terça-feira, 10 de setembro de 2019

Mais de 100 milhões de fiéis Católicos em todo o Mundo desejam viver a sua Fé ao ritmo da Liturgia Tradicional

Tendo já visto que a Missa tradicional é hoje em dia celebrada em cerca de 80 países e tendo mostrado que mais de 4500 sacerdotes católicos celebram hoje a missa segundo o usus antiquior, na presente carta trataremos a questão do número de fiéis católicos que, mundo afora, se encontram ligados à liturgia tradicional da Igreja. Pedimos, por isso, a Christian Marquant que nos apresentasse os resultados do inquérito que expôs durante as jornadas Summorum Pontificum.

Paix Liturgique - Nesta terceira parte do nosso balanço, iremos tratar da questão dos fiéis ligados à missa tradicional.

Christian Marquant – Para responder a esta questão, será necessário percorrer o caminho que fizemos desde os tempos de "Oremus" até hoje. Lembro que 30 anos atrás, as autoridades eclesiásticas não estavam dispostas a reconhecer que a nossa existência era uma realidade... Por isso, foi-nos necessário pôr em marcha não só uma reflexão mas também aqueles meios que, ao longo de mais de três decénios, permitiram que justamente chegássemos hoje a formular uma estimativa de qual seja o número dos fiéis católicos que mundo afora estão ligados à liturgia tradicional. Primeiro, foi necessário reflectir a fim de chegar a obter uma resposta satisfatória para França...depois foi a vez do resto do mundo!

Paix Liturgique - Qual foi o procedimento adoptado?

Christian Marquant – Num primeiro momento, procedemos a um inventário para França do número de missas tradicionais, para assim chegarmos a estabelecer o número de fiéis que a elas assistiam.

Paix Liturgique - E consegue obter desse modo o número exacto dos fiéis que praticam a forma extraordinária?

Christian Marquant – Não, mas consegue-se um primeiro número. Como sabe, a missa tradicional é muito pouco celebrada quando comparada com a forma ordinária. Isso é verdade para França, mas ainda o é mais para muitos outros países. Por isso, há muitíssimos fiéis que, estando distantes das capelas tradicionais, não podem assistir a estas celebrações regularmente. 

Mas mais ainda: hoje, muitos católicos, mesmo entre os que estão ligados à missa tradicional, não praticam todos os domingos, ou porque estão influenciados pelo laxismo circundante, ou, pelo contrário, porque, em não podendo assistir à missa tradicional, preferem não assistir à missa e lê-la num missal, considerando ser-lhes demasiado difícil ter de suportar a missa nova. É por isso necessário introduzir uma correcção no valor do núcleo dos fiéis contabilizados num dado domingo, tendo em conta destes dois parâmetros.

Paix Liturgique - Será que os sacerdotes que servem esses locais têm consciência disso?

Christian Marquant – Certamente! Ainda que nem todos consigam abarcar bem este facto. Quanto a mim, creio que, tomando em conta os elementos que referi, o total dos praticantes num dado domingo deverá ser multiplicado em média por 3, se quisermos medir o número real dos praticantes ligados a uma certa capela. E sobretudo se quisermos considerar os praticantes muito irregulares que não frequentam a igreja senão nas grandes festas como no Natal ou na Páscoa, ou no Domingo de Ramos, que ainda interpelam muitos dos semi-praticantes.

Paix Liturgique - Tudo considerado, qual o número para um país como a França?

Christian Marquant – Se estimarmos que, em França, há cerca de 450 capelas onde se celebra a missa tradicional e que o conjunto médio de fiéis será de 150, deparamo-nos com uma base de praticantes de pelo menos 67.500 cada domingo.

Paix Liturgique - E é este o número que lhe mereceria correcções?

Christian Marquant – Precisamente! Aplicando o multiplicador 3 – isto é, se estimarmos que, cada domingo, são 67.500 os fiéis que assistem a uma missa tradicional em França – é então legítimo pensarmos que os praticantes ligados a estas capelas perfazem um total mínimo de 200.000 fiéis católicos.

Paix Liturgique - Não é relativamente pouco?

Christian Marquant – Sim, é de facto pouco por comparação com os 40 milhões de franceses que se declaram católicos, mas não esqueçamos que, destes 40 milhões, apenas cerca de 2,4 milhões se podem considerar como praticantes "regulares" segundo critérios próximos dos que assumimos para chegar ao número de praticantes "tradis" em França. Isto significa que os nossos 200.000 fiéis que frequentam a liturgia tradicional poderiam representar hoje cerca de 8% dos praticantes franceses, o que está bem longe de ser ridículo.

Mas não podemos quedar-nos por aqui; não nos podemos contentar com este tipo de contagem. De facto, no encontro precedente, mencionei que o número de capelas onde se celebra a missa tradicional é tão modesto, que devemos ter em conta não apenas os fiéis que assistem às missas "extraordinárias", mas também os que o desejariam e não o podem fazer de modo habitual.

Paix Liturgique - E no entanto, hoje temos há disposição meios de transporte que permitiriam a todos participar destas celebrações...

Christian Marquant – Em teoria, tem razão, mas só alguns raríssimos fiéis, que poderíamos comparar a autênticos heróis, conseguem fazer essa opção. A imensa maioria dos fiéis ligados à missa tradicional são senhoras e homens, motivados sem dúvida, mas para os quais, por várias razões – idade, famílias numerosas, fracos meios financeiros, obrigações familiares ou sociais, etc. – essa opção não parece ser razoável. Além de que uma parte deles pertencem aos "silenciosos da Igreja".

Paix Liturgique - O que entende por "silenciosos da Igreja"?

Christian Marquant – Os "silenciosos" são aqueles católicos que não se sentem à vontade com as inovações impostas no seio da Igreja desde há 50 anos em matéria de catequese e de liturgia. Eles não têm por hábito contestar ou manifestar-se junto das autoridades, contentando-se em seguir, mas arrastando os pés, enquanto aguardam por melhores dias que hão-de vir, assim o esperam, quando as coisas do culto haverão de estar de harmonia com o seu instinto espiritual e doutrinal, aquilo que, no meu entender, podemos chamar de instinto da fé.

Paix Liturgique - Mas então estes "silenciosos" jamais se manifestam?

Christian Marquant – Eles deixaram de o fazer, ou não o fazem com vigor, e entende-se porquê. Todas as vezes que abordei alguns destes fiéis, constatei que, nas respectivas paróquias, quando as inovações iniciaram, eles haviam feito saber ao seu pároco quais eram as suas aspirações e quais as suas discordâncias; todavia, como, as mais das vezes, foram violentamente repreendidos e apodados de"velhos do Restelo", saudosistas, retrógrados, nostálgicos, frequentemente passaram a preferir calar-se ... ou mudar-se para outro lugar.

Paix Liturgique - Crê que é daí que vem a queda na prática religiosa?

Christian Marquant – Seria indubiamente exagerado reduzir o fenómeno da queda na prática religiosa no Ocidente apenas a este motivo. A razão principal, segundo o historiador Guillaume Cuchet, está no sentimento generalizado de que o Concílio teria eliminado da vida dos católicos todo e qualquer dever absolutamente obrigatório. Mas há também esse apsecto do desamor dos fiéis a respeito da Igreja desde o Concílio, nomeadamente em relação à igreja enquanto edifício. Um outro historiador, Luc Perrin, mostrou até que ponto as profundas alterações do espaço cultual descontentaram e desalentaram os fiéis praticantes. É aliás notório que um número não insignificante de católicos deixaram de praticar por fuga à revolução litúrgica, porque lhes tinham "mudado a religião". 

Na verdade, todos estes motivos estão interligados: o clero conciliar, de lés a lés, pretendeu impor uma nova maneira de rezar e de crer, o que, para lá do juízo de fundo que possamos fazer a respeito desta inovação, acabou por não funcionar em absoluto do lado dos fiéis. Seria uma heresia? Pode até ser, mas, em todo o caso, trata-se indiscutivelmente de um fracasso, sabendo como se sabe que, em França, temos hoje em dia uma prática religiosa reduzida a 2% dos baptizados em França!

Paix Liturgique - Perdoe-me se insisto, mas como consegue medir a importância destes fiéis silenciosos, se, por definição, eles não se manifestam?

Christian Marquant – Eles não se manifestam de modo vigoroso, mas, ainda assim, eles exprimem-se, sobretudo quando se lhes dá ocasião para isso. Desde os anos 70, isto é, desde a brutal imposição da reforma litúrgica nas nossas paróquias, tivemos já diversas ocasiões de assistir a isso, ou seja, ocasiões para medir a amplitude desse desamor.

De facto, o termo "silenciosos" foi inventado por Pierre Debray, um homem fascinante, um convertido e um tribuno magnífico, que deu ao seu próprio movimento o nome de "Silenciosos da Igreja". Mas pela sua parte, Pierre Debray falava bem alto em nome dos outros! Ele reuniu uma "Assembleia dos Silenciosos da Igreja" em Versalhes, em Novembro de 1970, cujo sucesso deve ter feito reflectir aos especialistas em sociologia religiosa. Mas estes permaneceram por longo tempo cegos, não obstante todos os sinais que podiam detectar.

Nomeadamente, este: em 1976, a meio de um Verão em que muito se falava de Mons. Lefebvre, a quem acabava de ser aplicada uma primeira sanção, o jornal diário de Lyon, "Le Progrès", encomendou uma sondagem ao organismo Ipsos a respeito do "Caso Lefebvvre". Os resultados foram realmente extraordinários – vamos aliás publicar de novo na íntegra esta sondagem histórica na próxima carta da Paix Liturgique. Faço aqui notar dois dados:

- 28 % dos católicos interrogados aprovavam a decisão de Mons. Lefebvre de ordenar sacerdotes desprovido de mandato de Roma;
- e sobretudo, 48 % dos católicos praticantes estimavam que "A Igreja de hoje, com o pretexto da reforma, tinha ido longe demais" …

Interrogado pelos jornalistas, o Cardeal Renard, arcebispo de Lyon à época, confessava-se surpreendido com estes números. Todavia, tanto quanto sabemos, nem por isso o efeito destes números levou os nossos bispos a proceder a novos inquéritos ou, então, a criar uma comissão no seio da conferência episcopal francesa. Como quer que seja, nessa época, os responsáveis eclesiásticos eram incapazes de ver esta realidade: eram eles, e só eles, que sabiam o que era melhor para a Igreja e para os cristãos, e nada havia que os pudesse fazer desviar do seu grande plano reformador.

Como bem compreende, o nosso desejo era, bem ao contrário, o de saber mais acerca destes "silenciosos" com quem nos cruzávamos frequentemente e o de tentar medir este fenómeno no início do terceiro milénio, 35 anos após o fim do Concílio.

Paix Liturgique - E o que fez de seguida?

Christian Marquant – Mais sondagens. Foi, de facto, neste contexto que a "Oremus – Paix Liturgique" se lançou nesta aventura das sondagens. Lembremos, no entanto, que se tratava de um domínio que nos era estranho e do qual não tínhamos qualquer experiência. De mais a mais, era uma aventura dispendiosa, e alguns amigos chegaram a aconselhar-nos a não nos aventurarmos nisto porque o próprio princípio das sondagens era malsão... (conquanto seja precisamente este o método habitualmente utilizado pelos nossos adversários).

Foi assim que, em 2001, atravessámos o Rubicão – a frase é algo exagerada, mas não completamente, se considerarmos os resultados espantosos que viemos a apurar: a longo prazo, um autêntico golpe de Estado, ou golpe de Igreja – e encomendámos a nossa primeira sondagem à Ipsos. Depois, repetimos a experiência, ainda em França, em 2006 e 2008, por ocasião da vinda do Papa Bento XVI a França, desta feita recorrendo, em ambas as ocasiões, aos serviços da CSA.

Não entremos agora em pormenores, que são narrados nas nossas brochuras, que todas as pessoas nos podem pedir. Fiquemos pelos resultados. Observamos desde logo que os resultados das três sondagens são globalmente os mesmos, o que indicia uma grande estabilidade de posições.

Dos resultados obtidos, destacaria aqui três números:

a) em traços largos, 30% dos católicos praticantes assistiriam de bom grado à missa "extraordinária", se a mesma fosse celebrada nas suas paróquias;

b) dois terços dos católicos acha normal a coabitação das duas formas do rito na própria paróquia;

c) os opositores desta pluralidade litúrgica (ou seja, do reconhecimento do direito de cidade à forma tradicional) representam menos de um terço dos católicos, conquanto sejam eles a deter ainda as rédeas das paróquias e das estruturas do catolicismo francês, opondo-se vigorosamente a medidas de pacificação.

Paix Liturgique - Qual a lição a retirar destes resultados?

Christian Marquant – O resultado mais importante a reter é o de que, agora, podemos contabilizar aqueles "silenciosos": sabemos finalmente que eles correspondem a estes 30% dos paroquianos que desejam poder assistir à missa tradicional NAS SUAS PARÓQUIAS.

Valores estes, que se lhes aplicamos o método que põe em relação a quantidade dos fiéis tradicionais com a prática atestada, mostram que os fiéis ligados à missa tradicional não são na realidade 200.000 mas sim, pelo menos, 25% dos católicos franceses, isto é, pelo menos, 10 milhões de Franceses! O que muda tudo...

Paix Liturgique - Como conseguiu pôr em marcha esta obra das sondagens também fora de França?

Christian Marquant – Já chegava de ouvir os inimigos da Paix que nos puxavam as orelhas dizendo que o fenómeno tradicional não era senão uma coisa estritamente franco-francesa. Pois bem sabíamos pelos nossos amigos italianos e de outros lados que este movimento era dinâmico na maior parte do mundo católico. Nessa altura, estávamos em contacto com os nossos amigos do blog italiano "Messainlatino"*, a quem propusemos que se lançasse uma sondagem semelhante em Itália.

Cumpre dizer, claro está, que, à parte "Messainlatino", os nossos amigos em Itália, em geral, procuravam dissuadir-nos, afirmando que o seu país não era como a França e que os resultados seriam maus, ou até mesmo catastróficos... Em suma, uma autêntica síndroma de Estocolmo!

Apesar de tudo isso, lançámos uma sondagem de opinião em 2009, em parceria com os nossos amigos de "Messainlatino", encomendada ao instituto Doxa. Passo em silêncio os pormenores... Os resultados, esses, foram ainda melhores do que os obtidos em França:

- 71% dos italianos "Achavam normal a celebração das duas formas do rito nas suas paróquias";
- e mais de 60% dos católicos praticantes desejavam poder assistir à missa tradicional NA SUA PARÓQUIA.

Paix Liturgique - Foi então que decidiu avançar com esta campanha?

Christian Marquant – Assim foi, e somente as questões económicas nos impediam de o fazer imediatamente. No entanto, entre 2010 e 2017, ainda fizemos realizar sondagens semelhantes em 7 países, a saber, na Alemanha, em Portugal e na Grã-Bretanha, em 2010, depois na Suíça e em Espanha, em 2011, e por fim, na Polónia e no Brasil, em 2017.

Paix Liturgique - Com que resultados?

Christian Marquant – Com resultados idênticos e, por vezes, ainda melhores do que em França. JAMAIS PIORES.

Por exemplo, em Portugal, país muito sinistrado, liturgicamente falado, os resultados foram extraordinários (30% dos católicos praticantes assistiriam de bom grado TODAS AS SEMANAS À LITURGIA TRADICIONAL, e 25% mais ou menos uma vez por mês...)

Os pormenores de todas as sondagens podem encontrar-se nas nossas brochuras...

Tudo visto, o resultado mais espectacular é de que, nos 10 países onde levámos a cabo as sondagens, encontramos um mínimo de 25% de fiéis que desejariam viver a sua fé católica ao ritmo da liturgia tradicional nas respectivas paróquias.

Paix Liturgique - Qual o significado deste resultado?

Christian Marquant – Concretamente, isto significa que, mundo afora, 25% dos católicos têm uma atração pela liturgia tradicional, a qual, em geral, não conhecem senão através de contactos episódicos de ouvir dizer, e que eles estão insatisfeitos com a liturgia que se lhes serve, se me permite a expressão.

Ora, atendo-nos às estatísticas do Vaticano, os fiéis católicos de rito latino são hoje 1.299.000.000**. Poderíamos, pois, estimar que um quarto de entre eles constitui em potência o povo Summorum Pontificum.

E mesmo se não retivermos senão uma fracção desse número total reduzindo-a a 10%, teríamos em todo o planeta um mínimo de 130 milhões de católicos que, de modo mais ou menos explícito, estariam à espera que se lhes ponha à disposição uma liturgia "como dantes" ou, se estiverem melhor informados, que esperam que os seus pastores apliquem o motu proprio proclamado por Bento XVI a 7 de Julho de 2007.

Paix Liturgique - Não acha, no entanto, que essa atracção apenas diz respeito aos fiéis da velha Europa?

Christian Marquant – Desenganemo-nos: os outros são mais católicos do que nós! Em 2017, realizámos uma sondagem fora da velha Europa, no Brasil, e os resultados são ainda mais favoráveis em prol da missa tradicional do que os obtidos em França.

Mas a sua interrogação é também a nossa: e é por isso mesmo que acabámos de encomendar uma sondagem na Coreia, a admirável Coreia católica, cujos resultados serão publicados muito em breve. Mas posso adiantar desde já que são tão bons como os que obtivemos na Europa ou no Brasil. O que nos permite afirmar claramente que a nossa estimativa mundial não é infundada e que seria erróneo querer aplicá-la somente à velha Europa. O mundo inteiro espera uma renovação litúrgica!

Paix Liturgique - Tem intenção de continuar com as sondagens?

Christian Marquant – Sim, se a Providência nos ajudar a encontrar doadores generosos que no-lo permitam. Em média, uma sondagem do género destas de que falámos custa 7.500 €. Neste momento, já lançámos (a pedido do Cardeal Raymond Burke) uma sondagem nos Estados Unidos. Prevemos já, pelo menos, uma sondagem no México, outra na Ásia...

Há também aqueles países onde a situação económica torna difícil a realização de uma sondagem. Penso nomeadamente à maior parte dos países africanos. Temos ainda o projecto de realizar viagens missionárias a países onde a missa tradicional ainda não existe, mas onde a nossa intuição nos diz que os "silenciosos" a esperam.

Paix Liturgique - Estas viagens missionárias são ainda um projecto ou são antes uma realidade próxima?

Christian Marquant – Já levámos a cabo várias viagens deste tipo, que relataremos em cartas futuras. Dou-lhe um exemplo. Em Janeiro de 2018, empreendemos uma missão exploratória em Angola, um país onde, hoje em dia , ainda não é celsbrada a missa tradicional (ou melhor, não o é mais, porque outrora, era-o). Pois posso dizer que encontrámos aí numerosos sacerdotes e fiéis que anseiam por esta celebração. Descobrimos que a Fraternidade São Pio X tem a intenção de aí se instalar num futuro próximo... Nem é preciso dizer que é evidente que ajudaremos estes angolanos para que possam beneficiar da missa tradicional e esperamos que este país já possa figurar no nosso Balanço 2019 entre os países onde a missa extraordinária é celebrada.

Paix Liturgique - Concluindo?...

Christian Marquant – São Tomás diz que todo o homem que vem a este mundo é ordenado à Igreja. É por isso que todo o cristão deve ser um missionário. Falando de liturgia, diria, de modo mais directo, que todos os católicos romanos têm necessariamente – se é verdade que ainda são católicos – a nostalgia da liturgia romana na sua plenitude.

Mais concretamente ainda, os fiéis que anseiam pela liturgia tradicional ou que a ela estão ligados são certamente mais de 100 milhões em todo o planeta. Exagero? Creia-me: as luas conciliares ficam cada vez mais velhas, e poderá ser que, muito em breve, assistamos na Igreja a "regressos" espantosos. Em todo o caso, nos próximos dez anos, verá que a missa tradicional será celebrada em todos os países que tenham uma comunidade católica latina. A questão imediata que se põe não é, por conseguinte, a de saber quantos sejam os fiéis "silenciosos" mundo afora, mas a de saber como é que todos nós, sacerdotes e leigos, vamos poder ajudar estes sacerdotes e leigos, nossos irmãos, que estão dispostos a vivê-la para seu maior bem espiritual e doutrinal e para a maior glória de Deus.

* Veja-se a nossa carta 677, "MESSAINLATINO aux origines d'une prise de conscience traditionnelle en Italie"
** Annuaire statistique de l'Église 2016 , Libreria Editrice Vaticana , 2018, págs. 17-19.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Em que consiste a virtude da Fortaleza?

Fortaleza é uma virtude pela qual a vontade é de tal modo robustecida que não desiste de fazer o bem, por muito árduo que ele seja, nem por causa das dificuldades, nem pelo perigo de morte. A virtude da fortaleza manifesta-se principalmente na constância em suportar o peso da dor. 

Muito contribuem para conservar a fortaleza, além da oração, a comparação da fragilidade dos bens terrenos com a grandeza dos bens eternos, a previsão dos males a que estamos sujeitos, o costume de agir decididamente nas coisas pequenas, o fervoroso amor de Deus. São virtudes inseparáveis da fortaleza: a magnanimidade, a paciência e a perseverança.

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica (1945)


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Dominicanos disponibilizam cursos gratuitos sobre ensinamentos de S. Tomás


Washington DC. É de esperar que o nome da capital norte-americana nos sugira todo o tipo de sentimentos, talvez até contraditórios entre si. Há décadas que nos habituámos a tê-la como indisputado centro do mundo porque os Estados Unidos têm sido a única verdadeira super-potência à escala global, aliando à sua supremacia militar, económica e tecnológica – hard power – a sua esmagadora influência cultural – o seu soft power.

Assim, Washington representa e sintetiza tudo o que de melhor e pior os EUA têm para oferecer ao mundo. Se o gender, o progressismo católico mais terminal e a cultura da morte lhe são tributários, a capital do Ocidente tem também sabido gerar – certamente sob o influxo do Espírito do Senhor que vem regenerar todas as coisas – uma contra-cultura que afinal não é mais do que tirar as coisas velhas sempre novas do tesouro da Tradição Católica e de que o Evangelho nos dá conta.

Nesta dinâmica cultural contra-corrente que visa reconstruir a Cidade de Deus acreditamos que se insere, com destaque, o Thomistic Institute da Pontifícia Faculdade da Imaculada Conceição (https://thomisticinstitute.org), regida pelos dominicanos fiéis à tradição tomista da Dominican House of Studies de Washington DC.
           
Este Instituto, que já tem marcado presença entre nós por meio de conferências de grande qualidade de alguns dos seus membros, oferece agora um extraordinário conjunto de conteúdos e cursos formativos gratuitos, disponíveis on-line, sobre o pensamento do Doutor Universal da Igreja. 

De entre os cursos disponíveis, de extensão variável a começar nos 6 vídeos, o Aquinas 101 (https://aquinas101.thomisticinstitute.org) consta de dois vídeos por semana enviados por e-mail, no total de 86 vídeos, e apresenta-se como uma introdução ao pensamento daquele que como nenhum outro sintetizou a verdade da Revelação nas Sagradas Escrituras e na Santa Tradição da Igreja com o produto filosófico mais nobre da razão humana.

Aos nossos amigos, aos curiosos, ao homens cultos e àqueles que procuram a Verdade de coração sincero, aos católicos que desejam aprofundar a tradição intelectual que foi o sustentáculo da Cristandade por tantos séculos, temos muito gosto de recomendar este curso com a chancela do Thomistic Institute de Washington DC.

E atrevemo-nos a dizer: aqui residirá o verdadeiro hard power capaz de transformar o mundo à imagem do seu Divino Criador.


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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Superior dos Jesuítas suspeito de heresia?

A existência do diabo como uma realidade pessoal, e não meramente como um símbolo do mal, é um artigo de fé (Ott, Fundamentals 126-131; Catecismo da Igreja Católica 395, 2851). A negação de um artigo de fé é um elemento do crime canónico de heresia (1983 CIC 751), um acto punível por medidas até, e incluindo, a excomunhão, a demissão do estado clerical e/ou a perda de ofício eclesiástico (1983 CIC 1364, 194).

O Padre Arturo Sosa, sj, superior geral da Companhia de Jesus, nega a realidade pessoal do diabo, descreve-o como um símbolo do mal, e já expressou tais pontos de vista antes. Parece-me que aquelas afirmações justificam uma resposta, não apenas de bloggers e estudiosos, mas daqueles que têm autoridade sobre estes assuntos.

Há, concedo, alguns problemas práticos: o termo “heresia” tem sido usado de modo vago nas últimas décadas (talvez mesmo séculos), as sanções da excomunhão e da remoção do cargo são elas mesmas muito pesadas, e as os procedimentos latae sententiae (automáticos)  pelos quais tais consequências são supostamente aplicadas aos infractores são controversos na teoria e na prática, de tal forma que poucos na liderança eclesiástica (incluindo a maioria dos membros considerados conservadores) desejam “puxar o gatilho” em tais casos e, como resultado, afirmações como as do Padre tais Sosa provocam pouca, ou nenhuma, resposta dos líderes da Igreja, com danos inevitáveis ​​aos fiéis.

O que fazer?

O Código Pio-Beneditino, talvez atento ao dilema de que os cânones penais 'tudo ou nada' punham à autoridade, dispunha de uma disposição interessante que permitia aos Bispos e superiores agir em casos de heresia provável sem invocar os rigores totais de um processo de excomunhão: O cânone 2315 do Código de Direito Canónico de 1917 (ver abaixo) estabeleceu a categoria criminosa de “suspeita de heresia” que permitiu às autoridades da Igreja exigir esclarecimentos formais e/ou retracções, daqueles cujos pronunciamentos cheiravam a heresia, sem exigir imediatamente que se mudasse para um processo completo por heresia. 

Se essas solicitações formais de emenda não fossem atendidas, obviamente poderia ser instaurado um processo de heresia completa. Infelizmente, o cânone 2315 do Código de 1917 não sobreviveu ao Código de 1983. Pena, teria sido útil, penso eu, em casos como o do Padre Sosa.

Mesmo assim, a eliminação da “suspeita de heresia” como uma categoria penal não isenta os Bispos de hoje do seu dever de “a propor e a ilustrar as verdades da fé, que se devem crer e aplicar aos costumes” e “ preservar com firmeza e com os meios apropriados a integridade e a unidade da fé” (1983 CIC 386). De facto, os Bispos devem “vigiar por que não se introduzam abusos na disciplina eclesiástica, particularmente no concernente ao ministério da palavra” (1983 CIC 392). É comumente reconhecido que a frase “ministério da palavra” significa o ensino da Igreja, incluindo o seu ensino sobre a existência pessoal dos Anjos bons e maus. Uma resposta contraditória, directa e autoritária dos erros directos e pessoais do Padre Sosa é necessária, por parte dos principais responsáveis ​​pelo ministério da palavra nas suas jurisdições. Eles são dois:

O bispo da Diocese de Rimini (onde o Padre Sosa fez suas últimas observações) deveria agora ter “conhecimento, que pelo menos parece verdadeiro, de um delito” a saber, heresia, pelo que “deve inquirir pessoalmente ou outra pessoa adequada sobre os factos ”(1983 CIC 1412, 1717). A falha em actuar tendo tais informações disponíveis no fórum público constituiria, a meu ver, um abandono do dever governamental (ver 1983 CIC 392, 1389). 

Além disso, o Bispo da residência do Padre Sosa também é competente para investigar as declarações do jesuíta que negam a existência pessoal do diabo e, por falar nisso, sobre outros tópicos (1983 CIC 1408). Segundo o meu entendimento, o local de residência do Padre Sosa é Roma.
+ + +

1917 CIC 2315 - Um suspeito de heresia, que, tendo sido avisado, não remove a causa da suspeita, é proibido de actos legítimos, se ele é um clérigo; além disso, se o aviso foi repetido sem efeito, ele é suspenso das coisas divinas (a divinis); mas, se dentro de seis meses a partir da penalidade, o suspeito de heresia não se corrigir completamente, seja considerado herege e sujeito às penas dos hereges. 

Edward Peters in canonlawblog.wordpress.com


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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Pai grava mensagem para a sua filha antes de morrer



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O Matrimónio é bom, mas a vida religiosa é ainda melhor

Como o celibato e a virgindade se encontram constantemente sob ataque não apenas no mundo secular, mas até mesmo dentro da Igreja e da sua própria hierarquia, vale a pena renovar a nossa compreensão da imutável doutrina católica e nossa fidelidade à “fé que, uma vez para sempre, foi transmitida aos santos” (Jd 3).

Na Igreja antiga, Joviniano († ± 400 d.C.) era um herege que ensinava a igualdade entre o Matrimónio sacramental e o celibato pelo Reino de Deus. As suas visões foram severamente refutadas por São Jerónimo e Santo Agostinho, e a Igreja no seu Magistério tem constantemente ensinado o mesmo que eles: quem se casa em Cristo e traz filhos ao mundo faz bem, mas quem renuncia seja ao casamento, seja à própria família, para seguir a Cristo mais de perto, faz ainda melhor.

Não obstante, o jovinianismo tem marcado presença ao longo da história cristã. Os reformadores protestantes desafiaram a doutrina tradicional da Igreja, apesar de ela se basear nas próprias palavras de Cristo e de São Paulo (cf. Mt 19, 11s; 1Cor 7, 25s.38.40). Em tempos mais recentes, vemos entre os católicos uma espécie de jovinianismo prático, que eu descobri em praticamente todos os estudantes a quem lecionei.

Talvez por terem encontrado em suas vidas tão poucos religiosos e religiosas autênticos, eles tendem a pensar que seja errado colocar o estado religioso acima do estado matrimonial como meio para alcançar a perfeição na caridade e a contemplação. Por isso, a maior parte fica surpresa ao descobrir que está em conflito com o ensinamento unânime dos Santos Padres, dos Doutores, dos Papas e dos Concílios [1].

Um estudante expôs o caso da seguinte forma em um exame final: “Se sou uma pessoa casada e faço tudo, inclusive trocar fraldas, ir ao trabalho, amar minha esposa, construir uma casa e um jardim, tudo por amor a Deus, como dizer que eu não faço de mim mesmo e da minha vida um ‘holocausto’, uma oferta total, tão agradável a Deus quanto a oferta de um religioso que renuncia à sua família, às suas propriedades e à própria vontade? De facto, o religioso ainda tem roupas, uma cama, uma casa onde morar, provavelmente um monte de livros, preocupações financeiras na sua comunidade, coisas práticas de que cuidar, os seus irmãos como uma família, e na maior parte das vezes ele faz o que quer dia após dia, mesmo que as grandes decisões pertençam (em parte) a um superior. Então, em que a vida dele é assim tão diferente da minha?”

Soa plausível, não? Com um vago apelo ao “chamamento universal à santidade” e ao “primado da caridade”, alguém pode deduzir que todos os estados de vida cristãos são iguais. Curiosamente, São Tomás de Aquino também ensina que a santidade é para todos e que a caridade ocupa um lugar de honra na tarefa de se tornar santo, mas ele não chega, nem de longe, à mesma conclusão igualitarista.

O estudante declara que “o Matrimónio também é um holocausto total”. Eu pergunto: em que sentido? O homem ou a mulher casado está realmente renunciando a cônjuge, filhos, campos ou à própria vontade? Em certo sentido sim — mas, em um sentido decisivo, não. Quando Jesus disse aos seus discípulos que eles, que deixaram tudo para O seguir, receberiam o cêntuplo, Ele não estava falava metaforicamente, mas em sentido literal. Tampouco dizia que aqueles que renunciaram a essas coisas “de frente” estavam autorizados a reintroduzi-las depois, pela porta dos fundos. A bem-aventurança do cêntuplo cabe tão-somente àqueles que permaneceram pobres, castos e obedientes, e só na medida em que eles verdadeiramente o foram.

A fim de entender melhor o ensinamento de Nosso Senhor, levemos em consideração que os conselhos evangélicos de pobreza, castidade (no sentido de continência perpétua) e obediência são meios de atingir a meta da perfeição na caridade, que é a santidade.

Os conselhos afastam aqueles bens materiais e temporais que tendem a distrair ou enfraquecer o nosso foco em Deus, ou que nos fazem confiar nessas coisas mais do que n'Ele. Diferentemente dos Mandamentos, os conselhos não nos separam de coisas más que são incompatíveis com o amor de Deus. Ao contrário, separam-nos de coisas que são em si mesmas boas, muito boas até, mas que não são o bem maior, e que podem impedir, portanto, um foco directo nos bens mais elevados, bem como no Doador de todos os bens, que é o próprio Deus.

A razão por que é útil nos separarmos das coisas boas para nos focarmos em bens mais elevados e na Fonte de todos eles é que todos nós somos seres finitos com capacidades finitas de atenção e de amor. Portanto, ao remover a nossa atenção e nosso amor dos bens mundanos e temporais, os conselhos evangélicos ajudam a concentrá-los mais inteiramente nos bens espirituais e eternos, no que é divino. São Tomás explica-o muito bem da seguinte forma:

É manifesto que o coração humano é atraído a uma coisa tanto mais intensamente quanto mais se afasta de muitas. Assim, a mente do homem é atraída ao amor de Deus tanto mais perfeitamente quanto mais diminui nele o afecto pelas coisas temporais. […] Todos os conselhos evangélicos, portanto, pelos quais somos convidados à perfeição, têm como propósito que a mente do homem seja desviada do afecto pelas coisas temporais, a fim de que, deste modo, a sua mente seja atraída mais livremente a Deus, contemplando-O, amando-O e cumprindo a Sua vontade. [2]

«No clima presente, é importante enfatizar que os conselhos não são propostos como bons porque as coisas que se renunciam ao segui-los sejam más, mas porque existe um caminho melhor para crescer no amor do que pelo uso dessas coisas. A renúncia ao Matrimónio permite que uma pessoa cresça mais no amor de Deus e ao próximo simplesmente porque a dedicação directa do nosso coração e mente a Deus é um meio melhor para crescer no amor do que o Matrimónio, seja considerado em si mesmo, seja como um sacramento.» [3]. 

O Papa João Paulo II ensinou isso com muita clareza:

«A referência à união nupcial de Cristo e da Igreja confere ao casamento a sua máxima dignidade: em particular, o sacramento do Matrimónio faz os esposos entrarem no mistério da união de Cristo e da Igreja. Mas a profissão da virgindade ou do celibato faz os consagrados participarem no mistério dessas núpcias de uma maneira mais directa.

Enquanto o amor conjugal se dirige ao Cristo Esposo mediante uma união humana, o amor virginal vai directamente à pessoa de Cristo através de uma união imediata com Ele, sem intermediários: um esponsório espiritual verdadeiramente completo e decisivo. Assim, nas pessoas daqueles que professam e vivem a castidade consagrada, a Igreja exprime no mais alto grau a sua união de Esposa com Cristo Esposo.» [4]

Implicado nessas palavras está, no entanto, um alerta salutar. Uma pessoa que renuncia ao casamento — um monge ou religiosa, um padre, um bispo — não será melhor por isso se não usar a liberdade do seu coração para se dedicar mais completamente a Deus e ao serviço da Igreja. De facto, ele será pior, visto que lhe faltará o grande bem do Matrimónio assim como o bem superior da virgindade ou do celibato “por causa do Reino” — justamente a orientação que torna essa escolha um bem tão elevado.

Além disso, a intensidade e a firmeza no propósito de perseguir a meta da santidade, seja qual for o meio que se escolha para tanto, são muito mais importantes que os meios enquanto tais. Para ser mais concreto, é melhor procurar a santidade no Matrimónio de todo o coração, do que procurá-la na vida religiosa com o coração dividido ao meio.

Nosso Senhor providenciou para nós dois nobres caminhos, um bom e um melhor, para entrarmos no mistério da sua união nupcial indissolúvel com a Igreja: através de uma imagem sacramental dessa união, no Matrimónio, e através de uma participação mística nessa mesma união, na vida consagrada.

Peter Kwasniewski in Life Site News
Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere


Referências

1. Cf. Concílio de Trento, 24.ª Sessão, Doutrina e cânones sobre o sacramento do Matrimónio, 11 Nov. 1563, cân. 10 (DH 1810): “Se alguém disser que o estado conjugal deve ser preferido ao estado de virgindade ou celibato, e que não é melhor e mais valioso permanecer na virgindade ou celibato do que unir-se em matrimónio: seja anátema”.
2. São Tomás de Aquino, Liber de perfectione spiritualis vitae, c. 6.
3. Cf. Papa Pio XII, Carta Encíclica Sacra Virginitas, 25 de Março de 1954, nn. 37-39 (DH 3911-3912).
4. Papa João Paulo II, Audiência Geral, 23 de Novembro de 1994, n. 4.

Recomendações

1. Pe. Antonio Royo Marín, La vida religiosa, 2.ª ed., Madrid: BAC, 1968.
2. São Tomás de Aquino, Do em que principalmente consiste o estado de religião. Em: Suma Teológica, II-II, q. 186.


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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Quais são os deveres dos políticos?

Chamamos-lhes (os soberanos) felizes:

— se governarem com justiça;
— se, no meio das palavras dos que os põem nas alturas e das homenagens dos que os saúdam com demasiada humildade, eles se não orgulharem, mas se lembrarem de que são homens;
— se submeterem o seu poder à majestade de Deus a fim de dilatarem ao máximo o seu culto;
— se temerem a Deus, O amarem e O adorarem;
— se mais amarem esse reino onde não temerão terem rivais;

— se forem lentos a punir e prontos a perdoar;
— se exercerem a sua vindicta pela obrigação de governarem e de protegerem a República, e não para cevarem os seus ódios contra os inimigos;
— se concederem o perdão, não para deixarem o crime impune, mas na esperança de uma emenda;
— se, muitas vezes constrangidos a tomarem medidas severas, as compensarem com a brandura da misericórdia e a largueza dos benefícios;

— se neles a luxúria for tanto mais castigada quanto mais livre possa ela ser;
— se preferirem dominar as suas paixões depravadas, a dominar quaisquer povos;
— se tudo isto fizerem, não pelo ardente desejo de vanglória mas por amor à felicidade eterna;
— se não forem negligentes em oferecer pelos seus pecados, ao seu verdadeiro Deus, um sacrifício de humildade, de propiciação e de oração.

Tais imperadores cristãos dizemos nós que são felizes, por ora, na esperança, e depois, na realidade, quando chegar o reino que aguardamos. 

Santo Agostinho in 'A Cidade de Deus', livro V, capítulo XXIV


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"Deus das surpresas"




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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

5º Encontro "Summorum Pontificum" em Roma e Peregrinação ao túmulo de São Pedro

Como tem acontecido todos os anos, terá lugar em Roma, no último fim de semana de Outubro, a peregrinação “Summorum Pontificum”. Também este ano, ela será precedida pelo “Encontro Summorum Pontificum”, que terá lugar – o que já se vem tornando tradicional – no “Augustinianum”, bem perto da Praça de São Pedro. Pedimos a Christian Marquant que nos falasse de todos estes eventos.

Paix Liturgique – Antes de mais, poderia falar-nos do 5º “Encontro Summorum Pontificum”, que terá lugar a 25 de Outubro?

Christian Marquant – Como o nome indica, este Encontro é, em primeiro lugar, uma ocasião de encontro para os fiéis e religiosos do povo “Summorum Pontificum”, que, aproveitando que estão em Roma todos juntos para esta peregrinação do povo “Summorum Pontificum”, com católicos ligados à missa tradicional vindos de todo o mundo, procuram aqui confrontar as próprias experiências e as dificuldades encontradas.

Paix Liturgique – No entanto, o programa dos colóquios parece ser tão preenchido, que os participantes terão talvez pouco tempo para poderem trocar ideias entre eles com tranquilidade…

Christian Marquant – É precisamente por isso que não organizamos um colóquio, mas antes um encontro! E, baseados na experiência dos anos passados, quisemos deixar o maior tempo possível aos participantes para que seja mais fácil terem espaço para essa troca de ideias. É por isso que o dia será intercalado por pausas que permitirão a todos encontrarem-se na área do “buffet”, para aí se poderem encontrar e trocar ideias entre si.

Paix Liturgique – Um « buffet »?

Christian Marquant – Isso mesmo; tivemos a ideia de montar uma espécie de buffet permanente, aberto durante ao longo de todo o dia, como sucedeu com os dois famosos bares do Concílio, lugares adaptados para facilitar a troca de ideias. Por exemplo, os participantes serão acolhidos a partir das 9 horas com um pequeno-almoço, e as conferências apenas terão início às 10 horas. Depois, entre cada intervenção, este buffet ficará aberto durante meia hora, e claro, durante todo o tempo do almoço…

Paix Liturgique – E no meio de tudo isso, ainda haverá tempo para se poder trabalhar?

Christian Marquant – Claro que sim! Se é verdade que as trocas de ideias entre os participantes nos parecem ser uma coisa essencial, é também verdade que este encontro é uma ocasião para se poder estar com personalidades militantes que vivem e trabalham segundo o espírito “Summorum Pontificum”. Por isso mesmo, convidamos este ano quatro personalidades de primeiro plano, que todavia não são ainda bem conhecidas de todos os nossos amigos.

Paix Liturgique – Ou seja?

Christian Marquant – Desde logo, Natalia Sanmartin, de quem alguns terão lido o romance “O despertar da Menina Prim”, uma espécie de conto iniciático que narra a evolução da autora, desde a sua vida moderna ordinária até chegar ao mundo tradicional que defendemos. O seu testemunho promete ser um momento alto do encontro.

Podemos ainda falar do Father Z, que anima um dos mais célebres e activos blogs católicos e tradicionais nos Estados Unidos.

E também João Silveira, criador e principal animador do blog lusófono “Senza Pagare”, ao qual já dedicámos uma carta da PL. O que não havíamos revelado é que João se tornou agora o principal animador das viagens missionárias – e faço questão deste título das viagens – que temos organizado para todas as regiões do planeta a fim de fazer com que aí se descubra a liturgia tradicional. A sua experiência tornou-se preciosíssima para todos quantos, cada um no seu âmbito, tentam levar a cabo uma acção com o mesmo objectivo.

E, por fim, Nicola Bux, um promotor infatigável do usus antiquor, em especial nas regiões meridionais da Itália, mas também em toda a Itália.

Paix Liturgique – Pelo que vejo, o que propõe não é um colóquio para especialistas, mas antes um encontro”sobre o terreno”?...

Christian Marquant – De facto, há já eventos de qualidade organizados por estudiosos e colóquios sábios, como é o caso da “Sacra Liturgia”. Aliás, nem nos coibimos de vir a organizar reuniões desse género, como foi outrora o caso das promovidas pelo CIEL. Já pelo contrário, o que há pouco ou não há de todo são lugares onde as testemunhas do povo “Summorum Pontificum” possam apresentar o próprio trabalho, as suas experiências e projectos, encontros para ajudar de maneira concreta os defensores da liturgia tradicional que se encontram nas respectivas paróquias e dioceses e aí se vêem a braços com as duras realidades do imobilismo de clérigos por demais numerosos e mesmo, bem o podemos dizer, do seu “negocianismo” no que toca à sorte da missa tradicional.

Paix Liturgique – Mas isso implica um orçamento considerável?...

Christian Marquant – É um facto, e isso permite aos doadores da Paix Liturgique verem o que concretamente fazemos com os seus dons. E permite também esclarecer aos que hoje ainda não são doadores, para que se apercebam de que se queremos fazer avançar o estado de coisas actual no sentido da Paz – isto é, o ameno exercício da liturgia tradicional – é mister que possamos ter à disposição um certo número de meios. Neste domínio, como noutros, e como se diz hoje em dia, a comunicação é fundamental.

Paix Liturgique – É necessário inscrever-se para participar nestes Encontros?

Christian Marquant – Sim, porque isso ajuda-nos a poder organizar as jornadas. Assim, podendo inscrever-se antecipadamente, isso facilita-nos o trabalho, mas os participantes que apreçam à última hora também serão muito bem-vindos!

Todos os leitores se podem inscrever clicando neste link.

Paix Liturgique – A inscrição faz-se contra pagamento?

Christian Marquant – Como não queremos que os nossos amigos que amiúde vêm de longe deixem de participar por razões económicas, decidimos que a participação no nosso encontro fosse gratuita, como o é a relativa à peregrinação que se lhe seguirá, para a qual nem se requer qualquer inscrição. Apenas pediremos a quantos puderem que contribuam com a módica quantia de 10 € para ajudar a pagar as despesas com o buffet e aos mais generosos que façam o que puderem para nos ajudar a organizar estes encontros.

Paix Liturgique – Um último ponto: em que língua se farão as intervenções?

Christian Marquant – Na própria língua, e cada um dos assistentes ouvi-las-á na sua própria língua, à maneira do Pentecostes, por assim dizer! Mas, neste caso, sem qualquer milagre: está previsto um serviço de tradução simultânea que a cada um permitirá seguir as intervenções na própria língua!

Paix Liturgique – Pedia-lhe agora que nos falasse um pouco sobre a peregrinação…

Christian Marquant – A Peregrinação do povo “Summorum Pontificum” faz-se desde 2012, isto é, desde há sete anos. Ainda era Papa Bento XVI, e a peregrinação tinha também uma intenção de acção de graças. Estamos agora na 8ª edição. Uma peregrinação é antes de mais um acto de piedade: os representantes do Povo “Summorum Pontificum” vêm rezar pelo desenvolvimento da liturgia com que a Igreja viveu por tantíssimo tempo, e que se quis fazer desaparecer. Tratou-se desde o início de tentar mostrar ao Santo Padre e aos homens da Cúria que estamos presentes em Itália, na Europa e em todo o mundo. Diante do sucesso da primeira peregrinação, claro está que decidimos continuar até chegarmos a este ano em que a procissão rumo a São Pedro terá lugar pela oitava vez no sábado dia 26 de Outubro.

Paix Liturgique – Trata-se de uma grande procissão?

Christian Marquant – Comparada com a de Chartres, é uma peregrinação modesta – mas também não se pretende reproduzir em Itália esse tipo de organização – e não junta mais do que alguns milhares de pessoas. Todavia, tem uma extrema importância pelo facto de reunir católicos ligados à forma extraordinária  vindos do mundo inteiro, que, com a sua presença, atestam a dimensão universal da liturgia tradicional.

Paix Liturgique – Os participantes franceses são numerosos?

Christian Marquant – Não são os mais numerosos. O que me permite contar-lhe um episódio significativo. Há dois, no final da procissão, Mons. Guido Pozzo, que era então secretário da Comissão “Ecclesia Dei” e que presidira esse ano à procissão, virou-se para mim e disse: «Acho que não há muitos franceses.» Respondi que não eram, de facto, maioritários, mas que isso mostrava que a ligação à liturgia tradicional não é meramente uma coisa franco-francesa, e que, à volta dele, havia peregrinos vindos de todo o mundo, e que entre eles, muitos não tinham sequer aquele “look tradi”, de que ás vezes nos sorrimos. Este ano, a presença de Mons. Rey, que presidirá à peregrinação, deverá atrair mais franceses.

Paix Liturgique – Quais são as actividades envolvidas na peregrinação?

Christian Marquant – O coração da peregrinação é o sábado, com uma adoração eucarística, às 10h00, na igreja de San Lorenzo in Damaso, Piazza della Cancelleria, 1, seguida da procissão pelas ruas de Roma, presidida este ano por Mons. Dominique Ry, bispo de Fréjus-Toulon, terminando enfim com uma missa pontifical na Basílica de São Pedro às 12h00, no altar da Cátedra, celebrada também por Mons. Rey.

Além disso, há ainda missas e exercícios ao longo da sexta-feira anterior e, a seguir, no domingo, como veremos no programa.

No entanto, desde há muito que as associações membros ou próximas da peregrinação propõem outras actividades em ligação com as actividades principais. Por exemplo, em 2016, o Instituo do Bom Pastor aproveitou esta ocasião para festejar os seus dez anos. Em 2017 (por ocasião dos dez anos do motu proprio), o Padre Nuara juntou a sua contribuição organizando na véspera da procissão um elevado colóquio “Summorum Pontificum”, junto com a sua associação “Giovani e Tradizione”. Nesse mesmo ano, o Instituto de Cristo-Rei Sumo Sacerdote organizou a celebração de uma missa solene na igreja de Santa Maria sopra Minerva. 

A associação “Una Voce” também organiza regularmente a sua assembleia geral bienal por esta altura. E nós, como dissemos agora, pela quinta vez organizamos – e vamos aperfeiçoando – o Encontro Summorum Pontificum. Tudo para dizer que a modesta peregrinação “Summorum Pontificum” se vai tornando o ponto de encontro, muito aberto e muito livre, sem qualquer intenção de as confederar, de numerosas entidades componentes do mundo tradicional de todo o mundo.

Paix Liturgique – E, neste quadro, qual é o papel da Paix Liturgique?

Christian Marquant – Enquanto membro do “Cœtus Internationalis Summorum Pontificum”, tentamos participar o melhor que podemos no bom desenvolvimento desta peregrinação, a qual – e insisto nisto – está aberta a todos com grande liberdade: pode-se tomar parte nela, na totalidade ou em parte, sem qualquer inscrição, individualmente ou como parte de uma associação, comunidade ou paróquia a que pertençamos. Além disso, organizamos nós na sexta-feira o Encontro que antes apresentei, e, por fim, desde há vários anos que organizamos no Palácio Cesi, a dois passos de São Pedro, um buffet para o clero à saída da missa de sábado.

Paix Liturgique – Poderia explicar melhor?

Christian Marquant – Trata-se, ao mesmo tempo, de um momento para relaxar um pouco oferecido ao clero, após a procissão e a cerimónia pontificar dessa manhã, mas também um momento para uma troca de ideias entre sacerdotes e prelados vindos de todo o mundo. A propósito, para isto é necessário inscrever-se, a fim de se saber com quantas pessoas se conta e poder providenciar: os sacerdotes que assim desejem participar deverão inscrever-se neste link.

Paix Liturgique – Necessita de ajuda para a animação de todas estas actividades?

Christian Marquant – Certamente que sim! Os voluntários são muito bem-vindos e ficamos-lhes muitíssimo gratos pela ajuda que possam prestar-nos. Poderão fazer-nos saber da sua disponibilidade escrevendo para contact@paix-liturgique.org

5º Encontro “Summorum Pontificum”

Sexta-feira, 25 de Outubro, às 10h00, na aula magna do “Augustinianum”, Via Paolo VI, 25,  com Natalia Sanmartin Fenollera (Espanha), Padre John Zuhlsdorf (EUA), Pe. Nicola Bux (Itália), Ruben Peretó Rivas (Argentina) e João Silveira (Portugal).

Inscrição gratuita: clique aqui

Programa  8ª Peregrinação “Summorum Pontificum”

Sexta-feira, 25 de Outubro

Missa solene, às 17h 15, a cargo dos cónegos premonstratenses de Godollo (Hungria) e cantada pela schola da igreja de São Miguel de Budapeste (Juventutem), na igreja de Santa Maria ad Martyres do Panthéon, Piazza della Rotonda.

Sábado, 26 de Outubro 

Adoração eucarística (e confissões), às 10h00, na igreja de San Lorenzo in Damaso, Piazza della Cancelleria, 1.
Procissão, presidida por Mons. Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon.
Missa pontifical na Basílica de São Pedro, às 12h00, celebrada por Mons. Rey, no altar da cátedra.

Domingo, 27 de Outubro

Missa pontifical de Cristo-Rei, às 11h00, na igreja da Trinità dei Pellegrini, Piazza della Trinità dei Pellegrini, 1, celebrada por Mons. Dominique Rey.
Missa de Cristo-Rei, às 9h30, na igreja de Gesù e Maria, Via del Corso, 45 – presença de peregrinos na Praça de São Pedro, às 12h00.

Pode-se participar da totalidade ou de parte da peregrinação. Não é necessária qualquer inscrição.



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domingo, 1 de setembro de 2019

A Ordem Beneditina



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Bispo mexicano relembra que os fiéis não podem receber a Comunhão na mão

Mons. Gustavo Rodríguez Vega, Bispo da diocese de Yucatán (México), veio publicamente explicar que no México nunca foi pedido o indulto para que a Sagrada Comunhão possa ser recebida na mão; e portanto deve ser obrigatoriamente recebida na boca. Eis o comunicado do Prelado mexicano:

«A Santa Sé a partir de 1969, embora mantenha em vigor para toda a Igreja a maneira tradicional de distribuir a Comunhão, concorda que as Conferências Episcopais que o solicitam e, em certas condições, possam distribuir a Comunhão colocando a Hóstia na mão dos fiéis. Essa faculdade é regulamentada pelas Instruções Memoriale Domini (29 de Maio de 1968) e Immensae caritatis (29 de Janeiro de 1973), bem como pelo Ritual de Santa Comunhão e Culto Eucarístico Fora da Missa (21 de Junho de 1973), que diz: 

"Ao distribuir a Sagrada Comunhão, mantenha-se o costume de depositar a partícula do Pão consagrado na língua dos que recebem a Comunhão, que se baseia no modo tradicional de muitos séculos" (n. 21).

A Conferência Episcopal Mexicana, até o momento, NÃO SOLICITOU e, portanto, NÃO OBTEVE da Santa Sé tal faculdade, o que significa que a regra de distribuir (unicamente) a Comunhão na boca a quem se aproxima para comungar continua em vigor.»


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