Mostrar mensagens com a etiqueta Obediência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Obediência. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de março de 2016

Como os Sacerdotes devem ensinar a Fé - Beato Paulo VI

A encíclica Humanæ Vitæ do Papa Paulo VI ficou famosa por explicar que o uso de contraceptivos no acto conjugal não é bom para o Homem nem agrada a Deus. O que muitas pessoas não sabem, é que o Papa, agora Beato Paulo VI, no final da encíclica escreveu algumas indicações muito importantes sobre como devem os sacerdotes falar da Fé e Doutrina Católicas.

28. Dilectos filhos sacerdotes, que por vocação sois os conselheiros e guias espirituais dos homens, das mulheres e das famílias, dirigimo-nos agora a vós, com confiança. A vossa primeira tarefa - especialmente para os que ensinam a teologia moral - é expor, sem ambiguidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimónio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, da leal obediência, interna e externa, que é devida ao Magistério da Igreja. Porque, como sabeis, os pastores da Igreja gozam de uma luz especial do Espírito Santo para ensinar a verdade [1]. Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no da teologia dogmática, todos obedeçam ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer".[2] 
29. Não minimizar em nada a doutrina salvífica de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar [3], Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens. 
No meio das suas dificuldades, que os cônjuges encontrem sempre na palavra e no coração do sacerdote o eco fiel da voz e do amor do Redentor. 
Falai, pois, com confiança, dilectos Filhos, bem convencidos de que o Espírito de Deus, ao mesmo tempo que assiste o Magistério ao propor a doutrina, ilumina também internamente os corações dos fiéis, convidando-os a prestar-lhe o seu assentimento. Ensinai aos esposos o necessário caminho da oração, preparai-os para recorrerem com frequência e com fé aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, sem se deixarem jamais desencorajar pela sua fraqueza

[1] Lumen Gentium, 25 
[2] 1 Cor 1, 10
[3] Jo 3, 17


blogger

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Papa Francisco ensina a obediência aos consagrados

No passado dia 2 de Fevereiro foi o encerramento do Ano da Vida Consagrada, que o Papa Francisco tinha proclamado em comemoração dos 500 anos do nascimento de Sta. Teresa d'Ávila.

Como se sabe, as pessoas consagradas distinguem-se na Igreja por fazerem três votos muito importantes: votos de obediência, pobreza e castidade.

Óbvio que todos os Cristãos, mesmo os leigos, devem viver estas três virtudes, mas de uma forma mais discreta e natural, pois não fizeram votos públicos diante de um superior ou do Bispo.

O Papa Francisco, antes de ser Bispo, era membro da Companhia de Jesus e ainda hoje é um autêntico filho de Sto. Inácio de Loyola. Na fundação dos jesuítas, Sto. Inácio quis que a obediência fosse de tal maneira importante no espírito dos seus filhos ao ponto de todos os jesuítas fazerem um quarto voto de obediência ao Bispo de Roma, Vigário de Cristo na Terra. 

Na verdade, um dos escritos espirituais mais importantes na história da Igreja sobre a obediência é uma carta escrita por Sto. Inácio de Loyola ao Pe. Simão Rodrigues, o superior da Companhia em Portugal. Podem ler mais sobre ela aqui.

No encerramento do Ano da Vida Consagrada o Papa, num discurso totalmente improvisado, também falou sobre a obediência:
Religiosos e religiosas, isto é homens e mulheres consagrados ao serviço do Senhor que percorrem na Igreja este caminho de pobreza forte, de amor casto que os leva a uma paternidade e a uma maternidade espiritual por toda a Igreja, uma obediência... Mas nesta obediência sempre falta algo, porque a obediência perfeita é aquela do Filho de Deus, que se consumiu, se fez homem por obediência, até à morte e morte de Cruz. 
Há no meio de vós homens e mulheres que vivem uma obediência forte, uma obediência... — que não é militar, não, isto não, isso seria disciplina, é outra coisa — uma obediência de doação do coração. E isto é profecia. 
«Mas, tu não tens vontade de fazer outra coisa?...»«Sim, mas de acordo com as regras devo fazer isto, isto e isto. E segundo as disposições isto, isto e isto. E se não vir claramente algo, falo com o superior, com a superiora, e depois do diálogo, obedeço».
Esta é a profecia, contra a semente de anarquia que o diabo lança. 
«Que fazes tu?»«Faço o que me apetece».
A anarquia da vontade é filha do demónio, não é filha de Deus. O Filho de Deus não foi anárquico, não chamou os seus para exercer uma força de resistência contra os seus inimigos; Ele mesmo disse a Pilatos: «Se eu fosse um rei deste mundo teria chamado os meus soldados para me defender». Mas Ele exerceu a obediência do Pai.
Somente rezou: «Pai, por favor, não, este cálice não... Mas que se faça a Tua vontade». Quando aceitais por obediência algo que talvez muitas vezes não vos agrada... [faz o gesto de engolir]... devemos engolir aquela obediência. Mas faz-se. Portanto, a profecia.
A profecia é anunciar às pessoas que existe um caminho de felicidade, de grandeza, uma via que te enche de alegria, que é precisamente a estrada de Jesus. É a estrada de estar próximo de Jesus. É um dom, um carisma, a profecia. Que deve ser pedida ao Espírito Santo: que eu saiba dizer aquela palavra, no momento justo; que eu faça aquilo no momento justo; que toda a minha vida seja uma profecia. Homens e mulheres profetas. E isto é muito importante. 
«Mas, fazemos como fazem todos...». Não. A profecia é dizer que existe algo de mais verdadeiro, mais bonito, maior, melhor ao qual todos somos chamados.
Discurso completo: 





blogger