Fotografias: Stuart Chessman
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
Um Resumo da Divina Comédia de Dante Alighieri
A Divina Comédia de Dante, a maior obra da literatura italiana, é vista por muitos como uma das maiores obra de literatura do mundo.
Para além de citada por muitos estudiosos ao longo dos séculos, foi também muito citada por Papas e em textos Cristãos desde que existe.
É interessante porque esta é uma obra medieval, uma era considerada por muitos como a idade das trevas.
Ainda que seja uma obra épica, de ficção, é totalmente baseada naquilo a que os Cristãos chamam os novíssimos: a Morte, a Ressureição, o Inferno e o Paraíso e, portanto, pode ajudar muitos a meditar sobre o destino eterno do Homem.
Existe publicada em Portugal uma adaptação em prosa da Divina Comédia por Manuel Marques Braga, publicada pela Sá da Costa editora. Esta adaptação em prosa é recomendada pelo plano de leitura nacional do 9º ano de escolaridade.
Segue de seguida a introdução desta adaptação em prosa:
No tempo de Dante o sistema astronómico vigente era o ptolomaico, que supunha a Terra imóvel no centro do universo, girando em torno vários céus concêntricos que tomavam o nome de Sol, Lua, etc., e tinham, cada um, um movimento próprio.
A Divina Comédia compõe-se de três partes: INFERNO, PURGATÓRIO, PARAÍSO.
O INFERNO DANTESCO
Nas entranhas da Terra, debaixo de Jerusalém, Dante coloca o Inferno que consiste num abismo circular, estreitando-se de cima para baixo até tocar o centro da Terra.
Quem se aproxima, encontra-se num patamar circular, vestíbulo do reino infernal - o Anti-Inferno, reservado às almas dos Inertes, repelidos igualmente por Satanás e por Deus.
Ao longo deste vestíbulo está o rio Aqueronte, principiando então o verdadeiro Inferno.
Este está dividido em nove patamares ou círculos, que se vão estreitanto.
Os primeiros cinco círculos formam o Alto Inferno, os quatro últimos o Baixo Inferno, chamado também cidade de Dite - cidade infernal.
O 1º círculo é o Limbo onde estão as almas dos que não puderam ser baptizados; no 2º estão os sensuais; no 3º os gulosos; no 4º os avarentos e os pródigos; no 5º os iracundos.
Com o 6º círculo começa o Baixo Inferno, a Cidade de Dite - em que estão os hereges e incrédulos.
No 7º círculo, em três compartimentos concêntricos, estão respectivamente os violentos contra o próximo, contra si e contra Deus.
O 8º círculo chamado Malebolge, está dividido em dez bolgias ou fossos em que estão respectivamente os sedutores, aduladores, simoníacos, advinhos, fraudulentos, hipócritas, ladrões, maus conselheiros, os fundadores de seitas e os falsários.
O 9º círculo é formado por quatro divisões concêntricas, em que jazem os que traíram os parentes, a pátria e os benfeitores.
No centro deste círculo está o Imperador do Reino Doloroso, Satanás (Lúcifer ou Dite) com três faces e três bocas, tragando a Judas, Cássio e Bruto.
O PURGATÓRIO DANTESCO
O Purgatório tem uma configuração inversa à do Inferno, e surge numa ilha no meio do Oceano.
É uma montanha com a forma de dois troncos de cone sobrepostos.
O 1º - a base - mais largo: é o Anti-purgatório; o 2º mais aguçado: o verdadeiro Purgatório.
No 1º dos círculos purificam-se os soberbos, que andam curvados sob enormes pesos.
No 2º círculo expia-se o pecado da inveja. Um cilício aperta os invejosos, que, além disso, têm os olhos cosidos com arame.
No 3º círculo repara-se o pecado da cólera. As almas dos coléricos estão envolvidas numa nuvem de fumo.
O círculo 4º é aquele onde se expia o pecado da preguiça, e no 5º purificam-se os avarentos e os pródigos.
No 6º círculo repara-se o pecado da gula. Neste há uma árovre, cheia de odoríferos frutos, regada por uma cristalina corrente.
No 7º, que é o último círculo, purifica-se, entre chamas, o pecado da luxúria.
O PARAÍSO DANTESCO
Dante refere que, guiado por Beatriz, pôde, desde o Paraíso terreal - planalto do monte que coroa o Purgatório - elevar-se ao Céu.
Na companhia dela, penetra no 1º céu planetário, que é o da Lua, onde se encontram as almas que havendo feito voto de se consagrarem à vida religiosa o não cumpriram.
No 2º céu - o de Mercúrio - residem as almas que praticaram o bem, mas buscaram as glórias e as honras mundanas.
No 3º céu - o de Vénus - encontram-se os que juntaram a devoção ao amor terreno.
No 4º céu - o do Sol - estão as almas de sábio doutores da Igreja.
No céu de Marte, que é o 5º, está Jesus Cristo com as almas dos Bem-aventurados, que combateram pela Fé.
No 6º - o de Júpiter - vêem-se as almas dos Santos, que administraram sã justiça na Terra.
No 7º céu - o de Saturno - estão as almas dos que se dedicaram à vida contemplativa.
O 8º céu - é o das estrelas fixas - onde se vê o triunfo de Cristo.
O 9º céu cristalino - é intitulado o 1º móvel. Nesta esfera nona observa-se um ponto luminoso em torno do qual vão girando nove círculos, que estão em relação com as novas esferas do mundo sensível.
No círculo 10º, onde está a Virgem Maria, - que é o Empíreo - vê-se o triunfo dos Anjos e Bem-aventurados, formando, como pétalas, uma rosa - a cândida rosa - e contempla-se a grandeza e a glória do Paraíso.
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
Adoração ao Santíssimo Sacramento na Peregrinação Summorum Pontificum 2022
A igreja de São Celso e São Juliano foi pequena para receber todos os peregrinos que quiseram adorar Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Esta igreja encontra-se à cura do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote.
Fotografias: Stuart Chessman
terça-feira, 8 de novembro de 2022
Santo Agostinho sobre a Santa Missa, purgatório e salvação das almas
Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício da Missa ou quando praticam esmolas na Igreja.
No entanto, estas coisas aproveitam àquelas almas que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mau que não lhes aproveitem. Há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal grau no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida.
Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou.
Santo Agostinho in 'As Oito Questões de Dulcício' 2, 4
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
O poder imenso da vida contemplativa
Dez mil hereges, no dizer de uma revelação respeitável, foram convertidos por uma só oração inflamada da seráfica santa Teresa, cuja alma ardendo em amor de Cristo não podia compreender uma vida contemplativa, uma vida interior que se desinteressasse das solicitudes apaixonadas do Salvador pela redenção das almas.
'Aceitaria o purgatório, diz ela, até ao juízo final, para livrar uma só dessas almas. E que me importaria a duração dos meus sofrimentos, se assim pudesse livrar uma só alma e sobretudo muitas para maior glória de Deus!' E, dirigindo-se às suas religiosas: 'Dirigi para este fim inteiramente apostólico, minhas filhas, vossas orações, vossas disciplinas, vossos jejuns, vossos desejos'.
Tal é, com efeito, a obra das Carmelitas, das Trapistas, das Clarissas. Vede-as seguir a marcha dos apóstolos, alimentá-los com a superabundância de suas orações e de suas penitências. Suas súplicas precipitam-se do alto, num espaço tão dilatado como a marcha da cruz e o brilho do Evangelho, sobre as almas, essas presas divinas! Ou antes, é seu amor oculto, mas activo, que excita por toda parte, no mundo dos pecadores, as vozes de misericórdia.
Ninguém conhece neste mundo o porquê dessas conversões longínquas de pagãos, da paciência heróica desses cristãos perseguidos, da alegria celeste desses missionários martirizados. Tudo isso está invisivelmente ligado à oração de alguma humilde freira. Com os dedos sobre o teclado dos perdões divinos e das luzes eternas, sua alma silenciosa e solitária preside à salvação das almas e às conquistas da Igreja.
Dom J. B. Chautard in 'A alma de todo apostolado' (Edit. Colecção, São Paulo, 1962, pp., 53-54)
domingo, 6 de novembro de 2022
O Santo que foi em jejum para a Batalha de Aljubarrota
Em Aljubarrota, antes que amanhecesse, começou a ouvir suas missas, e naquela tenda onde ele estava, clérigos davam o Santo Sacramento a quantos comungar queriam. Pouco antes da batalha chegaram-lhe alguns parlamentários, entre eles seu irmão Diogo, e por duas vezes observou-lhes: sois mais numerosos e melhor preparados, maior porém é o poder de Deus e a sua ajuda. Não sei se sois hereges ou infiéis, mas sei que o vosso rei faria melhor em tirar-se da excomunhão. E durante todo esse dia conservou-se em jejum, por ser a vigília de Santa Maria d'Agosto.
Impressionante, quase lendária, é a sua atitude em Valverde: Nuno a rezar, escondido entre penhascos, no mais aceso da luta, quando as suas hostes estavam na iminência de uma derrota fatal. Mesmo informado do perigo, pelos que angustiados o encontraram, terminou calmamente as suas orações. Ainda não chegara a sua hora. Mas quando se levantou, era outra vez o guerreiro destemido e sempre vencedor. Mas disse mal, não era outra vez o guerreiro, pois não o deixara de ser quando estava a rezar. Nuno era diferente de nós, que assim o julgamos.
Criado e crescido no serviço de Deus, nele interpenetravam-se o natural e o sobrenatural, ou mais exactamente: toda a sua actuação natural era aperfeiçoada e elevada pelo sobrenatural. Vivia na presença de Deus em todos os momentos e circunstâncias. Os seus afazeres e obrigações de estado não o afastavam de Deus - cumpria-as, olhos fitos em Deus." (Manuel Maria Wermers, O. Carm.)
"Todos os dias ouvia duas missas e três nos sábados e domingos (...) confessava-se amiúde e comungava quatro vezes por ano: pelo Natal, Páscoa, Pentecostes e Santa Maria de Agosto, o que se admirava muito, visto os leigos, então, quase só comungarem pela Quaresma. Diariamente, rezava as suas Horas, levantando-se pontualmente a rezar Matinas à meia-noite, como se fosse um religioso; e isto enquanto viveu no mundo. Jejuava às quartas-feiras, sextas e sábados, e guardava todas as festas e dias prescritos pela igreja. Do jejum nunca se dispensava mesmo que viesse a cair nos dias em que havia de dar batalha. Este exercício de mortificação observou com o rigor costumado nos dias em que se travaram as batalhas dos Atoleiros e Aljubarrota, pois esta ocorreu na Vigília de Nossa Senhora da Assunção, 14 de Agosto de 1385, e aquela na Quarta-Feira Santa, 16 de Abril de 1384." J. Vaz de Carvalho, S. J.
Logo a seguir à Batalha de Aljubarrota o Santo Condestável pôs mãos à obra de tributar à Senhora a sua homenagem. Tal facto de o Beato Nuno ter começado a planear uma tão grandiosa obra em honra de Maria levou a crer a vários autores que o mosteiro de Santa Maria tivesse resultado de um voto feito durante a Batalha de Aljubarrota ou Valverde. Crê-se, porém, mais plausível a opinião de Pereira de Sant'Anna que refere que a fundação não provinha de um determinado favor, senão das múltiplas mercês que a Virgem lhe havia concedido em várias ocasiões.
O beato Nuno deve ter sentido muitas vezes a mão protectora da Virgem a quem tão ternamente amava. Nada mais tolerável que, vivendo a Pátria em paz, pensasse em retribuir à Senhora os favores recebidos. Em 1386, decorrido um ano após Aljubarrota, já estava alcançada licença do monarca e do Pontífice Urbano VI para a fundação do mosteiro. Foi lançada a primeira pedra em Julho de 1389. O imenso trabalho dos alicerces prolongou-se até ao ano de 1397 devido à fraca consistência do terreno e só em 1407 eram possíveis os primeiros actos cultuais no templo, não havendo por agora acomodação no edifício do claustro para os frades.
Pela bula de 1386 do Papa Urbano VI vê-se que o Condestável não havia ainda determinado os moradores do convento, ou não tinha ainda, pelo menos, tornado pública a sua decisão. Quando cerca de 1392, escreveu ao vigário-geral dos carmelitas de Moura convidando-os a tomar conta do seu mosteiro, fala de conversas havidas já anteriormente a esse respeito. Pelo menos no ano de 1392 não era segredo para o vigário-geral que o convento de Lisboa era destinado aos Carmelitas. Que o Condestável desde o início havia pensado nos Carmelitas não no-lo diz a História. Todavia compreende-se que teria feito questão para o templo da Santa Maria, sua homenagem à Mãe de Deus, ser entregue a quem reconhecia os mais devotados à Virgem.
Ao entrar o portal do Mosteiro de Santa Maria do Carmo, onde acabou os seus dias, outra coisa não tinha além da samarra de pano que vestia, e vestia sempre até que Deus o levou". O desapego atingia o auge. Longe do mundo podia agora sem peias entregar-se a Deus e à Santa Virgem. Nuno de Santa Maria era o seu nome, porque quis ser filho devotado da sua Santíssima Mãe. Já de idade avançada e tendo sempre sido o general a quem todos e tudo se curvava, podemos compreender a ígnea espada, animava-o a usar contra si as armas do espírito de que fala o capítulo XV da Regra.
Não dava tréguas à própria natureza; não era ele um incansável militante de Cristo? Os pobres, que o rodeavam à porta do convento, constituíam a sua felicidade, pois via neles a imagem do Senhor. Não são do Senhor as palavras de "aquilo que fizerdes a um dos mais pequeninos a mim o fazeis"? Já no mundo se tinha dedicado a esta virtude da perfeição cristã: a caridade. Não seria perfeito religioso se o não fosse cristão, ele o sabia; daí a sua ânsia da prática do bem para os outros, a quem amava como ao próprio Jesus. A si mesmo não poupava; não lhe bastava a humílima condição que levava no mosteiro.
O mundo também devia saber que o grande Condestável era uma aragem de glorioso passado. Saiu a esmolar pelas ruas, pedindo a caridade de um pedaço de pão e um copo de água. Quem havia de reconhecer, neste frade mendigo, o herói de Atoleiros. Aljubarrota e Valverde? À espiritualidade Carmelita, a essa sim, devia aplicar-se com todas as forças da alma. Não lhe bastava a solidão do convento e o silêncio da sua cela; construiu na cerca do mosteiro uma pequena ermida em honra da Mãe de Deus onde, horas a fio, meditava em doces colóquios com os seus amigos. Era uma alma profundamente Carmelita, imbuída do espírito da Ordem.
O essencial para o monge carmelita é a união com o Senhor, por meio de Sua Mãe. B. Nuno compreendeu-o perfeita e completamente. Na sua pobre cela apenas quis a imagem de Cristo crucificado. As paredes eram nuas: só se viam nelas uns cilícios e disciplinas. Na ermida do claustro do convento conservava uma imagem da Virgem da Assunção; e nada mais... Passava longas horas diante do Santíssimo Sacramento a rezar, sempre a rezar... Buscando contacto com o Criador em cuja presença devia viver, conforme disse, "como pedra no seu centro".
Nove anos passou dentro de paredes do convento preparando-se para o derradeiro combate. Não conseguiu, no entanto, aquilo que era sua tenção: ser esquecido pelo mundo! Mas sucedeu o contrário: a sua fama de santidade passava irradiante para fora dos muros do mosteiro e, através dos séculos, chegou até nós."
Quem foi São Nuno de Santa Maria?
Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.
Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.
Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.
Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria.
Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.
Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.
Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.
As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.
O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.
in vatican.va
in vatican.va
sexta-feira, 4 de novembro de 2022
Peregrinação Summorum Pontificum 2022: Vésperas Pontificais no Panteão
A XI edição da Peregrinação Summorum Pontificum, em Roma, começou com as Vésperas cantadas no Panteão (igreja de Nossa Senhora dos Mártires). O Pontífice foi o Cardeal Matteo Zuppi, Arcebispo de Bolonha e Presidente da Conferência Episcopal Italiana.
Segundo os números oficiais dos responsáveis pelo Panteão estiveram presentes cerca de 700 pessoas, o que constitui um recorde em relação às edições anteriores desta peregrinação que acontece todos os anos em Roma.
Oração de São Carlos Borromeu ao Anjo da Guarda
Meu bom Anjo da Guarda, não sei quando e de que modo irei morrer. É possível que eu seja levado de repente ou que, antes do meu último suspiro, eu me veja privado das minhas capacidades mentais. E há tantas coisas que eu quereria dizer a Deus, no limiar da Eternidade...
Por isso hoje, com a plena liberdade da minha vontade, venho pedir, Anjo da minha guarda, que faleis por mim nesse temível momento. Direis, então, ao Senhor:
- Que quero morrer na Santa Igreja Católica, Apostólica Romana, no seio da qual morreram todos os santos, depois de Jesus Cristo, e fora da qual não há salvação;
- Que peço a graça de participar nos méritos infinitos do meu Redentor e que desejo morrer pousando os meus lábios na Cruz que foi banhada com o Seu Sangue;
- Que aborreço e detesto os meus pecados que ofenderam a Jesus e que, por amor a Ele, perdoo os meus inimigos, como eu próprio desejo ser perdoado;
- Que aceito a minha morte como sendo da vontade de Deus e que, com toda a confiança, me entrego ao Seu amável e Sacratíssimo Coração, esperando em toda a sua misericórdia;
- Que, no meu inexprimível desejo de ir para o Céu, me disponho a sofrer tudo quanto a Sua soberana Justiça haja por bem infligir-me.
Não recuseis, ó Santo Anjo da minha guarda, ser o meu intérprete junto de Deus e expor diante d'Ele que estes são os meus sentimentos e a minha vontade. Ámen.
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
Requiem: Lux aeterna
Dia dos fiéis defuntos
Hoje é um dia para nos lembrarmos dos que já morreram, especialmente das pessoas mais próximas de nós: família e amigos. É um dia para rezar (ainda) mais por eles e, se for possível durante este mês, visitar os locais onde estão sepultados, caso as suas cinzas não tenham sido "aspergidas" pelo Oceano Atlântico.
É importante não nos esquecermos dos que morreram antes de nós, porque lhes devemos ser gratos por tudo o que deles recebemos e também porque lhes devemos orações, sempre na esperança que nos voltemos a encontrar na Vida Eterna.
É um dia para nos lembrarmos (ainda) mais da nossa morte. É uma ideia que, quando a temos presente, nos ajuda a levar uma vida mais virtuosa. Ajuda-nos a relativizar muitos problemas que consideramos inultrapassáveis. Faz-nos estar mais atentos ao que realmente importa, porque percebemos que não vamos levar connosco dinheiro nem poder nem prazeres mundanos nem as opiniões dos outros sobre nós. De que é que isso nos vai valer quando estivermos a ser julgados? Nada.
Nesse momento, toda a nossa vida, desde o princípio ao fim, vai ser julgada pelo Amor, que é Deus, e que nos vai mostrar o quanto nos ajudou, muitas vezes sem repararmos, tantas vezes sem agradecermos. E quantas vezes O rejeitámos. O que vai ser decisivo para a nossa salvação é o amor que tivemos a Deus, e, por causa disso, o amor que tivemos às outras pessoas. Que a misericórdia de Deus nos valha nesse momento.
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Solenidade de Todos os Santos
Hoje a Igreja celebra o dia de Todos os Santos. Neste dia lembramos, e homenageamos, todos os que já se encontram na Presença de Deus, na felicidade infinita e eterna. A estes chamamos a Igreja Triunfante e pedimos que intercedam junto de Deus por nós, que somos a Igreja Militante, e também pelas almas do purgatório, que representam a Igreja Purgante.
Todos os Anjos e Santos, rogai por nós.
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