terça-feira, 22 de julho de 2014

Conforma a tua vida com o mistério da Cruz do Senhor

A reboque da reforma litúrgica realizada após o Concílio Vaticano II muitos foram os abusos que se fizeram e continuam a ser feitos. Um desses abusos, que o Papa Bento XVI, com o seu exemplo, tentou travar, foi o da “remoção dos Crucifixos das igrejas”. Desculpem o exagero! De facto, o crucifixo está lá, mas, normalmente, de esguelha, posto para um lado para não atrapalhar a visão.
            
Não deixa de ser curioso, pois uma das reformas realizadas a seguir ao Concílio foi a do Pontifical Romano, que introduz na Ordenação dos Presbíteros a seguinte “admoestação” quando se entrega o cálice e a patena ao recém-ordenado: «Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consciência do que virás a fazer; imita o que virás a realizar, e conforma a tua vida com o mistério da Cruz do Senhor».
            
Pode ser fragilidade minha, mas preciso mesmo de ter um Crucifixo voltado para mim quando celebro a Santa Missa. Centrando-me nele distraio-me muito menos ao celebrá-la. Centrando-me nele nesses momentos, ajuda-me a lembrar a Quem e a que momento da sua vida tenho de conformar a minha.
            
Se centrar toda a minha vida na Cruz de Cristo, se me puser no seu lugar, então, sim, “percebo” a Ressurreição. Mas não há Ressurreição sem Cruz!
            
Cada vez mais me fazem sentido as frases de S. Paulo: «Toda a nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6, 14); «Nós pregamos Cristo crucificado» (1 Cor 1, 23); e também «Com Cristo estou crucificado» (Gal 2, 20).
            
Para o Padre, conformar toda a sua vida com o mistério da Cruz do Senhor é estar na cruz como Ele.
            
Se estivermos na cruz como Cristo, então iremos ter connosco a Igreja (que Maria Santíssima representa), os verdadeiros amigos (S. João) e os que querem amar verdadeiramente a Cristo (S. Maria Madalena). Mas também teremos alguns que, pertencendo ao mesmo povo que nós, o Povo de Deus, tal como a Cristo, nos irá gozar insultar, odiar.
            
Se o Padre não é o primeiro a subir à Cruz (como tão bem se representa na Forma Extraordinária do Rito Romano), como irá o Povo de Deus querer imitar a Cristo nas tribulações desta vida? Se o Padre não é o primeiro a abraçar a Cruz, como pode ajudar o Povo de Deus a fazê-lo?
            
Quantas não são as vezes em que apetece desviar os olhos da Cruz, as que não apetece abraçá-la, as que não apetece estar nela!
            
Deus me (nos) dê a graça de só descer dela morto e ressuscitado!
             
Dominus nos benedicat, et ab omni malo defendat, et ad vitam perducat aeternam. Amen.
             
Um Padre


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1 comentário:

Anónimo disse...

Da Instrução Geral do Missal Romano:
306. Sobre a mesa do altar, apenas se podem colocar as coisas necessárias para a celebração da Missa, ou seja, o Evangeliário desde o início da celebração até à proclamação do Evangelho; e desde a apresentação dos dons até à purificação dos vasos, o cálice com a patena, a píxide, se for precisa, e ainda o corporal, o sanguinho, a pala e o Missal.
Além disso, devem dispor-se discretamente os instrumentos porventura necessários para amplificar a voz do sacerdote.

307. Os castiçais prescritos para cada acção litúrgica, em sinal de veneração e de celebração festiva (cf. n. 117), dispõem-se em cima do próprio altar ou em volta dele, como for mais conveniente, de acordo com a estrutura quer do altar quer do presbitério, de modo a formar um todo harmónico e a não impedir os fiéis de verem facilmente o que no altar se realiza ou o que nele se coloca.

308. Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado, que a assembleia possa ver bem. Convém que, mesmo fora das acções litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor.