domingo, 19 de abril de 2026

Devemos beijar as mãos dos sacerdotes? São Francisco diz que sim

São Francisco de Assis queria que se demonstrasse um grande respeito pelas mãos do sacerdote, porque lhe foi conferido o poder divino de consagrar o Santíssimo Sacramento. Dizia bastante vezes: 

"Se me cruzasse, ao mesmo tempo, com um santo vindo do Céu e um pobre sacerdote cumprimentaria em primeiro lugar o sacerdote e correria a beijar-lhe as mãos. E diria: Espera São Lourenço porque as mãos deste sacerdote tocam o Verbo da vida e possuem um poder sobre-humano!"

Antonio Maria Sicari in 'Il grande libro dei ritratti di Santi'


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sábado, 18 de abril de 2026

Como rezar o Regina Caeli

Durante o tempo pascal, que vai do Domingo de Páscoa até ao Pentecostes, em vez da Oração do Anjo (Angelus) reza-se o Regina Caeli, para sublinhar a alegria cristã pela ressurreição de Nosso Senhor.

Português:

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe, a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Ámen.

Latim:

V. Regina caeli, laetare, alleluia.
R. Quia quem meruisti portare, alleluia.
V. Resurrexit, sicut dixit, alleluia.
R. Ora pro nobis Deum, alleluia.
V. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
R. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.


Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi, mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam, perpetuae capiamus gaudia vitae. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.



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sexta-feira, 17 de abril de 2026

"Todos os Bispos Holandeses estão de acordo com o Rito Romano Tradicional"

O Bispo Auxiliar Robert Mutsaerts, da diocese de ’s-Hertogenbosch, nos Países Baixos, falou com o LifeSiteNews.com sobre o colapso da Fé, a frequência na Missa e as vocações nos Países Baixos, bem como a lufada de ar fresco do Rito Romano. Pontos principais:

- Na sua cidade natal de Tilburg (população de 180.000 habitantes), no final da década de 1950 e início da de 1960, 97% das pessoas eram católicas e 96% frequentavam a Missa dominical.

- Depois do Concílio Vaticano II, os Países Baixos passaram de melhor aluno da turma a aluno mais rebelde, que queria reformar a Igreja Universal. Nessa altura, a taxa de confissão desceu de cerca de 90% para menos de 10% em um ou dois anos.

- Perdemos a nossa identidade católica porque queríamos ser tão agradáveis à sociedade secular. Isto é semelhante ao que está a acontecer agora na Alemanha com o Caminho Sinodal. São discutidos os mesmos temas e as mesmas opiniões. Não leva a nada… apenas ao colapso da Igreja.

- Quem fala de Deus, do Céu, do Inferno, do arrependimento e das outras coisas essenciais?

- No que diz respeito à Missa Tradicional, todos os bispos holandeses estão de acordo e são a favor dela.

- Os jovens sentem-se atraídos pelo Rito Antigo e vão a esse rito.

- Em Amesterdão, a Fraternidade Sacerdotal de São Pedro atrai grande número de jovens e de jovens famílias.

- Eu nunca celebrei a Missa Antiga porque não sei celebrar, mas sei que é bela. Como Bispo, assisti apenas uma vez a uma celebração, na Catholic Identity Conference, em Pittsburgh [2025].

in gloria.tv


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quinta-feira, 16 de abril de 2026

99 anos do Papa Bento

O Papa Bento XVI faria hoje 99 anos de vida. Rezemos pela sua alma.

A dada altura do seu pontificado (2008/2009), por conselho de um santo Bispo, o Papa passou a distribuir exclusivamente a Sagrada Comunhão de joelhos e na boca. Quem queria comungar das mãos do Papa Bento era assim que iria receber Jesus sacramentado. E assim deve ser sempre.



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terça-feira, 14 de abril de 2026

O notável diálogo de São Justino antes de ser martirizado

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: «Primeiramente, manifesta a tua fé nos deuses e obedece aos imperadores». Justino respondeu: «Não podemos ser acusados nem presos por obedecer aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador».

Rústico perguntou: «Que doutrinas professas?». Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos, embora ela não agrade àqueles que vivem no erro».

O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?». Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único criador, desde o princípio, e artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis; e adoramos o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de quem foi anunciado pelos Profetas que viria ao género humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias, que previamente anunciaram Aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os Profetas que vaticinaram a sua vinda para o meio dos homens».

Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?». Justino confirmou: «Sim, sou cristão».

O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado estás convencido de que subirás ao Céu?». Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos».

O prefeito Rústico perguntou: «Então, tu supões que hás-de subir ao Céu, para receber algum prémio em retribuição?». Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza».

O prefeito Rústico retorquiu: «Bem, deixemos isso e vamos à questão de que se trata, à qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses». Justino respondeu-lhe: «Não há ninguém que, sem perder a razão, abandone a piedade para cair na impiedade».

O prefeito Rústico continuou: «Se não fizerdes o que vos é mandado, sereis torturados sem compaixão». Justino disse: «Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofremos por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento garante-nos a salvação e dá-nos confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu».

E os outros mártires disseram o mesmo: «Faz o que quiseres; porque nós somos cristãos e não sacrificamos aos ídolos».

O prefeito Rústico pronunciou então a sentença, dizendo: «Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer à ordem do imperador, sejam flagelados e conduzidos ao suplício, segundo as leis, para sofrerem a pena capital». Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o lugar do costume; e ali foram decapitados e consumaram o seu martírio, dando testemunho da fé no Salvador.

Das Actas do martírio de São Justino e dos seus companheiros, Cap. 1-5: cf. PG 6, 1566-1571 (Séc. II)


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Santo Hermenegildo, Rei e Mártir

Hermenegildo era filho de Leovigildo, rei dos Visigodos em Espanha, e de Teodósia, a primeira esposa daquele rei. Depois da morte da esposa, o rei visigodo casou-se com Goswinda, viúva do seu irmão Atanagildo e mãe de Brunehaut, mulher de Sigeberto, rei da Austrásia. Foi com uma filha de Sigeberto e de Brunehaut que Hermenegildo se casou.

A esposa do futuro Mártir chamava-se Ingonda e era Católica. Ora, Goswinda, ariana, nutria grande ódio pelos Católicos, e começou a perseguir a nora. No princípio usou de carinhos, doces palavras, procurando induzir Ingonda a receber o baptismo no Arianismo. Ingonda, corajosa e determinadamente, recusou-se, e passou a receber da sogra os piores tratamentos.

Leovigildo, um dia, para pôr termo às discussões entre a mulher e a nora, resolveu enviar Hermenegildo e a jovem esposa para Sevilha. Ingonda, desde então, procurou, por todos os meios, encaminhar o marido para a Fé Católica. Pôs-se a catequizá-lo, e Hermenegildo, assim que se inteirou das Verdades que a boa esposa lhe expunha, a tudo vendo com muita clareza, deixou os erros que abraçara desde que nascera e se fez Católico.

Leovigildo, quando soube da conversão do filho, procurou, enraivecido, matá-lo. E o príncipe, para se defender, aliou-se ao imperador de Bizâncio, que ia atacar a Espanha.  

Um dia, Hermenegildo recebeu mensageiros do pai, que lhe disseram:

- Ide procurar o vosso pai, que vós ambos tendes coisas em comum a discutir.

Hermenegildo respondeu-lhes:

- Não irei. Meu pai é meu inimigo, porque sou Católico.

Leovigildo, diante daquela resposta, marchou contra o filho, que, chamando os gregos em seu auxílio, avançou contra o pai. Quando, porém, as forças do Santo deram com o Exército do rei visigodo, debandaram, abandonando-o, e Hermenegildo, sem nenhuma esperança, refugiou-se numa igreja das vizinhanças. E ali, orando a Deus, disse:

- Que meu pai não me venha atacar, porque é um ímpio crime que um pai seja morto por um filho e um filho pelo pai.

Leovigildo, acampado a pouca distância, tratou de lhe enviar um deputado. E assim, logo mais, Recaredo, irmão do jovem príncipe, discorria sobre a boa acolhida que o pai lhe desejava fazer. E acrescentou:

- Vamos, ajoelhe-se aos pés do nosso pai, e ele tudo perdoará.

Diante disto, Hermenegildo foi ao encontro do velho rei, que, ao recebê-lo, abraçou-o com fingido carinho. Pouco depois, era preso. O Santo, conduzido a Sevilha, foi posto numa estreita prisão. E ali, desejoso do Céu, rogava a Deus que lhe desse forças para perseverar até ao fim. E as cadeias que carregava, levava-as com grande resignação, com imensa doçura, como se fora um cilício.

Hermenegildo, firme na Fé, foi morto na própria prisão, a mandado do perverso pai, na noite de 13 de Abril de 586. E os milagres não faltaram para manifestar a glória do rei Mártir.

O pai, herético e parricida, reconheceu, arrependido, a Verdade da Fé Católica, mas, temeroso da Nação, não teve coragem de abraçá-la [o fim dos tíbios é conhecido: serão vomitados por Deus]. E Recaredo, morto Leovigildo, não seguiu o exemplo do pai, mas sim o do irmão Mártir: converteu-se, tornando-se um bom Católico.

Sob as instâncias do rei Filipe II, o Papa Sisto V autorizou-lhe o culto em toda a Espanha, e Urbano VIII estendeu o culto a toda a Igreja.

Santo Hermenegildo é o padroeiro de Sevilha.

Padre Rohrbacher in 'Livro Vida dos Santos' (Volume VI, p. 325-327)


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sábado, 11 de abril de 2026

A Páscoa das três Encíclicas

O título «A Páscoa das três encíclicas» pretende recordar três importantes documentos emanados pelo Papa Pio XI a poucos dias de distância uns dos outros, em Março de 1937. Três Encíclicas que se dirigiam a todos os católicos do mundo e que conservam ainda hoje a sua actualidade.
Pio XI, octogenário e convalescente depois de uma longa doença que o tinha imobilizado durante meses, enfrentava três graves desafios postos à Igreja pelas ideologias anticristãs do seu tempo: o neopaganismo da Alemanha hitleriana, com a Mit brennender Sorge; o comunismo da Rússia soviética, com a Divini Redemptoris; o anticristianismo do México laicista e maçónico, com a Firmissimam constantiam. A saída destas três encíclicas no espaço de duas semanas foi um facto único na história da Igreja.
A primeira encíclica, a Mit brennender Sorge, estava datada do Domingo da Paixão, 14 de Março de 1937. Pio XI afirmava: «Se é verdade que a raça ou o povo, se o Estado ou uma sua determinada forma, se os representantes do poder estatal ou outros elementos fundamentais da sociedade humana têm na ordem natural um lugar essencial e digno de respeito; todavia quem os destaca desta escala de valores terrenos, elevando-os a suprema norma de tudo, mesmo dos valores religiosos, e os diviniza com culto idolátrico, perverte e falsifica a ordem criada e imposta por Deus, está longe da verdadeira fé em Deus e de uma concepção da vida conforme a ela. (…)
Sobre a fé em Deus genuína e pura se funda a moralidade do género humano. Todas as tentativas de destacar a doutrina da ordem moral da base granítica da fé, para a reconstruir sobre a areia movediça de normas humanas, levam, cedo ou tarde, indivíduos e nações ao decaimento moral. O insensato que diz no seu coração: “não há Deus”, encaminhar-se-á para a corrupção moral. E estes insensatos, que presumem separar a moral da religião, tornaram-se hoje legião».
A segunda encíclica, a Divini Redemptoris, foi publicada a 19 de Março de 1937, festa de S. José, padroeiro da Igreja e dos trabalhadores cristãos. Denunciando o comunismo mundial e ateu que da Rússia se difundia pelo mundo, Pio XI dizia: «Pela primeira vez na história estamos a assistir a uma luta friamente querida e cuidadosamente preparada do homem contra “tudo aquilo que é divino” (…)
Procurai, Veneráveis Irmãos, que os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em nenhum campo a colaboração com ele da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã. E se alguns iludidos cooperassem para a vitória do comunismo no seu país, cairão os primeiros como vítimas do seu erro, e quanto mais as regiões onde o comunismo consegue penetrar se distinguem pela antiguidade e grandeza da sua civilização cristã, tanto mais devastador aí se manifestará o ódio dos “sem Deus”».
Pio XI lançava um «apelo a quantos creem em Deus»: «Mas a esta luta travada pelo “poder das trevas” contra a própria ideia da Divindade, é-nos grato esperar que, além de todos quantos se gloriam do nome de Cristo, se oponham também validamente quantos (e são a grande maioria da humanidade) creem ainda em Deus e O adoram. Renovamos portanto o apelo que já lançámos há cinco anos na Nossa Encíclica Caritate Christi a fim de que eles também lealmente e cordialmente concorram da sua parte “para afastar da humanidade o grande perigo que ameaça todos”.
Pois – como então dizíamos – visto que “o crer em Deus é o fundamento inabalável de toda a ordem social e de toda a responsabilidade sobre a terra, por isso todos quantos não querem a anarquia e o terror devem energicamente esforçar-se para que os inimigos da religião não alcancem o fim por eles tão abertamente proclamado”».
O Papa acrescentava: «Onde o comunismo pôde afirmar-se e dominar – e aqui pensamos com singular afecto paternal nos povos da Rússia e do México –, aí se esforçou por todos os meios de destruir (e proclama-o abertamente) desde as suas bases a civilização e a religião cristã, extinguindo no coração dos homens, especialmente da juventude, toda a recordação. Bispos e sacerdotes foram banidos, condenados aos trabalhos forçados, fuzilados e mortos de maneira desumana; simples leigos, por terem defendido a religião, foram suspeitados, vexados, perseguidos e arrastados para as prisões e perante os tribunais».
Precisamente ao México era dedicada a terceira encíclica, Firmissimam constantiam, emanada no dia de Páscoa, 28 de Março de 1937. Nela o Papa afirmava que «quando as mais elementares liberdades religiosas e civis são atacadas, os cidadãos católicos não se resignem logo a renunciar a elas». Caso os poderes constituídos «se insurgissem contra a justiça e a verdade ao ponto de destruir os próprios fundamentos da autoridade, não se veria como dever condenar aqueles cidadãos que se unissem para defender com meios lícitos e adequados a si mesmos e a Nação, contra quem se serve do poder público para a arruinar».
Pio XI não convidava à rendição, mas recordava aos católicos mexicanos que tivessem «aquela visão sobrenatural da vida, aquela educação religiosa e moral e aquele zelo ardente pela dilatação do Reino de Cristo que a Acção Católica se propõe dar. Perante uma feliz coligação de consciências que não entendem renunciar à liberdade reivindicada por Cristo (Gal. 4, 31) qual poder ou força humana poderia subjugá-las ao pecado? Quais perigos, quais perseguições, quais provas poderiam separar almas assim temperadas da caridade de Cristo? (cf. Rm 8, 35)».
Os cristeros mexicanos tinham empunhado as armas em nome de Cristo Rei. Pio XI, dirigindo-se aos católicos mexicanos, recordava a sua encíclica Quas primas de 11 de Dezembro de 1925 na qual proclamava Cristo Rei do universo. Uma verdade que se opunha às ideologias anticristãs que, à vigília da Segunda Guerra Mundial, ameaçavam o mundo. Mas também nas horas mais sombrias a virtude da esperança alimenta a fé dos cristãos.
Assim, na Divini Redemptoris, Pio XI afirmava: «Com os olhos voltados para o alto, a nossa fé vê os “novos céus” e a “nova terra”, de que fala o nosso primeiro Antecessor, São Pedro (II Petr. III, 13). Enquanto as promessas dos falsos profetas nesta terra se extinguem no sangue e nas lágrimas, resplandece de beleza celestial a grande profecia apocalíptica do Redentor do mundo: Eis que Eu faço novas todas as coisas (Apoc. 21, 5)».
Roberto de Mattei in 'Corrispondenza Romana'


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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Muitos jovens encontram Jesus Cristo por causa da Missa Tradicional

O Cardeal Willem Eijk, Arcebispo de Utrecht, celebrou a primeira Missa Pontifical pública, em Rito Romano Tradicional. Eis alguns pontos do que descreveu em entrevista ao Messa in Latino:

- Há alguns anos, a Fraternidade Sacerdotal São Pedro convidou-me para conferir uma ordenação diaconal no seu seminário em Wigratzbad, na Baviera, mas recusei porque não estava familiarizado com o Rito Tridentino. No início deste ano, durante uma curta estada num mosteiro do Instituto de Cristo Rei, na Alemanha, aprendi a celebrá-lo.

- Nos últimos dias, em Grote Kerk (Oss) celebrei a minha primeira Missa Pontifical, em Rito Antigo. Achei-a uma experiência muito impressionante e inesquecível.

- A igreja estava cheia de fiéis devotos – a maioria eram jovens e havia muitas famílias.

- O Rito Tridentino é muito solene e oferece muitos momentos de silêncio, proporcionando ampla oportunidade para a oração pessoal.

- O sacerdote não celebra a Missa "de costas para o povo", como frequentemente se afirma, mas voltado para o altar – e assim para Cristo –, ajudando os presentes a voltarem-se também para Ele.

- Estavam disponíveis três sacerdotes para ouvir confissões.

- Houve um considerável interesse espiritual nesta celebração – como o demonstra o grande número de participantes, incluindo alemães e belgas.

- Nos últimos anos, temos assistido a um número crescente de jovens que aderem à Igreja, incluindo aqueles que foram baptizados em crianças mas não foram educados na Fé e que mais tarde – muitas vezes através das redes sociais – a conhecem e a abraçam.

- É notável que muitos deles encontrem o caminho para Cristo e para a Sua Igreja através da liturgia tradicional.

in gloria.tv


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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quarta-Feira de Páscoa, mais um Rito perdido: Bênção dos 'Agnus Dei'

Entre os antigos e veneráveis Ritos que a Igreja Romana celebra no Tempo Pascal, um dos primeiros lugares cabe certamente à bênção e distribuição dos chamados 'Agnus Dei'. São estes uns medalhões de cera benzidos pelo Papa, que trazem impressa de um lado um Agnus Dei, que lhes dá o nome, e do outro outra imagem sagrada, muitas vezes um santo canonizado pelo Pontífice que os benze. Podem considerar-se o mais poderoso sacramental (no sentido de objecto benzido) que existe no Mundo.

A história dos 'Agnus Dei' é muito antiga e deriva do costume de distribuir aos fiéis pedaços do círio pascal. Desde uma época remotíssima até cerca do século IX, em Roma o Arcediago benzia ao Sábado Santo a cera humedecida com óleo, com impressa a imagem do Cordeiro pascal, e distribuía-a aos fiéis no Domingo 'in albis', depois da comunhão. Pouco mais tarde, tal bênção tornou-se um rito especial do Papa. 

Outrora, os 'Agnus Dei' tinham várias formas, além da de medalhão que se tornou clássica: quadrados, redondos, em estrela ou mesmo em forma de cordeiros, com a imagem prevalentemente do Baptista. O cuidado de os fabricar era outrora dos subdiáconos apostólicos, depois do Sacristão pontifício. Finalmente, Clemente VIII deu o encargo e o privilégio aos Cistercienses de Santa Pudenciana, privilégio transmitido depois ao mosteiro de Santa Cruz em Jerusalém e ao das Três Fontes.

A bênção dos 'Agnus Dei', outrora feita ao Sábado Santo (por analogia com os baptismos), tornou-se depois habitual nos dias da semana 'in albis'. O Papa realizava-a no ano da sua eleição e, depois, a cada sete anos, com um rito imutável pelo menos desde o século XV.

Don Mauro Tranquillo


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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Christus Resurrexit! Vere Resurrexit! Alleluia, Alleluia!

Santa Páscoa, caros amigos!

Ao raiar do terceiro dia, os amigos de Cristo quando chegaram ao local viram o sepulcro vazio e a pedra rolada para o lado. De várias formas eles aperceberam-se da nova maravilha; mas mesmo assim não se aperceberam bem que o mundo tinha morrido durante a noite. O que eles contemplavam era o primeiro dia de uma nova criação, um novo Céu e uma nova Terra.

E, no semblante de um jardineiro, Deus passeava de novo no jardim, na brisa, não da tarde, mas da madrugada.

G.K. Chesterton in 'O Homem Eterno' (1925)


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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Quarta-Feira: dia de penitência em memória da traição de Judas

Poucos cristãos sabem que as Quartas-Feiras carregam, desde os primórdios da Igreja, uma marca penitencial profunda. A tradição associa este dia ao momento em que Judas Iscariotes conspirou com o Sinédrio para entregar Jesus, conforme narrado em Mateus 26,14-16: "Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: Que me dareis se vo-Lo entregar?"

Esta ligação entre a quarta-feira e a traição é antiquíssima. Já a Didaqué, texto do final do século I considerado o mais antigo catecismo cristão, instruía: "Que os vossos jejuns não coincidam com os dos hipócritas. Eles jejuam na Segunda e na Quinta-Feira; vós, porém, jejuai na Quarta-feira e na Sexta-feira" (Didaqué 8,1). Os cristãos distinguiam-se assim dos jejuns judaicos, consagrando a Quarta-Feira à memória da traição e a sexta-feira à da Paixão.

São Pedro de Alexandria, patriarca e mártir (+311), explica o porquê: "Quarta-Feira porque neste dia se reuniu o conselho dos judeus para trair Nosso Senhor; e Sexta-Feira porque nesse dia Ele sofreu a morte pela nossa salvação."

Santo Epifânio de Salamina acrescenta que esta prática remonta aos próprios Apóstolos: "Está ordenado, pela lei dos Apóstolos, jejuar dois dias por semana."

Curiosamente, este jejum das Quartas-Feiras manteve-se obrigatório durante quase dez séculos na Igreja latina, sendo gradualmente atenuado e depois extinto, como obrigação, por volta do século X. Contudo, deixou vestígios duradouros: a Quarta-Feira de Cinzas abre a Quaresma, e as Têmporas incluem sempre uma Quarta-Feira. Na Irlanda, a proibição de carne às Quartas-Feiras perdurou até meados do século XVII.

Na tradição oriental, a prática nunca cessou. Até hoje, os cristãos orientais observam jejum de carne, lacticínios e azeite em todas as Quartas-Feiras do ano, em memória da traição de Judas.

A Quarta-Feira Santa, por sua vez, é chamada "Spy Wednesday" em inglês, o dia do espião, e marca liturgicamente o primeiro dia de luto da Igreja na Semana Santa: que convida ao silêncio, à penitência e à vigilância do coração.


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