Mostrar mensagens com a etiqueta Sagrada Escritura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sagrada Escritura. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Os Evangelhos são os textos mais fiáveis da Antiguidade

Entre as obras antigas, por ex. a Eneida de Virgílio, escrita pelo poeta Virgílio no séc. I antes de Cristo, a cópia mais antiga que possuímos é do séc. IX, depois de Cristo, ou seja 900 anos depois de ter sido escrito o texto original. 

Dos textos de Platão, filósofo grego que viveu entre os séculos V e IV, antes de Cristo, possuímos apenas cópias medievais, dos séculos X e XI, depois de Cristo. Portanto, cerca de 1400 anos depois de ter sido escrito o texto original.

Dos Evangelhos existem mais de 50 códices dos séculos III, IV e V, leccionários do séc.VIII e uma grande colecção de códices medievais. No total são cerca de 5000 cópias.

Podemos concluir que as cópias que possuímos dos Evangelhos se encontram bastante perto dos textos originais. Isto tanto pela proximidade cronológica como pela quantidade de cópias que existem.



blogger

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Orígenes denunciou os falsos evangelhos já no séc. III

Muitos dos textos que são hoje "descobertos" pelos meios de comunicação social sensacionalistas, como se fossem pôr em causa a credibilidade dos quatro evangelhos canónicos, tinham sido já anunciados como falsos nos primeiros séculos do Cristianismo.

Antigamente, entre os judeus, um grande número de pessoas presumia ter o dom da profecia, mas alguns eram falsos profetas. O mesmo se passou no tempo no Novo Testamento, em que muitos «empreenderam» escrever evangelhos, mas nem todos foram aceites. A palavra «empreenderam» contém uma acusação velada contra aqueles que, sem terem a graça do Espírito Santo, se lançaram na redacção de evangelhos. Mateus, Marcos, João e Lucas não «empreenderam» escrever mas, cheios do Espírito Santo, escreveram efectivamente os verdadeiros Evangelhos.

A Igreja tem, pois, quatro evangelhos; os hereges têm-nos em grande número. «Muitos empreenderam compor uma narração», mas apenas quatro evangelhos foram aprovados; e é desses que devemos retirar, para trazer à luz, aquilo em que é necessário crer sobre a pessoa do Nosso Senhor e Salvador. 

Sei que existe um evangelho a que chamam «segundo São Tomé», um outro «segundo Matias» e lemos ainda outros tantos para não fazermos figura de ignorantes diante daqueles que imaginam saber alguma coisa quando já conhecem esses textos. Mas, em tudo isso, não aprovamos nada senão aquilo que a Igreja aprova: admitir apenas quatro evangelhos. Eis o que podemos dizer sobre o texto do prólogo de São Lucas: «Muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram».

in Homilias sobre São Lucas, nº 1,1-2


blogger

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Reforma litúrgica censura mais uma vez a Sagrada Escritura

No dia 26 de Dezembro a Igreja Católica celebra Santo Estêvão, o primeiro mártir. Na Missa do dia lê-se o relato do martírio do diácono Estêvão. Acontece que na reforma litúrgica de 1970 essa leitura foi encurtada, tendo sido deixada de fora a oração que o mártir faz a Deus pedindo perdão pelos seus algozes. Como se pode ver na imagem, a leitura termina com a oração "Senhor Jesus, recebe o meu espírito". Depois disso, prossegue deste modo o relato:

“Depois, posto de joelhos, bradou com voz forte: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» Dito isto, adormeceu no Senhor.”

Por que razão terá sido esta parte excluída da nova liturgia (sendo que se encontra na liturgia tradicional)? Será que este perdão pedido pelo santo - porventura a parte mais heróica do martírio de Santo Estêvão - algo prejudicial a quem vai à Missa? Como explicar que a reforma tenha sido feita para dar mais "Escritura" aos fiéis e sistematicamente a tenha censurado de partes consideradas 'incómodas'?


blogger

A obra prima de São João Evangelista

São João evangelista começou o seu evangelho com um texto que encantou todas as gerações. O prólogo é duma beleza e profundidade tais que é lido no final de todas as Missas em Rito Romano Tradicional. Vale a pena ler e rezar.

Latim:

In princípio erat Verbum, et Verbum erat apud Deum, et Deus erat Verbum. Hoc erat in princípio apud Deum. Omnia per ipsum facta sunt: et sine ipso factum est nihil, quod factum est: in ipso vita erat, et vita erat lux hóminum: et lux in ténebris lucet, et ténebræ eam non comprehendérunt. 

Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Joánnes. Hic venit in testimónium, ut testimónium perhibéret de lúmine, ut omnes créderent per illum. Non erat ille lux, sed ut testimónium perhibéret de lúmine. Erat lux vera, quæ illúminat omnem hóminem veniéntem in hunc mundum. In mundo erat, et mundus per ipsum factus est, et mundus eum non cognóvit. 

In própria venit, et sui eum non recepérunt. Quotquot autem recepérunt eum, dedit eis potestátem fílios Dei fíeri, his, qui credunt in nómine ejus: qui non ex sanguínibus, neque ex voluntáte carnis, neque ex voluntáte viri, sed ex Deo nati sunt. (Hic genuflectitur) Et Verbum caro factum est, et habitávit in nobis: et vídimus glóriam ejus, glóriam quasi Unigéniti a Patre, plenum grátiæ et veritátis.

Português:

No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Este estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram por Ele criadas, e nada daquilo que foi criado teria sido criado sem Ele. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandeceu nas trevas, mas as trevas a não receberam. 

Apareceu um homem, mandado por Deus, e o seu nome era João, o qual veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que por ele todos acreditassem. Ele não era a luz, mas aquele que havia de dar testemunho da luz. Existia a luz verdadeira, a luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Ele estava no mundo, e o mundo, embora houvesse sido criado por Ele, O não conheceu. 

Veio ao que era seu, e os seus O não receberam. Porém, Ele a todos quantos O receberam e aos que acreditaram no seu nome deu o poder de serem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem do desejo da carne, mas somente da vontade de Deus. E o Verbo fez-se carne (genuflecte-se) e habitou entre nós; e contemplamos a sua glória, como era própria do Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.


blogger

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

São Lucas Evangelista visto de perto

São Lucas, o evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Lukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Actos dos Apóstolos - o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. A sua festa é celebrada no dia 18 de Outubro. É o santo padroeiro de médicos e pintores. 

Chamado por Paulo de "O Médico Amado"(Colossenses 4, 14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses (4, 14), bem como na segunda epístola a Timóteo (4, 11).

Lucas foi o primeiro iconógrafo, pintou a Virgem Maria, Pedro e Paulo. E por isso é que as guildas medievais de São Lucas, na Flandres, ou a Accademia di San Luca ("Academia de São Lucas") em Roma - associações imitadas noutras cidades europeias durante o século XVI - reuniam e protegiam os pintores.

O que diz a Bíblia sobre Lucas

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Actos dos Apóstolos. É mencionado apenas três vezes pelo seu nome no N.T. (Cl 4, 14 - 2 Tm 4, 11 - Fm 24). 

Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns julgado que ele foi do número dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10, 1) - outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12, 20) - e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm querido identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13, 1).

Dois dos Padre da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4, 11). Era médico (Cl 4,14). Não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1, 2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo. 

Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16, 10), e foi com ele até à Macedónia - depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha amigos, ficando provavelmente ali durante algum tempo (At 17, 1).

Cerca de 7 anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente a ele (At 20, 5). 

Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2Co 8, 18, o intervalo devia ter sido preenchido com o activo ministério.

Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21.18) e com ele fez viagem para Roma (At 21, 1). Nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4, 14 - Fm 24) - e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2Tm 4, 11). São Paulo diz nas suas cartas quando preso: "Lucas é a minha única companhia". Durante o martírio de Paulo, Lucas nunca saiu do seu lado.

Lucas, o pintor 

Lucas conversou muito com a mãe de Jesus e com São João. De acordo com a Igreja Católica Grega, São Lucas andava sempre com uma pintura de Nossa Senhora com ele, e essa foi o instrumento de varias conversões. 

São Lucas foi um grande artista e grande escritor, e as suas narrativas inspiraram grandes escritores e grandes mestres da arte. A pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que se encontra na Basílica de Santa Maria Maior em Roma, terá sido pintada por ele.

Pinturas excepcionais de São Lucas são as de Roger van Weyden na Pinacoteca de Munique, na Alemanha, a de Jean Grossaert em Praga e a de Rafael na Academia de São Lucas em Roma.

Embora alguns afirmem que ele sofreu o martírio, a opinião mais aceite é a de que faleceu de morte natural aos 84 anos de idade, na Bitínia. Mas, como enfrentou muitos perigos pela fé de Cristo, é considerado por muitos como mártir.

As suas relíquias, que no século IV se achavam em Tebas da Beócia (Grécia), foram trasladadas para Constantinopla em 357, a pedido do Imperador Constâncio, filho de Constantino, tendo sido depositadas na igreja dos Santos Apóstolos com as de Santo André e São Timóteo.

O Cardeal Barónio diz que São Gregório Magno levou para Roma a cabeça de São Lucas, quando voltou da Nunciatura em Constantinopla, e a depositou na igreja do mosteiro de Santo André, que ele tinha fundado no Monte Célio. Hoje em dia, o corpo deste Evangelista é venerado na cidade de Pavia, em Itália.

Se se aplicam aos quatro evangelistas as representações simbólicas mencionadas pelo profeta Ezequiel, São Lucas é representado pelo boi, como emblema dos sacrifícios, pois ele é o evangelista que mais insiste no sacerdócio de Jesus Cristo.

adaptado de santossanctorum.blogspot.com


blogger

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Dia de São Jerónimo

Doutor da Igreja e autor da Vulgata. São Jerónimo foi viver para a Terra Santa - levando uma vida de grande penitência - de modo a aprender hebraico e traduzir para latim toda a Sagrada Escritura. Esta tradução chama-se Vulgata e continua a ser a tradução mais fidedigna da Santa Escritura.


blogger

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Festa de São Pedro ad Vincula

No dia 1 de Agosto, a liturgia da Igreja comemora a Festa de São Pedro ad Vincula, honrando as correntes que aprisionaram o Santo Apóstolo e o facto histórico da sua libertação do cárcere, por meio de um Anjo (Actos 12, 1-19). Esta festa foi retirada da liturgia, e do respectivo calendário, já pelos revolucionários litúrgicos nos anos anteriores ao Concílio Vaticano II.

A festa de São Pedro ad Vincula é celebrada no dia 1 de Agosto em referimento ao Titulus Apostolorum que comemorava esta data: as correntes de São Pedro e a sua milagrosa libertação ocorrida por meio de um anjo do Senhor. É uma festa romana. Está ligada à dedicação da igreja de San Pietro in Vincoli, na colina Oppio, em Roma; basílica que foi restaurada por Sixto III com patrocínio da família imperial.

No calendário litúrgico, as festas dedicadas à Cátedra de São Pedro são três: a de hoje, a de 18 de Janeiro (Cathedra Romana) e a de 22 de Fevereiro (Cathedra Antiochena) [1].

A festa do dia 22 de Fevereiro está relacionada ao Magistério de Pedro. Na Depositio martyrum (sec. IV), esta data é associada à comemoração do "Natale Petri de Cathedra" [2]

Notas

[1] Cf. A.P. FRUTAZ - E. JOSI, ad vocem Cattedra di S. Pietro, in Enciclopedia Cattolica, III, Roma, 1949, colI. 1172-1173
[2] Cf. P. DELEHA YE, Les origines du culte des martyrs, Bruxelles, 1933, p. 263-269.


blogger

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Dia de São Marcos, Apóstolo e Evangelista

São Marcos era filho de Maria de Jerusalém, em cuja casa São Pedro se refugiou depois de ser libertado do cárcere (cf. At 12, 12). Era primo de Barnabé. Acompanhou o São Paulo na sua primeira viagem a Roma (cf. Col 4, 10) e esteve próximo dele durante a sua prisão em Roma (Fm 24). 

Depois, tornou-se discípulo de São Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu (cf. 1 Pe 5, 13). O seu Evangelho é comumente reconhecido como o mais antigo, utilizado e completado por São Mateus e por São Lucas. Parece que também os grandes discursos da primeira parte do Atos dos Apóstolos são uma retomada e desenvolvimento do Evangelho de São Marcos, a partir de Mc 1, 15. É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria. 

São Marcos amava Nosso Senhor sem qualquer reserva; estava maduro para o Martírio. Os seus sucessos e os progressos da Fé exasperavam os pagãos, e em particular os sacerdotes de Serapis. Apoderaram-se dele durante a solenidade da Páscoa do ano 68. Fizeram-no sofrer durante dois dias um horrível suplício, arrastando-o com cordas por terrenos pedregosos dos subúrbios de Buroles; mas o amor é mais forte do que a morte, e o Santo bendizia a Nosso Senhor e dava-Lhe graças por ter sido julgado digno de sofrer por seu amor. 

Durante a noite que separou os dois dias de torturas, o Santo foi reconfortado por visitas celestes. Foi primeiro um Anjo, que lhe disse: "Marcos, servo de Deus e chefe dos ministros de Cristo, no Egipto, o vosso nome está escrito no livro da vida, e as Potências celestes virão em breve procurar-vos para vos conduzirem ao Céu". Depois, apareceu-lhe o próprio Nosso Senhor, como o tinha conhecido na Galileia: "A paz esteja convosco, Marcos Nosso evangelista", diz-lhe; depois desapareceu. Esta palavra de encorajamento bastava. São Marcos foi de novo arrastado e dilacerado pelas pedras, enquanto bendizia a Deus: "Meu Deus, nas vossas mãos entrego a minha alma". 

São Jerónimo in 'A vida de São Marcos Evangelista'


blogger

domingo, 6 de agosto de 2023

Transfiguração de Nosso Senhor

Hoje a Igreja comemora a Festa da Transfiguração de Nosso Senhor, que corresponde ao acontecimento descrito no Evangelho de São Lucas:

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém.

Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer.

Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

Comentário do Missa Quotidiano de D. Gaspar Lefebvre (1963):

Para fortalecer os seus Apóstolos na Fé, mostrou lhes Jesus, antes da Sua Paixão, os esplendores da Transfiguração. São Pedro, testemunha ocular, anima-nos a esperarmos o dia da transfiguração final. Os Cânticos põem diante de nós a imagem fulgurante do Cristo, e na Comunhão recebemos o penhor de nossa própria transfiguração. 

Também nos nossos altares vemos a sua glória, e, compreendendo o valor do Santo Sacrifício da Missa, podemos exclamar: Como são amáveis os vossos tabernáculos, Senhor!



blogger

sábado, 25 de março de 2023

In Annuntiatione Beate Mariæ Virgine

Hoje a Igreja comemora o dia da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Esse episódio marcante para toda a Humanidade é descrito numa das mais bonitas passagens da Sagrada Escritura:

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo

Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?»

O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus

Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

São Lucas 1, 26-38


blogger

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Recomendações da Sagrada Escritura sobre a amizade

Palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis.
Procura estar de bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil.
Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele muito depressa.
Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação.

Há amigo que se torna inimigo, que desvendará as tuas fraquezas, para tua vergonha.
Há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça;
na tua prosperidade mostra-se igual a ti, dirigindo-se com à vontade aos teus servos;
mas, se te colhe o infortúnio, volta-se contra ti, e oculta-se da tua presença.
Afasta-te daqueles que são teus inimigos, e está alerta com os teus amigos.

Um amigo fiel é uma poderosa protecção; quem o encontrou, descobriu um tesouro.
Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor.
Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor acharão tal amigo.
O que teme o Senhor terá também boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele.

in Livro de Eclesiástico 6,5-17


blogger

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Como ler a Bíblia: um plano em três etapas

Hoje é a festa de São Jerónimo, que uma vez disse: "A ignorância da Escritura é ignorância de Cristo."

Diz-se que se alguém quer encontrar um versículo da Bíblia deve perguntar a um protestante e não a um Católico. Os protestantes lêem a Bíblia. Os Católicos nem por isso. Mas porque é que os Católicos não lêem a Bíblia?

Eu acho que a resposta está no facto de que nós Católicos vamos à Missa. A Santa Missa tem sempre leituras da Bíblia. Se rezarem o Breviário, ou Liturgia das Horas, multiplicam isso por várias vezes.

O 'Zé Católico' diz a si mesmo, "Porque é que devo estudar a Bíblia? Eu vou à Missa. Oiço-a lá. Está feito!" Há algo de belo nisto. Para os Católicos, ler a Bíblia é algo litúrgico. Assim, a leitura da Bíblia mantém-se principalmente uma experiência comunitária. 

É bom ouvir as leituras da Bíblia na Santa Missa. No entanto, também precisamos de um encontro pessoal (e mesmo privado) com Deus nas páginas da Sagrada Escritura. Todos os Santos respiravam a Sagrada Escritura. A Escritura servia como a gramática das suas almas. Não conseguiam comunicar sem ela.

Aqui estão algumas necessidades espirituais que vocês têm todos os dias da vossa vida: 

Louvor – Dar voz à vossa alegria em Deus e na Sua providência para a vossa vida. A gratidão destrói o desencorajamento. 
Sabedoria – São precisos conselhos práticos para navegar pelas complexidades da vida. 
Desafio – Precisam de subir mais alto. Precisam de crescer na vossa fé. Precisam de se inspirar. Têm de ser Cristãos com intenção. 

Portanto, quando acordarem amanhã, façam o seguinte: 

1. Leiam um Salmo. Comecem com o Salmo 1. Façam dele o vosso hino de louvor para esse dia. 

2. Leiam pelo menos um Provérbio. Os provérbios são os pedaços de sabedoria do vosso dia. Há 31 capítulos. Por que não ler um capítulo todos os dias durante um mês. Out 1 é Provérbios 1. Outubro 31 é Provérbios 31. 

3. Leiam um capítulo de um dos Evangelhos. Este é o vosso desafio. O vosso Salvador desafia-vos nos quatro Evangelhos. Chama-vos a não serem apenas um Católico de nome, mas um discípulo. Não é possível ler seriamente os Evangelhos e continuar morno. Cristo fala de uma maneira que não pode ser ignorada. 

Fazer estas três leituras demora apenas 5 minutos. E vai mudar a vossa vida para melhor. Demora 21 dias a criar um hábito. Por isso dêem 21 dias às leituras e vejam lá se não vos apetece continuar. Ponham a Bíblia na vossa mesa de cabeceira e leiam-na de manhã. Se falharem recomecem.

Taylor Marshall


blogger

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Os Sete Sacramentos e a Confissão de Fé de Westminster

No Capítulo XXVII da Confissão de Fé de Westminster (calvinista), lemos o seguinte: 

IV. Há apenas dois sacramentos instituídos por Cristo nosso Senhor no Evangelho; que são, o Baptismo e a Ceia do Senhor: nenhum dos quais pode ser celebrado por qualquer pessoa, mas por um ministro da Palavra legitimamente ordenado. 

Esta afirmação contradiz a Fé Católica de duas formas: 

Primeiro, não há dois sacramentos "instituídos por Cristo" mas sete sacramentos e isto pode ser provado só pela Sagrada Escritura. 

Em segundo lugar, há uma tradição antiga de que o sacramento do Baptismo pode ser administrado por leigos (em caso de perigo de morte) e não somente por "um ministro da Palavra legitimamente ordenado." 

Vejamos o primeiro erro. Cristo instituiu dois ou sete sacramentos? É um facto óbvio que Cristo instituiu sete sacramentos na Nova Aliança. Isto tem sido confirmado uma e outra vez em Concílios, tanto no Oriente como no Ocidente. 

Tal como aprendemos da epístola de S. Paulo aos Hebreus, a Nova Aliança baseia-se no juramento de Deus. Em hebreu, jurar é, literalmente, "fazer-se em sete ou ligar-se a si mesmo por sete coisas." Vejam שָׁבַע no léxico hebreu para detalhes. Portanto, devemos esperar que a Nova e Eterna Aliança tenha sete partes e seja ractificada por sete indicadores da aliança: os sacramentos. 

É por isso que a Sagrada Escritura detalha a instituição de exactamente sete sacramentos:

1. Baptismo – Mt 28, 19

2. Confirmação – João 16, 7; João 7, 39; Lucas 3, 22; Actos 8, 14-17; Heb 6, 2

3. Eucaristia – Mt 26, 26-29; Jo 6

4. Penitência – João 20, 21-23

5. Extrema Unção – Mc 6, 13; Tiago 5, 14-15

6. Sagradas Ordens – Mt 26, 26-29, Actos 6, 3-6; 1Tim. 3, 1; 1Tim. 3, 8-9; 1Tim. 4, 14-16; 1Tim. 5, 17-19-22

7. Matrimónio – Jo 2; Mt 19, 10-11; Ef 5, 31-32 

Esta é a verdadeira fé dos Apóstolos, Padres e Doutores da Santa Igreja Católica. Mais, é evidente que são necessários mais de dois sacramentos. Se o baptismo nos lava dos nossos pecados, então como é que se absolvem os pecados pós-baptismais? Obviamente que isto requer o sacramento da Penitência (que, já agora, foi ensinado por Santo Agostinho). 

Mais ainda, se a salvação depende em perseverar na hora da morte (e não o "uma vez salvo, salvo para sempre" ou outra coisa parecida), então deve haver um sacramento apontado para essa última hora - a Extrema Unção. Mais ainda, se o matrimónio deve ser dirigido pela Igreja e não pelo estado (uma heresia terrível de Lutero que levou ao debate reconhecido pelo estado do "casamento gay"), então o matrimónio tem que ser um sacramento. E assim por diante. As afirmações protestantes de "dois sacramentos" falham biblicamente e na prática.

Em segundo lugar, será verdade que o baptismo só pode ser administrado por "um ministro da Palavra legitimamente ordenado", como diz a Confissão de Fé de Westminster? Não, a Igreja Católica sempre disse que o baptismo pode ser ministrado por qualquer pessoa.

O baptismo sacramental é o meio pelo qual Cristo regenera a alma, lava do pecado original e incorpora a pessoa no Seu Corpo místico. Confere infalivelmente a graça. Cristo disse que a não ser que uma pessoa seja baptizada, não pode entrar no reino dos Céus (cf. Jo 3, 3-5). E visto que Deus "quer que todos os homens se salvem" (1Timóteo 2, 4), dava jeito que este sacramento fosse administrado por qualquer pessoa e com um elemento que está disponível em todo o mundo - a água. Onde quer que haja humanos, há água. O desejo universal pela salvação da humanidade pode ser compreendido pela generosidade de Deus neste sentido.

Visto que o baptismo é necessário para a salvação, o Papa Gelásio I (Papa de 492 dC até 496) disse que os baptismos dos leigos e leigas eram válidos e aceites por Cristãos em todo o lado. A Sagrada Tradição até regista que o eunuco da Etiópia, baptizado por S. Filipe em Actos 8, trouxe o sacramento salvador do Baptismo para a Etiópia.

Concluindo, a teologia sacramental da Confissão de Fé de Westminster falha em apreciar aquilo que os Cristãos já acreditavam muito antes do século XVII - nomeadamente, que a economia sacramental de Cristo é mais generosa e completa do que os protestantes dizem e que o chamamento ao Baptismo é mais generoso e gracioso do que a Confissão de Fé de Westminster estipula.

Taylor Marshall



blogger