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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Festa de Nossa Senhora do Ó

Celebrada a 18 de Dezembro, a festa de Nossa Senhora do Ó é também conhecida por 'Expectação do Parto de Nossa Senhora'. Não é mera espera humana, mas uma esperança que toca a Divina Esperança. É o Emanuel, Deus Connosco, que está para chegar.

É uma das festas marianas mais antigas. A sua origem remonta ao séc. VI, mais concretamente ao 10º Concílio de Toledo. Um dos seus grandes promotores foi Santo Ildefonso, mais tarde Bispo de Toledo, bastante citado por São Luís Maria no 'Tratado da Verdadeira Devoção'. A festa da Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria passou a ser celebrada sete dias antes do dia de Natal. 

No canto das Vésperas, de 17 a 23 de Dezembro, as antífonas do Magnifica têm início com o vocativo “Ó”.

17 de Dezembro: Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo (Eclo 24,3), e atingis até os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro (Sb 8,1): Ó, vinde ensinar-nos o caminho da prudência! (Is 40,14);

18 de Dezembro: Ó Adonai, guia da casa de Israel (Mt 2,6), que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: Vinde salvar-nos com seu braço poderoso! (Jr 32,21);

19 de Dezembro: Ó Raiz de Jessé, ó estandarte levantado em sinal para as nações! (Is 11,10); ante vós se calarão os reis da terra e as nações implorarão misericórdia (Is 52,15): Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora! (Hab 2,3);

20 de Dezembro: Ó Chave de David, Ceptro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre (Is 22,22): Vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que, nas trevas e na sombra da morte, está sentado (Sl 106,10);

21 de Dezembro: Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna (Hab 3,4): Ó vinde e iluminai os que jazem nas trevas e, na sombra do pecado e da morte, estão sentados (Lc 1,78);

22 de Dezembro: Ó Rei das nações, desejado dos povos (Ag 2,8): Ó Pedra angular, que os opostos unis (Ef 2,20): Ó vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra! (Gn 2,7);

23 de Dezembro: Ó Emanuel: Deus-connosco, nosso Rei Legislador (Is 32,22), Esperança das nações e dos povos Salvador (Gn 49,10): Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus!


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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O que são as Têmporas do Advento?

Para iniciar de maneira mais piedosa as quatro estações do ano, já nos primeiros tempos eram celebradas as Têmporas. Estes dias são sempre a Quarta-Feira, a Sexta-Feira e o Sábado, e são dedicados ao jejum e à oração. Foram instituídas para agradecer a Deus as colheitas e para implorar novas bênçãos do Senhor para as searas futuras.

O dia mais solene era o Sábado e ainda hoje é o dia preferido para as ordenações sagradas, no Rito Tradicional. É portanto de sumo interesse para os fiéis, que nestes dias implorem a Deus a dádiva de Pastores zelosos para o rebanho do Senhor.

As primeiras Têmporas são na 3ª semana do Advento, as segundas na 2ª semana da Quaresma, as terceiras na Oitava de Pentecostes e as últimas têm início na Quarta-Feira depois de 14 de Setembro.

O jejum durante as Têmporas de Advento - que neste ano calham nos dias 17, 19 e 20 de Dezembro - tem também como objectivo uma melhor preparação para o Natal.


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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Porquê Nossa Senhora do Ó?

Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, instituída no século VI pelo décimo Concílio de Toledo, ilustre na História da Igreja pela dolorosa, humilde, edificante e pública confissão de Potâmio, Bispo bracarense, pela leitura do testamento de São Martinho de Dume e pela presença simultânea de três santos de origem espanhola: Santo Eugénio III Bispo de Toledo, São Frutuoso de Braga e o então abade Santo Ildefonso.

Santo Eugénio foi sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, que determinou que essa festa se celebrasse no dia 18 de Dezembro com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria.

Os dois nomes têm o mesmo significado e objectivo: os anelos santos da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Anelos de milhares e milhares de gerações que suspiraram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva, e que se recolhem e concentram no Coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos.

A Expectação (expectativa) do parto não é simplesmente a ansiedade, natural na mãe jovem que espera o seu primogénito, é o desejo inspirado e sobrenatural da "bendita entre as mulheres", que foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos homens, para co-redentora da humanidade. Ao esperar o seu Filho, Nossa Senhora ultrapassa os ímpetos afectivos de uma mãe comum e eleva-se ao plano universal da Economia Divina da Salvação do mundo.

As antífonas maiores que põe a Igreja nos lábios dos seus sacerdotes desde o dia 18 de Dezembro até a Véspera do Natal e começam sempre pela interjeição exclamativa Ó ("Ó Sabedoria... vinde ensinar-nos o caminho da salvação"; "Ó rebento da Raiz de Jessé... vinde libertar-nos, não tardeis mais"; "Ó Emanuel..., vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus"), como expoente altíssimo do fervor e ardentes desejos da Igreja, que suspira pela vinda de Jesus, inspiraram ao povo espanhol a formosa invocação de "Nossa Senhora do Ó".

Em Portugal

Em Portugal, o culto à Expectação do Parto, ou a Nossa Senhora do Ó, teria se iniciado em Torres Novas (Santa Maria, Frei Agostinho de - Santuário Mariano), onde uma antiga imagem da Senhora era venerada na Capela-mor da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo. Esta imagem era conhecida à época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Almonda (devido ao Rio Almonda, que banha aquela povoação), à época de D. Sancho I por Nossa Senhora da Alcáçova (c. 1187) ou, a partir de 1212, quando se lhe edificou (ou reedificou) a igreja, por Nossa Senhora do Ó. Esta imagem é descrita pelo mesmo autor como:

É esta santa imagem de pedra mas de singular perfeição. Tem de comprimento seis palmos. No avultado do ventre sagrado se reconhecem as esperanças do parto. Está com a mão esquerda sobre o peito e a direita tem-na estendida. Está cingida com uma correia preta lavrada na mesma pedra e na forma de que usam os filhos de meu padre Santo Agostinho.

Nossa Senhora do Ó é a padroeira de dezoito freguesias portuguesas, situadas na sua maioria nas dioceses mais setentrionais do país

No Brasil

No Brasil, o culto iniciou-se à época do início da colonização, com o Capitão donatário Duarte Coelho, na Capitania de Pernambuco. Tendo fundado a vila de Olinda, nessa povoação erigiu-se uma Igreja sob a invocação de São João Baptista, administrada por militares, onde era venerada uma imagem de Nossa Senhora da Expectação ou do Ó. De acordo com Frei Vicente Mariano, também se tratava de uma imagem pequena com cerca de dois palmos de altura, entalhada em madeira e estofada, de autoria e origem desconhecida. A tradição reputa esta imagem como milagrosa, tendo vertido lágrimas em 28 de Julho de 1719.

A partir dessa primitiva imagem em Olinda, a devoção se espalhou em terras brasileiras graças a cópias na Ilha de Itamaracá, em Goiana, em Ipojuca e em São Paulo, nesta última em casa da família de Amador Bueno e na do bandeirante Manuel Preto que fundou a igreja e o bairro bem conhecidos até hoje. Os bandeirantes, por sua vez levaram a devoção para Minas Gerais, onde, em Sabará, se erige a magnífica Capela de Nossa Senhora do Ó, em estilo indo-europeu, actualmente tombada pelo Iphan. É venerada também em Icó onde fazem uma grande festa anual.

Iconografia

A imagem de Nossa Senhora do Ó sempre apresenta a mão esquerda espalmada sobre o ventre. A mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens com esta mão segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a fonte da vida. Em Portugal essas imagens costumavam ser de pedra e, no Brasil, de madeira ou argila.

No século XIX, muitas imagens foram trocadas pela da Nossa Senhora do Bom Parto, com o ventre disfarçado pela roupa. Somente no fim do século XX se voltou a falar e pesquisar o assunto, tendo-se encontrado imagens antigas enterradas sob o altar das igrejas.

* * *

As Antífonas do Ó foram compostas entre o século VII e o século VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. 

Expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: «Vem, não tardes mais!». Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento (Antífonas do Ó: O antigo e o novo na oração litúrgica do advento. - São Paulo: Paulinas, 1997).

De acordo com D. Guéranger (Abade de Solesmes, França, +1875), ‘as Antífonas do Ó contêm todo o núcleo do período litúrgico’. São consideradas, ainda, ‘as pérolas que exprimem o tesouro escondido no campo deste Tempo, configurando a coroa do Rei dos reis!’

in heroinasdacristandade.blogspot.com


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sábado, 23 de dezembro de 2023

Missas Rorate 2023










Fotografias: New Liturgical Movement


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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

'Veni, veni Emmanuel' cantado por seminaristas do Instituto Bom Pastor

Veni, veni, Emmanuel
Captivum solve Israel
Qui gemit in exsilio
Privatus Dei Filio

Gaude! Gaude! Emmanuel
Nascetur pro te Israel!

Veni, veni O Oriens
Solare nos adveniens
Noctis depelle nebulas
Dirasque mortis tenebras


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domingo, 17 de dezembro de 2023

Domingo Gaudete: Alegrai-vos sempre no Senhor

Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete. Modestia vestra nota sit omnibus hominibus: Dominus enim prope est. Nihil solliciti sitis: sed in omni oratione petitiones vestrae innotescant apud Deum.

Alegrai-vos sempre no Senhor: repito, alegrai-vos. Seja a vossa modéstia notada por todos os homens: pois o Senhor está próximo. Não temais: mas em todas as orações sejam as vossas petições conhecidas por Deus.

O Introito da Missa de hoje lembra-nos que, enquanto o tempo do Advento é um de penitência e antecipação, também temos de parar e alegrar-nos com a proximidade de Nosso Senhor. Daí que o sacerdote use hoje paramentos cor-de-rosa, e não os roxos, típicos do Advento. 

O seguinte excerto vem do livro 'The Liturgical Year' por Dom Prosper Guéranger, um padre beneditino, Abade da Abadia de Solesmes:

«Hoje, novamente, a Igreja está cheia de alegria e a alegria é maior do que alguma vez foi. É verdade que o Seu Senhor ainda não chegou; mas Ela sente que Ele está mais próximo que antes e portanto pensa-o apenas para diminuir alguma da austeridade deste tempo penitencial através da alegria inocente dos Seus ritos sagrados.

Quão tocantes são todos estes usos e quão admirável é a condescendência da Igreja, na qual Ela mistura tão sublimemente a inalterável rigidez dos dogmas da fé e a graciosa poesia das formas da Sua liturgia.

Entremos no Seu espírito, e alegrar-nos neste terceiro Domingo do Seu Advento, pois o Nosso Senhor está agora tão próximo. Amanhã retornamos à nossa atitude de servos de luto pela ausência do Nosso Senhor e esperando por Ele; pois cada atraso, por mais pequeno que seja, é doloroso e torna o amor triste.»


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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

5 virtudes de São José para o Advento

São José pode ajudar-nos a viver um Advento mais frutuoso. Meditamos sobre cinco virtudes extraordinárias deste maior grande santo para que possamos viver um resto de Advento mais sério e um Natal mais profundo

1. Silêncio. Nem uma única vez na Sagrada Escritura ouvimos uma palavra do grande São José. Este silêncio de São José é muito eloquente. Ensina-nos uma atitude fundamental para entrar em oração profunda: o silêncio. Se somos constantemente bombardeados por barulho é impossível ouvir a Palavra de Deus, o Espírito Santo que fala connosco na suave brisa do silêncio. O silêncio de São José ensina-nos também a importância do exemplo. Devemos provar a nossa autenticidade por palavras, mas também pelas nossas acções. São José ensinou o mundo pelo modo santo como viveu. Que ele seja um exemplo para nós.

2. Oração. São José era um homem de oração. Que papel extraordinário desempenhou na história da salvação. Ele era o esposo de Maria, a Mãe de Deus, e também o pai adoptivo de Jesus, o Filho do Deus vivo. São José ensinou, realmente, Jesus a falar e a dirigir-Se a Deus como “Abba” - o que significa “Papá”. Em certo sentido, São José ensinou Jesus a usar palavras humanas para falar com o Pai Celestial - isso é oração. Portanto, se São José ensinou Jesus a orar, quão mais poderia ensinar-nos a rezar se pedissemos a sua ajuda. Comecemos agora: São José, ensina-nos a rezar!

3. Coragem e masculinidade. Numa sociedade em que muitos homens fogem das obrigações para com as mulheres, filhos e família e se voltam para os vícios e a vida fácil quando confrontados com as dificuldades, São José brilha como modelo de coragem e fortaleza. Ele viajou muitos quilómetros com frio e vento, para encontrar apenas rejeição. Ele encontrou refúgio num abrigo de animais para o nascimento de Jesus. Ele levantou-se cedo para fugir para o Egipto, salvando o Menino Jesus das ameaças cruéis e assassinas do Rei Herodes. Diante de tantas dificuldades, São José ergueu-se e enfrentou os obstáculos com coragem viril. Que os homens da geração actual ergam o olhar para o homem de Deus amável e corajoso: o bom São José.

4. Fornecer e proteger. São José protegeu e proveu a Sagrada Família. Ele era um trabalhador esforçado - exercendo o ofício de carpinteiro. Ele ganhou o pão através do suor da sua testa. Pensava não em si mesmo, mas em como poderia prover e proteger da melhor forma a família que Deus confiou aos seus cuidados. Ao nos aproximarmos do Natal, imploremos ao bom São José que providencie e proteja a nossa vida espiritual. Materialismo, consumismo, hedonismo são os deuses da cultura actual. Tudo isso sufoca a espiritualidade. As orações de São José podem ajudar-nos a olhar além do comprar, ter e possuir. Ele pode ajudar-nos a perceber que a verdadeira alegria e felicidade não vêm de ter coisas mas de possuir Deus. Ter o Menino Jesus em nossos braços e em nossos corações vale mais do que todo o dinheiro e bens do mundo inteiro. O bom São José pode-nos ensinar esta lição simples mas profunda!

5. São José, Nossa Senhora e Jesus. Para chegar a uma devoção verdadeira e autêntica a Maria, o bom São José pode servir de ponte poderosa. Além do próprio Jesus, ninguém na Terra conheceu, compreendeu, acalentou e amou mais a Santíssima Virgem Maria do que o bom São José. Dirijamo-nos ao Bom São José e imploremos-lhe a graça de um maior conhecimento e amor a Maria, sua amada esposa. Depois, dirijamo-nos a São José e imploremos-lhe a graça do conhecimento íntimo de Jesus, para que amemos Jesus com mais fervor e sigamos Jesus mais de perto. Além de Maria, ninguém conhecia Jesus melhor na Terra do que o bom São José. A Sagrada Família só se completa quando os três membros são reconhecidos, honrados e amados. Que as orações do bom São José abram os nossos corações aos imensos tesouros que Deus reservou para nós neste tempo do Advento. 

Sam Guzman in Catholic Exchange 


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domingo, 3 de dezembro de 2023

Começa a aventura do Advento

Hoje inicia-se o tempo do Advento, portanto preparemo-nos para mais uma vez celebrar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a melhor maneira de fazê-lo é dirigir-se a Mãe do Menino que está prestar a nascer. Caminhemos com Ela e São José de Nazaré a Belém, façamos companhia ao Santo Casal e meditemos quais seriam as cogitações de Maria e as preocupações de José.

O mundo está no caos e numa imoralidade assustadora; as almas fieis devem permanecer junto a Eles e procurar compensar as tristezas que Eles sentem ao ver a Humanidade em tal abismo. Rezemos e roguemos pelo momento em que Deus voltará a ser o centro de todos os corações, de todas as famílias e de todas as nações.
  
De Nazaré a Belém

César Augusto ordenou a realização de um recenseamento em todo o Império Romano, devendo cada um alistar-se na sua cidade. Partiram pois São José e a Santíssima Virgem da cidade de Nazaré, na Galileia, rumo a Belém de Judá, a cidade de David, a cuja Casa real pertenciam. Tiveram que enfrentar uma caminhada de cerca de 120 k durante 8-10 dias, o que deve ter sido bastante penoso para Nossa Senhora, que estava prestes a dar à luz o Messias.

Hoje, quem visita a região encontra vilarejos rurais, olivais, belas paisagens e pessoas hospitaleiras. É a chamada Rota da Natividade, que entretanto não se inicia em Nazaré devido as dificuldades de movimentação em parte da região em conflito. São muitos os visitantes que procuram refazer o provável caminho seguido por Maria e José.

Revelações particulares contam interessantes pormenores da viagem de Nazaré a Belém realizada pelo Santo Casal. Seguindo em direcção a Jerusalém, Nossa Senhora e São José atravessaram vales frios, cobertos de geada. Às vezes paravam em lugares convenientes e descansavam. Antes da viagem um Anjo aparecera a São José ordenando-lhe que levasse, além do jumento que serviria de montaria à Virgem, uma jumentinha que os precederia, indicando o caminho.

São José partira animado, certo da boa acolhida que teria em Belém. Porém, antes mesmo de chegar à cidade dos seus pais, começaram as decepções. A dez léguas de Jerusalém foi tratado grosseiramente por um homem que lhe negou hospedagem. Pouco adiante a jumentinha aguardava-os junto a um rancho onde passaram a noite. Em outras ocasiões foram recebidos asperamente, tornando ainda mais penosa a viagem para a Santíssima Virgem.

A Beata Ana Catarina Emmerich, mística alemã do século XIX, conta que, ao chegar a Belém, São José e Maria Santíssima não entraram imediatamente na cidade. Já caia a noite e pernoitaram afastados do caminho, sob uma árvore. No dia seguinte, São José dirigiu-se a um grande edifício, a alguns minutos do caminho, fora de Belém. Era o antigo solar de David, Profeta e Rei, e casa paterna de São José, mas que servia então de recebedoria de impostos do Império Romano. Os funcionários verificaram a genealogia de José e Maria, notando que ambos descendiam de David em linha recta. Só depois estes entraram na cidade, procurando pousada.

Verificou-se então a pungente rejeição da cidade ao Santo Casal, conforme registaram os Evangelhos. E São José passou pela dura prova da recusa dos amigos, que não o quiseram reconhecer. Caminhando de rua em rua, batendo de porta em porta, recebia sempre a invariável resposta negativa.
     
Estava assim simbolizado o repúdio do povo judeu ao Messias: "Veio para o que era seu, e os seus não O receberam"(Jo 1, 11). Partiram, pois, José e a sua Esposa. Nas proximidades da gruta onde se abrigariam, veio-lhes ao encontro, em alegres saltos, a jumentinha que haviam deixado fora de Belém.

in heroinasdacristandade.blogspot.com


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sábado, 7 de janeiro de 2023

São Francisco de Assis iniciou o costume de fazer presépios vivos no Natal

A celebração da festa de Natal remonta aos primeiros séculos da Igreja, sendo uma comemoração especificamente católica. Desde o século IV as relíquias da manjedoura da gruta de Belém são veneradas na Basílica de Santa Maria Maior em Roma. Encontram-se num precioso relicário de ouro e cristal, onde podem ser admiradas e adoradas por todos. A liturgia própria da festa era chamada ad praecepe, de onde vem a palavra presépio, e que significa literalmente em volta do berço.
Em 1223, São Francisco de Assis criou o primeiro presépio vivo, com personagens reais, na sua igreja de Grecchio, em Itália. Os figurantes (o Menino Jesus numa manjedoura, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os anjos) eram representados por habitantes da aldeia. Os animais, o boi, o burrico, as ovelhas e outros, também eram reais. Este piedoso costume medieval espalhou-se rapidamente.

Os primeiros presépios em escala reduzida com imagenzinhas, entraram nas igrejas no século XVI por obra dos padres jesuítas. Nessa época os jesuítas eram heróis na luta contra o protestantismo seco e hirsuto que desconhece o presépio e os seus imponderáveis divinos que enchem as almas de gáudio. Por volta dos séculos XV e XVI ficaram famosos os presépios de Nápoles, Itália, pela proliferação de figurinhas.

No início do século XIX, após a anticatólica Revolução Francesa, em França parecia que o costume tinha morrido. Mas, os habitantes da região de Provence (sul) deram novo impulso a esta piedosa devoção a partir de 1803 em casas particulares e igrejas criando famosos santons (figurinhas de massa).
Na hora de montar o presépio, em geral, deixa-se a manjedoura vazia. Nela, o Menino Jesus será instalado na noite do dia 24 para o 25. Forma parte do costume colocar uma estrela no topo do presépio. Ela lembra-nos da estrela que no Céu guiou os três santos Reis de Oriente que foram venerar o Salvador do mundo.

Os três Reis Magos (Gaspar, Melchior e Balthazar), simbolizam o conjunto dos povos da terra. Em geral, são representados com camelos, ou até elefantes e dromedários que lhes teriam servido de montaria. É um costume muito praticado, colocá-los longe da gruta e, dia após dia, aproximá-los dela, até introduzi-los na gruta na festa da Epifania (6 de Janeiro). Epifania significa a irradiação da glória externa de Deus, precisamente posta em relevo pela adoração dos potentados de Oriente.

A presença dos anjos é de rigor, relembrando o cântico angélico “Glória a Deus nos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade” de que nos falam as Escrituras.

Luis Dufaur in luzesdeesperanca.blogspot.com


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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Um hino cristão muito antigo: Veni veni Emmanuel

Vem, vem, Emanuel
Liberta o captivo Israel
Que geme no exílio
Até que o Filho de Deus apareça
Alegra-te! Alegra-te! Emmanuel
Nasceu para ti, Israel!
Vem, ó ramo da árvore de Jessé
Liberta-os das garras do inimigo
Aqueles que confiam em vosso poder de salvar
E lhes traz vitória sobre o Inferno
Alegra-te! Alegra-te! Emmanuel
Nasceu para ti, Israel!
Vem, vem, ó Sol nascente
Anima-nos pela tua aproximação
Dissipa as nuvens sombrias da noite
Afasta as sombras da morte
Alegra-te! Alegra-te! Emmanuel
Nasceu para ti, Israel!
Vem, Chave de Davi
E abre-nos o Reino dos Céus
Faz segura a estrada para o Alto
E fecha o caminho do Inferno
Alegra-te! Alegra-te! Emmanuel
Nasceu para ti, Israel!
Vem, vem Senhor
Que ao povo no Sinai
Destes a lei
Na gloriosa majestade
Alegra-te! Alegra-te! Emmanuel
Nasceu para ti, Israel!


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Missas Rorate 2022 (parte #1)

A Missa Rorate é a Missa de Santa Maria in Sabbato rezada no Advento. Tem a particularidade de ser celebrada à luz das velas.

A Missa começa de madrugada, mesmo antes do sol nascer, e ao longo da Missa as luzes da aurora entram pela igreja. Significa Jesus Cristo, luz do mundo, que vem até nós no tempo de Natal, dissipando as trevas.












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Uma imagem do Advento



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domingo, 18 de dezembro de 2022

Intróito do 4º Domingo de Advento: Rorate Caeli

Roráte, cœli, désuper, et nubes pluant iustum: aperiátur terra, et gérminet Salvatórem.

Derramai, ó Céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo: abra-se a terra e germine o Salvador.

Cœli enárrant glóriam Dei: et ópera mánuum eius annúntiat firmaméntum.

Céus narram a glória de Deus: e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.

Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto.
Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sǽcula sæculórum. Amen.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Assim como era no princípio, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amen.


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sábado, 3 de dezembro de 2022

São Francisco Xavier explica os riscos e recompensas de ser missionário

Este país é muito perigoso, porque os seus habitantes, cheios de perfídia, misturam muitas vezes veneno na comida e na bebida. É por isso que não há ninguém disposto a ir para lá cuidar dos cristãos. Mas estes têm necessidade de ensinamentos espirituais e de alguém que os baptize para lhes salvar a alma; é por isso que eu sinto a obrigação de perder a minha vida corporal para ir socorrer a vida espiritual do próximo. 

Coloco a minha esperança e a minha confiança em Deus Nosso Senhor, com o desejo de me conformar, segundo os meus pobres meios, à palavra de Cristo, nosso Redentor e Senhor: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; quem a perder por minha causa há de salvá-la».

É fácil, evidentemente, compreender os termos e o sentido geral destas palavras do Senhor; mas, quando a pessoa quer levá-la à prática e dispor-se a perder a própria vida por Deus, a fim de a reencontrar nele, quando a pessoa se expõe aos perigos nos quais pressente a possibilidade de deixar a vida, tudo se torna tão obscuro, que as palavras, não deixando de ser perfeitamente claras, acabam também por se obscurecer. 

Nesses casos, parece-me, só consegue compreendê-las aquele - por muito sábio que seja - a quem Deus Nosso Senhor, na sua infinita misericórdia, Se digna explicar-lhas nas suas circunstâncias específicas. É então que conhecemos a condição da nossa carne, isto é, que somos fracos e enfermos.

São Francisco Xavier in 'Carta de 10 de Maio de 1546' (escrita aos seus companheiros europeus desde a ilha de Amboina, Arquipélago das Molucas)


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domingo, 27 de novembro de 2022

História e propósito do Advento

Começa hoje o Advento, que antecede o tempo de Natal:

1. Prioridade dos ciclos

A formação do Ano Litúrgico teve início pelas festas de Páscoa e Pentecostes. Só mais tarde acrescentou-se o Ciclo do Natal. 

2. Natureza do ciclo do Natal

O ciclo principia pelo Advento (= vinda), que abrange 4 semanas de preparação. As festas centrais deste ciclo são o dia de natal de N. S. Jesus Cristo e a Epifania. A Epifania é mais antiga e liturgicamente superior (2i. ordinis), o Natal, porém, (3i. ordinis) tem a prioridade nos Mistérios do Redentor e dá o nome ao ciclo. Objeto deste ciclo é a aparição de Cristo na gruta, na circuncisão, perante os magos, perante os discípulos em Caná, perante o povo no Jordão, perante Simeão no templo, perante os doutores (Dom. inf. oct. Ep.) 

3. História do Advento 

Em Espanha, já o Sínodo de Saragoça (380) [1º Concílio de Saragoça; ao todo, foram quatro] prescreveu 3 semanas de preparação para a Epifania, em que se celebrava outrora o Natal de Cristo. Em Tours, o Bispo Perpétuo (+ 491) ordenou 6 semanas de preparação para o Natal em 25 de Dezembro. Em Roma, o Advento é mencionado no [Decreto] Gelasiano (fins do século V). Os Domingos do Advento foram, por muito tempo, em alguns lugares, cinco; ainda hoje no Rito Ambrosiano são seis; em Roma, quatro, desde o V século. O Rito Grego não conhece o Advento, mas sim um jejum de 40 dias. 

O Advento começa no Domingo próximo da festa de Santo André (30 de Novembro). Se a festa ocorre na primeira metade da semana, o Advento começa na festa ou no Domingo precedente, do contrário, no seguinte. A razão mística pela qual Santo André introduz o Ano Eclesiástico é o seu empenho em conduzir seu irmão Pedro a Nosso Senhor. A razão natural é o cálculo das 4 semanas do Advento. Este não poderia começar a 26 de Novembro, porque seriam mais do que 4 semanas (29 dias), nem a 4 de Dezembro, porque seriam menos que 4 semanas até a festa de Natal. Só o dia 30 de Novembro regula o cálculo litúrgico entre 27 de Novembro e 3 de Dezembro. 

4. Carácter do Advento

1) É o tempo da preparação para o aniversário da vinda do Salvador, causa de novas graças. Pois só a esta se pode aplicar o invitatório nas vésperas de 24 de Dezembro: Hodie scietis, guia veniet Dominus et mane videbitis gloriam ejus, repetido várias vezes; a antífona: Crastina die delebitur iniquitas terrae; em 21 de Dezembro, a antífona: Quinta die veniet ad vos Dominus. 

Esta ideia manifesta da vinda do Redentor inspira toda a Liturgia do Advento.

No 1º Domingo do Advento, o Senhor está longe. A antífona das primeiras vésperas é: Nomen Domini venit de longínquo; Aspiciens a longe. (1° Resp.); Prope est regnum Dei. (Evang.)

No 2° Domingo: O desejo da Igreja é mais ardente, quase impaciente: Jerusalem, cito veniet salus tua, quare mcerore consumeris. (1.° Resp.) Tu es, qui venturas es. (Evang.)

No 3° Domingo Gaudete: Prope est iam Dominus. (Invit.) Alegrai-vos. Pois o Senhor já está perto. Gaudete, Dominus enim propeest. (Capit.) Medias vestrum stetit. (Evang.)

No 4.° Domingo: Pulchriores sunt oculi eius vino et dentes eius lacte candidiores (2° Resp.); Videbit omnis caro salutare Dei. (Evang.) Depois os textos do dia 21-24 de Dezembro.

2) 0 Advento é o tempo de preparação para a segunda vinda de Jesus Cristo, como muitos textos o provam, mas só em segundo lugar. Os hinos nas matinas, laudes e vésperas mencionam primeiro o Nascimento de Jesus, em segundo lugar o Último Juízo, do mesmo modo a oração da vigília. 

3) Na Liturgia encontramos continuamente os dois elementos: penitência e alegria.

a) Os sinais de penitência: no ofício do tempo, não se canta Te Deum; rezam-se as preces feriais; Missa sem Glória, com paramentos roxos, sem órgão, ornato simples do altar; o diácono e o subdiácono não usam dalmática nem tunicela (vestimenta laetitiae: Pontif.); em lugar delas usa-se o estolão para o diácono, nas igrejas maiores; e as igrejas paroquiais, quanto a este efeito, são igrejas maiores (d. 3352 ad 7); nas outras, o diácono e subdiácono vestem só alva, estola e manípulo. (Miss. rubr. XIX, 6, 7.) 

b) Os sinais de alegria são: sempre aleluia; o vivo desejo do Redentor nas antífonas ad laudes nos domingos e na última semana; as antífonas O ad vesperas; no Domingo Gaudete, em que os paramentos podem ser cor de rosa, é permitido o órgão e o uso da dalmática e da tunicela. 

4) As regras litúrgicas mencionadas obrigam só nas funções litúrgicas do tempo, não obrigam porém nem nas festas nem nas funções extra-litúrgicas, p. ex., devoções e bençãos. 

5. O Advento é símbolo do tempo antes do Nascimento de Jesus Cristo. Os suspiros: Rorate, caeli, desuper et nubes pluant Iustum (Is 45, 8) e numerosas aspirações distribuídas por todas as partes do Ofício e da Missa claramente provam-no. 

6. O uso do Presépio, antigamente muito espalhado no Brasil, merece ser preferido ao da árvore de natal, que é ornada também pelos incrédulos e pagãos modernos.  

7. Entre os sinais de alegria deve-se contar o culto especial da SS. Virgem, devido a Ela, como Mãe do Menino Deus. Nos responsórios e antífonas é Ela muitas vezes mencionada; a oração de Beata está prescrita como comemoração comum, e em muitos lugares cantam-se as Missas: Rorate. Durante o tempo do Advento, ocorrem duas festas solenes com as suas oitavas. 

a. Imaculada Conceição, a 8 de Sezembro, em honra de Maria, concebida sem pecado.

Os primeiros vestígios desta festa encontram-se no Oriente, em meados do século VIII, no Ocidente, no século IX, em Nápoles; na Inglaterra, pelo ano 1100, já se encontra com o nome de "Conceição da B. V. Maria". Espalhou-se rapidamente. Papa Sixto V, O.F.M., a introduziu no Calendário Romano. Papa Clemente IX (+ 1670) acrescentou a oitava. Papa Pio IX, com imenso júbilo de todos os fiéis, definiu em 1854 o Dogma da Imaculada Conceição e elevou a festa a dia santo de guarda. 

b. Nossa Senhora de Guadalupe, no México, Padroeira da América Latina, a 12 de Dezembro; antigamente a 26 de Fevereiro. 

Em 1531, Maria SS. apareceu a um índio mexicano, João Diogo, e o encarregou de pedir ao Bispo que mandasse construir um santuário em honra dela. Como o prelado desejasse uma prova da veracidade da mensagem, Maria Santíssima apareceu a Diogo outra vez, entregando-lhe rosas lindíssimas, apesar do inverno, tempo em que não havia flores. Na capa, em que as levou ao bispo, apareceu pintada a imagem da Mãe de Deus tal qual Diogo a tinha visto. Foi prova suficiente para se reconhecer que a mensagem era genuína. Erigiu-se um templo magnífico.

Pe. João Batista Reus SJ in 'Curso de Liturgia' (Artigo I. Ciclo de Natal. § 67 - O Advento)


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