domingo, 10 de maio de 2026

Os 'Pastores Sinodais' atacam as Ovelhas

A Igreja Católica está habituada a ataques contra o seu ensino. A história da heresia ao longo dos séculos revela os esforços incessantes daqueles que procuram substituir a doutrina católica por diversos erros. O que a Igreja só recentemente se habituou foi a ataques contra o seu ensino vindos de alguns dos seus pastores, especialmente das proclamações sem fim provenientes do gabinete do Sínodo dos Bispos.
A mais recente imposição do Sínodo é o pleno endosso do estilo de vida homossexual recentemente publicado no Relatório Final do Grupo de Estudo Número 9 «Critérios Teológicos e Metodologias Sinodais para o Discernimento Compartilhado de Questões Doutrinais, Pastorais e Éticas Emergentes».
Este relatório tenta descartar o ensino católico sobre a imoralidade inerente dos actos homossexuais – e a natureza desordenada da inclinação homossexual – estigmatizando esse ensino como a expressão de um «paradigma» obsoleto que já não pode ser invocado para comunicar a vontade de Deus ao Seu povo.
O Merriam-Webster define paradigma como «um quadro filosófico e teórico de uma escola ou disciplina científica no interior do qual são formuladas teorias, leis, generalizações e as experiências realizadas em seu apoio». Descrever o ensino católico através da analogia de um quadro sobre o qual se dispõem teorias e experiências é rebaixá-lo do domínio da verdade para apenas uma possível abordagem de apresentação da revelação de Deus. Jesus disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.» (João 14,6) Será isso um paradigma que precisa de melhoria?
O relatório inclui dois anexos, que são testemunhos na forma de entrevista. Dois homens católicos (o primeiro português, o segundo americano), cada um descrevendo-se orgulhosamente como casado com um homem, embora a Igreja Católica ensine que tal coisa é impossível. Porque publicaria o Sínodo dos Bispos entrevistas com homens que rejeitam o ensino católico sobre a natureza do matrimónio, inspirado como é pelo Espírito Santo, como parte do seu esforço para discernir as acções do Espírito Santo na Igreja de hoje?
O Relatório Número 9 dá-nos a resposta – o Sínodo considera o chamado matrimónio homossexual uma questão em aberto:
«Finalmente, ao escutar a Palavra de Deus vivida na Igreja, é necessário abordar com parresia a questão actualmente recorrente de se se pode falar de "matrimónio "em relação a pessoas com atracções do mesmo sexo, equiparando a sua relação à união conjugal heterossexual sem reconhecer as diferenças. Estas incluem, principalmente, a evidente impossibilidade de procriação em si ligada à diferença sexual, a respeito da qual as técnicas de procriação medicamente assistida colocam dificuldades adicionais.»
Mesmo pior, o Relatório Número 9 considera todo o ensino católico como sujeito a mudança:
«A missão da Igreja não é proclamar abstractamente e aplicar dedutivamente princípios expostos de modo imutável e rígido, mas fomentar um encontro vivo com a pessoa do Senhor Jesus ressuscitado, empenhando-se na experiência vivida da fé do Povo de Deus na sua relevância pessoal e social, em relação às diversas situações da vida e aos muitos contextos culturais. Só a tensão fecunda entre o que foi estabelecido na doutrina da Igreja e a sua prática pastoral e as práticas da vida em que o que foi estabelecido se verifica, no exercício da vida pessoal e comunitária à luz do Evangelho, exprime o dinamismo gerador da Tradição: contra a tentação da ossificação estéril e regressiva de princípios e afirmações, de normas e regras, independentemente da experiência dos indivíduos e das comunidades.»
A «experiência vivida da fé do Povo de Deus» pode prevalecer sobre a doutrina da Fé? Bem-vindos ao abraço eclesiástico da «modernidade líquida» na qual o realismo metafísico é posto de lado, e a ditadura do relativismo e do subjectivismo submete tudo a redefinição.
O que está em causa, como se compreende claramente, é a superação do modelo teórico que deriva a práxis de uma doutrina «pré-fabricada», «aplicando» princípios gerais e abstractos às situações concretas e pessoais da vida. A tarefa é, portanto, redescobrir uma circularidade fecunda entre teoria e práxis, entre pensamento e experiência, reconhecendo que a própria reflexão teológica procede das experiências de «bem» inscritas no sensus fidei fidelium.
O Sínodo tornou-se o agente oficialmente patrocinado pela Santa Sé de destruição da doutrina católica, que é menosprezada e descartada como princípios dedutivos expostos de modo imutável e rígido – afirmações estéreis, regressivas e ossificadas, como doutrinas «pré-fabricadas», que são meras abstracções e teorias.
Em vez disso, é preciso escutar as «situações concretas e pessoais da vida» porque «a própria reflexão teológica procede das experiências de “bem” inscritas no sensus fidei fidelium (sentido da fé dos fiéis)».
O testemunho do homem católico homossexual americano (Jason Steidl, autor de LGBTQ Catholic Ministry, Past and Present, cuja fotografia apareceu na primeira página do The New York Times com o seu «marido», sendo abençoado pelo Pe. James Martin, S.J., no dia seguinte à publicação de Fiducia supplicans) dá uma ideia clara de onde o Sínodo pensa que a reflexão teológica baseada na experiência pessoal levará a Igreja:
«A minha sexualidade não é uma perversão, desordem ou cruz; é um dom de Deus. Tenho um matrimónio feliz e saudável e floresço como católico gay assumido. Foram precisos anos de oração, terapia e comunidade afirmativa para chegar aqui, mas agradeço a Deus pela minha sexualidade e pela minha condição de vida. […] Ser católico LGBTQ não é fácil, e muitos dias lamento o mal que a Igreja causou. Mas também tenho esperança. Testemunhei conversão durante o pontificado do Papa Francisco nos níveis local e universal da Igreja, e aguardo com expectativa ajudar a construir o corpo de Cristo que reflecte o ministério de cura e inclusão de Jesus.»
O gabinete do Sínodo decidiu publicar a afirmação de um lobista do estilo de vida homossexual de que «conheço muitos sacerdotes que têm sido atacados por causa do seu apoio a pessoas LGBTQ […] são atingidos pelas flechas odiosas da homofobia». Será esta afirmação um exemplo do «sentido da fé dos fiéis»? Ou uma repudiação da Fé de Cristo em nome da imoralidade?
Esta subversão destrutiva patrocinada pelo Vaticano tem de acabar agora. As almas estão em perigo pelo escândalo dos falsos ensinamentos que estão a ser propagados pelo Sínodo. O Papa Leão XIV precisa de fortalecer os irmãos na Fé, pondo fim a esta traição venenosa da verdade de Deus.
Father Gerald Murray in 'The Catholic Thing'


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