleitos de Deus.

Ainda assim, eu disse acima que o Pe. Amorth já agora nos ajuda de junto de Deus. Justifico. Em primeiro lugar, o venerável sacerdote chegou a uma avançada idade, e isso significa duas coisas. Primeiro que não foi apanhado de surpresa pela Morte; segundo, que pôde padecer os sofrimentos próprios da velhice em expiação pelas próprias faltas e em preparação para o Dia sem ocaso. Muitas pessoas acham que a melhor morte é aquela que nos chega sem que percebamos; o famoso “ir dormir e acordar morto”. Não vou dizer que este seja uma má morte (até porque a morte ser boa ou má depende essencialmente das disposições interiores em que nos encontramos no instante derradeiro, e não de ela ser mais demorada ou mais lenta, mais consciente ou mais súbita); mas trata-se, parece-me, pelo menos de uma morte arriscada. As pessoas perderam o hábito de pensar na morte e, com isso, a morte repentina, de um mal súbito, ou a morte em um acidente, podem chegar sem que a casa esteja devidamente preparada, sem que as disposições interiores estejam suficientemente lapidadas, sem que a alma esteja pronta, em suma, para se encontrar com Deus e com os pecados de toda uma vida.

A morte na velhice, após uma doença mais ou menos longa, é o contrário. A Inimiga das Gentes vem devagar, vem anunciando a própria presença, vem a passos lentos — e, com isso, dá mais tempo para que nos preparemos. Podemos fazer um demorado exame de consciência; podemos suplicar mais demoradamente o perdão e a misericórdia de Deus. Podemos confessar-nos, receber a Extrema Unção e o Viático; podemos até mesmo oferecer os inconvenientes da doença, os achaques, o medo, as dores — os sofrimentos todos — em expiação pelas nossas faltas. Li que o Pe. Amorth expirou após algumas semanas internado num hospital; quero crer, portanto, que ele tenha sabido aproveitar todas essas oportunidades de apressar a própria entrada no Céu.

Uma segunda razão pela qual imagino que o Pe. Amorth esteja junto de Deus é o ofício ao qual ele dedicou a própria vida. Não foi apenas sacerdote (como se isso fosse pouco), mas sim sacerdote e exorcista. Foi nesta terra inimigo ferrenho de Satanás, lutando corajosamente contra ele exactamente naqueles aspectos em que a presença demoníaca no mundo é mais forte e mais perturbadora: a obsessão, a infestação, a possessão. O mundo moderno vive uma crise de Fé que, se muito esquece de Deus, muito mais esquece do Diabo; esta figura é muitas vezes relegada à superstição medieval, à ignorância de um passado obscuro, a concepções maniqueístas primitivas que não encontram mais lugar em um mundo onde Deus é Amor.

Ora, mas Deus sempre foi Amor; Deus é Amor desde a criação dos Anjos e a Queda de Lúcifer, e uma coisa não tem nada a ver com a outra. Satanás não é um “deus do mal”, mas isso não significa que não seja uma criatura capaz de fazer muito mal. Há entre os homens ladrões e assassinos, sádicos e estupradores, salteadores e bandidos de todos os naipes; a quantidade de mal que o homem tem provocado ao próprio homem é enorme e capaz de assombrar por toda uma vida aqueles que dela tenham ainda que um pálido vislumbre. 

Senão vejamos: se os homens podem causar mal uns aos outros sem que isso seja um óbice à existência de um Deus que é Pai Amoroso, por que um anjo não poderia também provocar o mal aos filhos de Deus sem que isso minimamente maculasse a omnibenevolência do Altíssimo? Não há maniqueísmos dentro da Doutrina Cristã e nunca os houve; não há um deus mau ao lado do Deus que é Bom. No entanto, o mistério da liberdade que permite a existência do mal moral dentro do mundo criado não se restringe apenas aos seres humanos. Também os anjos têm inteligência e vontade, também eles são seres livres, também podem fazer o mal. Satanás não é uma hipótese ingénua e contraditória com a noção de um Deus sumamente bom, pelo menos não mais do que um estuprador ou um serial killer. Na verdade é o contrário: ingenuidade é imaginar que, havendo ladrões e assassinos no mundo, não pudessem existir também seres angélicos voltados à prática do mal.

O Pe. Amorth foi inimigo ferrenho de Satanás nesta terra, e venceu-o por incontáveis vezes, e por isso eu também quero acreditar que Deus o tenha levado depressa para os Céus; pode ser sentimentalismo, mas acho que não convém que aquele que foi inimigo aberto do Demónio no mundo tenha a sua entrada no Céu postergada por causa de algum apego da sua alma aos pecados que nada mais são do que as obras do mesmo Satanás que ele dedicou a vida a combater. 

Mas há ainda uma terceira razão. É que o tempo e a Eternidade relacionam-se de maneira, digamos, curiosa: aqui a História desenrola-se de maneira sequencial mas, lá, é tudo já e(vi)terno.

O Padre Pio certo dia rezava pelo seu avô. “Mas Padre, não disse que ele já estava no Céu?”, um amigo perguntou; “sim, está, mas as orações que eu fiz por ele até hoje e as que eu ainda farei até o fim da minha vida ajudaram-no a chegar lá”. O John McCaffery registrou a história no seu livro de memórias, e compreendê-la ajuda a contemplar melhor o mistério da Comunhão dos Santos. O Céu já está completo enquanto a História se desenrola; e por mais tempo que uma alma justa tenha passado no Purgatório, já agora ela está no Céu, já agora ela pode interceder por nós.

É com este ânimo que olho para o Pe. Amorth e quero já vê-lo em esplendor — o velho guerreiro revestido das suas armas gloriosas, impingindo já a Satanás maiores tormentos do que nos mais formidáveis exorcismos que ele exerceu durante a sua vida…! Que assim seja. Que o bom Deus olhe com misericórdia para o seu pobre servo e lhe dê o descanso eterno, a luz e a paz. E que, do alto dos Céus, o Pe. Gabriele Amorth continue a fazer guerra terrível contra todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas.

Jorge Ferraz in Deus lo vult


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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Morreu hoje o Pe. Gabriele Amorth

Morreu hoje o Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma.
Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace.
Amen


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Aldina conseguiu libertar-se do demónio

Aldina tinha uma vida de luxo e uma carreira sólida, mas sentia-se vazia. Durante 10 anos, procurou respostas e um sentido para a vida em médiuns, terreiros e astrólogos – o que, acredita, abriu as portas ao demónio. Aos 33 anos, viveu um autêntico filme de terror e foi diagnosticada com esquizofrenia, mas só os exorcismos a curaram.

Aldina ficou assustada. Da terceira vez que foi ao terreiro e a seguir a um ritual, os médiuns começaram a incorporar espíritos. Naquele dia, os homens estavam vestidos de dráculas e as mulheres de prostitutas. Fumava-se e bebia-se muito. Tudo diferente da primeira vez, em que os mesmos médiuns apareceram vestidos de branco e o ambiente “parecia encantador”. No momento em que quis ir embora para não voltar mais, uma força sobrenatural empurrou-a contra uma parede. “Voei, não sei como aconteceu.” 

Aldina nunca teve razões para se queixar da vida. Construiu uma carreira sólida como designer de moda e chegou a gerir equipas de design em empresas de renome. Ia a festas, viajava pelo mundo inteiro, tinha amigos em toda a parte, frequentava os melhores ginásios e os melhores restaurantes. Gastava toneladas de dinheiro em roupa e maquilhagem. “Vivia a vida intensamente.” Mas, ao final do dia, depois das festas e dos copos, era o vazio. “Achava ter tudo e, afinal, não tinha nada.” 

Durante 10 anos tentou encontrar-se em todo o tipo de espiritualidades para fugir ao vazio. Fez ioga e reiki e, pelo meio, passou pelo consultório de dezenas de médiuns, astrólogos e cartomantes. Entrou em centros espíritas e terreiros. Era baptizada, dizia-se “católica não praticante”, mas não sabia que a Igreja proíbe essas práticas. Tinha fé e acreditava em Deus. Talvez por isso, e no meio da procura pelo sentido da vida, rejeitou sempre tudo o que estivesse ligado ao satanismo. “Nunca me meti em magia negra porque isso chocava com a minha ideia de bem e de fé, mas o resto achava inofensivo e até considerava que era divino e compatível com o meu catolicismo. Não via mal nenhum nas coisas.” 

A certa altura, frequentou um centro espírita durante meses – um pavilhão onde, uma vez por semana, se reuniam centenas de pessoas e trabalhavam dezenas de médiuns, entre eles médicos, professores e enfermeiros. Gente instruída e de classes sociais elevadas. Ali, misturavam-se imagens católicas, de Jesus e de santos, e elementos “estranhos e supersticiosos”. E não se pagava nada. “A maioria das pessoas considerava-se católica, como eu”, recorda Aldina. 

Com o tempo, foi acumulando livros nas estantes. “Como gosto de ler e de estudar, comprava tudo sobre ocultismo e espiritualidade.” Chegou a ter mais de 70 obras em casa, a maioria sobre filosofias ligadas ao movimento Nova Era – criado nos anos 1960 e que funde teologia, metafísica oriental e crenças espiritualistas. Muitas das videntes que consultou eram charlatãs e isso tornou-se evidente logo na primeira consulta. Outras, porém, conseguiram seduzi-la: “Tocavam em pontos chave da minha vida ou descreviam acontecimentos passados que só eu sabia.” 

A procura pelo sobrenatural acentuou-se com a morte do pai. Queria saber se ele estava em paz. Uma das videntes dizia falar por ele e imitava características da voz e gestos na perfeição. 

Sinais do demónio Em Agosto de 2010, poucos dias depois de fazer 33 anos e a seguir a um curso ligado à Nova Era, Aldina teve a primeira perturbação diabólica: sentiu uma presença constante e forte. De noite, não dormia com medo e, de dia, era perseguida por um peso “extraordinário, como se carregasse o mundo às costas”. Por esses dias, começaram os pesadelos. “Tão fortes, que acordava aos gritos.” 

De regresso de umas férias e à chegada ao Porto, entrou numa igreja. Pediu ajuda a Deus. E o que se seguiu, garante Aldina, foi “uma batalha contra o mal”. As manifestações passaram a ser quase diárias: “Ficava com uma força sobrenatural, falava em línguas estranhas, dava arrotos fortíssimos, o cabelo ficava em pé e todo embaraçado, a barriga inchava ao ponto de parecer grávida de meses, não suportava olhar para a cruz de Cristo.”

Com os primeiros sintomas, chegaram acidentes constantes e problemas no trabalho. Os pesadelos pioraram e, de noite, via vultos no quarto: “Os primeiros meses foram terríveis.” Nessa altura, trabalhava como freelancer e já não conseguia segurar as encomendas. Tentava disfarçar, dizia que estava doente. Se contasse o que sentia, o mais certo era as pessoas “não entenderem”. Tudo o que pensava era em recorrer a um exorcista, mas a família insistia que fosse a um psiquiatra, convencida de que poderia ser um caso de esquizofrenia. Tinha a certeza de que não era isso: “Já viu alguém enlouquecer de um dia para o outro? Ainda assim, fui.” O médico receitou-lhe medicação para a doença, mas Aldina diz que nunca a tomou. Ainda a tem, intacta, em casa. “Tomei só algumas vitaminas.” 

Preferiu a ajuda de um padre, mas o primeiro a que recorreu não a “entendeu”, apesar de até ter tido uma “reacção” diabólica mesmo à frente dele. Até que outro padre lhe falou do exorcista de Lamego.  Nessa altura, em 2011, o padre Sousa Lara atendia sem marcação, um dia por semana. Fez-se à estrada e, assim que encarou com ele, teve uma crise. O caso foi imediatamente considerado grave: “Nesse dia, necessitei de várias pessoas a segurarem em mim.” 

A libertação Foram precisos quatro exorcismos iniciais e, passados alguns meses, mais dois. Seis sessões para convencer o demónio a ir-se embora. O exorcista receitou-lhe trabalho de casa: ir à missa, rezar o terço e a oração de libertação todos os dias e confessar-se no mínimo uma vez por mês. “Deveria viver em estado de graça para que Deus pudesse agir totalmente. E se deixarmos brechas, como confissões mal feitas, dificilmente ficamos curados”, explica Aldina. 

Há casos, como contou nas páginas anteriores o padre Sousa Lara, em que os exorcizados ficam completamente inconscientes durante as sessões. Mas os exorcismos de Aldina não foram assim: “Estava consciente, mas não conseguia controlar os meus movimentos e o que dizia.” No fim de cada sessão, experimentava sempre o mesmo: “Sentia-me temporariamente aliviada, mas com o corpo muito dorido, como se tivesse feito exercício físico intenso.”

Para conseguir libertar-se, teve de mudar de vida. Deixou de viver com o namorado, com quem já partilhava casa há anos: “Caso contrário, não me poderia confessar.” Para a Igreja, a coabitação antes do casamento é pecado. “Passei a querer ser obediente e fiel ao meu baptismo e hoje entendo perfeitamente o motivo deste pedido da Igreja. Os planos de Deus são perfeitos, mas nós, infelizmente, nas últimas gerações, achamos que vale tudo. Há cada vez menos casamentos que duram toda a vida porque estamos a viver uma geração egoísta”, diz. Se no início estranhou ser católica praticante, agora a Igreja entranhou-se: “Vivo tudo mais intensamente.

Compreendo a graça de um casamento católico, do que é ser-se um sacerdote ou consagrado, do que são os sacramentos da Igreja na nossa vida. Tem sido uma longa e maravilhosa caminhada. Há males que vêm por bem.”

E, afinal, porque razão o demónio a perseguiu? Aldina está convencida de que “muitas portas espirituais” se abriram ao longo de uma década entre videntes, terreiros, espiritismos e adivinhações. Já passaram mais de três anos desde o fim dos exorcismos e não voltou a ter ataques. “Tive a graça de ser resgatada, mas quantos não se salvarão?”

in ionline


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quinta-feira, 28 de maio de 2015

O jogo "Charlie Charlie" é mais perigoso do que parece

Um jogo que tenta invocar um demónio mexicano - conhecido como "Charlie, Charlie" e considerado uma versão simplificada do tabuleiro de Ouija [tábua com desenhos para comunicar com mortos através do dedo indicador, parecido com o jogo do copo] - tornou-se viral nas redes sociais entre jovens adolescentes, levando um exorcista a avisar dos perigos envolvidos.

O jogo, que tem ganho imensa atenção online nos últimos dias, envolve um par de lápis ou canetas, uma folha de papel e a invocação de um espírito chamado "Charlie".

Pequenos filmes online, colocados maioritariamente por adolescentes, mostram os jogadores a encolher-se e a fugir quando o lápis aparentemente se mexe sozinho e aponta para o "sim" ou "não", depois de dizerem a frase que invoca o demónio.

O exorcista espanhol Jose Antonio Fortea disse à ACI Presnsa que o famoso #CharlieCharlieChallenge envolve a prática bem real e oculta de "invocar os espíritos."

Numa entrevista a 27 de Maio, ele avisou que "alguns espíritos que estão na raiz desta prática vão meter-se com alguns dos que jogam o jogo." Apesar de o sacerdote pensar que os jogadores "não ficarão necessariamente possuídos", o espírito foi invocado e "permanecerá perto durante um bocado."

O Pe. Fortea também avisou que jogar o jogo "vai fazer com que outros espíritos comecem a entrar numa comunicação mais frequente."

"Por isso a pessoa pode mesmo sofrer consequências piores do demónio," disse ele.

Os especialistas Católicos já verificaram que as actividades de ocultismo e a consequente necessidade de exorcimos atingiram um nível crítico por todo o mundo.

A Associação Internacional de Exorcistas (AIE) encontrou-se para a sua 12ª conferência anual em Roma, no passado Outubro. De acordo com o porta-voz da AIE, o Dr. Valter Cascioli, um número cada vez maior de bispos e cardeais pediu para participar na conferência devido a um aumento da actividade demoníaca.

"Está-se a tornar numa emergência pastoral," disse Cascioli à CNA. "De momento o número de perturbações de actividade demoníaca extraordinária está a crescer."

O aumento da actividade demoníaca pode ser atribuído à falta de fé cada vez maior entre as pessoas, juntamente com o aumento da curiosidade e participação em actividade ocultas tais como o tabuleiro de Ouija ou sessões de comunicação com mortos, disse Cascioli.

in Catholic News Agency (CNA)


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domingo, 17 de maio de 2015

Entrevista do Padre Duarte Sousa Lara ao i

Aprendeu com o exorcista oficial do Vaticano. Durante dez anos seguiu-o para toda a parte, em Roma. Desde 2008 faz exorcismos todas as sextas-feiras em Lamego e já lhe passaram pelas mãos mais de 200 casos graves, alguns enviados por psiquiatras

Quando conseguiu encontrar-se com o exorcista oficial de Roma, encheu-se de coragem. “Não me pode ensinar?”, perguntou-lhe. O padre Gabriele Amorth, que é de poucas conversas, olhou-o com estranheza. “Ó rapaz, tu és seminarista. Para te ensinar terias de ser, no mínimo, diácono.” Duarte Sousa Lara, acabado de chegar para estudar Teologia na Universidade de Santa Croce, da Opus Dei, insistiu. “Posso então ir consigo ver um exorcismo?”

Amorth, o mais famoso exorcista do mundo e que atendia 12 casos graves por semana, consentiu. E foi assim que o seminarista se juntou ao grupo de leigos que o acompanhavam e apoiavam nas sessões de expulsão do demónio. Sousa Lara passou a segui-lo para toda a parte. Sete anos depois, tornou-se padre e teve de pedir autorização ao bispo da diocese de Lamego – que o tinha mandado para Roma para se formar – para continuar a acompanhar o exorcista. O bispo concordou e, enquanto dava aulas na universidade e preparava a tese de doutoramento, ajudava Amorth nos exorcismos. Passaram dez anos juntos. “Ele simpatizou comigo, senão não me deixava ficar tanto tempo, mas a verdade é que não me dava muita conversa. Eu era um miúdo que estava ali. De vez em quando, lá explicava uma coisa ou outra, do género ‘agora vamos ter um caso em que toda a família está mal’, e pouco mais”, recorda. 

Em 2008, a diocese pediu-lhe que regressasse a Portugal para trabalhar em três paróquias, mas Sousa Lara queria mesmo era continuar a fazer exorcismos. O bispo aceitou nomeá-lo exorcista oficial da diocese, ainda que com uma condição: teria de assegurar, ao mesmo tempo, o trabalho nas três igrejas que lhe destinara inicialmente.

Nos últimos oito anos, o padre Sousa Lara atendeu, numa casa nas traseiras do Santuário de Lamego, mais de 200 possessões graves – casos em que foram precisas várias sessões de exorcismo. Desses, cerca de 150 já estão resolvidos e 60 continuam a dar trabalho. Todas as semanas recebe mais de 50 pedidos de ajuda, que chegam por carta e email, mas só atende os seis mais graves. No entanto, ninguém fica sem resposta: há uma equipa de ajudantes que contacta todas as pessoas, se inteira dos casos, aconselha soluções e acompanha os progressos. A maioria dos problemas, garante o exorcista, ficam resolvidos com uma simples confissão, idas à missa, comunhão e orações diárias. 

Todas as semanas, Duarte Sousa Lara recebe mais de 50 pedidos de ajuda, por carta e email 
Já os casos graves precisam, sobretudo, de paciência. “Há situações que demoram anos a resolver, mesmo com várias sessões e missas diárias.” Entre cada exorcismo, é preciso fazer trabalho de casa: “Confissão uma vez por mês, comunhão e missa diárias, terço e oração de libertação também todos os dias. Isto é o mínimo que se tem de fazer entre cada sessão e, se as pessoas não cumprirem isto, não continuo os exorcismos”, avisa. 

Quase todas as pessoas que lhe escrevem, desesperadas e com sintomas estranhos, são católicas não praticantes. E a maioria andou em bruxos, adivinhos e videntes. Outras foram vítimas de bruxarias. Para perceber a origem dos distúrbios, o exorcista começa por conversar com os exorcizados. Há quanto tempo começaram os sintomas? Alguma coisa mudou, nessa altura? As respostas não costumam variar: “As pessoas recuam no tempo e percebem que ou se zangaram com alguém ou mudaram de emprego, e isso suscitou inveja, ou se casaram contra a vontade de um sogro ou de uma sogra e, pelo meio, apareceu um sapo com a boca cozida à porta de casa. Ouço destas histórias às dezenas.” 

Os sintomas da possessão Sousa Lara trabalha de perto com um psiquiatra e um psicólogo, com quem discute os casos. E que lhe enviam pacientes que não conseguem tratar. “Pessoas que, mesmo debaixo de medicação fortíssima, continuam a desmaiar ou a ter distúrbios muito graves”, conta. Com o avançar das sessões, os sintomas começam a desaparecer porque o demónio vai enfraquecendo, até decidir ir-se embora.

Os sintomas da influência e da possessão diabólica são, por vezes, difíceis de identificar: distúrbios fisiológicos e psicológicos que a medicina não consegue explicar. Muitas vezes, os possessos começam a adivinhar coisas, falam em línguas estranhas, desmaiam sem ter doenças diagnosticadas, têm alucinações. O demónio, conta Sousa Lara, “age muito sobre os sentidos”. São comuns os casos de pessoas que ouvem estalos e barulhos de noite, vêem vultos, sentem cheiros anormais e têm dores de cabeça persistentes e incapacitantes que não passam com nenhum tipo de medicação. Depois, há os distúrbios ligados à casa: ouvir o som de torneiras abertas sem que haja água a correr, electrodomésticos que se ligam e desligam sozinhos. 

Atende os graves, mas ninguém fica sem resposta. A confissão resolve a maioria dos casos
Nos casos mais graves, os exorcizados entram em transe e não se recordam de nada do que aconteceu ou do que disseram nas sessões. Há quem precise de ser amarrado (Sousa Lara tem uma cama de hospital para as situações mais delicadas) e que, mesmo assim, tenha de ser segurado por várias pessoas. “Ganham uma força inexplicável”, descreve. No exorcismo, é o diabo quem fala pela pessoa. Grita, ameaça, cospe, morde, goza. “Alguns até cantam.” 
Há oito anos, quando começou a fazer os exorcismos, as freiras que vivem na parte de cima do edifício queixaram-se. Aquilo não podia continuar: todos os dias, um aparelho eléctrico diferente rebentava: ora era o microondas, ora a máquina de lavar. Até que o quadro eléctrico da casa pura e simplesmente ardeu. “Fui lá, rezei com elas e nunca mais voltou a haver problemas”, conta o exorcista. 

Sousa Lara garante, aliás, que nunca teve questões de maior com o diabo. “O demónio é como aqueles cães muito pequeninos que ladram muito, mas depois fogem a correr”, garante. Uma vez, num exorcismo, foi ameaçado de morte: “Vou-te fazer cair da mota”, disse-lhe o demónio. Ignorou-o completamente e continuou a andar à vontade pelos montes em redor de Lamego: “Continuei a cair, como já tinha caído antes.” Nenhum católico praticante deve, aliás, ter medo. “O demónio tem muito receio das pessoas que andam com Deus”, garante o exorcista. Talvez por isso, Sousa Lara nunca passou por nenhum episódio digno de filme de terror fora dos exorcismos. “É muito cansativo. Isto suga, consome muitíssimo, como se fosse um desporto violento.”

De beto da Linha a padre Duarte Sousa Lara está prestes a fazer 40 anos e, até aos 20 e poucos, nunca tinha pensado em ser padre. Muito menos imaginava tornar-se exorcista. Era um menino da Linha de Cascais e o mais velho de cinco irmãos de uma família rica. Cresceu no Estoril, ao pé da praia, e quando acabou o curso de Gestão na Universidade Católica, o pai arranjou-lhe um lugar na administração de um grande banco. Por essa altura, pensava casar, queria ter dez filhos e comprar uma quinta com uma pista de motocrosse. 

Nas férias entretinha-se com o bodyboard no Guincho, as namoradas e as motas. E enquanto os irmãos iam para acampamentos católicos, ele fazia-se à estrada rumo ao Alentejo, onde uns tios tinham um monte. 

Desmontava peças da mota, voltava a montá-las, participava em provas de todo-o-terreno e não perdia uma edição da Baja Portalegre. Aos 19 anos, a irmã perguntou-lhe se queria ser animador num acampamento na zona de Santarém. Eram 60 miúdos, com idades entre os 14 e os 16, 15 monitores pouco mais velhos e católicos “à séria”, um padre e alguns casais. Ele também ia à missa todos os domingos, mas os outros tinham uma caminhada “mais forte”: estavam, por exemplo, ligados a movimentos da Igreja. “Percebi que havia pessoas da minha idade para quem a fé era uma coisa muito importante.” Gostou da ideia e até com o padre – que foi de mota para o acampamento – simpatizou. Mas o clique deu-se em Fátima, visita obrigatória no acampamento. A mensagem mariana mexeu com ele: o céu existe, o inferno também, é preciso rezar, muita gente vai para o inferno porque ninguém faz nada e a coisa não está famosa. 

A partir desse Verão, começou a rezar o terço e a ir à missa todos os dias e passou por vários movimentos católicos. Meteu na cabeça que havia de ser santo, mas um santo moderno: havia de casar, ter os dez filhos e comprar a quinta com a pista de motocrosse. Sempre que ganhasse uma prova nas motas – o sonho era aparecer na revista favorita, a “Motojornal” –, falaria ao mundo sobre as coisas de Deus. Seria, portanto, um santo de mota que bebia Coca-Cola, comia gelados Santini e ia à praia do Guincho. Ainda hoje pensa assim: “As pessoas têm uma imagem da santidade um bocado deformada. Pensa-se que ser santo é fazer penitência e rezar muitas horas, mas ser-se santo é amar em tudo o que se faz, a única coisa incompatível com o amor é o pecado. Quem ama não mata, não rouba, não mente. Tudo aquilo que é honesto é matéria--prima para me santificar e eu percebi que Deus precisava e precisa de santos normais no meio do mundo.”

O projecto de vida estava desenhado. Só não contava com o chamamento para o sacerdócio. “Fiquei muito triste quando senti a necessidade desse caminho porque, se eu fosse para padre, não poderia fazer nada do que tinha planeado para a minha vida. Quem é que iria ser santo a ganhar provas de mota? Quem iria ser santo a comer pastéis de Belém e a ir para o Guincho? Eu tinha construído um plano que achava perfeito.” 

Nessa altura, estava a meio do curso de Gestão na Católica e começou a perder horas de sono, até porque a pressão intensificava-se. Quando abria a Bíblia ao acaso, calhava-lhe sempre a passagem do jovem rico – a história, repetida em três evangelhos, do rapaz rico que pergunta o que é preciso para ir para o céu. “Cumprir os mandamentos”, responde-lhe Jesus. “Mas isso eu já faço.” Jesus manda-o, então, desfazer-se todos os bens e segui-lo. Aquilo era um sinal: Duarte Sousa Lara era o jovem rico, mas dos tempos modernos. 

Decidiu que, quando acabasse o curso, experimentaria o seminário durante um ano. Com a esperança e a certeza de que não daria certo. Mas, assim, ficava de consciência tranquila. “Ninguém me podia culpar por não ter tentado: ia para o seminário, eles percebiam que eu não tinha jeito para aquilo, mandavam--me para casa e ficava tudo bem.” À medida que o curso ia chegando ao fim, a vontade de ser padre aumentou e, antes de embarcar para São Paulo, no Brasil, para estagiar num grande banco, já sabia que a carreira não passava por aquilo.

Num dia de anos, véspera de terminar a licenciatura, juntou a família. Na festa, antes de apagar as velas, fez o anúncio: “Amanhã acabo o curso e a seguir vou para o seminário.” O pai respondeu logo que não era nada que não se estivesse já a adivinhar, mas não gostou da ideia. Tinha outros projectos para o filho mais velho e arranjara-lhe até um lugar na administração de um grande banco.

Não demorou muito tempo até que Sousa Lara embarcasse num avião com destino a Roma: não queria estudar teologia em Portugal, porque achava que muitos professores não ensinavam o catecismo católico como ele realmente é. Como bom gestor, foi a Itália fazer um “estudo de mercado” sobre as universidades que havia. Enviado pela diocese de Lamego, acabou na Santa Croce, a universidade da Opus Dei. E um semestre depois de acabar o curso, já estava a dar aulas, ao mesmo tempo que acabava o doutoramento. 

Cartas de um exorcista Três vezes por ano, nas férias da Páscoa, do Natal e no Verão, voltava a Lamego. Sempre que encontrava um caso de perturbação diabólica, tentava resolver o problema, mas o bispo tinha de autorizar os exorcismos um a um, porque Sousa Lara só tinha permissão para exorcizar em Roma. A 20 de Março de 2008, e pouco tempo depois de regressar definitivamente a Portugal, foi nomeado exorcista oficial da diocese de Lamego. Desde então, tem autonomia para fazer os rituais. 

Os pedidos de socorro foram aumentando ao longo dos anos e Lamego passou a receber cada vez mais pessoas desesperadas e vindas de todas as partes do país. Sousa Lara ainda tentou tratar do assunto como mandam as regras: “Com a autorização do meu bispo, escrevia cartas aos bispos das dioceses das pessoas.

Explicava que estavam mal, que precisavam de ajuda e perguntava se seria possível que um padre as acompanhasse, de maneira a não terem de fazer tantos quilómetros até Lamego.” Alguns bispos lidaram mal com o pedido. Houve quem lhe escrevesse de volta a dizer que estava enganado e que as pessoas não precisavam de acompanhamento nenhum. Outros foram-se mesmo queixar ao bispo de Lamego. “Um dia, o meu bispo chamou-me e disse-me: ‘Não escrevas mais directamente aos bispos. Manda as cartas para mim, que eu depois entrego-as.’” 

Apesar de a Igreja Católica continuar a defender, no catecismo, que o inferno e o demónio existem e que a oração do exorcismo é eficaz, muitos padres, especialmente os mais jovens, não acreditam. Por isso, há quem olhe para ele como se fosse um lunático – apesar de o Papa Francisco ter chamado a atenção, nos últimos dois anos, para a importância do combate ao demónio. Apesar de tudo, também houve reacções positivas por parte do clero português. Um bispo, depois de receber uma das cartas, decidiu nomear um exorcista oficial para a sua diocese. 

A luta contra o demónio Os três exorcistas da Igreja portuguesa não têm mãos para tantos casos. E, em Lamego, o excesso de trabalho obriga a uma agenda disciplinada e planeada ao minuto. “Tento ter uma vida equilibrada. À segunda é o meu dia de retiro, à terça estudo para poder pregar, à quarta é o dia do correio e de ler os novos pedidos de ajuda, à quinta faço direcção espiritual e confissões e às sextas são os exorcismos”, conta Sousa Lara. 

Tem fama de austero e acorda todos os dias às seis da manhã. Meia hora depois, já está a rezar. A oração dura até às oito da manhã. Antes do almoço, já está outra vez a rezar o terço – todos os dias reza um rosário (quatro terços). Ao final do dia celebra uma missa e reza as vésperas e, a seguir ao jantar, volta a rezar. Pelo meio, trabalha. A rotina é muito diferente da de alguns padres católicos, que não rezam tanto quanto deveriam. “O nosso equilíbrio espiritual está muito ligado à oração, que é fundamental para a união com Deus. É como num namoro: se dois namorados não se encontram e não falam, a relação não pode ter grande futuro”, explica.

Também ao contrário de muitos padres, Sousa Lara faz questão de andar sempre de batina preta – só a despe para dormir e andar de mota. “As pessoas não sabem, mas é obrigatório os padres andarem sempre identificados. O sacerdócio é um ministério público e temos de estar prontos e disponíveis para receber qualquer pessoa que precise de um padre, a qualquer hora e em qualquer lugar.” Culpa da batina, já confessou pessoas em todo o tipo de sítios. Até no aeroporto, enquanto esperava pelas malas. Até podia andar só com o cabeção, como a esmagadora maioria dos colegas, mas gosta de citar um amigo que uma vez lhe disse, em Roma: “Gosto que se veja à distância que sou padre.” 

Com o sacerdócio e os exorcismos, a quinta, a pista de motocrosse, o casamento e os dez filhos ficaram para trás. Já depois de ser padre, aconteceu-lhe uma espécie de milagre: ganhou a Baja de Portalegre e apareceu em dois números da “Motojornal”, na capa. Falou de Deus, como tinha sonhado em miúdo. 

Rosa Ramos in Jornal i


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terça-feira, 16 de setembro de 2014

"Livra-nos do mal": Um polícia conta a sua experiência com exorcismos


Chegou recentemente aos cinemas o filme de terror "Livrai-nos do Mal” de Scott Derrickson, também director do filme "O Exorcismo de Emily Rose". "Livrai-nos do Mal" é um filme inspirado na experiência real de um agente da polícia de Nova York, Ralph Sarchie, experiência que quis partilhar na imprensa, aproveitando o impacto do filme.

O filme custou 30 milhões de dólares, investimento que recuperou com a venda dos bilhetes nos EUA. E no estrangeiro lucrou outros 25 milhões. 

Esta história, sobre um Sacerdote Católico Latino e exorcista e seu companheiro polícia que vai perdendo o seu cepticismo de susto em susto, pareceu não desagradar o público de Países longe da Cultura Católica: lucrou 390.ooo dólares na Coreia, 470.000 em Singapura, 360.000 em Hong Kong e um milhão na Malásia muçulmana.

O país teve maior receita até agora foi a Venezuela Bolivariana (2,4 milhões de dólares), com um público atraído pelo actor Venezuelano Edgar Ramirez, no papel do sacerdote. À Venezuela segue-se quase com a mesma receita a Austrália e a Argentina com 1,4 milhões e o Reino Unido com mais de 1 milhão. 

O ex-agente Ralph Sarchie, reformado depois de cumpridos os seus 20 anos de serviço, concordou em colaborar na divulgação e promoção por motivos de evangelização e não há dúvida que as suas reflexões sobre a natureza do mal chegaram assim até aos confins da Terra.

NO MEIO DO CRIME, ENCONTROU A FÉ

Em diversas entrevistas Sarchie explica que foi educado como católico, que se afastou da fé durante a sua juventude, mas que a recuperou quando como polícia se encontrou nas zonas mais perigosas de Nova Iorque, muitas vezes como infiltrado em grupos criminosos, o que explica as suas muitas tatuagens. Ali descobriu que, além da maldade humana dos criminosos ou dos viciados desesperados havia outra maldade mais profunda. 

"Se me ia envolver numa batalha com o demónio, precisava estar forte na religião", entendeu. "Hoje rezo o terço diariamente e peço todos os dias a Deus que faça com a minha vida o que for da sua vontade”.

Sarchie explica que só um Sacerdote ordenado e com permissão do Bispo pode celebrar exorcismos sobre as pessoas. Às vezes, ele realiza orações de libertação e bênçãos em edifícios ou lugares, mas como um leigo é essencialmente ajudante e estudioso de demonologia.

Os sinais para detectar uma pessoa possuída, diz ele, são clássicos: força que não é natural, falar em idiomas que desconhece, saber coisas que não deveria saber, a voz feminina torna-se masculina e emitir sons animalescos...

Conta que nunca cobrou "um cêntimo" pela sua actividade como demonologista, e chegou a ter custos por causa de deslocamentos para atender casos.

Também lhe custou o casamento. Nunca viveu experiencias demoníacas até que enquanto policia se dedicou a esta área e algumas destas experiências o “seguiram” até casa e assustaram a sua mulher. "E por isso é a minha ex", comenta numa entrevista. Diz que as suas filhas- já adultas- assistiram a alguns casos e que assumiram que "isso é verdade" com naturalidade. 

"Recebo comentários cépticos aqui e ali, e alguns deles realmente desagradáveis. Mas eu não me preocupo com o que pensam de mim ", explica.

ACTIVIDADE MALIGNA EM ASCENÇÃO 

O que é claro é que a actividade demoníaca está a crescer, seja através da infestação, da opressão ou de maneira mais rara da possessão. "Está em ascensão, odeio dize-lo, à medida que a sociedade expulsa Deus, não se pode negar. Há uma parte da sociedade que simplesmente não 'suporta' Jesus Cristo; quando eu vejo isso, pergunto-me de onde vem esse ódio." 

Quando lhe perguntam por um momento o que é que o assusta especialmente, conta um certo exorcismo. 

"Tínhamos um par de relíquias na igreja naquele dia, e a minha estava à direita da cabeça da pessoa, perto da orelha... eu costumo estar em frente. Conseguia ver os seus olhos. O olho direito olhava para o crucifixo, mas sem virar a cabeça, era como uma estátua. Os olhos iam e vinham, foi terrível de ver ", explica, comparando-a com um "animal encurralado e assustado" e a "um predador que procura uma saída”.

"Fui polícia muitos anos, lidei com muitas pessoas emocionalmente perturbadas e ligadas a gente muito má e nunca, nunca na minha vida nas ruas vi nada assim parecido. Um olhar de um assassino é diferente, não é parecido com o do possesso” partilha.

As suas experiências mais terríveis como ajudante de exorcista (e de polícia em zonas perigosas) estão no livro aterrador "Beware the Night". 

O SEU MESTRE NOS EXORCISMOS 

O sargento Sarchie foi ajudante em exorcismos do Padre irlandês Malachi Martin, em Nova York, que publicou em 1975 o seu livro sobre experiências exorcísticas "Hostage to the Devil", centrado em cinco casos que atendeu, embora nos anos noventa o Padre Martin explicou que fez exorcismos completos centenas de vezes. 

Este sacerdote Martin merecia o seu próprio filme: foi ajudante do Cardeal Bea no Concilio Vaticano II, especialista no diálogo com os judeus e com os Ortodoxos. Abandonou a Companhia de Jesus desencantado pelo caos pós-conciliar e emigrou para os EUA, onde trabalhou como taxista e a lavar pratos ... e, finalmente, dedicou-se a escrever romances (tinha o encargo de Paulo VI para evangelizar através da comunicação social). O sargento Sarchie foi um grande discípulo seu no atendimento às vítimas de actividade demoníaca.

UM PADRE LATINO PARA O FILME 

Para o filme, o director decidiu que, em vez de um padre irlandês queria um padre latino, "as pessoas não vão ser tão duras com ele, há maior aceitação cultural", disse no National Catholic Register

O actor escolhido, Edgar Ramirez, inspirou-se num amigo, jesuíta venezuelano que esteve dependente de drogas e que sabia o que era cair, lutar e levantar-se. Edgar Ramirez acredita que o filme, mais que entreter ao despoletar medo ensina a perdoar, como é explicado no vídeo em espanhol abaixo.

Quanto aos locais de rodagem para as filmagens, incluíram zonas perigosas de Nova York, onde o polícia fez patrulhas, incluindo ruas onde fez detenções. "Quem diria, que alguma fez filmaríamos um filme ali?" Ri-se Ralph Sarchie hoje.

in Religion en Libertad



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