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Perguntei, então, ao aluno que era para ele a Fé, e, não recebendo resposta, dirigi a pergunta a toda a turma; o resultado foi o mesmo. Perguntei, então, ao aluno do último banco que é a Razão, e, diante do seu silêncio, de novo voltei a perguntar para todos, obtendo o mesmo silêncio. “Como podeis – disse então – julgar sobre a Fé e Razão sem antes procurar saber o que são? Usais palavras cujo significado não possuís.” É claro que as minhas afirmações tiveram o efeito de desencadear uma discussão, e fui percebendo cada vez mais que o professor de Filosofia tinha tido alguma influência na classe. Ao sair da sala no fim da hora, achei-me defronte do próprio – e logo lhe disse que estava admirado de que naquela turma se considerasse óbvio que a Fé não tivesse nada a ver com a Razão. Reagiu dizendo que também a Igreja o afirmara no Concílio Arausicanum II.
Fiz-lhe notar que qualquer afirmação há-de ser interpretada no contexto histórioco em que se deu e do qual exprime concepções e preocupações. Arrancar uma frase do seu contexto cultural e literário e lê-la exactamente como se tivesse sido criada na véspera, é certamente anti-histórico e impede a compreensão correcta. A discussão ia aumentando, e o círculo de estudantes à nossa volta era cada vez mais longo.
Então, embora fosse já o momento de entrar noutra aula, quis que os alunos pudessem compreender em que consistia a questão entre mim e o professor de Filosofia. E perguntei-lhe: “Professor, nunca estive na América, mas posso com certeza garantir-lhe que a América existe. Afirmo-o com a mesma certeza com que digo que o senhor professor está diante de mim neste momento. Acha razoável esta minha certeza?”
Após alguns momentos de silêncio e de evidente embaraço, a resposta foi: “Não!” Era o que eu queria que ficasse bem claro para aqueles alunos, e que também aqui quero afirmar: tenho um conceito de razão para o qual admitir que a América existe sem nunca a ter visto pode ser razoabilíssimo, ao contrário daquele professor, cujo conceito de razão o obriga a dizer que isso não é razoável.
Para mim, a razão é abertura à realidade, capacidade de a captar e afirma na totalidade dos seus factores. Para aquele professor, razão é “medida” das coisas, fenómeno que se manifesta quando há uma demonstrabilidade directa.
in O Sentido Religioso
in O Sentido Religioso
2 comentários:
Caros Senzas, continuo a ser um assíduo visitante do vosso blog e leitor atento dos post que vão surgindo. Em virtude da recente actualização que fiz ao meu blog convido-vos uma vez mais a visitá-lo:
http://peregrinonocaminhodaluz.blogspot.com/
Fraternas saudações, Peregrino no Caminho da Luz
Caro Peregrino, também sou um visitante do seu blog, e dou-lhe os parabéns pela actualização.
Muito especialmente os posts sobre Santa Catarina Labouré e Nossa Senhora das Graças são muito úteis para não esquecer mais esta graça que nos foi trazida pela nossa Mãe do Céu.
Continue a ajudar-nos a peregrinar...
Abraço em Cristo
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