terça-feira, 31 de janeiro de 2017

São João Bosco aconselha a evitar os maus amigos

Há três espécies de companheiros: os bons, os maus e os que não são totalmente maus, mas nem são bons. Com os primeiros podeis entreter-vos e tirareis proveitos; com os últimos, tratai quando houver necessidade, sem contrair nenhuma familiaridade. Quanto aos maus, esses devemos absolutamente evitar. Mas quais são esses maus companheiros? Prestai atenção e ficareis sabendo quais sejam.

Todos os jovens que na vossa presença não se envergonham de ter conversas obscenas, de dizer palavras equívocas ou escandalosas, murmurações, mentiras, juramentos vãos, imprecações, blasfêmias, ou então procuram afastar-vos das coisas da igreja, os que vos aconselham a roubar, a desobedecer aos vossos pais ou a transgredir algum dever vosso, todos esses são maus companheiros, ministros de satanás, dos quais deveis fugir mais do que da peste e do diabo em pessoa.

Ah! meus caros, com as lágrimas nos olhos eu vos suplico que eviteis e aborreçais tais companhias. Ouvi o que diz o Nosso Senhor: quem andar com o virtuoso será também virtuoso. O amigo dos estultos tornar-se-á semelhante a ele. Foge do mau companheiro como da mordedura de uma cobra venenosa: quasi a facie colubri (Eccl. XXI, 22).

Em suma, se andardes com os bons, eu vos afianço que ireis com os bons ao Paraíso. Pelo contrário, estando com companheiros perversos, vos pervertereis também vós, com perigo de perder irremediavelmente a vossa alma. Dirá alguém: São tantos os maus companheiros, que seria preciso sair deste mundo para evitá-los todos. Bem sei que são muitos numerosos os maus companheiros e é por isso mesmo que vos recomendo com empenho que fujais deles.

E se, para não tratar com eles, fosseis obrigados a ficar sozinhos, felizes de vós, porque teríeis em vossa companhia Jesus Cristo, a bem-aventurada Virgem e o vosso Anjo da Guarda. Poderemos encontrar companheiros melhores do que esses?

Contudo pode-se também ter bons companheiros e serão os que frequentam os Santíssimos Sacramentos da Confissão e da Comunhão, os que frequentam a igreja, os que com as palavras e com exemplo vos incitam ao cumprimento dos vossos deveres e vos afastam da ofensa a Deus.

A estes deveis acompanhar e tirareis muito proveito. Desde que David, quando jovem, começou a ter um bom companheiro chamado Jónatas, tornaram-se ambos bons amigos com proveito recíproco, porque um animava o outro na prática da virtude. 

in O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos


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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Digam o que disserem só interessa o que sou perante Deus" Dom Bosco

Achando-se São João Bosco com várias pessoas, durante o jantar, mandou ler uma carta do Bispo de Spoleto, que lhe fazia grandes elogios. O Pe. Francesia perguntou:

— Dom Bosco, não fica envaidecido com tantos elogios?

— Ora essa! Habituei-me a ouvir de tudo. Para mim tanto faz ler uma carta repleta de louvores como uma cheia de insultos. Quando me vem uma dessas cartas elogiosas, eu gosto de confrontá-la com as outras, e repito comigo mesmo: "Como são desencontrados os juízos dos homens! Digam eles o que disserem só interessa o que sou perante Deus." 

Marquês Felipe Crispolti in 'Dom Bosco' 


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Imagens das Missas celebradas pelo novo Prelado do Opus Dei

Mons. Fernando Ocáriz foi recentemente escolhido como Prelado do Opus Dei. Mostramos algumas imagens da Missa do Congresso Electivo que o elegeu e também da Missa da sua tomada de posse como Prelado. De notar que nesta última, já depois de ter sido confirmado no cargo de Prelado pelo Papa Francisco, Mons. Ocáriz já usa insígnias episcopais, como a mitra e o báculo ou o anel e a cruz episcopal. Apesar de não ser bispo, se bem que poderá vir a sê-lo caso o Papa assim decida, o ofício que ocupa tem poder de jurisdição na prelatura pessoal, e portanto é equiparado a um ofício episcopal.








Imagens retiradas de: institutobentoxvi.blogspot.com


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domingo, 29 de janeiro de 2017

O discurso histórico de Mike Pence na "Marcha pela Vida"

Pela primeira vez na História, um vice-presidente dos Estados Unidos da América esteve presente e falou à multidão na "March for Life". O discurso de Mike Pence foi muito forte, pela positiva, e poderá representar um momento-chave na luta contra o aborto naquele país e no mundo.

Desejo a todos as boas vindas a Washington DC para a 44ª marcha anual pela vida. É um dia bom. É o melhor dia que já vi para a marcha pela vida em vários sentidos. Sinto-me profundamente honrado em encontrar-me perante vós hoje. Sinto-me profundamente honrado por ser o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos na história a ter o privilégio de participar neste evento histórico. Há mais de 240 anos, os pais fundadores da nossa nação escreveram palavras que ecoaram através dos tempos. Eles declararam como verdades auto-evidentes o facto de todos nós sermos dotados pelo nosso Criador de certos direitos inalienáveis, como a vida, a liberdade e a procura da felicidade. 

Há 44 anos o nosso Supremo Tribunal afastou-se do primeiro de todos estes ideais intemporais. Hoje, três gerações desde então, graças a todos vós e a muitos outros milhares, que estão connosco em marchas como esta em todo o país, a vida está a ganhar, de novo, na América. Isto é evidente ao olharmos para a eleição de maiorias pró-vida e para o Congresso dos Estados Unidos da América. Mas nada é tão evidente quanto a eleição histórica de um presidente que se bate por uma América mais forte, mais próspera e de um presidente – digo-o com orgulho – defende o direito à vida: o Presidente Donald Trump.

Na verdade foi o Presidente Trump que me pediu para estar aqui convosco hoje. Ele pediu-me que vos agradecesse o vosso apoio, pela vossa defesa da vida e pela vossa compaixão pelas mulheres e crianças da América. Há uma semana atrás, nos degraus do Capitólio vimos a inauguração do 45º Presidente dos Estados Unidos da América. Digo-vos em primeira mão que o nosso presidente é um homem de ombros largos e de um grande coração. O seu horizonte, a sua energia e o seu optimismo não têm fronteiras e eu sei que ele fará a América grande outra vez. 

Desde o seu primeiro dia no cargo tem mantido as suas promessas para com o povo americano. Gosto de dizer que ali, no nº 1600 da Avenida da Pensilvânia, estamos no negócio do cumprimento de promessas. É por isso que na Segunda-feira o Presidente Trump reestabeleceu a “política da Cidade do México” para prevenir que ajudas internacionais cheguem a organizações que promovem ou façam abortos mundialmente. É por isso que esta administração trabalhará com o Congresso que acabe o financiamento do aborto e de prestadores de aborto com dinheiro dos contribuintes, transferindo esses recursos para prestadores de serviços de saúde para mulheres na América. É por este motivo que na próxima semana o presidente Donald Trump vai anunciar quem nomeará para o Supremo Tribunal, que defenderá as liberdades – de origem divina – espelhadas na nossa Constituição e na tradição do grande Juiz recém-falecido Antonin Scalia.

A vida está a vencer na América. Hoje é uma celebração do progresso que temos feito por esta causa. Desde há muito que acredito que uma sociedade pode ser julgada de acordo com a maneira como cuida dos seus membros mais vulneráveis, os idosos, os doentes, os incapacitados e os não nascidos. Chegámos a um momento histórico na causa pela vida e temos de viver este momento com respeito e compaixão por todos os americanos. A vida está a vencer na América por várias razões. A vida está a vencer pelo avanço sólido da ciência, que cada vez mais, de dia para dia ilumina-nos quanto ao momento em que a vida começa

A vida está a vencer pela generosidade de milhões de famílias de acolhimento que abrem os seus corações e casas para as crianças que precisam. A vida está a vencer pela compaixão das obras caritativas e voluntários nos centros de crise na gravidez assim como por organizações fundamentadas na fé que servem as mulheres nas cidades em toda a América. A vida está ainda a vencer nos conselhos silenciosos que são passados entre mães e filhas, entre avós e netas e entre amigas nas universidades, nos cafés e nas cozinhas. A verdade está a ser dita. A compaixão está a sobrepor-se à conveniência e a esperança está a vencer o desespero. Numa palavra, a vida está a vencer na América por causa de todos vós.

Assim, quero incentivar-vos a continuar. Está escrito: “deixai a vossa mansidão ser evidente para todos”. Deixem que este movimento seja conhecido pelo amor, não pela raiva. Deixem que este movimento seja conhecido pela compaixão, não pelo confronto. No que respeita questões do coração, nada há mais forte do que a mansidão. Acredito que continuaremos a vencer os corações e as mentes da geração vindoura se os nossos corações se compadecerem das jovens mães e dos seus filhos nascituros e se cada um de nós fizer tudo o que puder para ir ao seu encontro onde estiverem com generosidade e não com julgamento

Para curar o nosso país e restaurar a cultura da vida temos de continuar a ser um movimento que envolve todos, preocupa-se por todos e mostra respeito pela dignidade e valor de cada pessoa. Espelhadas nos muros do Jefferson Memorial estão as palavras do nosso terceiro presidente, que há tantos anos advertiu para que lembrássemos que Deus nos deu a vida e nos deu a liberdade.

Da parte do Presidente dos Estados Unidos e da minha pequena família agradecemos-vos pela vossa defesa da vida. Agradecemos-vos pela vossa compaixão. Agradecemos-vos pelo vosso amor pelas mulheres e crianças americanas. Tenham a certeza – tenham a certeza –que assim como vós também nós não nos cansaremos nem descansaremos até restaurarmos uma cultura de vida na América para nós e para os nossos descendentes. Obrigado e que Deus vos abençoe. 

Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos da América - Washington, 27/I/2017



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O surrealismo e a confissão

Muitos meios de comunicação social têm dificuldade em perceber a Igreja, porque parece que ela não fala do dia-a-dia real. Faz lembrar aqueles artistas dos anos 20 que rejeitavam a chamada «ditadura da razão» e lhe contrapunham o sonho, a falta de lógica. A inconsistência dos surrealistas dos anos 20 gerava momentos de humor e, realmente, nada daquilo era para ser levado a sério ainda que, frequentemente, fosse muito divertido.

Hoje em dia, muitos jornalistas estão convencidos de que a Igreja também vive numa nuvem de sonhos, irrealista, «acima da realidade», como proclamavam os surrealistas com o seu humor muito especial. O discurso da Igreja tem alguma coisa a ver com os problemas do mundo em que vivemos?

No meio de tantas convulsões, o Papa Francisco está focado no sacramento da Confissão!
Das primeiras vezes, as pessoas estranharam. Com a insistência, muitos estão perplexos. Neste momento, os jornalistas já não sabem se devem dar a notícia ou se é a brincar.

Na Carta Apostólica com que encerrou o Ano da Misericórdia, o Papa Francisco estabelece que «o sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã». Em cada parágrafo, aparece uma referência a este «caminho que somos chamados a percorrer». «A misericórdia constitui a própria existência da Igreja. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai». «O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida». «Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão». «Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina». «Não limitemos a força renovadora da misericórdia; não entristeçamos o Espírito». «Mantenhamos o coração aberto à confiança de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece connosco, não obstante o nosso pecado». «O sacramento da Reconciliação é o momento em que sentimos o abraço do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a graça de voltarmos a ser seus filhos».
«Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confissão. Não percamos a oportunidade de viver a fé, inclusive como experiência da reconciliação. “Reconciliai-vos com Deus”: é o convite que ainda hoje dirige o Apóstolo a cada crente».

Nesta carta e nas homilias do Santo Padre, vejam-se as da última semana, há um apelo muito forte aos padres para que dediquem horas ao confessionário: «Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal». «O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do “ministério da reconciliação”». «Agradeço-vos vivamente (...) e peço-vos para serdes acolhedores com todos, testemunhas da ternura paterna não obstante a gravidade do pecado, solícitos em ajudar a reflectir sobre o mal cometido, claros ao apresentar os princípios morais, disponíveis para acompanhar os fiéis no caminho penitencial (...), generosos na concessão do perdão de Deus». «Nós, confessores, temos experiência de muitas conversões que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do coração do penitente».

Seria impossível enunciar todas as vezes em que o Papa pede aos católicos para se confessarem e aos padres para estarem disponíveis.


Que Deus continua a ser o mais importante parece tão fora da realidade comum que os próprios católicos se surpreendem. Não admira que muitos jornais não saibam informar sobre um discurso tão surrealista. Resta saber se os católicos também olham para o Papa como se fosse um surrealista.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 29-I-2017


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Este 'time-lapse' revela a enorme multidão em Washington para lutar contra o aborto



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sábado, 28 de janeiro de 2017

As imagens da "Marcha pela Vida" que os 'media' não mostraram

Aconteceu ontem em Washington a "March for Life". Consta que terá sido a maior marcha de sempre mas o silêncio nos meios de comunicação social é quase total.









  










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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O que é, afinal, a Ordem de Malta?


A Ordem de Malta (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, também conhecida por Ordem do Hospital, Ordem de S. João de Jerusalém, Ordem de S. João de Rodes, etc.), é uma ordem católica que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra Santa, durante as Cruzadas, mas que rapidamente se tornaria numa Ordem militar cristã, numa congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra. Face às derrotas e consequente perda pelos cruzados dos territórios na Palestina, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.

Actualmente, a Ordem de Malta é uma organização católica soberana internacional, reconhecida como entidade de direito internacional. A Ordem dirige hospitais e centros de reabilitação. Possui 13.500 membros, 80.000 voluntários permanentes e 20.000 profissionais da saúde associados, incluindo médicos, enfermeiros, auxiliares e paramédicos. O seu objectivo é auxiliar os idosos, os deficientes, os peregrinos, as crianças, os sem-abrigo e aqueles com doenças terminais, actuando em cinco continentes do mundo. O seu moto é: "Tuitio fidei et obsequium pauperum" - "Defesa da fé e assistência aos pobres". As 8 pontas da cruz no seu brazão significam as 8 bem-aventuranças.
A ilha mediterrânica de Malta foi capturada por Napoleão em 1798 durante a sua expedição para o Egipto. Este teria pedido aos cavaleiros um porto-de-abrigo para reabastecer os seus navios e, uma vez em segurança em Valetta, virou-se contra os anfitriões. O grão-mestre Ferdinand von Hompesch, apanhado de surpresa, não soube antecipar ou precaver-se deste ataque, rapidamente capitulando para Napoleão. Isto representou uma afronta para os restantes cavaleiros que se predispunham a defender a sua possessão e soberania.

A ordem continuou a existir, compactuando com os governos por uma retoma de poder. O imperador da Rússia doou-lhes o maior abrigo de Cavaleiros Hospitalários em São Petersburgo, o que marcou o início da tradição russa dos Cavaleiros do Hospital e posterior reconhecimento pelas Ordens Imperiais Russas. Em agradecimento, os cavaleiros depuseram Ferdinand von Hompesch e elegeram o imperador Paulo I como grão-mestre que, após o seu assassinato em 1801, seria sucedido por Giovanni Battista Tommasi em Roma, restaurando o Catolicismo Romano na ordem.

No início da década de 1800, a ordem encontrava-se severamente enfraquecida pela perda de priores em toda a Europa. Apenas 10% dos lucros chegavam das fontes tradicionais na Europa, sendo que os restantes 90% provinham do Priorado Russo até 1810, facto cuja responsabilidade é parcialmente atribuída pelo governo da ordem, que era composta por tenentes, e não por grão-mestres entre 1805 e 1879, até o Papa Leão XIII restaurar um grão-mestre na ordem, Giovanni a Santa Croce. Esta medida representou uma reviravolta no destino da ordem, que se tornaria uma organização humanitária e cerimonial. Em 1834, a ordem, reactivada, estabeleceu nova sede em Roma e foi, a partir daí, designada como Ordem Militar Soberana de Malta.

A Ordem Soberana e Militar de Malta não tem sede no país de mesmo nome, mas sim no pequeno território de apenas 6 km² em Roma. A soberania da Ordem de Malta só foi reconhecida em 1966, mas não é reconhecida como um Estado, tendo status de uma organização internacional, como a ONU ou a Cruz Vermelha. A sua população permanente é de apenas três pessoas, o "príncipe", o "grão-mestre" e o "chanceler". Todos os demais "habitantes" da Ordem de Malta possuem nacionalidade maltesa, mas também a nacionalidade do país onde nasceram. A soberania da ordem permite que ela imprima os seus próprios selos e emita os seus próprios passaportes, concedendo, efectivamente, nacionalidade maltesa aos seus membros.

Actualmente, a Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com o Vaticano e com 104 outros Estados, onde possui, inclusive, embaixadas. Os representantes diplomáticos da Ordem são todos cidadãos malteses. A Ordem ainda possui representação na ONU (tendo até um Observador Internacional). A Ordem de Malta tem algumas características de um Estado soberano, incluindo um hino, relações diplomáticas com diversos países e Observador nas Nações Unidas, e ostenta a personalidade jurídica do Direito das Gentes. Alguns questionam a personalidade jurídica internacional da Ordem de Malta, no entanto a Ordem é um dos primeiros entes de Direito Internacional que estão em actividade até aos nossos dias.

Em Portugal a Ordem existe desde antes do tempo de D. Afonso Henriques e continua a existir hoje, contando com 2 consagrados e vários cavaleiros.

O actual Cardeal-Patrono da Ordem é o Cardeal Raymond Burke, que tem como papel guiar espiritualmente a Ordem, promover as suas relações (do foro espiritual) com a Santa Sé e aconselhar o governo da Ordem. O Cardeal-Patrono não tem, portanto, qualquer poder de decisão na Ordem.

Rezemos pela Ordem de Malta!

PF



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Veruska: um milagre que viveu 29 anos

Anos 60. Rafaela e Danilo Bertoldo são um casal feliz. Casam-se muito jovens. Ele é bastante criativo e desde sempre trabalha no mundo da moda, ela é um doce e de uma beleza extraordinária. Amam-se muito. Nasce a sua primeira filha, Lara. Depois de alguns anos Rafaela espera a segunda filha, Veruska, quando descobre que tem uma infecção chamada toxoplasmose.

Num dia brilhante para a família Bertoldo, Raffaella dá à luz a uma menina doente com toxoplasmose macrocefálica. A sua vida muda, a criança é imediatamente internada na enfermaria pediátrica de Pádua. Veruska sofre de uma doença rara, que é estudada, e a a sua pequena vida escreve por si só um testemunho extraordinário de amor, de paz e de fé.

Contra todas as probabilidades da medicina do tempo (a história remonta a 43 anos atrás) ninguém dá mais do que três anos de vida a Veruska: o amor de uma Mãe que se dedica à filha e de um pai que a cuida dela todas as noites, permitem que Veruska viva 29 anos, dando assim o testemunho de que o amor é mais poderoso do que qualquer medicamento.

“Quando nasceu a menina disseram-me que estava gravemente enferma. A nossa vida mudou completamente. Ela era o terceiro caso destes em Pádua. Imediatamente chamou a atenção dos entendidos que, à época se perguntavam precisamente o que poderia ser feito para aliviar a pressão no crânio.”

“Ela foi operada umas três vezes, continua a Mãe. Embora não pudesse caminhar nem falar, a sua presença permitiu-nos experimentar a vida como um dom. Depois do nascimento de Veruska, a nossa vida tornou-se a medida de uma criança, ela foi a experiência mais importante da nossa vida. Desde que lhe deram alta e estudaram o seu caso, centenas de crianças foram salvas.”

“Veruska foi o terceiro caso de toxoplasmose – disse o pai Danilo – e foi o único que foi salvo. As outras crianças tinham morrido logo após o nascimento. Ainda vivo hoje da recordação do que a vida extraordinária da minha filha me deu: a sua presença, a sua vida que continuava a fluir na doçura, me lembrava a cada dia que a existência de cada ser humano é extraordinária e irrepetível.”

“A nossa filha foi um presente para nós, ela é um milagre. Estar ao lado dela, tê-la amado profundamente, fez da sua existência uma presença viva que nem mesmo a morte conseguiu dissipar. Ela vive connosco, a sua presença nos recorda cada dia o grande compromisso do ser humano que deve amar sem limites todos os dias. A vida é um dom, agradecemos a Deus por tê-la tido tão perto, porque nos fez experimentar o Seu amor e a Sua graça.”

A Mãe de Rafaela testemunha que “viver ao seu lado foi uma experiência extraordinária; uma eterna criança que, os nossos cuidados, e também tê-la amado muitíssimo, fez com que não lhe aparecessem feridas. Até os médicos ficaram surpresos de como a nossa criança conseguisse levar aquela vida. O amor de uma mãe é mais forte e supera qualquer doença. Chorei muito quando soube que ela estava gravemente doente, ainda assim servi e doei a minha juventude para a minha criança, a única ajuda foi Deus, invoquei-o para que apoiasse e ajudasse a minha criança a não experimentar a dor.”

Os médicos haviam dito a Rafaela que a sua filha sofria dores excruciantes, por causa da doença, e então a Mãe acariciava-a para acalmar as crises. “A todas as mães que passam por um sofrimento assim tão grande, aconselho que fiquem ao lado das suas crianças, elas são um dom, é preciso acolhê-las e amá-las”, diz Rafaella.

“Sinto muito a falta da minha criança – continua – mas sabemos que todos os dias nos dá a força para seguir em frente, apesar das dores da sua ausência. Há 12 anos partiu, mas nós nunca paramos de pensar nela e de procurar a sua presença na nossa vida. Até aquele momento nunca fizemos a experiência da dor e do sofrimento: a sua existência fez-nos compreender o que significa entrar no coração de Deus.”

“Também eu, nesta fase da minha vida, passo por um período de sofrimento físico, mas a presença da minha filha continua a iluminar a minha vida e a de todos aqueles que a conheceram. O sofrimento é um mistério, o único modo de superar o sofrimento e a morte é o amor e a fé. Sei que é muito pesado aceitar a doença de um filho, é um grande sofrimento, muitos pais rejeitam aceitar a dor, eu também fiz isso mas descobri que existe um grande mundo de amor, de alegria e de paz”.

De acordo com Rafaela, “o sofrimento das crianças incentiva-nos a dar muito, a dar-nos totalmente, sem pensar no pior, apreciando a presença destes milagres que acontecem na nossa vida.”.

“As crianças que sofrem são a presença viva de Cristo, são um sinal da sua paixão e do seu amor, são uma luz que nos sacode e nos chama a comprometer-nos a amar e a sorrir, porque a vida sem amor é vazia.”

Maria Luisa Spinello in Zenit


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

São Paulo converteu-se! E nós?

Hoje é dia da Conversão de São Paulo. 

De manhã fui à Basílica de S. Paulo, rezar diante do túmulo do Apóstolo pela minha conversão. Também rezei pela conversão de algumas pessoas em particular, e outras em geral, mas principalmente pela minha.

‘Conversão’ vem do latim ‘conversio’, que significa ‘voltar-se para’, ou ‘mudar de direcção”; e que por sua vez vem do grego ‘metanoia’ (μετάνοια – ‘μετά’, para além + ‘νοῦς’, pensamento) que quer dizer ‘ir para além do que penso’, ou seja ‘mudar de ideias’. 

Embora algumas vezes a conversão possa ser associada a um determinado momento ou acontecimento, é uma coisa para a vida inteira, devemos converter-nos diariamente. 

“Mas converter-me a quê e porquê?”

No capítulo 31 do livro de Jeremias, o profeta faz o que sabe fazer melhor: profetiza. Neste caso é uma profecia messiânica que fala da Nova Aliança, que viria a ser feita por Jesus com a sua Igreja.

“Porei a minha lei no seu interior, e escrevê-la-ei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.” (Jr 31, 31-33)

A Antiga Aliança estava escrita nas tábuas da Lei, que Moisés entregou ao povo judeu no Monte Sinai. A Nova Aliança já não estará escrita no exterior, mas sim no interior do homem, no seu coração.

Converter-se é “redireccionar o coração” para seguir Jesus. É no coração que se joga a nossa vida, mais do que nos actos exteriores. Como explica Jesus no Evangelho de São Mateus (15, 19-20):

“Do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfémias. São estas coisas que contaminam o homem.”

Para não termos um coração contaminado, mas sim um coração limpo, convertido a Jesus, sigamos os conselhos de São Paulo na Carta aos Colossenses (3, 12-17):

“Vós, portanto, como escolhidos de Deus, santos e amados, revesti-vos de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver queixa contra outro. 

Assim como ainda o Senhor vos perdoou a vós, assim fazei vós também; e sobre tudo isto revesti-vos do amor que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual também fostes chamados em um só corpo: e sede agradecidos.

A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria, instruindo e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão louvando a Deus em vossos corações.

Tudo quanto fizerdes, quer de palavras quer de obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai.”

João Silveira


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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Um baptismo para não mais esquecer

Não me lembro do meu baptismo mas estas crianças irão certamente recordar o seu. Não há dúvida que esta cerimónia imprime carácter...a vários níveis!


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Quem é D. Fernando Ocáriz - 3º sucessor de S. Josemaria?

1. Msgr. Fernando Ocáriz é o mais novo de oito irmãos, nasceu em Paris em 1944.

2. Estudou Física na Universidade de Barcelona, terminando o curso em 1966.

3. Depois, como estudante de teologia, viveu em Roma com S. Josemaria, o fundador da Obra. Terminou o curso de teologia em 1969 e recebeu o doutoramento em 1971.

4. Foi ordenado sacerdote em 1971. Nos primeiros anos de sacerdócio esteve especialmente ligado aos estudantes universitários.

5. Desde 1986 que é consultor da Congregação para a Doutrina da Fé. De acordo com o jornalista John Allen, é um dos principais autores da Dominus Iesus, um documento importante pedido  por S. João Paulo II que esclarece as principais diferenças entre a Igreja Católica e os outros Cristãos. 

6. Em 2009 foi nomeado pelo Papa Bento para colaborar nas discussões doutrinais entre a Sociedade de S. Pio X e a Santa Sé. 

7. Nos anos 80 esteve envolvido no início da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, uma das principais universidades de teologia em Roma. É agora professor emérito de Teologia Fundamental. Escreveu muitos livros que ainda hoje são usados pelos estudantes de teologia em Roma.

8. Em 2011 escreveu no L'Osservatore Romano um artigo muito importante sobre o Concílio Vaticano II, que vale a pena ler: 50 anos após a convocatória do Concilio Vaticano II

9. Em 1994 foi nomeado Vigário Geral do Opus Dei, cargo que manteve até 2014. Desde 2014 até hoje tornou-se Vigário Auxiliar, acumulando todas as funções próprias de Prelado, excepto as que competem aos Bispos.

10. Msgr. Fernando Ocáriz foi nomeado pelo Papa Francisco como Prelado do Opus Dei. É agora o terceiro sucessor de S. Josemaria.
in wikipedia e opusdei.pt


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Nos Estados Unidos acabou o financiamento das ONG's abortistas

Donald Trump assina a ordem executiva que faz com que qualquer ONG que promova o aborto no mundo deixe de receber fundos do governo federal americano.


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Missa de D. Fernando Rifan em Lisboa

Ontem, Domingo, dia de S. Vicente, padroeiro do Patriarcado de Lisboa, o Msgr. Fernando Rifan, bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney celebrou, na igreja de S. Nicolau, uma Missa Cantata.

O Senza marcou presença e apresentamos uma reportagem exclusiva:

Antes do Evangelho ser cantado, o Turiferário apresenta o turíbulo e o Mestre de Cerimónias a naveta. O bispo impõe o incenso, dizendo: "Ab illo benedicaris in cuius honore cremaberis. Amen" - "Sejas abençoado por Ele na honra de Quem serás queimado. Amen"



O bispo incensa as oblatas, traçando sobre elas três cruzes e três voltas (duas para a esquerda e uma para a direita), dizendo: "Incensum istud a te benedictum ascendat ad te, Domine et descendat super nos misericordia tua." - "Suba até Vós, Senhor, este incenso, que Vós abençoastes, e que a Vossa misericórdia desça até nós." De seguida, incensa o altar e é incensado pelo Mestre de Cerimónias.

"Dominus meus et Deus meus."

Antes de distribuir a comunhão aos fiéis, o bispo comunga do cálice e os servos rezam o 2º Confiteor.

Ao som da antífona mariana deste tempo, prepara-se a procissão de saída, após a leitura do Último Evangelho. "Alma Redemptoris Mater, (...) peccatórum miserére."

No fim, D. Fernando Rifan ficou para os fiéis o poderem cumprimentar.

Deo gratias!


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domingo, 22 de janeiro de 2017

Um bebé brinca na barriga da sua Mãe

Passam hoje 44 anos do acontecimento trágico que legalizou o aborto nos Estados Unidos da América: o julgamento Roe vs. Wade. O aborto, matar um bebé inocente, passou a ser considerado um "direito" naquele país, e, depois disso, em muitos outros países.

Neste vídeo vemos um bebé que brinca na barriga da sua Mãe. Não é um amontoado de células. Não é uma coisa. É um bebé. É um ser humano. Segundo a Mãe, o seu filho teria entre 8 a 12 semanas quando foi feito aquele ultrassom.

As leis abortistas permitem que se matem bebés com essas semanas de vida. Aquele bebé, que naquele momento brincava, poderia estar feito em bocados, bastando para isso que a Mãe tomasse essa decisão dramática. Isto deve-nos fazer pensar. E rezar para que tudo isto acabe depressa.


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sábado, 21 de janeiro de 2017

Domingo: Santa Missa na Forma Extraordinária com D. Fernando Rifan



Amanhã, Domingo, na Igreja de S. Nicolau, haverá Missa na Forma Extraordinária (também conhecida por Missa antiga ou Missa tridentina) com o bispo D. Fernando Rifan, às 17h00m.


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Nossa Senhora de Guadalupe na tomada de posse de Donald Trump

Melina Mara, uma fotógrafa do 'The Washington Post' fotografou as meias que Ryan Zinke, nomeado por Donald Trump para Secretário do Interior, usou hoje na tomada de posse do novo presidente dos Estados Unidos da América. Mas por quê tirar uma fotografia às meias de alguém? Bem, pelos vistos estas eram meias especiais...continham a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América.

Que Nossa Senhora de Guadalupe ajude os norte-americanos a lutar contra os graves problemas morais do seu País, começando pela luta contra o aborto.


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Existem dois tipos de martírio: um público e um oculto

S. Sebastião - Guido Reni (Musei Capitolini)
Uma vez que hoje celebramos a festa dum mártir, irmãos, devemos preocupar-nos com a forma de paciência praticada por ele. Com efeito, se, com a ajuda do Senhor, nos esforçarmos por manter essa virtude, obteremos sem dúvida a palma do martírio, ainda que vivamos na paz da Igreja. 

Porque há dois tipos de martírio: o primeiro consiste numa disposição do espírito; o segundo alia a essa disposição os actos da existência. Por isso, podemos ser mártires mesmo sem morrermos executados pelo gládio do carrasco. Morrer às mãos dos perseguidores é o martírio em acto, na sua forma visível; suportar as injúrias amando quem nos odeia é o martírio em espírito, na sua forma oculta.

Que haja dois tipos de martírio, um oculto, o outro público, a própria Verdade o comprova quando pergunta aos filhos de Zebedeu: «Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?» E à sua asserção, «Podemos», o Senhor riposta: «Bebereis do meu cálice.» Ora, que pode significar para nós este cálice, senão os sofrimentos da sua Paixão, da qual diz noutro sítio: «Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice» (Mt 26,39)? Os filhos de Zebedeu, Tiago e João, não morreram ambos mártires, mas foi a ambos que o Senhor disse que haviam de beber esse cálice.

De facto, se bem que não viesse a morrer mártir, João acabou todavia por sê-lo, já que os sofrimentos que não sentiu no corpo os sentiu na alma. Devemos então concluir do seu exemplo que nós próprios podemos ser mártires sem passar pela espada, se conservarmos a paciência da alma.

São Gregório Magno in Homilias sobre os Evangelhos, n.º 35 


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Silêncio: Fidelidade ou apostasia?

(Atenção: este texto contém spoilers que contam o fim do filme.)

Estreou o Silêncio de Martin Scorsese. O filme tem gerado muita polémica. Muitos têm interpretado a apostasia do Pe. Rodrigues, protagonista, como um acto bom. Outros, escandalizados com esta interpretação, rejeitam o filme por completo.

Mas o filme é muito maior do que o problema da apostasia. Um dos melhores realizadores de cinema, um extraordinário elenco japonês e cenários incríveis das ilhas japonesas fazem-nos viver cada cena do filme. Um martírio filmado assim não deixa ninguém indiferente. E no filme há vários, lembrando as dezenas de milhares de cristãos que foram martirizados no Japão nesta altura.

Uma das ideias favoráveis à apostasia é a de que o Japão é um pântano onde nada ganha raízes. O Pe. Cristóvão Ferreira, o primeiro jesuíta a negar a fé sob tortura, diz que os japoneses convertidos nunca tinham compreendido o Cristianismo a sério. Segundo Ferreira, o culto Cristão dos japoneses não era senão o culto budista ao "deus Sol". Num país assim, não seria mau negar a fé em público e viver as práticas do Japão e do budismo, ajudando os locais de outras maneiras. Mas o filme mostra ao mesmo tempo como esta ideia é falsa. Nenhum japonês seria capaz de passar por torturas tão duras e no fim morrer por um "deus Sol". No início, três mártires japoneses morrem crucificados à beira mar, torturados à fome e afogados pelo encher da maré. Mas estes humildes japoneses morrem por um verdadeiro amor a Deus e pela Sua Mãe, Maria Santíssima. Mais ainda, morrem a cantar o Tantum ergo, um famoso hino eucarístico da tradição da Igreja, esquecido pela maior parte dos Cristãos do século XXI, mas não por aqueles japoneses que deram a vida pela Fé.   

Até ao momento da apostasia, na última parte do filme, os padres jesuítas estão sempre em contacto com estes Cristãos clandestinos do Japão. Primeiro vivem com eles em liberdade e depois nas prisões japonesas. O filme mostra como os Cristãos alimentavam a Fé através de pequenas coisas diárias, sempre iguais. Por exemplo, os Cristãos não só abençoavam sempre as refeições, como o faziam sempre com a mesma oração em latim. A fidelidade com que os japoneses rezavam dava-lhes Paz, mesmo já na prisão. Esta Paz contrastava com a agitação do Pe. Rodrigues, que quase se zanga por ver os Cristãos japoneses tão calmos. A agitação do Pe. Rodrigues leva-o a abandonar essas orações regulares que os outros faziam, e por mais do que uma vez Scorsese mostra-o a esquecer-se de abençoar a refeição antes de comer.
A fé do Pe. Rodrigues torna-se sentimental, baseada em "sinais" como ver o rosto de Cristo na água, que não dão fundamento à Fé. No fim, desesperado por ver tantos Cristãos a serem massacrados, julga ouvir a voz de Jesus a dizer-lhe para apostatar. O filme mostra muito bem o processo que leva um Cristão a negar a Cristo. Não é com leviandade que um sacerdote nega a Cristo. A apostasia é o culminar de um processo longo, que já tinha começado muito antes. O fim do filme é perturbador não só pela apostasia do Pe. Rodrigues, mas porque esta não é diferente do que se passa hoje no Ocidente. Todos conhecemos pessoas que não são Católicas, mas que em tempos o foram. Este processo, que começou com uma transformação interior da Fé, culmina com a própria pessoa a achar que está a fazer bem ao negar a Cristo, tal como acontece com o Pe. Rodrigues.

Silêncio é um filme que não acaba bem. O Pe. Rodrigues fracassa, nega a Fé e vive várias décadas no Japão budista. Estes budistas, surpreendentemente diferentes dos pacifistas que o mundo apresenta, massacraram milhares de Cristãos conterrâneos no século XVII. Obrigaram o Pe. Rodrigues a viver com uma mulher, a escrever livros contra a Igreja, a identificar Cristãos clandestinos e a negar a Fé regularmente. Ainda assim, quando tudo parecia perdido, Deus teve a última palavra. E a Igreja Católica não só ganhou raízes no Japão como sobreviveu até aos dias de hoje.

Nuno CB


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um coração puro consegue ver Cristo nos que mais precisam de Cristo



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Apelo de 3 Bispos para que o Papa Francisco defenda o Matrimónio

No dia 18 de Janeiro, dia da antiga festa da Cátedra de São Pedro, Tomash Peta, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana; Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santissima em Astana lançaram um Apelo à oração: para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio. Ao acolher este pedido, publicamos aqui o texto completo.

Apelo à oração:
para que o Papa Francisco confirme a imutável prática da Igreja
relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio


Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimónio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimónio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao carácter esponsal do próprio mistério eucarístico. O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação: «A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimónio cristão. Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excepcionais – que divorciados assim chamados "recasados" possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a "veste nupcial", a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimónio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar: «Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a certeza moral de que o primeiro matrimónio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial [...] Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.»

As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

·  A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem excepção, sempre e em qualquer situação. Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excepcionais ​​ou que se fale em termos de um ideal mais pleno. São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).

· As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus. Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.

· Acreditar na indissolubilidade do matrimónio e contradizê-la com os próprios actos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos: «Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as acções não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exactamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial» (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).

·  A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimónio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível. Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna. Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.

· Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça rectamente, como a Igreja infalivelmente ensinou: «Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e «Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que baptizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado» (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18). Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou: «A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja» (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e «Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimónio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).

· O acto sexual fora de um matrimónio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objectivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus. São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um acto de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5). São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja: «Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns actos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer excepção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma acção proibida por uma regra universal, o único acto moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da acção que ela proíbe» (Encíclica Veritatis splendor, 67).

·  Uma união adúltera de divorciados "recasados" civilmente, "consolidada", como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita "comprovada fidelidade" no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu acto de violação do vínculo sacramental do matrimónio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um acto intrinsecamente mau. Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter "compreensão" com actos intrinsecamente maus, como é o caso dos actos sexuais fora do matrimónio válido, uma vez que estes actos ofendem a Deus.

· Uma admissão dos divorciados "recasados" à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excepcional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da "via caritatis", o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia. São Tomás de Aquino disse: «por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere» (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).

·  Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimónio apenas num único caso ou em casos excepcionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canónicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus. Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de carácter geral.

· Sendo o matrimónio válido entre baptizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de carácter público, um julgamento subjectivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimónio, por contraposição à respectiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um carácter público.

· A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a rectidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1). O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16). O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão. A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimónio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.

·  Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas "recasadas", recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimónio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).

· A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma ruptura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um facto evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum. Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimónio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da "praga do divórcio", sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).

· A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a acção pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II: «A acção pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos. Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respectivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).

· Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos actos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge. Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais actos no futuro. Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimónio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).

·  A prática pastoral da Igreja sobre o matrimónio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão. São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências. Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenómeno está em crescimento. Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão: "O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática" (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerónimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração. Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma acção cada vez mais unida: «Não raro, de facto, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma acção nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).
  
Considerando que a admissão dos divorciados ditos "recasados" aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da "via caritatis" ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares. Tal acto da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adoptou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras: “Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um acto de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier. A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afecto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: "Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam".

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana
+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana


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