Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Leão XIV. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Leão XIV. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 3 de julho de 2026

FSSPX responde ao Decreto de Excomunhão

“Entre vós, se um filho pedir pão ao pai, dar-lhe-á uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente em vez de um peixe? Ou, se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem?” (Lc XI, 11-13)

Santíssimo Padre,

Chegou até nós a notificação da decisão tomada pela Santa Sé a respeito da Fraternidade Sacerdototal de São Pio X, assinada por Sua Eminência o Cardeal Fernández, que é já do conhecimento público.

Parece-nos que esta decisão traz novamente à luz o contexto profundamente trágico em que a Igreja universal se encontra. O que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X fez e continuará a fazer não é senão uma iniciativa extraordinária para a salvação das almas, no meio da confusão doutrinal e moral em que a Igreja se vê mergulhada. De modo nenhum pretendemos substituir-nos à Igreja, e não temos outra ambição senão a de permanecermos fiéis a Ela.

Em consciência, não julgámos poder esquivar-nos ao dever moral que devemos às almas, como já explicámos, tanto em privado como em público, a Vossa Santidade.

Pedimos pão, isto é, uma medida de compreensão para um caso sincero de consciência — um acto de paternidade dirigido não tanto à Sociedade São Pio X como às almas, prometendo-Vos formá-las em verdadeiros filhos da Igreja romana; infelizmente, recebemos uma pedra.

Pedimos um peixe, isto é, a possibilidade de obter temporariamente os meios necessários para continuar a formar bons sacerdotes, a fim de que possam prosseguir na sua missão de dar a conhecer Nosso Senhor às almas; infelizmente, recebemos uma serpente.

Pedimos um ovo, prometendo devolvê-lo assim que possível. Com efeito, a santa Tradição que preservamos nas almas pertence à Igreja, nossa Mãe — e não à Fraternidade São Pio X —, e estamos certos de que um dia um Papa desejará empregá-la para o bem da Igreja universal; infelizmente, recebemos um escorpião.

Pedimos que nos instruíssem e confirmassem na fé de todos os tempos; em vez disso, fomos declarados cismáticos pela segunda vez.

Apesar das sanções que contra nós foram decretadas, a Fraternidade de  São Pio X renova sinceramente a promessa já expressa a Vossa Santidade. Permiti-me, a este respeito, reiterar livremente o que anteriormente afirmei:

«A Sociedade promete-Vos […] consagrar todas as suas energias à preservação da Tradição e a colocá-la ao serviço da Igreja. Ao fazê-lo, a Sociedade São Pio X não se limita a manter costumes antigos; fomenta e preserva vocações sacerdotais, vocações religiosas e famílias numerosas e profundamente cristãs — numa palavra, tudo o que manifesta a vitalidade da Igreja, da graça e da fé católica. A nossa intenção não é oferecer à Igreja um museu de antiguidades, mas sim o conjunto da Tradição: fecunda, fonte de vida espiritual, encarnada e vivida nas almas.

[…] Estou certo de que um dia Vós mesmo, ou um dos Vossos sucessores, poderá e quererá utilizar este serviço, cuja oferta, no seio da Igreja e para a Igreja, constitui a única razão de ser da Sociedade.» (Carta pessoal dirigida a Sua Santidade em 21 de Novembro de 2025)

Mas, sobretudo, a Sociedade São Pio X promete-Vos hoje que não acolherá estas novas sanções — objectivamente injustas e inválidas — com amargura ou revolta.

Estas recentes condenações, como as do passado, ferem o que mais caro nos é: o nosso apego à nossa Mãe, a Igreja romana. No entanto, mesmo nesta provação, todas as coisas devem concorrer para o bem das almas e da própria Igreja. Por isso, estas condenações obrigam-nos a amar ainda mais a Santa Igreja e a prover às suas necessidades com todas as nossas forças, agora mais do que nunca. É precisamente por esta razão que a Fraternidade de  São Pio X oferece de bom grado o sofrimento causado por estas novas sanções pelo bem da Igreja universal e de Vossa Santidade.

Estamos certos de que um dia Vós mesmo, ou um dos Vossos sucessores, desejará adoptar o programa de São Pio X: «Restaurar todas as coisas em Cristo», Instaurare omnia in Christo. Nesse dia, o Santo Padre descobrirá na Sociedade São Pio X não um ninho de serpentes e escorpiões, mas um pequeno exército de filhos leais, prontos a tudo para O sustentar na restauração de todas as coisas em Nosso Senhor e para reivindicar perante toda a humanidade os direitos imprescriptíveis de Cristo Rei sobre todas as almas e sobre todas as nações.

Nesse dia, o Santo Padre descobrirá, com grande alegria e profundo consolo, almas autenticamente católicas cujo vínculo com a Igreja nunca se fundou sobre as areias movediças de um diálogo ambíguo, mas sobre a rocha da fé de Pedro.

Pedimos à Santíssima Virgem Maria que apresse o despontar desse dia e rezamos, sobretudo, para que Vossa Santidade possa experimentar esta alegria e este consolo o mais brevemente possível.

Entretanto, se puderdes, apesar da Vossa recente decisão, abençoai-nos como Vossos filhos. Para nós, nada mudou e nada mudará jamais.

Confiante na Divina Providência, de quem nada se esconde e que lê no mais profundo do coração de cada homem,

Permaneço, Santíssimo Padre, o vosso devotadíssimo filho no Senhor.

Padre Davide Pagliarani



blogger

terça-feira, 2 de junho de 2026

D. Athanasius pediu ao Papa que autorize as sagrações episcopais

Apelo ao Papa Leão XIV sobre as consagrações episcopais da FSSPX
«Não passeis à História, caro Papa Leão XIV, como o Papa que aceitou ou permitiu que houvesse um cisma ou, novamente, excomunhões e uma ferida reaberta — o que não era necessário.»

Generosidade de Leão XIV para com as outras religiões
«Vós sois tão generoso com as outras confissões, recebendo a senhora "Arcebispa" de Cantuária, visitando mesquitas e assim por diante. Porque não podeis fazer alguns gestos para com os vossos próprios filhos?»

Pedido de uma permissão papal excepcional
«Concedei-lhes, de modo excepcional, a permissão para consagrarem Bispos que Vos amarão e rezarão por Vós — e depois podereis encontrar com eles uma solução. Isso leva tempo.»

O círculo íntimo de Leão XIV impulsiona uma política de linha dura
«Sede um pai, sede um filho de Santo Agostinho para fazer a paz e deixai falar o vosso coração e não o vosso entourage que Vos influenciará e aconselhará a excomungá-los.»
«Vi que o Cardeal Fernández está a preparar a excomunhão, se eles avançarem a 1 de Julho.»

Defesa do Arcebispo Lefebvre
«Cada vez mais me convenço de que a obra do Arcebispo Lefebvre é uma grande obra para toda a Igreja — passará à História.»

O problema jurídico é secundário
«O aspecto jurídico é secundário por causa da confusão evidente e da situação de emergência dentro da Igreja, onde a Santa Sé não garante plenamente a conservação da integridade verdadeiramente 100% da fé católica.»

O Vaticano exige a aceitação da ambiguidade doutrinal
«A Santa Sé exige da Fraternidade Sacerdotal São Pio X que aceite algumas afirmações ambíguas do Concílio, que aceite o método dos métodos ecuménicos ambíguos da Santa Sé, o qual relativiza a unicidade do Nosso Senhor.»
«O documento de Abu Dhabi é, de facto, uma negação do Evangelho e do primeiro mandamento de Deus.»
«Há neste documento escondido um verdadeiro veneno, a diversidade das religiões no plural é a expressão da vontade sábia de Deus. Isto é impossível, isto é uma heresia.»

O vídeo da entrevista pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=09vsXiGdv8g

in gloria.tv


blogger

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Apelo fraternal ao Papa Leão XIV para construir uma ponte com a FSSPX - D. Athanasius Schneider

A situação actual relativa às sagrações episcopais na Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) despertou subitamente toda a Igreja. Num curto espaço de tempo, após o anúncio de 2 de Fevereiro de que a FSSPX irá proceder a estas sagrações, surgiu, em amplos sectores do mundo católico, um debate intenso e frequentemente carregado de emoção. O leque de vozes nesse debate vai desde a compreensão, benevolência, observação neutra e bom senso, até à rejeição irracional, condenação peremptória e até ao ódio visceral. Embora haja motivos de esperança — e de modo algum irrealista — de que o Papa Leão XIV possa efectivamente aprovar as sagrações episcopais, já se começam a apresentar em linha propostas de texto para uma bula de excomunhão da FSSPX.

As reacções negativas, embora muitas vezes bem intencionadas, revelam que o cerne do problema ainda não foi compreendido com suficiente honestidade e clareza. Nota‑se uma tendência para permanecer à superfície. As prioridades na vida da Igreja invertem‑se, elevando a dimensão canónica e jurídica — isto é, um certo positivismo jurídico — ao critério supremo. Além disso, por vezes falta consciência histórica quanto à prática da Igreja no que toca às ordenações episcopais. Assim, a desobediência é demasiado facilmente equiparada a cisma. Os critérios de comunhão episcopal com o Papa, e consequentemente a compreensão daquilo que realmente constitui o cisma, são considerados de modo excessivamente unilateral em comparação com a prática e a auto-consciência da Igreja na era patrística, o tempo dos Padres da Igreja.

Neste debate, estão a ser estabelecidos novos quase‑dogmas que não existem no Depositum fidei. Estes quase‑dogmas sustentam que o consentimento do Papa para a sagração de um bispo é de direito divino, e que uma sagração realizada sem esse consentimento, ou mesmo contra uma proibição papal, constitui em si mesma um acto cismático. Porém, a prática e a compreensão da Igreja no tempo dos Padres, e durante um longo período depois disso, contrariam tal visão. Além disso, não há opinião unânime sobre esta matéria entre os teólogos reconhecidos da tradição bi-milenar da Igreja. Séculos de prática eclesial, assim como o direito canónico tradicional, opõem‑se também a tais afirmações absolutizantes. Segundo o Código de Direito Canónico de 1917, uma sagração episcopal realizada contra a vontade do Papa não era punida com excomunhão, mas apenas com suspensão. Com isto, a Igreja manifestava claramente que não considerava tal acto como cismático.

A aceitação do primado do Papa como verdade revelada é muitas vezes confundida com as formas concretas — formas que se foram desenvolvendo ao longo da História — pelas quais um bispo exprime a sua unidade hierárquica com o Papa. Crer no Primado do Papa, reconhecer o Papa concreto, aderir com ele a tudo o que a Igreja ensinou infalível e definitivamente e observar a validade da liturgia sacramental é de direito divino. Contudo, uma visão redutora que equipara a desobediência a uma ordem papal com o cisma — mesmo no caso de uma sagração episcopal realizada contra a sua vontade — era estranha aos Padres da Igreja e ao direito canónico tradicional. Por exemplo, em 357, São Atanásio desobedeceu à ordem do Papa Libério, que o instruíra a entrar em comunhão hierárquica com a esmagadora maioria do episcopado, o qual era de facto ariano ou semi‑ariano. Como consequência, foi excomungado. Neste caso, São Atanásio desobedeceu por amor à Igreja e à honra da Sé Apostólica, procurando precisamente salvaguardar a pureza da doutrina de qualquer suspeita de ambiguidade.

No primeiro milénio da vida da Igreja, as sagrações episcopais eram geralmente realizadas sem permissão papal formal, e não se exigia que os candidatos fossem aprovados pelo Papa. A primeira norma canónica sobre sagrações episcopais, emanada por um Concílio Ecuménico, foi a de Niceia, em 325, que requeria que um novo bispo fosse consagrado com o consentimento da maioria dos bispos da província. Pouco antes da sua morte, num período de confusão doutrinal, São Atanásio escolheu pessoalmente e consagrou o seu sucessor — São Pedro de Alexandria —, para garantir que nenhum candidato inadequado ou fraco viesse a assumir o episcopado. De modo semelhante, em 1977, o Servo de Deus Cardeal Iosif Slipyj consagrou secretamente três bispos em Roma sem a aprovação do Papa Paulo VI, plenamente consciente de que o Papa não o permitiria por causa da Ostpolitik vaticana daquela época. Ainda assim, quando Roma tomou conhecimento destas sagrações secretas não aplicou a pena de excomunhão.

Para evitar mal‑entendidos, em circunstâncias normais — e quando não há confusão doutrinal nem tempo de perseguição extraordinária — é preciso, evidentemente, fazer tudo o possível para observar as normas canónicas da Igreja e obedecer ao Papa nas suas injunções justas, a fim de preservar a unidade eclesial de modo mais eficaz e visível.

Mas a situação actual na vida da Igreja pode ser ilustrada com a seguinte parábola: Irrompe um incêndio numa grande casa. O chefe dos bombeiros permite apenas o uso de novos equipamentos de combate ao fogo, embora se tenha demonstrado que são menos eficazes do que os antigos instrumentos. Um grupo de bombeiros desafia esta ordem e continua a usar o material experimentado e comprovado — e, de facto, o fogo é contido em muitos lugares. No entanto, estes bombeiros são rotulados como desobedientes e cismáticos, e são castigados.

Prolongando a metáfora: o chefe dos bombeiros admite apenas aqueles que reconhecem o novo equipamento, seguem as novas regras de combate ao fogo e obedecem aos novos regulamentos do quartel. Mas, dada a dimensão evidente do incêndio, a luta desesperada contra ele e a insuficiência da equipa oficial de bombeiros, outros auxiliares — apesar da proibição do chefe — intervêm abnegadamente, com perícia, conhecimento e boas intenções, acabando por contribuir para o êxito dos esforços do próprio chefe.

Perante um comportamento tão rígido e incompreensível, apresentam‑se duas possíveis explicações: ou o chefe dos bombeiros nega a gravidade do incêndio, à semelhança da comédia francesa 'Tout va très bien, Madame la Marquise!'; ou, na realidade, o chefe deseja que grandes partes da casa ardam, para que mais tarde possam ser reconstruídas segundo um novo projecto.

A crise actual em torno das sagrações episcopais anunciadas — mas ainda não aprovadas — expõe, diante dos olhos de toda a Igreja, uma ferida que arde em brasa há mais de sessenta anos. Esta ferida pode ser descrita, em linguagem figurada, como um cancro eclesial — concretamente, o cancro eclesial das ambiguidades doutrinais e litúrgicas.

Recentemente, apareceu um excelente artigo no blogue Rorate Caeli, escrito com rara clareza teológica e honestidade intelectual, com o título: “The Long Shadow of Vatican II: Ambiguity as Ecclesial Cancer”. O problema fundamental de algumas afirmações ambíguas do Concílio Vaticano II é que o Concílio preferiu um tom pastoral em detrimento da precisão doutrinal. Pode concordar‑se com o autor quando ele afirma:

«O problema não é que o Vaticano II tenha sido herético. O problema é que foi ambíguo. E nessa ambiguidade vimos as sementes da confusão que floresceram em alguns dos mais preocupantes desenvolvimentos teológicos da história moderna da Igreja. Quando a Igreja, mesmo que sem intenção, fala em termos vagos, as almas estão em perigo.»

O autor continua:
«Quando um “desenvolvimento” doutrinal parece contradizer o que vinha antes, ou quando exige décadas de ginástica teológica para ser reconciliado com o ensinamento magisterial anterior, devemos perguntar: trata‑se de desenvolvimento, ou de ruptura disfarçada de desenvolvimento?»

Pode supor‑se com razoabilidade que a FSSPX nada mais deseja do que ajudar a Igreja a sair desta ambiguidade na doutrina e na liturgia e a reencontrar a sua salutar clareza perene — tal como o Magistério da Igreja, guiado pelos Papas, o fez inequivocamente ao longo da História, depois de cada crise marcada pela confusão doutrinal e pela ambiguidade.

Na realidade, a Santa Sé deveria estar agradecida à FSSPX, porque ela é actualmente quase a única grande realidade eclesial que aponta franca e publicamente a existência de elementos ambíguos e equívocos em certas afirmações do Concílio e do Novus Ordo Missae. Neste esforço, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho nem se empenharia em dialogar com as autoridades romanas — e sem dúvida teria uma vida mais fácil.

Comovem profundamente as seguintes palavras de Mons. Marcel Lefebvre, que reflectem a atitude da actual direcção e da maior parte dos membros da FSSPX:

«Nós cremos em Pedro, nós cremos no sucessor de Pedro! Mas, como o Papa Pio IX diz muito bem na sua constituição dogmática, o Papa recebeu o Espírito Santo não para fazer novas verdades, mas para nos manter na fé de sempre. Esta é a definição do Papa feita por ocasião do Concílio Vaticano I pelo Papa Pio IX. E é por isso que estamos convencidos de que, ao manter estas tradições, manifestamos o nosso amor, a nossa docilidade, a nossa obediência ao Sucessor de Pedro. Não podemos permanecer indiferentes perante a degradação da fé, da moral e da liturgia. Isso está fora de questão! Não queremos separar‑nos da Igreja; pelo contrário, queremos que a Igreja continue!»

Se alguém considera entre os seus maiores sofrimentos espirituais o facto de ter dificuldades com o Papa, tal é por si só uma prova eloquente de que não há intenção cismática. Os verdadeiros cismáticos chegam mesmo a gloriar‑se da sua separação da Sé Apostólica. Verdadeiros cismáticos jamais suplicariam humildemente ao Papa que reconhecesse os seus bispos.

Quão verdadeiramente católicas são, então, estas palavras de Mons. Marcel Lefebvre:

«Lamentamos infinitamente, é uma dor imensa para nós, pensar que estamos em dificuldade com Roma por causa da nossa fé! Como é possível? É algo que ultrapassa a imaginação, que nunca teríamos podido imaginar, que nunca teríamos podido acreditar, sobretudo na nossa infância — então, quando tudo era uniforme, quando toda a Igreja acreditava na sua unidade geral e tinha a mesma Fé, os mesmos Sacramentos, o mesmo sacrifício da Missa, o mesmo catecismo.»

Devemos examinar honestamente as evidentes ambiguidades relativas à liberdade religiosa, ao ecumenismo e à colegialidade, bem como as imprecisões doutrinais do Novus Ordo Missae. A este respeito, deve ler‑se o livro recentemente publicado pelo Arquimandrita Boniface Luykx, perito conciliar e renomado estudioso de liturgia, cujo título é muito eloquente: "A Wider View of Vatican II. Memories and Analysis of a Council Consultor".

Como disse uma vez G. K. Chesterton: «Ao entrar na igreja, pedem‑nos que tiremos o chapéu, não a cabeça.» Seria uma tragédia se a FSSPX fosse completamente cortada, e a responsabilidade por tal divisão recairia principalmente sobre a Santa Sé. A Santa Sé deveria acolher a FSSPX, oferecendo‑lhe ao menos um mínimo de integração na Igreja, e depois continuar o diálogo doutrinal. A Santa Sé demonstrou notável generosidade em relação ao Partido Comunista Chinês, permitindo‑lhe escolher candidatos a bispos — e, contudo, os seus próprios filhos, as dezenas e dezenas de milhares de fiéis da FSSPX, são tratados como cidadãos de segunda categoria.

Dever‑se‑ia permitir à FSSPX que desse a sua contribuição teológica em ordem a clarificar, completar e, se necessário, emendar aquelas afirmações dos textos do Concílio Vaticano II que suscitam dúvidas e dificuldades doutrinais. Deve ter‑se igualmente em conta que, nesses textos, o Magistério da Igreja não pretendeu pronunciar‑se com definições dogmáticas dotadas da nota de infalibilidade (cf. Paulo VI, Audiência Geral, 12 de Janeiro de 1966).

A FSSPX faz exactamente a mesma Professio fidei que fizeram os Padres do Concílio Vaticano II, conhecida como a Professio fidei tridentino‑vaticana. Se, segundo as palavras explícitas do Papa Paulo VI, o Concílio Vaticano II não apresentou doutrinas definitivas nem tencionou fazê‑lo, e se a fé da Igreja permanece a mesma antes, durante e depois do Concílio, por que motivo a profissão de fé que era válida na Igreja até 1967 deixaria de ser considerada válida, de repente, como marca de verdadeira crença católica?

Todavia, a Professio fidei tridentino‑vaticana é considerada insuficiente pela Santa Sé no que toca à FSSPX. Não constituiria precisamente essa Professio fidei tridentino‑vaticana “o mínimo” para a comunhão eclesial? Se isso não é um mínimo, então o que, honestamente, qualificaria como “mínimo”? À FSSPX é exigido, como conditio sine qua non, que faça uma Professio fidei pela qual devam ser aceitos os ensinamentos de carácter pastoral, e não definitivo, do último Concílio e do subsequente Magistério. Se isto é realmente o chamado “requisito mínimo”, então o Cardeal Victor Fernández parece brincar com as palavras!

O Papa Leão XIV afirmou nas Vésperas ecuménicas de 25 de Janeiro de 2026, no encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que já existe unidade entre católicos e cristãos não católicos, porque partilham o mínimo da fé cristã: «Partilhamos a mesma fé no único Deus, Pai de todos os homens; confessamos juntos o único Senhor e verdadeiro Filho de Deus, Jesus Cristo, e o único Espírito Santo, que nos inspira e impele rumo à plena unidade e ao testemunho comum do Evangelho» (Carta Apostólica In Unitate Fidei, 23 de Novembro de 2025, 12). E declarou ainda: «Somos um! Já o somos! Reconheçamo‑lo, experimentemo‑lo e tornemo‑lo visível!»

Como se pode conciliar esta afirmação com a alegação feita por representantes da Santa Sé e por alguns altos prelados de que a FSSPX não está unida doutrinalmente à Igreja, dado que a FSSPX professa a Professio fidei dos Padres do Concílio Vaticano II — a Professio fidei tridentino‑vaticana?

Novas medidas pastorais provisórias concedidas à FSSPX para o bem espiritual de tantos fiéis católicos exemplares constituiriam um testemunho profundo da caridade pastoral do Sucessor de Pedro. Agindo assim, o Papa Leão XIV abriria o seu coração paterno àqueles católicos que, de certo modo, vivem numa periferia eclesial, permitindo‑lhes experimentar que a Sé Apostólica é verdadeiramente Mãe também para a FSSPX.

As palavras do Papa Bento XVI deveriam despertar a consciência daqueles, no Vaticano, que hão‑de decidir sobre a concessão da permissão para as sagrações episcopais da FSSPX. Ele recorda‑nos:
«Olhando para o passado, para as divisões que, ao longo dos séculos, rasgaram o Corpo de Cristo, tem‑se continuamente a impressão de que, em momentos críticos em que as divisões se produziam, não foi feito o suficiente, por parte dos responsáveis da Igreja, para manter ou recuperar a reconciliação e a unidade. Tem‑se a impressão de que omissões por parte da Igreja tiveram a sua quota de culpa pelo facto de estas divisões se terem podido enrijecer. Este olhar para o passado impõe‑nos hoje uma obrigação: fazer todo o possível para permitir que todos aqueles que desejam verdadeiramente a unidade nela permaneçam ou a alcancem de novo.» (Carta aos Bispos por ocasião da publicação da Carta Apostólica «motu proprio data» Summorum Pontificum, sobre o uso da Liturgia Romana anterior à reforma de 1970, 7 de Julho de 2007)

«Podemos ser totalmente indiferentes a uma comunidade que conta 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos de nível universitário, 117 irmãos religiosos, 164 religiosas e milhares de fiéis leigos? Devemos deixá‑la, com ligeireza, afastar‑se ainda mais da Igreja? E não deveria também a grande Igreja permitir‑se ser generosa, consciente da sua grande largueza, consciente da promessa que lhe foi feita?» (Carta aos Bispos da Igreja Católica a propósito da remissão da excomunhão dos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 de Março de 2009).

Medidas pastorais provisórias e mínimas a favor da FSSPX, tomadas para o bem espiritual das dezenas de milhares dos seus fiéis em todo o mundo — incluindo um mandato pontifício para sagrações episcopais — criariam as condições necessárias para esclarecer com calma mal‑entendidos, questões e dúvidas de natureza doutrinal que nascem de certas afirmações dos documentos do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério Pontifício. Ao mesmo tempo, tais medidas forneceriam à FSSPX a oportunidade de dar uma contribuição constructiva para o bem de toda a Igreja, mantendo uma clara distinção entre o que pertence à fé divinamente revelada e à doutrina proposta de modo definitivo pelo Magistério, e aquilo que tem sobretudo carácter pastoral em circunstâncias históricas concretas, sendo por isso aberto a um estudo teológico atento, como sempre foi a prática ao longo da vida da Igreja.

Com sincera solicitude pela unidade da Igreja e pelo bem espiritual de tantas almas, dirijo um apelo, com caridade reverente e fraterna, ao nosso Santo Padre o Papa Leão XIV:

Santíssimo Padre, concedei o Mandato Apostólico para as sagrações episcopais da FSSPX. Vós sois também o pai de numerosos filhos e filhas — duas gerações de fiéis que, até agora, têm sido assistidos pela FSSPX, que amam o Papa e desejam ser verdadeiros filhos e filhas da Igreja Romana. Portanto, abstrai‑vos dos partidarismos de outrem e, com grande espírito paternal e verdadeiramente agostiniano, mostrai que sois construtor de pontes, como prometestes diante do Mundo inteiro quando destes a vossa primeira bênção após a eleição. Não fiqueis na História da Igreja como aquele que não construiu esta ponte — ponte que poderia ser erguida neste momento verdadeiramente providencial, com vontade generosa — e que, em vez disso, permitiu uma ulterior divisão realmente desnecessária e dolorosa no seio da Igreja, enquanto ao mesmo tempo decorrem processos sinodais que se vangloriam da máxima amplitude pastoral e inclusividade eclesial. Como a Vossa Santidade sublinhou recentemente:

«Comprometamo‑nos a desenvolver ulteriormente práticas sinodais ecuménicas e a partilhar uns com os outros quem somos, o que fazemos e o que ensinamos (cf. Francisco, Para uma Igreja sinodal, 24 de Novembro de 2024).»

Santíssimo Padre, se concederdes o Mandato Apostólico para as sagrações episcopais da FSSPX, a Igreja do nosso tempo nada perderá. Sereis um verdadeiro construtor de pontes, e ainda mais, um construtor de pontes exemplar, pois sois o Sumo Pontífice, Summus Pontifex.

+Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana
24 de Fevereiro de 2026

[1] Estatísticas da FSSPX em 2025: Total de membros: 1482; Bispos: 2; Sacerdotes (excluindo os bispos): 733; Seminaristas (incluindo os ainda não comprometidos): 264; Irmãos religiosos: 145; Oblatas: 88; Irmãs religiosas: 250; Idade média dos membros: 47 anos; Países servidos: 77; Distritos e Casas Autónomas: 17; Seminários: 5; Escolas: 94 (das quais 54 em França).


blogger

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Padre John Berg no Vaticano

Hoje, 19 de Janeiro de 2026, o Papa Leão XIV recebeu em audiência o Padre John Berg, Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP)

Foi a primeira vez que o Padre Berg foi recebido por um Sumo Pontífice desde a sua eleição como Superior-Geral da FSSP em Julho de 2024.

Em Setembro de 2024, a Santa Sé anunciou uma visita apostólica à FSSP, conduzida pelo Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Nessa altura, o Padre Berg reuniu-se no Vaticano com o Prefeito do Dicastério.

O encontro de hoje entre o Papa e o Padre Berg deve ser lido precisamente neste quadro: uma etapa significativa do processo de acompanhamento e de avaliação da FSSP por parte da Santa Sé.


blogger

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Os Cardeais evitaram o assunto-chave no Consistório: a ajuda não vem a caminho

Ontem, num artigo cautelosamente optimista sobre a reunião desta semana do Colégio de Cardeais, observei que “é difícil imaginar como é que o consistório poderia discutir a liturgia sem imediatamente levantar o tema mais controverso dentro desse âmbito: a supressão da Missa Tradicional em Latim ao abrigo da Traditionis Custodes.
Pois bem, os Cardeais conseguiram desfazer as minhas esperanças imediatamente. Ainda antes de os meus comentários serem publicados, já tinham votado retirar o tema da liturgia da ordem de trabalhos do consistório. Em vez disso, a reunião de dois dias irá concentrar-se principalmente em… preparemo‑nos… sinodalidade.

Sinodalidade: o mesmo tema que foi discutido nas duas últimas assembleias do Sínodo dos Bispos. O mesmo tema que foi tratado num número sem precedentes de reuniões preparatórias, nas quais católicos que trabalham para a Igreja falaram entre si sobre como alargar as suas conversas. Sinodalidade: um tema que tem dominado por completo as conversas nos meios eclesiásticos há já vários anos, sem que daí tenha resultado qualquer compreensão clara do que a palavra significa.

Quando se encontra com os outros paroquianos depois da Missa de Domingo, dá por si a notar que a conversa deriva para a sinodalidade? Eu também não. Não é um tema de que os católicos comuns e fiéis falem. No entanto, tornou‑se o assunto preferido — quase obsessivo — nas conversas entre os responsáveis eclesiásticos.

Os leitores que acompanham os meus escritos há tempo suficiente hão‑de lembrar‑se de que, quando o Papa Francisco foi eleito, a minha primeira reacção foi entusiástica. Fiquei entusiasmado com a sua rejeição de um modelo “auto‑referencial” de Igreja — um modelo em que os responsáveis eclesiásticos dedicavam a sua atenção e energia a programas e problemas internos, em vez de à administração dos sacramentos e à difusão do Evangelho. Infelizmente, o seu pontificado foi uma traição a essa promessa, produzindo uma abordagem ainda mais “auto‑referencial”, que não se manifestou em parte alguma de modo tão evidente como na obstinada perseguição da sinodalidade.

De todos os temas que os Cardeais poderiam ter escolhido, ao procurarem aconselhar o Papa Leão na sua orientação da Igreja universal, como pôde a sinodalidade chegar ao topo da lista? Não se preocupam os Cardeais com a deserção generalizada dos jovens em relação à fé — ou, se adoptarem a atitude do “copo meio cheio”, não estão ansiosos por compreender os recentes sinais de um novo interesse pelo catolicismo nessa mesma geração emergente? Não se inquietam com o colapso das famílias, das sociedades e até dos próprios Estados‑nação? Com o desafio do Islão? Com a toxicodependência, o suicídio, o niilismo e o ressurgimento do paganismo? Mais importante ainda, não reconhecem a importância primordial da celebração da Eucaristia, “fonte e ápice da vida cristã”?

Aliás, o consistório também retirou da sua agenda uma proposta de discussão de 'Praedicate Evangelium' e da reforma da Cúria Romana. Na medida em que os Cardeais estão a aconselhar o Pontífice sobre o seu cuidado da Igreja Universal, e na medida em que a Cúria existe para servir as Igrejas locais, é evidente que os Cardeais — que interagem regularmente com os ofícios da Cúria, se é que não servem neles — hão‑de ter opiniões esclarecidas sobre o assunto. As mudanças iniciadas pelo Papa Francisco estão a produzir uma verdadeira reforma, ou apenas mais uma rearrumação do organograma? O consistório também escolheu não abordar essa questão.

Oh, os Cardeais podem ainda abordar esses outros temas, se assim o quiserem. “Um tema não exclui outro”, assegurou aos jornalistas Matteo Bruni, director da Sala de Imprensa da Santa Sé. “Pode encontrar‑se um modo de os abordar dentro dos outros.” Assim, um Cardeal determinado poderá ainda levantar questões sobre a liturgia. Mas o consistório já decidiu que não será um tema principal. Não mudem de assunto: sinodalidade!

No seu discurso à sessão de abertura, o Papa Leão disse aos Cardeais: “Não devemos chegar a um texto, mas continuar uma conversa.” Parece que a tradução vaticana do seu discurso não é exacta; talvez fosse melhor verter assim: “Não precisamos de chegar a um texto…” Mas o deslize na tradução é revelador; tal como está, a afirmação do Papa sugere que o objectivo do consistório não é chegar a qualquer conclusão clara, não é fixar uma orientação nítida. Se assim for, então este consistório não é uma reunião para resolver problemas, não é uma reunião orientada para a acção, mas uma reunião auto‑referencial.

E, no entanto, nesse mesmo discurso o Papa apontou para além dos limites do Salão do Sínodo, para além das trocas entre prelados, para lhes recordar:

«Além disso, não é a Igreja que atrai, mas Cristo; e, se um cristão ou uma comunidade eclesial atrai, é porque através desse “canal” corre a linfa vital da caridade que jorra do Coração do Salvador.»

Há uma esperança para o futuro da Igreja expressa de modo tão simples e claro nesta formulação da Fé cristã fundamental, centrada em Cristo. Esta é uma mensagem que o mundo precisa de ouvir, uma mensagem que o mundo pode compreender.

Quanto à “sinodalidade”, se depois de todos estes anos de palavreado os responsáveis da Igreja ainda não chegaram a uma compreensão comum do que ela significa — e, no entanto, persistem na discussão inflexível do tema — alguém poderia ser perdoado por concluir que afinal a tradução vaticana estava correcta e que o objectivo do consistório é não falar com clareza.

Phill Lawler in pflawler.substack.com


blogger

sábado, 27 de setembro de 2025

Papa Leão evita dizer uma heresia

Encontro ecuménico na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. A dada altura reza-se o Credo Niceno-Constantinopolitano. À primeira vista não parece má ideia pôr os protestantes e ortodoxos a dizer que acreditam: “Na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”. 

Mas, antes disso, certamente para agradar aos ortodoxos (não insistindo na questão do Filioque), no livreto da celebração dizia que o Espírito Santo procede (apenas) do Pai, omitindo que também procede do Filho, como diz o Credo e a doutrina católica. O Papa, ao ler essa passagem, parece fazer um ar surpreendido e fica em silêncio.


blogger

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Coalizão Católica pede ao Papa Leão que revogue a Fiducia Supplicans

Uma coalizão internacional de associações católicas entregou uma carta pública ao
Papa Leão XIV, apelando para que tome medidas decisivas no sentido de manter o ensinamento imutável da Igreja sobre o matrimónio e a sexualidade e de resistir às tentativas de alterar a doutrina através de mudanças graduais na prática pastoral.

A coalizaão dirige-se também, respeitosamente, ao Santo Padre para que implemente medidas destinadas a sustentar o magistério perene da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio e a comunhão sacramental.

A carta aberta, intitulada 'Uma Súplica Filial e Apreensiva a Sua Santidade o Papa Leão XIV, enquadra o seu apelo no contexto do que a coligação descreve como “um legado de confusão e divisão difícil de sanar”.

Constitui também resposta directa à controvérsia em torno da recente “peregrinação jubilar LGBTQ+” promovida oficialmente pelo Vaticano, organizada durante o pontificado de Francisco.

A coligação internacional, herdeira do pensamento e acção do líder católico brasileiro Plinio Corrêa de Oliveira, é composta por dezenas de associações de toda a Europa, Américas, África e Ásia.


in complicitclergy.com


blogger

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Será que Leão XIV vai acabar com a cacofonia na Igreja?

O famoso maestro italiano Riccardo Muti pediu a Leão XIV que restabelecesse a música sacra nas igrejas. Citou Santo Agostinho, que dizia que o canto é próprio dos que amam: “Felizmente, temos agora um Papa agostiniano”.

Muti, que não é católico da “Amoris Laetitia” e se manteve fiel à sua mulher, gosta muito do Papa Leão XIV. “Dá-me esperança no regresso da música sacra à Igreja”, ao passo que, com Francisco, ‘os concertos no Vaticano praticamente desapareceram’.

Também não gosta de Missas com guitarras: “Por amor de Deus! Penso que não sou o único crente que preferia ouvir Palestrina na igreja. Monteverdi, Luca Marenzio, Gesualdo da Venosa. E o canto gregoriano”.

Para Muti, a decadência da música da Igreja revela uma falta de espiritualidade. Os grandes santos da cCristandade foram para o martírio a cantar, não a dedilhar. O declínio da música de igreja é um aspecto de um fenómeno mais vasto” e faz parte do ‘colapso do sagrado’.

“Espero sinceramente que o Papa Leão possa trazer de volta às igrejas o conceito de Santo Agostinho: o canto é próprio dos que amam.”

in gloria.tv


blogger

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Missão Vicentina publica 14 factos interessantes sobre o Papa Leão XIV

1. Cresceu no South Side de Chicago, numa família operária. Antes de vestir de branco, usava um parka vermelha. Na paróquia da sua infância havia jantares de peixe frito, festas de bairro e o tipo de comunidade que moldou a sua profunda compaixão.

2. Trabalhou como professor do ensino secundário antes de entrar no seminário. Ensinou História e foi treinador de basquetebol. Os seus alunos dizem que era exigente, justo e que reparava sempre no aluno que almoçava sozinho.

3. Percorreu a pé 800 quilómetros ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México. Quando celebrou 30 anos de vida, fez um ano sabático para viajar a pé com emigrantes e gente que tinha feito o pedido de asilo. Isto mudou a sua visão do papel da Igreja no mundo.

4. Fala seis línguas, incluindo a linguagem gestual. Aprendeu linguagem gestual na sua primeira paróquia para melhor servir os membros surdos da comunidade e continuou a usá-la desde então.

5. É apreciador de jazz e toca um pouco de trompete. Diz que o jazz lhe ensinou a escutar com atenção, a improvisar com humildade e a deixar o silêncio falar.

6. Jejuou durante 40 dias num Mosteiro, sem acesso à internet nem electricidade. Não para provar nada, apenas para escutar. Descreveu este período como o mais solitário e o mais cheio de graça da sua vida.

7. Recusou por duas vezes ser nomeado Bispo. Em ambas as ocasiões, disse não porque ainda não tinha terminado de “ser o pároco que cozinha esparguete para funerais e chora nos baptismos”.

8. A primeira chamada que recebeu após se tornar Papa foi do seu melhor amigo de infância. Disse-lhe apenas: “Nunca vais acreditar no que acabou de acontecer.” O amigo pensou que estava a brincar.

9. Escolheu o nome Leão em homenagem ao Papa Leão XIII, que escreveu a encíclica Rerum Novarum, sobre a Doutrina Social da Igreja.

10. Nunca teve carro próprio. Mesmo quando era Cardeal, insistia em andar a pé, de bicicleta ou em transportes públicos.

11. O seu livro preferido não é um texto teológico, mas sim “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry. Citou-o em homilias, cartas e uma vez durante um retiro privado no Vaticano. “O essencial é invisível aos olhos”, dizia frequentemente.

12. Nunca usa smartphone. Traz consigo um telemóvel de tampa e usa uma agenda em papel escrita à mão. Diz que isso o impede de “desaparecer no ruído”.

13. Há mais de 20 anos que fala com uma uma freira de 92 anos. Ela disse-lhe uma vez: “Tem coragem de ser pequeno.” Ele escreveu isto no seu breviário.

14. Guarda um crucifixo esculpido em madeira de um barco de migrantes naufragado. Foi-lhe oferecido por um pescador siciliano que resgatou 18 sobreviventes do mar.

in gloria.tv


blogger

sábado, 10 de maio de 2025

Homilia da primeira Missa do Papa Leão XIV

«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16)
 
Com estas palavras, Pedro, interrogado juntamente com os outros discípulos pelo Mestre, sobre a sua fé n’Ele, expressa em síntese o tesouro que a Igreja, através da sucessão apostólica, guarda, aprofunda e transmite há dois mil anos. Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo, ou seja, o único Salvador, que revela o rosto do Pai.

N’Ele, para se tornar próximo e acessível aos homens, Deus revelou-se nos olhos confiantes de uma criança, na mente viva de um jovem, na fisionomia madura de um homem, até aparecer aos seus, após a Ressurreição, com o seu corpo glorioso. Mostrou-nos assim um modelo de humanidade santa que todos podemos imitar, juntamente com a promessa de um destino eterno, que ultrapassa todos os nossos limites e capacidades. Na sua resposta, Pedro compreende ambas as coisas: o dom de Deus e o caminho a percorrer para se deixar transformar, dimensões inseparáveis da salvação, confiadas à Igreja para que as anuncie a bem da Humanidade.

Confiadas a nós, escolhidos por Ele antes de sermos formados no ventre materno, regenerados na água do Baptismo e, apesar dos nossos limites e sem mérito nosso, conduzidos até aqui e daqui enviados, para que o Evangelho seja anunciado a toda a criatura. E Deus, de modo particular, chamando-me através do vosso voto a suceder ao Primeiro dos Apóstolos, confia-me este tesouro para que, com a sua ajuda, eu seja seu fiel administrador em benefício de todo o Corpo Místico da Igreja; para que ela seja cada vez mais cidade colocada sobre o monte, arca de salvação que navega sobre as ondas da história, farol que ilumina as noites do mundo.

E isto não tanto pela magnificência das suas estruturas ou pela grandiosidade dos seus edifícios – como estes monumentos em que nos encontramos – mas pela santidade dos seus membros, do povo que Deus adquiriu, a fim de proclamar as maravilhas daquele que o chamou das trevas para a sua luz admirável.

No entanto, antes do diálogo em que Pedro faz a sua profissão de fé, há uma outra pergunta: «Quem dizem os homens», interpela Jesus «que é o Filho do Homem?». Não se trata de uma pergunta banal, diz antes respeito a um aspecto importante do nosso ministério: a realidade em que vivemos, com os seus limites e potencialidades, as suas interrogações e convicções.

«Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Pensando nesta cena, reflectindo sobre ela, poderíamos encontrar duas possíveis respostas a esta pergunta e traçar outras tantas atitudes.

Em primeiro lugar, há a resposta do mundo. Mateus sublinha que o diálogo entre Jesus e os seus sobre a identidade d’Ele tem lugar na belíssima cidade de Cesareia de Filipe, cheia de palácios luxuosos, inserida numa paisagem natural encantadora, no sopé do Hermon, mas também sede de círculos de poder cruéis e palco de traições e infidelidades. Esta imagem fala-nos de um mundo que considera Jesus uma pessoa totalmente desprovida de importância, quando muito uma personagem curiosa, capaz de suscitar admiração com a sua maneira invulgar de falar e agir.

Por isso, quando a sua presença se tornará incómoda, devido aos pedidos de honestidade e às exigências morais que invoca, este “mundo” não hesitará em rejeitá-lo e eliminá-lo.

Depois, há uma outra possível resposta à pergunta de Jesus: a das pessoas comuns. Para elas, o Nazareno não é um “charlatão”: é um homem justo, corajoso, que fala bem e que diz coisas certas, como outros grandes profetas da história de Israel. Por isso, seguem-no, pelo menos enquanto podem fazê-lo sem demasiados riscos ou inconvenientes. Porém, porque essas pessoas o consideram apenas um homem, no momento do perigo, durante a Paixão, também elas o abandonam e vão embora, desiludidas.

Impressiona a actualidade destas duas atitudes. Com efeito, elas encarnam ideias que poderíamos facilmente reencontrar – talvez expressas com uma linguagem diferente, mas essencialmente idênticas – nos lábios de muitos homens e mulheres do nosso tempo. Ainda hoje não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda, para pessoas fracas e pouco inteligentes; contextos em que em vez dela se preferem outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer.

São ambientes onde não é fácil testemunhar nem anunciar o Evangelho, e onde quem acredita se vê ridicularizado, contrastado, desprezado, ou, quando muito, suportado e digno de pena.

No entanto, precisamente por isso, são lugares onde a missão se torna urgente, porque a falta de fé, muitas vezes, traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, o esquecimento da misericórdia, a violação – sob as mais dramáticas formas – da dignidade da pessoa, a crise da família e tantas outras feridas das quais a nossa sociedade sofre, e não pouco.

Ainda hoje, não faltam contextos nos quais Jesus, embora apreciado como homem, é simplesmente reduzido a uma espécie de líder carismático ou super-homem, e isto não apenas entre os não crentes, mas também entre muitos baptizados, que acabam por viver, a este nível, num ateísmo prático. Este é o mundo que nos está confiado e no qual, como tantas vezes nos ensinou o Papa Francisco, somos chamados a testemunhar a alegria da fé em Jesus Salvador. Por isso, também para nós, é essencial repetir: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».

É essencial fazê-lo, primeiramente, na nossa relação pessoal com Ele, no empenho em percorrer um caminho quotidiano de conversão. Mas depois também, como Igreja, vivendo juntos a nossa pertença ao Senhor e levando a todos a sua Boa Nova. Digo isto, em primeiro lugar, para mim mesmo, como Sucessor de Pedro, ao iniciar a minha missão de Bispo da Igreja que está em Roma, chamada a presidir na caridade à Igreja universal, segundo a célebre expressão de Santo Inácio de Antioquia.

Ele, enquanto era conduzido como prisioneiro a esta cidade, lugar do seu iminente sacrifício, escrevia aos cristãos que aqui se encontravam: «Então serei verdadeiro discípulo de Jesus, quando o meu corpo for subtraído à vista do mundo». Referia-se ao ser devorado pelas feras no circo – como aconteceu –; porém, as suas palavras recordam, num sentido mais amplo, um compromisso irrenunciável para quem, na Igreja, exerce um ministério de autoridade: desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado, gastar-se até ao limite para que a ninguém falte a oportunidade de O conhecer e amar.

Que Deus me dê esta graça, hoje e sempre, com a ajuda da terna intercessão de Maria, Mãe da Igreja.


blogger

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Habemus Papam!

Este é o documento que demonstra a aceitação do novo Papa e a escolha do nome: Leão XIV!

In nomine Domini. Amen.

Ego Didacus Ioannes Ravelli, Archiepiscopus tit. Recinetensis,
Celebrationum Liturgicarum Pontificalium Magister,
munere notarii fungens, attestor et notum facio
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum
Dominum Robertum Franciscum titulo Ecc. Sub. Albanensis
Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Prevost
acceptasse electionem canonice de Se factam in Summum Pontificem Sibique nomen imposuisse

Leonem XIV

ut de hoc publica quæcumque instrumenta confici possint.
Acta sunt hæc in Conclavi in Palatio Apostolico Vaticano post obitum felicis recordationis
Papæ Francisci, hac die VIII mensis Maii Anno Sancto MMXXV
testibus adhibitis atque rogatis Excellentissimo Domino Ilson de Jesus Montanari,
Archiepiscopo tit. Capitis Cillensis et Cardinalium Collegii Secretario,
atque Reverendissimis Dominis Marco Agostini et Maximiliano Matthæo Boiardi,
viris a Cæremoniis Pontificalibus.


blogger