A situação actual relativa às sagrações episcopais na Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) despertou subitamente toda a Igreja. Num curto espaço de tempo, após o anúncio de 2 de Fevereiro de que a FSSPX irá proceder a estas sagrações, surgiu, em amplos sectores do mundo católico, um debate intenso e frequentemente carregado de emoção. O leque de vozes nesse debate vai desde a compreensão, benevolência, observação neutra e bom senso, até à rejeição irracional, condenação peremptória e até ao ódio visceral. Embora haja motivos de esperança — e de modo algum irrealista — de que o Papa Leão XIV possa efectivamente aprovar as sagrações episcopais, já se começam a apresentar em linha propostas de texto para uma bula de excomunhão da FSSPX.
As reacções negativas, embora muitas vezes bem intencionadas, revelam que o cerne do problema ainda não foi compreendido com suficiente honestidade e clareza. Nota‑se uma tendência para permanecer à superfície. As prioridades na vida da Igreja invertem‑se, elevando a dimensão canónica e jurídica — isto é, um certo positivismo jurídico — ao critério supremo. Além disso, por vezes falta consciência histórica quanto à prática da Igreja no que toca às ordenações episcopais. Assim, a desobediência é demasiado facilmente equiparada a cisma. Os critérios de comunhão episcopal com o Papa, e consequentemente a compreensão daquilo que realmente constitui o cisma, são considerados de modo excessivamente unilateral em comparação com a prática e a auto-consciência da Igreja na era patrística, o tempo dos Padres da Igreja.
Neste debate, estão a ser estabelecidos novos quase‑dogmas que não existem no Depositum fidei. Estes quase‑dogmas sustentam que o consentimento do Papa para a sagração de um bispo é de direito divino, e que uma sagração realizada sem esse consentimento, ou mesmo contra uma proibição papal, constitui em si mesma um acto cismático. Porém, a prática e a compreensão da Igreja no tempo dos Padres, e durante um longo período depois disso, contrariam tal visão. Além disso, não há opinião unânime sobre esta matéria entre os teólogos reconhecidos da tradição bi-milenar da Igreja. Séculos de prática eclesial, assim como o direito canónico tradicional, opõem‑se também a tais afirmações absolutizantes. Segundo o Código de Direito Canónico de 1917, uma sagração episcopal realizada contra a vontade do Papa não era punida com excomunhão, mas apenas com suspensão. Com isto, a Igreja manifestava claramente que não considerava tal acto como cismático.
A aceitação do primado do Papa como verdade revelada é muitas vezes confundida com as formas concretas — formas que se foram desenvolvendo ao longo da História — pelas quais um bispo exprime a sua unidade hierárquica com o Papa. Crer no Primado do Papa, reconhecer o Papa concreto, aderir com ele a tudo o que a Igreja ensinou infalível e definitivamente e observar a validade da liturgia sacramental é de direito divino. Contudo, uma visão redutora que equipara a desobediência a uma ordem papal com o cisma — mesmo no caso de uma sagração episcopal realizada contra a sua vontade — era estranha aos Padres da Igreja e ao direito canónico tradicional. Por exemplo, em 357, São Atanásio desobedeceu à ordem do Papa Libério, que o instruíra a entrar em comunhão hierárquica com a esmagadora maioria do episcopado, o qual era de facto ariano ou semi‑ariano. Como consequência, foi excomungado. Neste caso, São Atanásio desobedeceu por amor à Igreja e à honra da Sé Apostólica, procurando precisamente salvaguardar a pureza da doutrina de qualquer suspeita de ambiguidade.
No primeiro milénio da vida da Igreja, as sagrações episcopais eram geralmente realizadas sem permissão papal formal, e não se exigia que os candidatos fossem aprovados pelo Papa. A primeira norma canónica sobre sagrações episcopais, emanada por um Concílio Ecuménico, foi a de Niceia, em 325, que requeria que um novo bispo fosse consagrado com o consentimento da maioria dos bispos da província. Pouco antes da sua morte, num período de confusão doutrinal, São Atanásio escolheu pessoalmente e consagrou o seu sucessor — São Pedro de Alexandria —, para garantir que nenhum candidato inadequado ou fraco viesse a assumir o episcopado. De modo semelhante, em 1977, o Servo de Deus Cardeal Iosif Slipyj consagrou secretamente três bispos em Roma sem a aprovação do Papa Paulo VI, plenamente consciente de que o Papa não o permitiria por causa da Ostpolitik vaticana daquela época. Ainda assim, quando Roma tomou conhecimento destas sagrações secretas não aplicou a pena de excomunhão.
Para evitar mal‑entendidos, em circunstâncias normais — e quando não há confusão doutrinal nem tempo de perseguição extraordinária — é preciso, evidentemente, fazer tudo o possível para observar as normas canónicas da Igreja e obedecer ao Papa nas suas injunções justas, a fim de preservar a unidade eclesial de modo mais eficaz e visível.
Mas a situação actual na vida da Igreja pode ser ilustrada com a seguinte parábola: Irrompe um incêndio numa grande casa. O chefe dos bombeiros permite apenas o uso de novos equipamentos de combate ao fogo, embora se tenha demonstrado que são menos eficazes do que os antigos instrumentos. Um grupo de bombeiros desafia esta ordem e continua a usar o material experimentado e comprovado — e, de facto, o fogo é contido em muitos lugares. No entanto, estes bombeiros são rotulados como desobedientes e cismáticos, e são castigados.
Prolongando a metáfora: o chefe dos bombeiros admite apenas aqueles que reconhecem o novo equipamento, seguem as novas regras de combate ao fogo e obedecem aos novos regulamentos do quartel. Mas, dada a dimensão evidente do incêndio, a luta desesperada contra ele e a insuficiência da equipa oficial de bombeiros, outros auxiliares — apesar da proibição do chefe — intervêm abnegadamente, com perícia, conhecimento e boas intenções, acabando por contribuir para o êxito dos esforços do próprio chefe.
Perante um comportamento tão rígido e incompreensível, apresentam‑se duas possíveis explicações: ou o chefe dos bombeiros nega a gravidade do incêndio, à semelhança da comédia francesa 'Tout va très bien, Madame la Marquise!'; ou, na realidade, o chefe deseja que grandes partes da casa ardam, para que mais tarde possam ser reconstruídas segundo um novo projecto.
A crise actual em torno das sagrações episcopais anunciadas — mas ainda não aprovadas — expõe, diante dos olhos de toda a Igreja, uma ferida que arde em brasa há mais de sessenta anos. Esta ferida pode ser descrita, em linguagem figurada, como um cancro eclesial — concretamente, o cancro eclesial das ambiguidades doutrinais e litúrgicas.
Recentemente, apareceu um excelente artigo no blogue Rorate Caeli, escrito com rara clareza teológica e honestidade intelectual, com o título: “The Long Shadow of Vatican II: Ambiguity as Ecclesial Cancer”. O problema fundamental de algumas afirmações ambíguas do Concílio Vaticano II é que o Concílio preferiu um tom pastoral em detrimento da precisão doutrinal. Pode concordar‑se com o autor quando ele afirma:
«O problema não é que o Vaticano II tenha sido herético. O problema é que foi ambíguo. E nessa ambiguidade vimos as sementes da confusão que floresceram em alguns dos mais preocupantes desenvolvimentos teológicos da história moderna da Igreja. Quando a Igreja, mesmo que sem intenção, fala em termos vagos, as almas estão em perigo.»
O autor continua:
«Quando um “desenvolvimento” doutrinal parece contradizer o que vinha antes, ou quando exige décadas de ginástica teológica para ser reconciliado com o ensinamento magisterial anterior, devemos perguntar: trata‑se de desenvolvimento, ou de ruptura disfarçada de desenvolvimento?»
Pode supor‑se com razoabilidade que a FSSPX nada mais deseja do que ajudar a Igreja a sair desta ambiguidade na doutrina e na liturgia e a reencontrar a sua salutar clareza perene — tal como o Magistério da Igreja, guiado pelos Papas, o fez inequivocamente ao longo da História, depois de cada crise marcada pela confusão doutrinal e pela ambiguidade.
Na realidade, a Santa Sé deveria estar agradecida à FSSPX, porque ela é actualmente quase a única grande realidade eclesial que aponta franca e publicamente a existência de elementos ambíguos e equívocos em certas afirmações do Concílio e do Novus Ordo Missae. Neste esforço, a FSSPX é guiada por um amor sincero à Igreja: se não amasse a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderia este trabalho nem se empenharia em dialogar com as autoridades romanas — e sem dúvida teria uma vida mais fácil.
Comovem profundamente as seguintes palavras de Mons. Marcel Lefebvre, que reflectem a atitude da actual direcção e da maior parte dos membros da FSSPX:
«Nós cremos em Pedro, nós cremos no sucessor de Pedro! Mas, como o Papa Pio IX diz muito bem na sua constituição dogmática, o Papa recebeu o Espírito Santo não para fazer novas verdades, mas para nos manter na fé de sempre. Esta é a definição do Papa feita por ocasião do Concílio Vaticano I pelo Papa Pio IX. E é por isso que estamos convencidos de que, ao manter estas tradições, manifestamos o nosso amor, a nossa docilidade, a nossa obediência ao Sucessor de Pedro. Não podemos permanecer indiferentes perante a degradação da fé, da moral e da liturgia. Isso está fora de questão! Não queremos separar‑nos da Igreja; pelo contrário, queremos que a Igreja continue!»
Se alguém considera entre os seus maiores sofrimentos espirituais o facto de ter dificuldades com o Papa, tal é por si só uma prova eloquente de que não há intenção cismática. Os verdadeiros cismáticos chegam mesmo a gloriar‑se da sua separação da Sé Apostólica. Verdadeiros cismáticos jamais suplicariam humildemente ao Papa que reconhecesse os seus bispos.
Quão verdadeiramente católicas são, então, estas palavras de Mons. Marcel Lefebvre:
«Lamentamos infinitamente, é uma dor imensa para nós, pensar que estamos em dificuldade com Roma por causa da nossa fé! Como é possível? É algo que ultrapassa a imaginação, que nunca teríamos podido imaginar, que nunca teríamos podido acreditar, sobretudo na nossa infância — então, quando tudo era uniforme, quando toda a Igreja acreditava na sua unidade geral e tinha a mesma Fé, os mesmos Sacramentos, o mesmo sacrifício da Missa, o mesmo catecismo.»
Devemos examinar honestamente as evidentes ambiguidades relativas à liberdade religiosa, ao ecumenismo e à colegialidade, bem como as imprecisões doutrinais do Novus Ordo Missae. A este respeito, deve ler‑se o livro recentemente publicado pelo Arquimandrita Boniface Luykx, perito conciliar e renomado estudioso de liturgia, cujo título é muito eloquente: "A Wider View of Vatican II. Memories and Analysis of a Council Consultor".
Como disse uma vez G. K. Chesterton: «Ao entrar na igreja, pedem‑nos que tiremos o chapéu, não a cabeça.» Seria uma tragédia se a FSSPX fosse completamente cortada, e a responsabilidade por tal divisão recairia principalmente sobre a Santa Sé. A Santa Sé deveria acolher a FSSPX, oferecendo‑lhe ao menos um mínimo de integração na Igreja, e depois continuar o diálogo doutrinal. A Santa Sé demonstrou notável generosidade em relação ao Partido Comunista Chinês, permitindo‑lhe escolher candidatos a bispos — e, contudo, os seus próprios filhos, as dezenas e dezenas de milhares de fiéis da FSSPX, são tratados como cidadãos de segunda categoria.
Dever‑se‑ia permitir à FSSPX que desse a sua contribuição teológica em ordem a clarificar, completar e, se necessário, emendar aquelas afirmações dos textos do Concílio Vaticano II que suscitam dúvidas e dificuldades doutrinais. Deve ter‑se igualmente em conta que, nesses textos, o Magistério da Igreja não pretendeu pronunciar‑se com definições dogmáticas dotadas da nota de infalibilidade (cf. Paulo VI, Audiência Geral, 12 de Janeiro de 1966).
A FSSPX faz exactamente a mesma Professio fidei que fizeram os Padres do Concílio Vaticano II, conhecida como a Professio fidei tridentino‑vaticana. Se, segundo as palavras explícitas do Papa Paulo VI, o Concílio Vaticano II não apresentou doutrinas definitivas nem tencionou fazê‑lo, e se a fé da Igreja permanece a mesma antes, durante e depois do Concílio, por que motivo a profissão de fé que era válida na Igreja até 1967 deixaria de ser considerada válida, de repente, como marca de verdadeira crença católica?
Todavia, a Professio fidei tridentino‑vaticana é considerada insuficiente pela Santa Sé no que toca à FSSPX. Não constituiria precisamente essa Professio fidei tridentino‑vaticana “o mínimo” para a comunhão eclesial? Se isso não é um mínimo, então o que, honestamente, qualificaria como “mínimo”? À FSSPX é exigido, como conditio sine qua non, que faça uma Professio fidei pela qual devam ser aceitos os ensinamentos de carácter pastoral, e não definitivo, do último Concílio e do subsequente Magistério. Se isto é realmente o chamado “requisito mínimo”, então o Cardeal Victor Fernández parece brincar com as palavras!
O Papa Leão XIV afirmou nas Vésperas ecuménicas de 25 de Janeiro de 2026, no encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que já existe unidade entre católicos e cristãos não católicos, porque partilham o mínimo da fé cristã: «Partilhamos a mesma fé no único Deus, Pai de todos os homens; confessamos juntos o único Senhor e verdadeiro Filho de Deus, Jesus Cristo, e o único Espírito Santo, que nos inspira e impele rumo à plena unidade e ao testemunho comum do Evangelho» (Carta Apostólica In Unitate Fidei, 23 de Novembro de 2025, 12). E declarou ainda: «Somos um! Já o somos! Reconheçamo‑lo, experimentemo‑lo e tornemo‑lo visível!»
Como se pode conciliar esta afirmação com a alegação feita por representantes da Santa Sé e por alguns altos prelados de que a FSSPX não está unida doutrinalmente à Igreja, dado que a FSSPX professa a Professio fidei dos Padres do Concílio Vaticano II — a Professio fidei tridentino‑vaticana?
Novas medidas pastorais provisórias concedidas à FSSPX para o bem espiritual de tantos fiéis católicos exemplares constituiriam um testemunho profundo da caridade pastoral do Sucessor de Pedro. Agindo assim, o Papa Leão XIV abriria o seu coração paterno àqueles católicos que, de certo modo, vivem numa periferia eclesial, permitindo‑lhes experimentar que a Sé Apostólica é verdadeiramente Mãe também para a FSSPX.
As palavras do Papa Bento XVI deveriam despertar a consciência daqueles, no Vaticano, que hão‑de decidir sobre a concessão da permissão para as sagrações episcopais da FSSPX. Ele recorda‑nos:
«Olhando para o passado, para as divisões que, ao longo dos séculos, rasgaram o Corpo de Cristo, tem‑se continuamente a impressão de que, em momentos críticos em que as divisões se produziam, não foi feito o suficiente, por parte dos responsáveis da Igreja, para manter ou recuperar a reconciliação e a unidade. Tem‑se a impressão de que omissões por parte da Igreja tiveram a sua quota de culpa pelo facto de estas divisões se terem podido enrijecer. Este olhar para o passado impõe‑nos hoje uma obrigação: fazer todo o possível para permitir que todos aqueles que desejam verdadeiramente a unidade nela permaneçam ou a alcancem de novo.» (Carta aos Bispos por ocasião da publicação da Carta Apostólica «motu proprio data» Summorum Pontificum, sobre o uso da Liturgia Romana anterior à reforma de 1970, 7 de Julho de 2007)
«Podemos ser totalmente indiferentes a uma comunidade que conta 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos de nível universitário, 117 irmãos religiosos, 164 religiosas e milhares de fiéis leigos? Devemos deixá‑la, com ligeireza, afastar‑se ainda mais da Igreja? E não deveria também a grande Igreja permitir‑se ser generosa, consciente da sua grande largueza, consciente da promessa que lhe foi feita?» (Carta aos Bispos da Igreja Católica a propósito da remissão da excomunhão dos quatro Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre, 10 de Março de 2009).
Medidas pastorais provisórias e mínimas a favor da FSSPX, tomadas para o bem espiritual das dezenas de milhares dos seus fiéis em todo o mundo — incluindo um mandato pontifício para sagrações episcopais — criariam as condições necessárias para esclarecer com calma mal‑entendidos, questões e dúvidas de natureza doutrinal que nascem de certas afirmações dos documentos do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério Pontifício. Ao mesmo tempo, tais medidas forneceriam à FSSPX a oportunidade de dar uma contribuição constructiva para o bem de toda a Igreja, mantendo uma clara distinção entre o que pertence à fé divinamente revelada e à doutrina proposta de modo definitivo pelo Magistério, e aquilo que tem sobretudo carácter pastoral em circunstâncias históricas concretas, sendo por isso aberto a um estudo teológico atento, como sempre foi a prática ao longo da vida da Igreja.
Com sincera solicitude pela unidade da Igreja e pelo bem espiritual de tantas almas, dirijo um apelo, com caridade reverente e fraterna, ao nosso Santo Padre o Papa Leão XIV:
Santíssimo Padre, concedei o Mandato Apostólico para as sagrações episcopais da FSSPX. Vós sois também o pai de numerosos filhos e filhas — duas gerações de fiéis que, até agora, têm sido assistidos pela FSSPX, que amam o Papa e desejam ser verdadeiros filhos e filhas da Igreja Romana. Portanto, abstrai‑vos dos partidarismos de outrem e, com grande espírito paternal e verdadeiramente agostiniano, mostrai que sois construtor de pontes, como prometestes diante do Mundo inteiro quando destes a vossa primeira bênção após a eleição. Não fiqueis na História da Igreja como aquele que não construiu esta ponte — ponte que poderia ser erguida neste momento verdadeiramente providencial, com vontade generosa — e que, em vez disso, permitiu uma ulterior divisão realmente desnecessária e dolorosa no seio da Igreja, enquanto ao mesmo tempo decorrem processos sinodais que se vangloriam da máxima amplitude pastoral e inclusividade eclesial. Como a Vossa Santidade sublinhou recentemente:
«Comprometamo‑nos a desenvolver ulteriormente práticas sinodais ecuménicas e a partilhar uns com os outros quem somos, o que fazemos e o que ensinamos (cf. Francisco, Para uma Igreja sinodal, 24 de Novembro de 2024).»
Santíssimo Padre, se concederdes o Mandato Apostólico para as sagrações episcopais da FSSPX, a Igreja do nosso tempo nada perderá. Sereis um verdadeiro construtor de pontes, e ainda mais, um construtor de pontes exemplar, pois sois o Sumo Pontífice, Summus Pontifex.
+Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana
24 de Fevereiro de 2026
[1] Estatísticas da FSSPX em 2025: Total de membros: 1482; Bispos: 2; Sacerdotes (excluindo os bispos): 733; Seminaristas (incluindo os ainda não comprometidos): 264; Irmãos religiosos: 145; Oblatas: 88; Irmãs religiosas: 250; Idade média dos membros: 47 anos; Países servidos: 77; Distritos e Casas Autónomas: 17; Seminários: 5; Escolas: 94 (das quais 54 em França).
7 comentários:
Grande relambório, mas no fundo a coisa é simples: querem fazer o queijo à maneira deles mas querem continuar a ter o DOP.
Chatice...quem bater à porta fica a saber que o que se vende ali não é DOP. Deixa de ser queijo da serra para passar a ser queijo tipo serra. Bem podem apregoar que o deles é que é bom, mas fica a faltar o papelinho. O melhor é não comprar e escolher outro que tenha o papelinho.
Importante recordar Leão XIII com a sua recomendação sobre a unidade no combate ao erro dizia: "...precisamos de estar atentos e não nos deixarmos levar à conivência com o erro ou opor-lhe uma resistência débil, não aceitável pela verdade". Em suma, os verdadeiros católicos integralmente ligados à Tradição divino/apostólica (não à teo/conservadora americanista, como bem classifica Nitoglia) que estão seguros da posse da verdade e da justiça reveladas por Deus e transmitida pelos Apóstolos de Cristo, não se entregam a transações e não procuram diluir o cristianismo.
"É seguro, meu irmão, que irás morrer, prosta-te pois aos pés do Crucifixo, dá-Lhe graças ferventes pelo tempo que a Suam misericórdia te concede a fim de que arrumes a tua consciência e então examina todos os pecados do teu passado, especialmente os da tua juventude" ( "Preparação para a morte"- Sto. Afonso de Ligório), é uma leitura, meu irmão, bem recomendável nestes tempos de Quaresma. Outro conselho: Não te esqueças que com Deus não se brinca e o queijo não é coisa saudável para a memória.
É triste essa situação toda, dá pra procurar culpados no passado, mas isso não resolve o futuro de milhões de almas. Temos que rezar muito, a verdade é que a oportunidade ideal para o acolhimento da FSSPX era na época que o Papa Francisco ofereceu uma prelazia própria com bispo próprio, etc...
A situação atual, infelizmente, não entra no aspecto de "necessidade especial" como se utilizou na época da União Soviética ou da China atual e em outros lugares nos quais a perseguição aos cristãos é clara e manifesta.
Temos missas tridentinas através de outras instituições dentro da própria igreja, instituições essas que possuem o direito de crítica livre ao CVII...
Infelizmente me parece que é o momento da FSSPX dar um passo atrás pensando nas centenas de milhares de almas das quais eles são responsáveis, a Igreja deu seu passo atrás já aceitando conversar e quem sabe oferecer alternativas.
Vamos rezar...
Pois sim, do lado de fora como o "bispo" Macedo. Até podem montar uma igreja com rendas e rendinhas, degraus e barreiras, não tem valor algum. É apenas teatro. Não tem o reconhecimento de Roma. Palpita-me que se vão atrapalhar a recitar o Credo; única...romana...
Como dizia o Cardeal Ottaviani aceitar uma insidiosa "mão estendida" para encontrar uma saída nas circunstâncias destes tristes tempos modernos, sem se dar conta que aquela mão o levará a passar o Rubicão para o erro e a injustiça, significa deixar de exigir o pleno respeito dos seus direitos que são os de Deus.
Esta "mão estendida" ao catolicismo já foi a do comunismo de "face humana" que originou muitos apóstatas, é agora a da Democracia dita cristã, mas realmente modernista, e a do Americanismo (heresias condenadas por Leão XIII e Pio X) e, citando Nitoglia, se antes foi francesa, agora é americana (Papa e Imperador americanos) e projectada para uma Nova Ordem Mundial, fundada no transhumanismo e inteligência artificial, onde o homem se fará como Deus.
"...outros há que obtiveram igrejas pela violência e vós fostes expulsos dos vossos lugares. Eles agora têm os lugares mas vós tendes a Fé Apostólica. É verdade que eles ocupam os lugares, mas fora da Fé verdadeira, enquanto vós que estais fora dos lugares, tendes, no entanto, a Fé dentro de vós. O que será mais importante, o lugar ou a Fé? Obviamente a Fé verdadeira..." (Sto. Atanásio)
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