terça-feira, 5 de junho de 2018

Por todos os caminhos da Terra: Corpus Christi 2018

Na passada Quinta-feira e Domingo celebrou-se por todo o mundo a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais conhecida como festa de Corpus Christi. Esta festa existe na Igreja desde o ano 1246 e os textos da Missa foram escritos por S. Tomás de Aquino.

No final da Santa Missa é costume fazer-se uma procissão com Nosso Senhor exposto numa custódia dentro da igreja ou pelas ruas. 

Este ano, mais uma vez,  Deus passou pelas ruas do mundo inteiro realmente presente em Corpo e Sangue. Quantas conversões terão acontecido? Não terão sido poucas. Este é um dia em que tradicionalmente muitos se convertem à Igreja Católica ao verem a piedade dos Católicos diante de Deus.

Estas são algumas das imagens que nos chegaram por várias fontes.

Na fotografia de Xela, a segunda maior cidade de Guatemala, vê-se um dos muitos tapetes de pétalas e sementes preparado pelo povo para a passagem de nosso Senhor. 

A fotografia de Nova Iorque é, na verdade, de 2017. Mas este ano a procissão repetiu-se, organizada pela mesma paróquia, pelas ruas de Manhattan. 

Não deixa de ser impressionante ver a quantidade de pessoas presentes na procissão em Portugal com o Cardeal Patriarca. A fotografia apenas mostra uma parte da multidão que seguiu Jesus pela Baixa de Lisboa. 

Ao contrário de anos passados onde a procissão era em Roma, o Papa Francisco foi à cidade de Ostia celebrar a festa de Corpus Christi. Entre outras coisas, Ostia foi a cidade onde morreu Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho.



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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Cardeal Müller: A homofobia não existe e é uma invenção de domínio totalitário

O Prefeito Emérito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Ludwig Müller, declarou que a homofobia não existe, que é uma invenção do lobby gay para o “domínio totalitário” sobre as mentes dos outros.

Foi o que o Purpurado alemão afirmou em entrevista concedida a Costanza Miriano, uma escritora católica italiana e mãe de quatro filhos, no contexto do recente Dia Internacional contra a Homofobia.

“A homofobia simplesmente não existe, é claramente uma invenção, um instrumento de dominação totalitária sobre o pensamento dos outros. O movimento homossexual carece de argumentos científicos e por isso construíram uma ideologia que quer dominar, buscando construir a sua realidade. É o esquema marxista, segundo o qual não é a realidade que constrói o pensamento, mas o pensamento que constrói a realidade”, destacou o Cardeal Müller na entrevista.

Continuou, “quem não aceita esta realidade deve ser considerado doente. Como se, entre outras coisas, pudéssemos agir contra a doença com a polícia ou com os tribunais”.

O Cardeal recordou que anteriormente, “na União Soviética, os cristãos eram trancados no manicómio”, uma medida de “regimes totalitários como o nacional-socialismo e o comunismo. Actualmente, na Coreia do Norte, acontece a mesma coisa com as pessoas que não aceitam o pensamento dominante.”

A respeito das iniciativas organizadas por líderes católicos para celebrar o Dia contra a Homofobia, o Prefeito Emérito comentou que, “hoje, alguns bispos não têm a coragem de dizer a verdade e sentem-se intimidados: não entendem que a homofobia é um engano que serve para ameaçar as pessoas.”

“Nós, cristãos, não devemos ter medo das ameaças: nos primeiros séculos, os seguidores de Cristo foram presos ou despedaçados pelos animais. Hoje as pessoas são dilaceradas com o psico-terrorismo, aproveitando da sua ignorância”, assinalou.

O Cardeal disse ainda que, “de um bispo, de um sacerdote, podemos esperar que seja capaz de não retroceder ante estas ideologias. Nós somos aqueles que buscam, com a graça de Deus, amar a todas as pessoas, inclusive aquelas que experimentam atracção pelo mesmo sexo; mas deixando claro que amar não é obedecer à propaganda de género.”

adaptado de acidigital


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domingo, 3 de junho de 2018

Deveria ser rejeitada a Comunhão na mão

Dietrich von Hildebrand, apelidado pelo Papa Pio XII "O Doutor da Igeja do século XX" foi um dos filósofos cristãos mais eminentes do mundo. Nenhum outro escritor católico repetiu tão completamente a mensagem de Nossa Senhora das Rosas como Dietrich von Hildebrand. O artigo que se segue, escrito por Dietrich von Hildebrand, com o título "Deveria rejeitar-se a comunhão na mão", foi publicado dia 8 de Novembro de 1973.

Não pode haver dúvida que a comunhão na mão é uma expressão da tendência à dessacralização na Igreja em geral, e especificamente da irreverência ao aproximar-se da Eucaristia. O mistério inefável da presença corporal de Cristo na hóstia consagrada pede uma atitude profundamente reverente. (Receber o Corpo de Cristo nas nossas mãos não consagradas - como se fosse um simples pedaço de pão, é algo que é em si profundamente irreverente e prejudicial à nossa fé). 

Tratar assim este mistério insondável é como se estivéssemos a receber simplesmente e nada mais que outro pedaço de pão, algo que fazemos naturalmente todos os dias com um simples pão, e faz com que seja mais difícil o acto de fé na verdadeira presença corporal de Cristo. Dito comportamento face à hóstia consagrada corrói lentamente a nossa fé na presença corporal e alimenta a ideia que é unicamente um símbolo de Cristo. Dizer que receber o pão em nossas mãos aumenta o sentido da realidade do pão é um argumento absurdo. A realidade do pão não é o que importa - também é visível para qualquer ateu. Mas o facto de a hóstia ser realmente o Corpo de Cristo - o facto de que a transubstanciação aconteceu - é o tema que deve enfatizar-se.

Não são realmente válidos os argumentos sobre a Comunhão na mão baseando-se que esta prática existia entre os primeiros cristãos. Ignoram os perigos e o inadequado de voltar a introduzir a prática nos dias de hoje. O Papa Pio XII falou de forma muito clara e inequívoca contra a ideia de que alguém pode voltar a introduzir nos dias de hoje os costumes da época das catacumbas. Certamente, deveríamos tentar renovar nas almas dos católicos de hoje o espírito, o fervor e a devoção heróica que se encontram na fé dos primeiros cristãos e nos muitos mártires das suas fileiras. Mas adoptar simplesmente os seus costumes é, de novo, algo diferente; os costumes podem hoje em dia assumir uma função completamente nova e não podemos nem devemos, simplesmente, voltar a introduzi-los.

Na época das catacumbas não estavam presentes o perigo da dessascralização e a irreverência que ameaçam hoje. O contraste entre o saeculum (secular) e a Santa Igreja estava constantemente na mente dos cristãos. Assim, um costume que nesses tempos já não estava em perigo pode constituir um grave perigo pastoral no nossos dias.

Atendei agora como considerava São Francisco a extraordinária dignidade do sacerdote, a qual consiste exactamente no facto de se lhe permitir tocar o Corpo de Cristo com as suas mãos consagradas. Dizia São Francisco: «Se chegasse a encontrar-me ao mesmo tempo com um santo do céu e um pobre sacerdote, primeiro daria os meus respeitos ao sacerdote e rapidamente lhe beijaria as mãos e diria depois: "Esperai, São Lourenço, porque as mãos deste homem tocam a Palavra da Vida e ultrapassam em muito tudo o que é humano"».

Alguém poderia dizer: mas não distribuiu São Tarcísio a Comunhão, apesar de não ser sacerdote? Certamente ninguém se escandalizava por tocar a hóstia consagrada com as suas mãos. E numa emergência é permitido a um leigo, hoje em dia, distribuir a comunhão. Mas esta excepção para os casos de emergência não é algo que implique uma falta de respeito ao santo Corpo de Cristo. É um privilégio que está justificado pela emergência - que deveria aceitar-se com um coração a tremer (e deveria permanecer como privilégio, reservado unicamente para emergências).

Mas existe uma grande diferença entre este caso de tocar na hóstia consagrada com as nossas mãos não consagradas e aquele de receber a comunhão nas mãos, como modo de agir - em todas as ocasiões. Que se permita tocar na hóstia consagrada com mãos não consagradas apresenta-se aos fiéis como um privilégio inspirador. Converte-se na forma normal de receber a Comunhão. E isto alimenta uma atitude irreverente e, portanto, corrói a fé na real presença corporal de Cristo.

Dá-se por feito que todos recebem a hóstia consagrada nas mãos. O leigo a quem se outorga o grande privilégio por razões especiais tem que tocar na hóstia, claro está. Mas não existe razão nenhuma para receber a Comunhão na mão: unicamente um espírito inerente de familiaridade mesquinha com Nosso Senhor.

É incompreensível o porquê de alguns que insistem numa maneira de receber a Comunhão que abre a porta a toda a espécie de abusos acidentais e ainda aos intencionais.

Primeiro, existe uma possibilidade muito maior de que algumas partículas da hóstia consagrada caiam. Em tempos passados, o sacerdote observava com grande atenção se algumas partículas da hóstia tinham caído, sendo que nesse caso imediatamente levantava as partículas sagradas reverentemente e as consumia ele. E agora, sem razão aparente, muitos desejam expôr a hóstia consagrada a este perigo, num grau muito maior que antes - estamos na época em que a hóstia se faz cada vez mais parecida ao pão, sendo mais facilmente desfeita. 

Segundo, e este é um problema incomparavelmente pior, existe o perigo que um comungante, em vez de pôr a hóstia consagrada na boca, a ponha no bolso, ou a esconda de outra maneira e não a consuma. Isto, infelizmente, aconteceu nestes dias de satanismo revivido. Sabe-se que já se venderam hóstias consagradas para usos blasfemos. Em Londres, diz-se que o preço de uma é de 30 libras, o que nos recorda as 30 peças de prata pelas quais Judas vendeu Nosso Senhor.

Acredita-se que, em vez de aplicar o cuidado mais escrupuloso para proteger a hóstia consagrada mais sagrada, a qual é realmente o Corpo de Cristo, o Deus-homem, de todos os referidos abusos possíveis, haja os que desejam expô-lo a esta possibilidade? Será que esquecemos a existência do Demónio, que "vagueia em busca de quem possa devorar"? É o seu trabalho no mundo e na Igreja tão invisível hoje em dia? O que nos leva a assumir que não se levarão a cabo abusos contra a hóstia consagrada?

Quanto maior seja o nosso respeito e maior seja o nosso amor, quanto maior seja a nossa percepção da santidade inefável da Eucaristia - maior será o nosso horror de que seja abusada; e a nossa vontade de a proteger de todos os abusos blasfemos.

Porque é que - por amor de Deus - se deveria introduzir a Comunhão na mão nas nossas igrejas quando é, evidentemente, prejudicial de um ponto de vista pastoral, quando certamente não aumenta a nossa reverência, e quando se expõe a Eucaristia aos mais terríveis abusos diabólicos? Realmente, não existem argumentos sérios para a Comunhão nas mãos, Mas existem classes de argumentos gravemente sérios contra isto.

in Adelante la Fe
(Tradução: Senza Pagare)


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sábado, 2 de junho de 2018

Coroação de Nossa Senhora em Baltimore

Igreja de Santo Afonso Maria de Ligório


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Corpus Christi em Londres

As 40 horas de adoração na igreja 'Corpus Christi', em Maiden Lane (Londres), terminaram com a Missa Solene no dia de Corpus Christi. Celebrou o Abade Hugh Allan, O. Praem, Administrador Apostólico das Ilhas Malvinas.













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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Como Padre Pio tratava o grave pecado do aborto

O rigor de São Pio de Pietrelcina diante do pecado de aborto salvava as almas dos pecadores. Ele tinha certeza de que tal pecado não podia ser tratado com banalidade.

Certo dia, na sacristia em frente ao confessionário no qual São Padre Pio atendia os penitentes, esperava pela sua vez um homem chamado Mario Tentori. Enquanto fazia o exame de consciência, ouviu o Padre Pio gritar: “Vai embora, animal, vai embora…!”. As palavras do Santo dirigiam-se a um homem que, apenas havia se ajoelhado, saia de dentro do confessionário humilhado, agitado e confuso.

No dia seguinte, Mario apanhou o comboio para Foggia, para depois voltar a Milão. Sentou-se num compartimento no qual havia um só viajante que começou a observá-lo e parecia ter vontade de iniciar uma conversa. Finalmente, perguntou o viajante : “Ontem não estava em San Giovanni Rotondo para se confessar ao Padre Pio?”

“Sim”, respondeu Tentori.

Retomou o outro: “Nós estávamos sentados no mesmo banco, eu estava antes de si. Eu sou aquele a quem o Padre Pio chamou ‘animal’. Lembra-se?”

“Sim”, disse Mario.

Continuou o companheiro de viagem: “Vocês que estavam perto do confessionário talvez não entendido o motivou o Padre Pio me mandar-me embora. O Padre Pio disse-me: ‘Vai embora, animal, vai embora, porque, de acordo com a tua esposa, abortaste três vezes’. Entendeu? O Padre Pio disse ‘abortaste!’ Dirigiu-se a mim porque a iniciativa da minha esposa abortar partiu de mim.”

E começou um pranto que exprimia – como ele mesmo confessou – dor, vontade de não pecar e a firme determinação de voltar até junto do Padre Pio para receber a absolvição e mudar de vida.

O rigor de São Padre Pio havia salvado a vida de um Pai que, após ter negado a vida a três dos seus filhos, corria o perigo de perder a sua própria alma por toda a eternidade, caso o Padre Pio tivesse banalizado o pecado cometido.

(Trechos extraídos da obra “Il Padre San Pio da Pietralcina, la missione di salvare le anime”, di P. Marcellino Iasenza Niro, Edizioni Padre Pio da Pietralcina, 2004)

Edson Carlos de Oliveira in ipco.org.br


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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Médicos Católicos têm de dar a voz pela Vida disse o Papa

Os Médicos Católicos têm de levantar a voz para o direito pela vida, pediu o Papa Francisco.

Ao dirigir-se na Segunda-Feira a um grupo de médicos, o Papa pediu-lhes para resistir às ideologias que atentam contra a dignidade da vida humana.

"A Igreja está pela vida, e a sua preocupação é que nada esteja contra a vida no caso de uma existência concreta, independentemente do quão fraca ou indefesa possa ser, mesmo se não desenvolvida ou avançada", disse o Papa.

Ele reconheceu que os médicos encontram "dificuldades e obstáculos" quando são fiéis aos ensinamentos da Igreja. No entanto, os médicos não se podem esquecer que devem "afirmar a centralidade do paciente como uma pessoa e da sua dignidade com os seus direitos inalienáveis, em primeiro lugar o direito à vida".

"A tendencia para denegrir a pessoa doente como uma máquina que tem de ser arranjada, sem respeito por princípios morais, e para explorar os mais fracos descartando o que não encaixa numa ideologia de eficiência e lucro tem de ser resistida", acrescentou o Papa.

No seu discurso à delegação da Federação Mundial das Associações de Médicos Católicos, o Papa Francisco disse-lhes que "não é aceitável que o vosso papel seja reduzido ao de um simples cumpridor da vontade do paciente ou das necessidades do sistema de saúde onde trabalham".

Pelo contrário, os médicos devem resistir ao "paradigma cultural tecnocrático" que tomou conta da profissão ao trabalhar com médicos de outras religiões que também partilham a crença Católica na dignidade da vida humana.

"Sejam ministros não só dos cuidados de saúde mas também da caridade fraterna, transmitindo àqueles com quem lidam, além do vosso conhecimento, a riqueza da compaixão humana e evangélica" disse o Papa.



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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Polícia salvou homem que se queria suicidar

Este homem queria suicidar-se. Estava decidido a saltar da Golden Gate Bridge, em São Francisco. Depois de uma conversa de mais de uma hora, o polícia conseguiu convencê-lo que tinha motivos para viver. 

Oito anos depois, o homem que se queria suicidar está casado, tem dois filhos e é muito feliz. Encontrou-se com o polícia que lhe salvou a vida para agradecer o que fez por ele.

Que isto nos sirva de lição para estarmos atentos aos outros e ajudarmos quem anda mais triste e desanimado.

João Silveira


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terça-feira, 29 de maio de 2018

Um jovem com espinha bífida contra a eutanásia de crianças

Chamo-me Giovanni Bonizio: vivo em Roma, tenho 24 anos. Há algum tempo, em vários jornais italianos, publicaram-se artigos sobre um pediatra holandês que pratica a eutanásia em crianças com distintas enfermidades ou deficiências a fim de livrar-lhes do destino de uma vida impossível e tal que não valha a pena ser vivida. Ouvi falar de um referendo, de deixar passagem para a livre pesquisa cientifica: são outros terrenos, mas próximos ao do médico holandês. Falei com algumas pessoas e dei-me conta de que é um tema actual e que é uma posição defendida por muita gente.

Entre os casos em que o médico praticou a eutanásia está o de um menino nascido com espinha bífida (mielomeningocele). Eutanásia por “sentido profissional” e por “amor” segundo o relato. Perguntava o médico, de facto, quase com horror, num jornal: “Mas viram alguma vez um menino nascido com espinha bífida?”. Queria mudar a pergunta. Viram alguma vez crescer um menino com espinha bífida e converter-se em jovem, em adulto? Haverá visto alguma vez? Acrescento outra: Quando é que uma vida vale a pena ser vivida? Parece-me que muitos falam como se a resposta fosse óbvia mas precisamente não é.

Evidentemente devo ser um sobrevivente. Não deveria existir: nasci com espinha bífida. Contudo, tenho uma vida feliz, intensa, também muitos amigos. Passei nos exames universitários e tenho o meu diploma. Desde Junho passado trabalho no Banco de Interesse Nacional. A minha vida é o que se diria ser “uma vida cheia de interesses”. O meu trabalho é bom, a minha família é a que muitos desejariam. Alguns problemas adicionais na vida criaram-me uma sensibilidade às dificuldades das outras pessoas e talvez por isso é que há anos saio ao encontro dos anciãos: a amizade também os ajuda a viver.

Leio, falo, escrevo, sei usar o computador como todos os jovens de minha idade. Quando nasci, poucos apostavam em mim. Felizmente houve quem me quis, verdadeiramente, e não se assustou. Pouco a pouco pude erguer-me, inclusive caminhar e fazê-lo bem. Movo-me por mim mesmo em uma cidade como Roma. Custou-me mais que aos demais, sou mais orgulhoso que os demais. Não calculo a minha inteligência (nem a do médico holandês), mas certamente posso falar, expressar o que penso, ainda que esse médico teorize que aqueles como eu não podem comunicar, e por isso seria melhor que desaparecessem.

A minha vida não é nem triste nem inútil. É certo que sofri várias intervenções cirúrgicas que me ajudaram a superar problemas de diferentes tipos e me permitiram viver o mais possível uma vida – como se diz – normal. Não foi sempre fácil; algumas vezes também sofri, mas nas camas próximas à minha havia sempre muitos outros jovens com o mesmo desejo de se curar, de comunicar, de fazer amigos e, sobretudo, de viver.

Existe, pelo contrário, uma incapacidade de conceber a vida quando há dificuldades a superar. O médico holandês, e os que pensam como ele, deverão questionar o seu medo da vida. Medo a uma vida que contém cansaço, conquista, lutas, derrotas, vitórias, e que não é só um simples crescimento biológico, talvez embriagado das últimas – mas satisfatórias – modas. Um postal “bonito” e “triunfante” que se dilui com as primeiras dificuldades da vida, onde todos exigem o seu grande sorriso e fazem “fitness” e “beach volley”.

Penso que nos deveríamos questionar um pouco mais sobre o que é verdadeiramente humano e o que não é, em lugar de ficarmos surpreendidos pelo facto de que, na nossa sociedade, aumenta o número de pessoas deprimidas, e que não se sabe o que importa de verdade aos jovens.

O problema é que nem sempre se faz tudo o que se poderia fazer para ajudar quem tem um problema, uma enfermidade, a viver melhor. É sobre isto que o médico holandês, que pensa que a eutanásia é um modo de dar dignidade à vida, deveria gastar mais energias e conhecimentos.

A eutanásia em crianças parece-me verdadeiramente horrível, porque elas não se sabem defender. Mata-se – porque é disso que se trata – os que têm defeitos sem esperar sequer que cresçam para ver o que ocorre, sem dar ao contrário aquilo que é necessário: mais ajuda a quem somente é mais fraco. A proposta é esta: se precisamente queremos eliminar algo, então em lugar de abolir a fragilidade é melhor começarmos por abolir o medo da fragilidade que nos faz a todos mais desumanos (e mais indefesos).

Giovanni Bonizio - Comunidade de Santo Egídio, Roma


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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Mais recente Arcebispo português visita o Papa Bento XVI

Mons. José Avelino Bettencourt nasceu em Velas, nos Açores. Tornou-se bastante conhecido em 2012, quando foi nomeado chefe de protocolo da Secretaria de Estado da Santa Sé pelo Papa Bento XVI. Continuou em funções durante o pontificado do Papa Francisco até que, no dia 26 de Fevereiro de 2018, foi nomeado Núncio Apostólico. Desenvolverá a sua actividade diplomática na Arménia e Geórgia. Foi sagrado Arcebispo no dia 19 de Março na Basílica de São Pedro.

Esta fotografia corresponde ao seu encontro com o Papa Bento XVI, no passado dia 26 de Maio. É bom ver que o Papa Bento continua "em forma" e sempre pronto para receber visitas.


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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Épica homilia do Cardeal Sarah na peregrinação Paris-Chartres



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7 razões contra a legalização da Eutanásia

1. A «justificação» da eutanásia voluntária pressupõe a rejeição de um princípio que é fundamental para um justo enquadramento das leis numa sociedade.

A eutanásia voluntária consiste em matar um paciente a seu pedido, na convicção de que a morte constitui um benefício para esse paciente e de que, por essa razão, se justifica matá-lo. Mas o simples facto de uma pessoa afirmar, de sua livre vontade, que deseja ser morta não constitui, em si mesmo, razão para um médico achar que a morte será um benefício para essa pessoa. Nenhum médico acederia a satisfazer uma solicitação deste género, por muito que lhe parecesse que o paciente a fazia de livre vontade, se achasse que este tinha perspectivas de uma vida com valor.


Ora, afirmar que a vida de uma pessoa é desprovida de valor é o mesmo que negar valor a essa pessoa, dado que a realidade de uma pessoa de maneira nenhuma se distingue da sua vida. Assim, pois, na base das mortes por eutanásia está um juízo quanto ao valor de determinadas vidas humanas.

Uma legalização da morte cuja justificação assenta na convicção de que há certas vidas que não têm valor é contrária a qualquer sistema legal que afirme proteger e promover uma ordem social justa. Porquê? Porque, para que a justiça vigore numa sociedade, é necessário encontrar uma forma não arbitrária e não discriminatória de identificar os sujeitos dessa mesma justiça. Mas a única maneira de evitar a arbitrariedade na identificação dos sujeitos da justiça é presumir que todos os seres humanos, pelo simples facto de serem humanos, têm direito a ser tratados de forma justa e são sujeitos de determinados direitos humanos básicos. Por outras palavras, a dignidade e o valor que se reconhecem aos seres humanos resultam directamente da sua humanidade. Pelo contrário, esta dignidade e este valor não podem constituir um título para a reclamação de um tratamento justo por parte de terceiros se se considera que os seres humanos podem ser privados deles. A dignidade e o valor são, por assim dizer, características não elimináveis da nossa humanidade.
A morte por eutanásia, mesmo quando é feita a pedido, pressupõe a negação do valor da vida das pessoas que são consideradas possíveis candidatos à eutanásia. Trata-se, pois, de um tipo de morte que não pode ser integrada num sistema legal que tem como um dos seus fundamentos o valor e a dignidade de todos os seres humanos.
É de importância crucial para todos os estados manter um corpo de leis consistente com o respeito pela dignidade e pelo valor de todos os seres humanos. É nomeadamente importante não legalizar a morte dos inocentes, porque uma das tarefas fundamentais das autoridades civis é proteger os inocentes. Ora, quando recorre à tese segundo a qual a vida de determinada pessoa é desprovida de valor para tornar legal a morte dessa pessoa, o Estado deixou de reconhecer que os inocentes têm o direito de ser protegidos. Mas, se o Estado considera que estes direitos são nulos, como pode então reclamar para si aquela autoridade que deriva justamente da necessidade que os cidadãos têm de ser protegidos de ataques injustos?
2. A legalização do suicídio assistido também é inconsistente com o mesmo princípio fundamental de um sistema legal justo.
A descriminalização do suicídio (e, portanto, das tentativas de suicídio) faz sentido quando temos em consideração as dificuldades por que teriam de passar as pessoas que fossem sujeitas a um processo judicial depois de terem tentado suicidar-se. Mas esta descriminalização – motivada pelo desejo de não dificultar ainda mais a vida destas pessoas – não implica que a lei tinha uma visão neutral da opção pelo suicídio. As pessoas que tentam suicidar-se são manifestamente motivadas por uma convicção (pelo menos passageira) de que a sua vida deixou de ter sentido. Ora, dado que as disposições legais justas assentam na convicção de que toda a vida humana tem um valor que não é possível eliminar, a lei tem de rejeitar a razoabilidade de uma opção que tem como base a motivação inversa.
Assim, a lei tem igualmente de se recusar a aceitar o comportamento das pessoas que sancionam com os seus actos a opção pelo suicídio, porque os referidos actos assentam na tese segundo a qual a vida daquele que estão a ajudar deixou de ter valor. Dizer que estas pessoas agem «movidas pela amizade», ou «movidas pela compaixão», não explica suficientemente o seu comportamento. Com efeito, como é possível descrever como «amizade» ou «compaixão» as motivações de uma pessoa que colabora num suicídio, quando tais motivações têm por base a convicção de que aquele que estão ajudar está melhor morto? Se achassem que esta pessoa podia continuar a ter uma vida com valor, ajudá-la a morrer dificilmente poderia ser considerado um acto de amizade.
Há, pois, boas razões para resistir à legalização do suicídio assistido, razões que são tão fundamentais como a primeira razão atrás apresentada para resistir à legalização da eutanásia.
3. Se a eutanásia voluntária for legalizada, terá sido abandonada a razão mais premente para resistir à legalização da eutanásia não voluntária.
Muitas das pessoas que apoiam a legalização da eutanásia voluntária opõem-se à legalização da eutanásia não voluntária. Contudo, se a única maneira de justificar a tese segundo a qual a eutanásia é um benefício para a pessoa que vai morrer é recorrer à tese de que a vida da referida pessoa deixou de ter valor, então os que apoiam a eutanásia voluntária estão, sem disso se aperceberem, a comprar um pacote bastante maior do que pensavam. Porque, se é possível beneficiar uma pessoa matando-a, será razoável privar as pessoas desse benefício pelo simples facto de elas não terem a capacidade de solicitar que as matem? E, se nos espanta (e é muito razoável que nos espante) a tese de que alguém pode beneficiar com a própria morte, podemos pelo menos aceitar a tese de que, quando a vida de uma pessoa deixou de ter valor, não estamos a prejudicá-la privando-a dessa mesma vida.
Na realidade, os defensores mais activos e mais lúcidos da legalização da eutanásia voluntária também são defensores da legalização da eutanásia não voluntária. Do ponto de vista destas pessoas, os seres humanos não têm uma «categoria moral» (que é o equivalente àquilo a que, neste artigo, se designa por «dignidade básica») em virtude do qual gozem de direitos humanos básicos; por este motivo, não se está a cometer nenhuma injustiça contra eles quando a motivação para os matar é, muito simplesmente, a conveniência dos seres humanos que têm «categoria moral». O exercício que consiste em distinguir os seres humanos que têm «categoria moral» daqueles que a não têm é totalmente arbitrário. Os defensores da legalização da eutanásia, como os filósofos Peter Singer e Helga Kuhse, que aderem a esta arbitrariedade, fazem-no sem uma preocupação evidente pela subversão dos fundamentos da justiça que a referida arbitrariedade pressupõe.
4. A legalização da eutanásia voluntária ajudaria a promover a prática da eutanásia não voluntária, sem os benefícios da legalização.
O processo dar-se-ia por duas vias: em primeiro lugar, tem-se verificado que as pessoas que começam por afirmar que desejam limitar a prática da eutanásia à eutanásia voluntária acabam por chegar à conclusão de que, quando esta é permitida, deixa de haver razões válidas para proibir a eutanásia não voluntária, pelo que começam imediatamente a planear a prática sistemática da eutanásia não voluntária. Trata-se de um fenómeno facilmente detectável, por exemplo, no comportamento da Real Associação de Médicos Holandeses ao longo dos últimos quinze anos. Depois de terem promovido a aceitação daquilo que afirmavam ser a «prática controlada» apenas da eutanásia voluntária, promovem actualmente a aceitação da prática da eutanásia não voluntária.
Em segundo lugar, porque os critérios para a delimitação da prática da eutanásia a pedido do cliente são irremediavelmente imprecisos. A experiência holandesa demonstrou a verdade daquilo que os críticos afirmavam acerca da aprovação legal da eutanásia voluntária (fosse por decreto legal ou por decisão judicial), a saber, que ela conduziria à prática alargada da eutanásia não voluntária. Os dados disponíveis mostram, com base em estimativas feitas por baixo, que, em 1990, cerca de uma em cada doze mortes ocorridas na Holanda o foram por eutanásia (10.558 casos), e mais de metade destas sem solicitação explícita.
5. A eutanásia debilita das disposições que exigimos aos médicos, sendo por isso destrutiva da prática da medicina.
A prática da medicina só pode florescer quando os médicos têm uma disposição tal, que inspiram confiança nos doentes, muitos dos quais se encontram em situações extremamente vulneráveis. Mas os médicos só inspiram confiança quando os doentes têm a certeza de que eles não estão dispostos a matá-los, de que não sentem inclinação para considerar se vale a pena cuidar de um doente, mas se dispõem imediatamente a considerar que tipo de tratamento poderá ser preferível para cada caso.
Ora, a prática da eutanásia debilita sistematicamente ambas as disposições, porque dispõe os médicos a matar alguns dos seus doentes, ao mesmo tempo que inculca neles a ideia de que há doentes cujas vidas não têm valor. Mas, visto que não há critérios não arbitrários para determinar quais são as vidas que têm valor e as que não têm, uma pessoa que não renuncie por princípio a esse género de considerações discriminatórias cairá facilmente na tentação de categorizar as pessoas mais difíceis ou mais desinteressantes como pessoas cuja vida não tem valor.
Um dos mais importantes deveres do Estado é manter um quadro legal tal, que uma profissão tão essencial como a medicina funcione bem, e no interesse dos cidadãos. O Estado não estaria a cumprir esse dever se permitisse que os médicos tivessem comportamentos corrosivos da relação médico-doente.
6. A legalização da eutanásia debilita o ímpeto destinado a desenvolver atitudes verdadeiramente compassivas para com os doentes e os moribundos. A expressão mais adequada da compaixão são os cuidados de saúde, motivados por um sentimento mais ou menos intenso de simpatia para com as pessoas que sofrem. Não se pode cuidar das pessoas matando-as.
É muito importante ter em consideração que um dos elementos fundamentais dos debates contemporâneos relativos à legalização da eutanásia é a necessidade de reduzir os custos com os cuidados de saúde. E um dos perigos mais óbvios resultantes da sua legalização é que, dentro em breve, a eutanásia passe a ser vista como uma «solução» conveniente para as enormes necessidades de certo tipo de pacientes. Se tal acontecesse, a medicina ficaria privada do incentivo para a procura de soluções genuinamente compassivas para as dificuldades suscitadas pelos referidos pacientes. Os impulsos humanitários que sustentaram o desenvolvimento dos hospitais seriam postos em causa, porque a eutanásia passaria a ser considerada por muitos uma solução mais barata e menos exigente em termos pessoais.
7. Três comissões criadas por legislaturas anglófonas com a missão de analisarem propostas de legalização da eutanásia recomendaram que não fosse legalizada.
No decurso de 1994-95, foram publicados os relatórios das comissões criadas pela Câmara dos Lordes do parlamento britânico, pela Comissão de Análise à Vida e à Lei do estado de Nova Iorque e pelo Senado do parlamento canadiano, todas elas constituídas por pessoas com pontos de vista muito diferentes acerca da moralidade intrínseca da eutanásia; contudo, todas elas se mostraram claramente contrárias à sua legalização. Por exemplo, a comissão da Câmara dos Lordes contava entre os seus membros com várias pessoas que tinham defendido publicamente a eutanásia; no entanto, depois de terem passado um ano a ouvir testemunhos, a ler um conjunto muito alargado de dados e a discutir internamente as questões, os membros desta comissão decidiram por unanimidade recomendar que a eutanásia não fosse legalizada.
Há nos três relatórios muito material digno da atenção da Comissão Legislativa Legal e Constitucional do Senado do parlamento federal australiano. Baste a seguinte citação do relatório da Comissão da Câmara dos Lordes como epítome da sensatez das três comissões: «A proibição da morte intencional […] é a pedra angular das relações legais e sociais. Trata-se de uma proibição que nos protege de forma imparcial, encarnando a convicção de que somos todos iguais. Não queremos que tal protecção seja fragilizada, pelo que recomendamos que não se proceda a qualquer alteração na lei, com o fim de permitir a eutanásia. […] A morte de uma pessoa afecta a vida de outras pessoas, muitas vezes de maneiras imprevisíveis. É nossa convicção que a questão da eutanásia é uma daquelas em que os interesses do indivíduo não podem ser separado dos interesses da sociedade como um todo.»
O autor deste artigo tem a esperança de que, após a devida consideração dos factos, os membros da Comissão Legislativa Legal e Constitucional partilhem da sensatez moral e política que esta citação exemplifica.
Luke Gormally in Logos


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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Peregrinação Paris-Chartres

Todos os anos milhares e milhares de católicos percorrem a pé o caminho entre Paris e a Catedral de Chartres, nos dias que precedem o Pentecostes. Há peregrinos de muitos países, embora muitos sejam franceses, a grande maioria jovens. Todos os dias é celebrada a Missa Tradicional, e, este ano, a Missa final foi celebrada pelo Cardeal Robert Sarah.













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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Casamento do Beato Carlos, último Imperador do Império Áustro-Húngaro


Casou com a Arquiduquesa Zita de Bourbon-Parma, no dia 21 de Outubro de 1911.



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Tradicional Peregrinação de Pentecostes a Dornes

No passado Domingo de Pentecostes um grupo de peregrinos rumou, como é tradição naquela zona de Portugal, até ao Santuário de Nossa Senhora do Pranto em Dornes.

O primeiro registo conhecido que atribui um milagre a Nossa Senhora do Pranto, data de finais do século XVII (1697). Reza a Lenda, replicada por vários historiadores, que foi graças a um milagre da Rainha Santa, que teve início o culto a Nossa Senhora do Pranto, em Dornes. Aquando do seu casamento com D. Dinis, D. Isabel teria recebido como dote estas terras de Dornes. Aqui seria seu feitor Guilherme de Pavia, homem tão crente e bondoso que era tido como santo. Vivia perto da ermida de S. Guilherme, junto à ribeira com esse nome, já perto da vila.

Durante a noite, o feitor começou a ouvir um choro e gemidos dolorosos que vinham do outro lado do rio. De dia, por mais que buscasse entre os matos da Serra Vermelha, de onde parecia chegar aquele pranto nocturno, nada encontrava. Intrigado, resolveu dar conta à rainha do estranho acontecimento e pôs-se a caminho de Coimbra. Porém, assim que chegou e antes de falar, já D. Isabel sabia a razão que ali o levara. Indicou-lhe o local exacto onde devia procurar e logo lhe disse que iria encontrar uma imagem da Virgem com o Filho morto nos braços.

Guilherme voltou a Dornes e logo partiu para o outro lado do rio (Vila Gaia, freguesia de Cernache do Bonjardim), indo encontrar a imagem, exactamente no local indicado pela rainha. Veio depois a rainha admirar o achado e foi quem mandou erguer uma capela. À terra chamou Vila das Dores, a actual Dornes.

O círio teve início na igreja de Paio Mendes, a poucos quilómetros do destino, donde saiu em procissão o andor da Virgem do Pranto. Durante o caminho cantou-se o terço do Rosário, com a meditação dos mistérios e também cânticos tradicionais portugueses. Cantou-se ainda a Ladainha do Espírito Santo, e as de Todos-os-Santos e do Loreto. À chegada ao santuário, o grupo foi recebido pelo Reitor, o Rev.do Padre Manuel Vaz Patto.

A peregrinação teve o seu cume na Missa Tradicional do dia de Pentecostes, rezada no Santuário da Senhora do Pranto. Deixamos aqui algumas fotografias desta reportagem exclusiva Senza Pagare:
















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sábado, 19 de maio de 2018

Vinde, ó Santo Espírito

Vinde, ó santo Espírito, vinde Amor ardente, acendei na terra vossa luz fulgente. 
Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações. 
Benfeitor supremo em todo o momento, habitando em nós sois o nosso alento. 

Descanso na luta e na paz encanto, no calor sois brisa, conforto no pranto. 
Luz de santidade, que no Céu ardeis, abrasai as almas dos vossos fiéis.
Sem a vossa força e favor clemente, nada há no homem que seja inocente. 

Lavai nossas manchas, a aridez regai, sarai os enfermos e a todos salvai.
Abrandai durezas para os caminhantes, animai os tristes, guiai os errantes. 
Vossos sete dons concedei à alma do que em Vós confia: 
Virtude na vida, amparo na morte, no Céu alegria.

Ámen.


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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Morreu o Cardeal Castrillón Hoyos

O Cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos enfrentou traficantes e políticos no seu país. Foi acusado inclusive de receber dinheiro de traficantes. Hoyos nunca poupou os poderosos do governo e do crime organizado nos seus sermões, sempre muito polémicos.

Sobre Hoyos, o escritor colombiano e vencedor do Prémio Nobel da Literatura, Gabriel García Marquez, chegou a afirmar que o cardeal era um "homem que tinha a severidade de um clérigo em guerra" e "como um poeta guiado pelo dom místico da inspiração".

Hoyos chegou a encontrar-se com o chefe do cartel de drogas de Medellín, o famoso Pablo Escobar, disfarçado de vendedor de leite, para pedir que se entregasse e acabasse com os assassinatos e sequestros. Nessa conversa o bom Cardeal conseguiu persuadir o traficante a confessar os seus pecados.

O traficante chegou a enviar, por intermédio de Hoyos, uma proposta ao governo - que a recusou. Quando Escobar perguntou a Hoyos quem ele representava, o Cardeal disse que representava "aquele que um dia iria julgá-lo". Escobar foi morto pela polícia colombiana em 1993, na cidade de Medellín.

Segundo o Monsenhor Francisco Arias, o hoje Cardeal Darío Castrillón Hoyos costumava, quando era apenas padre, andar à noite pelas ruas de Pereira, distribuindo alimentos para os sem-abrigo. "Ele podia ser encontrado nos piores lugares de Pereira. Ele não tinha medo de ninguém, de nada."

O Monsenhor disse ainda que, ao tornar-se bispo, Hoyos passou a vigiar a polícia de Pereira, acusando-a de matar prostitutas, meninos de rua e mendigos, durante os seus sermões.

"Depois de denunciá-los nos seus sermões, os assassinatos pararam e o director da polícia de Pereira deixou o cargo."

Em 1982, quando era bispo de Pereira, ele manifestou-se contra o então candidato à presidência da Colômbia Álvaro Gomez por este defender o direito ao divórcio. Em 1994, ele instruiu os eleitores católicos para que não votassem no candidato presidencial Ernesto Samper, que, segundo Hoyos, apoiava a legalização de drogas e era muito próximo a não era cristão.

Samper acabou por vencer a eleição. Em 1996, o Congresso colombiano julgou e absolveu Samper da acusação de ter recebido 6 milhões de dólares dos traficantes do cartel de Cali para financiar a sua campanha eleitoral. Samper disse não ter conhecimento de ter recebido dinheiro do tráfico.

A absolvição, no entanto, não bastou para pôr fim às acusações de Hoyos. "Uma pessoa não pode obter poder com dinheiro do crime e, se o obtiver dessa forma, mesmo sem saber, não pode continuar a exercê-lo", disse Hoyos á época.

Hoyos foi ordenado padre no dia 26 de Outubro de 1952, na cidade de Santa Rosa de Osos e, no 1º de Julho de 1976 foi elevado a bispo de Pereira. Em 21 de Fevereiro de 1998 foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II.

Formado no Seminário de Santa Rosa de Osos (Noroeste da Colômbia), a sua formação universitária começou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (onde obteve o seu doutoramento em direito canónico).

O Cardeal Hoyos foi presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei e também Prefeito da Congregação para o Clero. O Cardeal Hoyos era um grande apoiante da Missa Tradicional, celebrando-a publicamente por diversas vezes, uma das últimas em 2016 na celebração do 10º aniversário do Instituto Bom Pastor (que ele ajudou a fundar).

O bom Cardeal Darío Castrillón Hoyos morreu esta madrugada do dia 18 de Maio, na antiga cama de Pio XII, no seu quarto em Roma. Rezemos pelo seu descanso eterno:

Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.


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