Mostrar mensagens com a etiqueta Apostolado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apostolado. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Dia de São Matias, o Apóstolo escolhido à "sorte"

Os Actos dos Apóstolos referem que São Matias foi eleito pelos Apóstolos para substituir o traidor Judas Iscariotes, e esta eleição se fez nos dias depois da gloriosa Ascensão de Jesus Cristo e antes da vinda do Espírito Santo.

Da vida anterior do Apóstolo, do seu lugar de origem, nada sabemos. Os martirológios gregos afirmam que Matias pregou o Evangelho na Judeia, em Jerusalém, depois na Etiópia, onde fundou um bispado e terminou a vida na cruz. Outras fontes históricas confirmam a comunicação do martirológio grego e acrescentam que Matias morreu em Sebastópolis, onde foi sepultado perto do templo do sol.

Há outros historiadores que discordam radicalmente das fontes citadas, nada dizendo do martírio do Apóstolo, mas afirmam que Matias morreu em Jerusalém e lá foi sepultado. Há ainda uma outra versão, segundo a qual Matias teria sido apedrejado pelos Judeus e decapitado.

A História deixa-nos, portanto, por completo, na ignorância relativamente ao tempo e ao lugar da morte ou Martírio de São Matias.

A mãe de Constantino, o Grande, Santa Helena, trouxe as relíquias de São Matias para Roma. Uma parte destas relíquias é venerada na Igreja antiquíssima de São Matias em Tréves (Alemanha) e outra na Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma. 

Reflexões:

É muito eficaz invocar São Matias nos momentos de sérias contendas, discussões acaloradas, ou agressões mútuas que possam culminar em séria discórdia ou tragédia. Nestes momentos, ele intercede mesmo, dissipando em segundos a ira e restabelecendo a paz.

São Clemente de Alexandria afirma que São Matias recomendava aos neófitos as práticas da mortificação: “Quem quer ser discípulo de Cristo, deve mortificar-se, castigar o corpo, levar a cruz e resistir aos apetites da carne...”.

Nos nossos dias, inventam-se inúmeras desculpas que nos tentam afastar da prática da mortificação. Há muitas pessoas que se sacrificam e mortificam-se com os fardos que o dia-a-dia impõe, mas passam a vida inteira em murmúrios e lamentações.

Saibamos, portanto, aproveitar todas as nossas dores, desde as mais subtis até as provações mais pesadas, oferecendo-as como sacrifícios pessoais em honra à Santíssima Trindade, em desagravo dos pecados cometidos pela Humanidade, pelas almas do Purgatório e por tantas outras intenções! Fazendo assim, caminhamos no Mundo honrando e glorificando a Deus, bem como aliviando e libertando muitas almas do cárcere purgativo.

Lembremo-nos, de oferecer todos os sacrifícios diários a cada manhã, certos que proporcionaremos ao Céu e ao Purgatório muitas alegrias com as nossas amarguras presentes.

in Pagina Oriente


blogger

sábado, 16 de setembro de 2023

Índios canibais no Brasil

O combate ao vício de comer carne humana principiou muito antes da catequese própriamente dita. Na Bahia, em 1549, os padres liderados por Manuel da Nóbrega, chegaram a arrancar, em pleno terreiro, das mãos das velhas antropofagas, dispostas já a cozinha-lo para um banquete, o corpo morto de um índio. Tal audácia ia-lhes custando a vida. 

Com a ajuda de Tomé de Sousa saíram ilesos. E, com método e com a cooperação de Mem de Sá, que impôs sanções legais contra esse terrível costume, a antropofagia desapareceu em breve entre os índios que se punham em contacto com os Portugueses. Foi uma das primeiras conquistas morais dos Jesuítas. Entres os Tupis, o ritual antropofágico não existia sem a guerra movida por honra e vingança. Então, acabar com as guerras intertribais seria condição para impor-lhes a religião oficial do império português.

O ano de 1558 foi um marco da guerra à antropofagia, com a chegada de Mem de Sá ao Brasil. O terceiro governador-geral foi o principal responsável pelo combate ao costume indígena de comer carne humana, que tanto abominava aos jesuítas e dificultava a catequização. 

Simão de Vasconcellos conta que o alvoroço foi grande. Colonos portugueses, e indígenas chegaram a acusar o padre Manoel da Nóbrega de ser o responsável pelas medidas para eliminar os “antigos costumes”. Mas o governador Mem de Sá prosseguiu com a missão dada pelo Rei e, assim, “os bárbaros [da Bahia]” foram reduzidos “a quatro poderosas aldeas, de S. Paulo, de Santiago, S. João, e Espirito Santo.

Serafim Leite in Páginas de História do Brasil


blogger

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

São Bartolomeu, Apóstolo

São Bartolomeu foi um dos doze discípulos de Jesus Cristo. O seu nome vem da língua aramaica e faz uma referência ao nome do seu pai: Bartolomeu vem de “Bar Talmay” e significa “filho de Talmay”.
São Bartolomeu é Natanael
As narrações bíblicas não dão um enfoque especial a Bartolomeu. A não ser numa passagem do Evangelho de João, as passagens bíblicas limitam-se a citar o seu nome entre os doze escolhidos por Jesus. Sabe-se, porém, através dos Evangelhos, que Bartolomeu é a mesma pessoa que o apóstolo Natanael, citado noutros trechos evangélicos. 

Desdenha Nazaré

Natanael é um nome que quer dizer "Deus deu". Este nome ganha um novo sentido se observarmos que Natanael veio de Caná da Galileia. Lá, ele presenciou o primeiro milagre de Jesus, nas famosas “Bodas de Caná” (Jo 2, 1-11). Como São João evangelista nos conta, o discípulo Filipe contou a Natanael (ou Bartolomeu) que tinha acabado de encontrar o Messias. E disse-lhe ainda que o salvador vinha de Nazaré. Natanael imediatamente respondeu conforme o conhecimento da época: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46). 
Esta pergunta de São Bartolomeu mostra claramente que o Messias, ou o Salvador, era esperado como um grande general, vindo de lugares importantes de Israel, e não de um vilarejo perdido na Galileia chamado Nazaré.

O Encontro pessoal com Jesus

Quando São Bartolomeu se encontrou com Jesus, aquele “Messias vindo de Nazaré”, recebeu do Mestre um elogio inesperado. Jesus disse a ele "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo 1, 47). São Bartolomeu, surpreso, respondeu: "De onde me conheces?" Jesus respondeu revelando-lhe a sua messianidade: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira".
Jesus mencionou um momento importante na vida de Bartolomeu. Sentindo o olhar do Mestre, Bartolomeu percebe que aquele Mestre realmente o conhecia. Depois desse momento, Bartolomeu decide seguir o Mestre e faz a sua profissão de fé em Jesus: "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel".

São Bartolomeu, discípulo e apóstolo

São Bartolomeu seguiu a Jesus nos três anos da Sua vida pública. Testemunhou os ensinamentos, as acções, os milagres, a morte e a ressurreição de Jesus. Esteve no Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre todos e todos se tornaram missionários corajosos da Boa Nova pelo mundo.
Bartolomeu conheceu pessoalmente Nossa Senhora, e dela certamente aprendeu mais sobre os ensinamentos do Mestre. Assim, cheio do Espírito de Deus, depois de ter sido discípulo de Jesus, ele passou a ser Apóstolo, palavra grega que quer dizer “Enviado”. Ele foi enviado, Apóstolo, em nome de Jesus. E fez maravilhas pelo Reino de Deus em terras longínquas.

Missão de São Bartolomeu

A Tradição da Igreja e fontes históricas dizem que São Bartolomeu foi anunciar Reino de Deus até ao distante país da Índia. Há outra tradição que afirma que São Bartolomeu foi pregar o Evangelho onde é hoje a Europa Oriental. Lá, terá realizado uma maravilhosa missão acompanhada de conversões sinceras que confirmavam a pregação da Palavra de Deus.

Martírio

Depois dessa frutuosa missão em que muitos se converteram a Jesus Cristo e onde várias comunidades cristãs foram criadas, São Bartolomeu foi martirizado, vítima de esfolagem de toda a sua pele. Foi na cidade de Albanópolis, hoje Derbent, na região russa do Daguestão, às margens do mar Cáucaso. Foi morto por ordem do governador local, que não aceitou a pregação do cristianismo nas suas terras.

Iconografia (representação artística)

Essa tradição é tão forte que São Bartolomeu foi pintado na Capela Sistina segurando a pele de seu corpo na sua mão esquerda e, na mão direita, uma adaga, tipo de uma espada afiada, instrumento do martírio que ele sofreu. Séculos depois, as relíquias de São Bartolomeu foram transportadas para Roma e estão hoje na igreja a ele dedicada.

Devoção a São Bartolomeu

A festa litúrgica de São Bartolomeu é celebrada no dia 24 de Agosto, provável dia da sua morte. As igrejas da Europa oriental devem a sua fé, em última instância, à pregação corajosa de São Bartolomeu, cujos frutos permanecem até hoje.
in cruzterrasanta.com.br


blogger

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Charles de Foucauld ensina-nos a fazer apostolado

Ser apóstolo, mas por que meios? Por aqueles que o Senhor põe à disposição de cada um: os padres têm os respectivos superiores, que lhes dizem o que devem fazer. Os leigos devem ser apóstolos para com todos aqueles a quem podem chegar: parentes e amigos, mas não só eles; a caridade não é estreita, alcança todos aqueles que o Coração de Jesus abraça.

Por que meios? Pelos melhores, tendo em conta aqueles a quem se dirigem: com todos aqueles com quem se relacionam, sem excepção, pela bondade, a ternura, o afecto fraterno, o exemplo de virtude, a humildade e a doçura, sempre atraentes e tão cristãs. 

Com alguns, sem lhes dizer nunca uma palavra sobre Deus ou sobre religião, tendo paciência como Deus tem paciência, sendo bom como Deus é bom, sendo um irmão terno e rezando. Com outros, falando-lhes de Deus na medida que conseguem atingir; a partir do momento em que chegam à ideia de procurar a verdade pelo estudo da religião, pondo-os em contacto com um sacerdote bem escolhido e capaz de lhes fazer bem. Sobretudo, vendo em cada homem um irmão. 

Beato Charles de Foucauld (eremita e missionário no Saara) in Carta a Joseph Hours (3/5/1912)


blogger

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Senza Pagare em Luanda

Caríssimos leitores do Senza, é com grande alegria que anunciamos a nossa visita a Angola. Estaremos em Luanda na próxima semana, de 14 a 18 de Janeiro. 

Quem tiver interesse em falar sobre História da Liturgia, Missa Tradicional e doutrina da Igreja entre em contacto connosco. Basta enviar um email para: senzapagareblog@gmail.com ou uma mensagem para a nossa página de facebook: https://www.facebook.com/senzapagare

Obrigado e até breve!

Paz e bem


blogger

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A caridade de não ficar calado

Ides a Deus? Procurai não chegar lá sozinhos. Aquele que no seu coração já ouviu o apelo do Amor divino, procure tirar daí uma palavra de encorajamento para o seu próximo.

Talvez não tenhais pão para dar a um mendigo; mas o que tem uma língua pode dar melhor do que pão, porque alimentar com a Palavra uma alma destinada a viver eternamente vale mais que saciar do pão terrestre um corpo que um dia tem de morrer. Tomai por isso cuidado para não privardes o vosso próximo da esmola da palavra. 

São Gregório Magno


blogger

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Profeta Jeremias descreve o que acontece a quem defende a verdade


Seduziste-me, SENHOR, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste. Sou objecto de contínua irrisão, e todos escarnecem de mim. Todas as vezes que falo é para proclamar: «Violência! Opressão!»

A palavra do SENHOR tornou-se para mim motivo de insultos e escárnios, dia após dia. A mim mesmo dizia: «Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!» Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. 

Esforçava-me por contê-lo, mas não podia. Ouvia invectivas da multidão: «Cerco de terror! Denunciai-o! Vamos denunciá-lo!» Os que eram meus amigos espiam agora os meus passos: «Se o enganarmos, triunfaremos dele, e dele nos vingaremos.» O SENHOR, porém, está comigo, como poderoso guerreiro. 

Por isso, os meus perseguidores serão esmagados e cobertos de confusão, porque não hão-de prevalecer. A sua ignomínia nunca se apagará da memória. Mas Tu, SENHOR do universo, examinas o justo, sondas os rins e os corações. 

Que eu possa contemplar a tua vingança contra eles, pois a ti confiei a minha causa! Cantai ao SENHOR, glorificai o SENHOR, porque salvou a vida do pobre da mão dos malvados. 

Jr 20, 7-13


blogger

terça-feira, 19 de julho de 2016

Os missionários cristãos de Ibiza

Charlie, acompanhado pela sua mulher, Abby, e um grupo de voluntários, é o responsável de 24/7 Ibiza, um colectivo de jovens, cristãos, vestidos com t-shirts pretas, que actuam na zona este de San Antonio. Todas as noites, entre as 23h e as 7h da manhã, dedicam-se a recolher as baixas, na batalha perdida da guerra contra as drogas. No meio desta árdua tarefa ainda conseguem arranjar tempo para dirigir as almas destes desgraçados até ao Senhor.
Olá, Charlie! Estiveste a trabalhar hoje à noite? Suponho que tenham o vosso próprio veículo. Como é que se chama? 

Charlie Clayton: Talvez a melhor forma de o definir seja "assistência nocturna". Funciona assim: metade da equipa está na sala de oração, a rezar, e a outra metade anda pelas ruas. Trocamos de hora em hora. Por isso, se alguém bebeu demasiado ou tomou demasiada droga, acompanhamo-lo até casa, às vezes numa cadeira de rodas.

Quantas pessoas encontram por noite?

Charlie Clayton: Na temporada passada ajudámos mais de mil pessoas.

E depois entram logo com o tema Jesus?

Charlie Clayton: Se virmos que estão muito bêbedos, não é o momento para falar com eles sobre fé. Mas quando não estamos a ajudar pessoas a voltar para casa, perguntamos nas ruas: "Gostavas que rezássemos por algo?", e, surpreendentemente, muitas vezes, a resposta é sim.

A sério? Por que coisas pedem para rezarem?

Charlie Clayton: Pelas suas famílias, os seus trabalhos ou o futuro, quando estão doentes ou a atravessar uma fase má. Às vezes fazem pedidos um bocado parvos, mas não faz mal. Não estamos à procura de orações perfeitamente estruturadas.

Encontram algum tipo de resistência mais violenta?

Charlie Clayton: Raramente. Mesmo que muita gente não entenda muito bem o que ali estamos a fazer, são bastante tolerantes. Respeitam-nos. Ao fim e ao cabo, estão aqui de férias.

Já alguém se virou contra vocês enquanto ajudavam?

Charlie Clayton: Não de forma intencionada. Às vezes é porque se sentem confusos, mas estão acompanhados pelos amigos, o que ajuda muito.

Deves ver coisas muita malucas nesta zona. Não te deprime ver todos esses narcisistas drogados, perdidos?

Charlie Clayton: Não. Preferimos encará-lo como se Jesus tivesse entrado nas suas desastrosas vidas para purificá-los e ajudá-los a chegar a casa.

Dirias que têm tido sucesso? Há quem tenha vindo a Ibiza passar umas férias loucas e tenha regressado totalmente devoto a Jesus?

Charlie Clayton: Sim, já houve gente que veio a Ibiza e depois tornou-se cristã. Ajudamos muita gente à qual nunca mais voltamos a ver. Mas não é assim que medimos os nossos êxitos.

Achas que meter cinco pastilhas e dançar ao ritmo de uma música chamada "Hallelujah" pode ser considerado uma forma legítima de manifestar uma epifania religiosa similar ao cristianismo?

Não consigo estabelecer nenhuma relação entre alguém que mete cinco pastilhas e dança numa discoteca com algum tipo de confissão.

Por outro lado, muitas pessoas se sentem mais positivas quando tomam pastilhas, mais conscientes do seu lugar na ordem mística das coisas e, regra geral, melhores pessoas. Nunca te sentiste tentado por estes argumentos?

Charlie Clayton: É uma pergunta difícil. Não se podem apoiar as drogas ilegais precisamente porque são ilegais. Sim, claro que as pessoas que tomam pastilhas parecem muito felizes. Vemos imensos casos assim, e cria-se uma atmosfera que pode ser... interessante. Mas não acho que uma droga possa tornar-te numa pessoa melhor. A maior parte das vezes, a malta que levamos a casa tomou demasiado ecstasy e isso não é nada benéfico para o seu corpo, mesmo que a sua mente esteja a mil à hora.

Se o ecstasy não é a resposta, poderias descrever que efeitos tem Jesus sobre o corpo humano?

O efeito de Jesus no coração é o que te faz acreditar que a Humanidade foi criada para relacionar-se com Deus. Isso satisfaz a alma. Aqui há muita gente que procura constantemente, que tenta preencher esse vazio com o álcool ou com as drogas. Apenas Jesus pode preenchê-lo.

in vice


blogger

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quando um Cristão visita Miami

Normalmente, quando uma pessoa viaja, repara nas coisas que lhe são mais familiares. Ora, Miami é uma das cidades mais famosas dos Estados Unidos: para além da praia e da noite, aparece frequentemente em muitas séries e filmes. Que sinais é que um Cristão poderia encontrar do seu Cristianismo?

Ao contrário da Europa, que ouviu falar de Cristo directamente dos Apóstolos, o primeiro contacto dos Americanos com o Evangelho foi apenas no final do século XV e por isso seria de esperar que a cultura Cristã não se notasse tanto. No entanto, a cidade de Miami transparece a fecundidade do apostolado da Igreja no mundo.

É surpreendente ver a quantidade de igrejas Católicas presentes hoje em Miami. E não são igrejas quaisquer. Toda a arte ensina catequese. Vitrais, retábulos, portas ou mesmo relevos nas costas dos bancos ensinam doutrina às pessoas que lá entram. Por exemplo, a igreja de Little Flower, construída no início do século XX, é uma igreja dedicada a Sta. Teresinha do Menino Jesus. As portas de madeira ao longo de toda a igreja têm os sacramentos com os nomes e desenhos gravados na madeiras.


Outro exemplo é a igreja do Gèsu em downtown Miami. Na entrada via-se logo um cartaz pedindo orações pelos sacerdotes e seminaristas jesuítas, vestidos de preto com cabeção na fotografia. Os enormes vitrais em ambas as paredes mostravam os mistérios da vida de Nossa Senhora. E a Via Sacra eram esculturas brancas onde a única personagem a cores era a Virgem Maria. Entre muitas outras coisas.

Numa cidade destas, é impressionante encontrar arte tão piedosa. O apostolado de muitos homens e mulheres que chegaram à América lançou sementes profundas que ainda hoje se vêem, nos sítios que menos se espera.

Nuno CB



blogger

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Apostolado é coisa de todos os dias

A Cândida e o António

Quando os jornais destes dias noticiaram a morte da Dra. Cândida Ventura, indómita lutadora «anti-fascista», lembrei-me do António.

Durante muitos anos, a indómita lutadora defendeu coisas aberrantes, mas é justo lembrar esses excessos no seu contexto. Em Portugal, ainda não havia mecanismos eleitorais livres, de modo que quem queria mudanças sentia-se empurrado para a revolução armada. Pelo menos, assim reagiam alguns. Outros acomodavam-se, temendo que «fosse pior a amêndoa que o cianeto» – como dizia um conhecido meu, que gostava de citar provérbios e autores clássicos. A Dra. Cândida Ventura não era de se ficar. Alistou-se no Partido Comunista e trabalhou na clandestinidade para derrubar o Governo. Chegou a fazer parte do Comité Central. Foi parar à prisão, mas a saúde deteriorou-se, a polícia compadeceu-se e libertou-a antes do tempo previsto. Logo que a soltaram, correu a abrigar-se por trás da Cortina de Ferro, como representante do PCP em Praga. A vida no paraíso comunista não correspondia à descrição do paraíso e a enérgica Cândida Ventura começou a entrar em conflito. Abreviando: acabou em divergência aberta com Álvaro Cunhal e todos os outros dirigentes e abandonou o Partido.

O António Patrício Gouveia era um rapaz meu conhecido, uns 8 anos mais velho. Recordo-o alto, elegante, exuberante de iniciativas, com o coração a transbordar generosidade e uma capacidade fantástica de fazer amigos. Tinha concluído uma pós-graduação em relações internacionais nos Estados Unidos e estava feliz, recém-casado com uma rapariga de quem vivia enamorado. Obviamente, sonhava mudar o mundo. E, tudo isto, intensamente.
António Patrício Gouveia com a família
Com o entusiasmo que o caracterizava, o António começava o dia fazendo oração. Depois, irrompia todos os dias na Missa da manhã e continuava mais um tempo na igreja a agradecer a Comunhão. Ao longo do frenesim do dia, rezava o terço e dedicava vários intervalos à oração. Num deles, percebeu que Deus o chamava a ser do Opus Dei e, desde então, esforçava-se por ser fiel a essa vocação. Além da Missa, procurava passar pela igreja mais alguma vez, para adorar o Senhor no Sacrário. E tinha tempo para rir, com aquela sua felicidade contagiosa, e acompanhar o ritmo desenfreado de Francisco Sá Carneiro, que escolheu aquele miúdo como chefe de gabinete. Foi nessa função que o António se cruzou com a Cândida. Tudo a correr, rapidíssimo. A antiga comunista estava com uma neta e o António só teve tempo de lhe dizer que, se a pequena se quisesse baptizar, falassem com a mãe dele para lhe dar catequese.

A história do António ficou por aqui, tanto mais que pouco depois ele explodiu nos ares, no mesmo avião que Sá Carneiro e Amaro da Costa. A história da neta da Cândida continuou, porque a pequena quis baptizar-se e foi pedir à mãe do António que a preparasse.
Cândida Ventura

Passado alguns anos, a própria Cândida ganhou balanço e foi bater à mesma porta, para receber catequese e baptizar-se.

Numa época em que eu viajava frequentemente ao Algarve, cruzei-me algumas vezes com um grupo de universitárias minhas conhecidas, que participavam em palestras e momentos de oração: lembras-te de uma velhinha simpática que vinha connosco? Era a Cândida Ventura! Lembro-me vagamente do grupo, mas não recordo as caras. Assim, perdi a oportunidade de conhecer uma lendária anti-fascista. Agora, ando à procura do número de telefone:

– Alô, Céu? Daqui Terra! Há possibilidade de saber o que o António disse à Cândida, quando ela aí chegou?

José Maria André in Correio dos Açores, 17-I-2016


blogger

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O sonho missionário de chegar a todos - S. Josemaria Escrivá

Missionário. - Sonhas em ser missionário. Vibras com Xavier, e queres conquistar para Cristo um império. - O Japão, a China, a Índia, a Rússia...? Os povos frios do norte da Europa, ou a América, ou a África, ou a Austrália ?

- Fomenta esses incêndios no teu coração, essa fome de almas. Mas não te esqueças de que és mais missionário "obedecendo". Geograficamente longe desses campos de apostolado, trabalhas "aqui e ali". Não sentes - como Xavier! - o braço cansado, depois de administrares a tantos o baptismo?

S. Josemaria, Caminho, 315.


blogger

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Papa em Nova Iorque - Apostolado só é possível com Sacrifício

Esta bela Catedral de Saint Patrick, construída há muitos anos através dos sacrifícios de muitos homens e mulheres, pode servir de símbolo do trabalho de gerações de sacerdotes e religiosos americanos e fiéis leigos que ajudaram a construir a Igreja nos Estados Unidos. Só no campo da edução, quantos padres e religiosos neste país tiveram um papel central, ajudando os pais ao dar aos seus filhos a comida que os fortalecerá para a vida! Muitos fizeram-nos com um extraordinário sacrifício e uma caridade heróica. (...)

Esta noite, meus irmão e irmãs, junto-me a vós - sacerdotes e homens e mulheres de vida consagrada - a rezar para que as nossas vocações continuem a construir o grande edifício do Reino de Deus neste país. (...) Esperando ajudar-vos a perseverar no caminho de fidelidade a Jesus Cristo, gostava de oferecer-vos duas breves reflexões.
(...)
Um segundo tema é o espírito de trabalho árduo. Um coração agradecido é espontaneamente impelido a servir o Senhor e a encontrar expressão numa vida dedicada ao nosso trabalho. Assim que nos apercebemos o quanto Deus nos deu, uma vida de sacrifício, de trabalhar para Ele e para os outros, torna-se uma forma priveligiada de responder ao seu amor enorme.

No entanto, se formos honestos, sabemos quão facilmente o generoso espírito de sacrifício se pode esvaziar. Há muitas maneiras de isto poder acontecer; ambas são exemplos daquela "mundanidade espiritual" que enfraquece o nosso compromisso de homens e mulheres de vida consagrada para servir e diminui o espanto, a maravilha, do nosso primeiro encontro com Cristo.

Podemos dar por nós a medir o valor dos nosso trabalhos apostólicos com os padrões de eficiência, boa gestão e sucesso exterior que controlam o mundo dos negócios. Não que essas coisas não sejam importantes! Foi-nos confiada uma grande responsabildiade e o povo Deus espera de nós com razão uma responsabilização. Mas o verdadeiro valor do nosso apostolado é a medida do valor que tem aos olhos de Deus. Para ver e avaliar as coisas pela perspectiva de Deus é nos exigida uma conversão constante nos primeiros dias e anos da nossa vocação e, escuso de dizer, é nos pedida uma grande humildade. A cruz mostra-nos uma forma diferente de medir o sucesso. O nosso trabalho é semar: Deus encarrega-se dos frutos dos nossos esforços. E se às vezes os nossos esforços e trabalhos parecem falhar e não produzir fruto, temos que nos lembrar que seguimos Jesus... e a sua vida, humanamente falando, fracassou, no fracasso da cruz.
O outro perigo surge quando nos tornamos invejosos do tempo livre, quando pensamos que rodear-nos dos confortos do mundo nos vai ajudar a servir melhor. O problema disto é que bloqueia o poder da chamada diária de Deus à conversão, ao encontro com ele. Lentamente, mas sem dúvida, diminui o nosso espírito de sacrifício, o nosso espírito de renúncia e de trabalho árduo. Também escandaliza as pessoas que sofrem de pobreza material e são obrigadas a fazer maiores sacrifícios que nós, sem serem consagradas. Precisamos do descanso, como os momentos de lazer e de enriquecimento próprio, mas temos que aprender a descansar de uma forma que aprofunde o nosso desejo de servir com generosidade. A proximidade ao pobre, ao refugiado, ao imigrante, ao doente, ao explorado, ao idoso que vive sozinhos, aos prisioneiros e a todos os outros pobres de Deus ensinar-nos-à uma maneira diferente de descansar, que é mais Cristã e generosa.
(...)

Queridos irmãos e irmãs, daqui a nada, em uns minutos, vamos cantar o Magnificat. Peçamos a Nossa Senhora pelo trabalho que nos foi confiado; juntemo-nos a ela a agradecer a Deus pelas maravilhas que operou e pelas grandes coisas que continuará a fazer em nós e naqueles que temos o privilégio de servir. Amen.

Papa Francisco, Vésperas com os sacerdotes e religiosos, 24.Set.2015


blogger