terça-feira, 22 de julho de 2025

Dia de Santa Maria Madalena, apóstola dos Apóstolos

Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no Evangelho, são a mesma pessoa, segundo o Papa São Gregório Magno, grande estudioso dos santos e criador do Calendário Gregoriano. Também os Padres latinos, desde Tertuliano, Santo Ambrósio, São Jerónimo, Santo Agostinho, até São Bernardo e São Tomás de Aquino, reconhecem nas três uma e a mesma pessoa: a Santa Maria Madalena penitente, que seguiu Nosso Senhor durante a Paixão.

Maria Madalena teria nascido em Betânia, cidade da Judeia, de pais muito ricos, tendo por irmãos Marta e Lázaro. Como parte da sua herança recebera o castelo de Magdala, de onde lhe veio o nome.

Uma lenda fala da sua esplêndida formosura, cabeleira famosa, do seu engenho, e relata ser ela casada com um doutor da Lei que a trancava em casa quando saía. Altiva e impetuosa, Maria teria fugido com um oficial das tropas do César e se estabelecido no castelo de Magdala, perto de Cafarnaum. As suas desordens e escândalos logo se espalharam pela região.

Enquanto isso, Nosso Senhor iniciara a sua peregrinação: a fama dos seus milagres e a santidade de vida estendia-se pelas terras da Palestina. Atormentada por demónios, e pelos remorsos da sua consciência culpada, Maria foi procurar Aquele que alguns apontavam como sendo o Messias prometido. O Senhor apiedou-se dela e livrou-a de sete demónios (Mc 16, 9), tocando-lhe também profundamente o coração.

A partir de então, começou para Madalena a completa conversão. Horrorizada ante os seus inúmeros pecados, cativada pela bondade e mansidão de Jesus, ela procurava uma ocasião em que pudesse mostrar-Lhe o seu reconhecimento e profundo arrependimento.

Essa ocasião surgiu na casa de Simão — um fariseu, provavelmente de Cafarnaum —, que havia convidado o Mestre para uma refeição. Durante um banquete ao qual Jesus participava, inesperadamente Madalena irrompeu na sala, foi diretamente até Jesus, rompeu um vaso de alabastro que levava apertado ao peito, e “começando a banhar-Lhe os pés com lágrimas, enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os e os ungia com o bálsamo” (Lc 7, 38).

Perdoada, convertida, Maria Madalena foi viver com os seus irmãos em Betânia. Uma vez, as duas irmãs receberam a visita do Messias. Maria sentou-se junto ao Salvador para absorver as suas palavras divinas, enquanto Marta se afanava nos afazeres domésticos para bem receber o seu divino Hóspede. E julgou que a sua irmã fazia mal, pois em vez de ajudá-la, estava ali sentada esquecida da vida. Disse Jesus: “Marta, Marta, afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42).

Em outra visita do divino Mestre a Betânia, Maria Madalena, já não mais “a pecadora”, ungiu novamente os pés do Redentor com precioso perfume, o que levou Judas a reclamar do “desperdício”, pois podiam vender o perfume e “dar o dinheiro aos pobres”. Nosso Senhor interveio: “Deixai-a; ela reservou isso para o dia da minha sepultura; porque sempre tendes os pobres convosco, mas a mim não tendes sempre” (Jo 12, 1-8).

Chegou o momento da Paixão. Aos pés da cruz, Maria Madalena acompanhava Nossa Senhora e São João Evangelista. Depois do sepultamento, Maria também estava junto ao túmulo, de fora, chorando. Enquanto chorava, se inclinou para o interior do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus havia sido colocado, um na cabeceira e outro aos pés.

Disseram então "Mulher por que choras?" Ela respondeu: "Levaram meu Senhor e não sei onde o colocaram". Dizendo isto se voltou e viu Jesus de pé. Mas não podia imaginar que era Jesus. E Jesus lhe disse: "Mulher por que choras? A quem procuras?" Pensando ser Ele o jardineiro ela respondeu: "Senhor se foste tu que O levaste me diga onde O puseste que eu irei busca-LO" Jesus responde: "Maria". Ela então reconhece-O e grita em hebraico "Raboni!" (que quer dizer Mestre!).

De acordo com uma antiga tradição do Oriente, Maria Madalena acompanhou São João Evangelista e a Virgem Maria a Éfeso onde morreu e foi sepultada.

No Ocidente, a tradição diz que ela viajou para Provença, França com Santa Marta e São Lázaro. A tradição conta que São Maximino, um dos 72 discípulos do Senhor, e São Sidónio (o cego de nascença de que fala o Evangelho, e que foi curado por Nosso Senhor) e mesmo José de Arimatéia estão entre os que os acompanharam na conversão da Gália.

São Maximino foi bispo de Aix, e São Lázaro encarregou-se da igreja de Marselha. Santa Marta reuniu em Tarascão uma comunidade de virgens, e Maria Madalena, depois de ter trabalhado na conversão dos marselheses, retirou-se para viver na solidão numa montanha entre Aix, Marselha e Toulon, “La Sainte Baume” (a Santa Montanha ou Santa Gruta), como dizem os habitantes do lugar. Lá permaneceu cerca de trinta anos, levando vida contemplativa e penitencial.

Ela foi milagrosamente transportada, pouco antes da sua morte, para junto de São Maximino, que lhe ministrou os últimos sacramentos. Segundo a tradição, o seu corpo foi levado para um povoado vizinho –– a Villa Lata, depois chamada São Maximino –– onde esse bispo havia construído uma capela.

No século VIII, por temor dos sarracenos, as suas relíquias foram trasladadas para um lugar seguro, tendo ficado esquecidas até que Carlos II, Rei da Sicília e Conde da Provença, as encontrou em 1272. São Vilibaldo diz que viu a sua tumba em Éfeso (hoje Turquia) no século VIII. A comuna francesa Vezelay diz ter as suas relíquias desde o século XI.

É a padroeira das cabeleireiras, estilistas de cabelos, podólogos, pecadoras penitentes, perfumistas, manicuras, fabricantes de perfumes e de óleos para o corpo.

Na arte litúrgica da Igreja é representada segurando um alabastro de óleo.

in heroinasdacristandade.blogspot.com


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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Anjo de Portugal

No calendário antigo hoje é dia do Anjo da Guarda de Portugal. A nação portuguesa é a única que tem culto público ao seu Anjo da Guarda.
 
A devoção ao Anjo da Guarda existe praticamente desde o início de Portugal e espalhou-se de tal maneira que o Rei D. Manuel pediu ao Papa Leão X a possibilidade de culto público e assim foi, no início do séc. XVI. A festa ao Anjo Custódio de Portugal e suas Províncias Ultramarinas passou a celebrar-se no III Domingo de Julho e era de tal maneira importante que deveria igualar, em honras, a Solenidade do Corpo de Deus.

Algures no tempo, a festa foi fixada a 21 de Julho. Mais tarde, durante o Estado Novo (1952), passou para 10 de Junho. Ainda assim, algumas vilas em Portugal e no Brasil continuam a ter festas dedicadas ao Anjo Custódio por volta de dia 21 de Julho.

Desde o início que o Anjo da Guarda de Portugal é tido como sendo São Miguel Arcanjo, o Anjo do combate a Satanás e aos espíritos malignos.

São Miguel Custódio de Portugal, rogai por nós.


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sábado, 19 de julho de 2025

Secretaria de Estado protege rede homossexual no Vaticano

“Vinte anos de escândalos e o Vaticano — mais concretamente, a Secretaria de Estado do Vaticano — não aprendeu nada”, escreve Phil Lawler no CatholicCulture.org.

Lawler comenta o caso do Padre Carlo Capella. Este sacerdote foi preso na Cidade do Vaticano por posse e distribuição de pornografia infantil, mas regressou ao serviço diplomático da Santa Sé — primeiro sem um título oficial e, agora, com uma designação formal de alto nível. Um responsável classificou o escândalo como “um acto de misericórdia”.

Lawler questiona: “Misericórdia? Não é um acto de misericórdia para com os adolescentes que foram explorados por pervertidos para fornecer as imagens que faziam parte da vasta coleção do Pe. Capella. Não é um acto de misericórdia para com os católicos fiéis que, fazendo o possível para defender a honra da Igreja contra críticos cada vez mais cáusticos, se veem, mais uma vez, a defender o indefensável.”

Lawler recorda que o Pe. Capella não foi entregue às autoridades civis e que “o Vaticano” resistiu a um pedido americano de extradição. Capella foi autorizado a fugir, regressando a Roma, onde manifestamente esperava um tratamento mais favorável.

No julgamento canónico, foi-lhe retirado o estatuto de “Monsenhor” para regressar a “Rev. Padre”, mas continuou a exercer funções como sacerdote.

Lawler explica o motivo do tratamento leniente: “Pelo mesmo motivo que Marcial Maciel escapou ao escrutínio durante anos, pelo mesmo motivo que o Cardeal Law foi nomeado arcipreste de uma basílica romana, pelo mesmo motivo que Theodore McCarrick foi enviado ao estrangeiro como enviado do Vaticano, pelo mesmo motivo que o Rev. Capella está agora de volta ao trabalho: porque a Secretaria de Estado toma conta dos seus amigos.”

Ele avança ainda com uma explicação mais sombria: “Talvez aconteça que tantos funcionários do Vaticano estão moralmente comprometidos, há tantos anos, que ninguém está preparado para enfrentar o problema; todos se sentem vulneráveis e, por isso, determinados a abafar o escândalo. Talvez a má conduta sexual seja tão generalizada que — apesar das declarações públicas — os funcionários do Vaticano continuam a não levar o assunto a sério.”

Para Lawler, é absolutamente claro — e não apenas em casos de abuso clerical — que a Secretaria de Estado dita as suas próprias regras.

in gloria.tv


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S. Vicente de Paulo às religiosas: "Guardar silêncio quando somos injustiçados"

Vejo, minha filha, que considerais que, caso sejamos injustamente repreendidos por alguma falta, será preferível sofrermos a correção sem nada dizer do que justificarmo-nos. Sou inteiramente da vossa opinião, e parece-me que, a não ser que tal silêncio seja pecado, ou afecte os interesses do próximo, é preferível optar por ele: estamos a imitar Nosso Senhor. 

Quantas vezes O acusaram, denegriram a sua vida, criticaram a sua doutrina, vomitaram blasfémias execráveis contra a sua pessoa! E, contudo, ele nunca Se desculpou. Foi levado à presença de Pilatos e de Herodes, mas nada disse para Se desculpar, e acabou por Se deixar crucificar. Nada melhor do que seguir o exemplo que Ele nos deu.
 
Minhas queridas irmãs, dir-vos-ei a este propósito que nunca vi acontecer inconveniente a ninguém por não se ter desculpado - nunca. Não nos compete dar esclarecimentos; se nos imputam alguma coisa que não fizemos, não nos compete defender-nos. Deus quer, minhas filhas, que Lhe entreguemos o discernimento das coisas. 

Ele tratará de, em tempo oportuno, tornar a verdade conhecida. Se soubésseis o bem que faz abandonar nas suas mãos todos estes cuidados, minhas filhas, nunca teríeis a tentação de vos justificar. Deus quer aquilo que nos impõem, e permite-o, sem dúvida para pôr à prova a nossa fidelidade. 

Ele sabe como o recebemos, o fruto que daí retiramos e o mau uso fazemos da situação; e, se permite que continuem a acusar-nos, em breve saberá tornar conhecida a verdade! É máxima verdadeira e infalível, minhas filhas, que Deus justifica todos aqueles que não querem justificar-se.

São Vicente de Paulo in 'Conversas com as Filhas da Caridade' (18/01/1648)


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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Cardeal exorcista reza oração de libertação pelo Mundo

Aos 96 anos, o Cardeal albanês Ernest Simoni, antigo prisioneiro dos campos comunistas, rezou em latim uma oração de libertação durante um congresso de exorcismo nos Estados Unidos. Um apelo comovente à fé e à oração para um mundo ameaçado pelas trevas.

Durante a «Worldwide Exorcism Conference», organizada em Newark pela John Leaps Evangelization, o Cardeal Ernest Simoni rezou uma oração de libertação em latim, «de cor», para «libertar as almas dos demónios, pelas pessoas com tumores e pelas jovens mães com dificuldades em conceber».

Embora não se tenha tratado de um exorcismo formal com todos os ritos canónicos, o fervor e a força espiritual da oração do Cardeal impressionaram os participantes. Com 96 anos, o Cardeal Simoni passou cerca de 20 anos num campo de trabalho sob o regime comunista albanês, depois de ter sido preso na noite de Natal de 1963. O seu crime? Ter celebrado Missa pelo repouso da alma do presidente americano John F. Kennedy.

«Os comunistas consideravam-me uma ameaça para o Partido e tentaram incansavelmente pôr-me a falar contra ele», contou. «Subornaram alguns dos meus amigos para que me levassem a criticar o governo, mas eu conhecia as suas artimanhas.» Acusado de conspiração contra o Estado, foi condenado à morte por fuzilamento. Após três meses de tortura e isolamento por ter recusado renegar a Igreja Católica, a sua pena foi comutada para 18 anos de trabalhos forçados. Apesar do sofrimento, Simoni continuou a celebrar Missa em latim, tendo memorizado toda a liturgia: «Um amigo fazia-me chegar pão e vinho às escondidas para que pudéssemos celebrar devidamente a missa», confidenciou em 2017.

Sofreu uma nova condenação à morte em 1973, após uma revolta no campo, mas a pena foi novamente comutada. Libertado em 1981, continuou a sofrer pressões do regime: «Tentaram convencer-me a casar, recrutando até os meus pais para tal. Diziam-me que, se abandonasse o sacerdócio, nunca mais iria preso.» A sua resposta ficou para a história: «Já estou casado com a Esposa mais bela que existe; estou casado com a Igreja.»

Após a queda do regime, em 1991, o padre Simoni retomou abertamente o seu ministério, sobretudo nas zonas rurais da Albânia. Celebra regularmente exorcismos, tal como fazia antes de 1963. Em 2018, na Universidade Regina Apostolorum de Roma, afirmou: «Pratico quatro a cinco exorcismos por dia.» O seu testemunho chegou até ao topo da Igreja: depois de o conhecer em 2014, o Papa Francisco elevou-o a Cardeal em 2016, chamando-lhe «mártir vivo». Demasiado idoso para participar no Conclave de 2025 que elegeu o Papa Leão XIV, Simoni permanece contudo activo. Recentemente, participou em peregrinações do Instituto Cristo Rei Sumo Sacerdote, celebrando a Missa Tradicional, que rezava quando estava em cativeiro.

Em 2017, deixou este alerta profético: «Vemos hoje a profecia de Fátima a realizar-se. Se os homens não se voltarem para Cristo, as trevas e o erro engolirão o mundo. Se confiarmos em Deus e nos voltarmos para Ele, nada temos a temer.»

in Tribune Chretienne


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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Igreja na China: "O Vaticano Promove os Nossos Inimigos"

Houve uma nova vaga de detenções de clérigos e freiras católicas na província chinesa de Zhejiang, reporta o AsiaNews.it.

O objectivo é forçar o bispo clandestino Shao Zhumin, de Wenzhou, Província de Zhejiang, a juntar-se à seita controlada pelo governo. O bispo Shao já foi detido várias vezes, normalmente antes de festas importantes como o Natal ou a Páscoa. A sua detenção mais recente foi em Abril.

A Diocese de Wenzhou conta com cerca de 200 mil fiéis, 46 padres "oficiais" e mais de 20 padres católicos clandestinos.

Um padre anónimo disse: “Sabemos que o Estado interfere na Igreja, e não aceitamos isso. Mas não podemos fazer nada a esse respeito.” Os católicos ou aceitam a perseguição ou “a interferência do ateísmo, proibindo as crianças de frequentarem a igreja, impedindo os jovens de receberem catequese”.

O principal problema: “O Vaticano está em silêncio e promove oportunistas da Igreja do Estado, que ganham visibilidade e reconhecimento tanto nos círculos religiosos como políticos. Os fiéis vêem estes ‘sucessos’ e perguntam-nos: Ainda faz sentido resistir? No entanto, queremos seguir a nossa consciência.”

Desde a morte do Papa Francisco, as autoridades chinesas intensificaram os esforços para eliminar a Igreja Católica clandestina. Locais de culto e familiares de padres clandestinos também têm sido visados.

in gloria.tv


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terça-feira, 15 de julho de 2025

A igualdade defendida pela Revolução Francesa não é católica

I. A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível; resultaria disso a destruição da própria sociedade humana.

II. A igualdade dos diversos membros da sociedade consiste somente no fato de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exacta dos seus méritos e deméritos, ser julgados por Deus e por Ele recompensados ou punidos.

III. Disto resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais, todos unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar moral e material na terra (Encíclica Quod apostolici muneris).

São Pio X in Motu Proprio ''Fin dalla prima'' (18 de Dezembro de 1903)


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São Pio V proibiu que o Rito Romano fosse alterado

Há 455 anos, no dia 14 de Julho de 1570, o Papa Pio V promulgou a bula 'Quo Primum Tempore'. Este documento estabelecia que o Rito Romano se deveria rezar pelo Missal Romano que tinha sido promulgado pelo Papa. 

Este Missal não foi fabricado ex nihilo por um grupo de teólogos e liturgistas, mas bem o resultado de séculos e séculos de uma evolução orgânica: que se traduziu num enriquecimento nos gestos e palavras de modo a dar maior glória a Deus e também numa cada vez melhor catequese, capaz de transmitir as verdades da Fé Católica aos fiéis. 

O Papa Pio V proibiu que este Missal fosse alterado, sob pena de excomunhão de quem quer que o tentasse fazer. Claro que pequenas alterações, nomeadamente  no calendário dos Santos, estavam previstas; mas, para São Pio X, seria impensável que se tentasse fazer um Missal (Romano) de novo.
PIO BISPO
Servo dos Servos de Deus
Para perpétua memória

1 - Desde que fomos elevados ao ápice da Hierarquia Apostólica, de bom grado aplicamos o nosso zelo e as nossas forças e dirigimos todos os nossos pensamentos no sentido de conservar na sua pureza tudo o que diz respeito ao culto da Igreja; o que nos esforçamos por preparar e, com a ajuda de Deus, realizar com todo o cuidado possível.

2 - Ora, entre outros decretos do Santo Concílio de Trento cabia-nos estabelecer a edição e correcção dos santos livros: Catecismo, Missal e Breviário.

3 - Com a graça de Deus, já foi publicado o Catecismo, destinado à instrução do povo, e corrigido o Breviário, para que se tributem a Deus os devidos louvores. Outrossim, para que ao Breviário correspondesse o Missal, como é justo e conveniente (já que é soberanamente oportuno que, na Igreja de Deus, haja uma só maneira de salmodiar e um só rito para celebrar a Missa), parecia-nos necessário providenciar, o mais cedo possível, o restante desta tarefa, ou seja, a edição do Missal.

4 - Para tanto, julgamos dever confiar este trabalho a uma comissão de homens eruditos. Estes começaram por cotejar cuidadosamente todos os textos com os antigos de nossa Biblioteca Vaticana e com outros, quer corrigidos, quer sem alteração, que foram requisitados de toda parte. Depois, tendo consultado os escritos dos antigos e de autores aprovados, que nos deixaram documentos relativos à organização destes mesmos ritos, eles restituíram o Missal propriamente dito à norma e ao rito dos Santos Padres.

5 - Este Missal assim revisto e corrigido, Nós, após madura reflexão, mandamos que seja impresso e publicado em Roma, a fim de que todos possam tirar os frutos desta disposição e do trabalho empreendido, de tal sorte que os padres saibam de que preces devem servir-se e quais os ritos, quais as cerimónias, que devem observar doravante na celebração das Missas.

6 - E a fim de que todos, e em todos os lugares, adoptem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por Nós, em todas as Igrejas: nas Igrejas Patriarcais, Catedrais, Colegiais, Paroquiais, quer seculares quer regulares, de qualquer Ordem ou Mosteiro que seja, de homens ou de mulheres, inclusive os das Ordens Militares, igualmente nas Igrejas ou Capelas sem encargo de almas nas quais a Missa conventual deve, segundo o direito ou por costume, ser celebrada em voz alta com coro, ou em voz baixa, segundo o rito da Igreja Romana, ainda quando estas mesmas Igrejas, de qualquer modo isentas, estejam munidas de um indulto da Sé Apostólica, de costume, de um privilégio, até de um juramento, de uma confirmação apostólica ou de quaisquer outras espécies de faculdades. 

A não ser que, ou por uma instituição aprovada desde a origem pela Sé Apostólica, ou então em virtude de um costume, a celebração destas Missas nessas mesmas Igrejas tenha um uso ininterrupto superior a 200 anos. A estas Igrejas Nós, de maneira nenhuma, suprimimos nem a referida instituição, nem seu costume de celebrar a Missa; mas, se este Missal que acabamos de editar lhes agrada mais, com o consentimento do Bispo ou do Prelado, junto com o de todo Capítulo, concedemos-lhes a permissão, não obstante quaisquer disposições em contrário, de poder celebrar a Missa segundo este Missal.

7 - Quanto a todas as outras sobreditas Igrejas, através da Nossa presente Constituição, que será válida para sempre, Nós decretamos e ordenamos, sob pena da nossa indignação, que o uso dos seus missais próprios seja supresso e sejam eles radical e totalmente rejeitados; e, quanto ao Nosso presente Missal recentemente publicado, nada jamais lhe deverá ser acrescentado, nem supresso, nem modificado

Ordenamos a todos e a cada um dos Patriarcas, Administradores das referidas Igrejas, bem como a todas as outras pessoas revestidas de alguma dignidade eclesiástica, mesmo Cardeais da Santa Igreja Romana, ou dotados de qualquer outro grau ou preeminência, e em nome da santa obediência, rigorosamente prescrevemos que todas as outras práticas, todos os outros ritos, sem excepção, de outros missais, por mais antigos que sejam, observados por costume até o presente, sejam por eles absolutamente abandonados para o futuro e totalmente rejeitados; cantem ou rezem a Missa segundo o rito, o modo e a norma por Nós indicados no presente Missal, e na celebração da Missa, não tenha a audácia de acrescentar outras cerimónias nem de recitar outras orações senão as que estão contidas neste Missal.

8 - Além disso, em virtude da Nossa Autoridade Apostólica, pelo teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para sempre.

9 - Da mesma forma decretamos e declaramos que os Prelados, Administradores, Cônegos, Capelães e todos os outros Padres seculares, designados com qualquer denominação, ou Regulares, de qualquer Ordem, não sejam obrigados a celebrar a Missa de outro modo que o por Nós ordenado; nem sejam coagidos e forçados, por quem quer que seja, a modificar o presente Missal, e a presente Bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida, em toda a sua força.

10 - Não obstante todas as decisões e costumes contrários anteriores, de qualquer espécie: Constituições e Ordenações Apostólicas, ou Constituições e Ordenações, tanto gerais como especiais, publicadas em Concílios Provinciais e Sinodais; não obstante também o uso das Igrejas acima enumeradas, ainda que autorizado por uma prescrição bastante longa e imemorial, mas que não remonte a mais de 200 anos.

11 - Queremos e, pela mesma autoridade, decretamos que, depois da publicação da Nossa presente Constituição e deste Missal, todos os padres sejam obrigados a cantar ou celebrar a Missa de acordo com ele: os que estão na Cúria Romana, após um mês; os que habitam aquém dos Alpes, dentro de três meses; e os que habitam além das montanhas, após seis meses ou assim que encontrem este Missal à venda.

12 - E para que em todos os lugares da Terra este Missal seja conservado sem corrupção e isento de incorrecções e erros, por nossa Autoridade Apostólica e em virtude das presentes, proibimos a todos os impressores domiciliados nos lugares submetidos, directa ou indirectamente, à Nossa autoridade e à Santa Igreja Romana, sob pena de confiscação dos livros e de uma multa de 200 ducados de ouro, pagáveis à Câmara Apostólica, bem como aos outros domiciliados em qualquer outro lugar do mundo, sob pena de excomunhão ipso facto e de outras penas a Nosso alvitre, se arroguem, por temerária audácia, o direito de imprimir, oferecer ou aceitar esta Missa, de qualquer maneira, sem nossa permissão, ou sem uma licença especial de um Comissário Apostólico por Nós estabelecido, para estes casos, nos países interessados, e sem que antes, este Comissário ateste plenamente que confrontou com o Missal impresso em Roma, segundo a impressão típica, um exemplar do Missal destinado ao mesmo impressor, que lhe sirva de modelo para imprimir os outros, e que este concorda com aquele e dele não difere absolutamente em nada.

13 - E como seria difícil transmitir a presente Bula a todos os lugares do mundo cristão e levá-la imediatamente ao conhecimento de todos, ordenamos que, segundo o costume, ela seja publicada e afixada às portas da Basílica do Príncipe dos Apóstolos e da Chancelaria Apostólica, bem como no Campo de Flora. Ordenamos igualmente que aos exemplares mesmo impressos desta Bula, subscritos pela mão de um tabelião público e munidos, outrossim, do Selo de uma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, seja dada, no mundo inteiro, a mesma fé inquebrantável que se daria à presente, caso mostrada ou exibida.

14 - Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, opor-se à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição.

Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-poderoso e dos seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma perto de São Pedro, no ano da Encarnação do Senhor mil quinhentos e setenta, no dia 14 de Julho, quinto de Nosso Pontificado – Pio Papa V.


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segunda-feira, 14 de julho de 2025

O abaixamento de Cristo - São Boaventura

Aprendei a humilhar-vos de verdade, e não apenas na aparência, como aqueles que se humilham de maneira fraudulenta, os hipócritas de que fala o Eclesiástico: «Abaixa-se em humildade fingida aquele cujo coração está cheio de fraude» (Ecli 19,23, Vulgata). «Pelo contrário, aquele que é verdadeiramente humilde», diz o bem-aventurado Bernardo, «não procura ver proclamada a sua humildade, mas passar por desprezível.» 

Nem a virgindade é agradável a Deus sem humildade, crede no que vos digo. A Virgem Maria não teria sido a Mãe de Deus houvesse nela alguma ponta de orgulho. Grande virtude é esta, pois, sem a qual todas as outras virtudes, longe de poderem existir, rebentam de orgulho.
 
Cristo foi humilhado a ponto de, no seu tempo, nada ter sido considerado mais vil que Ele. Tão grande foi a sua humildade, tão profundo o seu abaixamento, que ninguém era capaz de julgar dele segundo a verdade, ninguém podia acreditar que fosse Deus. Ora, Nosso Senhor e Mestre disse de Si mesmo: «O servo não é mais que o seu senhor» (cf Mt 10,24); portanto, se sois serva do Senhor, discípula de Cristo, deveis ser aviltada, desconsiderada, humilde.

in Sobre a vida perfeita, II, § 1, 3, 4


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domingo, 13 de julho de 2025

Inferno, oração e conversão: a mensagem politicamente incorreta, mas evangélica, de Fátima

As Aparições têm semelhanças entre si. Há sempre, no centro de cada uma, um apelo à oração e à penitência, mas, ao mesmo tempo, cada qual é diferente da outra pelo destaque que é dado a um aspecto particular da fé.
 
A aura em torno de Lourdes é calma. Foi notado, inclusive, que em nenhuma outra ocasião Maria sorriu tanto, chegando mesmo a rir muito em três ocasiões. Bernadette disse: “Ria como uma criança.” Não sabia, aquela pequena santa, que precisamente por isso, os seus austeros inquisidores suspeitariam ainda mais das aparições: “Nossa Senhora a rir?! Por favor, um pouco mais de respeito com a Rainha do Céu!” Mas, no final, tiveram que admitir: foi assim mesmo que aconteceu.
 
Claro, não nos esqueçamos, foi naquela gruta que Ela disse que era a Imaculada Conceição, e assumiu uma aparência séria, repetindo os apelos à penitência e à oração, para eles mesmos e para os pecadores. Mas há um ar de serenidade, sem ameaças de punição, que é talvez um dos aspectos que atraem multidões aos Pirineus.
 
Misericórdia e justiça
 
A atmosfera de Fátima, ao contrário, parece especialmente escatológica, apocalíptica. Embora tenha um final que conforta e acalma. É evidente que o principal motivo da aparição portuguesa é chamar a atenção dos homens para a enorme seriedade da vida terrena, que nada mais é que uma breve preparação para a verdadeira vida, uma eternidade que pode ser de alegria, mas também de tragédia. É um chamado à misericórdia e, ao mesmo tempo, à justiça de Deus.
 
A insistência unilateral, dos nossos dias, apenas na misericórdia, faz nos esquecer do et-et que caracteriza o catolicismo, e que se vê no Deus que é Pai amoroso e nos espera de braços abertos, mas, também, no Juiz que sopesará, na sua infalível balança, o bem e o mal que tenhamos feito. Sim, aguarda-nos um paraíso, mas que precisamos alcançar, dispendendo da melhor maneira os pequenos ou grandes talentos que nos foram confiados.

Nossa Senhora de Fátima

O Deus católico não é certamente o sádico do calvinismo que, por sua vontade insondável, divide a humanidade em duas: aqueles que nascem predestinados ao céu, e aqueles que são esperados à eternidade no inferno. É assim, afirma Calvino, que Ele manifesta a glória do seu poder. Não, o Deus católico não tem nada a ver com semelhantes deformações. Mas também não é, de forma alguma, o bonacheirão permissivista, o tio tolerante que tudo aceita e que a todos igualmente acolhe, o Deus de que se fala sobretudo na frouxidão dos teólogos jesuítas (que foram condenados pela Igreja) e contra quem Blaise Pascal lançou as suas indignadas Cartas Provinciais.
 
Ainda que soe desagradável aos ouvidos de certo “bonismo” actual, tão traiçoeiro para a vida espiritual, Cristo propõe à nossa liberdade uma escolha definitiva para toda a eternidade: salvação ou condenação. Portanto, podemos esperar até mesmo o inferno, que havíamos removido de nossas mentes, mas ao preço de remover também as claras e repetidas advertências do Evangelho.
 
É nele que está inserido o emocionante convite de Jesus: “Vinde a mim vós todos que estais cansados ​​e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” Além de muitas outras palavras e mostras de sua ternura. No entanto, goste-se ou não, nos Evangelhos, há também outro lado. Há um Deus que é infinitamente bom, mas, na mesma medida, infinitamente justo. Por isso, aos Seus olhos, uma pessoa vil e impenitente não é equivalente a um crente, que se esforçou para levar a sério o Evangelho, mesmo com as limitações e fraquezas de qualquer ser humano.
 
O inferno não é uma invenção
 
Naquele texto fundamental do ensinamento da Igreja, o Catecismo, os autores alertam: “As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja sobre o inferno são um apelo à responsabilidade, com a qual o homem deve usar a própria liberdade, tendo em conta o seu destino eterno. Constitui-se, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão”. São justamente esses apelos à responsabilidade e à conversão, que são o foco da mensagem de Fátima, tornando-a ainda mais urgente e atual, certamente mais do que quando Maria apareceu na Cova da Iria.
 
Há décadas que estão desaparecendo da pregação católica os Novíssimos, como são chamados pela teologia, a morte, o juízo, o inferno e o paraíso. Uma reticência clerical que retirou, mais do que isso, renegou o velho e benfazejo ditado que salvou tantas gerações de crentes: o princípio da sabedoria é o temor de Deus.
 
Na história dos santos, essa consciência de uma possível queda eterna, serviu de estímulo constante para a prática intensa das virtudes. Sabiam que a existência do inferno não é um sinal de crueldade divina, mas do seu respeito radical: o respeito do Criador para com a liberdade dada às suas criaturas, a ponto de lhes permitir escolher a separação definitiva.
 
Tanto na teologia quanto na pastoral de hoje, o necessário anúncio da misericórdia não está unido ao também importante anúncio da justiça. Mas se em Deus convivem, em dimensões infinitas, todas as virtudes, poderia estar faltando Nele a virtude da justiça, que a Igreja — inspirada pelo Espírito Santo, e também seguindo o senso comum — coloca entre as virtudes cardeais? (Nota do tradutor - as quatro virtudes cardeais são: prudência, temperança, fortaleza e justiça).
 
Não faltam teólogos respeitados e conhecidos, que gostariam de amputar uma parte essencial da Escritura, removendo aquilo que aborrece os que creem num Deus apenas bondoso e generoso. Dizem eles: “O inferno não existe. Mas, se existe, está vazio”.
 
Pena que essa não é a opinião da Virgem Maria… É verdade que a Igreja sempre afirmou a salvação certa de alguns de seus filhos, proclamando-os beatos e santos. E a própria Igreja nunca quis proclamar a condenação de quem quer que fosse, deixando nas mãos de Deus o juízo final. No entanto, aqueles que dizem que o inferno, se existir, estaria vazio, mereceriam a réplica: “Vazio? Mas isso não exclui a terrível possibilidade de que sejamos eu ou você a o inaugurar”.
 
Alguém sugeriu que a condenação fosse apenas temporária, não eterna, mas isso se choca com as palavras claras de Cristo, que fala várias vezes de um castigo sem fim. Por isso, nos vários Concílios, não foi difícil rejeitar semelhante possibilidade, uma vez que não há qualquer base nas Escrituras.

“Rezem, rezem muito”
 
Em 1941, na famosa carta ao seu bispo, Irmã Lúcia narrou assim a aparição de 13 de julho de 1917, a mais importante:

“O segredo confiado pela Virgem consiste em três partes distintas, duas das quais estou prestes a revelar. A primeira parte é a visão do inferno. Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes, negras e cor de bronze, com forma humana, flutuavam nesse fogaréu, e eram levadas pelas chamas que delas mesmas saíam junto com nuvens de fumaça, e caíam de todos os lados, como faíscas de um enorme incêndio, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que nos causou horror e nos fez tremer de medo…”.
 
Jacinta, que morreu três anos depois, ainda uma criança de 10 anos e chocada com o que viu naqueles poucos momentos, vai dizer em seu leito de morte: “Se eu pudesse mostrar o inferno aos pecadores…, faria qualquer coisa para que o evitassem, mudando de vida”. Visões semelhantes do inferno não são fatos isolados na história da Igreja. Essa realidade terrível foi experienciada por muitos santos e santas. E a sua credibilidade, tanto psicológica quanto mental, foi avaliada com rigor nos processos canônicos. Para limitar-nos às mais famosas e veneradas santas: Santa Teresa de Ávila, Santa Veronica Giuliani e Santa Faustina Kowalska, além de outras. E, entre os santos, não podemos nos esquecer de São Pio de Pietrelcina, o estigmatizado, que viveu o sobrenatural como se fosse a condição mais natural, a ponto de se admirar que os outros não viam o que ele via.

Em Fátima, o papel central da mensagem é a reiteração do perigo de se perder, além do fato de que Nossa Senhora ensina aos videntes uma oração que deveria ser repetida no rosário depois de cada dez Ave-Marias. Oração que teve uma extraordinária acolhida no mundo católico, tanto que é recitada em qualquer lugar em que se reze o terço, e diz: “Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para e céu, e socorrei principalmente as que mais precisarem da vossa misericórdia.” Palavras, como se vê, todas centradas nos Novíssimos, e ditadas para as crianças pela própria Virgem Maria.
 
O que um cristão deve implorar, de modo especial, é a salvação contra o “fogo do inferno”, além de pedir à misericórdia divina uma espécie de redução de pena para aqueles que sofrem no purgatório. Disse a Mãe de Deus, “com o semblante muito doloroso”, como descreveu Irmã Lúcia: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores. Na verdade, muitas almas vão para o inferno porque não há quem reze e faça sacrifícios por elas”.

Sob o manto

Mas voltemo-nos para as últimas linhas do testemunho de Lúcia, após a visão do terrível destino dos pecadores impenitentes: “Elevamos nossos olhos à Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza: ‘Vocês viram o inferno, onde caem as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer instituir no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu digo, muitas almas serão salvas”.

A verdade obriga-nos a recordar que correm sério risco os homens insensíveis à seriedade do Evangelho. Mas a misericórdia do Céu está pronta para propor um remédio: refugiar-se debaixo do manto de Maria, confiando no seu Coração Imaculado, aberto a quem pede a sua materna intercessão.  O crescente peso do pecado é grave mas são-nos mostrados os remédios e, acima de tudo, a aparição tem um final feliz, com as palavras famosas e que são justificadamente uma fonte de esperança para os crentes. Na verdade, depois de profetizar as muitas tribulações do futuro, Maria anuncia, em nome do Filho: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. 

Portanto, a salvação pessoal é possível — e é bancada pelo próprio Céu — mesmo com o aumento da iniquidade. Que possamos esperar a conversão do mundo, em um futuro impreciso e conhecido apenas por Deus, confiando no coração da Mãe de Cristo, poderosa advogada da causa da humanidade.
Para que servem as aparições? 

Fátima é a melhor resposta, para um mundo que cada vez mais se esquecia, e hoje se esquece mais ainda, do verdadeiro significado da vida na Terra e sua continuação na eternidade. Fátima é uma mensagem “dura” e, na linguagem de hoje, diríamos “politicamente incorreta”, por isso mesmo evangélica, na sua revelação da verdade e em sua rejeição à hipocrisia, aos eufemismos e às reduções. 

Mas, como sempre naquilo que é verdadeiramente católico, onde todos os opostos coexistem numa síntese vital, a ‘dureza’ vive com a ternura, a justiça com a misericórdia, a ameaça com a esperança. Assim, o aviso que chegou até nós a partir de Portugal, é, ao mesmo tempo, inquietante e reconfortante.

Vittorio Messori in La Nuova Bussola Quotidiana


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sexta-feira, 11 de julho de 2025

São Bento destrói estátuas de ídolos

Juan Andrés Rizi - 1662 - Museu do Prado (Madrid)



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terça-feira, 8 de julho de 2025

Cardeal Zen: «O Deus misericordioso odeia o comportamento homossexual»

O Cardeal Joseph Zen, de Hong Kong, comentou a destruição de Sodoma, conforme relatado no Livro do Génesis, no site OldYosef.HKCatholic.com: «O Deus misericordioso odeia tanto o comportamento homossexual porque ele está muito distante do plano de Deus para a Humanidade».

O Cardeal questiona de onde vem a tendência homossexual: «É inata? Resultado de uma experiência infeliz? A medicina não nos dá uma resposta simples.» No entanto: «Se as pessoas que conhecem a diferença entre o bem e o mal não ajudam as pessoas ignorantes a compreender a verdade, isso definitivamente não é um acto de caridade.»

O Cardeal acrescenta que o comportamento homossexual prejudica a sociedade e é mais provável que cause tragédias pessoais. «A Igreja certamente ama e acolhe todos, independentemente do estilo de vida que levam actualmente, mas não se pode permitir que permaneçam na ignorância.»

Ele deseja para os pecadores homossexuais «a oportunidade de compreender o plano de Deus, ganhar força através da oração e dos sacramentos, superar a tentação, trilhar o caminho da castidade e avançar em direcção à vida eterna».

O Cardeal Zen lamenta os últimos anos de caos e divisão na Igreja causados pelo panfleto homossexual «Fiducia Supplicans». E espera que Leão XIV, «acalme a tempestade».

in gloria.tv


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segunda-feira, 7 de julho de 2025

18 anos do motu proprio Summorum Pontificum

Há 18 anos o Papa Bento XVI publicou um documento chamado ‘Summorum Pontificum’. Com este documento o Papa quis esclarecer que a Missa Tradicional - a Missa tal como era celebrada no Rito Romano até à reforma litúrgica de 1969 - nunca tinha sido proibida nem o poderá vir a ser, porque foi considerada santa durante incontáveis gerações de fiéis católicos.

Infelizmente muitos Bispos e sacerdotes fizeram de conta que esse documento não tinha sido publicado, e não permitiram nem disponibilizaram a celebração da Missa Tradicional nas suas dioceses e nas suas paróquias. Negando este direito aos fiéis estão a ser desobedientes à Lei da Igreja e ao Papa.

A esta incompreensível aversão junta-se a insistência em supostos fantasmas do passado, quando - dizem - ninguém percebia nada da Missa por ser em latim e ninguém participava porque “o Padre estava de costas”. Como se fosse concebível que os nossos antepassados não tivessem rezado nem sequer soubessem o que é a Missa.

Esses preconceitos, que não têm qualquer fundamento, são rapidamente ultrapassados quando alguém arrisca ir a duas ou três Missas Tradicionais. A sacralidade e o silêncio da celebração acabam com qualquer barreira linguística ou física e dão lugar à contemplação do mistério de Jesus Cristo morto na Cruz para nos salvar.

Foi este tesouro que o Papa Bento quis preservar e promover, para glória de Deus e salvação das almas.


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sexta-feira, 4 de julho de 2025

Santa Isabel, a Rainha Santa

Princesa da casa real aragonesa, Dona Isabel nasce em 1270. Casa por procuração com o rei D. Dinis na cidade de Barcelona, em Fevereiro de 1281, mas Coimbra só recebe o casal régio em Outubro do mesmo ano. De pronto se estabelece uma profunda empatia com aquela que viria a ser a sua futura padroeira.

Desde cedo, o carácter filantrópico e de pacificadora da rainha é posto em evidência. Destacam-se alguns dos seus actos miraculosos e as intervenções de mediadora na discórdia entre D. Dinis e o seu meio-irmão, o Infante D. Afonso. Nos anos de 1319 e 1324, intervém para pôr fim aos incidentes do marido com o filho D. Afonso. Mais tarde, ao ter conhecimento da desavença entre o futuro rei D. Afonso IV, e o seu neto, D. Afonso XI de Castela, desloca-se a Estremoz para a sua última tentativa de reconciliação. Adoecendo nessa localidade alentejana, acaba por falecer a 4 de Julho de 1336, sem ter conseguido levar a bom termo a sua missão pacificadora.

Este pequeno retábulo, considerado o primeiro ex-voto português, foi encomendado por um professor universitário, como forma de agradecer o auxílio da Rainha Santa na cura da paralisia de que padecia uma sua sobrinha, freira da comunidade monástica de Celas. Nele se representa Santa Isabel com as rosas e o milagre propriamente dito, bem como a sua acção de amparo aos mais desprotegidos. Em plano de fundo, descobre-se uma vista geral de Coimbra renascentista, com destaque para o Paço Real e o Mosteiro de Santa Clara.

A rainha é sepultada em Coimbra, no Convento de Santa Clara, conforme vontade expressa em testamento, repousando inicialmente num belíssimo túmulo de pedra esculpido no séc. XIV por Mestre Pero para, mais tarde, já no século XVII, ser trasladada para novo túmulo em prata, exposto na capela-mor do novo Mosteiro de Santa Clara.
Hoje, o monumento funerário encontra-se próximo do retábulo-mor da nova Igreja de Santa Clara de Coimbra, na companhia da venerada imagem da Rainha Santa, executada por Teixeira Lopes em 1896.Após a sua canonização ser oficializada pela Igreja de Roma, os restos mortais da Rainha Santa foram trasladados para uma nova morada final. O novo túmulo em prata foi mandado fazer em 1614 pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Afonso de Castelo Branco.

A sua figura de Rainha Santa ficou indissociavelmente ligada ao auxílio e fundação de mosteiros e à protecção dos mais desfavorecidos, sendo por isso querida em vida e venerada como santa, logo após a sua morte. Oficialmente, a consagração dá-se com a beatificação, a 15 de Abril de 1516, por Leão X, vindo a ser canonizada por Urbano VIII, em 25 de Maio de 1625.

Após a morte de D. Dinis, em 1325, e antes de fixar residência no paço anexo ao Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, a rainha efectuou uma peregrinação a Santiago de Compostela. Segundo a tradição, Dona Isabel oferece ao Apóstolo Santiago alfaias litúrgicas, jóias e paramentos religiosos, recebendo das mãos do arcebispo compostelano o bordão de peregrina, em forma de tau, que se encontra à guarda da Irmandade de Santa Clara.

Durante a abertura do túmulo da Rainha Santa, ocorrida em 1612, com o objectivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, repousava junto do seu corpo o báculo e o bordão de peregrina a Santiago de Compostela, oferecido em 1325 pelo arcebispo compostelano. A peça foi colocada, no século XVII, num receptáculo de prata, em forma de balaústre, encontrando-se à guarda da Irmandade da Rainha Santa Isabel.

Uma vez viúva, a rainha passa a envergar o hábito de clarissa sem tomar os votos, desfazendo-se dos seus adornos. De alguns mandou fazer ornamentos e alfaias religiosas, enviando-as a várias igrejas, enquanto às rainhas de Portugal, Castela e Aragão ofereceu diversas jóias.

O legado de Dona Isabel de Aragão constitui um pequeno tesouro no panorama da ourivesaria sacra medieval, embora integre uma peça de uso pessoal, o colar de ouro e pedras preciosas ( inv. 6037). De acordo com a lenda, as freiras clarissas emprestavam-no aos doentes para ajudar à cura, sendo usado, em particular, pelas parturientes.

O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.

Do denominado “tesouro” consta ainda uma rara escultura da Virgem com o Menino (inv. 6034), singular quer pelas dimensões, quer pelos ornamentos e gemas aplicadas. É uma escultura isenta, assente sobre três leões, que recorre mais uma vez à utilização do símbolo heráldico real no cinto, em esmalte, como forma de afirmação de poder.O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.

Pertencente também ao legado da Rainha Santa é a cruz de jaspe sanguíneo e prata ( inv. 6035). Desta cruz processional destaca-se o magnífico nó hexagonal, onde, mais uma vez, estão inscritas as armas da Rainha. A temática escolhida enquadra-se no catecismo Cristológico — de um lado o Calvário, do outro Cristo rodeado pelo Tetramorfo, representação simbólica dos quatro evangelistas. 

Provenientes do antigo Mosteiro de Santa Clara são igualmente duas cruzes de cristal de rocha ( inv. 6040 e 6075), a primeira destas filiada nas oficinas venezianas. Recorrendo a uma iconografia de influência bizantina, os temas escolhidos aludem, num dos lados, ao episódio da Dormição da Virgem e, no outro, ao Calvário. 

A outra cruz é, no talhe do cristal, muito semelhante a esta. Apresenta nas suas placas, em prata dourada, uma galeria de figuras bíblicas, contribuindo para exaltar o valor espiritual desta peça singular. Embora não possuam as armas de Aragão, pensamos que estas peças poderão filiar-se na acção mecenática da Rainha Santa Isabel, figura ímpar da história portuguesa.
in museumachadocastro.pt


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terça-feira, 1 de julho de 2025

Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Jesus

Senhor, tende piedade de nós.   Kyrie, eleison. 
Jesus Cristo, tende piedade de nós.  Christe, eleison.    
Senhor, tende piedade de nós.    Kyrie, eleison. 
Jesus Cristo, ouvi-nos. Christe, audi nos. 
Jesus Cristo, atendei-nos. Christe, exaudi nos.
Pai dos Céus que sois Deus, tende piedade de nós. Pater de caelis, Deus, miserere nobis. 
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós. Fili, Redemptor mundi, Deus, miserere nobis. 
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós. Spiritus Sancte, Deus, miserere nobis. 
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós. Sancta Trinitas, unus Deus, miserere nobis. 
Sangue de Cristo, Unigénito do Pai Eterno, salvai-nos. Sanguis Christi, Unigeniti Patris aeterni, salva nos. 
Sangue de Cristo, Verbo de Deus Encarnado, salvai-nos. Sanguis Christi, Verbi Dei incarnati, salva nos. 
Sangue de Cristo, do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos. Sanguis Christi, Novi et Aeterni Testamenti, salva nos. 
Sangue de Cristo, a correr na agonia sobre a terra, salvai-nos. Sanguis Christi, in agonia decurrens in terram, salva nos. 
Sangue de Cristo, a verter na flagelação, salvai-nos. Sanguis Christi, in flagellatione profluens, salva nos. 
Sangue de Cristo, a emanar na coroação de espinhos, salvai-nos. Sanguis Christi, in coronatione spinarum emanans, salva nos. 
Sangue de Cristo, derramado na Cruz, salvai-nos. Sanguis Christi, in Cruce effusus, salva nos. 
Sangue de Cristo, preço da nossa Salvação, salvai-nos. Sanguis Christi, pretium nostrae salutis, salva nos. 
Sangue de Cristo, sem o qual não há remissão, salvai-nos. Sanguis Christi, sine quo non fit remissio, salva nos. 
Sangue de Cristo, bebida  Sanguis Christi, in Eucharistia 
e purificação das almas na Eucaristia, salvai-nos. potus et lavacrum animarum, salva nos. 
Sangue de Cristo, manancial de misericórdia, salvai-nos. Sanguis Christi, flumen misericordiae, salva nos. 
Sangue de Cristo, vencedor dos demónios, salvai-nos. Sanguis Christi, victor daemonum, salva nos. 
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos. Sanguis Christi, fortitudo martyrum, salva nos. 
Sangue de Cristo, força dos confessores, salvai-nos. Sanguis Christi, virtus confessorum, salva nos. 
Sangue de Cristo, fonte de virgindade, salvai-nos. Sanguis Christi, germinans virgines, salva nos. 
Sangue de Cristo, conforto dos que estão em perigo, salvai-nos. Sanguis Christi, robur periclitantium, salva nos. 
Sangue de Cristo, alívio dos que sofrem, salvai-nos. Sanguis Christi, levamen laborantium, salva nos. 
Sangue de Cristo, consolo das nossas lágrimas, salvai-nos. Sanguis Christi, in fletu solatium, salva nos. 
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos. Sanguis Christi, spes poenitentium, salva nos. 
Sangue de Cristo, consolação dos agonizantes, salvai-nos. Sanguis Christi, solamen morientium, salva nos. 
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos. Sanguis Christi, pax et dulcedo cordium, salva nos. 
Sangue de Cristo, penhor de vida eterna, salvai-nos. Sanguis Christi, pignus vitae aeternae, salva nos. 
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos. Sanguis Christi, animas liberans de lacu Purgatorii, salva nos. 
Sangue de Cristo, digníssimo de toda a honra e glória, salvai-nos. Sanguis Christi, omni gloria et honore dignissimus, salva nos. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Domine. 
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis, Domine. 
R.: Remiste-nos, Senhor, com o vosso Sangue. V. redimisti nos, Domine, in sanguine tuo. 
V.: E fizestes de nós um reino para o nosso Deus. R. Et fecisti nos Deo nostro regnum. 
Oremos: Oremus:
Deus Todo-Poderoso e Eterno,  Omnipotens sempiterne Deus, 
que constituístes o Vosso Filho Unigénito Filho Redentor do mundo, qui unigenitum Filium tuum mundi Redemptorem constituisti,
e quisestes ser aplacado com o seu Sangue,  ac eius sanguine placari voluisti,
concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação,  concede, quaesumus, salutis nostrae pretium ita venerari,
e de encontrar, na virtude que Ele contém,  atque a praesentis vitae malis eius virtute defendi in terris,
defesa contra os males da vida presente, ut fructu perpetuo laetemur in caelis.
de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu.  Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen. 
Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Ámen.


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