quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Santo Ambrósio sobre a morte do seu irmão: "Por que choras?"

Que chorem os que não têm a esperança da ressurreição; não é a vontade de Deus que lhes tira essa esperança, mas a dureza daquilo em que acreditam. Tem de haver uma diferença entre os servos de Cristo e os pagãos. E essa diferença é a seguinte: estes choram os seus julgando-os mortos para sempre; desse modo, não conseguem pôr fim às suas lágrimas, não encontram descanso para a tristeza. 

Mas para nós, servos de Deus, a morte não é o fim da existência, mas apenas o fim da nossa vida. Dado que a nossa existência será restaurada por uma condição melhor, que a chegada da morte varra portanto todas as lágrimas.

A nossa consolação será tanto maior quanto acreditamos que as boas ações que fazemos terão grandes recompensas depois da morte. Os pagãos têm a sua consolação: para eles a morte é um repouso para todos os males. Como pensam que os seus mortos estão privados de fruir da vida, pensam também que ficam privados da faculdade de sentir e libertos da dor das duras e contínuas tribulações que se sofrem nesta vida. Nós, porém, assim como devemos ter um espírito mais elevado por causa da recompensa esperada, devemos também suportar melhor a dor graças a essa consolação.

Os nossos mortos não foram enviados para longe de nós, mas apenas antes de nós; a morte não os tragará, a eternidade recebê-los-á.


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