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sábado, 13 de junho de 2026

Responso a Santo António (para encontrar objectos perdidos)

Hoje é dia de Santo António de Lisboa: Confessor e Doutor da Igreja. No seu tempo era chamado ‘Martelo dos Hereges’. Aqui fica o Responso a Santo António, que costuma ser muito eficaz para encontrar objectos perdidos.

Se milagres desejais,
Recorrei a Santo António;
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido... (repete-se)

Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-nos aqueles que o viram;
Digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido... (repete-se)

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Ámen.

Recupera-se o perdido... (repete-se)

V. Rogai por nós bem-aventurado Santo António.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Repete-se: Recupera-se o perdido...

Oremos: Deus eterno e omnipotente, Vós quisestes que o Vosso povo encontrasse em Santo António de Lisboa um grande pregador do Evangelho e um intercessor poderoso. Concedei-nos seguir fielmente os princípios da Vida Cristã, para que mereçamos tê-lo como Protector em todas as adversidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.


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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Santíssimo Milagre de Santarém

No ano de 1247, vivia em Santarém uma pobre mulher, a quem o marido muito ofendia, andando desencaminhado com outra. Cansada de sofrer, foi pedir a uma bruxa judia que, com os seus feitiços, desse fim à sua sorte.

Prometeu-lhe esta remédio eficaz, para o que necessitava uma Hóstia Consagrada. Depois de naturais hesitações, consentiu no sacrilégio a pobre mulher; foi à Igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu Comunhão. Recebida a Sagrada Partícula, com suma cautela a tirou da boca, embrulhando-a no véu. Saiu prestes, da Igreja, e encaminhou-se para a casa da feiticeira. Mas, então, sem que ela o notasse, do véu começou a escorrer Sangue, que, visto por várias pessoas, as levou a perguntar à infeliz que ferimentos tinha que tanto sangue jorravam. Confusa em extremo, corre logo para casa, e encerra a Hóstia Miraculosa numa das suas arcas.

Passou o dia, entretanto, e, à tarde, voltou o marido. Alta noite, acordam os dois, e vêem a casa toda resplandecente. Da arca saíam misteriosos raios de luz. Inteirado o homem do acto pecaminoso da mulher, de joelhos, passaram o resto da noite, em adoração.

Mal rompeu o dia, foi o pároco informado do prodígio sobrenatural. Espalhado o sucedido, meia Santarém acorreu pressurosa a contemplar o Milagre. A Sagrada Partícula foi então levada, processionalmente, para a Igreja de Santo Estêvão, onde ficou conservada dentro de uma espécie de custódia feita de cera. Mas, passado tempo, ao abrir-se o Sacrário para expor à adoração dos fiéis o Santo Milagre, como era costume, encontrou-se a cera feita em pedaços, e, com espanto, se viu estar a Sagrada Partícula encerrada numa âmbula de cristal, miraculosamente aparecida.

Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada onde ainda hoje se encontra. No ano de 1997, por decisão do 1º Bispo de Santarém, D. António Francisco, a Igreja de Santo Estêvão foi elevada a Santuário do Santíssimo Milagre de Santarém.

in santissimomilagredesantarem.pt


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Nobel de Medicina e agnóstico rende-se à Virgem: "Os milagres de Lourdes são inexplicáveis"

Danila Castelli é uma mulher italiana que sofria de grave hipertensão e, após visitar Lourdes em 1989, ficou completamente curada. Este caso ficou conhecido como o milagre oficial número 69 a ser reconhecido pela Igreja Católica neste santuário mariano desde a aparição da Virgem à jovem Santa Bernadette, em 1858.

Desde aquela data registaram-se mais de 7 mil curas "inexplicáveis" em Lourdes, ainda que apenas umas dezenas tenham sido consideradas milagre, tendo em conta as rigorosas condições estabelecidas para o estudo de cada caso.

No entanto, o debate sobre as aparições e curas em Lourdes dura há décadas, e o desprezo e as críticas dos ateus mais beligerantes contrastam com o respeito e consideração de profissionais de reconhecido prestígio, face a um fenómeno religioso que não deixa ninguém indiferente. Como exemplo, cite-se o Prémio Nobel da Medicina, e Prémio Príncipe de Astúrias, Luc Montagnier. Este médico francês tornou-se famoso por ter descoberto o vírus do HIV bem como outros importantes contributos para a ciência.

É de extremo interesse conhecer a opinião de este reconhecido cientista, e ex-director do Instituto Pasteur, acerca de Lourdes, um lugar que exige ter uma enorme fé. Esta opinião ficou registrada no livro que recolhe os diálogos entre Montagnier e o monge cisterciense Michel Niassaut, sob o título Le Moine et le Nobel.

“Não há por que negar nada”

Num momento específico, a conversa versou acerca das curas inexplicáveis em Lourdes. Que opinião teria um Nobel da Medicina e não-crente sobre o assunto? A sua resposta significaria um exemplo de coerência para o mundo da ciência. “Quando um fenómeno é inexplicável, se realmente existe, não há necessidade de negar nada”, afirmou peremptoriamente Luc Montagnier. E continuando neste sentido, o Nobel da Medicina assegurou que “nos milagres de Lourdes há algo inexplicável”.

Além disso, Montagnier critica a conduta de alguns dos seus colegas, e diz neste livro que “muitos cientistas cometem o erro de rejeitar o que não entendem. Não gosto dessa atitude. Frequentemente cito a frase do astrofísico Carl Sagan: A Ausência de prova não é prova de ausência”.

“Os Milagres são inexplicáveis” Neste sentido, acrescentou ,“relativamente aos milagres de Lourdes que estudei, creio que realmente se trata de algo inexplicável (…) Não consigo entender estes milagres mas reconheço que há curas que não estão previstas no estado actual da ciência”.
Tendo sido quem descobriu o vírus do HIV, Montagnier teve uma enorme relevância na segunda metade do século XX e, apesar das críticas tradicionais do mundo anticatólico referentes ao posicionamento da Igreja face à Sida, este cientista louva o papel do mundo católico face a estes dramas.

“Colaboração com a Igreja”

De facto, relata que “o meu colega dos Estados Unidos da América, Robert Gallo, teve uma audiência com o Papa (João Paulo II), tentando perceber qual o modo em que seria possível aumentar a nossa colaboração com as equipas que trabalham na sombra nas missões Católicas em África. Ali tratam-se pessoas infectadas com Sida e faz-se prevenção contra a propagação do vírus”.

Este importante, e muitas vezes esquecido, trabalho, é muito destacado por este Prémio Nobel. “As ordens religiosas cristãs têm um papel muito positivo no cuidado dos doentes. Reconheço que, no âmbito da atenção hospitalar, a Igreja foi pioneira”.

O trabalho vital da Igreja contra a Sida

“Pude contactar de perto, ao longo destes largos anos de investigação sobre a Sida, e sobretudo ao princípio, com pacientes condenados a uma morte inevitável. Frequentemente, a fé e proximidade da Igreja ajudaram-nos a fazer frente à doença, e com que cada doente não se sentisse abandonado. Foi por esta experiência que sempre reconheci a contribuição pioneira e inestimável da Igreja no campo da atenção hospitalar”, afirmou o cientista francês.

A estima do agnóstico Montagnier pela Igreja é grande. Inclusivamente ofereceu-se, e ajudou a João Paulo II, a travar o avance de Parkinson de que sofria. Na sua opinião, se os valores cristãos prevalecessem no mundo, o planeta ganhara imenso. “Há 2000 milhões de cristãos, de entre os quais 1100 são católicos. Os seus bons sentimentos fazem-se presentes” mas não são os que governam o mundo. Seria bom, considera, que o amor ao próximo conduzisse o mundo.

A relação de outro prémio Nobel com Lourdes

No entanto, Montagnier não é o único Prémio Nobel em relação com Lourdes. Muito mais longe foi Alexis Carrel, Nobel de Medicina em 1912. De facto, a sua relação com estas curas levou-o, inclusivamente, à conversão ao catolicismo. Em 1903 Carrel era um jovem médico ateu. Quando um colega que iria acompanhar como médico a um grupo de peregrinos a Lourdes não pode ir, pediu-lhe que fora ele a substituí-lo. Aceitou ir somente para comprovar pessoalmente a falsidade dos milagres que se atribuíam naquele lugar. Mas ali, justamente, assistiu pessoalmente a um deles, facto que transformou a sua vida. Visitou uma mulher tuberculosa moribunda. Observou e analisou todos os sintomas. Sem sombra de dúvida, morreria em breve. 

O Milagre produziu-se diante dos seus olhos. Saiu das piscinas e tudo tinha desaparecido. Este facto produziu a sua conversão, que narrou num livro que originou um escândalo para o naturalismo céptico dominante naquele tempo em França.  

in
 religionenlibertad


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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Depoimento no notário testemunha que São Luís Maria curou um cego

«A senhora Hilaire Nicolas depôs ter sabido por uma das damas de honor da senhora de Montespan que o dito padre Grignion, acabando um dia de celebrar a Santa Missa na capela da dita senhora de Montespan, entrou na sacristia a fim de efectuar a sua acção de graças; ao sair, deu-se conta da presença de um homem cego e perguntou-lhe se ele queria ser curado, ao que o homem respondeu que sim; então, Montfort molhou um dedo na saliva, esfregou-lhe os olhos e, no mesmo instante, o cego recuperou a vista e gritou que via muito bem». 

Depoimento registado a 25 de Novembro de 1718, perante Perronet e Sigonière, notários reais em Poitiers.

Joseph Grandet in 'La vie de Messire Louis-Marie Grignion de Montfort, prête, missionaire, apostolique, composée par un prête du clergé' (Nantes, Ed. Verger, 1724, p. 428) 


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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

São Dionísio pregou um sermão depois de ter sido decapitado

Decapitado durante a perseguição dos católicos pelo Imperador romano Décio, São Dionísio levantou a própria cabeça e pregou um sermão sobre o arrependimento.

Pouco se sabe sobre Dionísio, excepto que foi Bispo de Paris no século III d.C. Ele foi enviado de Itália para converter os gauleses sob o Papa Fabiano, tornando-o um dos "apóstolos dos gauleses".

Juntamente com os santos Rústico e Eleutério, se estabeleceu-se na Île de la Cité, uma ilha no rio Sena. Dionísio e os seus companheiros eram famosos pela capacidade de evangelizar. Eram tão eficazes na conversão de pessoas que os líderes romanos pagãos ficaram alarmados com a perda de seguidores.

O governador romano local ordenou a detenção e prisão do trio. Acabaram por ser decapitados na colina mais alta de Paris, hoje conhecida como Montmartre ou "Montanha dos Mártires".

A tradição conta que, depois de ter a sua cabeça cortada, Dionísio pegou nela e caminhou vários quilómetros desde o topo da colina, pregando um sermão sobre o arrependimento durante todo o caminho. O local onde terminou o seu sermão e realmente morreu foi marcado por um pequeno santuário que hoje é conhecido como a Basílica de São Dionísio, o local de sepultura dos reis de França desde o século X até ao século XVIII.

São Dionísio é o cefalóforo mais famoso - literalmente “portador da cabeça” - descrito na hagiologia. O seu martírio único tornou-se objeto de arte ao longo da história, pintado e retratado em mármore. A sua festa, juntamente com os Santos Rústico e Eleutério, é celebrada no dia 9 de Outubro.



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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

São José de Cupertino, o santo que voava

No dia 17 de Junho de 1603, nasceu, no reino de Nápoles, na aldeia de Cupertino, um menino de nome José. Era o filho mais novo da família Desa, cujo Pai, um pobre carpinteiro, mal conseguia sustentar a Família. Ele veio ao mundo num pequeno estábulo, onde permaneceu nos primeiros meses de vida, porque o Pai, endividado, teve de vender o pouco que possuíam.

Apesar de pobre e iletrado, o menino foi criado no rigor dos ensinamentos de Cristo, pois sua família era muito religiosa. Assim foi a infância de José. Os únicos talentos por ele manifestados foram de ordem espiritual: o da oração e o da caridade para com os mais necessitados, que sofriam as agruras da miséria, como ele.

Quando completou 17 anos, estava determinado a tornar-se frade. Mas até os capuchinhos que o haviam aceitado como irmão leigo fizeram-no devolver o hábito, por causa da sua grande confusão mental. Isso causou a José um sofrimento muito grande. Mas não desistiu. Finalmente, foi aceite no Convento de Grotella pelos Frades Menores, que o acolheram e lhe deram uma tarefa simples: cuidar de uma mula.

Mesmo assim, estava determinado a ser Sacerdote. Foi então que as graças divinas começaram a intervir na sua vida. Apesar da dificuldade que tinha em estudar, milagrosamente saía-se muito bem nas provas. Desde então, começaram a aparecer sinais de predilecção divina e fenómenos que atestavam a sua santidade interior, presenciados pela comunidade de fiéis e irmãos da Ordem. Eram manifestações extraordinárias, como, por exemplo, curas totalmente milagrosas de doentes de todos os tipos de enfermidades. E ainda êxtases de oração, caminhava pela igreja sem colocar os pés no chão e, sem tomar nenhum cuidado com o corpo, exalava um fino e delicado odor. Por tudo isso, já era venerado em vida como santo.

Outro facto relevante na vida de José de Cupertino é que, apesar de quase não ter nenhum estudo teológico, tinha o dom da ciência e era consultado por teólogos a respeito de questões delicadas. Espantosamente, tinha sempre respostas sábias e claras. Com isso, José conquistou a glória máxima e, mesmo sendo considerado o frade mais ignorante de toda a Ordem franciscana, a sua fama de bom cristão, o seu comportamento peculiar e os seus milagres chegaram a Roma. O Papa Urbano VIII convocou-o e recebeu-o com as honras de que era merecedor.

Em 1628, foi ordenado Sacerdote. José de Cupertino mergulhou tão profundamente nas coisas de Deus que acabou por tornar-se um conselheiro de padres, bispos, cardeais, chefes de Estado e religiosos em geral. Todos o procuravam. E ele atendia-os com paciência, humildade e sabedoria, indicando-lhes a luz de que necessitavam. 

José de Cupertino morreu aos 60 anos de idade, no dia 18 de Setembro de 1663, no Convento de Osímo (Itália). O local, que se tornara um ponto de peregrinação com ele ainda vivo, tornou-se, imediatamente, um santuário a ele dedicado. Festejado liturgicamente no dia de sua morte, este singular frade franciscano é considerado pelos estudiosos como "o santo mais simpático da hagiografia católica".

Os frequentes êxtases espirituais, que lhe permitiam "voar" literalmente pela igreja, fizeram de São José de Cupertino o padroeiro dos aviadores e pára-quedistas. Também, devido à sua determinação diante das numerosas dificuldades encontradas nos estudos e exames é considerado o santo padroeiro dos estudantes que têm de fazer exames. 

in Paulinas


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terça-feira, 12 de agosto de 2025

Frasco de óleo de São Charbel enche-se milagrosamente

Mons. Pasquale Silvestri, pároco da igreja de São Ferdinando, em Nápoles, reportou um acontecimento extraordinário: no dia 24 de Julho ungiu mais de 500 fiéis na sua igreja. Muitos deles estavam doentes. Utilizou óleo bento proveniente da Cúria Maronita, em Roma.

Quando o frasco de óleo estava quase no fim, Mons. Silvestri começou a recear que não fosse suficiente. «Não imaginava que viesse a haver tanta gente», escreveu ele numa carta datada de 27 de Julho ao Padre Elias Hamhoury, antigo postulador da canonização de São Charbel.

O sacerdote conseguiu ungir todos os doentes presentes. Depois, ficou surpreendido: «Quando terminei», recorda, «fechei o frasco e voltei a colocá-lo na caixa. Mas, quando o guardei no cofre, vi que estava novamente cheio. Não conseguia acreditar no que estava a ver.»

O sacerdote partilhou o acontecimento com os fiéis presentes. No dia seguinte, peregrinos libaneses repararam que o óleo exalava o perfume dos cedros do Líbano.

O pároco, que ficou devoto São Charbel recentemente, guardou o frasco para eventual investigação.

São Charbel (1828–1898) foi um eremita libanês de Beqaa-Kafra, conhecido por muitos milagres.

in gloria.tv


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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

80 anos do milagre em Hiroshima na Festa da Transfiguração

A 6 de Agosto de 1945, Festa da Transfiguração de Cristo, um bombardeiro americano largou uma bomba atómica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. A explosão incandescente matou cerca de 60 mil homens, mulheres e crianças.

Mas no meio de toda aquela catástrofe aconteceu um milagre de que poucos ouviram falar. A cerca de 1000 metros do "ground zero" um edifício ficou praticamente intacto, enquanto edifícios até 3 vezes mais longe ficaram completamente destruídos. Tratava-se de uma igreja onde viviam 8 missionários, sacerdotes jesuítas. 

Conhecidos desde aí como "os oito de Hiroshima", estes Padres saíram praticamente ilesos quando a explosão matou instantaneamente 86% das pessoas que se encontravam naquele raio de 1000 metros. Muitos outros morreram com os efeitos da radiação. Esses oito homens escaparam à explosão atómica e viveram até uma idade avançada, sem contaminação radioactiva. Ao longo dos anos foram submetidos a mais de 200 testes para tentar encontrar efeitos da radiação e todos deram negativo.

O padre Jesuíta Hubert Schiffer, um dos sobreviventes, tinha 30 anos na altura da explosão de Hiroshima em 1945. Depois de celebrar o Santo Sacrifício da Missa, da festa da Transfiguração, sentou-se para o pequeno-almoço quando todas as janelas brilharam com luz em todas as direcções.

Aqui está a descrição do Padre Schiffer sobre o que aconteceu: “Uma explosão assustadora encheu o ar com um violento choque como um trovão. Uma força invisível levantou-me da minha cadeira, arremessou-me através do ar, agitou-me, bateu-me, e arrastou-me a rodar e a rodar.

Ele teve algumas lesões menores, e os médicos do Exército Americano ainda confirmaram que ele e os seus sete companheiros não sofreram nem lesões graves nem danos de radiação.

Quando lhe perguntaram porque é que ele e os seus companheiros jesuítas saíram sem problemas enquanto que todas as outras pessoas àquela distância do "ground zero" tinha morrido, o Padre Schiffer respondeu: “Nós sobrevivemos porque estávamos a viver a mensagem de Fátima. Nós vivíamos e rezávamos o Terço diariamente em casa.”

Nagasaki, casa de dois terços dos Católicos japoneses, sofreu a segunda bomba atómica a 9 de Agosto de 1945. Este cidade, que se tinha tornado a “capital japonesa do Catolicismo” foi obliterada. No entanto, o mosteiro dos franciscanos estabelecido por São Maximiliano Maria Kolbe em Nagasaki permaneceu sem danos. 

São Maximiliano tinha anteriormente decidido ir contra um conselho que lhe tinham dado para construir o seu mosteiro numa localização mais perto da cidade. Em vez disso, São Maximiliano escolheu uma localização atrás de uma montanha. Quando a bomba atómica explodiu, o mosteiro mariano foi protegido e preservado.


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terça-feira, 5 de agosto de 2025

O milagre que deu origem à Basílica de Santa Maria Maior

Neve em Roma é coisa rara. Neve em Roma no mês de Agosto, quando os romanos fogem da cidade por causa do calor insuportável, é impossível. Mas aconteceu.

No séc. IV, em Agosto, nevou no Monte Esquilino. Nossa Senhora tinha avisado um casal Patritio e o Papa Libério que seria esse o sinal miraculoso, ainda mais num Verão tórrido, para revelar onde deveria ser construída uma igreja em Seu nome.

E assim foi. A igreja é Santa Maria Maior, uma das 4 Basílicas Papais. E este dia 5 de Agosto passou a ser dedicado a Santa Maria das Neves.


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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Dia da Medalha Milagrosa

Hoje é dia de Nossa Senhora das Graças, também conhecido por dia da Medalha Milagrosa. Quando Nossa Senhora das Graças apareceu a Santa Catarina Labouré (1830) pediu-lhe que fizesse uma medalha, através da qual teria muitas graças para dar a quem a usasse com devoção.

Na visão, a Virgem Maria aparecia com os braços estendidos, e as mãos voltadas para a terra. Tinha vários anéis de pedras preciosas dos quais saiam raios de luz, e disse: "Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem."

À sua volta apareceu a frase: "Ó Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a vós".

Foram tantos os milagres que hoje em dia essa medalha é conhecida como 'Medalha Milagrosa'.



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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

São Martinho de Tours: Militar, monge e Bispo

São Martinho de Tours nasceu na Panónia (Hungria), por volta de 316 ou 317 d.C., e faleceu em Candes, França, em 397 d.C. É um dos maiores santos da Igreja e a sua imagem com o cavalo encontra-se em inumeráveis templos católicos. O santo aparece a dividir a sua capa de oficial romano com um pobre, miserável, nu. Na noite seguinte Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu-lhe vestido com o pedaço de capa que o oficial havia doado.

O facto foi decisivo para a sua conversão e São Martinho acabou por tornar-se bispo de Tours, atraindo para a Igreja uma quantidade prodigiosa de pagãos e fazendo incontáveis milagres. Ele é chamado o “Pai das Gálias” visto que depois da conversão retirou-se para uma gruta. Mas lá ficou pouco tempo, porque foi chamado a ser bispo da região central da província romana que depois foi baptizada como França. 

À sua volta reuniram-se muitos convertidos ao catolicismo que imitavam a sua vida exemplar. Ele instituiu a primeira escola e transformou o local – que hoje é a cidade de Tours – no grande centro de irradiação do cristianismo na actual França. 

O seu túmulo e a capa do milagre (ainda hoje guardada) foram visitados pelo rei pagão Clóvis. O rei estava agoniado pela perspectiva da batalha de Tolbiac contra a temível horda também pagã dos alamanes (496 d.C.). Sobre o túmulo do santo, Clóvis prometeu converter-se ao “Deus de (Santa) Clotilde”, a sua mulher católica, se obtivesse a vitória. 

Clóvis venceu miraculosamente e foi baptizado, juntamente com 3000 dos seus soldados, no Natal do mesmo ano por São Remígio, em Reims. Foi o nascimento de França, a primeira nação cristã da Europa. São Martinho de Tours recebeu tal culto, que o templo onde se venerava a sua capa recebeu o nome de “capela”, palavra hoje largamente generalizada. 

A família real francesa recebeu o nome de “Capeto” por ter recebido, há mais de um milénio, um pedaço dessa célebre relíquia, outorgada pelo capítulo de religiosos da cidade. Essa doação pesou decisivamente no facto da família ser escolhida para reinar em França. Reinado esse que durou até Luís XVI, e com intermitências até à queda de Luís Felipe, em 1848. 

O santuário ficou tão famoso, rico e importante, que para os bárbaros invasores saqueá-lo era o máximo objetivo no território francês. Por isso mesmo, a cidade se encheu de muros e torres militares defensivas. Daí provém o nome da cidade “Tours”, ou seja, Torres. 

São Martinho de Tours é padroeiro de cidades tão diversas como Buenos Aires, Mainz, Utrecht, Rivière-au-Renard e Lucca. Quatro mil igrejas, no mundo, lhe estão dedicadas. Ele é também padroeiro dos alfaiates, peleiros, soldados, cavaleiros, restauradores (hotéis, pensões, restaurantes), produtores de vinho, e, obviamente, dos mendigos. 

O seu santuário principal, onde se encontra o seu túmulo fica na cidade de Tours, na região do Loire. No século XIX, um piedoso levantamento de fundos permitiu construir uma bela basílica inteiramente nova. A basílica primitiva foi devastada pelos protestantes que também arrasaram muros e torres. 

Posteriormente, em continuidade com o espírito protestante, a Revolução Francesa demoliu a basílica restaurada e fez passar uma rua por cima do túmulo do padroeiro nacional, a fim de garantir que ele seria definitivamente esquecido. 

No século XIX, Leão Papin-Dupont (1797-1876), aristocrata francês conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu em França cruzadas de reparação pelas blasfémias. Entre elas figura a construção da actual basílica que guarda o túmulo de São Martinho de Tours. 

A tradição oral dos habitantes de Tours e dos devotos do grande santo sempre afirmou que no braço da grande estátua que abençoa a França do alto da cúpula da basílica havia guardadas relíquias de São Martinho. Porém, as tendências decadentes e dessacralizantes dos tempos modernos aprazem-se em contestar ou fingir ignorar tudo o que diga respeito ao sobrenatural, aos santos, aos seus milagres e às suas veneráveis relíquias. 

Essa tendência, presente em certo clero e fiéis modernizados, também dizia não saber nada do que todos sabiam sobre as relíquias do santo. A confusão acabou por ser dissipada ao se confirmar que a tradição oral tinha razão: os ossos estavam ali a abençoar o mundo. 

No dia 17 de Fevereiro de 2014, um impressionante dispositivo de guindastes foi instalado em volta da basílica para descer a grande estátua. A obra visava restaurar o seu pedestal, que precisava de manutenção e reparos. Na ocasião, aconteceu o gaudioso achado: os ossos do primeiro bispo de Tours estavam ali. Após a descida da estátua de bronze – de quatro metros de altura e de mais de duas toneladas de peso – os funcionários descobriram uma caixa de madeira no seu braço direito, o mesmo que abençoa. Dentro dessa caixa havia ainda outra, feita de chumbo e fechada com um selo de cera vermelha e o sigilo de um bispo que autentificava a relíquia. 

Tendo sido aberto, encontrou-se um fragmento de osso. A multidão acompanhou os trabalhos que duraram algumas horas, e não ocultou a sua emoção. A relíquia de São Martinho encontrava-se entre flores – obviamente já secas – e vinha acompanhada de mais três relicários com ossos de três outros bispos santos de Tours: São Gregório, São Brice e São Perpétuo, sucessores do santo. A autenticidade das relíquias foi confirmada por Jean-Luc Porhel, conservador-chefe do património histórico de Tours.

in Ciência Confirma a Igreja



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terça-feira, 10 de setembro de 2024

São Nicolau de Tolentino, Taumaturgo

Nicolau nasceu nas Marcas, em Itália, no ano de 1245, fruto das preces de seus pais a São Nicolau de Bari. Como São Zacarias e Santa Isabel, eles já estavam avançados em anos e não tinham filhos. Fizeram então a promessa àquele Santo de ir visitar seu santuário no reino de Nápoles, se suas preces fossem ouvidas. O que ocorreu no mês de Setembro de 1245 com o nascimento de um menino, que recebeu o nome de seu protector.

Ainda pequeno, Nicolau fugia de tudo o que fosse efeminado, mundano, e mesmo dos divertimentos das outras crianças. A sua pureza era angélica. Fugia das mulheres imodestas e dos meninos maliciosos, e aplicava-se em imitar as virtudes que brilhavam nos bons cristãos. Servia os pobres na casa paterna com as suas próprias mãos. A sua devoção profunda e o seu porte, faziam os fiéis crerem que ele via a Cristo com os olhos corporais. “Se Deus conservar a vida deste menino – diziam – será, um dia, um grande Santo”.

Nicolau era puro e tão piedoso, que o Menino Jesus lhe aparecia na hóstia no momento da elevação. Jovem ainda, mas já senhor de uma prebenda de cônego, um dia ficou tão tocado pelo sermão de um eremita de Santo Agostinho, que decidiu entrar para a Ordem.

Ordenado sacerdote em 1270, apesar de já ser um religioso consumado, Nicolau mostrou bem o muito que pode a graça do Sacramento da Ordem em uma alma bem disposta. Sendo já santo, o novo sacerdote logo deixou ver, quando estava no altar, brilhar a virtude com novo esplendor. O seu rosto se inflamava com o fogo do amor divino, e escorriam lágrimas de amor de seus olhos.

Enviado para o eremitério de Pésaro, uma vez, quando ia celebrar o Santo Sacrifício, apareceu-lhe uma alma do Purgatório pedindo que celebrasse a Missa por ela. Como Nicolau estava encarregado da Missa conventual, e só se podia então celebrar uma Missa por dia, respondeu que não lhe era possível atendê-la. Viu então uma multidão de almas que esperavam por uma Missa sua para se livrar do Purgatório.

Nicolau foi apresentar o problema ao seu Superior, e obteve dele licença para, durante uma semana, celebrar o Santo Sacrifício por intenção dessas santas almas. Aquela primeira alma apareceu-lhe de novo, vindo agradecer-lhe a caridade. Junto com ela vinham várias outras almas do purgatório que tinham sido libertadas graças às celebrações do santo.

Enviado para Tolentino, Nicolau aí passou os últimos 30 anos de sua vida, edificando a todos. Foi assaltado pelo demónio numa guerra contínua, sendo por ele tão maltratado, inclusive fisicamente, que ficou semi-inválido para o resto da vida.

Narram-se muitos prodígios operados pelo Santo. Um deles foi,  como Santo Elias, multiplicar a farinha de generosa mulher que lhe dera tudo o que tinha, ficando na miséria. Outra mulher, que só dava à luz a nados-mortos, recorreu a ele, e Deus fez com que, depois disso, fosse mãe de numerosa prole. Curou também outra mulher da cegueira e muitas pessoas de várias doenças. O remédio ordinário que São Nicolau usava nessas curas era fazer o Sinal da Cruz sobre a pessoa enferma.

Por fim, o Santo foi favorecido nos últimos seis meses de vida com a visão e a música harmoniosa dos Anjos. Via muitas vezes a Santíssima Virgem e Santo Agostinho, que lhe davam a gozar antecipadamente as doçuras celestiais.

O Santo expirou no dia 10 de Setembro de 1306, nos braços de Nossa Senhora e de Santo Agostinho, e foi canonizado no dia 1 de Fevereiro de 1446. Foi incluído no Martirológio em 1585.

in IPCO


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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

5 de Agosto, o dia em que nevou em Roma por causa de uma Basílica

Roma. Segundo a Tradição, caiu neve em plena seca, delimitando o lugar onde deveria ser edificada uma igreja dedicada à Virgem Maria. É a maior basílica mariana de Roma, por isso conhecida como Santa Maria Maior. 

A Basílica de Santa Maria Maior (Santa Maria Maggiore), também conhecida como Basílica de Nossa Senhora das Neves, ou Basílica Liberiana, é uma das basílicas patriarcais (representada o Patriarcado de Antioquia) de Roma. Foi construída entre 432 e 440, durante o pontificado do Papa Sisto III, e dedicada ao culto de Maria, Mãe de Deus, cujo dogma da Divina Maternidade acabara de ser declarado pelo Concílio de Éfeso (431). Entretanto, a data da fundação da Basílica remonta ao pontificado do Papa Libério (352-366).   

O título de Maria como Nossa Senhora das Neves surgiu por volta do ano de 352, em Roma, onde viviam Giovanni Patritio (João Patrício) e a sua esposa, que não podiam ter filhos. Conformados com a vontade de Deus, pensavam, certo dia, a quem deixariam a fortuna. Por serem muito devotos de Nossa Senhora, queriam torná-lA herdeira de todos os seus bens. E para que Ela aceitasse a oferta fizeram muitas orações, deram muitas esmolas, fizeram muitas penitências. 

Nossa Senhora ouviu a prece desse bondoso e fiel casal e numa noite particularmente quente de Agosto apareceu-lhes num sonho para avisá-los que no dia seguinte fossem ao Monte Esquilino e lá encontrariam tudo coberto de neve. Naquele local deveriam erguer um Templo onde pudesse ser honrada pelos seus devotos. Na manhã seguinte, comentaram o sonho - ou revelação - que ambos tiveram e mandaram comunicar ao Papa Libério, ao qual a Virgem havia feito a mesma revelação. Foi convocado o clero e o povo, e fez-se uma procissão. Quando chegaram no Monte, encontraram coberto de neve um espaço suficiente para uma Igreja bem ampla. O local foi marcado, e o casal erigiu a basílica, adornando-a sumptuosamente.  

Primeiro, foi chamada Santa Maria das Neves, pelo milagre ocorrido. E também Basílica ou Templo de Libério, porque foi no seu tempo que ocorreu o milagre. Depois, foi chamada Basílica de Sisto, por haver Papa Sisto III, sucessor do Papa Celestino, renovado e reedificado a igreja, adornando-a de excelentes imagens e sagradas pinturas. Também foi chamada de Santa Maria do Presépio, por causa do da manjedoura do presépio, na qual Cristo Nosso Senhor fora colocado quando nasceu em Belém, que foi posta numa das capelas. Mas, tendo sido edificadas muitas e muitas igrejas a Nossa Senhora, e sendo esta a maior, ficou o nome de Santa Maria Maggiore, para diferenciá-la das outras e mostrar a excelência desta igreja sobre as demais em Roma.  

Nela, o Senhor operou muitos milagres pela intercessão de Sua bendita Mãe. A esta igreja (fiéis) ordenou São Gregório Magno que andasse em solene procissão, de todos os status, de todas as condições de pessoas que se encontrassem em Roma, quando aquela cruel e horrível peste a infestava e destruía. Desta igreja, ordenou o Papa Estevão II que saísse outra procissão para aplacar a ira de Deus. E Papa Leão IV, no tempo do Imperador Lotário, com outra procissão, da Igreja de Santo Adriano Mártir à de Santa Maria Maior, libertou a Cidade de uma cruel e venenosa serpente que a ameaçava. E São Martinho Papa, celebrando nela, e querendo Olímpio Efsarco matá-lo, por ordem do Imperador seu patrão, que era herético, ficou cego e não conseguiu seu intento, não permitindo a Santíssima Virgem que no seu Templo fosse cometida tão grande maldade. Muitos outros milagres o Senhor operou naquele Templo, por intercessão de sua puríssima Mãe.  

A Basílica de Santa Maria, em Roma, foi consagrada em honra a Nossa Senhora pouco depois do Concílio de Éfeso (431) que proclamara a Divina Maternidade de Maria.

Somos devotos desta Rainha dos Anjos, sirvamo-la com afeição e solicitude, recorramos a Ela em todas as nossas tribulações e necessidades com grandíssima confiança, imitemos as suas virtudes e os exemplos, que nenhum dos que assim fizerem restará confundido. 

Pe. Pietro Ribadeneira in 'Flos sanctorum, historia das vidas, e obras insignes dos santos'


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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Santo António, a mula e o Santíssimo Sacramento

Disputando Santo António com um herege obstinado sobre a verdade do Sacramento, depois que não valeram razões, Escrituras, nem argumentos contra a sua obstinação, veio a um partido, que todos sabeis: que ele fecharia a sua mula três dias sem lhe dar de comer, que ao cabo deles a traria à presença de Santo António, quando estivesse com a Hóstia nas mãos, e que, se aquele animal assim faminto deixasse de se arremessar ao comer que ele lhe oferecesse, por adorar e reverenciar a Hóstia, ele então creria que estava nela o corpo de Cristo. 

Assim o propôs obstinadamente o herege, e assim o aceitou Santo António, não só sobre todas as leis da razão, senão ainda parece que contra elas. O mistério da Eucaristia distingue-se de todos os outros mistérios que confessamos em ser ele por antonomásia o mistério da Fé. Os brutos distinguem-se dos homens em que os homens governam-se pelo entendimento, e os brutos pelos sentidos. Pois, se o Santíssimo Sacramento é o mistério da fé, como deixa Santo António prova dele no testemunho de um animal que se governa só pelos sentidos? Porque era Santo António. 

Antes de Santo António vir ao mundo, era o Santíssimo Sacramento mistério só da fé, e só podia testemunhar nele entendimento; mas, depois de Santo António vir ao mundo, ficou o Sacramento mistério também dos sentidos, e por isso podiam já os sentidos dar testemunho nele: bem se viu nos mesmos dois sentidos de gostar e ver.

Amanheceu o dia aprazado, veio a mula faminta, e após dela toda a cidade de Tolosa, assim católicos como hereges, para ver o sucesso. Posto o bruto à porta da igreja, aparece Santo António com a Hóstia consagrada nas mãos, e o herege, com os manjares do campo, naturais daquele animal, que tinha prevenidos. Mas, oh! poder da divindade e omnipotência! Por mais que o herege aplicava o comer aos olhos e à boca do bruto, ele, como se fora racional, dobrou os pés, dobrou as mãos, e, metendo entre elas a cabeça, com as orelhas baixas, esteve prostrado e ajoelhado por terra, adorando e reverenciando a seu Criador. 

Vede se dizia eu bem que Santo António é o sal e a luz da mesa do Santíssimo Sacramento, e sal para o sentido do gosto, e luz para o sentido da vista. O herege tentava aquele animal pelo sentido da vista e pelo sentido do gosto: pelo sentido da vista, pondo-lhe o comer diante dos olhos; e pelo sentido do gosto, quase metendo-lhe o comer na boca. Mas aqueles dois sentidos, posto que irracionais, estavam tão suspensos e tão satisfeitos no manjar divino, que tinham presente: o sentido do gosto com tal sabor, e o sentido da vista com tal luz, que nem quis ver com os olhos, nem tocar com a boca, o comer que o herege lhe oferecia. Confessando, porém, a mesma boca e os mesmos olhos, confessando o mesmo sentido de gostar e o mesmo sentido de ver, a verdade e presença real de Cristo no Sacramento. Julgai agora se é já o Sacramento mistério dos sentidos. 

Até agora dizia a Igreja: Praestet fides supplementum sensuum defectui (Supra a fé o que falta aos sentidos) mas, à vista de Santo António, mude o hino, e diga: Praestet sensus supplementum filei defectui (Supram os sentidos o que faltar à fé) porque a fé, que faltou ao herege, a supriram os sentidos do animal. O gosto, saboreado naquele sal: Vos estis sal – a vista, alumiada por aquela luz: Vos estis lux.


Oh! que grande passo este para parar aqui o sermão à vista deste bruto e deste herege! À vista deste herege, que dirá quem tem nome de católico? À vista deste bruto, que dirá quem tem o nome de homem? A reverência do bruto e a irreverência do herege, tudo é confusão nossa. O bruto venera sem conhecer, o herege não venera porque não conhece. Se o bruto venera o Santíssimo Sacramento sem conhecer, eu, que sou homem racional, que conheço, por que tenho tão pouca reverência? Se o here­ge não venera porque não conhece, e porque não crê, eu, que creio, e que conheço, porque tenho tão pouca reverência? 

Ah! Portugal! Ah! Espanha! que por este pecado te castiga Deus. Quem viu os templos dos hereges, e o silêncio e respeito que neles se guarda, pode chorar mais esta miséria. Nos templos dos hereges, ainda que exterior, há reverência, e falta o Sacramento; nos templos de muitos católicos há o Sacramento, e falta a reverência. Vede qual é maior infelicidade! Os dois sentidos que no bruto mos­traram maior reverência são os que em nós mostram maior devassidão. Os olhos, onde está o sentido do ver, a língua, onde está o sentido do gostar, que é o que fazem na presença do Santíssimo Sacramento? Que é o que falam aquelas línguas sacrílegas, quando deveriam venerar aquele Sacramento com a oração e com o silêncio? 

Que é o que olham, e para onde, aqueles olhos inquietos e loucos, quando deveram estar enle­vados naquela Hóstia de amor, ou pregados na terra, de modéstia e de confusão. Que fazeis, ó divino sal, e divina luz do Sacramento? Saboreai como sal estas línguas, alumiai como luz estes depravados olhos. Sarai estas línguas como sal, posto que línguas tão sacrílegas mais mereciam salmouradas; alumiai estes olhos como luz, posto que olhos tão descompostos mais mereciam ser cegos.

Padre António Vieira: Sermão de Santo António - São Luís do Maranhão (1653)

in Ad te levavi


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domingo, 26 de maio de 2024

São Filipe Néri levitava durante a Missa

São Filipe Néri ficou conhecido como "o santo da alegria" pelo seu constante bom-humor e por pregar 'partidas' aos jovens que o seguiam pelas ruas de Roma e nos seus oratórios.

Ao mesmo tempo era um homem de oração profundíssima, de tal maneira que muitas vezes entrava em êxtase e levitava, a dois palmos do chão, enquanto celebrava a Missa. De tal forma isto era frequente que as pessoas se habituaram a abandonar a Missa depois do "Cordeiro de Deus". 

O acólito, que servia à Missa, apagava as velas, acendia uma lamparina, deixava na porta um letreiro no qual se dizia que Filipe estava celebrando Missa e ia também embora. Voltava cerca de duas horas depois, acendia as velas e a Missa continuava.


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sexta-feira, 5 de abril de 2024

São Vicente Ferrer: o "Anjo do Apocalipse"

Recebeu, durante uma visão, a ordem de Nosso Senhor para pregar pelo mundo inteiro a verdadeira Fé, sendo favorecido largamente com o dom dos milagres. Os seus inflamados sermões atraíam multidões, obtendo a graça de incontáveis conversões, inclusive de judeus e maometanos

São Vicente Ferrer nasceu em 1350, em Valência, cidadela do catolicismo numa Espanha que se encontrava ainda em guerra contra o maometano invasor. A sua casa natal não era distante do Real Convento da Ordem dos Pregadores. Isto favoreceu a decisão do jovem Vicente de vestir o hábito dos dominicanos.

A partir da sua profissão religiosa, em 1368, até ser ordenado sacerdote, em 1374, alternou o estudo e o ensino da filosofia com a aprendizagem da teologia em Lérida, Barcelona e Tolosa. Com perfeito conhecimento da exegese bíblica e da língua hebraica, regressou a Valência, onde ensinou teologia, escreveu, pregou e aconselhou.

Anos mais tarde, em Avignon (França), caiu gravemente doente a ponto de quase falecer. Foi quando teve a visão de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhado de São Domingos e São Francisco, conferindo-lhe a missão de pregar pelo Mundo. E, repentinamente, recuperou a saúde. A 22 de Novembro de 1399, deixou aquela cidade francesa para levar ao Ocidente a Palavra de Deus. E, em meio à grande crise espiritual na qual estava imersa a sociedade daquela época, passou a derramar tesouros de sabedoria.

Com efeito, a França encontrava-se assolada pela Guerra dos cem anos; na Itália havia os conflitos entre guelfos e gibelinos; as regiões espanholas de Castela e Aragão estavam mergulhadas na anarquia; e fora das fronteiras da cristandade havia o perigo maometano. Nessas condições, percorreu inúmeras aldeias e cidades dos citados países, chegando até à Suíça.

A sua oratória, brilhante e cheia de fogo, mantinha entretanto a lógica imperturbável das argumentações escolásticas. Mas a atracção que as pessoas sentiam pelas suas palavras era devida principalmente a dois factores: a percepção da presença de Deus nele e o enlevo, cheio de consolações, ocasionado pela graça divina.

Graças à sua voz as inimizades públicas cessavam, os pecadores sentiam-se movidos ao arrependimento e as pessoas sedentas de perfeição seguiam-no. O auditório das suas pregações era sempre de multidões, às vezes mais de 15000 pessoas, portanto ao ar livre. Contemporâneos do Santo relatam que, falando na sua própria língua, era entendido mesmo pelos que não a conheciam.

Dez mil pessoas oscularam as suas mãos em onze dias

Nos dias em que São Vicente Ferrer pregou em Toulouse, por exemplo, não houve pregador que quisesse fazer sermão, porque toda a gente ia atrás do Santo. E sendo tão grande o afluxo de pessoas, que não podiam acomodar-se bem no claustro do convento onde ele falaria, o Arcebispo pediu que ficasse hospedado no seu palácio e pregasse na praça de Santo Estêvão, onde podia caber público maior.

Condescendeu o Santo, pelo facto de pertencer o Arcebispo à sua Ordem religiosa, e foi para o palácio. Pregou quase todos os dias e celebrou Missa solene na referida praça, à qual acudiam as pessoas com tão grande empenho que, para conseguir lugar, se levantavam à meia-noite e para lá iam com archotes, cada um trazendo seu próprio assento.

Porque, embora se diga que era ouvido de longe como de perto, e assim o era comumente, todos queriam estar próximos dele, para vê-lo bem e observar como oficiava as cerimónias religiosas, como curava os doentes que vinham ao palanque onde se encontrava e, finalmente, para poder beijar-lhe as mãos, logo que terminava o sermão, e voltar para casa tendo recebido a sua bênção.

Num vilarejo, as dez mil pessoas que se reuniram para ouvi-lo puseram-se a oscular a sua mão, repetindo tal gesto nos onze dias subsequentes. Referia todas essas a Deus, e dizia com o coração e com os lábios: "Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam - Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória" (Salmo 113).

Para evitar a vanglória que de tais honras lhe poderia advir, antes de entrar nas diversas localidades, seguindo o conselho do Divino Mestre que diz: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação" (Mt 26, 41), ajoelhava-se com os que vinham à sua companhia e, as mãos postas em oração, erguia os olhos ao céu. Provavelmente rogava a Deus que o guardasse da soberba e da vanglória, a qual, como afirma Santo Agostinho, está sempre espreitando as nossas boas obras, para que percam os seus méritos diante de Deus.

Estava o santo tão longe de comprazer-se com a honra que lhe prestavam e com a autoridade que lhe davam, que, algumas vezes, pedindo-lhe os enfermos a bênção para alcançar de Deus a saúde, não queria dá-la, a fim de fugir da vanglória; se bem que, depois, movido de misericórdia, fazia o que lhe rogavam e os despedia muito contentes.

Para não ser esmagado, andava no meio de um quadrado de madeira

Ao chegar perto de uma cidade, a população vinha ao seu encontro, e todos disputavam um lugar próximo dele. E só escapava de ser esmagado porque andava no meio de pranchões sustentados por homens possantes. Em várias cidades, enquanto durava a sua pregação, os negócios paravam, as lojas fechavam, as audiências dos próprios tribunais eram suspensas.

Os sermões duravam habitualmente duas ou três horas. Numa Sexta-feira Santa, em Toulouse, prolongou-se por seis horas seguidas! Os moradores dessa cidade espanhola costumavam dizer: "Este homem veio a esta terra para a nossa salvação ou para nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe. Porque até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse tão bem o que somos obrigados a fazer. E agora já não podemos dizê-lo".

Foi tão grande a devoção que os tolosanos lhe dedicaram que, após a sua partida da cidade, ficaram com relíquias suas e não quiseram desfazer o palanque no qual havia pregado; antes o beijavam e tocavam como coisa de Deus.

O Santo ressuscita uma desafiante judia e a converte

São Vicente trabalhou ardentemente pela conversão dos judeus e dos maometanos. Há historiadores que afirmam que converteu 25000 judeus e 8000 mouros. 

Assim, no Domingo de Ramos de 1407, na igreja de Ecija (Espanha), uma dama judia, rica e poderosa, que seguia os seus sermões por curiosidade e desafio, sem ocultar os sarcasmos que fazia a meia voz, atravessou de improviso a multidão para sair. Não conseguia conter-se de raiva. O povo, explicavelmente, ficou indignado. "Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico", o qual caiu sobre ela, matando-a.

"Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!", ordenou ele, e assim se fez. Após um tal milagre, não é de causar estranheza que essa senhora se tenha prontamente convertido à verdadeira Religião. Naquela cidade, uma procissão anual passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da judia.

O próprio Santo profetiza a sua canonização

Com o correr dos anos, sentindo o peso da idade, o cansaço e os males físicos muitas vezes obrigavam-no a caminhar amparado por outras pessoas.

Porém, quando começava a pregar tudo desaparecia. O seu rosto transfigurava-e como se a pele retomasse o frescor da juventude, os seus olhos brilhavam, a voz era clara e sonora. O tom de convicção, que transparecia nas suas palavras, deixava atónitos os ouvintes. Por isso, não causa admiração que, por efeito da graça, os frutos dos sermões fossem tão copiosos, de maneira que eram sempre necessários muitos sacerdotes para ouvir as confissões.

São Vicente Ferrer fez laboriosos esforços para obter a conclusão do Cisma do Ocidente, pesando para isso a sua extensa influência na Cristandade. Apesar de tantas viagens, fadigas e penitências, a sua missão apostólica continuava ainda em 1419. Quando se encontrava na Bretanha (França), percebeu que a sua vida estava chegando ao fim, por causa de uma chaga que lhe envenenara a perna.

Como desejavam que morresse na sua terra natal que tanto amava, colocaram-no num navio a toda pressa, o qual navegou toda a noite. Enquanto isto, nas ruas as senhoras gritavam: "Já não temos o santo". Mas, pela manhã, inexplicavelmente, o navio ainda se encontrava no porto. Sinal evidente que Deus queria que morresse na Bretanha.

Depois de dez dias de agonia, assistido pelos amigos, pelos irmãos dominicanos e pelas damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou a sua bela e combativa alma a Deus, com 69 anos de idade e várias décadas de luta no cumprimento da sua missão. Era o dia 5 de abril de 1419.

O processo de canonização começou no dia seguinte à sua morte e Roma reconheceu como fidedignos 873 milagres. Foi elevado à honra dos altares em 1455 pelo Papa Calisto III, o qual recebera, muito antes de ocupar a Sé de Pedro, uma profecia do Santo. 

Com efeito, durante uma das pregações que este último fez em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam de São Vicente Ferrer para se encomendar às suas orações, prestou atenção a um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de uma prece, ao qual o grande taumaturgo dirigiu as seguintes palavras: "Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória da tua pátria e da tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após a minha morte, objeto da tua particular veneração".

Noutra oportunidade, São Vicente Ferrer cumprimentou um jovem franciscano, a quem disse: "Oh! Vós estareis nos altares antes do que eu". Tratava-se do futuro São Bernardino de Siena, canonizado em 1450.

Queira o Anjo do Apocalipse, como costumava se auto-intitular São Vicente Ferrer, operar novos e mais portentosos milagres para nossa época, incomparavelmente mais corrompida e endurecida que a dele pelos pecados dos indivíduos, das sociedades e dos seus governantes.

in catolicismo.com.br

Fontes de referência:

* Frei Vicente Justiniano Antist, Vida de San Vicente Ferrer, in Biografía y Escritos de San Vicente Ferrer, BAC, Madrid, 1956.
* Ludovico Pastor, Historia de los Papas, vol. II, Ediciones G. Gili, Buenos Aires, 1948.
* José Leite S.J., Santos de Cada Dia, vol. I, Editorial A.O., Braga, 1987.
* Matthieu-Maxime Gorce, Saint Vincent Ferrier, Librairie Plon, Paris, 1924.
* Henri Gheon, San Vicente Ferrer, Ediciones e Publicaciones Espanholas S.A., Madrid, 1945.


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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Santa Ágata, padroeira das doenças mamárias

Santa Águeda (também conhecida por Santa Ágata) é uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva, cuja intercessão é invocada no Cânone da Santa Missa.

Natural da Sicília, pertenceu a uma das famílias mais nobres do país. De pouca idade ainda, Águeda consagrou-se à Deus, pelo voto da castidade. O governador Quintiano, tendo tido notícia da formosura e grande riqueza de Águeda e acusada do crime de pertencer à religião cristã, mandou-lhe a ordem de prisão.

Águeda, vendo-se nas mãos dos perseguidores, exclamou:

“Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demónio.” 

Levada à presença do governador, este achando-a de extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã, à qual se atreveu importunar com propostas indecorosas. Águeda, indignada, rejeitou-lhe as impertinências desavergonhadas e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã.

Quintiano aparentemente desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os seus maldosos fins, mandou entregar a donzela a Afrodisia, mulher de péssima fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Ágata se tornasse mais acessível. Enganou-se. Afrodisia nada conseguiu e depois de um trabalho inútil de trinta dias, pediu a Quintino que tirasse Águeda de sua casa.

Começou então o martírio da nobre siciliana. Disse-lhe o governador em pleno tribunal: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo, quando pertences a nobre família?” 

Ágata respondeu-lhe: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis.” 

A resposta a esta declaração foram bofetadas, tão barbaramente aplicadas, que causaram lhe causaram uma forte hemorragia no nariz. Depois desta e de outras brutalidades a santa mártir foi metida no cárcere, com graves ameaças de ser sujeita a torturas maiores, se não resolvesse a abandonar a religião de Jesus Cristo.

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada sobre a catasta, os membros lhe foram desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, e os peitos atormentados com torqueses de ferro e depois cortados.

Referindo-se a esta última brutalidade, Águeda disse ao juiz: “Não te envergonhas de mutilar numa mulher, o que a tua mãe te deu para te aleitar?” 

Após esta tortura crudelíssima, Águeda foi levada novamente ao cárcere, entregue às suas dores, sem que lhe fosse administrado o mínimo tratamento. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio da sua pobre serva. Durante a noite lhe apareceu um venerável ancião, que se dizia mandado por Jesus Cristo, para trazer-lhe alívio e curá-la. O ancião, que era o Apóstolo São Pedro, elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no caminho da vitória.

A visão desapareceu e Ágata, com muita admiração, viu-se completamente restabelecida. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e vendo a mártir completamente curada, fugiram cheios de pavor. 

As companheiras de prisão de Ágata aconselharam-na que fugisse. Ela, porém, disse: “Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória.”

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz. Este não pode deixar de se mostrar admirado, vendo-a completamente restabelecida. 

Águeda disse-lhe: “Vê e reconhece a omnipotência de Deus, a Quem adoro. Foi Ele que me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois exigir de mim que O abandone? Não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar do meu Deus.” 

O juiz não mais se conteve. Deu ordem para que Ágata fosse arrastada sobre vidros e brasas. Nesse momento a cidade foi abalada por um forte tremor de terra. Uma parede, bem perto de Quintiano, desabou e sepultou dois amigos seus. 

O povo, diante disto, não mais se conteve e em altas vozes exigiu a libertação da Mártir, dizendo: “Eis o castigo que veio, por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!” 

Águeda voltou ao cárcere e lá chegada, de pé e de braços abertos, orou a Deus nestes termos: “Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma.”

Santa Águeda acreditava que a morte seria um feliz final para as suas torturas. Os carrascos tinham o cuidado de não a deixarem morrer e carregaram-na de volta a cela, enquanto ela orava pela liberdade. Naquele exacto momento um terramoto sacudiu a prisão e ela veio a falecer. Deus ouviu a voz da sua filha e recebeu-a na Sua glória no ano 252. 

O milagre do Vulcão

Passado um ano da morte da Santa, a cidade de Catania assistiu apavorada a uma erupção do vulcão Etna. O povo, em total aflição, quando viu as ondas da lava ameaçar a cidade, correu ao túmulo da Santa, tomou o véu que cobria o seu rosto e estendeu-o contra a torrente de fogo. Imediatamente a cidade ficou a salvo do perigo da lava e o milagre tornou-se bastante conhecido. 

Adaptado de santossanctorum.blogspot.com


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