domingo, 31 de outubro de 2021

Halloween: exaltação do horror, do macabro e do demoníaco

Desde há algumas décadas que este mês de Outubro em que nos encontramos se tornou um tempo de frenética preparação da noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, que para muitos já não é mais a noite de Todos-os-Santos, mas tornou-se a noite de Halloween. 

Este acontecimento é hoje em dia uma moda, infelizmente comum na nossa cultura cristã, que serve sobretudo para a instrumentalização da internet, da imprensa escrita e de toda a comunicação social, que tende a divulgá-la. As vitrines das pastelarias, decoradas à moda do Halloween; o negócio dos brinquedos, as revistas para crianças, os sítios da internet chamam constantemente a atenção da sociedade para o Halloween; até as escolas são decoradas com fantasmas, cabeças de abóbora e máscaras monstruosas, que constituem uma real exaltação do macabro.

Tendo em vista essa noite, produzem-se fatos de bruxa, de fantasmas, de demónios, de vampiros, de lobisomens, de esqueletos, de monstros sanguinários e nessa noite organizam-se também manifestações deliberada e gravemente ofensivas em relação à nossa fé cristã, como por exemplo o que aconteceu numa grande discoteca de Roma em que na noite de Halloween se exibiu um fantoche que representava um sacerdote, enforcado pelos pés, com a cabeça para baixo.

O objectivo latente desta festa não é apenas comercial, mas é também e sobretudo o de induzir a opinião pública, em particular as crianças, os adolescentes e os jovens, a familiarizar-se com a mentalidade ocultista e da magia, estranha e hostil à cultura cristã (por vezes com a desculpa de aprofundar o conhecimento da cultura celta). E tudo isto enquanto assistimos à tentativa recorrente de eliminar os crucifixos dos locais públicos e, nas proximidades do Natal, também à proibição de montar o Presépio e de apresentar a mensagem espiritual do Natal nas escolas, nas mesmas escolas onde se promove a festa do Halloween, que é a exaltação da realidade espiritual maléfica, isto é de todas as formas que encarnam o mal, a morte, o medo, o macabro, o demoníaco.

Na noite de Halloween também se regista um aumento impressionante das práticas do ocultismo e de todos os rituais do satanismo, dado que aquela noite corresponde, segundo o calendário das bruxas, à vigília do Ano novo satânico, na qual o ritual de iniciação e consagração a Satanás ocorre em moldes perversos e desumanos.

Assim o Halloween, em vez de promover os valores, as atitudes e os comportamentos morais e espirituais que edificam a personalidade das crianças e dos jovens e consequentemente da sociedade de amanhã, propõe desvalores que não constroem mas destroem, que não elevam mas brutalizam o ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus e criado para O conhecer, amar e servir.

Por isso são bem-vindas na noite do 31 de Outubro para o 1º de Novembro, as vigílias de oração que acontecem em tantas igrejas, as celebrações da fé cristã com a presença de grupos, cantores ou compositores de musica cristã contemporânea, as procissões com as imagens dos Santos e também as representações teatrais das suas vidas, noites de saudável convívio para as crianças e palestras para as famílias, com jogos inspirados na boa tradição e com jantar para todos, que se vão difundindo um pouco por todo o lado, substituindo-se à aberrante exaltação e celebração do horror proposto pelo Halloween.

Traduzido e adaptado dum texto do Padre Francesco Bamonte, ICMS, exorcista da Diocese de Roma e Presidente da Associação Internacional de Exorcistas


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sábado, 30 de outubro de 2021

Halloween ou Dia de Todos os Santos?




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Bispo escreve poema sobre a Batina

Minha pobre batina, mal cerzida,
tu vales mais que todos os amores,
pois, negra embora, enches-me de flores 
e de esperanças imortais a vida.

Com seus sorrisos escarnecedores,
zomba o mundo de ti, de ti duvida,
porque não sabe a força que na lida,
tu me dás, do teu beijo aos resplendores.

Tu serenas do orgulho as brutas vagas,
e a mostrar-me do mundo a triste sina,
toda a volúpia das paixões apagas.

Oh! Como o bravo envolto na bandeira,
contigo hei de morrer, minha batina,
ó minha heróica e santa companheira!

D. Francisco de Aquino Corrêa, Arcebispo de Cuiabá


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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Praça e Basílica de São Pedro no Vaticano



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Sacerdote, quem és?

Sacerdote, tu não és tu porque és Deus. Tu não és para ti porque és servo e ministro de Cristo. Tu não és teu porque és para a Igreja.

Tu não és para ti porque és o mediador entre Deus e os homens. Tu não te bastas porque és pecador. Tu não és para ti mesmo porque não és nada.

Oh sacerdote! Quem és, então? Tudo e nada!

Tem cuidado contigo, para que não se diga de ti o que disseram de Cristo na Cruz: «salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo».

São Norberto


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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Fora da Igreja é possível tudo excepto a salvação

Fora da Igreja é possível tudo excepto a salvação. É possível ter honras, é possível ter Sacramentos, é possível cantar Alelulias, é possível responder Ámen, é possível possuir o Evangelho, é possível ter Fé no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é possível pregar; mas em nenhum lugar, senão na Igreja Católica, é possível encontrar a salvação. 

Santo Agostinho (referindo-se aos Donatistas) in 'Sermo ad Caesariensis Ecclesia plebem'


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Quem foram São Simão e São Judas Tadeu?

Simão, o Zelota

Simão, dito Simão, o Zelota, ou Simão, o Cananeu, natural da Galileia, foi um dos discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo que fazia parte do grupo dos doze Apóstolos, o mais desconhecido deles. É referido como "o Cananeu" no Livro de Mateus e como "o Zelote", no Livro de Lucas e em Atos dos Apóstolos.

A palavra grega Cananeu e a palavra Zelote, derivada do aramaico e significam a mesma coisa: "zeloso".   

Não se sabe ao certo qual teria sido o ministério de Simão posteriormente. Algumas tradições colocam-no como grande auxiliador no estabelecimento do Cristianismo no Egipto, juntamente com os Santos Marcos e Filipe; entretanto, pode ter evangelizado também pelo norte da África, pela Ásia menor e Espanha. Daí pode ter partido com São Judas Tadeu para a Mesopotâmia e Síria, onde se encontrou com outros Apóstolos que por ali evangelizavam. Em seguida, partira para a Pérsia. A sua pregação era bastante parecida com a dos outros quatro Apóstolos que foram para o Oriente, tida por alguns como ascética e judaica, tal como aquelas preservadas na Epístola de Judas.  

Os bizantinos identificam-no com Natanael, de Caná, e com o “mestre-sala” durante as bem conhecidas bodas, quando Jesus transformou a água em vinho. Simão é ainda identificado com o primo do Senhor, irmão de São Tiago Menor, ao qual sucedeu como bispo de Jerusalém, nos anos da destruição da Cidade Santa pelos romanos.  

Os arménios sustentam que ele difundiu o Evangelho na sua região, onde teria sofrido o martírio. Seja como for, o seu campo missionário é deduzido dos lendários Actos de Simão e Judas, segundo os quais os dois apóstolos percorreram juntos as 12 províncias do Império Persa.

Também no Ocidente os dois apóstolos aparecem sempre juntos. Em Veneza é dedicada a ambos a igreja de São Simão Pequeno 

Martírio

Segundo o cronista cristão Hegésipo, Simão encontrou o martírio nos tempos do imperador Trajano, quando contava com, aproximadamente, 120 anos de idade. As versões sobre a sua execução divergem: na cruz ou, segundo outras tradições menos seguras, pela fogueira, na Arménia. Mas a Tradição católica diz que Simão foi martirizado sendo cortado ao meio por um serrote.

Iconografia

O Apóstolo é representado tendo na sua mão direita o livro aberto, que simboliza a evangelização dinâmica. O livro aberto significa que a Palavra de Deus é sempre actual. Na mão esquerda o serrote, ferramenta utilizada para o seu martírio. Com os olhos fitos no livro, recorda o amor a Deus acima de todas as coisas.

São Judas Tadeu, o Apóstolo 

São Judas Tadeu era natural de Canaã da Galileia, Palestina. A sua família era constituída pelo Pai, Alfeu (ou Cléofas) e a Mãe, Maria Cléofas. Eram parentes de Jesus. O pai, Alfeu, era irmão de São José; a mãe, Maria Cléofas, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus. O irmão de Judas Tadeu, Tiago, chamado o Menor, também foi discípulo de Jesus.

A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas aponta uma questão importante: São Judas Tadeu foi escolhido por Jesus para Apóstolo (Mt 10, 4). É citado explicitamente nas Escrituras pelo evangelista João (Jo 14, 22). Na ceia, Judas Tadeu perguntou a Jesus: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" Jesus respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem a Sua palavra e permanecessem fiéis ao Seu amor. 

Após ter recebido o dom do Espírito Santo, São Judas Tadeu iniciou a sua pregação na Galileia. Passou para a Samaria e Iduméria e outras populações judaicas. Pelo ano 50, tomou parte no primeiro Concílio, o de Jerusalém. Em seguida, foi evangelizar a Mesopotâmia, Síria, Arménia e Pérsia. Neste país, recebeu a companhia de outro apóstolo, Simão. A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu impressionaram os pagãos que se convertiam. Isto provocou a inveja e fúria contra o Apóstolo, que foi trucidado, a golpes de cacetes, lanças e machados. Isso, pelo ano 70.  

São Judas Tadeu foi mártir, quer dizer: mostrou que a sua adesão a Jesus era tal, que testemunhou a Fé com a doação da própria vida.

A brevíssima Carta de São Judas, que está na Bíblia, é uma severa advertência contra os falsos mestres e um convite a manter a pureza da fé. Nos versículos 22-23 propõe pontos fundamentais de um programa de vida cristã: fé, oração, auxílio mútuo, confiança na misericórdia de Jesus Cristo.

A imagem de São Judas tem o livro, que é a Palavra que ele pregou, e a machadinha, com a qual foi morto. Os restos mortais, após terem sido guardados no Oriente Médio e na França, foram definitivamente transferidos para Roma, na Basílica de São Pedro.

in 'Pale Ideas'


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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

9 propósitos assumidos por D. Bosco antes da ordenação sacerdotal

Por vezes olhamos para as vidas dos grandes santos e pensamos como é possível que tenham sido assim tão santos. Aqui vemos o "segredo":

1. Nunca fazer passeios, a não ser por grave necessidade, visitas aos doentes etc.

2. Ocupar rigorosamente bem o tempo.

3. Sofrer, fazer humilhar-se em tudo e sempre, quando se trata de salvar as almas.

4. A caridade e a doçura de São Francisco de Sales me guiem em tudo.

5. Mostrar-me-ei sempre contente com o alimento que for servido, desde que não seja algo nocivo à saúde.

6. Beberei vinho com água, e somente como remédio; isto é, somente quando e quanto for exigido pela saúde.

7. O trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos da alma; por isso não darei ao corpo mais que cinco horas de sono a cada noite. Ao longo do dia, especialmente após o almoço, não farei nenhum repouso. Farei algumas excepções em caso de doença.

8. Todos os dias darei algum tempo à meditação e à leitura espiritual. No decorrer do dia, farei breve visita ou, pelo menos, uma oração ao Ssmo. Sacramento. Farei pelo menos um quarto de hora de preparação, e outro tanto de acção de graças na Santa Missa.

9. Jamais terei conversas com mulheres, fora do caso de ouvi-las em confissão ou de algum outro caso de necessidade espiritual.

Giovani Battista Lemoyne in 'Vida de São João Bosco' (Vol. I)


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Como São Francisco lidou com um pecado de Frei Leão

Tendo passado S. Francisco perto de uma festa/torneio promovida pelo Conde Orlando subiu ao muro que o separava dos rumores e entoou um cântico cujo conteúdo essencial rezava assim: A imensidade do Bem que me espera é tão superior, que todo o sofrimento é para mim redentor. O Conde alegrou-se com aquela simplicidade de ser e de cantar, e convidou-os para a sua mesa. 

A impressão causada pelo Santo e por sua conversação foi tanta que o aristocrata ofereceu-lhe como propriedade, o monte Alverne, para se poder retirar e recolher em suas orações e contemplações. Ora aí se escondia um grande malfeitor, a quem chamavam o Lobo por ser terrível nas suas rapinas e feroz nas suas crueldades. S. Francisco, com a sua reconhecidíssima paciência, grande mansidão e profunda humildade alcançou a conversão desta fera.
 
O extraordinário Níkos Kazantzákis, prémio Nobel da literatura, era um escritor admirável. Infelizmente só li três livros dele: Os irmãos inimigos, O Cristo recrucificado e a vida de S. Francisco de Assis. Não obstante as suas posições filosóficas, com as quais não concordo, era arguto e tinha intuições magníficas. Por exemplo, na sua biografia do Santo de Assis pega na narração do Irmão Lobo do Monte Alverne e cria uma história extraordinária, que eu ainda não encontrei nas Fontes Franciscanas, mas que, de qualquer modo, retrata, quanto a mim, na perfeição a mentalidade e o modo de ser de S. Francisco.
 
O Irmão Lobo, apesar de convertido, não tinha alcançado ainda o estado de perfeição. Daí que não só resolveu banquetear-se, numa quaresma, como seduziu, Frei Leão, Padre e confessor de S. Francisco. Toda a tentação foi desenvolvida com aparências de bem. Afinal todo o repasto magnífico com suas guloseimas eram um dom de Deus! Frei Leão, deixou-se seduzir e repastou-se gulosamente com o Irmão Lobo. No dia seguinte, caindo em si, e muito arrependido, vai “confessar” o seu pecado ao Diácono S. Francisco. 

O Santo deteve-se em silêncio, como que meditando em seu coração, até que retorquiu: Frei Leão o teu pecado é grave, como penitência eu farei um jejum rigoroso em tais e tais dias. Isto é, S. Francisco assumiu sobre si o pecado do outro unindo-se vicariamente a Jesus Cristo de modo a reparar a ofensa e a implorar o perdão. Disse a verdade, mas não condenou, não repreendeu, não acusou, pelo contrário ofereceu-se ao Crucificado para que participando nos Seus sofrimentos pudesse alcançar a Graça do arrependimento e da conversão dos que por fraqueza pecaram.
 
Um dos Santos franciscanos, muito desconhecido (mais um...), S. Francisco Solano, a certa altura da sua vida foi mandado exercer o cargo de Mestre de Noviços - (para quem não está por dentro desta deste jargão diga-se, com pouco rigor) diga-se, para nos entendermos, que o noviciado é a recruta dos frades. Ora, S. Francisco Solano acompanhou durante esses anos noviços, com muitos defeitos e não poucos pecados. Mas contrariamente a outros Mestres não se irritava, pelo menos exteriormente, não ralhava, não repreendia. 

Porém, às ocultas empenhava-se com grande sacrifício e generosidade em compensar ou reparar aquilo em que eles tinham falhado. Se faltavam à oração ou nela eram descuidados, se não faziam as penitências devidas nem os trabalhos próprios da sua educação tudo isso ele fazia pela calada oferecendo-se por eles. O resultado desta formação, considerada original ou mesmo singular, foi um fortalecimento e ainda um renascimento das vocações. Mais tarde foi mandado para as missões na América do Sul onde continuou o seu trabalho extraordinário. Agiu à maneira de S. Francisco, por isso não admira a fecundidade apostólica que obteve.
 
Poderemos nos dias de hoje conseguir, através deste método, os frutos apostólicos, que S. Francisco e muitos dos seus sucessores alcançaram? Eu creio que sim.

Padre Nuno Serras Pereira



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terça-feira, 26 de outubro de 2021

Pode um Papa ser deposto? Responde São Roberto Belarmino

Se o bem-aventurado Pedro viveu e morreu em Roma e se o Pontífice Romano o sucede na monarquia eclesiástica.

CAPÍTULO XXX

Resolve-se o último argumento e trata-se da questão: Se um papa herege pode ser deposto.

Décimo argumento. Em caso de heresia, o pontífice pode ser julgado e deposto pela Igreja, como é manifesto pela distinção 40 do cânon Si Papa. Portanto, o pontífice está sujeito ao julgamento humano, pelo menos em algum caso.

Respondo. Há cinco opiniões a este respeito. A primeira é a de Alberto Pighi, no livro 4, capítulo 8 Sobre a Hierarquia Eclesiástica, onde sustenta que o papa não pode ser herege. Portanto, não pode ser deposto em nenhum caso. Esta sentença é provável e pode ser facilmente defendida, como depois mostraremos oportunamente. Todavia, por não ser certa, e a opinião comum é contrária, será necessário examinar o que se deverá ser respondido caso um papa possa ser herege.

Há, portanto, uma segunda opinião, segundo a qual o papa, pelo próprio facto de ter incorrido em heresia, está fora da Igreja e deposto por Deus, pelo que pode ser julgado pela Igreja, isto é, ser declarado deposto por direito divino, e ser deposto de facto, caso ainda se recuse a ceder. Esta é a opinião de João de Torquemada, conforme consta no livro 4, parte 2, capítulo 20, mas para mim não está demonstrada. Pois a jurisdição do pontífice é dada por Deus, embora com o concurso da acção humana, como é evidente, porque é pelos homens que este homem, que antes não era papa, possui que começa a ser papa. Portanto, não é conferido por Deus senão através do homem. Ora, o herege oculto não pode ser julgado pelo homem, nem ele mesmo quererá abandonar espontaneamente este poder. Ademais, o fundamento desta opinião é que os hereges ocultos estão fora da Igreja, o que mostramos amplamente ser falso no livro 1 Sobre a Igreja.

A terceira opinião situa-se no outro extremo, a saber, que não é deposto, ou pode ser deposto, nem por heresia oculta, nem manifesta. Esta é mencionada e refutada por Torquemada no lugar citado e, sem dúvida, é opinião muito improvável. Em primeiro lugar, porque o papa herege pode ser julgado, como se encontra expressamente no canon Si Papa, distinção 40, e em Inocêncio, no Sermão 2 sobre a Consagração do Pontífice. E, o que é ainda mais, nas atas 7 do Sínodo VIII, onde se leem as atas do concílio romano sob Adriano, encontramos que o papa Honório, acusado de heresia, foi anatematizado pelo direito, de onde que se depreende que somente por esta causa é lícito que os menores julguem os maiores. Deve-se notar que, ainda que seja provável que Honório não tivesse sido herege, e que o papa Adriano II, iludido pelos exemplares corrompidos do VI Sínodo, tivesse julgado falsamente que Honório tivesse sido herege, todavia não podemos negar que Adriano, com o concílio romano e, mais ainda, todo o VIII Sínodo Geral entendeu que em causa de heresia o romano pontífice romano pode ser julgado. Acrescente-se que a condição da Igreja seria miserabilíssima se fosse obrigada a reconhecer como pastor ao lobo que age manifestamente.

A quarta opinião é a de Caetano, no Tratado sobre a Autoridade do Papa e do Concílio, capítulos 20 e 21, onde ensina que o papa manifestamente herege não é deposto pelo próprio facto, mas pode e deve ser deposto pela Igreja. Esta sentença, em meu julgamento, não pode ser defendida. Porque, em primeiro lugar, prova-se, pela autoridade e pela razão, que o herege manifesto é deposto pelo próprio facto. A autoridade é de São Paulo, que ordena, na Epístola a Tito, capítulo 3, que o herege, depois de duas correções, isto é, depois que se mostre manifestamente pertinaz, seja evitado, o que se entende antes de qualquer excomunhão e sentença judicial. No mesmo lugar escreve Jerónimo que outros pecadores são excluídos da Igreja pela sentença de excomunhão, mas que os hereges se afastam e se separam por si mesmos do corpo de Cristo, e um papa, que permanece papa, não pode ser evitado. Como evitaremos a nossa cabeça? Como nos afastaremos de um membro a nós unido?

Porém a razão mais certa é a seguinte. Um não-cristão não pode de modo algum ser papa, como declara Caetano no capítulo 26 do mesmo livro, e a razão é porque não pode ser cabeça quem não é membro; e não é membro da Igreja quem não é cristão. Mas o herege manifesto não é cristão, como abertamente ensina Cipriano, no livro 4, Epístola 2; Atanásio, no Sermão 2 contra os Arianos; Agostinho, no Livro sobre a Graça de Cristo, capítulo 20; Jerónimo, no Contra Lúcifer, e outros. Portanto, o herege manifesto não pode ser papa.

Responde Caetano, na Apologia ao tratado mencionado, capítulo 25, e no mesmo Tratado, capítulo 22, que o herege não é cristão de modo simples, mas sob um certo aspecto. Pois duas coisas fazem o cristão, a saber, a fé e o caráter, e o herege, perdendo a fé, ainda estaria unido à Igreja de algum modo, sendo assim capaz de jurisdição. Portanto, ainda seria papa, mas deveria ser deposto, pois pela heresia está disposto, por disposição última, a não ser papa, tal como um homem não verdadeiramente morto, mas em situação extrema.

Mas, em contrário, primeiramente, se o herege, em razão do caráter, permanecesse unido em acto com a Igreja, nunca poderia ser cortado e ser dela separado em acto, porque o caráter é indelével. Todos, porém, sustentam que alguns podem ser excluídos de facto da Igreja. O caráter, portanto, não faz o herege estar em acto na Igreja, mas é somente sinal de que estava na Igreja e que deveria estar na Igreja, como a marca impressa na ovelha, quando erra pelos montes, não a faz estar no redil, mas indica de qual redil fugiu e para onde poderá ser reconduzida. Santo Tomás confirma o mesmo quando diz, na IIIª parte, questão 8, artigo 3, que aqueles que carecem de fé não estão unidos a Cristo em acto, mas somente em potência, onde fala da união interna, não da externa, a qual é pela confissão da fé e pelos sacramentos visíveis. Segundo São Tomás, portanto, como o caráter pertence às coisas internas e não às externas, o homem não se une a Cristo somente pelo caráter.

Por conseguinte, ou a fé é uma disposição necessária de modo simples para que alguém seja papa, ou somente para que o seja convenientemente. No primeiro caso, portanto, afastada essa disposição pela contrária que é a heresia, imediatamente deixará de ser papa, pois a forma não pode conservar-se sem as disposições necessárias. No segundo caso, o papa não poderia ser deposto por causa da heresia; deveria então ser deposto por ignorância, improbidade ou outras coisas semelhantes, as quais excluem a ciência, a probidade e outras disposições necessárias para ser bom papa. Ademais, no capítulo 26 do mencionado tratado, Caetano sustenta que o papa não pode ser deposto pela ausência de disposições não necessárias de modo simples, que somente o fariam ser bom papa.

Responde Caetano que a fé é uma disposição necessária de modo simples, mas parcial, não total; e, por conseguinte, removida a fé, o papa ainda permanece papa por causa da outra parte da disposição, chamada caráter, e que ainda permanece.

Mas, em contrário, ou a disposição total, que é o caráter e também a fé, é necessária de modo simples, ou não é, sendo suficiente a parcial. No primeiro caso, removida a fé, não mais permanece a disposição necessária de modo simples, porque a total era necessária de modo simples, e já ao está mais presente a total. No segundo caso a fé não é mais requerida senão por maior conveniência e, por consequência, o papa não pode ser deposto devido à sua ausência. De facto, aqueles que têm a última disposição para a morte, pouco depois deixam de existir sem outra força externa, como é evidente; portanto, também o papa herege deixa de ser papa por si, sem necessidade de deposição.

Por fim, os santos Padres ensinam unanimemente que não só os hereges estão fora da Igreja, mas também carecem pelo próprio facto de toda jurisdição e dignidade eclesiástica. Cipriano, no livro 2, Epístola 6, afirma que todos os hereges e cismáticos absolutamente nada têm de poder e direito. E no livro 2, Epístola 1, ensina que os hereges que retornam para a Igreja devem ser aceitos como leigos, mesmo os que anteriormente hajam sido, na Igreja, presbíteros ou bispos. Optato, no livro 1 Contra Parmênides ensina que os hereges e os cismáticos não podem ter as chaves do reino dos céus, nem desligar ou ligar. Também Ambrósio, no livro 1, capítulo 2 Sobre a Penitência, e Agostinho, no Enchiridion, capítulo 65. Jerònimo, no livro Contra Lúcifer, ensina o mesmo, dizendo não que possa haver bispos que tenham sido hereges, mas ser coisa sabida que os que foram recebidos não foram hereges.

O Papa Celestino I, na Epístola a João de Antioquia, que pode ser encontrada no Concílio de Éfeso, tomo 1, capítulo 19, afirma que se alguém foi excomungado ou despojado da dignidade clerical ou da prelazia pelo bispo Nestório, ou por outros que o seguiram, a partir do qual tais coisas começaram a ser pregadas, é manifesto que este tenha permanecido e permaneça em nossa comunidade, e não o julgamos removido, porque a sentença de quem já se havia mostrado que deveria ter sido removido não poderia remover ninguém. E na Epístola ao Clero de Constantinopla, diz que a autoridade de nossa Sede não proibiu nenhum bispo, clérigo ou cristão por alguma profissão, que tivesse sido expulso ou excomungado por Nestório ou por seus semelhantes, que a partir dele começaram a pregar tais coisas, porque quem prevaricou pregando tais coisas não poderia afastar ou remover ninguém. O mesmo repete e confirma Nicolau I na Epístola a Miguel. Por fim, também S. Tomás, na Secunda Secundae, questão 39, artigo 3, ensina que os cismáticos perdem de imediato toda a jurisdição e que será inválido o que tentarem fazer por jurisdição.

Nem prevalece que alguns respondam que estes Padres se expressam segundo o direito antigo; hoje, porém, depois do decreto do Concílio de Constantinopla, somente perdem a jurisdição os nominalmente excomungados e os que agridem o clero. Digo que isto nada vale, pois aqueles Padres, ao dizerem que os hereges perdem a jurisdição, não mencionam nenhum direito humano, que talvez na época não existisse, mas argumentam a partir da natureza da heresia. Ora, o Concílio de Constantinopla não fala senão dos excomungados, isto é, daqueles que por sentença da Igreja perderam a jurisdição. Os hereges, porém, mesmo antes da excomunhão estão fora da Igreja e, privados de toda jurisdição, são de facto condenados pelo próprio juízo, como ensina o apóstolo no terceiro capítulo da Epístola a Tito, isto é, que estão cortados do corpo da Igreja sem excomunhão, como expõe Jerónimo.

De onde que, segundo afirma Caetano, que o papa herege possa ser verdadeiramente deposto pela Igreja e por autoridade não parece ser menos falso que o anteriormente dito. Pois se a Igreja depõe o papa contra a sua vontade, ela certamente está acima do Papa, embora Caetano defenda o contrário naquele tratado. Mas ele responde que a Igreja, ao depor o papa, não possui autoridade sobre o papa, mas somente sobre a união da pessoa com o pontificado, assim como a Igreja pode unir o pontificado com tal pessoa, sem que se possa dizer que por causa disto esteja acima do pontífice. Assim também pode separar o pontificado de tal pessoa em caso de heresia e, todavia, não se é dita estar acima do pontífice.
Mas, ao contrário, em primeiro, pelo facto de depor bispos, conclui-se que o papa está acima de todos os bispos e, no entanto, o papa, ao depor um bispo não destrói o episcopado, mas apenas o separa daquela pessoa. Em segundo, não há dúvida de que ser deposto do pontificado contra a vontade é punição. A Igreja, portanto, ao depor o papa contra a vontade, sem dúvida o pune, e punir pertence ao superior e ao juiz. Em terceiro, segundo Caetano e os demais tomistas, o todo e as partes, estas últimas simultaneamente tomadas, são o mesmo segundo a coisa; portanto, quem tem autoridade sobre as partes simultaneamente tomadas, de tal modo que possa separá-las, tem também autoridade sobre o próprio todo que é constituído por estas partes.

Tampouco vale o exemplo de Caetano dos eleitores que têm o poder de atribuir o pontificado a uma determinada pessoa e, todavia, não têm poder sobre o papa. Pois enquanto a coisa é feita, a ação é exercida sobre a matéria da coisa futura, e não sobre o composto que ainda não existe. Mas quando a coisa é destruída, a ação é exercida sobre o composto, como é manifesto nas coisas naturais. Assim, quando os cardeais criam o pontífice, exercem sua autoridade não acima do pontífice, porque este ainda não existe, mas sobre a matéria, isto é, sobre a pessoa que, pela eleição, de algum modo dispõem para que receba de Deus a forma do pontificado. Mas se depusessem o pontífice, necessariamente exerceriam autoridade sobre o composto, isto é, sobre a pessoa revestida pela dignidade pontifícia, isto é, acima do pontífice.

Portanto, a quinta opinião é a verdadeira. É manifesto que o papa herege cessa por si de ser papa e cabeça, assim como por si cessa de ser cristão e membro do corpo da Igreja, razão pela qual a Igreja pode julgá-lo e puní-lo. Esta é a sentença de todos os antigos Padres, que ensinam que os hereges manifestos perdem imediatamente toda jurisdição, e nomeadamente Cipriano na no livro 4, Epístola 2, onde assim fala sobre Novaciano, que foi papa no cisma com Cornélio: Não pode possuir o episcopado, diz, e se já era bispo, foi removido do corpo dos outros bispos e da unidade da Igreja. Ele afirma que Novaciano, ainda que tivesse sido papa verdadeiro e legítimo, se todavia se tivesse separado da Igreja, teria por isto mesmo caído do pontificado.

A mesma é a sentença dos mais doutos e recentes, como João Driedon, que ensina, no livro 4, capítulo 2, parte 2, sentença 2 Sobre as Escrituras e os Dogmas da Igreja, que somente estão separados da Igreja os que são expulsos, como os excomungados, ou se afastam e se opõem à Igreja por si mesmos, como os hereges e os cismáticos. E a sétima sentença diz que naqueles que se afastaram da Igreja já não permanece nenhum poder espiritual sobre aqueles que são da Igreja. O mesmo ensina Melchior Cano, no livro 4, capítulo 2 Sobre os Lugares, que os heréticos não são parte da Igreja, nem membros. E no último capítulo para o argumento 12 diz que não pode sequer ser pensado que alguém seja cabeça e papa, se nem é membro nem parte. E no mesmo lugar ensina com palavras eloquentes que os heréticos ocultos ainda são da Igreja, como partes e membros, e por isso o papa herege oculto ainda é papa. O mesmo deve ser dito dos outros que mencionamos livro 1 Sobre a Igreja.

O fundamento desta sentença é que o herege manifesto de nenhum modo é membro da Igreja, isto é, nem pela alma nem pelo corpo, ou nem pela união interna, nem pela externa. Pois mesmo os maus católicos estão unidos e são membros, na alma pela fé, no corpo pela confissão da fé e pela participação dos sacramentos visíveis; os hereges ocultos estão unidos e são membros somente pela união externa, assim como, pelo contrário, os bons catecúmenos são da Igreja somente pela união interna, mas não pela externa; e os hereges manifestos de nenhum modo, como já se provou.

São Roberto Bellarmino, Doutor da Igreja in 'Sobre as Controvérsias da Fé Cristã'


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Lutero foi um defensor da Bíblia?




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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Tonsuras e Tomadas de Batina no Seminário de Wigratzbad












Mons. Wolfgang Haas, arcebispo de Vaduz, procedeu às tonsuras e tomadas de batina de 16 seminaristas do Seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, na Baviera. Entre eles está um português, o André. Rezemos por eles.

Fotografias: fsspwigratzbad.blogspot.com


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Diocese dos Açores lamenta a "linguagem inadequada" em exame de consciência

O Pe. Francisco Dâmaso Zanon, pároco de Rabo de Peixe, distribuiu um exame de consciência aos jovens que estão a fazer a preparação para receberem o sacramento do Crisma. Os jornalistas, que não fazem ideia do que é um exame de consciência, entraram em alvoroço e logo acusaram o sacerdote de distribuir um "questionário" com perguntas de cariz sexual. Obviamente, em causa estavam os sexto e nono mandamentos, que têm como objecto manter a castidade nos actos e pensamentos.

Mais grave ainda, a Diocese de Angra do Heroísmo emitiu um comunicado no qual “lamenta a linguagem inadequada utilizada, na qual não se revê e que não corresponde nem ao pensamento nem à forma como decorre a vivência pastoral da Igreja”. Diz ainda o comunicado que o sacerdote “já reconheceu diante da autoridade eclesiástica o seu erro, anunciando que irá alterar a sua forma de atuar em situações futuras diante da comunidade de Rabo de Peixe, a quem prometeu um esclarecimento ".

Uma hierarquia eclesiástica que não se revê num exame de consciência da moral católica. Talvez preferisse perguntas sobre o uso da focinheira sanitária, sobre a reciclagem ou qual a quantidade de carbono que cada pessoa emitiu desde a última confissão.

Para que não restem dúvidas de que estes pontos são de matéria grave e exigem confissão, sob pena de se estar em pecado mortal, aqui os deixamos:

SEXTO E NONO MANDAMENTOS:

Não cometerás adultério.
Não cobiçarás a mulher (o homem) do (da) próximo(a).

( ) Pratiquei o controle de natalidade (com pílulas, dispositivos, interrupção)?
( ) Abusei dos meus direitos matrimoniais de algum outro modo?
( ) Cometi adultério ou fornicação (sexo antes do casamento)?
( ) Toquei ou abracei outra pessoa de forma impura?
( ) Troquei beijos prolongados ou apaixonados?
( ) Pratiquei a troca prolongada de carícias?
( ) Pequei impuramente contra mim próprio (masturbação)?
( ) Consenti em pensamentos impuros, ou tive prazer neles?
( ) Entreguei-me conscientemente a prazeres sexuais, completos ou incompletos?
( ) Fui ocasião de pecado para os outros, por usar roupa justa, transparente, curta ou de algum modo imodesta?
( ) Fiz alguma coisa, deliberadamente ou por descuido, que pudesse provocar pensamentos ou desejos impuros noutra pessoa?
( ) Gabei-me dos meus pecados, ou deleitei-me em recordar pecados antigos?
( ) Estive com companhias indecentes?
( ) Alimentei a preguiça, a gula, a ociosidade e as ocasiões de impureza?
( ) Fui a bailes imodestos ou peças de teatro indecentes?
( ) Despi-me com malícia diante dos outros?
( ) Pratiquei relação sexual com animais?
( ) Pequei contra a castidade com pensamentos e olhares maliciosos, desejos, cobiça, cinemas, internet, revistas e filmes pornográficos, tajes, bailes, piadas imorais?
( ) Pratiquei estupro?
( ) Procurei ocasiões de pecado?
( ) Incentivei a pornografia?
( ) Pratiquei a pedofilia (relação sexual com crianças)?
( ) Tive relações sexuais fora do casamento?
( ) Cometi adultério?
( ) Realizei namoro avançado (com fornicação)?
( ) Desejei a mulher (o homem) do(a) próximo(a)?
( ) Tenho relações sexuais com minha esposa ou esposo de maneira animalesca (anal, oral, com filmes pornográficos)?
( ) Pratiquei o incesto?
( ) Busquei métodos não naturais e ilegais para gerar filhos?


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domingo, 24 de outubro de 2021

Quem é o Arcanjo São Rafael?

Hoje é dia de São Rafael, um dos sete espíritos que estão sempre de pé na presença de Deus e que oferecem o incenso da adoração deles e a dos homens. Conhecemo-lo pelo livro de Tobias:

"Quando oravas com lágrimas e sepultava os mortos eu apresentava ao Senhor as tuas orações." 

Como o anjo que vinha agitar as águas da piscina Probática, veio Rafael curar a cegueira de Tobias. O seu título de médico admirável e de companheiro de viagem do jovem Tobias deu-lhes jus a ser invocado pelos viajantes e nos perigos mais difíceis da vida. 

Louvamos, com sentimentos de veneração, todos os Príncipes da Corte Celeste, mas particularmente São Rafael, médico e companheiro fiel, que sujeitou o demónio ao seu império. 

Ó Cristo, rei de bondade, Vós que nos concedestes tão grande protector, não deixeis que o inimigo nos faça mal. (Hino de Vésperas)

Bento XV estendeu a festa de São Rafael a toda a Igreja.

Dom Gaspar Lefebvre in 'Missal Quotidiano e Vesperal'. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960


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Santa Missa: o Céu na Terra




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sábado, 23 de outubro de 2021

A luta da Igreja contra a heresia para conservar a santa doutrina

A Igreja, fundada nos seus princípios e com consciência do seu dever, em nada tem tido maior zelo e procurado com maior esforço do que conservar de maneira mais perfeita a integridade da Fé. Foi por isso que sempre considerou como rebeldes declarados, e tem expulso para longe de si, todos aqueles que não pensavam como ela, fosse sobre que ponto fosse da sua doutrina. 

Os Arianos, os Montanistas, os Novacianos, os Quartodecimanos, os Eutiquianos não tinham abandonado toda a doutrina católica, mas apenas esta ou aquela parte: e no entanto quem é que não sabe que eles foram declarados hereges e rejeitados do seio da Igreja? E julgamento semelhante tem condenado todos os fautores de doutrinas erróneas que têm aparecido depois, nas diferentes épocas da História. 

'Nada poderia ser mais perigoso do que esses hereges que, conservando em tudo o mais a integridade da doutrina, por uma só palavra, como que por uma gota de veneno, corrompem a pureza e a simplicidade da fé que recebemos da tradição dominical, e depois apostólica' (Auctor Tractatus de Fide Orthodoxa contra Arianos). 

Tal foi sempre o costume da Igreja, apoiada pelo juízo unânime dos santos Padres, os quais sempre consideraram como excluído da comunhão católica e fora da Igreja quem quer que se separe o menos possível da doutrina ensinada pelo magistério autêntico. 

Epifânio, Agostinho, Teodoreto mencionaram um grande número de heresias do seu tempo. Santo Agostinho observa que outras espécies de heresias poderiam desenvolver-se, e que se alguém aderisse a uma só delas, separar-se-ia, por esse motivo, da unidade católica. 

Papa Leão XIII in Encíclica 'Satis Cognitum' (29.VI. 1896)


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Os deveres dos pais e dos filhos segundo Santo António Maria Claret

Obrigações dos chefes de família

1- Sustentar a família conforme o próprio estado.
2- Não dissipar os bens da família em jogos nem em vaidades.
3- Pagar pontualmente o ordenado aos criados, jornaleiros.
4- Vigiar sobre os costumes de seus filhos e dependentes.
5- Procurar que frequentem a palavra de Deus e os santos Sacramentos.
6- Corrigi-los com prudência.
7- Castigá-los sem paixão de ira etc.
8- Tratá-los com benevolência.
9- Tê-los ocupados.
10- Assisti-los nas suas doenças.
11- Edificá-los com o bom exemplo.
12- Encomendá-los a Deus, e proporcionar-lhes bons mestres, patrões etc.
13- Procurar a devida separação entre filhos e filhas, e pessoas de diferente sexo.
14- Não admitir pessoa alguma que possa, com as suas conversações, ou de qualquer outra maneira, ser motivo de escândalo à família.

Obrigações dos filhos e dependentes

1- Olhar e considerar os pais e patrões como representantes de Deus.
2- Amá-los de coração.
3- Respeitá-los devidamente e falar bem deles, tanto na sua presença como na sua ausência.
4- Obedecer-lhes com prontidão.
5- Servi-los com fidelidade.
6- Socorrê-los nas suas necessidades.
7- Sofrer os seus defeitos, calando sempre.
8- Rogar a Deus por eles.
9- Ter cuidado das coisas de casa.

Santo António Maria Claret in 'Caminho Recto e Seguro para Chegar ao Céu'


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Quando o Cardeal Wojtyla "desobedeceu" ao Papa Paulo VI

Após o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI iniciou uma nova política da Santa Sé em relação aos países atrás da Cortina de Ferro. A esse reatar de relações com os países dominados pela União Soviética denominou-se Ostpolitik.

A Ostpolitik tinha como objectivo aliviar as perseguições feitas aos católicos em países como a Hungria, Polónia, Roménia, etc. O contra-ponto era que a Igreja iria demitir-se de fazer críticas públicas a esses regimes e moderar a sua actividade nos mesmos, especialmente no que acontecia na Igreja escondida, na Igreja clandestina.

Um dos países em que a situação estava bastante complicada era a Checoslováquia, onde o Papa tinha proibido as ordenações sacerdotais por parte de Bispos que estivessem na clandestinidade.

O Cardeal Karol Wojtyla - futuro Papa João Paulo II e à época Arcebispo de Cracóvia - decidiu ordenar os seminaristas checoslovacos juntamente com um dos seus bispos auxiliares, Juliusz Groblicki. Esses homens foram ordenados sacerdotes clandestinamente e contra as ordens do Papa Paulo VI.

De facto, o Cardeal Wojtyla nunca informou a Santa Sé destas ordenações. Segundo George Weigel, seu biógrafo, o futuro Papa João Paulo II estava convencido que agindo deste modo não estaria a desafiar a política da Santa Sé mas apenas a cumprir o seu dever de ajudar os fiéis perseguidos. E fez muito bem! A obediência na Igreja nunca foi uma obediência cega, que abdica do uso da razão.

Este episódio é contado por Weigel texto que escreveu sobre o Cardeal Casaroli e comentado de forma brilhante por Peter Kwasniewski no One Peter 5.


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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Peregrinação Summorum Pontificum 2021

Peregrinação internacional a Roma com Missa Tradicional na Basílica de São Pedro (Altar da Cátedra)


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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

110 anos do Casamento entre Carlos de Áustria e Zita de Bourbon-Parma

O Arquiduque Carlos de Áustria casou com a Princesa Zita de Bourbon-Parma no dia 21 de Outubro de 1911, há 110 anos. A cerimónia teve lugar no Palácio Schwarzau em Schwarzau am Steinfeld, Áustria.

Como se pode ver nas imagens, esteve presente o Imperador do Império Austro-Húngaro, Francisco José. Depois da sua morte, em 1916, Carlos (seu sobrinho) sobe ao trono, tornando-se no último Imperador Austro-Húngaro.


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Dia do Beato Carlos de Áustria, o Imperador Católico que morreu na Madeira

Carlos Francisco José de Habsburgo, Arquiduque e Príncipe Imperial da Áustria, Príncipe Real da Hungria e da Boémia, Príncipe Ducal de Lorena e de Bar, Príncipe de Habsburgo-Lorena, nasceu no pequeno Castelo de Persenberg. Era o filho mais velho do Arquiduque Otão (*1865 †1906) e da Arquiduquesa Maria Josefa (*1867 †1944), nascida Princesa Real de Saxe. 

Desde muito jovem foi evidente a sua propensão para as coisas de Deus, faceta que se perpetuou ao longo de toda a vida, quer durante os anos da sua carreira militar quer posteriormente já como Imperador da Áustria e Rei da Hungria e como pai e chefe de família. Carlos de Habsburgo praticou exemplarmente os seus deveres de cristão, tanto em público como na esfera privada, procurando sempre o bem do próximo e fazendo tudo para aliviar o sofrimento dos mais necessitados. 

Era frequente encontrá-lo a rezar recolhido no seu gabinete de trabalho e também na frente de batalha. Encorajava os seus soldados a rezar e, antes de dar início a uma reunião ou a qualquer outro acto formal ou informal era frequente pedir a quem estivesse consigo que o acompanhasse numa breve oração.

A 21 de Outubro de 1911, casou com a sua prima a Arquiduquesa Zita de Bourbon (*1892 †1989), Princesa de Parma, Princesa de Bourbon-Anjou, quarta filha do Duque de Parma, D. Roberto I (*1848 †1907) e da sua segunda mulher, a Infanta D. Maria Antónia de Bragança (*1862 †1959) -- esta última, filha do Rei D. Miguel de Portugal. A união conjugal de Carlos de Habsburgo com Zita de Bourbon foi abençoada pelo Papa São Pio X que "em audiência privada a Zita preconizou o futuro do seu consorte como imperador e revelou-lhe que as virtudes cristãs de Carlos seriam um exemplo para todos os povos".

Em 1903 o Arquiduque Carlos iniciava a sua carreira militar a qual iria terminar em 1916 já em plena I Guerra Mundial, ano em que subiu ao trono da Áustria com o nome de Carlos I, após a morte do seu tio-avô o Imperador Francisco José. Tornou-se príncipe herdeiro em consequência do assassinato do seu tio e herdeiro do trono, o Arquiduque Francisco Ferdinando, às mãos de nacionalistas sérvios, em Sarajevo, na capital da província da Bósnia-Herzegovina, facto que iria despoletar a Primeira Grande Guerra.

No seu curto reinado, como Imperador da Áustria e Rei da Hungria, Carlos de Habsburgo procurou incessantemente uma solução para a paz entre todos os beligerantes e mostrou uma preocupação contínua pelo bem-estar espiritual e material dos seus povos, revelando, neste aspecto particular, estar bem à frente dos Chefes de Estado seus contemporâneos. 

Durante largos períodos, no decorrer da Primeira Grande Guerra, Carlos de Habsburgo ordenou o racionamento de víveres no palácio Real, à semelhança do que acontecia em toda a cidade de Viena. Ordenou também que se utilizassem os cavalos do palácio para a distribuição de carvão por toda a capital do Império, tendo igualmente lutado contra a usura e a corrupção que grassavam naquela época. 

Todas as suas decisões, como monarca, eram tomadas, invariavelmente, em função de valores éticos e morais, pondo sempre em primeiro lugar o princípio cristão do bem do próximo por amor a Deus

Essa sua forma de sentir e de agir levou-o a proibir bombardeamentos estratégicos de populações e de edifícios civis e a restringir a utilização do gás mostarda. Também fez aprovar leis que impediam a leitura de publicações obscenas nas fileiras do exército e deu início a um movimento destinado a distribuir aos militares que se encontravam na frente de batalha publicações com conteúdos edificantes, tendo estimulado e implementado a formação de uma imprensa de orientação católica. 

Essa sua conduta exemplar tornou-se bem patente também nos momentos mais difíceis da sua vida. Com efeito, após ter sido obrigado a renunciar ao trono imperial e durante a sua reclusão em Eckartsau, foi contactado várias vezes por pessoas e grupos sem escrúpulos que lhe sugeriam que voltasse a ocupar o trono perdido, havendo nas propostas desses grupos motivações e interesses em nada coincidentes com a forma de sentir e de agir de Carlos de Habsburgo. Perante o conteúdo de de tais propostas recusou-as afirmando: "Como monarca católico, nunca farei um acordo com o mal, mesmo para recuperar o meu trono."

Por ocasião da última tentativa de restauração do trono imperial, com o apoio do governo Francês e do Vaticano, o Imperador-Rei foi feito prisioneiro e enviado para o exílio na Ilha da Madeira, onde acabaria por morrer pouco tempo depois vítima de doença súbita. Ao aperceber-se que o seu estado de saúde se ia agravando e que já estava próximo o fim da sua existência terrena, e muito brevemente estaria na presença de Deus, Carlos de Habsburgo mandou chamar o seu filho mais velho, o Príncipe Otão, para que se aproximasse do seu leito de morte. Com essa atitude queria Carlos de Habsburgo que o seu filho testemunhasse a fé com que ele se aproximava da morte, tendo afirmado: "Quero que ele veja como morre um Católico e um Imperador."

Coerência e integridade, palavras que caracterizam de modo perfeito a maneira de pensar, de sentir e de agir do Imperador Carlos de Habsburgo, traços marcantes da sua personalidade como Monarca, como Chefe de Família e como católico. Coerência e integridade do Monarca Carlos de Habsburgo perante os ensinamentos da Igreja Católica, aspectos que estiveram sempre presentes nas suas decisões políticas e nas leis que promulgou e que reflectem realidades diametralmente opostas à atitude tão em voga nos nossos dias, em que muitos políticos e governantes para manterem o seu prestígio pessoal e os seus cargos votam, se necessário, contra os ensinamentos da Igreja e contra a sua própria consciência. 

Coerência e integridade, palavras que, infelizmente, vão fazendo cada vez menos sentido em largos sectores das sociedades ocidentais, onde os princípios morais e éticos são paulatina e quase que imperceptivelmente relegados para segundo plano e substituídos por um espírito de tolerância relativista, em larga medida sustentado pelos grandes média, frequentemente alinhados com sectores ideológicos que pretendem fomentar uma revolução nas mentalidades e nas formas de agir e de sentir dos povos da Europa Cristã, visando em última análise a transformação gradual e radical dos seus hábitos mentais, dos seus costumes e tradições e a cedência a novas formas de pensar, de sentir e de agir em tudo contrárias aos ensinamentos da Igreja e às de uma autêntica Civilização Cristã.

José Sepúlveda da Fonseca


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