sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

O Menino escondido

Quando era jovem - uma doença que se cura com o tempo -, já lá vão muitos e muitos anos, tinha um grupo de amigos que nos intervalos dos seus jogos de basquete e das corridas de motas se reunia num café-pastelaria. Este bando de gente amiga era muito diversificado, havia católicos praticantes e fervorosos, mas também não praticantes, outros que se foram aproximando da Fé e da Igreja; uns eram agnósticos, outros ateus, e também havia os indiferentes. Claro que estas diferenças suscitavam conversas e mesmo discussões, embora cordiais. Apesar de ao longo dos anos nos encontrarmos esporadicamente, normalmente em jantaradas, a amizade nunca se quebrou.

Ora, neste grupo havia um, aliás excelente pessoa, que nunca tinha tido catequese nem formação religiosa adequadas. Mas ouvindo-nos falar e discutir, um dia resolveu, por curiosidade, entrar na Igreja paroquial de S. João de Brito que encimava o largo onde nos reuníamos. Sucede que estava a ser celebrada a Santa Missa, e quando entrou os Fiéis concluíam o Prefácio da oração Eucarística, louvando a Deus, com o “Santo, Santo, Santo, é o Senhor”, etc. Não se deteve nem mais um segundo e saiu imediatamente com gargalhando, pois cuidou, como mais tarde nos disse, que os católicos não passavam de uns alienados porque aclamavam o Sacerdote celebrante chamando-lhe santo...

 

Há um conto de Sherlock Holmes, cujo nome não recordo, que narra, simplificando, a existência de um crime homicida, relatado pelos jornais, com toda a informação que a polícia local dispôs, no qual dão por culpada certa pessoa. Ora o famoso detective, partindo dos mesmos indícios e das mesmíssimas informações conclui que aquela condenação é injusta, provando com as suas investigações que o culpado era outro. A sua inteligência superior capacitava-o para ver coisas que todos os outros não percebiam, embora a realidade fosse a mesma.

 

Mutatis mutandis (mudando o que há a mudar): Um ateu, um pagão, um ignorante, etc., veem na Hóstia Consagrada um bocado de pão. Pelo contrário, um católico, não porque seja mais inteligente que os outros, mas porque, é iluminado pela Fé, um conhecimento infinitamente superior que não contradiz a razão, mas que a supera e a ilumina, vê, com os olhos da Fé, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ali presente, realmente, verdadeiramente e substancialmente.

 

S. Francisco Marto adorava e procurava consolar o Jesus escondido nas espécies eucarísticas, e, por isso, passava horas junto a Ele no Sacrário.

 

Onde está o Menino Jesus? Está no Sacrário, esperando, de braços e Coração aberto a nossa visita e adoração, como sucedeu com os pastores e os magos vindos do oriente, para nos consolar e salvar.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira



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1 comentário:

Maria José Martins disse...

"...Vós, Meus Sacerdotes, fazei isso em memória de Mim--Jesus recordando a Última Ceia-- para que os tesouros infinitos do Meu Sacrifício subam impenetráveis a Deus e desçam propícios sobre todos aqueles que os INVOCAM COM FÉ FIRME.
FÉ FIRME, Eu disse! Não se exige Ciência para se fruir do alimento e do Sacrifício Eucarístico, mas, sim, FÉ FIRME! Uma Fé, naquele Pão e naquele Vinho, virá, depois de autorizado por Mim, serem Consagrados em Meu Nome: o Meu Verdadeiro Corpo e o Meu Verdadeiro Sangue. E quem receber a Minha Carne e o Meu Sangue recebe-Me também, e oferece Jesus Cristo, como Ele Se ofereceu pelos pecados do mundo.
Uma criança ou um ignorante, assim como um adulto ou um doutor terão iguais benefícios pelo Sacrifício oferecido: BASTA QUE NELES HAJA FÉ!!--Da Obra "O Evangelho como me foi revelado"--Maria Valtorta