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quinta-feira, 9 de julho de 2026

De Sacerdote bêbado e mulherengo a Mártir

Hoje é dia de Santo Andries Wounters, que foi um sacerdote holandês com uma vida escandalosa.

Andries não era propriamente um Padre exemplar. Era um bêbado e um mulherengo. Já sacerdote, teve vários casos com mulheres e foi pai de vários filhos, apesar do voto de celibato. Foi suspenso por causa do seu comportamento escandaloso.
 
No entanto, quando os Calvinistas o prenderam e o obrigaram a renunciar à Fé Católica no Santíssimo Sacramento e à lealdade ao Papa, o sacerdote respondeu: “Fornicador sempre fui; herege nunca!”

Depois disso foi enforcado pelos hereges Calvinistas e é venerado na Igreja Católica como mártir.

A heresia é muitas vezes vista como um “crime sem vítimas”. Mas a primeira vítima é o próprio Deus, na verdade que por Ele nos foi revelada. A segunda são as almas que vão para o Inferno por negarem essa verdade. 

A heresia em si mesma é um pecado mais grave do que a luxúria, embora ambos sejam pecados graves que requerem arrependimento e confissão, ou martírio, para que se volte a viver em comunhão com Deus.


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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Mandem esta história aos vossos amigos Protestantes

São Bonifácio de Tarso é um daqueles santos cuja vida mostra como a graça de Deus pode transformar radicalmente uma alma. Segundo a tradição, vivia em Roma ao serviço de uma mulher nobre, Aglaida, e levava uma vida marcada por excessos e pecado. Mas havia nele uma semente de bem: era generoso com os pobres e compassivo com os que sofriam.

Aglaida enviou-o ao Oriente para procurar relíquias de mártires cristãos. Ao chegar a Tarso, na Cilícia, Bonifácio encontrou cristãos a serem torturados publicamente por se recusarem a sacrificar aos deuses pagãos. O que deveria ser apenas uma missão tornou-se o momento decisivo da sua conversão. Vendo a serenidade dos mártires no meio dos tormentos, aproximou-se deles, beijou-lhes os pés e pediu que rezassem por ele.

Levado diante do juiz pagão, Bonifácio foi interrogado. A sua resposta foi simples e definitiva: “Sou cristão.” Recusou oferecer incenso aos ídolos e, por isso, foi submetido a tormentos brutais. A tradição conta que sofreu açoites, agulhas sob as unhas e outros suplícios, mas permaneceu firme. O seu testemunho impressionou a multidão, que começou a proclamar a grandeza do Deus dos cristãos e a voltar-se contra os ídolos.

Por fim, não conseguindo quebrar a sua fé, os pagãos condenaram-no à morte pela espada. Bonifácio, que tinha partido à procura de relíquias, tornou-se ele próprio mártir de Cristo. O seu corpo foi levado de volta a Roma, onde Aglaida o recebeu com veneração. Ela também se converteu, distribuiu os seus bens aos pobres e passou o resto da vida em penitência.

São Bonifácio, rogai por nós.


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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Suplício de São João na Porta Latina

São João foi o único dos Apóstolos a morrer de morte natural (em Éfeso). Ainda assim, sofreu um grave atentado contra a sua vida, ao qual sobreviveu apenas por milagre. Escapou ileso a um banho de azeite a ferver. A festa desse dia é celebrada hoje, dia 6 de Maio: São João diante da Porta Latina.

A permanência de João em Éfeso, onde escreve o Evangelho (segundo o mesmo Irineu afirma), é interrompida, como as fontes antigas nos dizem, pela perseguição sofrida sob Domiciano (imperador de 81 a 96), provavelmente por volta do ano de 95. É nesse ponto que se insere a tradição, registrada por muitos autores antigos, de sua viagem a Roma e da sua condenação à morte numa caldeira de argila cheia de óleo fervente, da qual saiu ileso por milagre. 

A fonte mais antiga a falar do martírio é Tertuliano, por volta do ano 200: “Se fores a Itália, encontrarás Roma, de onde podemos beber nós também a autoridade dos apóstolos. Como é feliz essa Igreja, à qual os apóstolos ofereceram a doutrina por completo, acrescentando-lhe o seu sangue, onde Pedro se identifica com o Senhor na paixão, onde Paulo é coroado com a mesma morte de João Baptista, onde o apóstolo João, mergulhado sem se ferir em óleo fervente, é condenado ao exílio numa ilha” (A prescrição contra os hereges, 36). 

Outro testemunho é o de Jerónimo, que escreve no final do século IV: “João terminou sua vida com uma morte natural. Mas, se lermos as histórias eclesiásticas, aprenderemos que ele também foi posto, em razão do seu testemunho, numa caldeira de óleo fervente, da qual saiu, como atleta, para receber a coroa de Cristo, e que logo depois foi relegado à ilha de Patmos. Veremos ainda que não lhe faltou a coragem do martírio e que ele bebeu o cálice do testemunho, idêntico ao que beberam os três jovens na fornalha de fogo, embora o perseguidor não tenha derramado seu sangue” (Comentário ao Evangelho segundo Mateus, 20, 22). 

Às antigas fontes cristãs sobre o martírio de João em Roma, podemos hoje acrescentar com boa dose de credibilidade (graças a um estudo de Ilaria Ramelli) a alusão do pagão Juvenal (inícios do século II), que, na Sátira IV, critica Domiciano contando o episódio da convocação do Senado para decidir o que fazer com um enorme peixe, vindo de longe e trazido ao imperador, que é destinado a ser cozido numa panela muito funda. Em Roma, no lugar que a tradição aponta como do martírio, perto da Porta Latina, no interior do cinturão dos Muros Aurelianos, encontra-se o templo octogonal de São João em Óleo, cujas estruturas actuais remontam a 1509, mas que seguramente deve ter estado ali presente (não sabemos se na forma atual, nem se originariamente dedicado ao culto pagão de Diana) desde época anterior à construção da vizinha igreja de São João em Porta Latina, que vem da época do Papa Gelásio I (492-496).

Eusébio diz-nos que, por Domiciano, João “foi condenado ao confinamento na ilha de Patmos em razão do testemunho que deu do Verbo divino” (História eclesiástica, III, 18, 1), e toma essa notícia das palavras do próprio João no Apocalipse, em que o apóstolo diz de si mesmo que foi deportado “em razão da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Ap 1, 9). Lá, nessa ilha das Espórades a cerca de setenta quilómetros de Éfeso, João escreve o Apocalipse.

Lorenzo Bianchi


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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Santa Ágata, Virgem e Mártir

O culto desta santa foi muito popular na Antiguidade. Ágata (ou Águeda) nasceu na Catânia (na Sicília), d’uma família nobre e rica. A sua beleza atraiu a atenção do Cônsol da cidade, Quinto, que a pediu em casamento. Ágata recusou-se porque se tinha consagrado a Deus com um voto de virgindade.

O jovem rejeitado, depois de ter posto em movimento inutilmente todas as suas influências para convencer Ágata a casar com ele, incluindo entregá-la a uma mulher depravada e mestra de intrigas amorosas, denunciou-a como cristã.

Severamente torturada, Ágata ficou firme no seu proposito mesmo quando lhe foram amputados os seios. Lançada na prisão, foi milagrosamente curada. Morreu a 5 de Fevereiro de 251, em consequência de novos e bárbaros tormentos, sob os olhos dos algozes admirados e edificados pelo seu heroísmo.

Ágata é venerada como protectora de Catânia, pois, no primeiro aniversário da sua morte, a população fez uso do véu que cobria o seu sarcófago como escudo contra a erupção do vulcão Etna. Isto salvou a cidade que estava prestes a ser submersa pela lava incandescente.

O culto de Ágata difundiu-se muito cedo da Sicília a Roma e ao resto da península itálica. O seu nome, no século VI, foi inserido nos cânones dos ritos romano, ambrosiano e de ravenna. Santa Ágata é ainda invocada contra as erupções do Etna e é considerada protectora contra os incêndios. Também é intercessora contra as doenças mamárias.


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sábado, 22 de novembro de 2025

Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas

Santa Cecília nasceu provavelmente no ano 150, em Roma. Era filha de um senador romano, da nobre família dos Metelos. Era cristã, e desde pequena fez voto de castidade para viver o amor de Deus e de Cristo. Como cristã, numa época tão antiga, e em Roma, certamente herdou a Fé dos discípulos de São Paulo, que levou a Fé até Roma, e de São Pedro, o primeiro Papa. Cecília herdou a Fé desses santos homens e de tantos outros que foram martirizados exatamente em Roma. O Cristianismo que Cecília recebeu em sua formação, era o Cristianismo dos mártires, dos heróis da Fé. Cecília foi cristã numa Igreja perseguida, numa Igreja que ainda era minoritária, porém, cheia de profunda fé, esperança e coragem.

No transcorrer normal da sua vida, quando jovem, Santa Cecília foi prometida e dada em casamento a um jovem chamado Valeriano. No dia do casamento, ela estava muito triste. Então, chamou o seu noivo e contou-lhe toda verdade sobre sua Fé. Disse que tinha feito um voto de castidade para Deus, e começou a falar das glórias de Deus e de Jesus Cristo ao jovem, que a ouvia boquiaberto com a força das suas palavras e a convicção que vinha do seu coração. Tal foi o poder das palavras de Cecília que, após ouvi-la, ele se converteu, entendeu a promessa da sua noiva e disse que iria respeitar a sua decisão. Naquela mesma noite ele recebeu o Batismo. Valeriano contou ao seu irmão Tibúrcio o que acontecera e este também, impressionado, se converteu. Ambos eram pagãos.

Santa Cecília, então, vendo a maravilha que Deus fazia através dela, agradecida, cantou para Deus: "Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida". Foi um canto inspirado e emocionante, que tocou profundamente o coração de todos. 

O prefeito de Roma, Turcius Almachius, teve conhecimento da conversão dos dois irmãos e ambicionou o tesouro (património) dos dois, visto serem nobres e ricos. Estes, no entanto, já tinham distribuído todos os seus bens aos pobres. O prefeito de Roma exigiu, então, sob pena de morte, que os dois abandonassem a nova Fé. Mas eles, alimentados com a força do Cristianismo nascente e cheios do poder de Deus, não renegaram a sua Fé. Assim, foram condenados à morte e decapitados. 

Santa Cecília foi chamada ao conselho romano logo em seguida. Isso aconteceu provavelmente no ano 180. O conselho exigiu primeiro que ela revelasse onde estaria o tesouro dos dois irmãos. Ela disse que tudo já tinha sido distribuído aos pobres.O prefeito, furioso, exigiu que ela renunciasse a Fé Cristã e adorasse aos deuses romanos. Cecília negou-se mostrando muita coragem e serenidade diante de todos. Condenaram-na à tortura. Mas, estando diante dos soldados romanos para ser torturada, ela falou-lhes sobre as maravilhas de Deus, sobre a verdadeira Religião, sobre sentido da vida, que é o seguimento de Jesus Cristo. Os soldados, maravilhados com uma mensagem que nunca tinham ouvido, ficaram do lado de Cecília, dizendo que iriam abandonar o culto aos deuses. Essas inúmeras conversões foram milagres que Deus operou através de Santa Cecília, para que essas pessoas alcançassem a felicidade e a salvação.

O prefeito, então, aborrecido e furioso, deu ordens para outros algozes trancarem Santa Cecília no balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali, ela seria asfixiada pelos vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguia ficar ali por mais de alguns minutos. Era morte certa. Porém, para surpresa de todos, milagrosamente ela foi protegida e nada lhe aconteceu. Todos ficavam impressionados com a Fé daquela jovem, frágil, que enfrentava a morte sem receio por causa da grande Fé que tinha em seu coração. 

Mas o prefeito, irredutível, mandou que ela fosse morta com três golpes de machado em seu pescoço. O algoz obedeceu, mas não conseguiu arrancar a sua cabeça, coisa que ele estava acostumado a fazer com apenas uma machadada. Santa Cecília permaneceu viva ainda por 3 dias, conversando e dando conselhos a todos que corriam para vê-la e rezar por ela.  

Por fim, pressentindo sua morte iminente, Santa Cecília pediu ao Papa que entregasse todos os seus bens aos pobres e transformasse a sua casa numa igreja. Antes da sua morte, durante os seus últimos momentos neste mundo, ao sentir que a sua missão estava cumprida, mesmo sendo ainda tão jovem, Cecília conseguiu cantar louvando a Deus, cantando as maravilhas de Deus. Por isso, ela é a padroeira dos músicos e da música sacra. 

Depois disso, a fisicamente frágil e interiormente forte jovem romana que desafiou os poderes deste mundo entregou o seu espírito ao Pai Celestial. Após a sua morte foi sepultada pelos cristãos na catacumba de São Calisto e desde então passou a ser venerada como mártir. 

O túmulo de Santa Cecília ficou desaparecido por muitos séculos. No século IX, Santa Cecília apareceu ao Papa Pascoal I (817-824). Logo depois, o seu túmulo foi encontrado e lá estava o caixão com as relíquias da Santa. O corpo dela estava intacto, na mesma posição em que ela fora enterrada. Ao lado da Santa estavam também os corpos de Valeriano e Tiburcio.  No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati mandou abrir o túmulo de Santa Cecília, e o seu corpo foi encontrado na mesma posição que estava quando o Papa Pascoal I a encontrou.

in farfaline.blogspot.com

Oração a Santa Cecília

Ó Virgem e mártir, Santa Cecília, pela fé viva que vos animou desde a infância, tornando-vos tão agradável a Deus e ao próximo, merecendo-vos a coroa do martírio, convertendo pagãos ao Cristianismo, alcançai-nos a graça de progredir cada vez mais na Fé e a professá-la através do testemunho das boas obras, especialmente servindo aos irmãos necessitados. 

Alcançai-nos também a graça de sempre louvar a Deus com canções espirituais. Gloriosa Santa Cecília, que os vossos exemplos de Fé e virtude sejam para todos nós um brado de alerta, para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus, na prosperidade como nas provações, no caminho do Céu e da salvação eterna. 

Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas, rogai por nós. 


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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

São Dionísio pregou um sermão depois de ter sido decapitado

Decapitado durante a perseguição dos católicos pelo Imperador romano Décio, São Dionísio levantou a própria cabeça e pregou um sermão sobre o arrependimento.

Pouco se sabe sobre Dionísio, excepto que foi Bispo de Paris no século III d.C. Ele foi enviado de Itália para converter os gauleses sob o Papa Fabiano, tornando-o um dos "apóstolos dos gauleses".

Juntamente com os santos Rústico e Eleutério, se estabeleceu-se na Île de la Cité, uma ilha no rio Sena. Dionísio e os seus companheiros eram famosos pela capacidade de evangelizar. Eram tão eficazes na conversão de pessoas que os líderes romanos pagãos ficaram alarmados com a perda de seguidores.

O governador romano local ordenou a detenção e prisão do trio. Acabaram por ser decapitados na colina mais alta de Paris, hoje conhecida como Montmartre ou "Montanha dos Mártires".

A tradição conta que, depois de ter a sua cabeça cortada, Dionísio pegou nela e caminhou vários quilómetros desde o topo da colina, pregando um sermão sobre o arrependimento durante todo o caminho. O local onde terminou o seu sermão e realmente morreu foi marcado por um pequeno santuário que hoje é conhecido como a Basílica de São Dionísio, o local de sepultura dos reis de França desde o século X até ao século XVIII.

São Dionísio é o cefalóforo mais famoso - literalmente “portador da cabeça” - descrito na hagiologia. O seu martírio único tornou-se objeto de arte ao longo da história, pintado e retratado em mármore. A sua festa, juntamente com os Santos Rústico e Eleutério, é celebrada no dia 9 de Outubro.



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terça-feira, 16 de setembro de 2025

A vida e martírio de São Cipriano de Cartago

São Cipriano é figura brilhante da Igreja africana no século III. Filho de pais nobres, dotado de extraordinários talentos, foi um dos maiores sábios do seu tempo e orador de inesgotáveis recursos. Sendo pagão, converteu-se ao Cristianismo e, em marcha ininterrupta, cresceu imensamente nas virtudes cristãs, a ponto de operar grandes milagres.

Por vontade do povo inteiro, e do clero, foi ordenado sacerdote, e no ano 248 sagrado Bispo de Cartago. Por causa do zelo sem par e da vida santa e piedosa deste Bispo a Diocese de Cartago foi a primeira diocese em África.

Quando, em 249, o Imperador Décio decretou a perseguição à Igreja de Cristo, muitos cristãos testemunharam a Fé com o próprio sangue, enquanto outros apostataram. Não tardou que a perseguição chegasse também a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande fórum e, em altos e apaixonados gritos, manifestavam o ódio ao Santo Bispo: "Cipriano aos leões! Cipriano às feras!"

Cipriano, com fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora aceitasse o martírio, achou mais acertado seguir o conselho de Nosso Senhor, que disse: "Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra". 

Um sinal que recebeu do Céu mostrou-lhe também a conveniência dessa medida, e assim resolveu fugir. Do esconderijo pôde prestar grandes serviços aos pobres cristãos perseguidos, os quais animava, consolava e fortificava. Grande rigor opunha aos apóstatas. Muitos deles mostravam-se arrependidos, pedindo para serem aceites novamente. Como outros bispos e sacerdotes tratassem com mais benignidade esses infelizes, formou-se uma corrente fortíssima com ares de cisma contra Cipriano.

O movimento adversário era chefiado por Novaciano. Contra este e outros sacerdotes descontentes, Cipriano convocou um Concílio, cujas resoluções foram apresentadas ao Papa Cornélio, que as aprovou e sancionou. Em outro Concílio foi confirmado o valor do Baptismo das crianças.

Numa nova perseguição, que veio sob o governo do Imperador Galo, Cipriano tornou a fortalecer a fé dos cristãos. 

Quando a Peste, no espaço de 15 anos, dizimava a população, o santo Bispo permaneceu com os fiéis, consolando e socorrendo-os com orações e auxílios. Resgatou com o próprio dinheiro muitos cristãos que caíram prisioneiros.

Surgiu uma grande controvérsia sobre o valor do baptismo administrado por hereges. Enquanto o Papa Santo Estevão I decidia pela conservação da tradição, que considerava válido esse baptismo, Cipriano impugnava-o e com ele muitos bispos da África e da Ásia, que exigiam o segundo baptismo para pessoas baptizadas por hereges. A questão ficou, ao princípio, sem solução, devido às dificílimas complicações políticas daquele tempo. 

Embora contrariando a opinião do Papa, não era intenção de Cipriano desrespeitá-lo. A Igreja Romana era para ele "a cadeira de São Pedro, a Igreja por excelência, e que a união entre os bispos se origina e na qual é inadmissível uma traição, por menor que seja". Se houve da sua parte um excesso de ardor nas discussões e uma certa falta de ponderação, dela se penitenciou na perseguição que rompeu, quando Valeriano era imperador.

Foi no ano 257 que, pela primeira vez, se viu citado perante o tribunal do Procônsul Aspásio. As declarações sobre a sua posição, religião e modo de pensar cristão foram tão positivas que o juiz condenou-o ao exílio em Curubis. Por uma visão do Céu, soube que só um ano o separaria do Martírio.

Do exílio escreveu uma carta consoladora e enviou uma quantia de dinheiro aos cristãos condenados a trabalhos forçados nas minas de cobre. Ainda pôde voltar para Cartago, onde Galério Máximo tinha sucedido a Aspásio. Lá, tomou ainda muitas providências, repartiu os tesouros da Igreja entre os pobres, exortou os fiéis à constância e rejeitou o conselho de esconder-se.  

A 13 de Setembro de 258 foi levado à presença do novo Procônsul. Uma enorme multidão acompanhou-o apreensiva com o que poderia lhe acontecer. Como se negou a prestar homenagens aos deuses, o juiz romano condenou-o à morte pela espada. A execução foi imediata, e Cipriano, preparando-se para o último sacrifício, deu ao carrasco 25 moedas de ouro. Os cristão estenderam panos de linho branco em redor, para recolher o sangue do Mártir.

O cadáver foi sepultado com grande solenidade. Duas igrejas foram erguidas: uma no lugar onde foi decapitado, e outra sobre o seu túmulo. 

in Página do Oriente


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domingo, 10 de agosto de 2025

São Lourenço, o príncipes dos mártires

São Lourenço nasceu em Huesca (Espanha) por volta do ano 225. Segundo Santo Agostinho, o desejo que Lourenço tinha de unir-se a Jesus era tanto que esqueceu dor da tortura quando foi martirizado.

No ano 257, o imperador romano Valeriano ordenou uma perseguição contra os cristãos. No início, parecia mais branda do que a imposta por Décio. Proibia as reuniões dos cristãos, fechava os acessos às catacumbas, exilava os bispos e exigia respeito aos ritos pagãos. Mas não obrigava a renegar a fé publicamente. Entretanto, no ano seguinte, Valeriano ordenou que os bispos e padres fossem todos mortos. 

Lourenço era o arcediácono do Papa Xisto II, isto é, o primeiro dos sete diáconos ao serviço da Igreja de Roma. Depois do Papa, era Lourenço o responsável pela Igreja. Isto quer dizer que era o assistente do Papa nas celebrações. Mas, além disso, administrava os bens da Igreja, cuidando das construções dos cemitérios, igrejas e da manutenção das obras assistenciais destinadas ao amparo dos pobres, órfãos, viúvas e doentes.

A partir do decreto de Valeriano, os bispos começaram a ser executados e um dos primeiros foi Cipriano de Cartago, que morreu em 258. Logo em seguida foi à vez do Papa Xisto II ser executado, juntamente com os outros seis diáconos.

O diácono Lourenço foi preso e levado à presença do Prefeito Romano para entregar todos os bens que a Igreja possuía. Lourenço pediu um prazo de três dias, pois, como confessou, a riqueza era grande e tinha de fazer o balanço completo. Obteve o consentimento.

Tratou de reunir um grupo de cegos, órfãos, mendigos e doentes, colocou-os à frente do Prefeito, e disse: "Pronto, aqui estão os tesouros da Igreja". Irado, o governador mandou que o amarrassem sobre uma grelha, para ser assado vivo, e lentamente. O suplício cruel não demoveu Lourenço da sua Fé. Segundo uma narrativa de Santo Ambrósio, Lourenço teria ainda encontrado disposição e muita coragem para dizer ao seu carrasco: "Podes virar-me...já estou bem assado deste lado".

Lourenço morreu no dia 10 de Agosto de 258, rezando pela cidade de Roma. A população mostrou-se muito grata a São Lourenço, que, pelo seu feito, é chamado de "príncipe dos mártires". Os romanos ergueram, ao longo do tempo, tantas igrejas em sua homenagem que nem mesmo São Pedro e São Paulo, os padroeiros de Roma, possuem igual devoção.

Oração a São Lourenço: Ó Deus, o vosso diácono Lourenço, inflamado de amor por Vós, brilhou pela fidelidade no vosso serviço e pela glória do martírio; concedei-nos amar o que ele amou e praticar o que ensinou. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

adaptado de 'Catequese Cristã Católica'


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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

150 anos do martírio de Gabriel García Moreno, o político santo

Exactamente há 150 anos, a 6 de Agosto de 1875, o grande presidente equatoriano Gabriel García Moreno, muito provavelmente o maior político católico moderno, e aquele que deu o mais perfeito testemunho da realeza social de Jesus Cristo, foi assassinado nos degraus da catedral de Quito, capital do Equador. Apesar das numerosas reformas de “liberalização” no seu país, o seu conservadorismo contra-revolucionário era uma constante irritação para os elementos anticlericais e maçónicos que urdiram a sua morte.

A melhor exposição da vida de García Moreno disponível online é a de Gary Potter, que pode ser encontrada em vários locais, como no FishEaters. Eis o relato de Potter, com base na biografia clássica do Pe. Berthe. Que o presidente era um católico santo, é difícil contestar. Deve notar-se em especial a centralidade da Santa Missa na sua vida.

Segundo o Pe. Berthe: “Não somente não temia a morte, mas, como os mártires, desejava-a pelo amor de Deus. Quantas vezes escreveu e pronunciou estas palavras: ‘Que felicidade e glória para mim se me fosse pedido derramar o meu sangue por Jesus Cristo e a Sua Igreja.’”

Seria isto dito da boca para fora? Teria tido uma verdadeira conversão e transformação interior ao abandonar os caminhos da sua juventude e regressar à fé? Ouvimos aqui algumas das leis que fez aprovar em favor da Igreja, em favor da Fé. Acrescente-se que assistia diariamente à Missa, rezava o Terço todos os dias e dedicava meia hora diária à meditação. Seria sincero em tudo isto ou tratar-se-ia apenas de uma pose, uma espécie de campanha pública de imagem antes da existência de Relações Públicas? E, ao ser visto na Missa diariamente, seria apenas uma versão da década de 1870 de uma “photo-op”? […]

O Pe. Berthe cita-o a propósito da acusação de hipocrisia por se deixar ver publicamente a praticar a Fé. Disse ele: “Hipocrisia consiste em agir de modo diferente do que se crê. Assim, verdadeiros hipócritas são os homens que têm a Fé, mas, por respeitos humanos, não ousam praticá-la.”

Se tal não bastasse para responder à acusação de hipocrisia, pode demonstrar-se de várias formas que o homem privado e o homem público correspondiam perfeitamente. Não há, contudo, demonstração mais clara do que citar a regra que escreveu de próprio punho no seu exemplar da Imitação de Cristo. Já foi referida. Lembre-se que ele não sabia que a morte o aguardava no exterior da catedral a 6 de Agosto de 1875, nem que a Imitação seria encontrada no seu bolso nesse dia, nem que a sua regra seria alguma vez lida por outros. Eis, pois, a regra completa:

“ - Todas as manhãs, ao rezar, hei-de pedir em especial a virtude da humildade.
- Todos os dias, ouvirei a Missa, rezarei o Terço e lerei, além de um capítulo da Imitação, esta regra e as instruções anexas.
- Terei o cuidado de me manter, quanto possível, na presença de Deus, especialmente nas conversas, para não pronunciar palavras inúteis. Oferecerei constantemente o meu coração a Deus, sobretudo antes de qualquer acção.
- Direi a mim mesmo continuamente: Sou pior do que um demónio e mereço ter o Inferno por habitação. - Quando for tentado, acrescentarei: Que pensarei disto na hora da minha última agonia?
- No meu quarto, nunca rezarei sentado quando o possa fazer de joelhos ou de pé. Praticarei diariamente pequenos actos de humildade, como beijar o chão, por exemplo. Desejarei toda a espécie de humilhações, procurando, contudo, não as merecer por culpa minha. Regozijar-me-ei quando as minhas acções ou a minha pessoa forem insultadas e censuradas.
- Nunca falarei de mim, salvo para confessar os meus defeitos ou faltas.
- Esforçar-me-ei, pensando em Jesus e Maria, por domar a minha impaciência e contrariar as minhas inclinações naturais. Serei paciente e amável mesmo com quem me aborreça; nunca falarei mal dos meus inimigos.
- Todas as manhãs, antes de começar a trabalhar, anotarei o que tenho de fazer, tendo muito cuidado em distribuir bem o tempo, dedicar-me apenas a assuntos úteis e necessários e continuá-los com zelo e perseverança. Observarei escrupulosamente as leis da justiça e da verdade e nada terei em mente em todas as minhas acções senão a maior glória de Deus.
- Farei um exame particular duas vezes por dia sobre o exercício das diferentes virtudes e um exame geral todas as noites. Confessar-me-ei todas as semanas.
- Evitarei todas as familiaridades, ainda as mais inocentes, segundo exigir a prudência. Nunca passarei mais de uma hora em qualquer divertimento e, em geral, nunca antes das oito horas da noite."

Outro autor, Joseph Sladky, dá pormenores sobre o seu horário diário, que envergonharia muitos religiosos activos e contemplativos da actualidade:

A sua Regra de Vida [como presidente] mostra igualmente a disciplina da sua vida quotidiana. O seu dia era ordenado e regular. Levantava-se às 5h00, ia à igreja às 6h00, onde assistia à Missa e fazia a sua meditação. Às 7h00, visitava os doentes no hospital, regressando depois ao seu escritório, onde trabalhava até às 10h00. Após um pequeno-almoço frugal, trabalhava com os seus ministros até às 15h00. Depois do jantar, às 16h00, fazia as visitas necessárias e resolvia disputas. Às 18h00, regressava a casa e ficava com a família até às 21h00. Quando outros descansavam ou iam divertir-se, ele regressava ao gabinete e trabalhava até às 23h00 ou meia-noite.

Segue-se o relato de Potter acerca da morte do presidente:

O exame médico após o assassinato demonstrou que García Moreno foi baleado seis vezes e golpeado catorze vezes com um facão. Um dos golpes atravessou-lhe o cérebro.

Apesar de tudo, não morreu de imediato. Quando os sacerdotes da catedral chegaram até ele, ainda respirava. Foi transportado para o interior, sendo deitado aos pés da imagem de Nossa Senhora das Dores. Um médico foi chamado, em vão. Um dos sacerdotes pediu-lhe que perdoasse aos assassinos. Não podendo falar, respondeu com o olhar que já lhes tinha perdoado. Recebeu a Extrema-Unção. Quinze minutos depois, expirou, ali mesmo na catedral.

Sladky assinala que a rebelião esperada pelos anarquistas nunca se concretizou; o presidente era demasiado estimado.

Após o seu assassinato, toda a cidade de Quito entrou em luto, com os sinos a tocar incessantemente. Os conspiradores pensaram que o assassinato provocaria uma revolução, mas saíram desiludidos. Durante três dias, enquanto o corpo permaneceu em câmara ardente na catedral, milhares de pessoas enlutadas vieram prestar homenagem ao homem que tanto fizera pelo seu país. Na sessão de 16 de Setembro de 1875, o Congresso do Equador emitiu um decreto homenageando García Moreno como “O Regenerador da sua pátria e Martyr da Civilização Católica.”

Em 1921, no centenário do seu nascimento, um poeta escreveu estas palavras certeiras:

" O eterno correr do tempo  
Não apagou a grandeza que é tua,  
E nunca há-de, com toda a certeza,  
Deixar na obscuridade escura  
O brilho glorioso da tua vida sublime!"

É pena, creio, dizer que, mesmo que García Moreno seja inteiramente digno de beatificação (como creio, avaliando objectivamente a sua vida), actualmente seria visto como demasiado “fora da linha” dos temas do Vaticano II — Dignitatis Humanae, Gaudium et Spes, etc. É um presidente de Immortale Dei e Quas Primas, documentos já fora de moda. Mas talvez isto mude, um dia.

Afinal, as últimas palavras de García Moreno foram: “Deus não morre.” E também não morre a verdade sobre a primazia do espiritual e do sobrenatural sobre o temporal e o natural, sem a qual este último defininha e morre.

Peter Kwasniewski in New Liturgical Movement


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domingo, 3 de agosto de 2025

Invenção de Santo Estêvão, Protomártir

A
Igreja instituiu esta segunda festa do Santo Protomártir Estevão para comemorar a descoberta (invenção) das suas relíquias junto às de Gamaliel, Habib e Nicodemos, pelo Padre Luciano, em Gamala da Palestina, em Dezembro do ano 415. No túmulo constava a inscrição “KEAYEA CELIEL”, que significa “Servo de Deus”. O Bispo de Lidda, avisado pelo Padre Luciano, esteve presente na exumação.

Chamamos também "invenção das relíquias", que é o facto do seu descobrimento, assim como também se diz “invenção da Santa Cruz” ou “invenção do Brasil”, significando, neste caso, descobrimento, achado.

Segundo um relato atribuído a Padre Luciano, fora revelado em sonhos, a ele e ao monge Migecio, o lugar onde podiam encontrar as relíquias do Santo Protomártir. Tendo sido descobertas conforme a revelação, foram solenemente trasladadas para Jerusalém pelo Arcebispo João, juntamente com os Bispos Eleutério de Sebaste e Eleutério de Jericó.

No dia 26 de Dezembro desse mesmo ano, as Relíquias foram transladadas para Sião. Naquela época havia uma grande seca e, no exacto momento da transladação do corpo, uma chuva copiosa regou a terra. Grande número de pessoas acompanhou o que podemos considerar a primeira procissão de Santo Estêvão.

No ano de 425, por intervenção do imperador Teodósio, o Jovem (408-450), as relíquias foram levadas para Roma, para a Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, até ao dia 2 de Agosto, quando foram solenemente transferidas para uma igreja construída em honra do Protomártir Santo Estêvão.

Fragmentos destas relíquias foram distribuídos para vários lugares do mundo, o que contribuiu para a propagação da devoção a Santo Estevão.

Incontáveis milagres foram operados por Deus através da sua intercessão. Santo Evódio, bispo de Uzalum, na África, e Santo Agostinho (em A Cidade de Deus), deixaram-nos relatados muitos desses milagres.

Certamente, Deus se fez homem para curar os males temporais, pois, durante a sua vida mortal, curou os enfermos, libertou os possessos e socorreu aos necessitados, dando-nos uma prova sensível do seu poder divino e indicando que veio para nos livrar das enfermidades.

Depois da morte de Santo Estêvão por apedrejamento pelos judeus, o seu corpo não teve um sepultamento, mas foi atirado às bestas e aves, ao tempo. Gamaliel, um fariseu, membro do Grande Conselho, e doutor da lei e respeitado por todo o povo, tendo-se voltado para a Fé em Jesus Cristo como o Messias, aquele mesmo que saiu em defesa dos Apóstolos no Sinédrio (At 5, 34-40), na segunda noite após a morte de Estevão enviou pessoas da sua confiança para que encontrassem e lhe trouxessem o seu corpo, sepultando-o numa caverna - sua propriedade - não muito longe de Jerusalém. Mais tarde, Gamaliel fez-se baptizar com o seu filho Habib.

O segredo do lugar do sepultamento de Estevão foi deixado com Nicodemos, o discípulo que, durante a noite, visitava Jesus (Jo 3, 1-21; 7, 50-52; 19, 38-42). Depois de mortos, os corpos de Gamaliel e do seu filho Habib foram sepultados perto do lugar onde estava sepultado Estevão.

in Pale Ideas


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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Santo Apolinário, Bispo e Mártir do primeiro século

Santo Apolinário nasceu em Antioquia, na Síria, no século I, numa família pagã. O seu trajecto cristão começou ao escutar a pregação de São Pedro, que então evangelizava aquela região. Profundamente tocado pelas palavras do Apóstolo, Apolinário decidiu seguir Pedro até Roma, onde recebeu o baptismo, tornando-se um dos seus mais próximos discípulos. São Pedro nomeou-o então como bispo e enviou-o para evangelizar a cidade de Ravena, em Itália, tornando-se o seu primeiro bispo e padroeiro. 

Evangelização e Primeiros Anos em Ravena
 
Em Ravena, Apolinário enfrentou feroz oposição dos pagãos. Não obstante, converteu diversas pessoas, incluindo famílias da elite local. Era conhecido como sacerdote astuto, eloquente e profundamente dedicado ao bem dos seus fiéis, o que rapidamente lhe granjeou fama de confessor exemplar.
 
Milagres e Pormenores Interessantes
 
Diversas tradições relatam numerosos milagres atribuídos a Santo Apolinário:
  • Curas Extraordinárias: Uma das mais emblemáticas histórias relata que curou a esposa e a filha de um tribuno romano. Num episódio, essa filha, dada como morta, foi ressuscitada por Apolinário após fervorosa oração, levando à conversão de toda a família e de numerosos presentes ao milagre.
  • Expulsão de Demónios e Libertação: Conta-se que Apolinário expelia espíritos malignos, inclusive de uma jovem nobre local, conquistando assim ainda mais fiéis para o cristianismo.
  • Milagres Públicos: Também se diz que restituiu a fala a um mudo e a visão a um cego, limpou leprosos e fez com que uma estátua de um ídolo pagão se desmoronasse, depois de a amaldiçoar diante dos pontífices pagãos.
  • Resistência ao Martírio: Durante as perseguições, Apolinário suportou torturas brutais: foi descalçado e forçado a andar sobre brasas, espancado várias vezes, teve água a ferver lançada sobre as feridas e foi perseguido múltiplas vezes, permanecendo sempre perseverante na fé.
  • Aconselhamento dos Pobres: Quando foi forçado a oferecer sacrifícios aos ídolos, Apolinário negou-se, sugerindo que o ouro e a prata dos templos fossem dados aos necessitados, provocando indignação entre os poderosos locais.
Martírio e Culto Posterior
 
A reacção aos seus milagres e à rápida difusão do cristianismo levou, enfim, ao seu martírio. Apolinário foi severamente espancado e, após vários dias de sofrimento em consequência das torturas, acabou por falecer. A sua morte ocorreu por volta do ano 79, durante o reinado do imperador Vespasiano. Em sua memória foi erguida a Basílica de Santo Apolinário em Classe, local do seu martírio, e mais tarde as suas relíquias foram preservadas em igrejas de Ravena, cimentando o seu culto como mártir e exemplo entre os cristãos.
 
Legado
 
A festa de Santo Apolinário celebra-se a 23 de Julho. É lembrado como pastor dedicado, mártir corajoso e santo de prodígios, sinais de profundidade da fé. A sua história continua a inspirar fiéis até aos nossos dias, tanto em Itália como noutras regiões da Europa, onde o seu culto foi difundido por mosteiros e tradições locais.
Os principais milagres associam-no à cura, à libertação, à ressurreição de mortos e à resistência invencível diante da perseguição, consolidando a sua reputação como exemplo de fé e santidade para toda a Igreja.



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terça-feira, 6 de maio de 2025

Martírio de São João na Porta Latina

No dia 6 de Maio celebra-se a festa do Martírio de São João na Porta Latina. Segundo atestam variados autores da Antiguidade, o Discípulo Amado foi condenado à morte pelo Imperador Domiciano e colocado num caldeirão com óleo a ferver.
 
Miraculosamente, o Apóstolo e Evangelista saiu do banho quente como se nada fosse. Depois disso foi exilado na ilha de Patmos.

Este episódio aconteceu no final do primeiro século, em Roma, na Porta Latina (parte sul da Muralha Aureliana). Nesse local foi construída a capela de 'San Giovanni in Oleo'. No final do séc. V, o Papa Gelásio I mandou edificar a Basílica de 'San Giovanni a Porta Latina'.


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quarta-feira, 23 de abril de 2025

São Jorge, o grande Mártir

Devem ter sido espectaculares as circunstâncias da sua morte para que os Orientais lhe tenham sempre chamado "o grande mártir", e para que a sua pessoa se tenha, bem depressa, tornado lendária. Não há culto mais antigo nem mais espalhado. 

Já no Século IV, o Imperador Constantino mandou construir uma igreja em honra a São Jorge. Na Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra.

Nos primeiros anos do Século XV, o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade como o Natal. Antes disso o rei Eduardo III tinha fundado, em 1330, a célebre Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira. Vários artistas, como Rafael, Donatello e Carpaccio representaram São Jorge.

No lugar onde esteve içada a bandeira de Portugal, por ocasião da batalha de Aljubarrota, foi construída, em 1388, uma ermida dedicada a São Jorge. Em 1387, por ordem de Dom João I, rei de Portugal, a imagem deste Santo foi incorporada à procissão de Corpus Christi.

São Jorge é protector e padroeiro menor de Portugal.


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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Comunistas espanhóis cortaram os dedos a um Cartuxo que não largava o Terço


A 19 de Julho de 1936, milicianos comunistas chegaram ao mosteiro cartuxo de Santa Maria de Montalegre, em Tiana, Barcelona. Vinte monges viviam ali, dedicados a uma vida contemplativa, estritamente separada do mundo e de qualquer tipo de política.

Os milicianos irromperam como uma horda furiosa, armados e cheios de ódio. Revistaram as celas, destruíram imagens e profanaram a igreja. Chamaram os monges de "parasitas", "preguiçosos" e "fascistas com escapulários".

Os monges receberam a escolha entre abandonar o mosteiro ou morrer. O prior, Dom José María Reig, ordenou que saíssem. Alguns refugiaram-se em casas de amigos. 

No entanto, os criminosos comunistas não se contentaram com a expulsão. Perseguiram os monges um a um. O prior e vários irmãos foram presos em condições desumanas, sem acusação, julgamento ou direitos. Apenas com uma sentença assinada: morrer por serem monges.

Foram transportados pelas estradas catalãs em camiões, tratados como animais. A cada paragem, insultos e espancamentos aumentavam. Em determinado momento, ordenaram-lhes que saíssem: "De joelhos!" gritaram. "Peçam desculpa à República [Comunista Espanhola]!"

Mas os monges não pediram desculpa; apenas rezaram. Um deles foi visto a mover os lábios em silêncio, recitando o Salmo 50: "Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam...".

Os criminosos mataram-nos. O corpo do prior ficou com os braços abertos, como numa cruz. Outro teve o crânio esmagado com a coronha de um rifle antes de ser morto. Um dos irmãos teve os dedos cortados porque não largava o seu rosário. Os cartuxos foram executados sem honra, sem nome e sem julgamento.

"Mesmo hoje há quem prefira silenciar estas coisas," escreve Jaime Gurpegui no InfoVaticana.com, "para que a história não interrompa os seus congressos sobre sinodalidade" e os seus sonhos de uma Igreja domesticada e neutral.

"Foi disto que Franco nos salvou," nota Gurpegui, "de toda a Catalunha se transformar numa Cheka ao ar livre, dos mosteiros serem arrasados e dos monges perseguidos como cães."

"Os cartuxos não clamam. Não fazem manifestações nem escrevem manifestos. Vivem em silêncio, rezam e fazem penitência. O seu mundo é a cela, a capela e o jardim. Por isso o seu martírio é ainda mais impressionante: porque fala sem levantar a voz. Porque clama em sangue. Porque é o testemunho de que nem o claustro nem o eremitério podem salvar do ódio quando esse ódio é dirigido contra Cristo."

in gloria.tv


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quinta-feira, 6 de março de 2025

Santa Perpétua e Santa Felicidade, Mártires

Origens

Uma nobre e uma escrava. O que sabemos sobre as origens das duas é pouco, porém digno de nota. Perpétua era uma senhora nobre da cidade de Car­tago, no Norte da África. Felicida­de era escrava de Perpétua, também de Cartago. As duas tinham cerca de 20 anos e eram cristãs numa região dominada pelo Império Romano, em tempos de perseguição contra os cristãos.

Senhora e escrava unidas pela Fé

Perpétua era rica, de família tradicional e nobre. O seu pai era pagão. Quando da prisão, ela tinha apenas vinte e dois anos e era mãe de um bebé recém-nascido. Felicidade estava com oito meses de gravidez.

Prisão

As duas foram presas no ano 203, por ordem do imperador romano Severo, pelo simples facto de serem cristãs. Severo, cujas origens familiares também estavam na África, tinha emitido um decreto de pena de morte aos cristãos. As duas sofreram as atrocidades da prisão unidas pela Fé, em oração e encorajando uma a outra.

O diário da prisão

Estando na prisão, Perpétua escreveu um diário que está entre os mais comoventes e realistas da História da Igreja. Nesse diário ela narra todo o sofrimento pelo qual passaram e descreve esperança cristã na vida eterna de maneira maravilhosa. No diário conta que o seu pai foi visitá-la à prisão para pedir que ela renunciasse à Fé e, assim, salvasse a sua vida. Ela, porém, preferiu a morte em vez de negar o Senhor da sua vida, Jesus Cristo.

Um parto na prisão

Temendo a pena de morte, Felicidade pedia diariamente a Deus que o seu filho nascesse antes que ela fosse executada. Assim aconteceu. Embora tivesse um parto muito sofrido, o seu filho nasceu livre. O filho de Santa Felicidade nasceu apenas dois dias antes que a sua mãe fosse martirizada na arena.

Baptismo na prisão

As Santas Perpétua e Felicidade, senhora e escrava, mantinham-se firmes na oração e no sustento da fé, apoiadas por outros 6 cristãos também presos. Estes tornaram-se seus companheiros de vida, de morte e de testemunho para o mundo. Perpétua e Felicidade, mesmo demonstrando tanta fé, ainda não tinham sido baptizadas. Por isso, receberam o baptismo na prisão. Isto fortaleceu ainda mais a fé dessas duas santas.

Torturas e martírio

Segundo os relatos oficiais da época, presentes no diário de Santa Perpétua, os cristãos homens foram martirizados primeiro, tendo sido lançados aos leopardos famintos. Foram despedaçados por esses animais. Perpétua e Felicidade foram lançadas aos touros selvagens. Perpétua viu a sua amiga e irmã ser atingida pelos animais e ainda conseguiu ampará-la nos seus braços e recompor a sua roupa estraçalhada, numa demonstração de respeito, dignidade e amor. 

Os pagãos que assistiam ao “espectáculo” emocionaram-se durante um curto espaço de tempo. Porém, logo começaram a gritar pedindo a morte de Perpétua. Então, os touros atingiram as duas e, logo em seguida, elas foram degoladas. Aconteceu no dia 7 de Março do ano 203. 

Oração a Santas Perpétua e Felicidade

Deus Todo-Poderoso, que destes às mártires Santas Perpétua e Felicidade a graça de sofrer por Cristo, ajudai também a nossa fraqueza, para que possamos viver firmes na Fé, como elas que não hesitaram em morrer por vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

Santas Perpétua e Felicidade, rogai por nós.

in Cruz Terra Santa


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Guerra Civil Espanhola: o que os Comunistas fizeram aos Católicos foi um Genocídio

Os massacres de sacerdotes católicos de 1936 a 1939 foram um plano estratégico para desmantelar a Igreja Católica, que eles viam como um inimigo a ser destruído, escreve o padre Jorge López Teulón (em Religion E Libertad). A decapitação da elite inimiga, por exemplo, foi uma das razões para o massacre de Katyn, perpetrado pelos Soviéticos em 1940.

A existência de uma estratégia para eliminar fisicamente um grupo social está em consonância com a definição do crime de genocídio no Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, cujo Artigo 6.º define como tal "os seguintes actos praticados com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal", citando em particular o assassinato de membros do grupo.

Dos 292 sacerdotes assassinados da Arquidiocese de Toledo (48% do total do clero diocesano), apenas cerca de 20 estavam envolvidos no campo social e político. A maioria dos sacerdotes assassinados eram párocos da população rural.

Outro exemplo é o dos 51 mártires Claretianos de Barbastro, beatificados em 1992. Eram membros de um seminário que, em 20 de Julho de 1936, era composto por 9 sacerdotes, 39 seminaristas e 12 irmãos missionários. Um total de 60 membros. Cinquenta e um deles foram assassinados: os 9 formadores sacerdotais, 37 estudantes de teologia e 5 irmãos.

7 dos frades sobreviveram porque estavam fora de casa, e dois estudantes foram libertados por serem argentinos. A grande maioria eram jovens entre os 21 e os 25 anos.

Estes são os seus nomes e idades (no dia em que foram assassinados):

2 de Agosto de 1936

Padre Felipe de Jesus Munárriz Azcona (61 anos)
Padre Juan Díaz Nosti (56 anos)
Padre Leoncio Pérez Ramos (60 anos)

12 de Agosto de 1936

Padre Sebastián Calvo Martínez (33 anos)
Padre Pedro Cunill Padrós (33 anos)
Padre José Pavón Bueno (35 anos)
Padre Nicasio Sierra Ucar (45 anos)
Seminarista Wenceslao Claris Vilaregut (29 anos)
Irmão Gregorio Chirivás Lacambra (56 anos)

13 de Agosto de 1936

Padre Secundino Ortega García (24 anos)
Seminarista Javier L. Bandrés Jiménez (23 anos)
Seminarista José Brengaret Pujol (23 anos)
Seminarista Antolín Calvo y Calvo (23 anos)
Seminarista Tomás Capdevila Miró (22 anos)
Seminarista Esteban Casadevall Puig (23 anos)
Seminarista Eusebio Codina Millas (21 anos)
Seminarista Juan Codinachs Tuneu (23 anos)
Seminarista Antonio Dalmau Rosich (23 anos)
Seminarista Juan Echarri Vique (23 anos)
Seminarista Pedro García Bernal (25 anos)
Seminarista Hilario Llorente Martín (25 anos)
Seminarista Ramón Novich Rabionet (23 anos)
Seminarista José Mª Ormo Seró (22 anos)
Seminarista Salvador Pigem Serra (23 anos)
Seminarista Teodoro Ruiz de Larrinaga García (23 anos)
Seminarista Juan Sánchez Munárriz (23 anos)
Seminarista Manuel Torras Sais (21 anos)
Irmão Manuel Buil Lalueza (21 anos)
Irmão Alfonso Miquel Garriga (22 anos)

15 de Agosto de 1936

Seminarista José Amorós Hernández (23 anos)
Seminarista José Mª Badía Mateu (23 anos)
Seminarista Juan Baixeras Berenguer (22 anos)
Seminarista José Blasco Juan (24 anos)
Seminarista Rafael Briega Morales (23 anos)
Irmão Francisco Castán Meseguer (25 anos)
Seminarista Luis Escalé Binefa (23 anos)
Seminarista José Figuero Beltrán (25 anos)
Seminarista Ramón Illa Salvía (22 anos)
Seminarista Luis Lladó Teixidor (24 anos)
Irmão Flaviano Manuel Martínez Jarauta (23 anos)
Seminarista Luis Masferrer Vila (24 anos)
Seminarista Miguel Masip González (23 anos)
Seminarista Faustino Pérez García (25 anos)
Seminarista Sebastián Riera Coromina (22 anos)
Seminarista Eduardo Ripoll Diego (24 anos)
Seminarista José Ros Florensa (21 anos)
Seminarista Francisco Roura Farró (23 anos)
Seminarista Alfonso Sorribes Teixidor (23 anos)
Seminarista Agustín Viela Ezcurdia (22 anos)

18 de Agosto de 1936

Seminarista José Falgarona Vilanova (24 anos)
Seminarista Atanasio Viadaurreta Labra (25 anos)

Desde 1931, os sacerdotes e religiosos na "Segunda República Espanhola" estavam incertos quanto ao seu futuro. A hostilidade e o assédio eram constantes. Os Claretianos de Barbastro estavam muito conscientes de que poderiam tornar-se mártires, e prepararam-se para o martírio.

in gloria.tv


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