O Bispo Athanasius Schneider recordou a sua infância na Igreja clandestina da União Soviética durante uma conferência em Cobh, na Irlanda:
«Houve tempos [na antiga União Soviética] em que tínhamos reuniões como esta, mas tínhamos de fechar as janelas e as portas porque éramos vigiados pela polícia secreta, e tínhamos de esconder os padres.»
Ele contou a história do Bispo Alexander Chira (1897-1983), um bispo greco-católico clandestino a quem as autoridades soviéticas insistiram «para não negar Cristo, mas apenas para se tornar ortodoxo», quebrando assim a comunhão com Roma.
«Ele recusou», disse o Bispo Schneider, e, em consequência, foi preso em «vários campos de concentração, chamados gulags».
Depois, o Bispo Chira viveu em prisão domiciliária em Karaganda, ocultando a sua identidade de bispo: «Ele não podia revelar a sua identidade de bispo», disse o Bispo Schneider. «Caso contrário, seria enviado de volta. Assim, só podia dizer às pessoas: “Eu sou o Padre Alexander.”»
Os padres católicos celebravam a Missa em casas particulares sob restrições constantes.
À medida que a comunidade crescia, pediram autorização para construir uma igreja. Os funcionários comunistas recusaram: «É impossível. Estamos numa sociedade comunista e ateia. Não se podem construir igrejas.» A autorização só veio depois de os católicos alemães locais terem advertido que emigrariam para a Alemanha caso o pedido fosse fosse negado.
As autoridades exigiram que a igreja se assemelhasse a um salão comum e limitaram a sua altura. Os fiéis responderam cavando para baixo, criando uma espaçosa igreja subterrânea adornada com «frescos no tecto, ouro, altares laterais, belíssima, realmente, com tanto amor».
Quando ficou concluída, os fiéis perguntavam-se quem a poderia consagrar, acreditando que já não restava nenhum bispo católico entre eles. A 29 de Junho de 1980, o Padre Alexander apareceu com paramentos episcopais, revelando a sua identidade pela primeira vez.
«O povo começou a chorar», recordou o Bispo Schneider. Uma senhora idosa disse-lhe mais tarde que «houve mais lágrimas do que água benta na inauguração».
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