terça-feira, 30 de março de 2021

segunda-feira, 29 de março de 2021

Cardeal Sarah pede ao Papa Francisco para alterar a proibição das Missas privadas em São Pedro

«Por todas as razões aqui expostas e por outras, juntamente com um número ilimitado de baptizados (muitos dos quais não querem ou não podem exprimir o seu pensamento), peço humildemente ao Santo Padre que ordene a retirada das recentes normas emanadas do Secretariado de Estado, que carecem de justiça e de amor, não correspondem à verdade nem à lei, e não facilitam, antes põem em perigo o decoro da celebração, a devota participação na Missa e a liberdade dos Filhos de Deus.”

Com essas palavras, o Cardeal Sarah termina o seu texto sobre as novas normas que regem a celebração das Missas na Basílica de São Pedro, em Roma. O Cardeal concorda com as objeções levantadas pelos cardeais Burke, Müller e Brandüller em relação à mesma questão.

O purpurado recorda que “a celebração individual do sacerdote continua a ser obra de Cristo e da Igreja. O Magistério não só não o proíbe, mas também o aprova, e recomenda que os sacerdotes celebrem a Santa Missa todos os dias, porque uma grande quantidade de graças flui de cada Missa para o Mundo inteiro.

O Cardeal Sarah alerta que é “um facto singular obrigar os padres a concelebrar. Os padres podem concelebrar se quiserem, mas será que a concelebração pode ser imposta? As pessoas vão dizer: se não quer concelebrar, vá para outro lugar! Mas é este o espírito acolhedor da Igreja que queremos encarnar?"

E acrescenta:

"Muitos padres vêm a Roma em peregrinação! É muito normal que eles, mesmo que não tenham um grupo de fiéis que os acompanhe, alimentem o desejo saudável e belo de poder celebrar a Missa em São Pedro, talvez no altar dedicado a um santo pelo qual têm especial devoção. Há quantos séculos a Basílica acolhe esses padres? E por que razão já não os quer receber se eles não aceitam a imposição da concelebração?"

O purpurado pergunta também: "O que farão os sacerdotes que chegam a Roma e não sabem [falar] italiano? Como conseguirão concelebrar em São Pedro, onde as concelebrações acontecem apenas em italiano?"

O Prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos aponta para a questão da Missa Tridentina:

«... com base nas novas normas, o que deve fazer um sacerdote que deseja legitimamente continuar a celebrar a Missa individualmente? Ele não teria escolha a não ser celebrá-la na forma extraordinária, uma vez que está impedido de celebrá-la individualmente na forma ordinária.

E também aponta que as disposições do Papa Bento XVI estão a ser violadas:

«A decisão quanto à forma extraordinária do Rito Romano também é singular, está especificado que tais celebrações serão realizadas apenas por padres "autorizados". Essa indicação, além de não respeitar as normas contidas no Motu Proprio 'Summorum Pontificum' de Bento XVI, também é ambígua: quem deve dar a autorização a esses padres?



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Mais interessa a virtude do que a reputação

As pessoas que são frágeis e sensíveis em relação à sua reputação assemelham-se às que, ao mais leve sinal de incómodo, tomam medicamentos, pois pensam que assim mantêm a sua saúde, enquanto, na prática, a deterioram. Aquelas que querendo manter tão delicadamente a sua reputação a perdem inteiramente, porque, com esta sensibilidade, se tornam bizarras, obstinadas, insuportáveis e provocam a malícia dos maledicentes.

A reputação é simplesmente como uma insígnia que dá a conhecer onde está alojada a virtude. Portanto, a virtude deve ser preferida em tudo e em toda parte. Se as pessoas dizem que és um hipócrita porque te submetes à devoção; se és tido como homem de pouca fibra porque perdoaste a injúria, não faças caso de tudo isto. 

Porque esses julgamentos são feitos por pessoas néscias e estúpidas na tentativa que a pessoa perca a sua reputação, mas nem por isso deve abandonar a virtude nem afastar-se do seu caminho, tanto mais que se deve preferir o fruto às folhas, isto é, o bem interior e espiritual a todos os bens exteriores. É preciso ser zeloso, mas não idólatra de nossa reputação; e como não se deve ofender os olhos dos bons, também não se deve querer contentar o dos malignos.

São Francisco de Sales in 'Introduction à la vie dévote' (III, cap. VII, I, 120-121)


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domingo, 28 de março de 2021

Procissão de Domingo de Ramos em Londres (1942)



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Domingo de Ramos: Começa a semana mais importante para os Cristãos

O Domingo II da Paixão, mais conhecido por Domingo de Ramos, abre a Semana Santa e marca o início da etapa final da Quaresma. Neste dia, a Igreja celebra a entrada triunfal de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém, cheio de glória e de humildade, pronto para cumprir o seu Mistério Pascal.

Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: "Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e com ela um jumentinho. Desprendei-a e trazei-los. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles". – Isto aconteceu para que se cumprisse a Profecia de Zacarias: "Dizei à filha de Sião: 'Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga.'" (Zc 9,9).

Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho, e puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou. E o povo, tanto os que o precediam quanto os que o seguiam, o acolheram como Rei, agitando ramos de palmeira e clamando: "Hosana ao filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!". Com isso toda a cidade de Jerusalém se agitou, e perguntavam: "Quem é este?" E as multidões clamavam: "Este é o Profeta Jesus, de Nazaré da Galileia” (Mt 21,1-11).

A Procissão de Ramos

Vem de fora e tem como ponto de partida um lugar de reunião dos fiéis, fora da igreja. A proclamação do Evangelho conta a entrada de Jesus em Jerusalém, e assim se inicia a procissão até o interior do templo.

Nessa procissão, a Igreja não comemora apenas o santo evento do passado e celebra com louvor e acção de graças a realidade presente, mas também antecipa o seu glorioso cumprimento no fim dos tempos. Os ramos não devem ser postos no lixo depois da procissão, mas levados para casa e lá guardados com respeito, ou então queimados.

A cinzas, que são usadas na Quarta-Feira de Cinzas, são feitas com os ramos bentos deste dia, obedecendo a um costume que vem do século XII.


in 'O Fiel Católico'


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sábado, 27 de março de 2021

O que é a Correcção Fraterna?

CORREÇÃO FRATERNA é a admoestação feita ao próximo, privadamente e procedendo da caridade fraterna, para emenda de delito. Pode ser coativa, e pertence ao Superior e ostensiva, e pertence a todos. Ambas são de preceito, mas a segunda só quando o delinquente pode ser corrigido sem incômodo, com
esperança de emenda, e não havendo Superior. 

O Superior deve ser corrigido pelos súditos, mas secretamente, com mansidão e reverência, a não ser que, por causa do perigo da fé, deva ser feita em público. A correção deve ser feita: 

1) em segredo, ao delinquente; 
2) particularmente ao Superior, em segredo; 
3) perante testemunhas; 
4) publicamente. 

Mas esta ordem deve ser guardada somente quanto aos pecados ocultos. O que deixa de fazer a correção fraterna, por não esperar emenda ou por pensar que resulta pior, não peca. O Apóstolo São Paulo ensina como deve ser feita o correção: «Não repreendas com aspereza ao velho, mas admoesta-o como a pai; aos jovens como a irmãos; às velhas como a mães; às jovens como a irmãs, com toda a pureza. Aos pecadores repreende-os diante de todos, para que também os outros tenham medo» (Ep. I Timót. V, 1, 2, 20).

Quem corrige ou castiga deve fazê-lo com caridade, embora algumas vezes com severidade, e não para satisfazer a um movimento de ira, ou de vingança, ou de simples mau humor. Devemos aceitar a correção assim como o castigo com humildade, esperando que de algum proveito nos servirá.

Padre José Lourenço in 'Dicionário da Doutrina Católica'


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sexta-feira, 26 de março de 2021

Jesus tem muitos companheiros de mesa mas poucos de abstinência

Jesus tem muitos que amam o Seu reino, mas poucos que gostem de carregar a Sua cruz. Tem muitos que desejam consolação, mas poucos tribulação. Encontra bastantes companheiros de mesa, mas poucos de abstinência. Todos desejam alegrar-se com Ele, mas poucos querem suportar por Ele alguma coisa. Muitos seguem Jesus até à fracção do pão, mas poucos até ao beber do cálice da Paixão. 

Muitos veneram os seus milagres, mas poucos seguem a ignomínia da Cruz. Muitos amam a Jesus, enquanto as adversidades não os tocam. Muitos O louvam e bendizem enquanto dele recebem quaisquer consolações, mas se Jesus Se esconder e os abandonar um pouco, caem nos queixumes ou em grande abatimento. 

Aqueles, porém, que amam Jesus por Jesus, e não por si próprios, bendizem-No em toda a tribulação e angústia, tal como na maior consolação. E, ainda que Ele nunca lhes quisesse dar consolação, louvá-Lo-iam sempre e sempre Lhe quereriam dar graças. Oh, quanto pode o puro amor a Jesus, não misturado a nenhuma comodidade pessoal ou amor próprio! 

in Imitação de Cristo, Livro II, cap. 11


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As 7 Dores de Nossa Senhora e a Quaresma

Esta Sexta-Feira antes da Semana Santa é tradicionalmente dedicada a Nossa Senhora das Dores, que, nos acontecimentos que se aproximam, viu cumprida a profecia de Simeão quando disse que uma espada trespassaria o seu coração. Esta meditação nas 7 dores de Nossa Senhora é muito útil para rezar diariamente, especialmente nestes dias até à Páscoa.

Primeira Dor
Pela dor que sofrestes ao ouvir a profecia de Simeão, de que uma espada trespassaria o vosso Coração, Mãe de Deus, ouvi a nossa prece.
Ave Maria...

Segunda Dor
Pela dor que sofrestes quando fugistes para o Egipto, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para salvar das fúrias do ímpio Herodes, Virgem Imaculada, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

Terceira Dor
Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias, Santíssima Senhora, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

Quarta Dor
Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a Cruz ao ombro, a caminho do calvário, virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

Quinta Dor
Pela dor que sofrestes quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões, Mãe da Divina graça, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

Sexta Dor
Pela dor que sofrestes quando recebestes nos vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz, Mãe dos Pecadores, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...

Sétima Dor
Pela dor que sofrestes quando o Corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando vós, na mais triste solidão, Senhora de todos os povos, ouvi a nossa prece.
Avé Maria...


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quinta-feira, 25 de março de 2021

O que é o 'Angelus' e como rezar?

Angelus (1857-1859) de Jean-François Millet, Musée d’Orsay

Angelus é uma oração em honra da Encarnação de Deus, no dia da Anunciação. Tradicionalmente é rezada três vezes durante o dia: de manhã, ao meio dia e ao entardecer. A oração é constituída de três textos que descrevem o mistério da Encarnação, respondidos com uma Avé Maria e uma oração final. A invocação "Angelus Domini nuntiavit Mariæ", foi retirada do Hino a Nossa Senhora: "Alma Redemptoris".

Não se sabe ao certo a origem do Angelus, mas no séc. XIV já era comum em toda a Europa rezar, ao anoitecer, em louvor da Virgem Maria. Nessa época, os versículos não eram os actuais. Eram assim (só encontrei em latim e inglês):

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum (Hail Mary, full of grace, the Lord is with thee)
Dulcis instar mellis campana vocor Gabrielis (I am sweet as honey, and am called Gabriel's bell)
Ecce Gabrielis sonat hæc campana fidelis (Behold this bell of faithful Gabriel sounds)
Missi de coelis nomen habeo Gabrielis (I bear the name of Gabriel sent from heaven)
Missus vero pie Gabriel fert læta Mariæ (Gabriel the messenger bears joyous tidings to holy Mary)
O Rex Gloriæ Veni Cum Pace (O King of Glory, Come with Peace)

O som dos sinos associado ao Angelus vem de São Boaventura, que determinou à Ordem dos Frades Menores, em 1269, que se tocassem os sinos no lusco-fusco, enquanto se rezava a Avé Maria. 

A prática de rezar também ao meio-dia, por sua vez, é posterior (séc. XV) e foi estimulada por Louis XI (1475), como uma oração pela paz, na medida em que a cristandade se encontrava ameaçada pelo domínio dos turcos. 

Em 1318, o Papa João XXII oficializou o Angelus ao conceder indulgências para quem a praticasse. Em 1724, o Papa Bento XIII, determinou cem dias de indulgência para cada oração do Angelus, com uma plenária uma vez por mês. Era necessário que o Angelus fosse dito de joelhos, (excepto aos Domingos e aos Sábados, quando se devia permanecer de pé) ao som do sino. Essas circunstâncias foram modificadas pelo Papa Leão XIII em 1884. 

Actualmente, é necessário apenas que a oração seja feita nas horas apropriadas, de manhã, ao meio-dia e à noite. A indulgência é concedida mesmo para aqueles que não sabem recitá-la, bastando para isso que digam 5 Avé-Marias em seu lugar.

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria
R. E Ela concebeu pelo Espírito Santo
Avé Maria...

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim, segundo a Vossa palavra.
Avé Maria...

V. E o Verbo Divino encarnou.
R. E habitou entre nós.
Avé Maria...

V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos:
Infundi, Senhor, a vossa graça, em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela Sua paixão e morte na cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Ámen.


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In Annuntiatione Beate Mariæ Virgine

Hoje a Igreja comemora o dia da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Esse episódio marcante para toda a Humanidade é descrito numa das mais bonitas passagens da Sagrada Escritura:

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo

Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim

Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?»

O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus

Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

São Lucas 1, 26-38


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quarta-feira, 24 de março de 2021

Qual é a utilidade de ter gente fechada em celas a rezar?

A Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno, tem como base uma vida de solidão, silêncio e oração. É assim que nos próprios Estatutos a Ordem define a sua missão no Mundo:

Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama, só o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte não a elegemos unicamente para nosso próprio proveito. Ao abraçar a vida oculta não abandonamos à família humana, senão que, consagrando-nos exclusivamente a Deus cumprimos uma missão na Igreja onde o visível está ordenado ao invisível, a acção à contemplação.

Se realmente estamos unidos a Deus, não nos encerramos em nós mesmos, pelo contrário, a nossa mente abre-se e o nosso coração dilata-se; de tal forma que possa abarcar o universo inteiro e o mistério salvador de Cristo. Separados de todos unimo-nos a todos para, em nome de todos, permanecer na presença do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condição humana, orienta-se a Deus de forma directa e contínua, põe-nos num contacto peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, à que costumamos chamar Mãe singular dos Cartuxos.

Tendendo pela nossa Profissão unicamente para Aquele que é, damos testemunho perante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora d'Ele não há Deus. A nossa vida manifesta que os bens celestiais estão presentes já neste mundo, preanuncia a ressurreição e antecipa de algum modo a renovação do mundo.

Por fim, pela penitência tomamos parte na obra redentora de Cristo, que sobretudo com a oração ao Pai e a Sua imolação salvou o género humano cativo e oprimido pelo pecado. Assim, procurando associar-nos a este aspecto mais profundo da Redenção de Cristo, apesar de nos abstermos da actividade exterior, exercemos o apostolado de maneira eminente.

Por isso, entregando-nos à quietude da cela e o trabalhando oferecemos a Deus um culto incessante em Seu louvor, para o qual foi especialmente instituída a Ordem eremítica da Cartuxa, a fim de que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai pretende.

in Estatutos da Ordem dos Cartuxos, 34


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Dia de São Gabriel Arcanjo

Este dia antes do dia da Anunciação é tradicionalmente dedicado ao Arcanjo que cumpriu essa importante tarefa: São Gabriel. Gabriel significa 'Deus é forte'. Esse Arcanjo anuncia o nascimento de João Baptista, ao seu pai Zacarias, e de Jesus, a Nossa Senhora e, depois, a São José.

É ele que, pela primeira vez, profere as palavras que todas as gerações hão-de repetir para saudar e louvar Nossa Senhora: "Avé, cheia de graça. O Senhor é convosco".


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terça-feira, 23 de março de 2021

Confissão: faça chuva ou faça sol




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Basílica de São Pedro: cada vez mais um museu

Há poucos dias, para surpresa de muitos, foi publicada uma directiva (não se sabe emanada por quem) afixada na porta da sacristia da Basílica de São Pedro: estavam proibidas as Missas individuais e apenas aceites as concelebrações, em dois altares da Basílica.

Em São Pedro, das 7 às 9 da manhã, os 45 altares e 11 capelas, eram usados por sacerdotes para celebrar as suas Missas privadas, às quais, muitas vezes, se juntavam fiéis que ali estavam a visitar a Basílica ou que lá iam de propósito. Agora, todos se têm de concentrar em dois altares. 

O número de Missas rezadas na Basílica Vaticana desceu vertiginosamente. Quem já a visitou nestas manhãs estranha a falta de sacerdotes nos altares e diz que aquele espaço é, agora, muito menos uma igreja e mais um museu, que serve quase exclusivamente para visitas turísticas.

Muitos dos sacerdotes que lá iam eram os oficiais dos Dicastérios Romanos, que á celebravam a "sua" Missa antes de começarem a trabalhar nos escritórios da Cúria. Essa Missa era um dos poucos trabalhos verdadeiramente sacerdotais que tinham no seu dia-a-dia. Com esta proibição, serão cada vez mais trabalhadores de escritório e menos sacerdotes.


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segunda-feira, 22 de março de 2021

A Natureza não é nossa Mãe, é nossa Irmã

O darwinismo pode ser usado para dar suporte a duas moralidades insensatas, mas nunca poderá ser usado para dar suporte a uma única moralidade sã. O parentesco e a competição entre todas as criaturas vivas podem ser usados com motivo para sermos insanamente cruéis ou insanamente sentimentais, mas não para um amor sadio pelos animais. 

Na base evolucionista podemos ser desumanos ou absurdamente humanos, mas não podemos ser humanos. O facto de nós e o tigre sermos um só pode ser uma razão para sermos compassivos para com o tigre. Ou pode ser uma razão para sermos tão cruéis como o tigre. Podemos ensinar um tigre a imitar-nos, mas não podemos, com muito mais rapidez, imitar o tigre. No entanto, em nenhum dos casos a evolução nos dirá como tratar um tigre racionalmente, isto é, admirar-lhe as listas e evitar-lhes as garras.

Se desejamos tratar um tigre racionalmente, teremos de voltar ao jardim do Éden. Continua a vir-me à mente uma lembrança obstinada: apenas o sobrenatural tem uma visão sã da Natureza. A essência de todo o panteísmo, do evolucionismo e da moderna religião cósmica está, realmente, nesta afirmação: a Natureza é nossa mãe. Infelizmente, se olharmos a Natureza como mãe, descobriremos que ela é uma madrasta. A questão principal do Cristianismo era esta: a Natureza não é nossa mãe; a Natureza é nossa irmã. 

Podemos orgulhar-nos da sua beleza, pois temos o mesmo pai; mas ela não tem nenhuma autoridade sobre nós; temos de admirá-la, mas não imitá-la. Isto dá ao prazer tipicamente cristão, na Terra, um estranho toque de leveza que quase chega à frivolidade. A Natureza foi uma mãe severa para os adoradores de Isis e Cibele; a Natureza foi uma mãe severa para Wordsworth ou para Emerson. 

Mas a Natureza não é severa para S. Francisco de Assis ou para George Herbert. Para S. Francisco de Assis, a Natureza é uma irmã, uma irmã mais nova: pequena e que gosta de dançar, de quem rimos e a quem também amamos.

G.K. Chesterton in Ortodoxia


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Oração para a Quaresma

 
Senhor,
nesta Quaresma,
tempo de mergulhar no meu interior,
de revisão e de conversão,
ensina-me a descer sempre mais
até onde Tu te encontras: o meu coração.

Como “descer” até aí?
Pelo silêncio, encontrando tempo para rezar,
pela leitura da Tua Palavra que tanto me quer dizer,
pelos Sacramentos,
especialmente a Confissão e a Santa Missa.

Também pela aceitação das contrariedades,
o peso das circunstâncias e da monotonia da vida…
com os olhos postos em Ti.

Senhor, Tu que estás no meu íntimo,
ajuda-me nesta Quaresma,
a fazer uma viagem ao meu interior,
para aí me encontrar conTigo!


Beato Francisco Palau, carmelita


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sexta-feira, 19 de março de 2021

Ladainha a São José

Senhor, tende piedade de nósSenhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nosJesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos
Jesus Cristo atendei-nos.

Pai do Céu que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.


S. José, rogai por nós.
Honra da família de David, rogai por nós.
Glória dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Castíssimo guardião da Virgem, rogai por nós.
Amparo do Filho de Deus, rogai por nós.
Vigilante defensor de Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Glória dos lares, rogai por nós.
Guardião das virgens, rogai por nós.
Sustentáculo das famílias, rogai por nós.
Consolo dos infelizes, rogai por nós.
Esperança dos enfermos, rogai por nós.
Advogado dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demónios, rogai por nós.
Protector da Santa Igreja, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós Senhor!

V/ Ele o constituiu Senhor da sua casa.
R/ E o fez príncipe de todos os seus bens. 

Oremos

Ó Deus, cuja inegável providência se dignou escolher o bem-aventurado S. José para esposo de Vossa Mãe Santíssima, fazei que venerando-o como protector na terra, mereçamos tê-lo como nosso intercessor no Céu. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Ámen.


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5 grandiosas verdades sobre São José

1. A figura de São José no Evangelho
Sabemos que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós. A Sagrada Escritura diz que José era artesão.

2. Uma forte personalidade
Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

3. A pureza nasce do amor
Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.

4. Todos os dias, trabalho
José era artesão da Galileia, um homem como tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida, como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E, no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e recomeçar o trabalho no dia seguinte.

Mas o nome de José significa em hebreu Deus acrescentará. Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o que a torna divina. À vida humilde e santa de S. José, Deus acrescentou - se me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. José podia fazer suas as palavras que pronunciou Santa Maria, sua Esposa: Quia fecit mihi magna qui potens est, fez em mim grandes coisas Aquele que é todo poderoso quia respexit humilitatem, porque pôs o seu olhar na minha pequenez.

5. Um homem em quem Deus confiou
José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. 

E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo. Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens. 

S. Josemaria Escrivá in Cristo que passa, 40


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quinta-feira, 18 de março de 2021

Que doce é sofrer perdoando

Jesus bendito, que me ensinaram os homens que Tu não me tenhas ensinado na Tua cruz? Ontem vi claramente que só aprendemos acorrendo a Ti e só Tu nos dás forças nas provas e tentações; que somente ao pé da tua cruz, vendo-Te pregado a ela, aprendemos o perdão, a humildade, a caridade, a bondade. 

Não Te esqueças de mim, Senhor; olha para mim, prostrado na tua frente, e concede-me o que Te peço. Depois, que venham os desprezos, que venham as humilhações, que me importa! Contigo a meu lado tudo posso. A lição prodigiosa, admirável, inexprimível que me dás com a tua cruz dá-me forças para tudo. 

Cuspiram-Te, insultaram-Te, flagelaram-Te, pregaram-Te a uma cruz e, sendo Tu Deus, perdoaste, calaste-Te humildemente e ofereceste-Te a Ti próprio. Que posso dizer da tua Paixão? É melhor não dizer nada e que, no fundo do meu coração, medite no que o homem nunca poderá chegar a compreender; que me contente com amar profundamente, apaixonadamente, o mistério da tua Paixão.

Que doce é a cruz de Jesus! Que doce é sofrer perdoando! Como não ficar louco? Ele mostra-me o seu coração aberto aos homens e por eles desprezado. Onde já se viu e quem alguma vez sonhou suportar tamanha dor? Como vivemos bem no coração de Cristo!

São Rafael Arnaiz Baron  in Escritos espirituais, 07/04/1938 


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É agora o tempo da confissão - São Cirilo de Jerusalém

É agora o tempo da confissão. Confessa os teus pecados de palavra e de acção, os da noite e os do dia. Confessa-os neste «tempo favorável» e, no «dia da salvação» (Is 49,8; 2Co 6,2), recebe o tesouro celeste. Deixa o presente e crê no futuro. 

Andaste tantos anos sem parares os teus trabalhos vãos aqui da terra, e não podes parar quarenta dias para te ocupares do teu próprio fim? «Parai! Reconhecei que Eu sou Deus», diz a Escritura (Sl 46,11). Renuncia ao chorrilho de palavras inúteis, não digas mal nem escutes o maldizente, mas dispõe-te desde já a rezar. 

Mostra, na ascese, o fervor do teu coração; purifica esse receptáculo, para receberes uma graça mais abundante. Porque a remissão dos pecados é dada de modo igual a todos, mas a participação no Espírito Santo é concedida segundo a medida da fé de cada um. Se não te esforçares, recolhes pouco; se te esforçares muito, grande será a tua recompensa. És tu próprio que estás em jogo; vela pelos teus interesses.

Se tens um agravo contra alguém, perdoa-lhe. Acabas de receber o perdão dos teus pecados; impõe-se, portanto, que também perdoes o pecador, senão como dirás ao Senhor: «perdoa-me os meus muitos pecados», se tu próprio não perdoares ao teu companheiro de trabalho algumas faltas que tenha cometido contra ti?

in 'Catequese para o baptismo', nº 1, §5


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quarta-feira, 17 de março de 2021

Tomada de hábito de 6 novas Irmãs Adoradoras

Seis jovens postulantes tomaram o hábito das Irmãs Adoradoras, ligadas aos Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote. A cerimónia teve lugar na sua casa de formação em Nápoles. Rezemos por mais e santas vocações religiosas.











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terça-feira, 16 de março de 2021

Bispo fechou a igreja para tentar impedir a Missa Tradicional mas não resultou



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16 de Março: o milagre de São Filipe Néri no Palazzo Massimo

Ao reler por estes dias uma biografia de S. Filipe Néri («Filipe Neri, o Sorriso de Deus», de Guilherme Sanches Ximenes, Ed. Quadrante), reparei na quase coincidência de datas de um estranho episódio, ocorrido há aproximadamente 5 séculos num dia 16 de Março.

O protagonista viveu os anos duros da Renascença, que dilaceraram a cristandade com as revoltas protestantes (de Lutero, de Zwinglio, de Calvino, de Henrique VIII, de Melanchthon) e fustigaram a Europa com guerras generalizadas, incluindo violências contra a cidade de Roma por parte de imperadores ditos católicos. Estes tempos difíceis foram também uma época de grandes santos, que sacudiram a tibieza e a corrupção da sociedade com propostas exigentes de renovação espiritual. 

Conviveram com S. Filipe Neri muitas figuras deste calibre, como Santo Inácio de Loyola, S. Pio V, S. Carlos Borromeo e são contemporâneos dele Santa Teresa de Ávila, S. João da Cruz e S. Pedro de Alcântara. Mas Filipe não foi herege nem reformador austero, foi um santo brincalhão, desconcertante, ao mesmo tempo que um grande santo.

Era um homem de profunda oração, mas até nisso não perdeu o humor, por vezes atrevido com o próprio Deus. Até nos milagres, S. Filipe Néri foi original.

O episódio que me chamou a atenção começou de forma dramática quando a Sra. Lavinia, mulher de Fabrizio Massimo, amigo de S. Filipe, estava para dar novamente à luz. O casal já tinha cinco filhas, mas o sexto parto ia muito mal encaminhado. Fabrizio recorreu a S. Filipe e este, depois de rezar, tranquilizou-o com toda a segurança: tudo ia correr bem, iam ter um rapaz saudável e deveriam dar-lhe o nome de Paolo. Realmente, tudo aconteceu como previsto.

Catorze anos depois, já a mãe do rapaz tinha morrido e também uma das irmãs, Paolo adoece gravemente. A doença arrasta-se por vários meses e Filipe visita-o todos os dias. Finalmente, o jovem entra em agonia. Filipe foi chamado à pressa mas, como estava a celebrar a Missa, demorou algum tempo e só chegou quando o rapaz já tinha morrido.

A cena é fácil de imaginar: o cadáver inerte sobre a cama, rodeado pelo pai, as irmãs e os vizinhos, a chorar e a prepararem o enterro.

Filipe ajoelhou-se perto da cama em oração. Rigoroso silêncio. A seguir, pegou num frasco de água benta, aspergiu o corpo e chamou com força: «Paolo! Paolo!». Paolo abriu os olhos e disse «Padre». Filipe e Paolo ficaram a conversar um quarto de hora, como se nada fosse, rodeados pelos circunstantes, boquiabertos. A certa altura, Filipe pergunta a Paolo se queria continuar vivo ou se preferia ir para junto da mãe e da irmã, no Céu. Paolo escolheu a segunda alternativa. 

No processo de canonização, o próprio pai testemunhou o acontecido: «Então, Filipe, na minha presença, deu-lhe a bênção e, impondo-lhe a mão sobre a fronte, disse-lhe –e eu o ouvi–: “Vai, sê abençoado e reza a Deus por mim”. E tendo Filipe dito estas palavras, Paolo, com o semblante sereno, sem fazer nenhum gesto, nas mãos desse bem-aventurado sacerdote, na minha presença..., voltou subitamente a morrer».

No palácio da família Massimo celebra-se todos os anos, no dia 16 de Março, data do milagre, uma Missa em recordação deste episódio.

José Maria C.S. André


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Santa Sé esclarece que não é lícito abençoar parelhas do mesmo sexo

Face à confusão que existe em algumas dioceses mais progressistas, nomeadamente na Alemanha, a Congregação para a Doutrina da Fé respondeu a um Dubium sobre a possibilidade que uma parelha de pessoas do mesmo sexo recebesse uma bênção por parte de um membro do clero. A resposta foi muito clara: Não. Jamais. Em parte alguma.

Aqui ficam alguns trechos do documento com a resposta:

"Não é lícito conceder uma bênção a relações, ou mesmo a parcerias estáveis, que implicam uma prática sexual fora do matrimônio (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher, aberta por si à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo. (...)

Já que as bênçãos sobre as pessoas possuem uma relação com os sacramentos, a bênção das uniões homossexuais não pode ser considerada lícita, enquanto constituiria de certo modo uma imitação ou uma referência de analogia à bênção nupcial, invocada sobre o homem e a mulher que se unem no sacramento do Matrimónio, dado que «não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família». (...)

A Igreja não dispõe, nem pode dispor, do poder de abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo no sentido acima indicado.

O Sumo Pontífice Francisco, no curso de uma Audiência concedida ao abaixo assinado Secretário desta Congregação, foi informado e deu seu assentimento à publicação do mencionado Responsum ad dubium, com a Nota explicativa anexa.
 
Dado em Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 22 de Fevereiro de 2021, Festa da Cátedra de São Pedro, Apóstolo."
 
Luis F. Card. Ladaria, S.I.
Prefeito

 

 

Giacomo Morandi

Arcebispo tit. de Cerveteri
Secretário
 


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domingo, 14 de março de 2021

A nossa alma é o guerreiro e o nosso corpo a armadura

Uma das discussões mais recorrentes que tenho, tanto no meu trabalho quanto nas relações pessoais, é a respeito da questão da alma. Estou cercado de “espiritualistas” e “materialistas” que insistem em bombardear-me, a todo momento, com verdadeiras “catequeses” a respeito da suas posições filosóficas (seria talvez mais preciso dizer “religiosas”) e insistindo para que eu tome uma posição: entre corpo e alma, de que lado fico?

Sobre a “dominação mítica e as fábulas religiosas cruéis”

Este é mais um daqueles falsos dilemas que nos são apresentados nos debates e nas conversas, sejam as presenciais, sejam as virtuais, em redes sociais e similares. Tenho muitos amigos materialistas, ou assim declarados, que querem convencer-me de que os “espiritualistas” estão errados, e que simplesmente não existe e nem pode existir algo como uma “alminha” que pilota o corpo humano, um “espírito” que habita em nós misteriosamente e que precede, sobrevive ou mesmo independentemente do corpo, e que a ele se junta acidentalmente em determinado tempo. 

Este mito “metafísico” é, dizem eles, a sobrevivência de velhos conceitos supersticiosos que precisam ser destruídos pela ciência e pela racionalidade contemporâneas. O corpo seria tudo: “toda a física e toda a metafísica, todo o sagrado e todo o profano, toda a consciência e toda a inconsciência”, como um deles me afirmou, categoricamente. Todo o resto, toda a metafísica que defende a existência desse “fantasma esotérico” (como ele chamava à alma humana) seria simplesmente o recurso moralista daqueles que “odeiam o corpo, odeiam a liberdade humana”. 

Assim, liberdade seria simplesmente a possibilidade de dizer sim a qualquer libido, a qualquer desejo, a qualquer inclinação corporal que não implique a destruição do corpo. O mais seria mera “dominação mítica, fábulas religiosas cruéis”. “Que nos deram vocês, os espiritualistas”, disse-me este meu amigo, “se não a repressão injusta e detestável dos prazeres corporais, em nome das suas fraquezas metafísicas? Vocês não admitem o culto do corpo, porque amam a repressão e a morte. Que fiquem com a morte, vocês que amam o martírio. Deixem a vida para nós, que somos fortes o suficiente para viver sem as ilusões religiosas dos fracos. Renunciaremos a este dualismo medieval entre corpo e alma, quando assumirmos a realidade exclusiva do corpo e do sim a todas as suas exigências!”

Espiritualistas

Que adiantaria explicar ao meu interlocutor que não sou nenhum “espiritualista”, no sentido dualista que ele estava coloca? A sua “fé” materialista não admitiria nenhuma contestação. Ele chegou a dizer: “Duvidas que o corpo é tudo? Experimenta passar fome, mendigar e dormir ao relento e adoecer. Verás como mudarás de ideias. Porque as nossas convicções todas são apenas estados mentais, que reflectem as necessidades do nosso corpo. E os nossos medos e desejos são os medos e desejos de nosso corpo.” Ele só não me explicou como chegou a descobrir isto sem ter experimentado pessoalmente (como eu sei que ele não experimentou) nenhum desses sofrimentos.

Mas os verdadeiros “espiritualistas”, aqueles que defendem a dualidade entre “corpo e alma”, não estão ausentes das nossas conversas no cafezinho. Tanto aqueles que se dizem cristãos e desprezam “as coisas deste mundo”, que seria o “mundo de Satanás”, em prol de uma salvação etérea e estritamente “espiritual”, que não envolverá o nosso corpo, mas apenas nossa alma enviada a um “paraíso” de anjinhos e harpas; quanto aos “espíritas” das mais diversas matizes, que acreditam que nós somos apenas “alminhas” presas num corpo “grosseiro” para fins de aperfeiçoamento e “evolução espiritual”; a alma e o corpo seriam, então, para estes, dois entes completamente estranhos entre si, e mais: para eles apenas à alma pertence verdadeiramente a natureza humana.

O corpo não é mera extensão e a alma não é mero pensamento imaterial

A determinado momento da conversa, tomei a palavra e disse: “Não posso concordar com a proposição de que o corpo é mera extensão, e a alma, mero pensamento imaterial. Esta, aliás, não é uma ideia medieval, mas o exacto centro da filosofia cartesiana, que é moderna.” Como notei que eles estavam atentos, prossegui: “Eu entendo e defendo que o corpo é uma coisa individualizada pela matéria. Um boneco de pano é um corpo, e uma pessoa humana também é um corpo. O que nos torna, a nós humanos, qualitativamente diferentes de qualquer outro amontoado de matéria é a nossa forma, amigo. Um corpo é uma coisa individual com uma forma, portanto, um corpo é uma unidade, e não possui nada fora de si mesmo; portanto, não há fantasminhas humanos no sentido que vocês, materialistas, combatem. Mas os seres corporais não são uma simplicidade, como a tese materialista parece reduzir – O corpo é uma unidade de forma e matéria. Mas ser uno é diferente de ser simples.”

“Como assim?” Perguntou-me o materialista.

“Fácil”, respondi. “Pensa num carro. Convenientemente, há um automóvel que se chama 'Uno'; e, embora ele seja “uno', ele não é simples: é composto de várias peças, partes, que, juntas numa determinada ordem, constituem-no como carro. Esta ordem é a forma.”

“Um corpo”, prossegui, “é, já em si mesmo, um composto uno, individual e indivisível de matéria e forma; a forma dá-lhe inteligibilidade, a matéria dá-lhe alteridade ou individualidade. Matéria e forma compõem o corpo, e não existem fora dos corpos que compõem, portanto, no teu materialismo grosseiro, estás certo em dizer que não há nada além do corpo com individualidade na realidade. Os números matemáticos, por exemplo, não têm matéria, mas existem. Existem, portanto, apenas nas nossas mentes. Se não houvesse ninguém para pensá-los, eles não existiriam. Isto não significa que sejam irreais, mas não têm individualidade: se eu e tu pensamos ao mesmo tempo no número dois, ele existe simultaneamente na minha mente e na tua; mas um ser corporal só existe num lugar, e portanto a sua realidade é o seu corpo!”

“O problema”, prossegui, “é que a forma de um corpo não é sua matéria, já que todos os corpos têm matéria; a forma especifica o corpo na sua inteligibilidade. Uma pedra não é uma formiga, e esta não é um ser humano. Um prato de almoço não é um vaso sanitário. O que diferencia os dois não é a porcelana, que é a matéria que os compõem, mas a forma que têm...”

A alma é a própria forma do corpo

“Os seres vivos", prossegui, “têm algo na sua forma que os diferencia dos seres inertes, e isto consiste na sua capacidade de serem causa do próprio movimento. A isto chama-se alma: uma forma corporal capaz de ser causa do próprio movimento. O meu amigo 'espiritualista” está errado, creio. A alma não é, como ele diz e tu negas, um algo no corpo. Ela é a própria forma do corpo, sem a qual o corpo vivo nem seria corpo."

Continuei: “Dá para pensar isto até no plano estritamente empírico: se um corpo não causa o seu próprio movimento, a sua forma é inerte. Se causa, a sua forma é activa, e se chama alma. Ser corpo dotado de forma activa, ou alma, é o que compartilhamos com todos os seres vivos – é a nossa natureza comum com eles”.

À forma corporal que, além de ser causa do próprio movimento, é ainda capaz de reflexão filosófica, moral e religiosa, chamamos de espírito.

“Há algo, no entanto, que especifica a forma humana, frente às outras formas do género animal. Se compartilhamos com os animais uma forma capaz de ser causa do nosso movimento, e portanto a nossa forma pode ser chamada, como a dos animais e vegetais, de alma, nós não compartilhamos com eles a nossa capacidade de reflexão, seja filosófica, seja religiosa, seja moral. Eu nunca discuti filosofia ou religião com nenhum animal que não fosse humano! À forma corporal que, além de ser causa do próprio movimento, é ainda capaz de reflexão filosófica, moral e religiosa, chamamos de espírito. Mas ele não existe na realidade que se apresenta a nós senão como forma de alguma coisa, de um ser humano real e concreto, e portanto não me peça para concordar com todos esses 'espiritualistas' e 'espíritas' que negam o valor da matéria e consideram o 'espírito' humano como um ser em si mesmo. Ele não é! Se ele subsiste ou não à morte, é algo que não está em discussão aqui.

Mas se o espírito humano fosse um ser completo em si mesmo, seria inteligível defender a existência, por exemplo, de 'almas femininas em corpos masculinos', e a necessidade de mutilação do corpo, neste caso, para supostamente adaptar o corpo, que seria inferior, à alma, como ente superior à matéria e perfeito em si mesmo, o que soaria como um absurdo filosófico a qualquer pensador que parta de onde partimos. Ora, se a alma é simplesmente a forma do corpo, então não há nenhuma coerência em nem sequer pleitear a eventual existência de uma alma que tivesse em si mesmo uma forma diversa daquela do corpo que ela constitui. Quaisquer eventuais desajustes de identidade, aí, estariam no plano psicológico ou emocional, e não no plano do ser".

A essa altura, ambos os debatedores entreolharam-se, e concordaram em dizer-me simplesmente: “complicas demais as coisas!” E foram discutir em outro lugar.

Paulo Vasconcelos Jacobina in Zenit


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