terça-feira, 3 de junho de 2008

To Live Is To Die

A história que vos vou contar é simples. Em 1986 uma banda que se estava a tornar conhecida mundialmente, chamada Metallica estava a fazer uma digressão pela Europa. No dia 27 de Setembro na Suécia, algures entre Estocolmo e Copenhaga, um dos dois camiões da banda teve um desastre, por causa do gelo na estrada. Três dos quatro elementos saíram praticamente ilesos, mas o baixista Cliff Burton morreu. O albúm seguinte da banda incluiu uma música de homenagem a Burton, chamada “To live is to die”. A música é toda instrumental, excepto um poema lido pelo vocalista, James Hetfield, e que tinha sido escrito por Burton. Como o achei verdadeiro e interessante, ainda mais vindo de mundo metaleiro, aqui está (com a necessária tradução para os monoglotas):

When a man lies (Quando um homem mente)
He murders some part of the world (Mata alguma parte do mundo)
Tthese are the pale deaths (Estas são as pálidas mortes com que)
Which men miscall their lives, (Os homens desperdiçam as suas vidas,)
All this i cannot bear (Não posso continuar a suportar)
To witness any longer (Testemunhar tudo isto)
Cannot the kingdom of salvation (Não pode o reino da salvação)
Take me home? (Levar-me para casa?)

“To live is to die” era uma frase que Burton gostava bastante. Interpreto-a de duas formas:

- A vida implica a morte. Tudo o que vive, morrerá. Como estamos dentro do tempo, dizemos que mais tarde ou mais cedo batemos as botas, “Do pó viestes, ao pó voltarás”. Morre a carne, mas a alma é eterna;

- Viver é morrer no sentido que no dia-a-dia temos que fazer sacrifícios. Coisas que não apetece nada fazer, tal como admitir que estamos errados, ou dar os parabéns pela vitória ao nosso adversário político. Esses sacrifícios são pequenas mortes (mortificações), e neste sentido são necessárias à vida. Mesmo quem não acredite que se deve humilhar perante outra pessoa, terá que fazer sacrifícios tais como acordar cedo ou ter que aturar a sogra. Nem todos somos chamados a dar a vida por Cristo num acto heróico, tal como os mártires, por isso o dar a vida por Ele será através destes sacrifícios imperfeitos, destas pequenas mortes, que destroem o orgulho e formam carácter.

Quanto ao poema, acho que não é preciso explicá-lo, já que é bem claro. Só há um pormenor, que é o ponto de interrogação no fim. No texto que tirei da internet esse ponto de interrogação não existe, mas decidi pô-lo por 3 motivos:

- porque a maneira como o poema está escrito parece-me que a última frase é uma pergunta;
- porque na música parece-me que a entoação com que é lido o poema diz-nos que acaba como uma interrogação (http://www.youtube.com/watch?v=2WdYt9VkVek, minuto 7.33);
- porque o poema só faz sentido, e é totalmente verdadeiro acabando como uma pergunta, caso contrário seria um pouco estranho.

Aceitam-se críticas!

João Silveira


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5 comentários:

Rodrigo disse...

Pede aqui para comentar mas sinceramente eu nao tenho comentarios...

Catarina Nicolau Campos disse...

O ponto de interrogação faz toda a diferença... E sim, estamos todos chamados a ser co-redentores. Nascemos para experimentarmos o zénite do Homem, e para tal teremos que morrer (vicissitudes do P.O....)
Espero que o senhor baterista já esteja na Luz

Catarina Nicolau Campos disse...

*No reino da Salvação, aliás

Rodrigo disse...

Rock in Riooooooooooooooooooooooooooo

Domingueira disse...

«It is vitally important to tell the truth with clarity and simplicity. Every ambiguity, every reticence and, worse still, every intentional concealment of the truth, will exact a dear price in the end.» P Fredrico Lombardi

Fonte: Infovitae