terça-feira, 16 de maio de 2017

Jesus nunca existiu, foi casado e teve filhos

De tempos a tempos, depara-se-nos a notícia de que Jesus de Nazaré não existiu. A fonte da "boa-nova" é sempre algum estudo histórico seríssimo, que só a censura eclesiástica e os escrúpulos para com o sentimento religioso do povo puderam reprimir durante os últimos dois milénios. No entanto, já aprendi com a experiência destas coisas a suspender a minha opinião sobre estes estudos, pelo menos até que a maior parte dos que murmuram sobre eles, bem como a maior parte daqueles que os fazem, consiga decidir definitivamente se Jesus deveras não existiu ou se foi casado e teve filhos. 

A impressão que fica é que qualquer hipótese é aceitável desde que diga o contrário do relato evangélico, ora afirmando que Jesus não existiu, ora atribuindo-lhe uma existência inusitada. Talvez um dia os cépticos venham a descobrir que estas teorias não passam pelo crivo do cepticismo e que a hipótese mais parcimoniosa é, afinal, a de que Jesus existiu, não casou, teve um ministério público nas cidades da Palestina, foi crucificado entre salteadores, morreu, e na manhã de Domingo o túmulo em que o haviam depositado estava vazio.

É claro que existem algumas boas razões para não acreditar nos estudos que concluem pela inexistência de Jesus e a maior razão entre elas é o facto de as testemunhas oculares estarem perfeitamente convencidas do contrário, o que é um aspecto que nenhum historiador digno do nome pode ignorar. Contudo, uma vez que os académicos que negam a existência do humilde carpinteiro de Nazaré parecem apostados em negligenciar essas testemunhas por terem acreditado no que viram, há que citar-lhes as palavras de outros que puderam informar-se razoavelmente sobre os acontecimentos, embora não fossem cristãos. A investigação dos relatos judaicos e pagãos da época, escritos por homens que não tinham o menor interesse em favorecer com as suas palavras a pregação cristã nascente, confirma notavelmente a narrativa ortodoxa da vida de Jesus de Nazaré.

A ajudar a nossa pesquisa, o historiador Lawrence Mykytiuk publicou recentemente um artigo em que sintetiza as informações sobre a vida de Jesus contidas nas principais fontes pagãs e judaicas. Mykytiuk nomeia vários autores antigos, mas é suficiente por agora concentrarmos a atenção em apenas três fontes – o pagão Tácito, o judeu Josefo e os escritos rabínicos dos primeiros séculos da era cristã.

Tácito é um formidável historiador da vida em Roma no primeiro século depois de Cristo. Era um homem de grande reputação entre os seus contemporâneos que foi procônsul na Turquia e senador em Roma. É no seu trabalho mais extenso, os Anais, posto por escrito no início do segundo século, no capítulo XV, 44, que Tácito fala de Cristo. As breves palavras que escreve sobre Jesus aparecem a propósito da perseguição que o imperador Nero moveu contra os cristãos.  O parágrafo que redigiu, marcado por um laivo de desprezo pela «letal superstição» cristã, menciona Cristo - «Christus» - como fundador desse «mal». Esse homem, proveniente da Judeia, conta-nos Tácito, foi executado no tempo do imperador Tibério, às ordens do procurador Pôncio Pilatos. Este extraordinário pedaço de literatura antiga não apenas confirma a existência do fundador da nova religião, o Cristo, como confirma a narrativa da sua morte e o tempo em que ocorreram os eventos da vida de Jesus, algures entre os anos 26 e 36 da era cristã, o período em que Pôncio Pilatos foi procurador da Judeia enquanto Tibério era imperador.

O sacerdote hebraico, Flávio Josefo, que foi deportado para Roma por ocasião da revolta judaica contra Roma, iniciada em 66 d.C., é vulgarmente citado na presente questão por causa do que escreveu sobre Jesus no décimo oitavo livro das suas Antiguidades Judaicas, excerto que é conhecido pelos historiadores como Testimonium Flavianum. Outra referência que fez a Jesus, no vigésimo livro daquela obra, mais discreta e muito menos conteste, costuma passar despercebida. Esta menção está inserida na narrativa da sentença de morte de Tiago, proferida pelo sumo sacerdote Ananias. Tiago era um nome muito comum na época e Josefo precisou de distinguir claramente a pessoa de quem estava a falar naquele trecho. Então, associou o nome de Tiago a outro nome, que, aparentemente, o tornaria claramente reconhecível, o nome do seu primo Jesus. 

Porém, como o nome Jesus era também de uso frequente naquela época, Josefo diferenciou a pessoa a que se referia escrevendo que era aquele a quem chamavam o Messias, ou, em latim, «Christus». A menção incidental de Jesus, servindo apenas a função de identificar Tiago, só faz sentido se tratar de alguém que realmente existiu e que poderia ser um ponto de referência para os leitores da época. Josefo parece considerar que a mera indicação do parentesco com Jesus para distinguir Tiago é bastante, o que sugere, como hipótese mais provável, que Jesus já deveria ser conhecido do leitor por alguma menção feita anteriormente na obra – ao que tudo indica, o célebre passo do décimo oitavo livro. Este excerto, que confirma, entre outros aspectos, a história do julgamento e crucificação de Jesus, merece considerações mais demoradas, para as quais devolvo o leitor ao artigo de Mykytiuk.

O testemunho que mais me impressiona sobre Jesus é aquele que é dado pelos seus inimigos. Aqueles contemporâneos do primeiro século a quem Jesus foi mais incómodo seriam aqueles que teriam todo o interesse em contar a verdade sobre o mito de Jesus, mito que seria singularmente frágil, uma vez que os cristãos pregavam que o seu mestra havia tido um ministério público nas cidades da Galileia. No entanto, não o fizeram. As autoridades judaicas da época e as tradições rabínicas falavam de Jesus como se ele tivesse realmente existido e chegaram mesmo a voltar contra o Nazareno os estranhos acontecimentos da sua vida, tal como já o haviam feito antes, quando disseram que era pelo poder do príncipe dos demónios que Ele expulsava os demónios. Pergunto-me se não seria poupar dores de cabeça e arrelias ter logo dito que ele não existira – a não ser que dizê-lo fosse um perfeito disparate; a não ser que Ele tivesse mesmo existido.

Como nota Mykytiuk, a esmagadora maioria dos historiadores não questiona a existência de Jesus – as vozes que bradam no deserto para a negar, quaisquer que sejam os motivos pelos quais o fazem, não o fazem, certamente, por motivos científicos. 

É óbvio que estas fontes vêm trazer um grande reforço à tese de que Jesus foi casado e teve filhos, uma vez que existiu para o efeito. Talvez seja de esperar, portanto, um consenso entre os autores de estudos sobre de que maneira é que a Bíblia há-de estar errada.

Hugo Monteiro Dantas


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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Centenário das Aparições de Fátima: Procissão nas ruas de Roma

Organização: Paróquia Santissima Trinità dei Pellegrini (FSSP)


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Papa Francisco em Fátima e a multidão de Santa Jacinta

Um sol magnífico. No recinto imenso de Fátima e nas ruas à volta, ecoa a voz pausada do Papa. Faz-nos sonhar com a poesia de imagens tiradas do Apocalipse, fala da «Mulher revestida de sol», refulgente de beleza. Ela, disse-nos o Papa, é a nossa mãe! Depois de ver Nossa Senhora, a pequena Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora!».

Também nós a veremos pela eternidade inteira, se formos para o Céu – diz o Papa. Por isso o preocupa o risco do Inferno «onde leva a vida sem Deus e profanando Deus nas suas criaturas».

O assunto é da máxima gravidade: «Nas suas “Memórias”, a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara de uma visão: “Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre numa igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta a gente a rezar com ele?”».

As circunstâncias desta homilia despertam-nos para a actualidade da visão. O Santo Padre diante de Maria, e uma multidão rezando... Mas é o próprio Papa que sublinha o que quer dizer: «Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes!». Sim, somos nós e é ele. Um arrepio de responsabilidade leva-nos a viver mais intensamente este momento que une o Céu e a Terra.

No meio das tribulações que desabam sobre a Igreja e a humanidade, o Papa aponta o caminho da esperança: sob o seu manto, não se perdem os filhos de Nossa Senhora – diz o Papa. Com essa esperança, o Papa põe-nos a caminho:

– «Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável, segundo o estado de vida de cada um. Ao “pedir” e “exigir” o cumprimentos dos nossos deveres de estado (a citação é de uma carta da Irmã Lúcia de 1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença, que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24) ».

No espaço desta homilia, cruzaram-se o esplendor da beleza e os abismos do mal, a esperança de Deus e a nossa responsabilidade. Com uma intensidade multiplicada pela multidão que ouve as palavras do Papa e reza com ele. Os que aqui estamos, somos, em primeira linha, a multidão imensa que a Jacinta viu.

José Maria C.S. André - Fátima, 13-V-2017


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domingo, 14 de maio de 2017

A Virgem de Fátima e a Espanha Católica



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100 anos de Fátima em imagens

Os três pastorinhos na Cova da Iria:

Primeira Missa na Cova da Iria -1918:

Peregrinação de 13 de Maio de 1926 (4 fotografias):

Peregrinos em Fátima, 1927:

Procissão em 1928:



Bênção da primeira pedra do monumento ao Sagrado Coração de Jesus (13.5.1928):

Construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário (1928-..)

13 de Maio de 1936 (2 fotografias):

Transporte da imagem de Nossa Senhora nos anos 40:

Missa no Santuário de Fátima em 1942 (Cardeal Cerejeira):

Coroação da Imagem de N.Sra em 1946:

Bênção dos doentes em 1951:

Valinhos (sem data):





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sexta-feira, 12 de maio de 2017

O pedido esquecido de Nossa Senhora de Fátima

100 anos depois da aparição da Virgem em Fátima, a Humanidade ainda teima em ignorar os seus apelos à conversão e à penitência

Quando Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos de Fátima, a 13 de maio de 1917, fez-lhes uma pergunta: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?" Os jovens Francisco, Jacinta e Lúcia responderam que sim, assumiram o pedido da Virgem Maria e toda a sua vida se transformou numa verdadeira entrega a Deus, pelo resgate das almas.

É impossível não nos lembrarmos do da Anunciação, quando o Céu, de um modo nunca antes visto, dependeu da liberdade de uma única criatura para descer sobre a Terra. Às palavras do anjo, dizendo que Maria Santíssima conceberia e daria à luz o próprio Filho de Deus, ela prontamente respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Naquele momento, também ela, de modo muito singular, assumia para si a missão de "suportar todos os sofrimentos", "em acto de reparação (...) e de súplica pela conversão dos pecadores" – missão que o profeta do templo resumiria na famosa expressão: "Uma espada trespassará a tua alma" (Lc 2, 35).

Foi a esta missão a que se referiu o Papa Bento XVI em 2010, quando peregrinou a Fátima. "Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída" [1]. De facto, ainda hoje, Nossa Senhora se dirige a toda a humanidade o mesmo apelo que fez aos três pastorinhos na Cova da Iria. "Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores. Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

Às portas do centenário das aparições da Virgem em Portugal, a hora é propícia para um profundo exame de consciência. O terceiro segredo de Fátima revelou a visão de um Anjo "apontando com a mão direita para a terra" e clamando, com voz forte: "Penitência, Penitência, Penitência!" Diante desse quadro, a pergunta a ser feita é: A humanidade realmente tem feito penitência? O que tem sido feito para atender aos pedidos de Nossa Senhora?

É preciso bater no peito e reconhecer o quão pouco foi feito pelo homem moderno para corresponder aos apelos da Mãe de Deus.

Primeiro, por parte daquelas pessoas que, mesmo assumindo-se como "católicas", não só rejeitaram o conteúdo de Fátima – que, por ser uma revelação particular, não obriga ao assentimento nenhum fiel católico [2] –, mas abandonaram totalmente as próprias verdades da Fé. Também em Fátima, Bento XVI chamou a atenção para o facto de que "muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importarem com a própria salvação eterna" [3]. Sem dúvidas, este é o grande mal deste século: que o homem viva como se Deus não existisse, totalmente alheio às realidades eternas e aos cuidados da sua alma.

Para que acontecesse uma efectiva mudança no mundo, e os corações fossem elevados ao Alto, Nossa Senhora indicou o caminho da penitência. Entra aqui a necessidade do exame de consciência por parte daqueles que crêem, mas ainda se encontram "estacionados" na vida espiritual. É muito comum ver pessoas instigadas pelas aparições da Virgem em Fátima, Lourdes, La Salette... Mas, quantas dessas pessoas despendem os mesmos esforços e as mesmas horas para cumprir os desejos de Deus, expressos pela boca de Maria Santíssima?

"Rezem o Terço todos os dias". Mas, quantas são as famílias que se têm dedicado à oração do Santo Terço? E quantas o têm rezado diariamente, como pediu Nossa Senhora?

"Sacrificai-vos pelos pecadores". Quantos têm verdadeiramente jejuado e feito penitências pela conversão do mundo? Quantos têm se levantado de madrugada ou feito vigílias em família para rezar pelas almas que mais precisam?

"Não ofendam mais a Deus, Nosso Senhor, que já está muito ofendido". E qual tem sido a conduta das pessoas? Será que têm se preocupado em adquirir verdadeira santidade de vida? Como vive a juventude católica, que se reúne nos grupos de oração, vai às Missas e estuda a sua Fé? Como têm vivido aqueles que, com a sua vida, deveriam brilhar como "a luz do mundo" (Mt 5, 14) e espalhar por todos os cantos "o bom odor de Cristo" (2 Cor 2, 15)?

É urgente lembrar que, no fim de contas, de nada adiantam avisos, previsões e surtos de curiosidade nociva sobre o futuro. "Se não vos converterdes, diz o Senhor, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 3). O que Jesus e Maria querem dos homens é que sejam santos, rezem e se mortifiquem, este é o único necessário de que fala Nosso Senhor, tudo o mais nos será tirado (cf. Lc 10, 42).

Conversão, penitência e oração: eis, pois, o centro do Evangelho e o núcleo da mensagem de Fátima, e também o de todas as outras recentes aparições da Virgem Maria. Não existe outra escada por onde subir ao Céu, nem outro caminho para chegar à paz.

in padrepauloricardo.org



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terça-feira, 9 de maio de 2017

A Mensagem de Fátima: Oração, Penitência e Conversão



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Imagens oficiais dos santos Jacinta e Francisco Marto

O Santuário de Fátima apresentou ontem as imagens oficiais dos Santos Jacinta e Francisco Marto. Ficarão expostas na fachada da Basílica do Rosário a partir da sua canonização, no próximo Sábado.




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domingo, 7 de maio de 2017

Missa Antiga no Santuário de Fátima (Basílica da Santíssima Trindade)




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O Sacerdócio visto por...uma Mãe

Hoje pensei que me competia dar um testemunho do que representa na minha vida, o facto de ser, desde o ano de 2000, mãe de um sacerdote. É difícil transmitir, expressar, o que foi o dia em que soube da sua ordenação, e a maravilha da celebração, em Roma: olhá-lo com outros olhos, com respeito e carinho!

Alegria, gratidão e exigência foram, não sei se por esta ordem, os sentimentos que dominaram o meu coração nesse momento, simultaneamente, é claro, com as lágrimas que teimosamente corriam dos meus olhos. Também se chora de alegria!

Encheu-se-me o coração de alegria com duas facetas bem distintas: a humana e a sobrenatural. Da humana não vale a pena falar. Da sobrenatural, dessa sim, falarei e associá-la-ei à gratidão. Jesus, que alegria querer lembrares-te do meu filho para Te servir, para ser capaz de dizer não a tantas solicitações do mundo em que vivemos! 

Jesus, que alegria pensar que, ao longo da sua vida, vai certamente ajudar tantas almas, corrigir os seus erros, trazer todos os dias ao altar o Teu corpo e sangue para nosso alimento, que ajudará a partir em paz tantas almas, desta vida para a outra, que não tem ocaso!

Jesus, obrigada, e que alegria pensar que sempre encontro no meu filho a Tua palavra serena, que traz Paz à minha alma e à de toda a família, e que sempre tem a dizer-nos aquilo que, nos momentos mais difíceis precisamos de ouvir. Quando estou com ele, a alegria transborda, mas há também aquele respeito que é devido a um ministro de Deus. Será que isto se entende?

Rezo muito por ele, certamente, como as outras mães dos sacerdotes, para que seja fiel à sua vocação e ao compromisso que livremente assumiu com Jesus Cristo.

Ser mãe de um sacerdote obriga-me a ser melhor filha de Deus, a ser exigente no meu viver de cristã, no testemunho de uma vida autêntica e coerente, vivida com a fidelidade a Cristo e ao Evangelho.

Se uma ou outra mãe de um sacerdote, porventura, sentir alguma vez tristeza porque o seu filho, tendo recebido o sacramento da Ordem, veio desfazer os seus sonhos quanto a um futuro diferente, a ela, espero que estas palavras ajudem.

Ser mãe de um sacerdote leva-me a estar sempre numa contínua acção de graças, mais ainda hoje, agora, neste ano especial para a nossa Mãe, a Igreja, e neste tempo tão carenciado de testemunhos positivos e de valores!

Maria Rocha (Professora) in 'Blog In HEart'


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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Cardeal Sarah: Vaticano II nunca quis acabar com a Missa de S. Pio V


O Prefeito da Congregação do Culto Divino, Cardeal Robert Sarah, concedeu uma entrevista a Elisabeth De Baudoüin, na qual falou da "guerra litúrgica" que existe no Rito Romano, desde o Concílio Vaticano II, e o que fazer para alcançar a "paz litúrgica".



- Vossa Eminência, no seu livro 'Deus ou nada', fala frequentemente da “guerra litúrgica” que dividiu o catolicismo de algumas décadas a esta parte. A guerra que é tanto mais infeliz, como diz, porque nesta questão deveria existir uma particular união. Como deixar estas divisões para trás e reunir todos os católicos na adoração devida a Deus?

Cardeal Sarah: O Concílio Vaticano II nunca pediu que se rejeitasse o passado e o abandono da Missa de S. Pio V, que formou tantos santos, nem sequer que se deixasse o uso do Latim. Mas ao mesmo tempo é necessário promover a reforma litúrgica como desejou o próprio Concílio. A liturgia é o lugar onde encontramos a Deus face-a-face, entregando-Lhe toda a nossa vida, o nosso trabalho, e fazendo de tudo isto uma oferta para a Sua glória. Não podemos celebrar a liturgia com armas, levando às costas as armas do ódio, da agressão, do rancor. 

O próprio Jesus disse-o: “Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta.” Neste face-a-face com Deus o nosso coração deve tornar-se puro, livre de todo o ódio, de todo o rancor. Cada um deve eliminar do seu coração tudo o que possa impedir este encontro. Isto significa que cada um deve ser respeitado na sua sensibilidade.

- Não foi exactamente isto que Bento XVI quis?

Cardeal Sarah: Sim, é isso que significa o Motu Proprio Summorum Pontificum. O Papa Bento XVI gastou muita energia e pôs muita esperança nesta iniciativa. No entanto não conseguiu o sucesso por completo, porque uns e outros se “fecharam” no seu rito, excluindo-se mutuamente. Na Igreja, cada um deve poder celebrar consoante a sua sensibilidade. É uma das condições para a reconciliação. É também necessário para trazer as pessoas para a beleza da liturgia, para a sua sacralidade. 

A Eucaristia não é uma “refeição entre amigos”, é um mistério sagrado. Se a celebrarmos com beleza e fervor, podemos chegar à reconciliação, isto parece-me claro. Porém, não nos podemos esquecer que é Deus que reconcilia, e que vai levar o seu tempo.



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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Novena aos Beatos Francisco e Jacinta Marto

A Novena é um conjunto de orações que se reza diariamente, ao longo de 9 dias, para pedir uma graça a Deus por intercessao de um santo a que tenhamos devoçao. É bastante comum rezar-se nos dias que precedem o dia em que a Igreja comemora esse santo.  

Aproveitando a canonização dos Beatos Francisco e Jacinta Marto recomendamos começar uma novena aos Pastorinhos de Fátima nestes dias antes da canonizaçao e do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima.


PRIMEIRO DIA 

Pedir a graça de amar o próximo, rezar e receber Jesus na Santa Missa com espírito de reparação.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: “Pilatos pronunciou a sentença: que fosse feito o que eles pediam” (Lc 23, 24)

Mensagem de Fátima: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


SEGUNDO DIA

Pedir a graça de abrir o coração ao projecto de Deus.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: Jesus cai pela primeira vez.

Mensagem de Fátima: “Oferecei continuamente ao Senhor orações e sacrifícios, como acto de reparação por tantos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


TERCEIRO DIA 

Pedir a graça da consagração de si mesmo e do mundo ao Imaculado Coração de Maria.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: Jesus, levando a cruz, encontra a sua Mãe, cujo Coração é trespassado por uma espada de dor. Os corações de Jesus e de Maria estão unidos numa mesma paixão. Eis os dois corações que tanto nos amam, que tudo entregam e pouco recebem em troca. Corações de Jesus e Maria, concedei-me a graça de Vos conhecer, amar e imitar. Tomai o meu coração, para que seja sempre vosso.

Mensagem de Fátima: “Vim pedir a consagração do mundo ao meu Imaculado Coração. Se atenderem aos meus pedidos, os flagelos serão afastados ou mitigados, e por fim o meu Imaculado Coração triunfará.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


QUARTO DIA 

Pedir a graça de “completar com os meus sofrimentos a Paixão de Jesus Cristo” e de os oferecer pela conversão dos pecadores.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: “Jesus, a caminho do Calvário, é ajudado por um homem de Cirene.” (Mc 15, 21)

Mensagem de Fátima: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” “Queremos!”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


QUINTO DIA

Pedir a graça da conversão ao amor de Nosso Senhor.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: Compadecida, a Verónica limpa o rosto de Jesus com um lenço. Jesus premeia-a imprimindo as suas feições no lenço.

Mensagem de Fátima: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente, e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


SEXTO DIA 

Pedir a graça de amar o Sacramento da Confissão.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: Jesus cai pela segunda vez.

Mensagem de Fátima: “Quando rezardes o Terço, dizei no começo de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


SÉTIMO DIA 

Pedir a graça de anunciar Jesus Cristo e difundir a devoção ao Coração Imaculado de Maria para alcançar a paz no mundo.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: “A caminho do calvário, algumas mulheres choravam por Jesus. Ele disse-lhes que chorassem, não por Ele, mas pelos seus próprios filhos.” (Lc 23, 27-28)

Mensagem de Fátima: (Jacinta a Lúcia): “Já me falta pouco para ir para o Céu. Tu ficas cá para dizeres que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao imaculado Coração de Maria."

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


OITAVO DIA 

Pedir a graça de amar ainda mais a Santíssima Eucaristia

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: Após três horas de grandes tormentos, Jesus morre na cruz por causa dos  nossos pecados. (Mt 27, 49-50)

Mensagem de Fátima: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos.”

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


NONO DIA 

Pedir aos Pastorinhos a saúde, do corpo e da alma, por intercessão de Nossa Senhora do Rosário De Fátima.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Meditação: “Então, afastou-se uns trinta metros e, de joelhos, começou a rezar: Pai, se queres, afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua!” (Lc 22, 41-42)

Mensagem de Fátima: “Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitos vão para o inferno porque não há ninguém que se sacrifique e reze por eles”.

Oração: Pai Celeste, dou-Vos graças por terdes escolhido Nossa Senhora do Rosário de Fátima para trazer ao mundo a vossa mensagem de paz, de conversão e de oração reparadora pelos pecados de todos os homens; e por terdes concedido aos beatos Francisco e Jacinta uma grande Fé, docilidade e fortaleza para a transmitirem com o seu exemplo, apesar das ameaças e dificuldades. Concedei-me a graça de difundir a mensagem de Fátima com a minha vida e oração, e por intercessão da vossa Mãe Santíssima e dos bem-aventurados Pastorinhos de Fátima, concedei-me a graça que agora vos peço (mencionar a graça). Ámen.

Rezar: Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.


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terça-feira, 2 de maio de 2017

'May Feelings' sobre o centenário de Fátima



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Santo Atanásio, um modelo para os nossos sacerdotes

Santo Atanásio foi um bispo desterrado cinco vezes por defender as verdades da Fé católica 

Nasceu na cidade de Alexandria (Egipto) no ano de 297. Sendo ainda jovem, no ano 311, presenciou o martírio do seu bispo Pedro de Alexandria e de outros cristãos, mortos na perseguição que realizaram os pagãos. Pouco tempo depodes, no ano 313, recebeu com alegria a notícia que o imperador Constantino declarava a liberdade religiosa para os cristãos.

Com grandes qualidades para a oratória e uma inteligência brilhante, empenhou-se na preparação para o sacerdócio. Ainda como diácono foi escolhido para secretário de Alexandre, arcebispo de Alexandria. Aos 23 anos escreveu o seu primeiro livro sobre a Encarnação de Jesus Cristo.

Naquele tempo apareceu em Alexandria um sacerdote herege chamado Ário, que negava a natureza divina de Jesus Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Para Ário, e os seus seguidores, Jesus Cristo era a mais perfeita das criaturas, mas não era Deus. Atanásio dedicou-se a combater esta heresia. Trabalhou para que os bispos do mundo se reunissem de modo a poderem discutir esta heresia, que tantos danos causava à Igreja. Convocado pelo Imperador Constantino, realizou-se o Concílio de Niceia, no ano 325. Neste grande Concílio, um dos mais importantes da História da Igreja, condenou o arianismo. Santo Atanásio esteve presente como secretário e conselheiro do seu bispo, Alexandre. Em 328 sucedeu a este bispo e tornou-se Patriarca de Alexandria.

Apesar da aparente derrota de Ário, o calvário de Atanásio estava apenas para começar. Muitos bispos, influenciados pelas ideias arianas atacaram quem defendia Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Atanasio foi perseguido e exilado 5 vezes, entre os anos 335 e 366.

Foi o bispo mais famoso do seu século. Teve que viver numa época sumamente difícil e lutar contra os inimigos da Verdade. Ao longo dos seus 45 anos de sacerdócio não deixou nunca de defender a doutrina catolica verdadeira. Morreu no dia 2 de Maio do ano 373, aos 76 anos. 


adaptado de acidigital


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segunda-feira, 1 de maio de 2017

A hipocrisia do contrato de trabalho

Implemente-se a gestão por amor: o empresário deve ser livre e libérrimo o trabalhador

No meu assaz impressionante palmarés – valha a imodéstia – há um recorde de que me orgulho muito especialmente: sou, pela certa, o telespectador nacional que menos viu telenovelas. Com efeito, uma única sequência, de escassos minutos, foi suficiente para que me considerasse esclarecido sobre os seus conteúdos e, em consequência, nunca mais reincidi naquele género de séries.

A cena em questão era breve, mas esclarecedora. Um jovem pedia em casamento a sua amada, que recusava a proposta matrimonial, com o pretexto de que o importante é o amor. Surpreso, o pretendente ainda esboçou uma tímida defesa da instituição conjugal, que a sua Julieta destroçou, em nome da suposta hipocrisia dos formalismos jurídicos e rituais e, sobretudo, do supremo valor e espontaneidade do mútuo afecto, a que, por fim, também o dito Romeu se rendeu.

Não falta quem pense que a liberdade do amor não tolera os grilhões das imposições normativas e, daí, a profusão das uniões de facto, em detrimento do matrimónio, religioso ou civil. A moderna mentalidade antijurídica reage com violência contra o que entende ser a tirania dos direitos e obrigações decorrentes de um contrato, sobretudo quando se pretende aprisionar algo tão volátil e lírico como o amor. Que código pode definir, com justeza, a paixão? Que lei mede o impulso amoroso? Que negócio jurídico pode impedir um ser humano de seguir, livremente, o seu próprio coração? Liberte-se, pois, o sentimento das amarras do legalismo e devolvam-se ao amor as asas da mais plena liberdade e criatividade!

Esta atitude, muito comum entre a malta jovem, cada vez menos numerosa e mais imatura, pode ser uma solução para o grave problema laboral que a tantos, infelizmente, afecta. De facto, são legião os que não conseguem um primeiro emprego e, por isso, se vêm obrigados a emigrar, ou a uma frustrante inactividade. Ora a questão resolver-se-ia facilmente se se arremetesse contra o farisaísmo do contrato de trabalho, tal como se derrotou, ao que parece com êxito, o pacto nupcial.

Por que razão muitas empresas se resistem a admitir novos trabalhadores? Porque os encargos decorrentes da admissão de mais um assalariado são, por exigência do contrato de trabalho, excessivos. Com efeito, a entidade empregadora fica de tal modo onerada, ante o Estado, a Segurança Social e o próprio trabalhador que, muitas vezes, não é comportável um tal encargo financeiro.

Mas há uma fácil solução: basta desregular o compromisso laboral, em benefício dos agentes sociais, ou seja, substituir o contrato de trabalho tradicional pela união livre de patrão e operário. Se há liberdade, sem compromisso, para o amor, porque não para o trabalho?! Se o proletário é, etimologicamente, o que gera filhos e quem os faz, faz por amor, reconheça-se-lhe a mesma liberdade, sem obrigações, na actividade laboral.

Que hipocrisia ir trabalhar quando não apetece nada! Que absurdo pagar um salário, quando não é isso que verdadeiramente se deseja e sente! Implemente-se, pois, a gestão por amor: o empresário deve ser livre, como libérrimo o assalariado. Este que apareça quando quiser, sem qualquer dever, e aquele remunere-o também quando e como entenda, sem imposição alguma, sem a tirania de umas cláusulas contratuais, que a volatilidade dos sentimentos pode ter tornado horrivelmente obsoletas. Que belo seria o trabalhador poder exclamar: “Trabalho onde e como o meu coração quiser!” Que romântico seria o patrão poder dizer, com aquela poética descontracção com que se troca uma esposa cinquentona por uma secretária de vinte e cinco anos: “Eu dou o ordenado a quem eu amar!”

Depois da revolução matrimonial, venha agora a revolução laboral. E quando, por fim, a humanidade se tiver libertado de todos os códigos morais e legais, não serão necessários mais contratos de casamento ou de trabalho porque, finalmente, na família e na sociedade, se observará, escrupulosamente, a lei da selva.

Pe. Gonçalo Portocarrero in Público


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