sábado, 22 de outubro de 2016

Papa João Paulo II: Não atrasem o Baptismo das crianças!

O
Papa João Paulo II exortou os pais cristãos em 1980 para não atrasarem o baptismo dos seus novos filhos. O Santo Padre disse que as crianças deviam ser baptizadas imediatamente se parecem estar em perigo de morte. Caso contrário, as crianças deviam ser baptizadas "dentro das primeiras semanas depois do nascimento." Aqui está a citação completa:
Da mesma forma, se a criança está em perigo de morte, deve ser baptizada sem atrasos. Caso contrário, como regra, uma criança devia ser baptizada durante as primeiras semanas depois do nascimento (Papa João Paulo II, Instrução sobre o Santo Baptismo, 20 de Outubro de 1980).
Mais ainda, o actual "Rito para Baptizar Crianças" diz que o baptismo de crianças devia ocorrer dentro das "primeiras semanas" depois do nascimento (Praenotanda, no. 8, par. 1, p. 17).

Vale a pena referir que o Papa emérito, Sua Santidade o Papa Bento XVI, foi baptizado exactamente no mesmo dia do seu nascimento! Sem um único dia de atraso.

O Papa Eugénio IV (reinante nos anos 1431-1447) ensinou que as crianças deviam ser baptizadas dentro dos primeiros "quarenta dias" depois do nascimento. A urgência do baptismo de crianças é reforçada no Catecismo do Concílio de Trento que ensina o mesmo:
Os fiéis são sinceramente encorajados a preocuparem-se para que os seus filhos sejam trazidos à igreja, logo que seja possível fazê-lo com segurança, para receber o Baptismo solene. Visto que as crianças recém-nascidas não têm outro meio de salvação a não ser o Baptismo, facilmente se percebe o quão gravemente pecam as pessoas que permitem os bébés permanecer sem a graça do Sacramento mais tempo do que necessário, particularmente numa idade tão delicada como essa em que se é exposto a inúmeros perigos de morte.

Taylor Marshall



blogger

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A participação na Missa

A participação externa pode realizar-se de diversos modos. Está certa quando usamos o missal e desse modo nos unimos às orações da Igreja e aos seus sentimentos; quando tomamos parte nas Missas da comunidade ou missas dialogadas, cantadas, etc...

Mas estas formas de participação externa nunca são essenciais: o essencial consiste fundamentalmente em assistirmos à Missa com intenção recta de nos oferecermos e de nos imolarmos com Cristo: é este o modo mais perfeito de participar na celebração da santa missa.

Benedikt Baur in 'A Vida Espiritual'


blogger

Os 10 mandamentos do advogado católico

1.  Ir à missa aos Domingos. 

2. Rezar todos os dias pelo menos um Pai-Nosso e uma Avé-Maria, pedindo a intercessão de Santo Ivo (padroeiro dos advogados).

3. Rezar pelo menos uma Avé-Maria ou uma Salve-Rainha (“advogada nossa”) imediatamente antes de uma audiência, requerendo a intercessão de santo Ivo (se os presentes forem todos católicos, após consulta ao juiz e aquiescência da parte contrária, nada obsta a oração conjunta na própria sala de audiência).

4. Auxiliar os pobres, preferidos de Jesus (Lc 4, 18), patrocinando-lhes as contendas gratuitamente, na medida do possível.

5. Nao se poupar a esforços em prol da conciliação entre o cliente e a outra parte no processo.

6. Não se esquivar a atender as demandas criminais (“Estive na prisão e fostes ter comigo” – Mt 25, 36).

7. Inscrever-se numa associação de advogados ou de juristas católicos.

8. Nunca deixar de ser um estudante de Direito, formando-se dia a dia.

9. Responder com generosidade às consultas jurídicas do seu bispo ou do seu pároco.

10. Ser humilde no falar e, principalmente no escrever, a fim de que as pessoas simples consigam compreender as petições, contestações, os apelos e os pareceres.

Edson Sampel in Zenit


blogger

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro

A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) é uma sociedade de vida apostólica de direito pontifício, fundada pelo Papa João Paulo II no dia 18 de Outubro de 1988, há 28 anos atrás.

Os sacerdotes celebram exclusivamente o Rito Antigo e os sacramentos são administrados como o eram, para todo o Rito Latino, antes da reforma litúrgica do Papa Paulo VI. 

A FSSP começou com 12 sacerdotes e alguns seminaristas, e hoje em dia conta com 262 sacerdotes, 14 diáconos e 145 seminaristas. Conta com 2 seminários, um na Alemanha e outro nos Estados Unidos. A média de idades dos seus membros é de apenas 37 anos. 




blogger

Cardeal Sarah muda o paradigma com o livro 'Dieu ou rien'

"Eles não nos têm de dizer o que temos que fazer." Foram estas as palavras usadas pela teólogo Alemão, o Cardeal Walter Kasper, para descrever o que pensava sobre as contribuições africanas durante o Sínodo de 2014 para Família, quando Bispos Católicos e leigos se juntavam para discutir os desafios que a família enfrenta no mundo moderno.

Foi difícil não relembrar esta frase quando recentemente lia este livro [1]. Isto porque neste best-seller de 424 páginas, 'Dieu ou Rien' [Deus ou Nada] (Fayard, 2015), o Cardeal Robert Sarah, o novo Prefeito da Congregação para o Culto Divino, ilustra em conversa com o jornalista francês Nicolas Diat (o autor de um surpreendente e recente livro sobre o pontificado de Bento XVI) precisamente porque é que a Igreja universal devia ouvir mais os Católicos que vêm de culturas onde a fé está a florescer e ouvir muito menos os que estão preocupados com os problemas das Igrejas particulares do Ocidente: igrejas que são fabulosamente ricas em termos materiais mas espiritualmente moribundas, de acordo com qualquer padrão.

O título do livro sublinha
o tema central de Sarah: as sociedades que perdem um sentido de Deus - e não é qualquer deus, mas o Deus que é simultaneamente Caritas, Logos, Misericordia e Veritas - e escolhem o nada não conseguem evitar a experiência de um declínio profundo. Este tema da morte de Deus/morte do homem dificilmente é novo. Está implícito na discussão de Platão sobre as três versões do ateísmo e foi anunciado séculos mais tarde por Nietzsche. No entanto, o que torna a contribuição de Sarah diferente é a sofisticação com que ele desenvolve o seu argumento. Estamos diante de um homem que está igualmente familiarizado com discutir os pontos mais finos sobre religiões animistas [2] ou ao explicar as dimensões mais obscuras do caso Galileu.

"A maior dificuldade do homem não é", escreve Sarah, "o que a Igreja ensina sobre a moral, a coisa mais dificíl para o mundo pós-moderno é acreditar em Deus". Recorrendo a fontes desde as escrituras Hebraicas e Cristãs, aos filósofos Gregos, aos Padres da Igreja, a referências Judias, à literatura Russa e aos intelectuais franceses modernos, Sarah expõe uma tese poderosa que sugere que as decisões contra o Deus que se revela a Si mesmo na Bíblia estão a devastar grande parte do mundo, especialmente o Ocidente e ainda mais especificamente a Europa Ocidental. E ao fazê-lo - pois, como qualquer pessoa que tenha conhecido Sarah pode comprovar, ele é um homem genuinamente humilde - o Cardeal, nascido na obscura vila africana de Ourous, revela surpreendentemente um intelecto formidável que apenas se compara com anos de experiência pastoral e um profundo conhecimento, e contacto pessoal directo, com os muitos e diferentes desafios que confrontam a Igreja Católica por todo o mundo.

Para Sarah, pouco importa se este "vazio" se expressa através do ateísmo militante, do materialismo marxista, do liberalismo secular ou das entidades religiosas politicamente correctas que outro Cardeal, o Beato John Henry Newman, famosamente condenou como "o espírito do Liberalismo na religião". A negação de Deus, ensina Sarah, só pode levar a uma coisa: um enorme vazio que será sempre preenchido por caminhos destrutivos. Caminhos como a auto-absorção, o hedonismo e o tecno-utopianismo. Sarah não tem medo de fazer uma analogia entre as modas do Ocidente e os caminhos que ele acredita que as religiões animistas africanas seguiram para fabricar falsos deuses e ajudarem pessoas a distraírem-se a si mesmas do medo que ataca o homem quando ele pensa que está verdadeiramente sozinho no universo.

Por outro lado, Sarah sugere que outra forma de preencher o vazio é através do implacável abraço do equalitarismo, quer na economia quer através da promoção da ideologia de género. Ao usar este argumento, é pouco provável que Sarah ganhe muitos amigos no nosso mundo obcecado com a igualdade: uma fixação que inclui mais-do-que-uns-poucos Católicos. Dado que Sarah passou a maior parte da sua vida como arcebispo na Guiné, antiga colónia francesa, a enfrentar um dos piores opressores marxistas pós-coloniais da África, Ahmed Sékou Touré (que colocou Sarah na lista de inimigos para matar mesmo antes de morrer em 1984), é pouco provável que Sarah esteja especialmente preocupado  com os ataques dos liberais do Ocidente.

A vida de Fé de Sarah exemplifica em muitas maneiras a odisseia do Catolicismo africano do século XXI. Nascido em 1945, beneficiou do impulso missionário que caracterizou o Catolicismo Francês entre o século XIX e metade do século XX. Filho único de pais animistas, convertido ao Catolicismo, Sarah fala comoventemente dos padres espiritanos que deixaram a França, em muitos casos para sempre, para viver em algumas das regiões mais desoladas de África. Sarah foi baptizado por um sacerdote espiritano em 1947 e faz questão de dizer que foi ordenado sacerdote por um bispo espiritano em 1969.

Ao reflectir sobre o impacto do Catolicismo nos africanos que conheceu como rapaz e jovem adulto, Sarah nota que havia uma força libertadora quando o Catolicismo tornava divino o mundo natural, libertando portanto as pessoas do medo e da superstição. Para Sarah, esta é uma ilustração prática de como os dogmas e doutrinas da Igreja não são opressores mas, pelo contrário, libertam as pessoas revelando-lhes a verdade sobre as realidades últimas. Esta é não só uma mensagem importante para os que imaginam tornar o Catolicismo em algo doutrinalmente incoerente como, por exemplo, a Igreja de Inglaterra que representa o progresso. Também ajuda a explicar porque é que Sarah insiste tanto que a prática pastoral tem que se conformar com a doutrina - e não o contrário.

A vocação de Sarah ao sacerdócio veio cedo. Abraçá-la envolveu verdadeiras dificuldades que poriam à prova os crentes mais fervorosos. Para além de ter que viajar centenas de milhas a pé, pela estrada e barco para ir ao seminário, Sarah teve que ultrapassar doenças que quase iam levar à sua saída do seminário. Também não podia ser fácil para um jovem Guineense ser enviado para o Senegal, França, Roma e Jerusalém para estudos mais avançados, sem saber se iria ver o seu pai e mãe outra vez: pais que, diz Sarah, põem a segurança da sua própria velhice em risco ao apoiar o caminho do seu único filho para o sacerdócio.
Parece que Sarah absorveu intelectualmente imensa teologia, filosofia e exegese escriturística durante os seus estudos na Europa e Israel. Não estava, no entanto, tão absorvido ao ponto de não reparar no caos que tomou conta da vida do Ocidente desde meados dos anos 60 para a frente. Sarah não é nada tímido ao sublinhar o que ele vê como os efeitos profundamente negativos do Maio de 68 sobre o Ocidente e a Igreja de uma forma geral, incluindo, diz ele, o seu país natal - a Guiné.

Foi uma grande mudanaça para Sarah regressar de algumas das melhores instituições educativas da Igreja e ser enviado pelo seu bispo como prior numa das áreas mais inacessíveis da Guiné. Sarah também se viu a si mesmo numa sociedade cuja economia estava a ser destruída por políticas socialistas e a viver sob um governo que era implacável nos seus esforços para acabar com quaisquer sinais de oposição. A certo ponto, Sarah foi chamado para reformar um seminário que, descreve ele, estava com uma falta total de formação espiritual e onde o regime, numa tentativa para atacar a Igreja, tomou o lado dos seminaristas rebeldes. Quando Sarah foi confirmado como arcebispo de Conakry, em 1979, na incrível jovem idade de 34 anos, o seu predecessor Raymond-Marie Tchidimbo tinha acabado de ser libertado de oito anos de um campo de concentração: uma experiência que incluía tortura regular.

Sarah serviu como arcebispo de Conakry até 2001. Os seus vinte e um anos de trabalho pastoral envolveram enfrentar não só o regime Marxista de Sékou Touré e os governos que lhe seguiram, mas também o facto de viver num país de maioria muçulmana. Aqui Sarah fala na sua boa relação pessoal com os muçulmanos e menciona que os muçulmanos na Guiné viam o trabalho da Igreja Católica como a única instituição que gozava de alguma independência durante a ditadura de Sékou Touré.

Mas Sarah não é ingénuo no que toca ao Islão. Ele não hesita, por exemplo, em usar a expressão "terrorismo Islâmico" quando fala sobre os tumultos que amaldiçoam hoje o Médio Oriente. Sarah sublinha que o Catolicismo e o Islão funcionam com base em premissas incompatíveis. Isto, diz ele, limita as oportunidades de um diálogo ao nível das ideias. Por outro lado, Sarah sugere que a cooperação prática face aos problemas comuns, como o controlo populacional dos programas neo-malthusianos promovidos por ONGs e governos do Ocidente, pode ser a melhor maneira de avançar.

Em 2001, João Paulo II nomeou Sarah para o serviço, em Roma, de Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos. No livro é evidente que Sarah não ficou especialmente contente com isto. No entanto, esta mudança fez com que em 2010 Sarah fosse transferido para Presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, que supervisiona o trabalho caritativo da Igreja por todo o mundo - o que fez com que aprofundasse o seu conhecimento da vida da Igreja universal. Assim, a sua análise das diferentes correntes de teologia da libertação é muito subtil, e separa os horrores marxistas da teologia que é mesmo boa. As críticas de Sarah ao Catolicismo da Europa Ocidental - a profunda crise de Fé, a infinita burocratização, o humanitarianismo sentimental e a mania das ONG que substitutem a crença religiosa - são claras, directas e, podemos dizer, difíceis de refutar.

E Sarah também não se detém ao descrever as dificuldades que o Catolicismo africano enfrenta. Ele aponta não apenas as ameaças externas, tais como as formas cada vez mais violentas adoptadas pelo Islão, mas também os problemas internos. Os últimos incluem estilos litúrgicos que ocasionalmente degeneram no culto da própria pessoa e nos sacerdotes a abandonar a sua vocação para entrar em seitas esotéricas semi-animistas.

Há então aquilo que Sarah insistentemente chama "a heresia do activismo", que afecta muitos sacerdotes pelo mundo fora. Esqueceram-se, diz ele, que a centralidade da vida só se encontra em Deus. Acima de tudo, Sarah está ciente da presença do mal no mundo. Ele menciona o holocausto (para o qual, já agora, ele usa a palavra preferida por muitos judeus religiosos - "Shoah") como talvez a maior iniquidade dos tempos modernos.

No entanto, quando chegava a altura de falar destes problemas, Sarah regressava sempre à necessidade primordial do ser humano por um único Deus verdadeiro. Responder às necessidades materiais das pessoas é bom, diz Sarah, mas isso simplesmente não chega. Para ilustrar isto, Sarah conta ter conhecido um jovem rapaz muçulmano num campo de refugiados da Jordânia. O rapaz, disse Sarah, tinha todas as suas necessidades materiais que precisava no campo. No entanto, explicou Sarah, toda a assistência material do mundo não conseguia responder às dúvidas deste rapaz sobre a existência de Deus: uma crise que começara pelo facto de o pai do rapaz ter sido chacinado por terroristas islâmicos.

Isto levou Sarah a criticar aqueles Cristãos que reduzem a evangelização a ideias políticas ou à promoção de um desenvolvimento socio-económico. A certa altura, Sarah criticou fortemente os ocidentais e organizações internacionais que usam expressões como "eliminar a pobreza". A compreensão Cristã da pobreza, diz Sarah, difere radicalmente da que a mente secular tem. Há tipos de pobreza, especifica ele, que todos os Cristãos devem na verdade abraçar, tal como o desprendimento de posses materiais. Para os Cristãos, diz Sarah, é melhor falar de lutar contra a miséria para não arriscar entrar em concepções seculares de progresso ou perseguir esquemas utópicos, tais como os programas socialistas de Sékou Touré que destruiram a economia da Guiné e só trouxeram miséria e morte.

Muito mais se poderia dizer deste incrível livro. Sendo óbvio que não foi escrito como resposta ao infame comentário do Cardeal Kasper sobre os Africanos, Dieu ou Rien mostra que o Catolicismo africano tem muito mais do que parece e tem coisas profundas a dizer à Igreja universal. Isto interessa especialmente agora, tendo conta as projecções, tais como sugeriu o recente estudo Pew-Templeton, de que cada quatro em 10 Cristãos no mundo vão viver na África sub-Sahariana em 2050. Enquanto a gravidade do mundo Católico se desvia da Europa ocidental para o mundo em desenvolvimento, ouvir os africanos como o Cardeal Robert Sarah pode ser algo que até os teólogos liberais Alemães mais tacanhos não vão conseguir evitar no futuro.

Samuel Gregg in Crisis Magazine

Negritos e notas por Senza Pagare
[1] Este livro já se encontra traduzido para português, com o título 'Deus ou nada', e pode ser adquirido em qualquer livraria ou entao online, por exemplo aqui: Filoteia.
[2] Religiões animistas são seitas e religiões africanas em que se dá um carácter divino e mágico a quase tudo, mesmo às coisas naturais. No contexto ocidental está relacionado com o fenómeno New Age.


blogger

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quando negaram o prémio Nobel a Tolkien

J.R.R. Tolkien, autor da obra 'O Senhor dos Anéis', que vendeu mais de 200 milhões de cópias e que ganhou milhões de fãs por todo o mundo, foi recusado para o prémio Nobel da literatura em 1961, depois de os seus livros terem sido considerados de 2ª classe.

Documentos que saíram há pouco tempo, tornados públicos passados 50 anos, mostram que Tolkien foi rejeitado porque 'O Senhor dos Anéis' "não tinha de forma alguma atingido uma elevada qualidade de narrativa."

J.R.R. Tolkien foi nomeado pelo autor e amigo C.S. Lewis, juntamente com outros intelectuais como Rbt Frost, E. M. Foster, Graham Greene e Lawrence Durrell.

Foi Ivo Andric, um escritor jugoslavo, que ganhou pela "força épica com que traçou os seus temas e descreveu os destinos humanos".

Andreas Ekstrom, um jornalista que estudou os documentos a semana passada [1], publicou as suas descobertas no jornal Sueco Sydsvenska Dagbladet.

O artigo inclui a lista original dos cerca de 50 escritores sugeridos para o prémio por académicos e vencedores anteriores, juntamente com o comentário pelo júri do prémio. 

As notas relativas à decisão final nunca são reveladas.

Os documentos também mostram que o escritor Britânico Graham Greene, que nunca ganhou o Nobel, ficou em segundo lugar para o júri, seguido de Karen Blixen, a escritora dinamarquesa de África Minha.


[1] NT: Este artigo foi escrito em Janeiro de 2012


blogger

Cardeal Sarah em Portugal

O Cardeal Sarah tem sido uma voz bastante activa na defesa da doutrina sobre o Matrimónio e a Família; tem também tem feito propostas litúrgicas arrojadas, para os dias que correm. Celebrará a Santa Missa na Capelinha das Aparições, em Fátima, no dia 19 de Outubro às 10h30 e nesse mesmo dia, às 18h30, dará uma conferência imperdível na Universidade Católica de Lisboa.


blogger

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Como eu conheci o meu marido depois da Universidade: 7 partilhas de mulheres católicas

Pergunta: Estou prestes a acabar a faculdade e continuo solteira. Muitos dos meus amigos estão em relacionamentos sérios ou já noivos. Tenho medo que seja difícil encontrar alguém, uma vez que estarei fora da universidade. Tem algum conselho?

Resposta: O meu grande conselho é continuar a crescer na Fé e não subestimar o que Deus tem reservado para o futuro.

Eu tinha 29 anos quando tive o meu primeiro encontro com o Brian, então eu soube quão fácil pode ser imaginar se (e como) eu nunca encontraria a pessoa que Deus estava a preparar para mim.

Como via cada vez mais amigos a casar, eu fiquei impressionada como cada uma das suas histórias era única. Eu comecei a ver que Deus não tem um mesmo plano usado para cada um encontrar seu cônjuge.

Não há um caminho para saber se hoje é o dia que se vai conhecer o futuro esposo. O que sabemos é que se pode escolher aproximar-se de Deus a cada dia (Tiago 4, 8) e confiar com alegria nos planos que Ele (Filipenses 4, 6-7 e Jeremias 29, 11).

Para mostrar quão imprevisivelmente boas são as direcções de Deus, muitas de minhas amigas e eu (todas mães hoje) compartilhamos as histórias de como conhecemos os nossos futuros maridos.

Eu conheci o meu futuro marido...

No Retiro

Apesar de eu não saber disso naquela altura, Brian viu-me pela primeira vez do lado de fora da escola primária onde eu ensinava. Ele foi buscar os sobrinhos à escola um dia e perguntou quem eu era. Um deles disse que eu era sua professora de matemática. Na semana seguinte, durante a aula, a sobrinha disse-me que o seu tio me tinha visto e gostado de mim. Pensando como esse "tio" soou como assustador e assediador, eu disse-lhe que isso era inapropriado para se dizer a uma professora! 

Meses depois, Brian viu-me de novo num retiro de jovens adultos. Ele, desajeitadamente, apresentou-se e tentou explicar que ele não tinha a intenção de que a sua sobrinha me dissesse algo. Fiquei aliviada ao descobrir que ele não era, na verdade, um stalker. Alguns meses depois ele enviou-me um email do trabalho a dizer que tinha uma questão de matemática...'qual é o seu número de telefone?' Casámos cerca de um ano depois. Ao encontrar Brian eu percebi que os planos de Deus para a minha vida eram muito melhores que quaisquer planos que eu tinha imaginado anteriormente

Courtney Kissinger, casada cinco dias antes de completar 30 anos

No Aeroporto

Eu tinha 26 quando combinei encontrar-me com alguns amigos da pós-graduação para um fim de semana em Las Vegas. Um homem abordou-me enquanto estávamos à espera do nosso voo e falou comigo durante 20 minutos antes de embarcarmos. Saímos sem trocar informações, e sem saber que estaríamos no mesmo vôo de regresso, dois dias depois. Nós não nos vimos em Las Vegas, todavia quando nos encontramos com os nossos respectivos amigos, naquela noite, ambos lhes falámos sobre aquela pessoa que conhecemos no aeroporto, o que mostra que ali houve um interesse mútuo. 

Conversámos durante duas horas, enquanto o nosso voo estava atrasado. Ele fez-me rir o tempo todo e eu sabia que Deus tinha planeado algo de muito especial quando descobrimos que os nossos lugares eram um ao lado do outro durante as quatro horas de vôo. Ele convidou-me para sair tivemos o nosso primeiro encontro quatro dias depois. Ficamos noivos um ano depois e nos casamos um ano após o noivado. Ainda estamos nas nuvens!

Lindsay W., casou-se aos 28 anos

Na festa de Natal

Quando eu acabei a faculdade, muitos dos meus amigos estavam a casar-se. Todavia, isso não era o plano de Deus para mim. Mudei-me para Washington D. C. e comecei a minha carreira ali. Houve momentos em que pensei que não me deveria me (embora fosse o desejo de meu coração) porque eu não havia encontrado o homem certo. Aos 33 anos converti-me ao Catolicismo. Alguns meses depois disse ao meu director espiritual que se o homem com que eu fosse casar não fosse escolhido por Deus, então eu não seria feliz, e que eu seria mais feliz solteira do que casada com a pessoa errada. O meu director espiritual disse: 'Melhor solteira e desejando estar casada do que casada e desejando estar solteira'. Pura verdade! 
~
Ironicamente, um mês depois, conheci o homem certo. Eu tinha conhecido alguns amigos católicos que acabaram por me convidar para uma festa de Natal. Eu conheci meu futuro marido ali. O nosso segundo encontro foi a Missa e um café, e soubemos no nosso terceiro encontro que seria assim. Deus esperou até que eu fosse católica para conhecer o homem certo. E Ele também esperou até que eu entregasse o meu futuro a Ele. Vinte e um anos e cinco crianças depois, posso dizer que meu marido é a pessoa certa para mim. Eu tinha 35 anos quando me casei (quase 36) e o meu marido tinha 37 (quase 38). Nós tivemos o nosso último filho quando eu tinha 47 e ele 49. Deus tem um grande senso de humor, e Ele sabe sempre o que é melhor para nós!

Susie M., casou-se aos 35 anos

Online

Eu gastei os meus vinte anos a construir uma bela e interessante vida: fazer amigos, voluntariado, envolvida com a Igreja, e o mais importante, aprofundando o meu relacionamento com Deus. Também gastei uma boa parte do meu tempo rezando e esperando (às vezes impacientemente) pelo meu marido. Eu perguntava-me se Deus se tinha esquecido do meu sonho de ser esposa e mãe. Então eu fiz o que muitas mulheres da era moderna fazem: conversas online!

Aos 27 conheci um homem pela internet e falámos por alguns meses antes de terminarmos aquele relacionamento...alguma coisa não estava bem, apesar dele ter sido gentil, honesto e católico. Alguns anos depois, nós pusemo-nos em contacto de novo via Facebook e as coisas resultaram. Nove meses depois ficamos noivos, e nove meses depois do noivado casámos. Agora temos um lindo filho. Este não foi o caminho que eu vislumbrei para mim - eu estava a caminho dos trinta e, vários anos mais tarde do que eu esperava, conheci o meu marido online! Mas eu não trocaria os meus tempos de vinte anos sabendo o que eu sei agora. Não foi sempre fácil, mas ter vivido bem a minha vida de solteira me fez uma melhor mãe e esposa hoje.

Rebecca C., casou-se aos 30 anos

Fora do meu apartamento

Quando fiz 31 anos, depois de quase uma década sem namorado, tinha concluído que nunca me casaria ou teria filhos, e eu estava em paz com isso. Então, um dia, aconteceu que encontrei este homem à fora do meu prédio, enquanto eu saía para levar o lixo. Eu estava completamente desajeitada - transpirada e sem maquilhagem. Fiquei a saber que ele tinha acabado de se mudar para o prédio e o seu apartamento ficava no mesmo andar que o meu. 

Quando fiz 32 anos nós estávamos noivos e hoje, aos 34, nós temos dois filhos e um casamento feliz. Os planos de Deus definitivamente não são os mesmos que os meus. Eu queria casar-me com um homem que não fosse careca e que fosse católico praticante. O meu marido é careca e converteu-se ao Catolicismo antes de nos casarmos. Olhando para trás, vejo que eu necessitava de todo aquele tempo de solteira para construir a minha auto-estima, as minhas ideias e, o mais importante, o meu relacionamento com Cristo. Eu estou muito grata por ter tido tempo de construir amizades e ir a missa diariamente. Eu valorizo aquela época e hoje estou confiante na minha vocação.

Jéssica B., casou-se aos 32 anos

Na casa do meu irmão

Desde criança eu sonhava casar e ter filhos. Depois de quase 30 anos de casamento, eu tenho certeza que Deus teve as Suas razões para me fazer esperar até os 30 para conhecer o meu marido. Depois de dar aulas durante muitos anos, e ter conhecido vários homens, eu não estava muito certa que o homem certo chegaria. 

Numa tarde de Domingo, a minha mãe tinha-me encorajado a visitar o meu irmão, na sua casa nova. Sem que eu soubesse, ele havia convidado alguns amigos para visitá-lo, entre eles um vizinho de 34 anos. No momento em que meu irmão nos apresentou, eu soube que este era o homem que Deus tinha reservado para mim. Nós conversamos durante horas, e ficámos indiferentes às pessoas que nos cercavam. Fé, família e valores semelhantes evidenciaram-se entre nós imediatamente (incluindo uma atracção mútua). Ele pediu-me em casamento cerca de três meses depois e, em menos de um ano depois, já estávamos casados.

Mary Lee F., casou-se aos 30 anos.

Numa festa...e então o hospital

Durante os meus 20 e começo dos 30, eu estava com dúvidas se ainda me casaria. Quantos terços e novenas já havia feito? Eu conheci o meu marido numa festa organizada por um grupo de mulheres católicas, no dia 9 de Junho de 2012. Nós saímos uma vez, mas o segundo encontro só aconteceu sete meses depois. 

O meu marido sofreu um grave acidente de mota e eu decidi vê-lo no hospital. Nós ficamos amigos no hospital e, alguns meses depois, ele convidou-me para sair de novo. Ele diz sempre que não se arrependeu de me convidar para sair de novo depois de nosso primeiro encontro - não que eu o tivesse lembrado disso ou nada disso (eu lembrei!). No fim, eu aprendi que o tempo de Deus é sempre perfeito duma forma que nós nunca iremos compreender. O meu marido pediu-me em casamento no dia8 de Junho de 2013, quase um ano depois de nos conhecermos.

Erin B., casou-se aos 34 anos.

Courtney Kissinger in lifeteen.com


blogger

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Quando o Papa João XXIII escapava do Vaticano

O desejo de "dar algumas escapadas" do Vaticano parece que fez parte da vida de mais do que um papa! É o que nos conta Guido Gusso, que foi ajudante de câmara de João XXIII e conhecia muito bem o papa Roncalli. Gusso participou na apresentação do projecto de digitalização dos arquivos da Rádio Vaticano. Ele trabalhou durante cinco anos com Roncalli no patriarcado de Veneza e continuou como auxiliar dele depois do patriarca ter sido eleito Papa e ter assumido o nome de João XXIII.

Certa vez, passeando pelos jardins do Vaticano, o Papa Roncalli disse a Gusso: "O passeio é sempre este aqui! Leve-me à fonte do Gianicolo ou à Villa Borghese". E Gusso respondia: "Santidade, não podemos!". E o Papa rebatia: "Mas como é que não? Pegue o carro e vamos". E a cena repetia-se quando o Papa estava em Castel Gandolfo.

Gusso contou um caso em que eles “escaparam” da vigilância dos gendarmes e guardas suíços, já que o Papa não se sentia à vontade com tanto protocolo ao seu redor onde quer que fosse: “Eu contei ao Papa que tinha estado em Patroni del Vivaro, perto de Roma, um lugar parecido com Sappada, na nossa região. Ele tinha curiosidade, queria ver. E disse-me: ‘Vamos fazer uma coisa. Existe uma porta perto do cemitério de Albano. Consiga as chaves. Abra e vamos deixar aberto uns dez dias, assim ninguém vai saber o que está a acontecer’. 

Depois, um dia que estávamos nos jardins, ele me disse: ‘Vamos pegar no carro, damos alguma volta a mais para despistar os gendarmes, você abre a porta e nós vamos lá’. E foi assim que os dois visitaram Vivaro. Quando chegaram ao trevo entre Artena e Frascati, Gusso perguntou ao Papa onde queria ir e o Papa respondeu: ‘Vamos voltar para casa, porque se não...’. Quando chegaram, os gendarmes já estavam em crise, assim como a polícia italiana. "Vocês tinham que ver a cara dos guardas suíços...", recordou Gusso, divertido.

O antigo ajudante de câmara do “Papa Buono” citou mais duas situações em que João XXIII "escapou" do Vaticano. Numa delas, foi visitar o embaixador inglês que estava hospitalizado. Noutra, visitou um jornalista. Já da residência de Castel Gandolfo, eles “escaparam” para ver os trabalhos das Olimpíadas de Roma, em 1960.

Mas nem tudo eram sustos para os gendarmes. Naquela época, os gendarmes não podiam casar-se antes dos 28 anos, explicou Gusso. "Havia um que tinha 24 anos. Ele veio falar comigo e lamentou-se porque não tinha dinheiro para se casar. Eu contei ao Papa e o Papa deu um donativo para que o gendarme pudesse comprar os móveis da sala", relatou Guido aos jornalistas.

Outra das lembranças girou em torno do conclave em que Roncalli foi eleito Papa. "Ele pediu-me para ir à Domus Mariae buscar alguns objectos pessoais. Eu pedi permissão ao cardeal Tisserant (então decano do colégio cardinalício) e o cardeal me respondeu: ‘Ainda estamos em conclave, não podemos sair. Se você sair, eu o excomungo'". Gusso contou o caso a Roncalli, que replicou: “Vá e diga ao cardeal que, se ele o excomungar, eu desexcomungo”.

Depois do fumo branco ter indicado a eleição do sucessor de Pedro, chegaram ao Vaticano, vindas de Bergamo, algumas caixas com os livros e quadros de Roncalli. O Vaticano encarregou-se de colocar os quadros, mas o resultado não foi bom. O Papa João XXIII pediu então que Gusso conseguisse pregos, martelo e escada. E eles mesmos recolocaram os quadros.
Outra história engraçada aconteceu com Cesidio Lolli, então vice-director de L'Osservatore Romano. Ele foi ao encontro de João XXIII para corrigir alguns textos e ajoelhou-se diante da sua escrivaninha. "Mas o que é que está a fazer? Sente-se na cadeira!", disse logo Roncalli, espantado.

Antes das audiências das Quartas-Feiras, João XXIII lia o evangelho do dia. O Papa levava o discurso preparado por escrito e lia-o para o público, na Sala das Bênçãos. A Sala Paulo VI não existia ainda. Depois, ele fechava a pasta e dizia às pessoas: "Terminámos. Agora vamos dizer umas palavras entre nós!". E o ajudante completa que "quando ele falava sem os papéis, as suas palavras eram maravilhosas".

Quando trabalhava com Roncalli em Veneza, Gusso pediu certa vez que o Patriarca o ajudasse a encontrar outro trabalho, porque queria casar-se e estava a ganhar pouco. Roncalli respondeu: "Não se preocupe. O seu futuro está assegurado, ninguém vai tocar em si". E pediu que ele lesse o evangelho de Mateus. Depois de um ano, Roncalli passou a ser Papa e a sua vida mudou de um dia para o outro. O Papa quis que o ajudante continuasse sempre próximo, em especial quando adoeceu. Naquela época, Gusso lia o L'Osservatore Romano à noite para o Papa enfermo.

O ex-ajudante lembra-se também da primeira impressão de Roncalli como Papa: "Olhamos para fora e vimos a Praça de São Pedro vazia e escura". Para ele foi uma "decepção", porque estava acostumado a Veneza, onde a Praça de São Marcos estava sempre cheia de música e luzes.

Gusso contou que João XXIII só "lhe puxou as orelhas" uma vez, dois dias antes de morrer. Naqueles dias, os seus irmãos e a sua irmã foram visitá-lo. Depois, ele conversou com Gusso, que recorda: "Ele me deu um pequeno sermão. O que não me tinha dito em dez anos, disse-me antes de morrer: pediu que eu recorresse mais aos sacramentos. E disse também: ‘Não se apegue ao dinheiro, porque com o dinheiro não vai fazer nada na vida’. E disse: ‘Se precisar, em qualquer momento, chame-me, que eu vou responder’. E cumpriu, porque em vários problemas da vida eu fui pedir socorro e ele sempre me respondeu".

Rocio Lancho García in Zenit


blogger

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Uma guerra mundial (com muita calma)

Nesta semana, em Tbilisi, na Georgia, o Papa Francisco voltou a dizer que há uma guerra mundial para destruir a família: «Não é com as armas, mas com as ideias. É uma colonização ideológica». E apontou o dedo: «um dos grandes inimigos [da humanidade e da família] é a teoria do género».

A notícia não é nova, mas é grave. De repente, lembrei-me de outro contexto.

A poucos dias de a Prússia e a Áustria sucumbirem na Primeira Guerra Mundial, o comentarista Karl Kraus descrevia a gravidade do momento: «Em Berlim, a situação é séria mas não é desesperada; em Viena é desesperada mas não é séria». As duquesas e os duques de Viena continuavam a frequentar os salões, a população discutia ópera e culinária, os soldados morriam na frente de batalha e, em poucos dias, o império Austro-húngaro capitulava e desaparecia para sempre. A Áustria ria-se muito com os trocadilhos de Kraus, mas foi esta frase que alcançou maior ressonância mundial. Ainda hoje se repete. Por exemplo, no filme «Situation hopeless – but not serious», uma comédia hilariante situada na Segunda Guerra Mundial, com Alec Guinness no papel principal.

Parece que muitos cristãos ainda não repararam na luta mundial contra a família, situação que lembra uma máxima do velho comunista, Leon Trotsky, que se costuma citar com a palavra «dialéctica» substituída por «guerra»: «Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em si».

Os avisos do Papa Francisco acerca da destruição da família não são novos.

O Papa João Paulo II perspectivava toda a história do mundo actual como um combate muito concreto contra a família. Convalescente pela segunda vez das balas de Ali Agca, explicava o porquê do ataque «precisamente porque ameaçam a família, porque a atacam. O Papa deve ser atacado, o Papa deve sofrer, para que todas as famílias e o mundo inteiro vejam que há um Evangelho, por assim dizer, superior: o Evangelho do sofrimento, com o qual é preciso construir o futuro, o terceiro milénio das famílias, de cada família e de todas as famílias» (29 de Maio de 1994).

João Paulo II repetiu com frequência o mesmo alerta de Francisco. Por exemplo, no livro «Memória e Identidade», queixa-se «das fortes pressões do Parlamento Europeu para que as uniões homossexuais sejam reconhecidas como uma alternativa de família, inclusivamente com o direito de adoptarem crianças. É lícito e até necessário perguntarmo-nos se isto não é fruto de uma ideologia do mal, talvez mais subtil e encoberta, que tenta servir-se dos direitos do homem contra o homem e contra a família».

Há semanas, Francisco tinha relatado aos jornalistas uma conversa recente com Bento XVI, em que os dois falavam do mundo: exactamente o mesmo diagnóstico. Não é, aliás, a opinião recente de nenhum deles. Descrevendo o panorama mundial à Cúria Romana, Bento XVI alongou-se na descrição desta guerra, que classificou como «atentado contra a humanidade»: «O homem nega a sua própria natureza. (...) A manipulação da natureza, que deploramos hoje a respeito do meio ambiente, converteu-se na opção de fundo do homem relativamente a si próprio». E mais adiante: «Na luta pela família está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que onde Deus é negado, também se dissolve a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem» (21 de Dezembro de 2012).

Francisco considera que esta guerra terrível, que ameaça o homem e a comunidade humana no seu mais íntimo, não vai ser ganha por heróis valentes, mas pelo Deus misericordioso. Não vai ser ganha conquistando terrenos, mas enchendo o mundo de felicidade. O adversário não é um inimigo, mas justamente o amigo que se pretende salvar.

Uma guerra estranha, mas bem concreta. Uma luta sem tréguas contra o próprio egoísmo. O heroísmo de dar a vida pelos outros. Nada de aconchego e descanso.

Os Evangelhos registam a posição de Cristo: «Quem não está comigo está contra Mim» (Mateus 12,30; Lucas 11,23), ou, como vem em S. Marcos, «quem não está contra nós, está connosco» (Marcos 9,40).

José Maria C.S.André in Correio dos Açores, 9-X-2016


blogger

domingo, 9 de outubro de 2016

A Terra que vemos não nos satisfaz - Cardeal Newman

A Terra que vemos não nos satisfaz. É apenas um começo. Não é mais do que uma promessa dum porvir; nem mesmo na sua maior alegria, quando se cobre de todas as suas flores e mostra os seus tesouros escondidos da forma mais atractiva, mesmo então isso não nos basta. Sabemos que há nela muito mais coisas do que as que conseguimos ver. 


Um mundo de santos e de anjos, um mundo glorioso, o palácio de Deus, a montanha do Senhor Sabaoth, a Jerusalém celeste, o trono de Deus e de Cristo: todas essas maravilhas eternas, preciosíssimas, misteriosas e incompreensíveis se escondem por detrás do que vemos. O que vemos não é senão a camada exterior do reino eterno e é nesse reino que fixamos os olhos da nossa fé.

Mostra-Te, Senhor, como no tempo da tua natividade, em que os anjos visitaram os pastores; que a tua glória se expanda como as flores e a folhagem se desenvolvem nas árvores. Pelo teu poder, transforma o mundo visível nesse mundo mais divino que ainda não vemos. Que aquilo que vemos seja transformado naquilo em que cremos. 

Por mais brilhantes que sejam o sol, o céu, as nuvens, por mais verdejantes que sejam as folhas e os campos, por mais doces que sejam os cantos dos pássaros, sabemos que isso não é tudo e que não queremos tomar a parte pelo todo. Essas coisas procedem dum centro de amor e de bondade que é o próprio Deus, mas não são a sua plenitude. Falam do céu, mas não são o céu. São apenas, de certa forma, raios dispersos, um ténue reflexo da sua imagem; são apenas migalhas que caem da mesa. 

in The Invisible World, t. 4, n°13


blogger

sábado, 8 de outubro de 2016

Papa Francisco: há uma guerra global para destruir o casamento

Na conferência de imprensa que ofereceu aos jornalistas a bordo do avião no qual regressou para Roma vindo da Geórgia e do Azerbaijão, o Papa Francisco disse que a doutrinação das crianças com a ideologia do género é uma maldade.


O Santo Padre respondeu a uma pergunta sobre as suas afirmações na Geórgia, quando disse que “uma grande inimiga, uma ameaça contra o matrimónio é a teoria do género”. "Hoje em dia, há uma guerra global para destruir o casamento", disse Francisco. "Não com armas, mas com ideias... temos que nos defender da colonização ideológica. O casamento é a coisa mais bonita que Deus criou", acrescentando que a Bíblia diz que Deus criou a mulher e o homem para se tornarem uma só carne. Na mesma resposta, o Papa disse que a aceitação cada vez maior do divórcio era outra ameaça à família.

A este respeito, o Papa recordou o que lhe disse um pai de família em França sobre algo que aconteceu enquanto comia com a sua família:

“Antes de tudo, acompanhei na minha vida de sacerdote, de bispo e até de Papa pessoas com tendência e também com prática homossexual. Eu acompanhei-as e aproximei-as do Senhor, alguns não podiam, mas acompanhei e nunca abandonei ninguém, que isto fique claro.

As pessoas devem ser acompanhadas como as acompanha Jesus. Quando uma pessoa tem essa condição e chega diante de Jesus, o Senhor não lhe dirá: Vai-te embora porque tu és homossexual! Não! Eu falei sobre a maldade que se faz hoje com a doutrinação da ideologia do género.

Um pai francês me contou que falava à mesa com os filhos – católicos – e perguntou ao menino de 10 anos: ‘O que quer ser quando crescer?’ ‘Uma menina’.

O pai notou que o livro da escola ensinava a ideologia de género e isso vai contra as coisas naturais. Isso eu chamo de colonizações ideológicas”.

in ACI Digital


blogger

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Santa Faustina ensina-nos a Ladainha da Divina Misericórdia

Que a alma que desconfia leia estes louvores da misericórdia e se torne confiante.

Misericórdia Divina, que brota do seio do Pai, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, atributo máximo de Deus, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, mistério inefável, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, fonte que brota do mistério da Santíssima Trindade, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que nenhuma mente, nem humana nem angélica pode perscrutar, eu confio em Vós. 

Misericórdia Divina, da qual provém toda a vida e felicidade, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, mais sublime do que os Céus, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, fonte de milagres e prodígios, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que envolve o universo todo, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que desce ao mundo na Pessoa do Verbo Encarnado, eu confio em Vós. 

Misericórdia Divina, que brotou da chaga aberta do Coração de Jesus, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, encerrada no Coração de Jesus para nós e sobretudo para os pecadores, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, imperscrutável na instituição da Eucaristia, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, na instituição da Santa Igreja, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, no sacramento do Santo Baptismo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na nossa justificação por Jesus Cristo, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que nos acompanha por toda a vida, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que nos envolve de modo particular na hora da morte, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que nos concede a vida imortal, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, que nos acompanha em todos os momentos da vida, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos defende do fogo do Inferno, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, na conversão dos pecadores endurecidos, eu confio em Vós.
Misericórdia Divina, enlevo para os anjos, inefável para os Santos, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, insondável em todos os mistérios divinos, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que nos eleva de toda miséria, eu confio em Vós. 

Misericórdia Divina, fonte de nossa felicidade e alegria, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que do nada nos chama para a existência, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que abrange todas as obras das Suas mãos, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que coroa tudo que existe e que existirá, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, na qual todos somos imersos, eu confio em Vós. 

Misericórdia Divina, doce consolo para os corações atormentados, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, única esperança dos desesperados, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, repouso dos corações, paz em meio ao terror, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, delícia e êxtase dos Santos, eu confio em Vós. 
Misericórdia Divina, que desperta a confiança onde não há esperança, eu confio em Vós. 

Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa santa vontade, que é Amor e a própria Misericórdia. 

Santa Faustina in Diário, 949


blogger

domingo, 2 de outubro de 2016

Um dia na vida de Padre Pio



blogger

Os Santos Anjos da Guarda

Todos temos um Anjo da Guarda. Diz o Catecismo da Igreja Católica, no ponto 336:

“Desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida. Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.”

Os nossos Anjos da Guarda ajudam-nos imensas vezes, sem que vejamos a sua acção, e têm muita paciência para os nossos disparates. Por isso é bom que não nos esqueçamos da sua presença e de pedir a sua ajuda todos os dias recorrendo a orações que estão presentes na Igreja ao longos dos séculos, como esta:

"Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me guarda, me rege e me ilumina. Ámen"

Ou na versão curta:

"Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia."


blogger