domingo, 18 de novembro de 2018

Missa Tradicional regressa a Huelva, 50 anos depois

Os católicos de Huelva (e arredores) voltaram a ver a Missa Tradicional na sua cidade, 50 anos depois da reforma litúrgica do Papa Paulo VI. Huelva fica localizada no sul de Espanha, a cerca de 60 quilómetros da fronteira com Portugal (Vila Real de Santo António). 

A Missa Tradicional tem vindo a ser celebrada em cada mais cidades espanholas, sempre com grande afluência de pessoas. Em Portugal, infelizmente, o assunto é quase sempre alvo de desprezo e escárnio por parte da hierarquia da Igreja, sem qualquer justa causa. Rezemos para que os direitos dos fiéis nesta matéria comecem a ser respeitados.





Fotografias: Una Voce Sevilla


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sábado, 17 de novembro de 2018

As duas formas conhecidas de discutir com um Comunista - G.K. Chesterton

Há duas formas conhecidas de discutir com um comunista; e ambas estão erradas. Há também uma terceira forma que é correta mas que não é conhecida. Agora tenho a noção de que, por um motivo ou outro, uma parte considerável do nosso tempo cedo ou tarde será consumida discutindo com comunistas. E vou descrever em poucas palavras o que considero ser a forma certa de fazê-lo. 

Curiosamente, as duas maneiras mais comuns de contradizer o comunismo também se contradizem entre si. A primeira consiste em acusar o bolchevista de todos os vícios. A segunda, curiosamente, consiste em acusá-lo de todas as virtudes. Consiste realmente em contrapor os nossos vícios às virtudes, ou supostas virtudes, dele.

Este é o truque mais perigoso e até suicida dos dois, e a sua natureza exige uma pequena explicação. O primeiro método, ou método convencional, é bastante simples. O capitalista diz ao comunista, “Não permito que entres em minha casa porque sei que a irias destruir; não permito que fales com a minha família porque sei que a irias explodir; és um ladrão e um assassino, eu sou uma pessoa moral e respeitável. Não somos como os russos.” Eu não gostaria de falar assim com um bolchevista, porque eu não falaria assim nem com um ladrão. É portar-se como um fariseu; e o fariseu é um inimigo do cristão mais antigo que o marxista.

Eu prefiriria o outro método, o qual me parece extremamente comum entre aqueles que afirmam defender a propriedade ou o individualismo contra a heresia marxista. Consiste em dizer ao comunista que ele é um idealista, ou, em outras palavras, que ele está errado porque tem ideais. Neste segundo caso, o capitalista diz ao comunista, “Tu acreditas num monte de disparates sobre a irmandade entre os homens; mas eu digo, como um homem prático, que cada um quer obter o máximo possível para si, e agrediria o próprio irmão por um negócio se pudesse. Cada homem deve obedecer ao seu instinto aquisitivo.” (Eu li exatamente estas palavras num ataque à teoria bolchevista.) “Não se pode manter as coisas funcionando sem empresas privadas; e não se pode produzir empresas privadas sem suborná-las ou recompensá-las com os louros oriundos da propriedade privada.” As pessoas usam estes argumentos contra o comunismo como se estes fossem argumentos somente contra o comunismo, e depois se surpreendem porque um grande número de jovens entusiasmados se tornam comunistas.

Eles não percebem que, para os jovens, o capitalista em questão parece que diz simplesmente: “Eu sou um patife ganancioso, e proíbo-te de ser qualquer coisa diferente disso.”

Mas o verdadeiro argumento final e completo contra o comunismo é que a propriedade privada é muito mais importante que a empresa privada. Um ladrão de carteiras realiza um empreendimento privado, mas não se pode dizer que ele apoia a propriedade privada. A propriedade privada não é uma recompensa que existe para manter a empresa privada. 

Pelo contrário, a empresa privada é somente uma ferramenta ou uma arma, que pode às vezes ser útil para preservar a propriedade privada. E é necessário preservar a propriedade privada simplesmente porque ela é um outro nome para a liberdade. Não é meramente um respeito convencional. 

Pelo contrário, é somente o homem com alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente. E tampouco é uma simples licença comercial, e menos ainda uma licença para a fraude. 

Pelo contrário, toda a questão da propriedade gira em torno do fato de que ela somente pode ser nutrida com o sentimento da honra. Seria necessário mais espaço aqui para expor esta tese, e levaria mais tempo ainda para expô-la a um comunista. Mas um comunista certamente a escutaria por mais tempo do que a um homem meramente gabando-se da sua própria rectidão ou a um homem que se gaba da própria avareza.”

G. K. Chesterton in 'How Not To Do It'


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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Missas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos em Roma

A Trinità dei Pellegrini, em Roma, é uma paróquia que foi entregue há 10 anos à Fraternidade de São Pedro. Desde aí, a liturgia ali celebrada tem sido belíssima, contribuindo para a vida espiritual dos muitos fiéis que frequentam a igreja. 

Nestas fotografias podemos observar o contraste entre o dia 1 de Novembro - dia de Todos os Santos - com uma quantidade enorme de relíquias no Altar, e o dia seguinte - dia dos Fiéis Defuntos - com o Altar praticamente despojado, a austeridade da celebração e a presença do catafalco, que nos relembra todos os que já morreram e que também nós morreremos.













Fotografias: Elvir Tabaković, Can.Reg.


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7 pecados que "deixaram de ser pecado"

O mundo actual, com o seu ritmo de vida acelerado, com um maior acesso à informação e às novas tendências, parece ter deixado de lado a contrição e considera que o pecado e o inferno já não existem. Mas isso não é verdade. O pecado é algo sério, o inferno existe e é o destino dos pecadores que não se arrependem. São Paulo disse: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis.” (1 Coríntios 6, 9)

Entretanto, devemos ter esperança, pois, por meio da graça de Deus, podemos nos apartar de nossos pecados e encontrar a salvação em Jesus Cristo. Mas, antes de mais, devemos reconhecer os nossos pecados e que precisamos ser salvos. A partir do momento que tenhamos uma vida nova em Cristo, a vida cristã começa e somos chamados a colaborar com a graça de Deus para crescer em santidade.

Por isso, apresentamos uma lista dos pecados que o mundo considera “normais”, mas devemos levá-los a sério:

1) A mentira

“O que aconteceria se a pessoa nunca descobrisse? Que tal se for apenas por conveniência? Ou que tal se for para conseguir um bem maior? ”

Não. Mentir é mentir e está mal. Mentir é dizer uma falsidade com a intenção de enganar e sempre está mal porque é uma ofensa contra a verdade, que é Cristo (João 14, 6). Recordemos que a mentira é a língua nativa do demónio, a quem Jesus chama “o pai da mentira” (João 8,44). O livro da Sabedoria adverte: “a mentira destrói a sua alma” (Sabedoria 1,11).

2)  Imoralidade sexual

“Foge da imoralidade sexual!” (Coríntios 6, 18).

Mas, por que não podemos fazer o que queremos com nossos corpos? Enquanto a pessoa estiver de acordo, vale tudo?

Não. São Paulo diz: “Foge da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6, 18-20).

Nós não podemos pecar contra nossos próprios corpos. Deus criou-nos e formou a nossa sexualidade com dignidade, valor e ordem, a qual deve ser respeitada e querida. Recordemos que Cristo pregou sobre a luxúria no coração: “Não cometerás adultério. Mas eu lhes digo que qualquer pessoa que olhe para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração”.

3) Roubo

“Não furtarás.” (Êxodo 20, 15)

Roubar é tomar posse de algo que não nos pertence. Isto pode incluir também, consoante o caso, coisas que se encontram na internet. Este pecado inclui também pedir coisas emprestadas e depois não as devolver.

4)  Alcoolismo

O álcool é um maravilhoso dom de Deus. Jesus converteu a água em vinho e os monges cristãos estavam acostumados a fazer a melhor cerveja do mundo.

Mas beber muito até o ponto de embriagar-se e perder o controle é um pecado: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?” (1 Coríntios 6, 9-10). “Não se embriaguem com vinho, porque isso é libertinagem”. 

5) Gula

Obviamente, precisamos comer, há um tempo para festejar e a comida pode ser desfrutada maravilhosamente. Mas, assim como o álcool, tudo deve ser desfrutado com moderação. A gula é um amor incontrolável pela comida e não só pode trazer sérias consequências à sua saúde, como também para sua alma.

“Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Filipenses 3, 18-19).

6) Vingança

A justiça é importante e qualquer justiça que não foi dada pelo governo será rectificada por Deus no final. Mas agora, Deus nos chama a um plano superior:

“Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor. Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.” (Romanos 12, 17, 19-21)

Também deve guardar os ensinamentos de Jesus acerca do perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai Celeste também vos perdoará” (Mateus 6, 14-15).

7) Assassinato

O assassinato é a morte voluntária e directa de uma vida humana inocente, inclusive se a pessoa for pequena e está em desenvolvimento no ventre de sua mãe; e também se a pessoa estiver em desvantagem ou estiver doente e for difícil de cuidar, ou ainda se a pessoa for idosa e não tiver muito tempo de vida.  O aborto e a eutanásia são cada vez mais aceites e praticados em toda a nossa sociedade.

O assassinato é uma ofensa contra Deus porque os seres humanos foram feitos à Sua imagem e semelhança (Génesis 1,27).

Quem tiver cometido algum destes pecados, arrependa-se e peça perdão - confessando-se a um sacerdote - e aceite a misericórdia de Deus.

adaptado de Aci Digital


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terça-feira, 13 de novembro de 2018

A atitude da Europa em relação ao Islão

Qual é a raiz ideológica da atitude que hoje - na Europa - temos em relação ao Islão? É a ideia de que não existe um dualismo lógico entre verdade e erro nem um dualismo moral entre bem e mal, mas que tudo é relativo às necessidades e interesses do indivíduo no momento presente.

Relativismo moral e pragmatismo político são duas faces desta abordagem à realidade que não se alimenta da realidade mas da utopia, porque crê num mundo fictício e irreal que o desejo de poder, mascarado de debilidade, do indivíduo pós-moderno é incapaz de conquistar.

Se a Europa quer sobreviver deve modificar esta atitude psicológica e cultural. Mas como é que podemos contribuir para esta mudança? Começando por reavivar a ideia de que existe o bem e o mal, em sentido objectivo e absoluto, e que a verdade e os princípios, sobre os quais está fundada a nossa civilização, não são para arquivar como ideias do passado ou preconceitos ideológicos.

Roberto di Mattei (historiador) in 'Corrispondenza Romana'


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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

5 milagres que são autênticos mistérios para a Ciência

Um milagre é um acontecimento sobrenatural, ou seja, que vai além do natural: contraria as leis da natureza e a ciência não consegue explicá-lo, por mais que os cientistas analisem, reanalisem e debatam.

Há relatos de milagres em praticamente todas as religiões, e, ao longo do tempo, a ciência desmentiu muitos deles. Outros, porém, continuam inexplicáveis e assombrosos como os 10 milagres elencados pelo Live Science.

Particularmente interessante é o facto de que, dos dez milagres, todos os dez são milagres cristãos – e 6 deles envolvem Nossa Senhora!

Destacamos cinco dos milagres listados pelo Live Science:

1 – O milagre do sol, em Fátima
A 13 de Outubro de 1917, 70 mil pessoas, incluindo jornalistas, testemunharam o milagre que tinha sido anunciado pelas três crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido. Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de repente, as nuvens abriram-se diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu como um disco luminoso opaco, que girava em espiral e emitia luzes coloridas. O fenómeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos pelo Vaticano. Os cépticos tentam atribuir o evento ao fenómeno atmosférico do parélio, mas sem provas e sem explicar como foi que as crianças o “previram”.

2 – O sangue de São Januário
São Januário ou “San Gennaro”, em italiano, é o padroeiro de Nápoles. Ele foi martirizado no século IV e um pouco do seu sangue foi guardado num relicário. Devendo estar completamente seco depois de 1700 anos, o que acontece é que, todos os anos, no dia 19 de Setembro, o sangue se liquefaz diante de milhares de fiéis. A liquefação começou a acontecer depois do terremoto de 1980, que matou mais de 2500 pessoas em Nápoles. Os cientistas têm muitas teorias sobre o caso, mas até hoje não conseguiram explicar o fenómeno.

3 – O corpo incorrupto de Santa Bernadette de Lourdes
O corpo de Santa Bernadette de Lourdes, que faleceu em 1879, continua em exposição na Capela de Santa Bernadette, na França, perfeitamente incorrupto. A primeira exumação foi feita em 1909 e os médicos que a realizaram ficaram surpresos ao constatar que o corpo não só não exalava qualquer odor, como também estava em perfeito estado de conservação. A pele estava macia e com consistência quase normal ao ser cortada, o que é inexplicável pelas leis da natureza. O corpo foi reavaliado em outras duas ocasiões, com as mesmas constatações de incorruptibilidade milagrosa.

4 – A imagem da Virgem de Guadalupe
A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe surgiu em 1531, quando o índio Juan Diego disse ter visto a Virgem Maria num campo próximo da Cidade do México. Como prova, ele apresentou o seu manto, um tecido feito de fibra de cacto e de qualidade bem pobre, no qual a imagem de Maria teria sido “impressa” depois da aparição. O material foi analisado em diversas ocasiões por cientistas, que nunca conseguiram determinar como é que a imagem surgiu sobre o tecido. Mais impressionante ainda: não é uma imagem pintada ou estampada “no” tecido: ela “flutua” ligeiramente “acima” do tecido! Igualmente sem explicação é a perfeita preservação do manto e da imagem mesmo depois de 500 anos. O ícone está exposto na Basílica de Guadalupe, no México.

5 – O Santo Sudário
Provavelmente a relíquia mais famosa da História, o Sudário de Turim não é considerado um milagre propriamente dito, mas nenhuma explicação conseguiu até hoje comprovar o que é e como é que a imagem impressa nele foi gerada. Trata-se do tecido que teria envolvido o corpo de Jesus no sepulcro. A imagem impressa no sudário seria, portanto, a do seu corpo. Exaustivamente analisado e estudado por uma volumosa quantidade de cientistas, o sudário parece apresentar o mesmo fenómeno do manto com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe: a impressão do suposto corpo de Jesus não é directa sobre o tecido, mas “flutua” ligeiramente acima dele. As tentativas de reproduzir a impressão nunca resultaram e, até hoje, não se explica de que forma a imagem foi gerada sobre o sudário; o que parece mais provável é que ela tenha sido impressa mediante a irradiação de uma luz poderosa, originada do próprio corpo que ficou impresso. Para os fiéis, trata-se de uma “prova” da ressurreição de Cristo. 

in Aleteia


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O que significa a "Comunhão dos Santos"?

122. O que significa a "Comunhão dos Santos"?

Comunhão dos Santos significa que todos os fiéis, formando um só Corpo em Jesus Cristo, aproveitam-se de todo o bem que existe e se faz no próprio Corpo, ou seja, na Igreja universal, contanto que não estejam impedidos pelo afecto ao pecado.

124. Quem está fora da comunhão dos Santos?

Está fora da comunhão dos Santos quem está fora da Igreja, ou seja, os condenados, os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.

131. Existe grave prejuízo em estar fora da Igreja?

Existe gravíssimo prejuízo em estar fora da Igreja porque fora d´Ela não há nem os meios de salvação eterna nem a guia segura para esta, que é a única coisa verdadeiramente necessária para o homem.

132. Quem está fora da Igreja salva-se? 

Quem está fora da Igreja por própria culpa e morre sem contrição perfeita não se salva; mas quem assim se encontre sem culpa própria e vive bem pode salvar-se com amor de caridade, que une a Deus e, em espírito, também a Igreja, isto é, a Alma d´Ela.

in Catecismo de São Pio X


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Peregrinação Summorum Pontificum: Missa Pontifical na Basílica de São Pedro

A Missa Pontifical foi celebrada pelo Bispo de Copenhaga (Dinamarca), Mons. Czeslaw Kozon, e contou com a presença de vários Cardeais, Bispos, muitos sacerdotes e inúmeros fiéis.











Fotografias: Don Elvir Tabaković, Can.Reg.


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domingo, 4 de novembro de 2018

Peregrinação Summorum Pontificum 2018: Procissão até à Basília de São Pedro

O segundo dia da peregrinação Summorum Pontificum foi marcado pela procissão pelas ruas de Roma, desde a Basílica de San Lorenzo in Damaso até à Basílica de São Pedro.










Fotografias: Don Elvir Tabaković, Can.Reg.


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Asia Bibi foi absolvida

Na terça-feira passada, o Supremo Tribunal do Paquistão tornou pública a absolvição de Asia Bibi, uma mulher cristã presa em 2009 e condenada à morte por blasfémia: pelo facto de ser católica, ao beber água de um poço contaminou a água...

Durante todos estes anos, em que a execução estava sempre anunciada para daí a poucos dias, Asia Bibi foi mantida em condições de prisão terríveis, frequentemente em isolamento total, na tentativa de que abandonasse a fé católica. O marido e os cinco filhos também sofreram duramente e, por arraste, muitos católicos do país foram perseguidos e alguns foram mortos. 

Quando o Ministro Shabaz Bhatti se pronunciou a favor da libertação de Asia Bibi, um dos seus próprios guarda-costas tomou a iniciativa de o matar. Até os advogados muçulmanos que defendem Asia Bibi foram acusados de blasfémia e correram grande perigo. Naturalmente, os juízes do Supremo que a absolveram foram imediatamente ameaçados de morte. Além de muitos assassinatos isolados, houve massacres anticristãos em 2009 e em 2013 e teme-se que esta decisão do Supremo Tribunal volte a incendiar o fanatismo. A decisão estava tomada há um mês, mas o veredicto só agora foi tornado público, provavelmente por medo de reacções extremistas. 

O processo tem agora de percorrer a cadeia hierárquica até chegar ao Director da prisão, pelo que a libertação de Asia Bibi vai demorar algum tempo. Até lá, ela continua presa e praticamente incomunicável, sem mesmo poder falar com o advogado. Entretanto, a capital do país, Islamabad, está em alerta máximo. Muitas centenas de polícias guardam o Supremo Tribunal e unidades do exército tomaram posição diante de outros edifícios, em particular lugares onde os cristãos se reúnem. O partido islâmico Tehreek-e-Labbaik Pakistan organiza sucessivas manifestações de protesto contra a absolvição de Asia Bibi, com grande agressividade e exibição de força. Várias cidades do Paquistão estão paradas devido à onda de violência. Em várias delas, as autoridades desligaram as redes de telemóveis para tentar controlar a informação.

Muitos paquistaneses estão contra o fanatismo e alguns líderes muçulmanos vieram a público defender Asia. A própria sentença de absolvição cita o profeta Maomé: «Atenção! Quem for cruel e duro contra uma minoria não muçulmana, ou lhes retirar direitos, ou lhes impuser exigências superiores às suas forças, ou lhes tirar alguma coisa contra a sua vontade; eu próprio, o Profeta Maomé, o hei-de acusar no Dia do Juízo».

Desde que Asia Bibi foi presa, embora os meios de comunicação social de alguns países europeus tenham evitado divulgar o caso, a comunidade internacional manteve a pressão sobre as autoridades paquistanesas.

Nos meios cristãos de todo o mundo, milhões de pessoas rezaram o terço por esta intenção. Sobretudo o Papa Bento XVI e o Papa Francisco fizeram sentir o seu apoio a Asia Bibi e a todos os católicos perseguidos no Paquistão. No início deste ano, Francisco recebeu no Vaticano Ashiq Masih, o marido de Asia Bibi, e a filha mais velha do casal, juntamente com Rebecca, uma jovem nigeriana cristã que, depois de torturada pelo Boko Haram, deu à luz um filho de um dos sequestradores. 

Nessa audiência, o Papa rezou por Asia Bibi e pelas mulheres que continuam prisioneiras do Boko Haram. «O testemunho de Rebecca e o de Asia Bibi representam um modelo para uma sociedade que hoje tem cada vez mais medo da dor. São duas mártires», disse Francisco. «Penso muitas vezes na vossa mãe e rezo por ela», disse o Papa à filha mais velha de Asia. Ela transmitiu-lhe o recado da mãe: «Santo Padre, a mãe pediu-me que lhe desse um beijo».

Através de vários canais, Asia Bibi conseguiu transmitir para o exterior várias outras mensagens. A principal é dizer que perdoa de todo o coração os que lhe fazem mal e pedir orações por ela, pela família, pelos cristãos perseguidos, pela Igreja e por todo o mundo.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 4-XI-2018


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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O insuportável Dia de Todos-os-Santos - C.S. Lewis

Carta do Demónio-Tio ao Demónio-Sobrinho

Caro sobrinho: colocas-me diante de uma questão essencial do combate à fé cristã. De facto, há que evitar por todos os meios possíveis que os humanos tomem para si o exemplo de outros que passaram, antes deles, por esta Terra. Não há nada mais abominável que um santo que ilumina essa gentalha, ajudando-a a atravessar as dificuldades da vida. Por isso gostava de partilhar contigo quatro estratégias para destruir a imagem de todos os santos. Se as aplicares bem, terás resultados imediatos e duradouros. Aliás, basta aproveitar os exageros desses miseráveis humanos para os afastar do nosso grande Inimigo.

1ª Estratégia: OS SANTOS MILAGREIROS

Esta estratégia talvez seja das mais fáceis de aplicar uma vez que, mesmo sem a nossa ajuda, já toma proporções escabrosamente saborosas. Há humanos cuja formação cristã é tão rudimentar que tomam os santos como uma espécie de deuses aos quais devem adorar. Levam consigo dinheiro, fotografias, velas, papelinhos, depositando neles a secreta esperança de que tudo mude no dia seguinte. 

É bom acalentar essa esperança e fazer-lhes crer que podem ficar à espera de braços cruzados. É que, conforme constatam que, uma e outra vez, nada muda, acabam por ganhar uma tal frustração que, mudarão de santo em santo até à exaustão; e, se tudo correr em nosso favor, irritar-se-ão com as coisas de Deus e acabarão por se afastar definitivamente do caminho de fé. Os que me preocupam são aqueles que, fazendo exactamente os mesmos gestos, se limitam a pedir a intercessão desses santos para que Deus lhes dê a luz e a força para que ultrapassem as suas dificuldades. E o mais assustador é quando sabem que tudo depende também do próprio esforço. Esses são obstinados; muito difíceis de enganar.

2ª Estratégia: OS SANTOS PÁLIDOS

Algo que me diverte é constatar como alguns humanos representam os santos. Uns, num estilo excessivo cheio de dourados e brilhantes. Outros, no estilo muito despojado, de cabeça caída, cara pálida e olhar ausente. Uns e outros, fazendo uma muito pálida ideia do que seriam os próprios santos, como pessoas, no dia-a-dia. Quando os humanos, através das imagens, são induzidos a crer que os santos pertencem a um tempo muito antigo – ou melhor ainda, mítico - ou que, simplesmente, não parecem deste mundo, e que, se passaram por cá, foi quase por acaso, esse é um grande contributo para a nossa missão. 

Um outro extremo com o qual me regozijo é quando eles representam os santos nos materiais e na dimensão dos brinquedos das crianças. Não há nada mais agradável que ver os humanos a acreditar em talismãs que levam na carteira ou no carro. Os que nos dão verdadeiras dores de cabeça são aqueles que param a rezar nas igrejas e sabem que aquela imagem é apenas uma representação; ou aqueles que levam uma medalhinha consigo e sabem que ela não tem poder mágicos, mas - algo muito mais insidioso – aproveitam-se dela para abrir o coração Àquele que nós queremos que eles esqueçam.

3ª Estratégia: OS SUPER SANTOS

Sempre que os humanos - com as suas projecções - idealizam os santos, isso deve deixar-nos verdadeiramente satisfeitos. Sempre que, em pinturas ou esculturas, em filmes ou biografias, exageram as qualidades humanas e espirituais dos santos e omitem todo o tipo de sombras, lutas e dificuldades que tiveram, isso dá um efeito espantoso! A ingenuidade dos humanos é tal que, ao representar os santos dessa maneira, não percebem que, em vez de embelezar e oferecer um modelo a si próprios, estão a inventar alguém que nunca existiu; e essa é a melhor forma de criar dois mundos aparentemente afastados: o dos santos e o dos humanos. 

Não é preciso um esforço imenso para que os humanos se convençam de que nada têm a ver com aquela gente. Aliás, o supra-sumo disto é quando os mantemos na ilusão de que os santos nasceram santos, ou tiveram uma conversão repentina e nunca tiveram que subir a longa escada da santidade! Isso é hilariante; e tem efeitos admiráveis. Qualquer humano fica esmagado pela frustração e pela culpa, ao pensar que é o único que se bate com aquelas tentações ou limitações; e que nunca será capaz de chegar a Deus. Pelo contrário, se condescendermos em que seja mostrada qualquer debilidade ou fragilidade que seja dos santos, é dar oportunidade a que essa gentinha humana se identifique e encontre neles alguma pista para o seu crescimento. Isso é arriscado demais: seria catastrófico para nós!

4ª Estratégia: OS SANTOS-A-EVITAR-A-TODO-O-CUSTO

Independentemente do sucesso das estratégias anteriores, vale tudo para fazer com que os humanos acreditem em santos irreais, santos que nada tenham a ver com as suas vidas. O pior que nos poderia acontecer era que eles descobrissem os santos que acordam a meio da noite - várias vezes - para acudir um filho e, de manhã, agarram em si e ainda vão trabalhar; os santos que passam o dia sentados à secretária, entregando-se a um trabalho monótono mas que sabem beneficiar tanta gente; os santos que ninguém vê, porque não têm condições físicas para sair de casa, ou do hospital, ou do lar; os santos que adormecem no autocarro, apertados e aquecidos pelo respirar de todos, em dia de chuva, e ainda oferecem o lugar; os santos que sujam as mãos no mundo da droga, da miséria ou da política, para limpar a alma da sociedade; os santos, enfim, que arriscam a vida na luta pela justiça e pelo bem comum. Todos esses são os mais ameaçadores para a nossa missão. 

Neste ponto, é impreterível que persuadamos os cristãos a continuar a declarar santos apenas a padres e religiosos, esquecendo esses outros humanos, que vivem inseridos no mundo. O pior que nos poderia acontecer era que qualquer pessoa na rua considerasse a santidade como algo que tem a ver consigo. Esperemos que isso nunca aconteça. Seria o fim da nossa espécie.

[Casa do Enxofre, no insuportável Dia de Todos Eles]

Vorazmente Teu, 
Tio Escritorpe


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