quarta-feira, 25 de maio de 2022

Baptismos e primeiras Comunhões em Rito Tradicional no Gabão

Vários adultos foram baptizados e receberam a primeira Comunhão na igreja de Nossa Senhora de Lourdes em Libreville (Gabão). Esta igreja está entregue ao apostolado do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote.











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Missa celebrada em peregrinação antes de chegar ao Monte de São Miguel (Normandia)




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terça-feira, 24 de maio de 2022

Católicos não podem defender o Estado Laico



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A devoção de São João Bosco a Nossa Senhora Auxiliadora

No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto a uma criança de cinco anos marcam um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, Dom Bosco iniciou a construção, em Turim, de uma grande Basílica, que foi dedicada a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos. Até então não se percebia em Dom Bosco uma atenção especial por esse título.

A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com Margarida, sua mãe, a ter grande confiança em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus, lhe unirá sempre o título Auxiliadora dos Cristãos. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi “Ela (Maria) quem tudo fez”, Dom Bosco quis que as Filhas de Maria Auxiliadora, congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fossem um monumento vivo dessa sua gratidão.

“Nossa Senhora deseja que a veneremos com o título de Auxiliadora: vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã”, disse Dom Bosco ao Padre Cagliero.

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora foi crescendo cada vez mais e mais. No dia 17 de maio de 1903, por decreto do Papa Leão XIII, foi solenemente coroada a imagem de Maria Auxiliadora, que se venera no Santuário de Turim.

Grande devoção a Nossa Senhora: a construção do Santuário de Maria Auxiliadora em Turim

Dom Bosco confiou aos Salesianos a propagação dessa devoção, que é, ao mesmo tempo, devoção à Mãe de Deus, à Igreja e ao Papa.

Foi uma obra marcada por acontecimentos extraordinários e dificuldades enormes. Dom Bosco não se cansava de dizer que era Nossa Senhora que queria a igreja e que Ela mesma, depois de lhe ter indicado o local onde devia ser feita, lhe teria feito encontrar os meios necessários.

Mas ouçamos do próprio Dom Bosco o relato de um "sonho", tido em 1844, quando andava ainda à procura de uma sede estável para o seu oratório.

A Senhora que lhe apareceu, disse-lhe:

"Observa'. - E eu vi uma igreja pequena e baixa, um pequeno pátio e jovens em grande número. Recomecei o meu trabalho. Mas tendo-se esta igreja tornado pequena, recorri a Ela outra vez e Ela fez-me ver uma outra igreja bastante maior com uma casa ao lado. Depois, conduzindo-me a um lado, a um pedaço de terreno cultivado, quase em frente da fachada da segunda igreja, acrescentou:


'Neste lugar onde os gloriosos Mártires de Turim Aventor, Solutor e Octávio ofereceram o seu martírio, construirás a minha igreja."


in aveluz.com e it.donbosco-torino.org


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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Ladainhas Menores nos 3 dias que antecedem a Ascensão

As "rogações", do latim, rogatio (pedido, petição), são as orações de petição que uma comunidade faz em determinados tempos ou por algumas intenções especiais, muitas vezes em forma de procissão e com o canto das Ladainhas dos Santos. As rogações – dando graças a Deus, pedindo a chuva, uma boa colheita, o fim de uma epidemia ou a libertação de algum outro mal que ameaça toda a comunidade – relacionam-se sobretudo com as Quatro Têmporas do ano.

HISTÓRIA

Em consequência das calamidades naturais e um terramoto que, no século V, destruiu casas e colheitas, na Diocese de Vienne (ou Viena), no Delfinado - actual Isère (França) - o Santo Bispo Marmeto, um dos Santos de Gelo, organizou, em 474, três dias antes da Ascensão, uma procissão solene de penitência nos três dias que precedem imediatamente a Ascensão. Mais tarde, em 511, o Primeiro Concílio de Orleans (combate ao arianismo; regulamentação das relações entre o poder real e a Igreja; estabelecido o direito de asilo) estendeu este costume a toda França; e o Papa Leão III, em 816, adoptou-o em Roma, donde passou a toda Igreja.

Ladainha de todos os Santos, os salmos e as orações são uma oração de súplica, recebendo por este motivo o nome de “rogações”. Têm por fim afastar os flagelos da Justiça Divina e atrair as bênçãos e a misericórdia de Deus. As ladainhas são um modelo admirável de oração; pequenas jaculatórias dialogadas, brevíssimas, e a ressumar sentido e piedade.  


Essas são as Rogações Menores. As Rogações Maiores, ao invés disso, não são obras de São Mamerto, e, ainda que tenham tido a bênção de diversos Papas, têm origens pré-cristãs. São celebradas no dia 25 de abril, data em que antigamente se praticavam os 
ritos de Ambarvalia (eram ritos de fertilidade agrícola romanos em honra de Ceres): procissões propiciatórias para obter boas colheitas. 

O Papa Libério (no século IV) cristianizou-as; e, sucessivamente, o Papa Bento XIV (século XVIII), estabeleceu que fossem "orações próprias para defender a vida dos homens da ira de Deus que nos amedronta em todo lugar", com o objetivo de "afastar os flagelos da justiça de Deus e de atrair as bênçãos da sua misericórdia sobre os frutos da Terra". Ambarvalia vem do latim "ambire arva" significando "volta ao redor do campo".

Seja como for, por ocasião das Rogações Menores repetiam-se essas procissões nos campos, com itinerários diferentes, durante os três dias. Desde a manhã até a noite, campo por campo, o Sacerdote repetia, dirigindo-se aos quatro pontos cardeais, as frases do rito: "A fulgore et tempestate, A flagello terremotus, A peste fame et bello". Frases às quais os fiéis respondiam: "Libera nos Domine".  

Nos dias das Rogações Menores faziam-se também previsões para as futuras colheitas: na segunda-feira, fazia-se o prognóstico para a colheita dos hortifruti e da uva; na terça, para o trigo, e na quarta para o feno. Se naqueles dias o tempo fosse inclemente, assim seria a colheita, ao contrário: com o tempo ensolarado, as colheitas abundantes. 

in Pale Ideas


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Roma Antiga




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domingo, 22 de maio de 2022

Entrevista a um sacerdote que celebra exclusivamente o Rito Tradicional

O mal-estar, as dificuldades espirituais, as batalhas e a coragem de um sacerdote que se vê obrigado a conviver com uma realidade eclesiástica, muitas vezes, incompreensível.

Don Alberto Secci e dois irmãos, Don Stefano Coggiola e Don Marco Pizzochi, todos da diocese de Novara, saltaram para a ribalta quando se comprometeram a aderir fielmente ao Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, em 2007.

A oposição à celebração da Santa Missa segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano foi bastante forte por parte da curia de Novara, criando enormes dificuldades a estes três sacerdotes, especialmente na sua relação com os paroquianos.

A lógica era simples: a celebração da Santa Missa segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano “devia ser” uma excepção, ou seja, era proibida aos párocos. Isto foi bastante falado na imprensa local e nacional e os três sacerdotes passaram a ser vistos como provocadores. No entanto, o Senhor vê e fornece! E os nossos três sacerdotes seguem o mesmo caminho: o da fidelidade à Tradição e à Santa Igreja Romana. Para além de nas suas igrejas, de Vacogno e Domodossola, hoje, também é possível seguir o apostolado de Don Alberto Secci e de Don Stefano Coggiola através da sua página na internet: Radicati nella Fede.

Don Alberto, como sacerdote, a sua escolha de voltar à Santa Missa de sempre, aquando do Motu Proprio, fez os media falar muito entre 2007 e 2008. Hoje, passado muito tempo, pedimos-lhe que responda a algumas perguntas que poderão permitir aos fiéis italianos conhecer melhor a sua história.

P: Pode dizer-nos como, e quando, nasce a sua vocação sacerdotal e como foi a sua formação no seminário?

R: Nasci em Domodossola, mas a minha família mudou-se para Biella. O meu pai era polícia, e ali passei a minha infância, numa boa paróquia, dirigida por um velho padre, nascido em 1890! Um padre com uma fortíssima devoção mariana. Sem duvida foi ali que apareceu o primeiro sinal da minha vocação.

O serviço à Santa Missa, o mês de Maio, o Santuário de Oropa...juntamente com a fidelidade da minha mãe às tarefas diárias e à Santa Missa e ao sentido de dever e ordem do meu pai e muitas outras coisas boas marcaram a minha infância católica.
 Depois fui para Domodossola com a minha família e inscrevi-me no liceu...boas recordações, embora o clima, em 1977, fosse muito laical. Naquele liceu vivi uma intensa militância católica no movimento Comunhão e Libertação. Éramos poucos mas muito aguerridos. Recordo-me daqueles anos: orações (rezávamos as Laudes, Vésperas e Completas, terço, Missa diária – já aos 15, 16 anos! – e lemos vários livros, dos escolhidos pelos professores, para defender a Igreja e a sua historia). O amor à Igreja, e o conhecimento sobre ela, crescia constantemente. Líamos os grandes autores espirituais, como São Bento, Santa Teresa d’Avila...para mim foi natural e esmagadora a evidencia da minha vocação sacerdotal.

Cristo é o todo, a Igreja o seu corpo: Como não dar a vida por isto?
 Entrei no seminário aos 19 anos, depois de concluir o liceu. Tinha uma grande ajuda do meu director espiritual para estudar o catecismo e a teologia. 
Porquê?
 Naqueles anos não faltavam as opiniões pessoais, ideologicamente ancoradas à teoria de Rahner. No entanto, passei, serenamente, esses anos a “combater” positivamente pela fé.
 Não tive maus professores, recordo-os a todos com simpatia mas, também, já estava preparado, pela militância católica anterior, a discernir qualquer ensinamento.

P: Quais foram os ministérios a seu cargo nos primeiros anos após a sua ordenação?

R: Ordenado sacerdote, fui enviado, com 25 anos, para uma paróquia (muito católica) com um grande número de fiéis, onde fui assistente. Não foi fácil: ensinava religião no secundário e o resto do dia era passado entre as pessoas e a paróquia. Era um grande desafio, enfrentava linhas eclesiásticas muito distintas da minha, já, marcadamente, tradicional.
Espero ter feito mais bem que mal.

Depois fui para França, durante cerca de 1 ano, atraído pela experiência canónica, pois sentia a necessidade de um suporte sacerdotal maior: os monges tornaram a Europa cristã. Pareceu-me ter encontrado uma solução para um melhor serviço a Deus e às almas.
 Regressei porque reencontrei as lutas teológicas e a monotonia dos seminários. Cheguei, então, a Valle de Vigezzo, onde estou agora, primeiro como assistente num santuário e depois como pároco. Durante estes anos tenho continuado a ensinar religião na escola.

P: Como foi o seu reencontro com a Missa antiga e o que é que o levou a abraçar, apesar das dificuldades, este rito em forma exclusiva?

R: É difícil responder. É como se sempre tivesse estado presente em mim. Recordo não poder suportar mais um certo modo de celebrar, recordo-me de ter advertido, desde sempre, o ridículo de muitas liturgias. Era como saber que este era o momento de confusão, quase dramático. Tudo na Igreja me falava do Rito antigo, só ele faltava e me esperava. Como pároco fiz aquilo que, naquele momento, me parecia impossível: Altar ad orientem, o canto gregoriano, a comunhão na boca e uso constante da batina, a catequese para adultos e o catecismo tradicional para as crianças. Mas não era suficiente. Eu já estava há uns anos sob investigação por causa do que já tinha mudado. Em 2005 introduzi primeiro o ofertório e depois o cânon do vetus ordo na Missa de Paulo VI. Esperei com paciência o tantas vezes anunciado Motu Proprio, que parecia não chegar e, a 11 de Julho de 2007, uma terça-feira, comecei a celebrar apenas Missa Tridentina. Devo dizer que o ultimo passo dei-o graças a um irmão: numa viagem às montanhas, um dia antes, disse-me: “de que estás à espera?”...era sinal de que devia começar.

P: Porque é que, contrariamente a outros sacerdotes que acolheram o Summorum Pontificum, recusa o “bi-ritualismo”?

R: Serei brevíssimo: parece-me absurda a obrigação do “bi-ritualismo”. Se um encontra a verdade, o melhor, o que expressa mais completamente a fé católica, sem ambiguidades perigosas, porque celebrar algo menor? 
No bi-ritualismo o sacerdote estagna na tristeza de uma espécie de esquizofrenia e o povo não é consolado na beleza de Deus. Evito o discurso teológico-liturgico. Só digo que aquele que se mantém no bi-ritualismo, mais cedo ou mais tarde abandona a Missa Tridentina e arranjará razões para ficar no mundo reformista, embora viva de forma conservadora, com uma tristeza interior, como se tivesse traído o amor a Deus.
 Devo acrescentar que me foi muito útil a leitura da reforma litúrgica anglicana de Michael Davies. Texto fundamental, claríssimo: A ambiguidade do rito leva à heresia do facto. Não é isso que sucedeu connosco?

P: Como reagiram os seus paroquianos quando souberam da sua decisão de voltar à Missa Antiga?

R: Não se surpreenderam. Os simpatizantes disseram: Finalmente! Os que se opunham disseram: Nós avisámos!

No entanto, diria que quase a totalidade das pessoas se lançaram ao trabalho: distribuíram folhetos, quiseram aprender...um belo clima de fervor. Sempre recebi a ajuda de um grupo de fiéis, simples e fortes, que estiveram sempre dispostos a trabalhar comigo. Penso, especialmente, naqueles que em 1995 começaram com os ensaios de canto.

P: Todos sabemos das incompreensões do Bispo e da ideia de lhe dar, a si, uma espécie de capelania em Vacogno. Como foram, naqueles momentos, para além dos desentendimentos com a cúria de Novara, as relações com outros párocos?

R: Desapareceram todos. Alguns desaprovaram, a maioria permaneceu em silêncio, alguns diziam-me em privado que não estavam contra mas que em público não podiam fazer nada. Era o horror, a desobediência oficial.
 Da nossa parte, Don Stefano – o sacerdote que tomou o mesmo caminho e o mesmo trabalho – e eu, havendo campos de apostolado diferentes, nunca faltamos às reuniões sacerdotais da vigararia, participando com empenho, como sempre.

P: Hoje em dia, felizmente, as tensões foram temperadas. Como são as relações com o Bispo e com os irmãos?

R: Tudo parece tranquilo, embora saibamos que há muito por resolver, já que sempre se evitou uma discussão profunda sobre a razão da nossa eleição. É como se se quisesse permanecer à superfície, a um nível puramente jurídico. Esperamos coisas melhores, com o tempo.

P: O território de Ossola tem grandes tradições religiosas. Pensa que a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano pode estender-se mais nesta região e nas regiões vizinhas?

R: Não sei. Só sei que a vida nas nossas montanhas toma a forma da Missa católica, a de sempre. A vida das pessoas de cá foi formada pela liturgia tridentina, a estar frente a frente com Deus dramaticamente, isto é levar de uma forma positiva a vida. No entanto, o “mundo americanizado” está aí também para desgraça da Igreja e do ser humano.

P: Como é o seu apostolado na actualidade, quantos fieis assistem habitualmente na igreja de Vacogno?

R: A Missa diária, as Missas de domingo, as confissões todos os dias, meia hora antes da Missa, a escola de Domodossola com 13 turmas este ano, os encontros de doutrina católica de sexta-feira, a catequese para crianças, os ensaios semanais de cantos...e depois uma vida um pouco retirada, um pouco monástica, se me permite, porque se o sacerdote quer fazer um pouco de bem não deve estar metido em tudo.

Vivo numa grande Fraternidade sacerdotal com Don Stefano, que também se dedicou à Missa antiga, que celebra para os seus fiéis na igreja do hospício de Domodossola: é uma fraternidade operacional, onde também os nossos paroquianos têm momentos comuns. Tudo isto fez nascer um boletim e um website que documenta a nossa vida. Quantos fiéis nos frequentam? Isso não sei. Podem chegar aos 120 nos domingos de verão, no inverno a assistência cai, dada a distancia a que estamos dos outros locais. Mas aprendi a não contar. Os Reis de Israel eram castigados quando faziam censos.

P: Como qualificaria a instrução Universae Ecclesiae sobre o uso do Missal antigo?

R: Reafirmou que a Missa antiga nunca foi proibida e que não pode ser proibida. Mas aqueles que não a querem admitir continuam a confundir o que está escrito.

Entrevista realizada por Marco Bongi a Don Alberto Secci, da diocese de Novara, in Adelante la Fe


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Os primeiros museus do mundo

Durante alguns séculos só em Roma houve museus. Conhece a história?

Desde que o papado começou a ter influência na administração civil da cidade de Roma, as grandes preocupações foram os pobres, a instrução e a cultura. Os Papas queriam que o povo convivesse com a arte, em praças belas, decoradas com esculturas e fontes, em edifícios públicos com pinturas e tapeçarias de qualidade. No século XV, esta preocupação adquiriu um matiz novo, quando foi necessário proteger as obras de arte que não podiam ficar à intempérie, ou eram substituídas por outras mais modernas. Para que a população tivesse livre acesso a esses objectos, tal como contemplava as obras de arte espalhadas pela cidade, surgiram os primeiros museus do mundo.

Como é óbvio, foi preciso inventar o nome, porque a palavra «museu» não existia com este significado. Com sentido de humor, importou-se a palavra grega «muséon» (palácio das musas). Sem pruridos de linguagem sexista, o conjunto, incluindo os esplêndidos exemplares de Júpiters e de Apolos, ficou conhecido como «as musas», figuras femininas mitológicas inspiradoras das artes.

A arquitectura dos edifícios foi uma inovação, porque nunca se tinham construído edifícios para expor objectos de arte. Quando, mais tarde, apareceram outros museus na Europa, o modelo mais corrente foi aproveitar os palácios dos regimes depostos, por exemplo o Hermitage em S. Petersburgo, ou os palácios de coleccionadores ricos, por exemplo o primeiro edifício da National Gallery em Londres, para mostrar os respectivos tesouros. O museu do Louvre também se instalou num palácio antigo, como tantos grandes museus. O museu Vaticano e os outros museus construídos pelos Papas foram diferentes, porque nunca foram palácios, nunca morou lá ninguém, mas foram projectados de raiz para serem visitados pelo povo. Só séculos mais tarde, no século XIX e sobretudo no século XX, se construíram outros museus de raiz: por exemplo, o museu Calouste Gulbenkian em Lisboa, ou os Guggenheim de Nova York ou de Bilbau.

Outra característica invulgar do museu Vaticano é que não tem peças roubadas. Pode dar vontade de rir constatar que esse sistema expedito (digamos assim) foi adoptado pelos principais museus. O museu do Louvre começou com uma colecção de pintura e escultura roubada às igrejas francesas; o museu nacional de Arte Antiga, em Lisboa, tem uma origem semelhante; outros grandes museus nasceram do saque dos tesouros do Egipto ou da Grécia. O próprio museu do Vaticano foi saqueado no princípio do século XIX por Napoleão Bonaparte. Fala-se em um milhão de caixas levadas para Paris, com peças de arte e arquivos. Com a queda do Imperador, aquilo que foi possível recuperar voltou para Roma.

O museu Vaticano e os outros museus que os Papas promoveram geraram polémica desde o início. Que desperdício oferecer arte ao povo! Os ateus de há uns séculos acusavam o Vaticano de hipocrisia, com o argumento de que expor divindades pagãs era fomentar a idolatria. Hoje em dia, diz-se que a arte é luxo e desafia-se o Vaticano a vender a arte aos ricos para dar o dinheiro aos pobres (os ateus da internet usam termos mais veementes, que me dispenso de reproduzir).

Está à vista que os católicos são tanto ou mais pecadores que as outras pessoas, contudo, também é verdade que a Igreja foi – e continua a ser – uma instituição muito especial.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores


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sábado, 21 de maio de 2022

Arcebispo de São Francisco proíbe que Pelosi receba a Sagrada Comunhão

 

O Arcebispo Salvatore Cordileone publicou um documento proibindo que Nancy Pelosi, Presidente da Câmara de Representantes, possa comungar. O texto justifica esta decisão com base nas tomadas de posição públicas dessa senhora em defesa do aborto livre.

O aborto procurado, segundo a ciência, representa o assassinato de uma vida humana única e irrepetível. Isto corresponde a um pecado grave (o homicídio voluntário é um dos pecados que clama aos Céus por vingança).

Diz o Cân. 915 do Código de Direito Canónico: «Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto.»

Um político que defenda o aborto no âmbito das suas funções encontra-se em pecado grave manifesto, devendo ser por isso, segundo a Lei da Igreja, impedido de comungar até que se arrependa publicamente.

Mons. Cordileone tomou uma decisão corajosa, dado o contexto actual. Que Deus o proteja.


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De “sacerdote" de Satanás a apóstolo do Rosário

O Beato Bartolo Longo nasceu no ano 1841 em Latiano, na Apúlia (Itália). Foi educado na fé e na oração, até que a saída de casa e da sua cidade o levou a percorrer perigas quimeras.

Após o colégio, mudou-se primeiro para a cidade de Lecce e depois para Nápoles, onde estudou Direito. Eram os anos das guerras de independência, onde o ímpeto idealista contagiava as almas de tantos brilhantes jovens italianos. Difundiam-se, especialmente nas universidades e nos círculos intelectuais, as ideias iluministas e o ódio contra a Igreja, considerada um manto obscurantista que sufocava os sonhos de liberdade.

As modas culturais do momento não pouparam o jovem Longo. Nascido numa Itália fortemente enraizada na fé e nos valores da tradição, foi-lhe irresistível a atracção de uma cidade como Nápoles, propulsora das novas e exuberantes ideias, prenunciando uma mudança cultural que viria a modificar toda a península itálica.

A decepção conduziu-o aos círculos mais fechados e elitistas da cidade. Desceu às profundezas da maçonaria, onde cultivou um sempre maior interesse com relação ao espiritismo. A companhia de intelectuais anticlericais, bem como a descida às práticas mágicas e aos conhecimentos esotéricos, eram-lhe mais uma forma de comportamento para tirar a veste provincial que trazia até aí.

Ele próprio irá dizer que foi tão tragado por esses ambientes que se tornou um verdadeiro “sacerdote de satanás”. A euforia foi-se transformando em desânimo, que o fez cair numa fortíssima depressão e o levou muitas vezes à beira do suicídio.

Em desespero, tentou algo que pudesse aliviar a sua angústia íntima. Conversou com um professor amigo, Vincenzo Pepe, da Puglia como ele, que não lhe poupou reprovações e o convidou a distanciar-se de certos ambientes. “Se continuar com estas práticas, vai terminar num manicómio!”, repetia-lhe com frequência. E convidou-o também a falar com o Pe. Alberto Radente, certo de que este dominicano, excelente director espiritual, teria conseguido ajudar Bartolo Longo a dissipar a escuridão da sua alma.

Após uma série de encontros com esse padre, o jovem Longo confessou-se e começou um caminho de mudança, mas ainda estava cheio de maus pensamentos. Um dia, quando perambulava desesperado pelo Vale de Pompeia, sentiu-se iluminado por uma frase que lhe dizia muitas vezes o Pe. Radente: “Se procura a salvação propague o Rosário. É uma promessa de Maria”. E logo depois sentiu o ressoar de um sino distante. Naquela momento elevou os braços ao Céu e gritou: “Se é verdade que prometestes a São Domingos que quem propagar o Rosário se salva, eu salvar-me-ei porque não sairei desta terra de Pompeia sem ter aqui propagado o teu Rosário!”.

Nas semanas seguintes, uma série de eventos indicaram a Longo que a sua súplica tinha sido ouvida. Estreitou laços com a condessa De Fusco e tornou-se administrador dos seus bens. Começou a frequentar os grupos de oração no Sagrado Coração de Jesus que a condessa guiava, até tornar-se o seu estreito colaborador e depois também marido.

O casal decidiu transformar o Vale de Pompeia, pobre e esquecido, num epicentro da devoção ao Santo Rosário. Escolheram uma velha igreja do lugar, onde colocaram um quadro de Nossa Senhora do Rosário que lhes tinha sido oferecido por uma irmã dominicana amiga do Pe. Radente. Aquele quadro é conhecido hoje em todo o mundo como o ícone da Beata Virgem do Santo Rosário de Pompeia, que surgiu dentro do que se tornou um Santuário entre os mais conhecidos e frequentados do mundo. Tudo graças ao trabalho da condessa De Fusco e do seu marido Bartolo Longo.

Bartolo é também o autor da Súplica à Nossa Senhora de Pompeia, escrita em 1883. Antes de morrer, no dia 5 de Outubro de 1926, mês de Maria, Bartolo Longo suspirou: "O meu único desejo é o de ver Maria, que me salvou e me salvará das garras de Satanás." No dia 26 de Outubro de 1980, foi beatificado pelo Papa João Paulo II.

in Zenit


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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Os Bispos Norte-Americanos condenaram o uso do Reiki

1. Têm vindo a surgir questões sobre as diversas formas de terapias alternativas disponíveis nos Estados Unidos. Os Bispos deparam-se muitas vezes com questões como: “Qual a posição da Igreja em relação a estas terapias?”. Por essa razão o Comité Doutrinal da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) preparou este documento para auxiliar os Bispos nas respostas a estas questões.

I. CURA PELA GRAÇA DIVINA E CURA POR RECURSOS NATURAIS

2. A Igreja reconhece dois tipos de cura: a cura pela graça divina e a cura pelos recursos naturais. O primeiro é atribuído ao ministério de Cristo, que realizou muitas curas físicas e que legou aos Seus discípulos a sua continuação. Fiéis a esta função, os Apóstolos da Igreja intercederam pelos doentes através da invocação do nome do Senhor Jesus, pedindo a cura pelo poder do Espírito Santo, quer pela forma sacramental de imposição das mãos e unção com óleo, quer por simples orações para a cura, recorrendo à intercessão dos santos. Quanto ao segundo, a Igreja nunca excluiu o recurso aos meios naturais para a cura através da medicina (1). A Igreja tem uma longa história de recurso a meios naturais para cuidar dos doentes. O sinal mais óbvio é o grande número de hospitais católicos existentes no nosso país.

3. As duas formas de cura não são mutuamente exclusivas. A cura pela cura divina não exclui o uso de recursos naturais. Não cabe a nós decidir se Deus irá curar alguém por meios sobrenaturais. Como o catolicismo da Igreja Católica demonstra, o Espírito Santo por vezes dá a certos humanos “um carisma especial de cura onde se manifesta o poder da Graça de Cristo Ressuscitado” (2). Este poder de cura não depende dos homens.

Contudo, “nem sempre as orações mais intensas alcançam a cura para todas as doenças” (3) sendo os meios de cura natural mais apropriados por se encontrarem ao dispor de todos. Na verdade, a caridade cristã não permite que se negue o acesso aos meios naturais para curar os doentes.

II. REIKI E CURA

A) As Origens e as Características Básicas do Reiki

4. Reiki é uma técnica de cura inventada no Japão em finais de 1800 por Mikao Usui no decurso do estudo de textos budistas (4). Segundo os ensinamentos do Reiki, as doenças são causadas por uma espécie de perturbação ou desequilíbrio na “energia vital universal” do doente. O praticante de Reiki efectua a cura colocando as mãos em certas áreas do corpo do paciente de modo a facilitar o fluir do Reiki, a “energia vital universal”, do praticante para o doente. As mãos podem ser colocadas em inúmeras posições conforme o problema. Os defensores do Reiki garantem que o praticante não é a fonte de cura mas um canal para a mesma (5). Para se tornar um praticante de Reiki, deve-se receber uma “iniciação” ou “sintonização” através de um mestre de Reiki.

Este ritual permite ao aprendiz “sintonizar-se" com a “energia vital universal” tornando-o um condutor dessa energia. Diz-se que existem três níveis diferentes de sintonização (há quem ensine quatro). Num nível mais superior pode-se canalizar a energia Reiki e realizar curas à distância, sem contacto físico.

B) O Reiki Enquanto Meio de Cura Natural

5. Embora os defensores do Reiki pareçam concordar que o Reiki não é uma religião por si só, mas uma técnica que pode ser utilizada por pessoas de diversas religiões, a verdade é que este tem vários aspectos de uma religião. O Reiki é muitas vezes descrito como uma espécie de “cura” espiritual, sendo uma alternativa aos procedimentos médicos comuns. Grande parte da literatura sobre Reiki é repleto de referências a Deus, a deusa, ao "poder de cura divina” e à mente "divina”. A energia vital é descrita como sendo dirigida por Deus, a "Inteligência Maior", ou a “consciência divina”. "Da mesma forma, as várias“ sintonizações "que o praticante de Reiki recebe de um mestre de Reiki são realizados através de “cerimónias sagradas” que envolvem a manifestação de certos símbolos sagrados (que são mantidos tradicionalmente em segredo pelos Mestres de Reiki).

Além disso, o Reiki é frequentemente descrito como um "Modo de vida", em concordância com uma lista onde se encontram os cinco "Preceitos do Reiki" que estipulam a ética adequada.

6. Não obstante, existem praticantes de Reiki, nomeadamente enfermeiros, que tentam abordar o Reiki simplesmente como um meio de cura natural. O  Reiki  está,  no  entanto,  sujeito  às  normas  da  ciência   natural. Apesar de existirem meios de cura natural que ainda não foram compreendidos ou reconhecidos pela ciência, é a ela que cabe julgar se deve ou não confiar-se num determinado meio de cura. Ao ser denominado como método de cura natural, o Reiki está sujeito às normas da ciência natural.

7. De acordo com essas normas, o Reiki não tem credibilidade científica. Não foi aceite pelas comunidade científicas e médicas como uma terapia eficaz. Não existem estudos científicos que comprovem a eficácia do Reiki , assim como uma explicação científica plausível que prove a sua eficácia. A explicação para o Reiki depende inteiramente de uma visão particular do mundo permeada por esta “energia vital universal"(Reiki), que está sujeita à manipulação do pensamento e da vontade humana. Os praticantes de Reiki afirmam que a sua formação permite-os canalizar essa "energia vital universal", que está presente em todas as coisas.  Mas esta "energia vital universal" é desconhecida para a ciência natural. Como a presença desse tipo de energia  não  foi  observada por meio da ciência natural, a justificação para estas terapias, deve vir de algo que se encontra além da ciência.

C) Reiki e o Poder de Cura de Cristo

8. Têm havido tentativas erradas de comparar o Reiki à Cura Divina conhecida pelos cristãos (6). A diferença é evidente: para o praticante de Reiki o poder da cura encontra-se à disposição do homem (alguns professores querem evitar esta implicação argumentando que não é o praticante de Reiki que efectua a cura por si mesmo, mas consciência divina). Para os cristãos a cura divina é irrefutavelmente realizada pela oração a Cristo como Senhor e Salvador. A essência do Reiki não é uma oração, mas uma técnica que o “mestre de Reiki” transmite ao aluno, uma técnica que, depois de dominada produzirá os resultados (7). Alguns praticantes tentaram cristianizar o Reiki adicionando uma oração a Cristo.

8. Por estas razões, o Reiki, assim como outras técnicas terapêuticas semelhantes, não podem ser englobadas no que os cristãos denominam por cura pela Graça.

9. A diferença entre o que os cristãos reconhecem como cura pela Graça Divina e a terapia do Reiki é também clara e baseia-se nos termos que os proponentes do Reiki utilizam para descrever o que acontece durante a terapia do Reiki, particularmente a "energia vital universal”. Nem as Escrituras nem a tradição cristã falam do mundo natural com base na "energia vital universal", que está sujeita à manipulação do pensamento e da vontade humana. Na verdade, essa visão de mundo tem suas origens nas religiões orientais e tem um certo carácter monoteísta e panteísta, nos quais não existem distinções entre mundo, eu e Deus (8). É certo que os profissionais Reiki não são capazes de diferenciar claramente entre poder da Cura Divina e o poder que está à disposição do homem.

III. CONCLUSÃO

10. A terapia Reiki não conta com o apoio das descobertas da ciência natural nem na religião cristã. Acreditar na terapia Reiki apresenta problemas insolúveis para os católicos. No que diz respeito aos cuidados de saúde física, quer do praticante quer do paciente, não é prudente empregar uma técnica que não tem comprovação científica (nem é plausível).

11. O Reiki é perigoso para a saúde espiritual. Ao usar o Reiki aceita-se, pelo menos de forma implícita, os elementos básicos em que se fundamenta, elementos esses que não pertencem nem ao cristianismo nem à ciência natural. Sem justificação quer da Fé Cristã ou da ciência natural, um Católico que coloca a sua confiança no Reiki, estará a operar no reino da superstição, a terra de ninguém que não pertence à fé nem à ciência (9). A superstição corrompe a adoração a Deus ao desviar o sentimento e a prática religiosa para uma direcção falsa (10). Por vezes as pessoas caem no domínio da superstição devido à ignorância, como tal, é da responsabilidade Igreja combater essa ignorância peremptoriamente.

12. Estando comprovado que a terapia Reiki não é compatível com qualquer doutrina cristã ou científica, é inadequado para as instituições se saúde católicas ou para as pessoas que representam a igreja, tais como capelães, promover ou fornecer suporte para a mesma.

Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos da América (2009)

Notas:

(1) Cf. Congregation for the Doctrine of the Faith, Instruction on Prayers for Healing (14 Setembro 2000), I, 3: “É óbvio que o recurso à oração não exclui, mas antes encoraja o uso de recursos naturais eficientes para preservação e cuidado da saúde assim como encoraja os discípulos e discípulas a cuidarem dos doentes, a assisti-los em corpo e em mente e a procurar curá-los”.
(2) Catecismo, n.1508.
(3) Catecismo, n. 1508.
(4) Também se diz que ele apenas redescobriu uma antiga técnica tibetana, mas não essa afirmação não está fundamentada.
(5) Como veremos abaixo as distinções entre o mundo, eu e Deus tendem a entrar em colapso no pensamento Reiki. Alguns professores de Reiki argumentam que se atinge a percepção de que o eu e a “energia vital universal" são apenas     um,     uma     “energia     vital     universal”,     tudo     é      energia,      incluindo      nós      mesmos.    
(6) Por exemplo, ver "Reiki e o cristianismo" no http://iarp.org/articles/Reiki_and_Christianity.htm e “Reiki Cristão” http://areikihealer.tripod.com/christianreiki.html
(7) Os mestres de Reiki oferecem cursos de formação com vários níveis de progresso, serviços para os quais exigem significativas remunerações financeiras. O aluno tem a expectativa e o Mestre dá-lhe a garantia de que o investimento de tempo e dinheiro permitir-lhe dominar uma técnica que irá previsivelmente produzir resultados.
(8) Isto está implícito no ensino de Reiki. Alguns proponentes afirmam explicitamente que não há nenhuma distinção, em última instância entre e o eu e o Reiki. Diane Stein resume o significado de alguns “simbolos sagrados” usados no ritual de “sintonização” do Reiki como: “A deusa em mim saúda a deusa em si”; "Homem e Deus tornam-se um” (Essential Reiki Teaching Manual: A Companion Guide for Reiki Healers [Berkeley, Cal.: Crossing Press, 2007], pp. 129-31). Anne Charlish and Angela Robertshaw explicam que a sintonização mais elevada do reiki “marca a transição do ego e do eu para um sentimento de união com a energia vital universal”.(Secrets of Reiki [New York, N.Y.: DK Publishing, 2001], p. 84).
(9) Alguns métodos de ensino do Reiki incentivam a apelar a seres angélicos ou "guias espirituais Reiki", o que introduz o perigo de exposição a forças ou poderes malévolos.
(10) Cf. Catecismo, n. 2111; São Tomás de Aquino Summa Theologiae II-II, q. 92, a. 1.


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O Rosário é a melhor arma contra o inimigo




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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Carta de uma ex-actriz do mundo da pornografia

Caro utilizador de pornografia,

Quero que saibas que não escrevo isto com qualquer hostilidade em relação a ti. Talvez vejas pornografia sem que o queiras fazer. Talvez a vejas e não queres parar de o fazer. De qualquer maneira, obrigado por leres.

Fui uma “porn star” durante apenas seis meses, mas participei em mais de vinte filmes. Estive lá, fi-lo e vi a realidade da industria pornográfica. Penso que muita gente acredita em falsidades acerca da pornografia. Falsidades que, se soubessem que o eram, os levariam provavelmente a esforçar-se mais (ou esforçar-se de todo) para parar de ver pornografia!

Nesta carta, quero partilhar contigo cinco desses mitos e a verdade por detrás deles:

Mito #1 – As actrizes gostam de fazer os vídeos

Nada poderia estar mais longe da verdade. O que as pessoas que se agarram a esta mentira não entendem é que estas miúdas estão a representar, ponto. Nada daquilo é real. Em toda a minha experiência, nunca conheci uma única que gostasse daquilo que fazia!

Tendo estado na indústria da pornografia, posso dizer-te que não é uma experiência agradável. O sexo em si é doloroso, e as raparigas estão expostas a todos os tipos de abusos, quer por parte dos restantes actores, quer de toda a gente no estúdio. É uma experiência degradante e, para muitas de nós, a única maneira que tínhamos para aguentar as filmagens era enchendo-nos de drogas ou álcool, enquanto repetíamos para nós mesmas que daí a umas horas tudo teria passado, e apagando-nos completamente, como se nos desligássemos de tudo aquilo que estava a acontecer à nossa volta.

A maioria das miúdas que entra na indústria pornográfica faz um ou dois vídeos e depois sai. Se as actrizes gostam tanto de fazer pornografia, porque é que há uma taxa de desistência tão elevada? Luke Ford disse, numa entrevista ao 60 Minutos: A maioria das raparigas que entra nesta indústria faz um vídeo e sai. A experiência é tão dolorosa, tão horrenda, tão incómoda e humilhante para elas que nunca mais querem voltar a fazê-lo.

Mito #2 – As raparigas que fazem filmes pornográficos devem gostar imenso de sexo

Bem, são várias as motivações que podem levar as miúdas a entrar nesta indústria, mas o desejo sexual não é uma delas. Eu sei, porque era o que eu costumava dizer às pessoas nas entrevistas. Contava sempre aos meus fãs acerca do meu apetite sexual voraz, de quão insaciável era. Dizia-lhes que era tudo aquilo em que pensava!

A triste verdade, no entanto, é que eu detestava sexo! Não significava nada para mim, tal como não significa nada para qualquer pessoa envolvida em pornografia. É apenas algo que tu suportas para receberes o teu dinheiro. Não estou a dizer que é assim com todas as raparigas nesta indústria, mas estou a dizer que é a regra e não a excepção. Com todas as que conheci e com quem falei, a história é a mesma!

Mito #3 – Elas estão lá por vontade própria

Isto não é inteiramente verdade. Muitas vezes, as raparigas são ameaçadas ou manipuladas pelos produtores. Aconteceu-me e vi acontecer também com outras miúdas! É lhes dito que irão fazer uma determinada coisa mas, quando chegam ao estúdio, dizem-lhes que afinal farão outra totalmente diferente e que, se recusarem, é-lhes retirado o pagamento.

Muitas raparigas são novas e inexperientes e sentem que são obrigadas a participar nessa cena... uma cena com a qual não concordaram, e a qual não querem fazer. Muitas vezes têm medo dos produtores, muitas medo de nunca mais voltar a trabalhar. Sentem-se encurraladas. Mesmo se não forem manipuladas, a verdade é que nenhuma rapariga quer estar ali!

Ainda que possam ter concordado em fazê-lo, não significa que gostam de o fazer e qualquer uma que te diga o contrário está ou a mentir descaradamente, ou a contar apenas parte da história.

Mito #4 – Se estão a ser pagas pelo que estão a fazer, qual é o mal?

Embora seja verdade que os actores recebem muito - geralmente centenas de dólares por cena – a ironia é que, quando acabam por abandonar a indústria, saem falidos e sem nada de que se orgulhar. Há diversos motivos para isto. Um deles é a droga. As drogas estão por todo o lado na indústria pornográfica. É raro encontrar uma filmagem que não tenha drogas ou álcool, ou em que grande parte das pessoas não seja viciada.

As drogas são algo que usas para aguentar a humilhação e a dureza do sexo e, em muitos casos, o que usas para entrar num estado de dormência. O dinheiro que recebes da pornografia, gastas a tentar desligar-te do estilo de vida que levas.

Outra razão é que grande parte do dinheiro volta de imediato para a indústria pornográfica, com maquilhagem, roupas e todos os custos de manutenção. Elas gastam o que for necessário para manterem a sua aparência impecável. Assim, mesmo com as centenas de dólares que ganham por filmagem, no fim, não lhes resta nada... estão emocionalmente, espiritualmente e financeiramente falidas. 

Mito #5 – Não há (ou são, pelo menos, mínimos) riscos de saúde na pornografia

Isto é absolutamente errado! Somos testados em relação ao HIV, mas não em relação a todas as doenças sexualmente transmissíveis. A maioria dos actores pornográficos tem uma ou mais DST, e muitas raparigas contaram ter contraído cancro cervical e VPH após o seu tempo na indústria pornográfica.

As raparigas que chegam à pornografia não estão conscientes destes ricos. Este ano, o Departamento de Saúde de L.A. proibiu a produção de mainstream porn após serem reportados diversos casos de SIDA. A indústria pornográfica tinha conhecimento do problema, mas nunca o reportou, porque não queria abandonar a produção.

A maioria das raparigas que se vêm em filmes pornográficos são mulheres prostituídas, o que significa que muitas são infectadas pelos seus clientes com SIDA ou qualquer outra doença, passando-a posteriormente para os actores com quem trabalham. Os produtores dirão que os actores usam sempre preservativo, mas isso é mentira! É muito fácil apanhar DST’s na indústria pornográfica, ainda que produtores e actores te digam que é completamente seguro.

Espero que guardes algum tempo para pensar no que te disse, e que saibas que te amo e rezo por todos vocês,

April

in The Porn Effect


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O que é a Alma?

Alma é um espírito imortal, incorruptível, dotado de inteligência e de vontade, criado por Deus para forma do corpo humano. É criada para cada corpo humano depois de concebido, e contrai o pecado original no momento da sua união com o corpo. É operação própria da alma entender o que abstrai das coisas sensíveis por meio dos sentidos. 

É pela alma que conhecemos e queremos. Está toda em todo o corpo e em cada parte do corpo, dando-lhe unidade e vida. Após a morte, vai imediatamente ou para o Céu, ou para o Purgatório, ou para o Inferno, segundo a sentença que Deus lhe der, e conserva os conhecimentos adquiridos
neste mundo. 

Pode conhecer as acções dos vivos pelas almas que vão entrando na eternidade, ou pelos Anjos, ou pelos demónios, ou por revelação de Deus, e pode aparecer aos vivos, mas tal aparição é miraculosa. A alma, porque é puramente espiritual, não tem forma, nem peso, nem cor; é invisível, mas todos
vêem os seus efeitos, actos que nenhum corpo é capaz de produzir: entender, querer, amar, raciocinar. 

Devemos querer-lhe mais do que ao corpo. A salvação da nossa alma é o negócio mais importante da nossa vida, pois disse Jesus: «Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?». Ev. S. Mat. XVI. 26. É também um negócio absolutamente pessoal, pois ninguém pode substituir outrem no trabalho da sua santificação. Ao mesmo tempo é um negócio urgente, porque a vida é breve e a morte pode chegar repentinamente. Por isso Jesus preveniu: «Estai preparados». 

Há quem diga que a alma não existe, que o homem é apenas um animal aperfeiçoado. Isto é uma
afirmação falsa. Com efeito, se o homem fosse apenas um animal aperfeiçoado, não haveria entre ele e os outros animais senão uma diferença de grau, isto é, as faculdades que existem nos animais seriam mais perfeitas no homem, e nele não haveria mais faculdades que nos animais. Mas sucede o contrário: o homem é menos forte que o boi, menos ligeiro que o cão, etc. 

Há no homem faculdades que nenhum animal possui: a faculdade de pensar, a de compreender, a de julgar, a de falar, a de progredir, a de prestar culto. Estas faculdades são absolutamente distintas das faculdades do corpo, são de natureza mais elevada, mais nobre, são de natureza espiritual. Os animais têm o instinto preciso para se conservarem e se reproduzirem. Só o homem tem a inteligência indispensável para progredir. As faculdades que são só do homem existem na alma humana.

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Benigna preferiu morrer do que pecar contra a castidade

Será beatificada no dia 24 de Outubro, dia em que foi assassinada, Benigna Cardoso da Silva. Nascida em Santana do Cariri (Ceará, Brasil), no dia 15 de Outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, tendo sido adoptada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no Distrito de Inhumas.

Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado. Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

Modesta por natureza, tímida e reservada, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. A sua generosidade, carisma e simpatia a fazia querida e cativada por todos. Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com intuito de ajudar a sua família adoptiva. Era boa filha, sempre obediente e prestável.

Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Comunhão, e depois desse sonho realizado, seguia à risca os seus mandamentos. Não perdia as Missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus; sempre na companhia da sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha". Era assídua na participação eucarística.

Aos 12 anos de idade, já lendo e escrevendo, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. Procurou imediatamente o Pe. Cristiano Coêlho, vigário da época, para pedir conselhos sobre o assunto da perseguição de Raul, e este lhe aconselhou a ir estudar para Santana, oferecendo-lhe uma Bíblia, que se tornou o seu livro de cabeceira, que guardava com esmero e carinho. Encantava-se com as gravuras e as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Ela encontrou apoio na palavra de Deus para resistir às tentações de Raul.

A caminho da escola, mostrava-se sempre uma defensora da natureza, não deixando que os seus colegas maltratassem as plantinhas nem tirassem as suas flores ou galhos. Na sala de aula, era uma aluna exemplar; muito estudiosa, cuidadosa, pontual e colaboradora. Gostava sempre de ajudar os seus colegas para não vê-los punidos com a palmatória ou de joelhos nos caroços de milho, facto que a deixava bastante triste, e às vezes até chorava com os castigos aplicados aos outros.

Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de Sexta-Feira, dia 24 de Outubro de 1941, sabendo que Benigna ia buscar água numa cacimba próxima à sua casa, Raul ficou à espreita atrás do mato, observando-a, com os seus recém-completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do acto pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia o seu corpo .

Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão atroz e golpeou-a cortando-lhe os dedos da mão. Ela relutou de forma sobrehumana contra o seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e por fim no pescoço, cujo golpe lhe deixou a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge, sendo o corpo da vítima encontrado logo em seguida já sem vida.

O seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalou todo a população. Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável Jovem , que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.

O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna. Neste retorno, relatou a sua mudança de vida, e a sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar a sua alma, e pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças recorrendo sempre à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. Segundo ele, o seu acto foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.”

Sobre Benigna o Padre Cristiano deixou escrito ao lado do seu baptistério: ”Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de Outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que a sua santa alma converta a freguesia e sirva de protecção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha.”


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