quarta-feira, 29 de abril de 2026

Jovens Argentinos queixam-se ao Bispo pela actuação do DJ Padre Guilherme

Excelência Reverendíssima:

Ante os factos públicos do passado 18 de Abril na Praça de Maio, por ocasião do aniversário do falecimento do Papa Francisco, por cuja alma oramos, decidimos exprimir-nos nesta carta com toda a sinceridade (CIC 212 § 2 e 3).

Como jovens católicos, dirigimo-nos a Vossa Excelência a fim de manifestar a nossa repulsa a um espectáculo tão desonroso como o ocorrido, pois deixou-nos gravemente escandalizados. Como se isso não bastasse, o facto de o nosso bispo julgar este acto vergonhoso como “espectáculo sério” para “chegar à juventude” deixa-nos dolorosamente perplexos. Lamentamos profundamente que se subestime desta maneira a juventude, que se creia que aquilo que nos “chega” são as festas rave com música e um ambiente que propicia o desenfreio, o consumo de substâncias e o descuido pelos lugares públicos. 

Tampouco nos atraem os sacerdotes que procuram adaptar-se aos critérios do mundo, nem a banalização da nossa fé, pela qual tantos mártires derramaram e continuam a derramar o seu sangue. Procurando velar pela honra da dignidade episcopal, pela honra da fé e pelo bem das almas, perante este grave escândalo e grandíssima confusão, queremos aproveitar a ocasião para exprimir aquilo que sim nos “chega” e que pedimos publicamente aos nossos pastores: 

Que nos transmitam integralmente a doutrina da Igreja, pois é um direito dos fiéis recebê-la sem recortes (CIC 747-755). Estamos fartos de que nos digam que “o Inferno não existe ou está vazio”, que “Deus aceita cada um como é”, que “isso dizia a Igreja antes”. 

Que abandonem os critérios politicamente correctos. Queremos que nos preguem com clareza a necessidade de viver a pureza. Como é possível que não se diga forte e claro que as relações sexuais pre-matrimoniais são pecado e, em vez disso, até se justifiquem sob um falso conceito de “amor”? Como é possível que se nos diga que «a masturbação não é pecado»? (sexto mandamento da lei de Deus, Catecismo 2352-2353). 

Que não nos comuniquem uma mensagem confusa sobre a homossexualidade. Pedimos declarações que não deixem lugar a dúvidas: “os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados” (Catecismo 2357). Como é possível que, de um organismo sob a responsabilidade de Mons. Colombo, actual presidente da CEA, se tenha aderido à marcha LGBT de 1/2/2025? Como é possível que se omita a necessidade de conversão e até se justifiquem os casais do mesmo sexo? 

Que nos ensinem explicitamente que fora da Igreja Católica não há salvação (Lumen Gentium 14). Enche-nos de dor e indignação ouvir sacerdotes dizer que todas as religiões conduzem a Deus, desafiando a Cristo que ensina categoricamente o contrário: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim” (Jo 14,6).
 
Que ponham fim aos abusos litúrgicos. Queremos que a Santa Missa seja celebrada de maneira solene, digna e reverente, livre de aplausos, guitarras, danças e/ou canções dos anos 70. 

Horroriza-nos a Eucaristia distribuída como se fosse uma bolacha e os maus-tratos a quem deseja comungar de joelhos. A Missa não é uma atracção nem pode estar sujeita às ocorrências do celebrante: é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz (CIC 846 §1, 214). 

Que nos ensinem que, para receber a Cristo na sagrada comunhão, devemos encontrar-nos em estado de graça (cf. 1 Cor 11,27; CIC 915; Catecismo 1415). É um sacrilégio que clama ao Céu dar a comunhão a pessoas que vivem em concubinato ou que, após divorciarem-se, convivem maritalmente com quem não é o seu cônjuge. Do mesmo modo, causa espanto que se admita ao sacramento personalidades públicas que abertamente obram contra a doutrina e a moral da Igreja. 

Que se nos pregue o perigo dos três inimigos da alma: o demónio, o mundo e a carne. Que não nos ocultem que existe um combate espiritual do qual depende o nosso destino eterno (cf. Ef 6,11-12; 1 Pe 5,8; 1 Jo 2,15-16; Ga 5,17). 

Que se nos exorte às obras de misericórdia, a velar pelos mais necessitados sem se dobrarem às agendas do mundo. Para nos preocuparmos com o próximo não precisamos de "namoriscar" com ideologias nem venerar sacerdotes vindos do terceiro mundo.

Basta-nos ser católicos e que se nos exorte a viver a caridade cristã como o pediu o Papa Leão XIII, de quem toma nome o actual Pontífice, no ponto 41 da Rerum Novarum. Estamos conscientes de que há muitos jovens afastados da Igreja, a quem talvez choquem estes oito pontos. Nós somos os primeiros a viver essa situação lacerante.

Não se os atrai dando-lhes aquilo que já têm porque, “se o sal perder o seu sabor, com que será salgado?” (Mt 5,13). Não se atraem os que estão afastados recortando a verdade precisamente porque, como diz o mesmo Evangelho, tendo o sal perdido o sabor, não serve senão para ser pisado pelos homens. Recortar a verdade faz com que não tomem a sério a nossa religião e faz com que ignorem aquilo para que se os quer atrair. 

O que sim “chega” é a radicalidade cristã que Jesus nos pede: a renúncia ao próprio eu e a aceitação amorosa e valente da cruz (cf. Mt 16,24). Não crê Vossa Excelência que, se a juventude não se sente atraída, é por aquilo de Jo 10,5: “Mas a um mercenário não seguirão, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos”? Não crê que, se as ovelhas se dispersam e não entram no redil, é pela intrusão de salteadores, ladrões, mercenários e assalariados (cf. Jo 10, 8-12) que se apascentam a si mesmos, deixando o rebanho à mercê das feras (cf. Ez 34, 1-10)? 

A unidade do rebanho e a busca da ovelha perdida só podem dar-se na caridade, e a caridade só pode dar-se na verdade. A unidade não é o ajuntamento, o ajuntamento da quantidade: é o seguimento da voz do Bom Pastor.

Suplicamos a Vossa Excelência, e a todos os bispos e presbíteros que tenham recebido esta mensagem, que procurem com todas as forças remediar esta grande tragédia. Cumpram a missão para a qual foram consagrados: pregar a verdade, celebrar dignamente os sacramentos e conduzir-nos à santidade. 

Queremos que se nos convide ao heroísmo e que se nos recorde que a graça divina torna possível o impossível (cf. Lc 18,27). Queremos que se nos exorte à imitação de Cristo, à perfeição (cf. Mt 5,48), e não que se bendiga a nossa maneira errada de viver. Queremos ser sal da terra e luz do mundo para a glória do Pai Celestial. Esse é o “barulho” que, em todo o caso, queremos fazer.

Atentamente em Cristo.
Ezequiel Gorrosttietta,
em nome dos 'Jóvenes Católicos Argentinos'.


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