quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A descoberta milagrosa das relíquias de Santo Estevão

Até 1960, a Igreja comemorava neste dia 3 de Agosto a descoberta milagrosa das relíquias de Santo Estevão, o primeiro mártir do cristianismo. 

Depois da morte de Santo Estêvão, por apedrejamento pelos judeus, o seu corpo não foi sepultado, mas foi atirado às bestas e aves. Gamaliel, um fariseu, membro do Grande Conselho, e doutor da lei respeitado por todo o povo, tendo se voltado para a Fé em Jesus Cristo como o Messias, defendendo-O no Sinédrio (At 5, 34-40), na segunda noite após a morte de Estevão enviou pessoas da sua confiança para que encontrassem e lhe trouxessem o corpo do mártir, sepultando-o numa caverna da sua propriedade que se encontrava perto de Jerusalém. 

A Igreja instituiu esta segunda festa do Santo Protomártir Estevão para comemorar a descoberta de suas relíquias junto às de Gamaliel, Habib e Nicodemos. A descoberta foi feita pelo Padre Luciano em Gamala da Palestina, no ano 415. No túmulo constava a inscrição “KEAYEA CELIEL”, que significa “Servo de Deus”. O Bispo de Lidda, avisado pelo Padre Luciano, estava presente na exumação. 

Este é a descrição do sonho em que Gamaliel aparece ao Padre Luciano e lhe explica onde estão as relíquias: 

"Eu dormia, ao cair da noite, na minha cama, no lugar santo do baptistério, onde eu costumava dormir para guardar os objectos úteis para o ministério. Na terceira hora da noite, caí numa espécie de êxtase, meio adormecido, e vi um homem velho de grandes proporções físicas, sacerdote de grande dignidade, com cabelos brancos, barba longa, usando uma grande estola branca adornada com botões d'ouro com uma cruz no meio. Na sua mão segurava um cajado de ouro.

Aproximou-se de mim e, colocando-se à minha direita, tocou-me com o seu bastão d'ouro. De seguida, depois de ter chamado o meu nome três vezes: "Luciano, Luciano, Luciano," ele disse em grego: "Ide à cidade de Aelia, que é Jerusalém, e dizei ao Santo Bispo João estas palavras: «Quanto tempo permaneceremos ainda prisioneiros e sem que nos abram as portas? Devemos ser revelados sob o vosso episcopado. Não demoreis a abrir o túmulo no qual os nossos restos mortais foram depostos sem honras, para que, através de nós, Deus, o Seu Cristo e o Espírito Santo, abra a porta da clemência sobre o Mundo, porque as inúmeras quedas que o Mundo testemunha colocam-no em perigo todos os dias. Além disso, mais do que comigo, eu preocupo-me com aqueles santos realmente dignos de todas as honras.»"

Respondi assim: "Quem sois vós, senhor, e quem são aqueles que estão convosco?" Ele respondeu: "Eu sou Gamaliel, sou o que educou Paulo e lhe ensinou a Lei de Jerusalém. Perto de mim, em direcção ao Oriente, está enterrado Estevão, que os princípes e sacerdotes judeus apedrejaram em Jerusalém por causa da fé em Cristo, fora da cidade, perto do portão norte, na estrada para Cedar. 

Naquele lugar, o corpo de Estevão permaneceu um dia e uma noite, deitado no chão, sem sepultura, exposto às feras ferozes, das quais, de acordo com a ordem iníqua dos príncipes dos sacerdotes, deveria tornar-se presa. Mas Deus não quis que Estevão sofresse aquele destino [...]. E eu, Gamaliel, cheio de piedade do destino do ministro de Cristo, [...] enviei durante a noite homens piedosos, que viviam em Jerusalém, dos quais eu conhecia a fé em Cristo, e transmiti-lhes todas as minhas recomendações.
  
Dei-lhes tudo o que precisavam e convenci-os a ir secretamente ao lugar do martírio, levar o corpo e conduzi-lo, com um dos meus carros, até à minha casa de campo chamada Caphargamala, isto é 'Casa de campo de Gamaliel', a vinte milhas da cidade. Ali fiz celebrar o funeral que durou quarenta dias e depositei o corpo na sepultura que tinha construído naquele lugar, na parte situada a Oriente, e dei àquela gente o dinheiro necessário para suportar as despesas do funeral."
  
E eu, o humilde Padre Luciano, dirigi a Gamaliel esta pergunta: "Onde devemos procurar?" Gamaliel respondeu: "No meio do subúrbio", o que poderia ser dito de um campo bastante perto da casa de campo, chamado Delagabria, isto é ‘Campo dos homens de Deus’."

Carta de Luciano, 3 de Dezembro de 415, cap. XXII


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