quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Adoração ao Santíssimo Sacramento na Peregrinação Summorum Pontificum 2022

A igreja de São Celso e São Juliano foi pequena para receber todos os peregrinos que quiseram adorar Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Esta igreja encontra-se à cura do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote.











Fotografias: Stuart Chessman

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terça-feira, 8 de novembro de 2022

Santo Agostinho sobre a Santa Missa, purgatório e salvação das almas

Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício da Missa ou quando praticam esmolas na Igreja. 

No entanto, estas coisas aproveitam àquelas almas que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mau que não lhes aproveitem. Há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal grau no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida. 

Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou.

Santo Agostinho in 'As Oito Questões de Dulcício' 2, 4


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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

O poder imenso da vida contemplativa

Dez mil hereges, no dizer de uma revelação respeitável, foram convertidos por uma só oração inflamada da seráfica santa Teresa, cuja alma ardendo em amor de Cristo não podia compreender uma vida contemplativa, uma vida interior que se desinteressasse das solicitudes apaixonadas do Salvador pela redenção das almas. 

'Aceitaria o purgatório, diz ela, até ao juízo final, para livrar uma só dessas almas. E que me importaria a duração dos meus sofrimentos, se assim pudesse livrar uma só alma e sobretudo muitas para maior glória de Deus!' E, dirigindo-se às suas religiosas: 'Dirigi para este fim inteiramente apostólico, minhas filhas, vossas orações, vossas disciplinas, vossos jejuns, vossos desejos'.

Tal é, com efeito, a obra das Carmelitas, das Trapistas, das Clarissas. Vede-as seguir a marcha dos apóstolos, alimentá-los com a superabundância de suas orações e de suas penitências. Suas súplicas precipitam-se do alto, num espaço tão dilatado como a marcha da cruz e o brilho do Evangelho, sobre as almas, essas presas divinas! Ou antes, é seu amor oculto, mas activo, que excita por toda parte, no mundo dos pecadores, as vozes de misericórdia.

Ninguém conhece neste mundo o porquê dessas conversões longínquas de pagãos, da paciência heróica desses cristãos perseguidos, da alegria celeste desses missionários martirizados. Tudo isso está invisivelmente ligado à oração de alguma humilde freira. Com os dedos sobre o teclado dos perdões divinos e das luzes eternas, sua alma silenciosa e solitária preside à salvação das almas e às conquistas da Igreja.

Dom J. B. Chautard in 'A alma de todo apostolado' (Edit. Colecção, São Paulo, 1962, pp., 53-54)


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Baptismo em Rito Tradicional feito por Cardeal Sarah

Imagens: Trinità dei Pellegrini

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domingo, 6 de novembro de 2022

O Santo que foi em jejum para a Batalha de Aljubarrota

Em Aljubarrota, antes que amanhecesse, começou a ouvir suas missas, e naquela tenda onde ele estava, clérigos davam o Santo Sacramento a quantos comungar queriam. Pouco antes da batalha chegaram-lhe alguns parlamentários, entre eles seu irmão Diogo, e por duas vezes observou-lhes: sois mais numerosos e melhor preparados, maior porém é o poder de Deus e a sua ajuda. Não sei se sois hereges ou infiéis, mas sei que o vosso rei faria melhor em tirar-se da excomunhão. E durante todo esse dia conservou-se em jejum, por ser a vigília de Santa Maria d'Agosto.

Impressionante, quase lendária, é a sua atitude em Valverde: Nuno a rezar, escondido entre penhascos, no mais aceso da luta, quando as suas hostes estavam na iminência de uma derrota fatal. Mesmo informado do perigo, pelos que angustiados o encontraram, terminou calmamente as suas orações. Ainda não chegara a sua hora. Mas quando se levantou, era outra vez o guerreiro destemido e sempre vencedor. Mas disse mal, não era outra vez o guerreiro, pois não o deixara de ser quando estava a rezar. Nuno era diferente de nós, que assim o julgamos.

Criado e crescido no serviço de Deus, nele interpenetravam-se o natural e o sobrenatural, ou mais exactamente: toda a sua actuação natural era aperfeiçoada e elevada pelo sobrenatural. Vivia na presença de Deus em todos os momentos e circunstâncias. Os seus afazeres e obrigações de estado não o afastavam de Deus - cumpria-as, olhos fitos em Deus." (Manuel Maria Wermers, O. Carm.)

"Todos os dias ouvia duas missas e três nos sábados e domingos (...) confessava-se amiúde e comungava quatro vezes por ano: pelo Natal, Páscoa, Pentecostes e Santa Maria de Agosto, o que se admirava muito, visto os leigos, então, quase só comungarem pela Quaresma. Diariamente, rezava as suas Horas, levantando-se pontualmente a rezar Matinas à meia-noite, como se fosse um religioso; e isto enquanto viveu no mundo. Jejuava às quartas-feiras, sextas e sábados, e guardava todas as festas e dias prescritos pela igreja. Do jejum nunca se dispensava mesmo que viesse a cair nos dias em que havia de dar batalha. Este exercício de mortificação observou com o rigor costumado nos dias em que se travaram as batalhas dos Atoleiros e Aljubarrota, pois esta ocorreu na Vigília de Nossa Senhora da Assunção, 14 de Agosto de 1385, e aquela na Quarta-Feira Santa, 16 de Abril de 1384." J. Vaz de Carvalho, S. J.

Logo a seguir à Batalha de Aljubarrota o Santo Condestável pôs mãos à obra de tributar à Senhora a sua homenagem. Tal facto de o Beato Nuno ter começado a planear uma tão grandiosa obra em honra de Maria levou a crer a vários autores que o mosteiro de Santa Maria tivesse resultado de um voto feito durante a Batalha de Aljubarrota ou Valverde. Crê-se, porém, mais plausível a opinião de Pereira de Sant'Anna que refere que a fundação não provinha de um determinado favor, senão das múltiplas mercês que a Virgem lhe havia concedido em várias ocasiões.

O beato Nuno deve ter sentido muitas vezes a mão protectora da Virgem a quem tão ternamente amava. Nada mais tolerável que, vivendo a Pátria em paz, pensasse em retribuir à Senhora os favores recebidos. Em 1386, decorrido um ano após Aljubarrota, já estava alcançada licença do monarca e do Pontífice Urbano VI para a fundação do mosteiro. Foi lançada a primeira pedra em Julho de 1389. O imenso trabalho dos alicerces prolongou-se até ao ano de 1397 devido à fraca consistência do terreno e só em 1407 eram possíveis os primeiros actos cultuais no templo, não havendo por agora acomodação no edifício do claustro para os frades.

Pela bula de 1386 do Papa Urbano VI vê-se que o Condestável não havia ainda determinado os moradores do convento, ou não tinha ainda, pelo menos, tornado pública a sua decisão. Quando cerca de 1392, escreveu ao vigário-geral dos carmelitas de Moura convidando-os a tomar conta do seu mosteiro, fala de conversas havidas já anteriormente a esse respeito. Pelo menos no ano de 1392 não era segredo para o vigário-geral que o convento de Lisboa era destinado aos Carmelitas. Que o Condestável desde o início havia pensado nos Carmelitas não no-lo diz a História. Todavia compreende-se que teria feito questão para o templo da Santa Maria, sua homenagem à Mãe de Deus, ser entregue a quem reconhecia os mais devotados à Virgem.

Ao entrar o portal do Mosteiro de Santa Maria do Carmo, onde acabou os seus dias, outra coisa não tinha além da samarra de pano que vestia, e vestia sempre até que Deus o levou". O desapego atingia o auge. Longe do mundo podia agora sem peias entregar-se a Deus e à Santa Virgem. Nuno de Santa Maria era o seu nome, porque quis ser filho devotado da sua Santíssima Mãe. Já de idade avançada e tendo sempre sido o general a quem todos e tudo se curvava, podemos compreender a ígnea espada, animava-o a usar contra si as armas do espírito de que fala o capítulo XV da Regra.

Não dava tréguas à própria natureza; não era ele um incansável militante de Cristo? Os pobres, que o rodeavam à porta do convento, constituíam a sua felicidade, pois via neles a imagem do Senhor. Não são do Senhor as palavras de "aquilo que fizerdes a um dos mais pequeninos a mim o fazeis"? Já no mundo se tinha dedicado a esta virtude da perfeição cristã: a caridade. Não seria perfeito religioso se o não fosse cristão, ele o sabia; daí a sua ânsia da prática do bem para os outros, a quem amava como ao próprio Jesus. A si mesmo não poupava; não lhe bastava a humílima condição que levava no mosteiro.

O mundo também devia saber que o grande Condestável era uma aragem de glorioso passado. Saiu a esmolar pelas ruas, pedindo a caridade de um pedaço de pão e um copo de água. Quem havia de reconhecer, neste frade mendigo, o herói de Atoleiros. Aljubarrota e Valverde? À espiritualidade Carmelita, a essa sim, devia aplicar-se com todas as forças da alma. Não lhe bastava a solidão do convento e o silêncio da sua cela; construiu na cerca do mosteiro uma pequena ermida em honra da Mãe de Deus onde, horas a fio, meditava em doces colóquios com os seus amigos. Era uma alma profundamente Carmelita, imbuída do espírito da Ordem.

O essencial para o monge carmelita é a união com o Senhor, por meio de Sua Mãe. B. Nuno compreendeu-o perfeita e completamente. Na sua pobre cela apenas quis a imagem de Cristo crucificado. As paredes eram nuas: só se viam nelas uns cilícios e disciplinas. Na ermida do claustro do convento conservava uma imagem da Virgem da Assunção; e nada mais... Passava longas horas diante do Santíssimo Sacramento a rezar, sempre a rezar... Buscando contacto com o Criador em cuja presença devia viver, conforme disse, "como pedra no seu centro".

Nove anos passou dentro de paredes do convento preparando-se para o derradeiro combate. Não conseguiu, no entanto, aquilo que era sua tenção: ser esquecido pelo mundo! Mas sucedeu o contrário: a sua fama de santidade passava irradiante para fora dos muros do mosteiro e, através dos séculos, chegou até nós."


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Quem foi São Nuno de Santa Maria?

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. 

Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria —a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.

As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.

O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009. 

in vatican.va


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sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Peregrinação Summorum Pontificum 2022: Vésperas Pontificais no Panteão

A XI edição da Peregrinação Summorum Pontificum, em Roma, começou com as Vésperas cantadas no Panteão (igreja de Nossa Senhora dos Mártires). O Pontífice foi o Cardeal Matteo Zuppi, Arcebispo de Bolonha e Presidente da Conferência Episcopal Italiana.

Segundo os números oficiais dos responsáveis pelo Panteão estiveram presentes cerca de 700 pessoas, o que constitui um recorde em relação às edições anteriores desta peregrinação que acontece todos os anos em Roma.














Fotografias: Instituto do Bom Pastor


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Oração de São Carlos Borromeu ao Anjo da Guarda

Meu bom Anjo da Guarda, não sei quando e de que modo irei morrer. É possível que eu seja levado de repente ou que, antes do meu último suspiro, eu me veja privado das minhas capacidades mentais. E há tantas coisas que eu quereria dizer a Deus, no limiar da Eternidade...

Por isso hoje, com a plena liberdade da minha vontade, venho pedir, Anjo da minha guarda, que faleis por mim nesse temível momento. Direis, então, ao Senhor:

- Que quero morrer na Santa Igreja Católica, Apostólica Romana, no seio da qual morreram todos os santos, depois de Jesus Cristo, e fora da qual não há salvação;

- Que peço a graça de participar nos méritos infinitos do meu Redentor e que desejo morrer pousando os meus lábios na Cruz que foi banhada com o Seu Sangue;

- Que aborreço e detesto os meus pecados que ofenderam a Jesus e que, por amor a Ele, perdoo os meus inimigos, como eu próprio desejo ser perdoado; 

- Que aceito a minha morte como sendo da vontade de Deus e que, com toda a confiança, me entrego ao Seu amável e Sacratíssimo Coração, esperando em toda a sua misericórdia; 

- Que, no meu inexprimível desejo de ir para o Céu, me disponho a sofrer tudo quanto a Sua soberana Justiça haja por bem infligir-me. 

Não recuseis, ó Santo Anjo da minha guarda, ser o meu intérprete junto de Deus e expor diante d'Ele que estes são os meus sentimentos e a minha vontade. Ámen.


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Missa de Requiem



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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Requiem: Lux aeterna

Lux aeterna luceat eis Domine
Cum Sanctis tuis in aeternum quia pius es
Requiem aeternae dona eis Domine
et lux perpetua luceat eis
Cum sanctis tuis in eternum quia pius es

Cantado por CIRMA/Ensemble Organum, sob direção de Marcel Pérès
https://organumcirma.com


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Dia dos fiéis defuntos

Hoje é um dia para nos lembrarmos dos que já morreram, especialmente das pessoas mais próximas de nós: família e amigos. É um dia para rezar (ainda) mais por eles e, se for possível durante este mês, visitar os locais onde estão sepultados, caso as suas cinzas não tenham sido "aspergidas" pelo Oceano Atlântico.

É importante não nos esquecermos dos que morreram antes de nós, porque lhes devemos ser gratos por tudo o que deles recebemos e também porque lhes devemos orações, sempre na esperança que nos voltemos a encontrar na Vida Eterna.

É um dia para nos lembrarmos (ainda) mais da nossa morte. É uma ideia que, quando a temos presente, nos ajuda a levar uma vida mais virtuosa. Ajuda-nos a relativizar muitos problemas que consideramos inultrapassáveis. Faz-nos estar mais atentos ao que realmente importa, porque percebemos que não vamos levar connosco dinheiro nem poder nem prazeres mundanos nem as opiniões dos outros sobre nós. De que é que isso nos vai valer quando estivermos a ser julgados? Nada.

Nesse momento, toda a nossa vida, desde o princípio ao fim, vai ser julgada pelo Amor, que é Deus, e que nos vai mostrar o quanto nos ajudou, muitas vezes sem repararmos, tantas vezes sem agradecermos. E quantas vezes O rejeitámos. O que vai ser decisivo para a nossa salvação é o amor que tivemos a Deus, e, por causa disso, o amor que tivemos às outras pessoas. Que a misericórdia de Deus nos valha nesse momento.


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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Solenidade de Todos os Santos

Hoje a Igreja celebra o dia de Todos os Santos. Neste dia lembramos, e homenageamos, todos os que já se encontram na Presença de Deus, na felicidade infinita e eterna. A estes chamamos a Igreja Triunfante e pedimos que intercedam junto de Deus por nós, que somos a Igreja Militante, e também pelas almas do purgatório, que representam a Igreja Purgante. 

Todos os Anjos e Santos, rogai por nós.


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domingo, 30 de outubro de 2022

Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote



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Festa de Cristo-Rei

A Festa de Cristo-Rei foi estabelecida pelo Papa Pio XI, que quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. 

Mas o que levou o Papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica do seu Pontificado à criação de uma Festa de Cristo-Rei? (cf. Carta Encíclica “Quas primas”, 11/12/1925).  

No início do século XX, o Mundo, que ainda estava recuperava da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçónica no México, anticlericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.

É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorrecto”, o Pio IX institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa Fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da Humanidade.

Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anticlerical, o Vigário de Cristo na Terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Com esta solenidade o Papa Pio IX esperava algumas mudanças no cenário mundial:

- Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).
- Que os líderes das Nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).
- Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).

Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.

Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.

Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição.

A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.

Assim sendo, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos Mártires Cristãos da nossa História. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “Viva Cristo Rei!”



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sábado, 29 de outubro de 2022

Cardeal Paccelli: vestido como um soberano, pobre como um camponês

"Em público o meu Tio queria aparecer sempre perfeito, impecável. Representava a Igreja, sentia com grande responsabilidade esta suprema dignidade. O seu comportamento e as suas roupas, exteriormente, eram impecáveis como de um soberano. Mas na realidade era muito pobre."

Giulio Pacelli, sobrinho do Cardeal Eugenio Paccelli (futuro Papa Pio XII)


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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Chesterton descreve na perfeição o que se passa com o Ocidente

Suponhamos que surja numa rua uma grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinzenta, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: 'Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. "Se a luz for em si mesma boa…".

Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todos correm para o poste e deitam-no abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz eléctrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois os seus objectivos eram maus. Alguns interessavam-se pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa. 

Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora temos que discutir no escuro.

G. K. Chesterton in 'Hereges' (1905)


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Na Missa Solene, além do sacerdote há um diácono e um subdiácono



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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Peregrinação Summorum Pontificum em Roma

A 11ª edição da Peregrinação Summorum Pontificum comecará na próxima Sexta-Feira, dia 28. O primeiro evento serão as Vésperas Pontificais no Panteão. O dia seguinte começará com adoração ao Santíssimo Sacramento na Basílica de São Celso. Depois disso terá lugar a procissão pelas ruas de Roma em direção à Basílica de São Pedro.

A Missa Solene no Altar da Cátedra (de São Pedro) na Basílica Vaticana é o momento alto da Peregrinação. O Rito Tradicional será celebrado às 11h30 próximo do túmulo de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos.

No Domingo, a Peregrinação termina com Missa Solene às 11h00 na paróquia Trinità deu Pellegrini.

Tutti a Roma!


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Rota de São Nuno: Crónica de um campo de férias diferente

Em pleno mês de Agosto, quando o sol bate forte nas cabeças, um pequeno contingente constituído por um sacerdote, quatro seminaristas, dois chefes leigos e vinte e dois rapazes com idades entre os doze e os dezoito anos, soltou as amarras para embarcar numa epopeia mítica: conquistar a Serra da Estrela. Escusado será dizer que, em pleno Agosto deste ano, a zona Este da Serra estava em chamas.

Obviamente que uma parte do percurso teve de ser improvisada, pois a rota inicial passava exactamente pela zona “infernal”. No entanto, a conquista do pico mais alto, a Torre (2000m de altitude), permanecia possível e os nossos bravos, sem hesitações, partiram à aventura. Começámos no sopé da Serra, cá em baixo na Covilhã (500m de altitude). Partimos a pé da Estação Ferroviária, primeira paragem: Penhas da Saúde (1500m de altitude).

Durante uma semana caminhámos sob o sol abrasador e dormimos quase sempre ao relento. À noite, o frio serrano chegou a atingir os três graus húmidos que só os homens fortes conseguem aguentar. Ressoa ainda na memória a palavra de ordem mais repetida durante esta epopeia veranil: “É para enrijar!”. Mas a dureza das condições foi francamente compensada pela beleza das paisagens. Afinal, era precisamente esse o propósito terapêutico que nos tinha trazido à Serra: a natureza, o silêncio e a solidão. Condições necessárias para a vida interior, vida de contemplação e amor. Na Serra é fácil louvar a Deus porque estamos rodeados da beleza e imensidão da sua criação.

Os bravos cavaleiros percorreram montes e vales, houve banhos nas lagoas, Missa diária, catequeses e muitas outras coisas típicas dos campos de férias. Há, porém, uma característica da Rota de São Nuno que a distingue de todas as outras actividades do mesmo género, uma diferença muito específica, numa palavra: Virilidade. Num mundo onde a masculinidade é considerada “tóxica”, tivemos de nos refugiar no coração palpitante da pátria - a Serra da Estrela - para respirar “ares mais puros”. O pelotão dos bravos teve de enfrentar vários desafios. 

Além do calor diurno e do frio nocturno, pesou também o cansaço, a fome, a responsabilidade, o jugo da obediência e a aspereza da humildade imposta pelas limitações de cada um. Mais ainda, durante os tempos de silêncio e oração, os bravos tiveram de se enfrentar a si mesmos, os seus pecados, os seus vícios, os seus caprichos, as suas vaidades… enfim, todas as misérias do homem velho que puderam purificar através do sacramento da confissão.

Testados os limites físicos, morais e espirituais, os rapazes descobriram uma coisa fundamental. Descobriram que quando alguém é exigente com eles, eles são capazes de ir muito além daquilo que sonhavam ser possível. Esta experiência de auto-superação é uma experiência única que faz dos rapazes Homens. A nossa vontade precisa de ser exercitada e treinada para procurar o Bem, o bem honesto e não o bem útil ou fácil, e acima de tudo para procurar o Bem Supremo que é Deus. 

Educar a vontade é uma missão urgente de todos os pais e educadores da juventude, para isso os rapazes precisam de um ideal elevado, precisam de referências e bons exemplos, e nós portugueses temos tantos - de Viriato a Marcelino da Mata, passando por D. Afonso Henriques, São Nuno de Santa Maria, Vasco da Gama e tantos mais! – que não temos desculpa. A rapaziada precisa de heróis, não só de heróis do passado, mas também de modelos virtuosos no presente.

O conforto caprichoso em que se instalou a juventude reduziu os rapazes a moluscos: mais parecem lapas cuja rocha é o sofá! A sociedade consumista que põe a sua “felicidade” nos bens materiais e nos prazeres imediatos criou uma geração de seres invertebrados, moles e tristes, gente sem rumo nem ideal. Pois bem, a rocha sobre a qual os cavaleiros de São Nuno edificam a sua vida é a Rocha da Fé Católica, mas a graça não suprime a natureza e foi por isso que, além do Céu, tentámos conquistar a Serra da Estrela. E foi épico! 

Tivemos Missa no altar de Nossa Senhora da Boa Estrela, escalámos o Cântaro Magro, banhámo-nos na Lagoa Comprida, bebemos nas fontes do coração da Serra, subimos o vale mítico – por um antigo trilho de tal maneira invadido por silvas que tivemos de rastejar – entre Loriga e Salgadeira, dormimos ao relento na Lagoa do Peixão que fica ao lado do Fragão do Poio dos Cães, trepámos o Poio Estrela, pernoitámos no Chafariz do Rei. Enfim, são muitas as aventuras que ficam por contar…

Mas que ninguém se aflija, não foram só intempéries e dificuldades, também houve muita galhofa, cantoria e acção de graças. Mais ou menos a meio da Rota calhou, providencialmente, o dia 14 de Agosto, dia da Batalha de Aljubarrota, dia em que pusemos os castelhanos em debandada, dia de arraial de porrada e dia de festa. Calhou num Domingo, dia do Senhor, por isso, de manhã, tivemos a Santa Missa na Capela da Força Aérea Portuguesa. Capela naturalmente dedicada a Nossa Senhora do Ar. A Missa cantada na liturgia tradicional é uma beleza! 

Ajudados pelos meios sensíveis do incenso, do canto gregoriano e dos gestos litúrgicos, os bravos elevaram as suas almas à contemplação das coisas de Deus. No fim da Missa cantámos a plenos pulmões o “Salve Nobre Padroeira” que é o nosso verdadeiro Hino Nacional. Após o Santo Sacrifício descemos em direcção à Lagoa do Covão das Quelhas, lugar onde passámos a tarde. Nesse dia, por si só já muito português, tivemos como farnel do meio-dia: broa e pão com queijo e presunto da Serra.

Ninguém passou fome, pois tudo foi liberalmente distribuído: os bravos gozaram de generosas talhadas cortadas a olho por uma navalha experimentada. Como se tudo isto não chegasse, nessa mesma noite, confeccionámos uma riquíssima feijoada. A dita cuja borbulhava fumegante na gamela, feita exclusivamente com produtos locais, alguns deles oferecidos pelos simpáticos beirões que nos deram enchidos como quem dá esmola. Que bela jornada! Querem um maior hino à Portugalidade do que isto? 

Se quiserem então tomem: no dia seguinte foi dia 15 de Agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora. Que bem pregou o Padre Fernando, galvanizando as tropas, inflamando-nos o desejo da santidade. Para as memórias empoeiradas relembramos que a imagem de Nossa Senhora (da Conceição) foi coroada por El Rei D. João IV em Vila Viçosa e que, a partir desse dia, nunca mais os monarcas portugueses usaram a coroa. Nossa Senhora é que é a Rainha de Portugal! E nesse dia tivemos a alegria de um encontro com o Senhor Bispo da Guarda que nos deixou uma bela mensagem e nos lançou a sua bênção.

Após uma semana perdidos nas fragas graníticas da Estrela, lá estavam os bravos, de volta à Covilhã, quase a chegar à Estação, deixando para trás a sua conquista. Marchavam alegres e sorridentes, o ritmo da passada parecia estar coordenado com o passar das contas do terço. Mais do que a altitude física apreciável em metros, os rapazes tinham sobretudo conquistado uma elevação moral: o título d’Homens. De bandeira desfraldada na mão e entoando cânticos patrióticos regressavam a casa diferentes. Tinham Deus no Coração e uma Serra no bucho. Depois de tantas flexões, depois de tanto escalar e de tanto peregrinar, tinham os braços doridos, as mãos calejadas e os pés em ferida, mas estavam felizes, profundamente felizes. De cabeça erguida, os bravos marchavam com orgulho.

Como pobre trovador que sou, sem mais recursos e artifícios para vos deixar uma crónica digna desta semana épica, resta-me recorrer desesperadamente ao relato de um outro conquistador da Serra: “A Estrela, essa guarda secretamente os ímpetos, reflectindo-se ensimesmada e discreta no espelho das suas lagoas. Somente a quem a passeia, a quem a namora duma paixão presente e esforçada, abre o coração e os tesouros. Então, numa generosidade milionária, mostra tudo. As suas Penhas Douradas, refulgentes já no nome, os seus Cântaros rebeldes a qualquer aplanação, os seus vales por onde deslizaram colossos de gelo, nos brancos tempos do quaternário. Revela, sobretudo, recantos quase secretos (…). Fontes duma pureza original, cascatas em que a água é um arco-íris desfeito, e conchas de granito onde se pode beber a imagem. O tempo demorou-se na solidão e no silêncio das suas lombas, e pôde construir à vontade. Abrir ruas, esculpir estátuas, rasgar gargantas, e até deixar desenhado o próprio perfil na curva do raio infinito de cada recôncavo. Perder-se por ela a cabo num dia de neve ou de sol, quando as fragas são fofas ou há flores entre o cervum, é das coisas inolvidáveis que podem acontecer a alguém. Para lá da certeza dum refúgio amplo e seguro, onde não chega a poeira da pequenez nem o ar corrompido da podridão, o peregrino esbarra a cada momento com a figuração do homem que desejaria ser, simples, livre e feliz. Um homem de pau e manta, a guardar um rebanho – criatura ainda impoluta do pecado original, para quem a vida não é nem suplício nem degradação, mas um contínuo reencontro com a natureza, no que ela tem de eternamente casto, exaltante e purificador.” (Miguel Torga, in Portugal). 

O pecado original afecta todos os descendentes de Adão - excepto Nossa Senhora e o seu Amado Filho - mas é verdade que os pastores castiços tinham, pelo menos à primeira vista, um ar simples e feliz vivendo segundo os ritmos do Criador. Este campo de férias permitiu-nos recuperar folgo para o resto do ano e forneceu-nos memórias para o resto da vida.

Três palavras para fechar esta crónica, três palavras que ficaram gravadas no coração daqueles que fizeram parte da conquista da Serra, palavras gravadas com martelo e cinzel como quem escreve no granito da Estrela: Fé, Virilidade e Tradição.

Miguel Castelo Branco, Seminarista da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro


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terça-feira, 25 de outubro de 2022

D. Athanasius baptizou uma criança em Louisiana (Estados Unidos)















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Oração escrita e rezada por Padre Pio

Jesus, Que nada me separe de Ti, nem a vida, nem a morte. Seguindo-Te em vida, ligado a Ti com todo amor, seja-me concedido expirar contigo no Calvário, para subir contigo à glória eterna. 

Seguirei contigo nas tribulações e nas perseguições, para ser um dia digno de amar-Te na revelada glória do Céu; para cantar-Te um hino de agradecimento por todo o Teu sofrimento por mim. 

Jesus, que eu também enfrente como Tu, com serena paz e tranquilidade, todas as penas e trabalhos que possa encontrar nesta vida; uno tudo aos Teus méritos, às Tuas penas, às Tuas expiações, às Tuas lágrimas, a fim de que colabore contigo para a minha salvação e para fugir de todo o pecado - causa que Te fez suar sangue e Te reduziu à morte. 

Destrói em mim tudo o que não seja do Teu agrado. Com o fogo de Tua santa caridade, escreve no meu coração todas as Tuas dores. Aperta-me fortemente a Ti, Com um nó tão estreito e tão suave, que eu jamais Te abandone nas Tuas dores. Ámen

S. Pio de Pietrelcina 



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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Profissão solene no Mosteiro Beneditino de Núrcia

Os dois monges que professaram os votos perpétuos estão debaixo do tapete; durante a cerimónia que simboliza a morte para o mundo. 


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