sábado, 18 de outubro de 2014

Cardeal Pell diz que a Igreja não pode ceder à "agenda secular"



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O que é Schoenstatt?


Um lugar

Schoenstatt localiza-se em Vallendar, uma cidade perto de Coblença, na Alemanha.

Em Outubro  de 1914, o Padre José Kentenich com um grupo de jovens seminaristas, selaram uma “Aliança de Amor” com a Mãe de Deus numa pequena capela que se tornou um novo lugar de peregrinação. Actualmente pessoas de todas as partes do mundo peregrinam a esse lugar.
No mundo existem mais de 200 réplicas deste primeiro santuário, o Santuário Original.

“A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus” (Papa Francisco em Aparecida, 24 de julho 2013)

Uma visão

O fundador do Movimento de Schoenstatt,  Padre José Kentenich (1885-1968), teve a visão de uma Igreja renovada onde as pessoas levassem fielmente a imagem de Cristo e sua missão.
A  fundação do Movimento de Schoenstatt  ocorreu no início da Primeira Guerra Mundial.
Em meio deste choque entre grandes forças, este acontecimento, a aliança que  o Pe. José Kentenich selou, foi oculta, aparentemente insignificante, um acontecimento privado, que nada poderia mudar a maneira como o mundo começava a se destruir. Mas justamente desta aliança cresceu algo vivo, … a Família de Jesus Cristo, além das fronteiras que os ameaçavam mutuamente, Família expandida por todo o mundo que tece uma rede de amor, uma rede do bem, através das fronteiras que hoje de novo nos separam. 

(Cardeal José Ratzinger / Bento XVI, 1985) 
Um Movimento

Schoenstatt é um novo movimento espiritual dentro da Igreja. É uma rede mundial com mais de 20 comunidades para homens, mulheres, famílias, jovens e sacerdotes que realizam diferentes tipos de trabalhos: desde iniciativas e projetos religiosos até educativos e sociais.

Uma espiritualidade

Schoenstatt é um novo caminho na imitação de Cristo. O seu objectivo hoje é viver a fé na Aliança com Maria, trabalhar para que haja uma civilização do amor em todos os aspectos da vida.
Schoenstatt significa carátcer, liberdade,  viver em Aliança, desfrutar Deus.
A  Aliança de Amor com Maria - esta palavra traz em si uma das palavras chaves da Sagrada Escritura: a palavra aliança, que contém toda a esperança do próprio cristianismo, que diz  que não estamos sozinhos  no mundo, com poderes e forças desconhecidos nas quais não podemos ver  nem podemos dominar, mas sim, que quem tem tudo em suas mãos, nos conhece e nos ama e possui um vínculo conosco... A  Aliança de Amor que vocês selam seguindo os passos  do Padre Kentenich, nada mais é do que a personificação dos grandes acontecimentos da aliança na história da salvação." 
(Cardeal José Ratzinger, 1985)
in schoenstatt2014.org

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Divórcio, casamento natural e matrimónio cristão - Pe. Gonçalo Portocarrero

Só uma Igreja divorciada de Cristo pode aceitar o divórcio matrimonial

Muito se tem falado e escrito recentemente sobre a possibilidade de os fiéis cristãos divorciados, que vivem maritalmente com uma pessoa a quem se uniram civilmente, acederem à comunhão eucarística. Ora, como a ninguém é lícito comungar vivendo em intimidade com quem não é o seu cônjuge, só será possível se se admitir, para efeitos pastorais, a dissolubilidade do matrimónio cristão.

O matrimónio cristão mais não é, na realidade, do que o casamento natural elevado à condição de sacramento, ou seja, de sinal eficaz da graça da salvação. Muito antes de Cristo e da Igreja, já havia aquela comunhão fecunda de vida e de amor a que, depois, foi dada transcendência sobrenatural. Adão e Eva não casaram pela Igreja, nem na sinagoga, nem no registo civil, mas eram marido e mulher porque o casamento, antes de ser um sacramento cristão, é uma instituição natural, tão antiga quanto a própria humanidade.

É a essa originária união exclusiva e irrevogável que Jesus Cristo se refere quando alude ao «princípio» (Mt 19, 4.8). Por estar essencialmente aberta à vida, essa união só pode ser estabelecida entre uma mulher e um varão e deve durar enquanto os dois cônjuges forem vivos. Estas exigências são propriedades naturais do casamento, que não decorrem, portanto, da sua elevação à ordem sacramental. Quer isto dizer que são universais e, portanto, aplicáveis a todos os seres humanos, quaisquer que sejam as suas convicções religiosas, políticas, sociais, etc.

As palavras de Cristo quanto à indissolubilidade matrimonial não permitem, a bem dizer, grandes inovações teológicas, ou pastorais. Para o Senhor, marido e mulher são sempre «um só» (Mt 19, 19, 5-6) e, por isso, «não separe o homem o que Deus uniu» (Mt 19, 6). Que «o homem» seja uma autoridade estatal ou eclesial, ou até ambos os cônjuges, pouco importa, na medida em que a proibição, salvo melhor opinião, a todos alcança.

Mas, não é legítimo, segundo o próprio Cristo, no caso de «união ilegal» (Mt 19, 9), o divórcio?! Se o Mestre tivesse permitido, neste caso singular, a dissolução do matrimónio, a Igreja decerto que a não poderia negar, sob pena de contradizer o seu divino fundador. É verdade que Jesus abriu uma excepção, no caso de infidelidade de uma das partes, não para dissolver o matrimónio, mas apenas para legitimar a separação dos cônjuges. Aliás, há dois mil anos, o repúdio era tolerado entre os judeus. Portanto, há situações de extrema gravidade em que a Igreja admite a separação de facto e de direito dos esposos que, diante de Deus, continuam a ser marido e mulher. Com efeito, segundo o texto bíblico, não é permitido à pessoa que repudia, nem à repudiada, mesmo que inocente, um novo casamento: qualquer uma, se «casar com outra, comete adultério» (Mt 19, 9).

Em pleno século XXI, não será excessiva esta exigência, quando tantos cristãos, não obstante o seu compromisso matrimonial, vivem maritalmente com quem não casaram pela Igreja? Sem negar os princípios doutrinais, não seria mais pastoral permitir a comunhão eucarística destes católicos?

Também há dois mil anos a moral matrimonial cristã parecia tão despropositada que alguns fiéis disseram: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!» (Mt 19, 10). Mas o misericordiosíssimo Cristo não a alterou, nem sequer quando, precisamente a propósito da comunhão eucarística, «muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele» (Jo 6, 66). Paulo entendia o casamento à luz da nova aliança do Salvador com o seu povo: só uma Igreja divorciada de Cristo poderia aceitar o divórcio matrimonial. Até para Pedro foi difícil, porque teve a dupla infelicidade de ficar viúvo e de ver Jesus curar-lhe a sogra …

Quaisquer que sejam as conclusões sinodais, todos os cristãos, com o Papa e na Igreja, devem confessar a sua fé em Cristo, pois só Ele tem «palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

in Voz da Verdade


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O Sínodo dos Bispos explicado

Passadas quase duas semanas e a dias do fim, ainda há muitos Católicos que não perceberam bem o impacto real do Sínodo na vida da Igreja e de todos os Cristãos.

Para explicar o que é o Sínodo dos Bispos podíamos começar por ir à raiz da palavra grega  e explicá-la. Outra hipótese seria fazer uma análise rápida do que são os sínodos Bispos ao longo da história da Igreja Católica e como se distinguem do que é hoje um sínodo dos Bispos.

No entanto, para simplificar ao máximo, vamos saltar essa introdução, que pode ser encontrada online noutros sites, como aqui:

Actualmente, o Sínodo dos Bispos é uma forma que o Papa tem de se aconselhar com os Bispos de todo o mundo sobre determinadas matérias relacionadas com a Fé e com a Moral e a relação da Fé e da Moral com os homens.

Os Bispos são convocados a Roma através das conferências episcopais, que são os grupos de Bispos de cada país. Quanto mais Bispos tiver essa conferência (ou esse país) mais Bispos virão. Por exemplo, um país que tenha 50 Bispos enviará 2 Bispos à Santa Sé. Além disso, são convocados alguns especialistas no tema que não pertençam ao episcopado e que às vezes até são leigos. Por exemplo, no sínodo deste ano foram convocados alguns casais para fazerem algumas apresentações no Sínodo.

Este esquema existe desde os anos 60 por vontade do Papa Paulo VI e ganhou um carácter regular, de modo que há um Sínodo de três em três ou de quatro em quatro anos. Chamamos a estes Sínodos Ordinários. Se forem de carácter mais restrito, passam a chamar-se  Sínodos Especiais, até podem ser anuais. A mesma diferença de anos acontece para os Sínodos que o Papa convoca com alguma urgência e que têm uma abrangência mundial, são os Sínodos Extraordinários (é o caso deste de 2014).

Os temas abordados têm sido muito variados e já houve sínodos sobre a família (sim, já houve um em 1980), um sobre a penitência e confissão, um sobre a Santa Missa, um sobre a Sagrada Escritura, outro sobre a vocação dos leigos no mundo e na igreja, outro sobre a formação dos sacerdotes, ...

Houve também sínodos dedicados à evangelização de cada continente, que naturalmente incluía mais Bispos desse continente. Eram dos Sínodos Especiais.

O último Sínodo Ordinário, em 2012, foi sobre a Nova Evangelização. O Sínodo aconteceu no último ano de pontificado do Papa Bento XVI mas os seus frutos foram colhidos já pelo Papa Francisco.

O que é que interessa realmente

Mas que frutos são esses? No início do Sínodo, os Bispos recebem um documento de trabalho chamado Instrumentum Laboris, constituído por muitas ideias (os lineamenta) e sugestões de resposta. No final do sínodo, que costuma demorar entre duas a três semanas, é produzido um documento com as conclusões a que os Bispos chegaram - as propositiones.

Chega a altura de perguntar: qual o efeito real das conclusões dos Bispos durante o Sínodo? Em teoria não é nenhum, porque o objectivo do Sínodo é apenas aconselhar o Papa, que só depois de analisar as conclusões dos Bispos tomará decisões para bem da Igreja e das almas e para maior glória de Deus. 

Com o documento na mão, o Papa costuma demorar dois anos a estudá-lo e só então é que publica as suas decisões. O tipo de documento que o Papa usa neste caso é a Exortação Apostólica. Só a Exortação Apostólica é que tem um carácter magisterial, isto é, só quando este documento é publicado é que a Igreja está a exercer na prática a sua função sobrenatural de ensinar o povo de Deus.

Por isso é que foi o Papa Francisco a colher os frutos do Sínodo de 2012, pois foi ele que publicou a exortação apostólica correspondente a esse sínodo: a famosa Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho).

Em 2005 houve um Sínodo sobre a Eucaristia, que deu origem à Sacramentum Caritatis do Papa Bento XVI. O Sínodo de 1990 sobre a formação dos sacerdotes deu a Pastores Dado Vobis de S. João Paulo II. Mais ainda, a exortação Familiares Consortio do mesmo Santo Papa é a conclusão do sínodo pela família de 1980.

As diferenças do Sínodo pela Família de 2014



O Sínodo que está a decorrer agora em Roma tem umas pequenas diferenças em relação aos sínodos anteriores.

No dia antes do Sínodo começar, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral dos Sínodos de Bispos, explicou as diferenças principais deste Sínodo pela Família dos outros anteriores.

Basicamente, a diferença é que o Sínodo foi dividido em dois, sendo que a primeira parte ocorre este ano e a próxima ocorre em 2015, um ano depois.

O Sínodo do próximo ano (Outubro de 2015) estava planeado - é um dos Sínodos Ordinários e vai ter o tema "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo."

O Sínodo deste ano (Outubro 2014) foi convocado pelo Papa para ajudar o Sínodo do próximo ano e é um Sínodo Extraordinário sobre "Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização."



Ainda não se sabe bem qual a relação entre estes dois sínodos (não foi explicado na conferência de imprensa do Cardeal Baldisseri no início do Sínodo), mas em princípio o Sínodo deste ano servirá apenas para orientar os trabalhos do próximo ano.

Só depois é que o Papa Francisco irá elaborar a sua exortação apostólica, que provavelmente só vai sair em 2016 ou 2017.

É isto que é importante lembrar - o que realmente interessa é o que o Papa vai escrever na exortação que vai sair daqui a dois ou três anos. Na verdade, o Papa pode definir coisas completamente opostas àquilo que os Bispos sugeriram, se bem que não será isso que vai acontecer, em princípio.

Ainda assim, vale a pena lembrar o que se passou em 1968. Os anos 60 foram anos em que se discutiu muito, entre Católicos, sobre se é moralmente correcto ou não utilizar métodos contraceptivos nas relações entre um casal. Podia-se ou não usar o preservativo, por exemplo?

O Papa Paulo VI convocou um conselho de especialistas para o ajudarem a decidir (a Pontifícia Comissão para o Controlo da Natalidade), cuja conclusão foi que sim, podia-se usar o preservativo.

Depois de passar uns dias recolhido em oração, fora de Roma, o Papa Paulo VI escreveu a famosa encíclica Humanae Vitae, onde definiu a doutrina da Igreja sobre o assunto - que é moralmente errado o uso da contracepção nas relações sexuais dos casais. Nessa encíclica o Papa explica porque é que é errado e o Papa S. João Paulo II também escreveu e falou muito sobre o assunto, confirmando a doutrina de Paulo VI, na famosa Teologia do Corpo.

É importante lembrar que o Papa Francisco decidiu elevar aos altares o Papa Paulo VI no último dia do Sínodo. Paulo VI será então beatificado daqui a uns dias, no Domingo dia 19 de Outubro.

"Ao defender a lei moral do casamento na sua integridade,
a Igreja sabe que está a contribuir para a criação de uma civilização verdadeiramente humana."
Humanæ Vitæ, 18.

Nuno CB


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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Olá, queres congelar os teus óvulos? Eu pago, não te preocupes!

A Apple e o Facebook ofereceram-se para pagar o congelamento de óvulos das suas funcionárias. São tão generosos, não são? Mesmo queridos, dar assim dinheiro às senhoras, apenas interessados no seu bem-estar.

Acho que estas duas empresas são fortes candidatas ao prémio Nobel da Paz, depois desta proposta tão altruísta.

Para uma mulher, nada como trabalhar como se não houvesse amanhã enquanto é nova, estoirar-se toda, a bem da empresa, e depois, quando já não for tão útil, pode ir ter filhos à vontade, os óvulos estão ali congeladinhos à espera.

Afinal de contas quem é que quer ser mãe quando pode ser avó? Ser avó é muito mais giro: só se diz coisas agradáveis às crianças, dá-se chocolates à vontade e salta-se aquela parte aborrecida de fazer cara de má, ter que dizer que não, e correr atrás dos cachopos.

Assim como assim sabe-se que os velhinhos são como as crianças, por isso podem aproveitar para passar juntos essa fase da vida, tão diferente mas tão igual. Até dizem que se comprarmos fraldas às dúzias é mais barato, isto é só vantagens!

A primeira metade da vida? Essa foi dedicada à carreira e à empresa, que bem precisa, coitadinha. A partir da meia-idade é que vai ser ter filhos à grande, vai ser à fartazana!

A Humanidade tem que agradecer à Apple e ao Facebook por provarem mais uma vez que tudo o que pode ser feito DEVE ser feito, a bem da conta bancária e da capitalização bolsista.

João Silveira


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Afinal por que não podem comungar os divorciados "recasados"?

Algumas considerações genéricas e rápidas sobre o assunto – que está na ordem do dia e sobre o que sempre me indagam – do Sínodo dos Bispos sobre a família e a propalada possibilidade de que seja liberada a comunhão eucarística para casais em segundas núpcias:

1. O Matrimónio sacramental é indissolúvel. Trata-se de ipsissima verba Christi: «Não separe, pois, o homem o que Deus uniu» (Mc 10, 9). Não existe nenhuma possibilidade de reforma ou flexibilização quanto a isso.

2. Sendo indissolúvel o Matrimónio, as ditas “segundas núpcias” – se celebradas durante a vida do primeiro cônjuge ao qual se está ligado por Matrimónio válido – são, na verdade, uma situação de facto que se sobrepõe ao vínculo original (que permanece, a despeito do que digam os notários de César), violando-o.

3. Havendo vínculo conjugal, qualquer consórcio sexual que não seja com o cônjuge ao qual se está vinculado – independente do quão prolongada seja a separação primeira ou a coabitação presente – é, por definição, adúltero.

4. Adultério é matéria grave, propriamente capaz portanto de propiciar a existência de pecado mortal e consequente perda do estado de graça.

5. Uma vez que o estado de graça seja perdido, o Sacramento ao qual se deve recorrer para o recuperar é o da Confissão.

6. A recepção da comunhão eucarística exige o estado de graça. Mais uma vez, não existe a mais mínima possibilidade de flexibilização ou reforma quanto a isso, a respeito do que S. Paulo dirige as seguintes duras palavras: «Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.» (ICor 11, 27-29).

7. A razão pela qual os casais ditos “em segunda união” não podem comungar é simplesmente porque vivem em situação de pecado mortal – geralmente público, continuado e impenitente.

8. Público, porque todo casamento é uma união pública, da qual as pessoas do convívio do casal têm em geral ciência; continuado, porque o segundo casamento, embora tenha se realizado uma única vez no passado, actualiza-se com a coabitação que é mantida; impenitente, porque não existe o animus de fazer cessar a união adúltera.

9. Se o adultério não fosse público, não seria possível falar em proibição eclesiástica (uma vez que ninguém ia saber do pecado e, portanto, não haveria como fazer distinção à Mesa Eucarística) e, por conseguinte, não é sobre isto que se discute. O pecado oculto impede igualmente os pecadores de comungarem, se não no foro externo, indiscutivelmente no interno.

10. Se o adultério não fosse continuado, a comunhão eucarística seria (e aliás sempre foi) absolutamente permitida: cessado o consórcio carnal adúltero, cessaria a matéria do pecado do adultério, o qual se tornaria passível de confissão e absolvição sacramental – sendo assim restaurado o estado de graça e a consequente admissão ao Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo.

11. Se o adultério não fosse impenitente, dirigir-se-ia à descontinuidade (e, assim, recair-se-ia, cedo ou tarde, no ponto anterior). Por sua vez, não é crível que uma pessoa esteja ao mesmo tempo sinceramente arrependida de algo e deliberadamente empenhada em continuá-lo.

12. O problema dos ditos “casais em segunda união” não se resume, assim, a “não poderem comungar”. Estarem privados da comunhão eucarística não é uma pena imposta pelas segundas núpcias passadas, mas uma consequência da situação de pecado na qual eles presentemente vivem. A questão não é, portanto, estes casais comungarem ou deixarem de comungar; a questão é recuperarem o estado de graça do qual têm absoluta necessidade não apenas para comungar, mas também e principalmente para serem salvos.

13. Reduzir o problema dos casais “em segunda união” à proibição de comungarem é falseá-lo, uma vez que pode passar a falsa – falsíssima! – impressão de que estes casais, se cumprirem a “pena” que lhes é imposta (= absterem-se da Eucaristia), estarão já “quites” com a religião católica, sendo filhos obedientes da Igreja e fazendo o que lhes é exigido para serem bons cristãos. Ora, é-lhes negada a Eucaristia como um apelo para que eles abandonem o adultério, e não como um meio para que possam legitimamente viver as núpcias adúlteras!

14. À luz de tudo isso, por fim, carece de qualquer sentido perguntar se a Igreja vai “mudar” a “disciplina” de negar a comunhão eucarística aos casais em segunda união. É evidente que o problema não é esse. Tal pode até ser a preocupação imediata de quem desconhece os rudimentos da Doutrina Católica; para quem tem a missão de salvar as almas, contudo, o problema está posto com todos os seus contornos e desdobramentos. Aquela pergunta não tem lógica absolutamente nenhuma. Ter isso em mente é fundamental para que se possa enfrentar devidamente essa «vera piaga» (Sacramentum Caritatis, 29) dos nossos dias.

in Deus lo Vult


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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"Relatório intermédio" publicado antes de ser conhecido pelos padres sinodais


O cardeal Wilfrid Fox Napier revelou hoje [14.Out.2014] em conferência de imprensa no Vaticano que era impossível os participantes no Sínodo terem “concordado” com um texto (o "relatório intercalar") que os jornalistas receberam antes deles, sustentando que o documento não reflete “a visão do Sínodo como um corpo” nem é um trabalho “acabado”.


"Uma das razões pelas quais houve tanto desconforto entre os padres sinodais é que estamos agora a trabalhar 
desde uma posição que é virtualmente irremediável: a mensagem saiu,  isto [relatório intermédio] é o que o Sínodo está a dizer, isto é que a Igreja está a dizer. 

E o é isso que o Sínodo tem dito, de todo", declarou.

(imagens da conferência de imprensa aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Qub7H5Z3Bzo
Especialmente do minuto 18:00 a 20:00 e do minuto 36:00 a 38:00)

Em todo o caso, o Pe. Lombardi explicou que nos sínodos anteriores também a respectiva "relatio post disceptationem" foi publicada antes de dar conhecimento aos padres sinodais, seguindo os procedimentos regulamentares. (Explicação dada aos 45:00 do video)


POSTERIORMENTE a Sala de Imprensa emitiu o seguinte comunicado:



Declaração do Director da Sala de Imprensa da Santa Sé em nome da Secretaria Geral do Sínodo

A Secretaria Geral do Sínodo, após as reacções e discussões geradas pela publicação da Relatio post disceptationeme ao facto de que se lhe tenha dado um valor que o corresponde à sua natureza, reafirma que o referido texto é um documento de trabalho, que resume as intervenções e o debate da primeira semana, e que agora será posto à discussão dos membros do Sínodo reunidos nos Círculos menores, conforme previsto no mesmo regulamento do Sínodo.


O trabalho dos Círculos menores será apresentado à Assembleia na Congregação geral da manhã da próxima quinta-feira, 16 de Outubro.

in Agência Ecclesia e Rádio Renascença


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terça-feira, 14 de outubro de 2014

O que está a acontecer no Sínodo? - Cardeal Burke

Cardeal Raymond Burke
Prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica

Que está a realmente a acontecer?

Muitos defenderam perigosas aberturas sobre a questão da comunhão concedida aos divorciados que voltam a casar.

Não vejo como conciliar o conceito inaterável da indissolubilidade do matrimónio com a possibilidade de admitir à comunhão quem vive
numa situação irregular.

Por esta via está a pôr-se directamente em causa o que disse o Senhor quando ensinou que quem se divorcia da sua mulher e se casa com outra comete adultério.

Para alguns, esse ensinamento tornou-se demasiado duro.

Esquecem que o Senhor garante a ajuda da graça aos que são chamados a viver o matrimónio.

Isto não significa que não haja dificuldades e sofrimentos, mas que acabará sempre por haver uma ajuda divina
para os enfrentar e ser fiéis até ao fim.

(…)

Parece-me que alguma coisa não funciona bem quando a informação dá realce apenas a uma tese, em vez de referir fielmente as diversas posições expostas.

Isto preocupa-me porque um número consistente de bispos não aceita as ideias de abertura, mas poucas pessoas sabem isso. 

Fala-se só da necessidade se abrir às exigências do mundo, na linha do que disse em fevereiro o cardeal Kasper.

Na verdade, a tese do cardeal Kasper não é nova, já foi discutida há 30 anos. 
Desde fevereiro passado reconquistou força e voluntariamente deixou-se que crescesse.

Mas tudo isto causa graves danos à fé.
Bispos e sacerdotes dizem-me que agora muitos divorciados que voltaram a casar pedem para receber a comunhão alegando que é assim que o Papa Francisco quer.

Na realidade, verifico que, no entanto, até agora o Papa não se manifestou sobre a questão.

Mas parece evidente que o cardeal Kasper e os que estão alinhados com ele 
falam com o apoio do Papa.

Isso sim. O Papa nomeou o cardeal Kasper para o Sínodo e deixou que o debate continuasse sobre esse caminho. 

Mas o Papa ainda não se manifestou. 

Eu espero um pronunciamento da sua parte, que só poderá estar em continuidade com o ensinamento que a Igreja deu durante toda a sua história.

Um ensinamento que nunca mudou porque não pode mudar.

in infocatolica.org via É o Carteiro!


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Tenham cuidado com as notícias sobre o futuro do Sínodo

por Fr. Z
Temos que ter cuidado com o "Sínodo dos Media".
Existe o Sínodo dos Bispos que acontece e depois existe a forma como alguns media e também Católicos (especialmente católicos) deformam o Sínodo.
Agora que os Bispos se preparam para se separar em pequenos grupos, saiu um relatório da situação chamado Relatio post disceptationem  (A palavra latina disceptatio significa "uma disputa, discussão, debate").
Relatio p. d. tem estado a ter descrições diversas. Os liberais estão a passar por bocados de momentos de excitamento, o que normalmente não abona bem a favor da verdade.
Nicole Winfield da Associated Press tem este artigo sobre o recém saído relatório de meio termo, depois da primeira semana em que todos falaram na assembleia do Sínodo.
Reparem o tipo de linguagem deste artigo. Nota bene, isto é escrito para uma audiência pouco informada, mas a languagem é bastante enganadora.
Os Bispos [quais?] tiveram claramente em conta as opiniões do Papa Francisco, [claro que sim - ele é o Papa] cujo comentário sobre os gays "Quem sou eu para julgar?" assinalou um novo tom de boas vindas da parte da Igreja. [Será que há uma ligação clara entre o que os Bispos consideraram e o que Francisco disse no avião? Nem por isso.] O relatório dos Bispos também reflectiu as opiniões dos Católicos normais que, em resposta aos questionário do Vaticano nos meses antes do Sínodo, rejeitaram o ensinamento da Igreja sobre controlo de natalidade e a homossexualidade como uma coisa desactualizada e irrelevante. [Rejeitaram..., certo?]
Os Bispos [quais?] disseram que os gays têm "dons e qualidades" para oferecer e perguntaram retoricamente se a Igreja estava pronta para lhes oferecer um lugar acolhedor, "aceitando e valorizando a sua orientação sexual sem comprometer a doutrina Católica sobre a família e o matrimónio.”
Talvez alguns Bispos defendam isto. Outros não. Mas aqui temos uns "Bispos" vagos que implicam maior unanimidade do que há.
Cuidado quando lerem notícias sobre o Sínodo.
Por exemplo, se o Sínodo tem uma conclusão sobre os "dons e qualidades" dos homossexuais, lembrem-se que os homossexuais NÃO têm "dons e qualidades" para a Igreja só porque são homossexuais.
É claro que os homossexuais têm "dons e talentos"! Mas têm-nos como seres humanos, não como homossexuais. Não devíamos torná-los num subconjunto que pode depois fazê-los exigir direitos como homossexuais. Eles não são melhores ou piores que qualquer outro ser humano e cada um deles tem a obrigação de respeitar a natureza e a Lei de Deus.
Os homossexuais não são especiais.
Os Católicos não são contra o facto de os homossexuais participarem na vida da Igreja. Somos é contra a sugestão de que os actos homossexuais são normais, aceitáveis, bons, próprios, ... escolham vocês. Não são. São objectivamente pecaminosos e gravemente desordenados. As pessoas com inclinações para isso são obrigadas a lutar contra elas tal como qualquer outra pessoa na terra é obrigada a lutar contra as suas inclinações naturais, a lutar e a resistir contra o mundo, a carne e o demónio.
A reportagem da Radio Vaticana é um bocado mais cuidadosa, distinguindo entre os "Padres Sinodais" e o "relatório." Mas não muito.
Dito isto, estou feliz com o que temos estado a ouvir do Sínodo? Não. Mas mais uma vez, dificilmente estamos a ter noção do que se está a passar. A espectacular má decisão para fechar a informação que vinha ao público só aumentou a confusão pré-Sinodal.

in wdtprs.com/blog


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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sínodo: Casal defende métodos naturais de planeamento familiar

Olivier e Xristilla Roussy: Responsáveis internacionais do “Amor e Verdade”, ramo apostólico da Comunidade Emanuel ao serviço da Família e da Vida.
Quinta-Feira, 9 de Outubro 2014, a pedido da Secretaria do Sínodo da Família, a intervenção de Olivier e Xristilla Roussy deu início à tarde de trabalho dos padres sinodais. Foi-lhes pedido um depoimento sobre a abertura à vida e a responsabilidade educativa. Um desafio, uma vez que a intervenção devia durar menos de 4 minutos!


Santo Padre, 


Queridos Padres sinodais,

Vamos festejar os nossos 20 anos de casamento e os 19 anos do mais velho dos nossos sete filhos. 

Eu cresci numa família cujos pais se divorciaram. Eu tenho um irmão. Olivier cresceu numa família numerosa.

Nós sempre tivemos o desejo de ter uma família grande. Os nossos primeiros filhos nasceram e a nossa família pouco a pouco foi tomando forma com vitalidade. A chegada dos nossos filhos descentrou-nos de nós próprios. Ajudou-nos a superar as nossas limitações humanas, o barulho, o cansaço, o desconforto. Não se conhecem todas essas dificuldades antes de as viver. Perguntamo-nos a nós próprios se seremos capazes de suportá-las quando elas surgem. Mas com o tempo e a oração, são sacrifícios que nos dão uma alegria profunda. 

Durante o noivado, escolhemos receber formação sobre a regulação natural da fertilidade. Após a chegada do terceiro filho, eu estava exausta. Nós já não eramos capazes de viver pacificamente na nossa intimidade. Decidimos então que eu tomaria uma pílula contraceptiva por alguns meses. Esta escolha pela contracepção, em vez de nos dar calma, teve o efeito oposto. Nós vivemos muito mal esse tempo. Eu estava muitas vezes de mau humor, o desejo deixou de existir e a alegria desapareceu. Nós tínhamos a impressão de termos deixado de ser nós mesmos. Deixamos de estar unidos. Percebemos que tínhamos fechado uma porta ao Senhor na nossa vida de casados​​. 

Então, decidimos retomar a regulação natural da fertilidade. Este é, aparentemente, um caminho mais difícil, que nos convida à abstinência durante os períodos férteis, momentos em que existe um desejo ainda mais forte de união. Muitas vezes, é difícil de aceitar e escolher este caminho. Mas nós vivemo-lo a dois. É uma aventura comum que nos leva a querer a felicidade do outro. Muito mais do que um método, este estilo de vida permite-nos, dia a dia, acolher-nos um ao outro, comunicar, conhecermo-nos, esperar um pelo outro, ter confiança, ser delicado. Nós escolhemos este caminho, não nos submetemos a ele e estamos profundamente felizes, apesar do esforço que implica. 

Nós experimentámos que estes métodos são fiáveis, mesmo que nos façam testemunhar que ao não conter o desejo uma criança nasceu nove meses depois. O acolhimento desta nova vida teria sido impossível com a contracepção. No entanto, esta nova criança é uma verdadeira alegria. 

Nós estamos muito contentes que Deus esteja no centro da nossa vida, incluindo a intimidade conjugal. Nós decidimos vivê-la debaixo do Seu olhar. 

Nós consagrámos a nossa família ao Sagrado Coração de Jesus, manso e humilde. Parecia-nos que Deus girava em torno da nossa vida, mas na verdade eramos nós que todos os dias aprendíamos a girar em torno Dele. Isto irradia a nossa vida de casados​​, fazendo-nos mais confiantes em relação ao futuro, mais livres e mais atentos aos outros. Nós sentimos que este estilo de vida influencia também a nossa responsabilidade educativa e reflete-se no ambiente familiar.

Na nossa missão como pais, nós queremos acima de tudo despertar os nossos filhos para a santidade. Como todos nós, eles enfrentam as muitas tentações do mundo e humildemente, tentamos fazê-los crescer na liberdade e na generosidade, a aprender a discernir, a decidir e a esforçar-se. Nós procuramos ajudá-los a construir o seu projecto de vida sob o olhar de Deus.

Todas as noites nós rezamos em família ao Coração de Jesus: "Coração de Jesus, nós temos confiança em Ti e te amamos." Embora às vezes haja um pouco de confusão, nós notamos que esta oração mergulha pouco a pouco a casa na ternura do Pai.

Nós sempre quisemos transmitir aos nossos filhos o amor da Igreja para que eles tenham confiança nela. Sacerdotes e leigos consagrados, da nossa comunidade ou de outras, visitam-nos e partilham connosco o tempo de férias, as refeições e a oração em família. 

A nossa alegria, na semana passada, foi ouvir a nossa pequena Théophane, com 4 anos, para quem estava a ser muito difícil deixar-nos partir por tanto tempo, dizer com um grande sorriso ao pai do seu colega de escola: "O meu pai e a minha mãe vão ver o meu Papa".

Talvez sejam ainda poucas as famílias que fizeram a descoberta da ternura de Cristo. Mas não nos preocupemos; as famílias cristãs podem testemunhar que o encontro do amor e da verdade pode mudar tudo. Continuemos a apoiar-nos mutuamente, sacerdotes e leigos, com coragem e caridade, propondo-nos caminhar em direção a Cristo, diariamente, cada um à sua velocidade, para testemunhar este encontro. Nós seremos uma inspiração e o mundo arderá no fogo do Espírito Santo!

Muito obrigado.


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Santa Missa na Basílica de S. Pedro


in orbiscatholicussecundus.blogspot.com

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domingo, 12 de outubro de 2014

O Sínodo e o Papa

Várias coisas interessantes aconteceram neste Sínodo dos bispos, que começou em Roma no dia 5 de Outubro, para analisar com o Papa a evangelização das famílias.

A mais previsível foi que muitos meios de comunicação olharam a Igreja com simpatia, mas sem a compreenderem. Lê-se que a Igreja «tem de ouvir os homens», enquanto o Papa punha o acento em «ouvir Deus».

Os caminhos de Deus são sempre caminhos de felicidade, mas pode surgir uma perturbação quando os homens desconfiam que seja mesmo assim e se assustam porque a voz de Deus lhes parece incómoda. No Evangelho, isso aconteceu a Jesus, com uma debandada tão geral que Ele perguntou aos 12 discípulos «também quereis ir embora?». Pedro respondeu por todos: «A quem iremos?...». E os 12 ficaram.

Também neste Sínodo paira a ameaça de que a voz de Deus não coincida com as expectativas dos homens e por isso o Papa Francisco começou por lembrar que o Sínodo não é uma reunião de condóminos (a imagem é minha). Não: «o Sínodo decorre sempre “cum Petro et sub Petro” [juntamente com Pedro e sob a autoridade de Pedro] e a presença do Papa é garantia para todos».

O exemplo mais recente de rejeição generalizada do magistério da Igreja ocorreu em 1968, quando o Papa Paulo VI publicou a Encíclica «Humanae Vitae», reafirmando que o aborto e a contracepção são pecados. Grande parte da opinião pública tinha-se convencido de que a Igreja ia mudar e por isso a «Humanae Vitae» caiu como uma bomba. Os jornais diziam que toda a Igreja sabia o que queria, excepto o Papa que, em vez de ouvir o povo, seguia outra fonte.

Desta vez, para evitar mal-entendidos, o Papa Francisco e os bispos reunidos com ele em Roma sublinharam que a doutrina da Igreja não ia mudar, absolutamente em nada. Poucos jornais transcreveram esta parte, porque acharam a declaração irrelevante: se toda a gente sabe que a doutrina vai mudar, que importa que o Papa diga o contrário? O Papa Francisco, que não partilha essa opinião, decidiu que a cerimónia de encerramento desta etapa do Sínodo ia ser a solene beatificação do Papa Paulo VI, o tal Papa rejeitado pela opinião pública.

Por um acaso – ou porque Deus assim o quis –, o Evangelho da Missa de hoje, o Domingo exactamente a meio do Sínodo, é a parábola do grande casamento, das bodas do Filho de Deus. Há um banquete de um requinte insuperável, mas a história corre mal: os convidados não querem ir e são castigados; a seguir, o noivo convoca outros convidados, apanhados de surpresa, quase à força, e no final descobre que um deles não tem o traje próprio e manda aos seus servos: «Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes».

Esta desgraça quase completa é uma forma viva, de um dramatismo surpreendente, de Jesus transmitir ensinamentos de extrema importância. Primeiro, que Deus apostou tudo num projecto fantástico de felicidade, simbolizado no convite para um grande banquete, para todos os homens. Em segundo lugar, que os homens não estão muito entusiasmados com a proposta de Deus, que acham algumas vezes demasiado difícil, ou menos atractiva que outras formas de viver. Resumindo, o problema é que, segundo Jesus, Deus é muito exigente, mesmo que nos aponte o caminho verdadeiro da felicidade.

Não é pequena tarefa para o Sínodo, explicar aos homens os méritos do plano de Deus para o casamento. Os jornais dizem que a opinião pública não está disponível para se deixar convencer, mas o Papa Francisco diz que a Igreja tem é de evangelizar mais e melhor. Ou seja, convocou este Sínodo sobre «Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização» e já marcou outro, para o ano, sobre o mesmo tema.


José Maria C.S. André in «Correio dos Açores», 12-X-2014


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sábado, 11 de outubro de 2014

Alguns episódios de S. João XXIII, Papa

· Quando o primeiro Homem foi ao espaço, os jornais publicaram a notícia com grande impacto e títulos sensacionalistas espectaculares. O Papa João XXIII limitou-se a comentar o facto com os seus íntimos movendo lentamente a cabeça enquanto exclamava várias vezes: - “Há tanto que fazer na terra, há tanto que fazer!”

· Um Bispo francês contava que, no final da primeira sessão do concílio, um dia falou com João XXIII sobre o discurso de abertura, e o Papa dizia-lhe: “A verdade é que no discurso de abertura que dirigi aos Bispos ao começar o concílio, não tinha visto tantas coisas como depois, estudando-o, os Bispos encontraram. No entanto, agora, quando o releio, também eu as encontro... Vê-se que o Espírito Santo é mais esperto do que todos nós”.

· Regressava um dia ao Vaticano com o seu secretário depois de ter visitado um asilo de idosos e de lhes ter oferecido alguns presentes. Ao passar diante de uma casa, o secretário, indicando-a, disse-lhe: “Santidade, nesta casa vive o professor Lolli, redator do L'Osservatore Romano. Tem a mulher muito doente. Não poderia enviar-lhe uma bênção?”
O Papa respondeu-lhe: “É difícil mandar uma bênção pelo ar, dom Loris. Não é melhor levar-lha pessoalmente?”
E sem avisar, como tantas vezes fazia, estava a bater à porta do redator do jornal para lhe dar a bênção em pessoa...

· No início do seu pontificado, João XXIII teve que posar para os fotógrafos, para que estes fizessem as fotografias oficiais do novo Papa. Numa ocasião, imediatamente depois de posar diante das câmaras, recebeu em audiência a monsenhor Fulton Sheen, que era um Bispo muito conhecido nos Estados Unidos porque pregava na televisão. Ao cumprimentá-lo, João XXIII manifestou-lhe com toda a simplicidade: "Olhe, Deus nosso Senhor sabia muito bem desde há setenta e sete anos que eu havia de ser Papa. Não podia ter-me feito mais fotogénico?"

· Contam que na sua primeira noite como Pontífice pediu ao Cardeal Nasalli que ficasse para jantar com ele. Mas o purpurado disse-lhe que era costume que os Papas comessem sozinhos, ao que o recém-eleito respondeu: "Mesmo sendo Papa não me vão deixar fazer o que eu queira!". O cardeal, acedendo à petição perguntou: "Santidade, posso trazer champanhe?". João XXIII respondeu: "Sim, por favor, mas não me chame Santidade, porque cada vez que o faz parece-me que está a brincar comigo!"

in opusdei.pt


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Bispo africano pergunta: Se um "recasado" pode comungar porque não um polígamo?

O Cardeal Wilfrid Napier, arcebispo de Durban (África do Sul), que se encontra no Sínodos dos bispos sobre a Família, falou da difícil situação dos “recasados”:


«Jesus não disse “Eu quero carregar a cruz mais fácil”. Ele carregou a que apareceu. E penso que em muitos casos os casais que se encontram em situações impossíveis – casais “recasados” – sejam chamados a fazer isso, a carregar a cruz juntamente com Cristo.»



Em relação à discutida distribuição da Comunhão aos “recasados”, o Prelado, sabendo que uma das lutas da Igreja em África é contra a poligamia, pergunta:

«Para nós em África acho que a situação será…repare, se (podem comungar) as pessoas na Europa que se “recasaram”, e portanto vivem em poligamia sucessiva,  porque é que um polígamo (em África) não pode ter as mesmas vantagens?»

Fica a pergunta no ar.


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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Provas da existência de Deus: O Argumento Cosmológico



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Pai de menina com Síndrome de Down responde a Dawkins

"Aborte isso e tente de novo. Seria imoral trazer isso ao mundo podendo escolher"

Assim tuitou o mais famoso cientista ateu do mundo, Richard Dawkins, aconselhando sobre o que fazer com bebés com Síndrome de Down.

Para um cientista, parece não saber muito sobre bebés. Existem duas “hipóteses”: ele ou ela. Não existe “isso”, como ele escreveu na rede social.

Dawkins postou a insensível declaração ao responder a outro tuíte, em que uma mulher tinha afirmado que enfrentaria um verdadeiro dilema ético se estivesse grávida de uma criança com Síndrome de Down.

É claro que Dawkins não está sozinho nessas crenças. Virginia Ironsides, escritora britânica, chocou o público do canal BBC ao dizer: "Se um bebé vai nascer com uma deficiência grave ou é totalmente indesejado, o aborto é, evidentemente, o acto de uma mãe amorosa". Ela não parou por aí: "Se eu fosse a mãe de uma criança que estivesse sofrendo profundamente, eu seria a primeira a querer colocar uma almofada em cima do rosto dela. Se ela fosse uma criança que eu realmente amasse, que estivesse em agonia, eu acho que qualquer boa mãe faria isso".

A melhor resposta para este “conselho” veio de uma fonte inusitada: de um cientista e fã dos livros do próprio Dawkins. Este leitor confessou que teria concordado com o conselho de “abortar isso”, caso o tivesse lido 18 meses antes. Ele explica:

"Eu entendo de forma implícita o ponto de vista do Professor. O que ele diz continua a fazer todo o sentido lógico para mim. A conclusão dele é natural quando se aborda o dilema a partir de uma perspectiva lógica, usando-se as informações disponíveis, com uma mentalidade objectiva e (fundamentalmente) com um ponto de vista não religioso. Há 18 meses, eu teria até concordado.

Mas a chegada da minha filha, que nos surpreendeu por ter precisamente essa condição [da Síndrome de Down], fez brilhar uma luz sobre o abismo da nossa ignorância, sem falar do preconceito incorrecto que subjaz a esta opinião. Ao reler a opinião do Professor, eu fico horrorizado, agora, ao pensar no que eu mesmo poderia ter feito se a doença [da minha filha] tivesse sido diagnosticada durante a gravidez [da minha mulher].

Eu sei o quanto as nossas vidas são mais cheias, agora que os nossos olhos estão abertos. Mais do que isso: eu fico espantado ao ver que tudo continua sendo absolutamente normal, tanto para nós quanto para as outras famílias que conheci.

Sem saber, o nosso bebé já nos ensinou as lições mais incríveis da nossa vida até aqui. E nós não mudaríamos literalmente nada na nossa filha, nem sequer no seu perfil genético. O que mudou completamente foram as minhas ideias sobre o que é o sucesso na vida e sobre o que desejava para todas as nossas crianças. Já cheguei a esta conclusão: o que importa, no fim das contas, é a felicidade e a alegria, e eu sei que a Rosie vai ter isso em abundância.

Graças a ela, acredito que teremos mais condições de incentivar o sucesso da irmã dela e do irmãozinho que ela vai ter, agora que estamos livres daquela ideia de que o sucesso na vida depende da realização académica, da carreira e do dinheiro. Muitas dessas coisas podem levar uma pessoa ao fracasso total, mesmo que os seus pais comemorem o ‘trabalho bem feito’".

James McCallum, o pai iluminado e orgulhoso de Rosie, questiona então o cerne da proposta eugenista de Dawkins para “solucionar” a existência de crianças deficientes:

"Deveríamos eliminar os seres humanos que não se encaixam na ideia de perfeição do Professor, simplesmente porque podemos eliminá-los? Se alguém não conseguir o bebé perfeito, tente, tente e tente de novo? Eu quero saber quem é que vai dar a última palavra sobre o que seria o bebé perfeito.

Ironicamente, Dawkins quer começar a agir como o Ser que eles mais comumente descarta: Deus.

Propor a superioridade genética como o único modo de selecção só vai mostrar a amplitude monstruosa do mal-entendido que sustenta a opinião do Professor. Ele ignora a vida deliciosa, feliz, alegre e fecunda que as pessoas com Síndrome de Down têm e ignora os benefícios de aceitação que elas trazem para todos os que vivem ao seu lado".

O mundo é um lugar muito melhor graças à bondade e à alegria que as pessoas com Síndrome de Down trazem ao resto de nós.

O professor Dawkins pode não perceber o valor delas agora, mas perceberá quando se encontrar com o seu desprezado e não reconhecido Criador. Até lá, ele precisa das nossas sinceras orações por misericórdia.

adaptado de Aleteia


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