sexta-feira, 21 de abril de 2023

Santo Anselmo, Doutor Magnífico

Anselmo de Aosta, conhecido também como Anselmo da Cantuária — nascido em Aosta, em 1033 ou 1034, e falecido em Cantuária (Canterbury), na Inglaterra, aos 21 de abril de 1109 — foi um Santo, teólogo, filósofo, monge e Arcebispo, um dos máximos expoentes do pensamento cristão medieval. É conhecido sobretudo pelos seus argumentos que provam a existência de Deus. Em particular o chamado argumento ontológico teve importante influência sobre grande parte da filosofia posterior.

O celebérrimo Santo é uma das maiores glórias do Piemonte e da Vale de Aosta, no norte da Itália. A sua mãe, Ermemberga, era uma perfeita mãe de família, enquanto seu pai, Gandolfo, vivia envolvido com seus compromissos seculares. A sua educação foi confiada a um parente, que não soube cuidar bem da saúde do menino. Então, foi confiado aos beneditinos de Aosta. Aos quinze anos, começou a sentir desejo de ser monge, mas o pai não concordou porque lhe queria deixar a sua herança. Graça a isso, os atrativos do mundo e as paixões dominaram o jovem, especialmente após a morte da mãe. O pai — que acabou por morrer monge — tomou aversão pelo filho, e Anselmo decidiu abandonar a família e a Pátria em companhia de um servo.

Depois de três anos entre a Borgonha e a França central, Anselmo foi para Avranches, na Normandia, onde conheceu a Abbaye Notre-Dame du Bec (Abadia de Nossa Senhora de Bec, ou simplesmente Abadia de Bec) e a sua escola, fundada em 1034. Foi até lá para conhecer o prior, Lanfranco de Pavia (famoso por defender a Transubstanciação), e ficar junto dele, como muitos outros clérigos atraídos pela fama de seus conhecimentos. Os progressos nos estudos foram tão surpreendentes que o próprio Lanfranco passou a preferi-lo e até mesmo a fazer-se ajudar por Anselmo no ensino. Assim, o Santo voltou a sentir o desejo de vestir o hábito de monge.

Em 1060, entrou para o seminário beneditino do Bec. Depois de apenas três anos de regular observância mereceu suceder a Lanfranco no cargo de prior e de director da escola, uma vez que este foi designado a governar a Abbaye de Saint'Etienne-de-Caen (Abadia de Santo Estevão de Caen, também conhecida como Abbaye aux Hommes, ou seja, Abadia dos Homens).

Não obstante que as responsabilidades se tivessem multiplicado, o Santo nunca negligenciou a dedicação cada vez maior a Deus e ao estudo, preparando-se, assim, para resolver as mais obscuras questões até então não resolvidas. Não bastando o dia, para aprofundar-se nas Escrituras e nos Padres da Igreja, Anselmo costumava passar parte da noite em oração e corrigindo manuscritos. Podemos ter ideia do seu ensino lendo os opúsculos e os diálogos que deixou, alguns dos quais são verdadeiras pequenas obras de arte pedagógicas e dogmáticas.

Santo Anselmo foi um grande pensador, mas também uma grande director de almas. A fama do seu mosteiro espalhou-se por toda a parte, e atraiu uma elite ávida de ciência e de perfeição religiosa. Ele ocupava-se disso pessoalmente e com cuidado especial. Muitas das suas 447 cartas mostram a arte que possuía de ganhar os corações, adaptando-se à idade de cada um e utilizando modos afáveis.

Quando, a 26 de Agosto de 1078, morreu o Abade São Herluin, fundador da Abadia em 1034, os confrades, unanimemente, designaram Anselmo para suceder-lhe. A agudeza da inteligência, a extraordinária doçura de carácter e a santidade de vida lhe mereceram uma grande ascendência, tanto no mosteiro quanto fora dele. Estreitou relações com o mestre Lanfranco, nomeado Arcebispo de Cantuária em 1070, e colaborou com a organização de alguns mosteiros ingleses: isto permitiu que fosse conhecido pela nobreza do País e apreciado pela corte de Londres.

Em 1076, Anselmo publicou o “Monologion” para atender ao desejo dos monges de meditar sobre a essência divina. Esta sua primeira obra revelou-se uma obra-prima pela densidade e lucidez de pensamento acerca da existência de Deus, os seus atributos e a Trindade. A esta obra seguiu o “Proslogion”, mais célebre que a precedente por causa do muito discutido argumento que excogitou — o argumento ontológico, sob forma de oração contemplativa — para demonstrar a existência do Ser supremo, em substituição dos longos e tediosos raciocínio que havia exposto no “Monologion”. “Deus é o Ser do qual não se pode pensar em um maior; o conceito de tal Ser está emna nossa mente, mas tal Ser deve existir também na realidade, fora da nossa mente, porque, se existisse apenas na mente, poderíamos pensar noutro maior, um, isto é, que existisse não apenas na mente, mas também na realidade fora dela”.

A fama de Anselmo difundiu-se ainda mais por toda a Europa. Era de tal forma venerado e amado em Inglaterra que, no dia 6 de Março de 1093, por causa das pressões dos Bispos, dos Nobres e de todo o povo, foi eleito pelo Rei Guilherme II, o Ruivo, como Arcebispo de Cantuária, cuja Sé estava vacante por causa da morte de Lanfranco em 1089. Anselmo resistiu tenazmente, mas foi inútil, e, referindo-se às dificuldades de entendimento entre o Rei e o Primaz, afirmou, como os Bispos e os Nobres que o acompanhavam: “Vós quereis subjugar juntos um touro não domado e uma pobre ovelha. O touro arrastará a ovelha para os arbustos e a fará em pedaços sem que tenha tido qualquer utilidade. A vossa alegria tornar-se-á em tristeza. Vereis a igreja de Cantuária voltar à viuvez vivente do seu pastor. Nenhum de vocês ousará resistir, depois de mim, e o rei pisotear-vos-á a seu bel prazer”.

A situação da Igreja inglesa era efectivamente muito triste naquele período, por causa da simonia, da decadência dos costumes e da violação da liberdade religiosa (verdadeira) por parte do rei. Santo Anselmo tentou remediar a tudo isso, na esteira da reforma adotada por São Gregório VII, promovendo a reforma do clero, as formas tradicionais do culto e da liturgia, lutando ardorosamente pela liberdade da Igreja na Inglaterra, o que lhe acarretou não poucos dissabores e o exílio por duas vezes. Não surpreendeu, portanto, que, em 1095, tivesse rebentado entre a autoridade secular e a autoridade religiosa um grave conflito acerca do reconhecimento do Papa Beato Urbano II. 

Nada foi capaz de demover o Arcebispo e fazê-lo mudar de ideias. E, depois de muitas dificuldades, em 1097, pôde ir a Roma para consultar o próprio Papa. Este recebeu-o com grandes manifestações de estima e, em 1098, o enviou ao Segundo Concílio de Bari, convocado para reconduzir à unidade da Igreja os que tinham aderido ao Grande Cisma do Oriente, de 1054. Nas questões discutidas, Anselmo foi o teólogo dos latinos, confutando vitoriosamente as objecções dos adversários contra a procedência do Espírito Santo das duas outras pessoas da Santíssima Trindade. 

Em 1099, Anselmo tomou parte também do Sínodo de Roma, no qual foram reafirmados os decretos contra a simonia, o concubinato dos clérigos e a reinvestitura leiga (A investidura leiga era a nomeação de bispos, abades e outros oficiais da Igreja por senhores feudais e vassalos). Depois, partiu para Lyon, onde foi obrigado a ficar porque o Rei não o autorizava a voltar à sua Sé. Na Itália, havia completado o seu grande tratado sobre os “Motivos da Encarnação”. Em Lyon, terminou outro: “Da Concepção Virginal e Do Pecado Original”.

Em 1110, Henrique Beauclerc (Henrique I da Inglaterra) sucedeu ao seu irmão Guilherme no trono inglês e, desejando ter o Arcebispo da Cantuária entre os que o apoiavam, o convidou a voltar. O novo soberano não tinha, porém, intenção alguma de renunciar ao domínio sobre a Igreja, motivo pelo qual, em 1103, Anselmo, inflexível na defesa dos seus direitos, teve que ir uma segunda vez a Roma, em exílio. Após longas tratactivas com o novo Papa Pascoal II, o soberano renunciou, enfim, à investidura dos feudos eclesiásticos, contentando-se apenas com a homenagem.

Em 1106, o Primaz pôde retornar à sua Sé e dedicar ao intenso trabalho pastoral os últimos anos de sua vida. Não podendo mais caminhar, se fazia transportar diariamente à igreja para assistir à Missa. No leito de morte, lamentou apenas não ter tido tempo de esclarecer o problema da origem da alma.

Santo Anselmo morreu no dia 21 de Abril de 1109, em Cantuária, e foi sepultado na célebre catedral. O Papa Alexandre III, em 1163, concedeu ao Arcebispo São Tomás Becket de proceder à "elevação" do corpo do seu predecessor, acto que à época correspondia, para todos os efeitos, a uma canonização.

Santo Anselmo de Aosta foi, enfim, declarado Doutor da Igreja por Clemente XI, a 8 de Fevereiro de 1720. O Martyrologium Romanum e o Calendário litúrgico da Igreja Universal comemoram o Santo no aniversário de seu nascimento ao Céu.

in Pale Ideas


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quinta-feira, 20 de abril de 2023

Missa Tradicional: a consagração vista do outro lado



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O Sacerdote segundo S. João Maria Vianney

Que é o sacerdote? “Um homem que ocupa o lugar de Deus, um homem que é revestido de todos os poderes de Deus”.

“Ide, diz Nosso Senhor, ao sacerdote. Assim como o Pai me enviou, assim eu vos envio. Todo o poder me foi dado no Céu e na Terra. Ide, pois, instruí todas as nações. Quem vos escuta a mim escuta, quem vos despreza a mim despreza”.
 
Quando o padre perdoa os pecados, ele não diz: “Deus vos perdoe”, mas, sim: “Eu te absolvo”. Na consagração não diz: "Isto é o corpo de Nosso Senhor", mas sim: “Isto é o meu Corpo”.
 
S. Bernardo diz que tudo nos vem por Maria. Pode-se dizer também que também que tudo nos vem pelo sacerdote: sim, todas as venturas, todas as graças, todos os dons celestes. Se não tivéssemos o sacramento da Ordem, não teríamos Nosso Senhor. Quem O pôs ai nesse tabernáculo? O padre. Quem alimenta a alma para lhe dar a força de fazer a sua peregrinação? O padre. Quem a prepara para comparecer perante Deus, lavando essa alma pela primeira vez no Sangue de Jesus Cristo? O padre, sempre o padre. E se ela vier a morrer, quem a ressuscitará? Quem lhe restituirá a calma e a paz? Ainda o padre. Não vos podeis lembrar de um só benefício de Deus sem encontrardes, ao lado dessa lembrança, a imagem do padre.
 
Ide-vos confessar à Santíssima Virgem ou a um anjo: eles absolver-vos-ão? Não. Dar-vos-ão o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor? Não. A Santíssima Virgem não pode fazer descer o divino Filho à hóstia. Tivésseis aí duzentos anjos, eles não poderiam absolver-vos. Um padre, por mais humilde que seja, pode-o. Pode dizer-vos: “Ide em paz, eu vos perdôo”. Oh! Como é grande o padre!
 
O padre só será bem compreendido no Céu. Se o compreendêssemos na Terra morreríamos, não de pavor, mas de amor...
  
Os outros benefícios de Deus de nada nos valeriam sem o padre. De que serviria uma casa cheia de ouro, se não tivésseis quem vos abrisse a porta? O padre tem a chave dos tesouros celestes. É ele quem abre a porta. Ele é o ecónomo de Deus, o administrador dos Seus bens.
 
Se não fosse o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor de nada serviriam. Vede os povos selvagens: que lhes adiantou ter morrido Nosso Senhor? Ai! Eles não poderão gozar dos benefícios da redenção, enquanto não tiverem padres que lhes apliquem o precioso Sangue.
 
O padre não é padre para si: não dá a si absolvição, não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós. Depois de Deus, o sacerdote é tudo. Deixai uma paróquia vinte anos sem padre, adorarão ali os animais. Se o sr. Missionário e eu nos fôssemos embora, vós diríeis: “Que fazer nesta igreja? Já não há Missa, Nosso Senhor já não está nela, tanto vale rezar em casa...”
 
Quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre, porque onde quer que não haja padre, não haverá mais sacrifício, e onde já não houver sacrifício não haverá religião.
 
Quando o sino vos chama à Igreja, se vos perguntassem: “onde ides?” poderíeis responder: “Vou alimentar a minha’alma”. Se vos perguntassem, apontando-vos o tabernáculo: “De que é essa porta dourada? — É do refeitório da minha alma. — Quem é que tem a chave dele, quem faz as provisões, quem apronta o festim, quem serve à mesa? — É o padre. — E a comida? — É o precioso Corpo de Nosso Senhor...” Ó meu Deus, meu Deus, como nos amastes!...
 
Vede o poder do padre! A palavra do padre, de um pedaço de pão faz um Deus! É mais do que criar o mundo. Perguntou alguém: “Santa Filomena obedece ao Cura d’Ars?” Certo, ela bem pode obedecer-lhe, já que Deus lhe obedece.
 
Se eu encontrasse um padre e um anjo, cumprimentaria o padre antes de cortejar o anjo. Este é o amigo de Deus, mas o padre faz às vezes de Deus.. Santa Teresa beijava o lugar por onde um padre havia passado.
 
Quando virdes um padre dizer: “Eis aquele que me tornou filho de Deus e me abriu o céu pelo santo baptismo, aquele que me purificou depois do meu pecado, que alimenta a minha alma. À vista de um campanário podeis dizer: “Que há ali naquela igreja? — O Corpo de Nosso Senhor. — E por que está Ele ali? — Porque um padre ali passou e disse Missa”.
 
Que alegria tinham os apóstolos depois da ressurreição de Nosso Senhor por verem o mestre que tanto amavam! O padre deve ter a mesma alegria vendo Nosso Senhor entre os seus dedos. Dá-se grande valor aos objectos tocados na escudela da SS. Virgem e do Menino Jesus em Loreto. Mas, os dedos do padre, que tocam a Carne adorável de Jesus Cristo, que mergulham no cálice onde está o seu Sangue, no cibório onde está o seu Corpo, não são, porventura, mais preciosos?
 
O sacerdote é o amor do Coração de Jesus. Quando virdes o padre pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Alfred Monnin in 'L'esprit du Curé d'Ars'


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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Fomos feitos para coisas grandes




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Eleição do Papa Bento XVI - 19 de Abril 2005

Amados Irmãos e Irmãs, 

Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. 

Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações. 

Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está connosco. Obrigado!


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terça-feira, 18 de abril de 2023

A cegueira interior - Imitação de Cristo

Muitas vezes não nos damos conta de como somos interiormente cegos. Muitas vezes agimos mal e desculpamo-nos pior. Às vezes somos movidos pela paixão e julgamos ser por zelo. Repreendemos coisas pequenas nos outros e passamos sobre as nossas, bem maiores. Depressa sentimos e pesamos o que aguentamos dos outros, mas não nos damos conta de quanto eles sofrem por nós. Aquele que pesasse bem e rectamente as suas acções, não haveria nada que julgasse duramente nos outros.

O homem que vive pelo espírito prefere o cuidado de si mesmo a todos os cuidados; e quem se vigia atentamente facilmente se cala sobre os outros. Nunca serás interior e piedoso se não te calares sobre os outros e olhares especialmente para ti. [...] A alma que ama a Deus despreza todas as coisas que Lhe estão abaixo. Só Deus eterno e imenso, enchendo tudo, é consolação da alma e verdadeira alegria do coração.

Repousarás calmamente se o teu coração de nada te acusar. Não te alegres senão quando fizeres o bem. Os maus nunca têm verdadeira alegria, nem experimentam paz interior; porque «não há paz para os pecadores» (Is 48,22). [...] Facilmente estará contente e em paz aquele cuja consciência está limpa. Não és mais santo porque te louvam nem mais pecador porque te injuriam. És aquilo que és; e tudo o que disserem de ti não te fará maior do que és aos olhos de Deus. Se atenderes ao que és interiormente, não te preocuparás com o que os homens dirão de ti. «O homem vê a cara, mas Deus o coração» (1Sm 16,7). 

in Livro II, caps. 5-6


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Viajou 500 quilómetros para ser baptizada em Rito Tradicional




Uma estudante norte-americana deslocou-se meio milhar de quilómetros para que pudesse ser baptizada no Rito de Sempre. O Bispo da diocese onde vive "proibiu" a Missa e os sacramentos em Rito Tradicional.

Assim sendo, esta catecúmena viajou até à diocese de Hartford para ser baptizada no Oratório de São Patrício, que está entregue ao Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote.



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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Meu Senhor e meu Deus




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Curso de Cristianismo e Ciência por Bernardo Motta

A partir de 20 de Abril vou começar, se Deus quiser, mais uma edição do meu curso "Cristianismo e Ciência", algo que já não fazia desde 2019. O conteúdo foi todo revisto, e destina-se ao público em geral.

Serão onze sessões de uma hora, sempre às Quintas-feiras às 20h30. Será possível assistir presencialmente ou remotamente através de Zoom, com possibilidade de colocar perguntas.
Serão tratados cinco temas em módulos independentes:

Módulo 1: O que diz a Ciência sobre a existência de Deus?
- Parte 1: Quinta-feira, 20 de Abril
- Parte 2: Quinta-feira, 27 de Abril

Módulo 2: A Igreja Católica atrasou o progresso da Ciência?
- Parte 1: Quinta-feira, 4 de Maio
- Parte 2: Quinta-feira, 11 de Maio

Módulo 3: Porque foi condenado Galileu?
- Parte 1: Quinta-feira, 18 de Maio
- Parte 2: Quinta-feira, 25 de Maio
- Parte 3: Quinta-feira, 1 de Junho

Módulo 4: Os milagres são incompatíveis com a Ciência? O que foi o Milagre do Sol em Fátima?
- Parte 1: Quinta-feira, 8 de Junho
- Parte 2: Quinta-feira, 15 de Junho

Módulo 5: Podemos confiar nos Evangelhos?
- Parte 1: Quinta-feira, 22 de Junho
- Parte 2: Quinta-feira, 29 de Junho

O curso é pago e as receitas vão integralmente para o Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO), que gentilmente cede o espaço e os meios audiovisuais.
Inscrição numa sessão avulsa: 5 Euro por sessão
Inscrição num Módulo: 10 Euro por módulo
Inscrição no curso completo: 40 Euro

Formulário para inscrição: https://forms.gle/yjZwgM9mMtJxnWi5A 
Pagamento através do IBAN: IBAN: PT50.0036.0071.99100105601.30 (enviar comprovativo para geral@ieacgo.pt mencionando o curso como referência)

Morada para quem quiser assistir presencialmente: Rua Peixinho Júnior, 16, Paço de Arcos, Oeiras.


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domingo, 16 de abril de 2023

Quarta-Feira na Oitava da Páscoa: Bênção dos Agnus Dei

Hoje, Domingo de Pascoela, era o dia de distribuição dos Agnus Dei. Estes tinham sido benzidos na Quarta-Feira anterior. O Papa fazia-o, habitualmente, no primeiro ano de pontificado e, depois, de 7 em 7 anos.

O Agnus Dei é um antiquíssimo sacramental (talvez o mais antigo da Igreja), com referências históricas até pelo menos o séc. VI, feito da cera de Círios Pascais passados, tendo de um lado a imagem do Cordeiro de Deus, donde lhe vem o nome, e no reverso uma imagem pia. Um dos conhecidos efeitos associados a esta devoção é a protecção contra doenças e contra pestes e epidemias (algo que até nos parece apropriado, hoje).

Não se trata dum qualquer amuleto ao qual associamos superstição. Trata-se dum sacramental, cuja primeira função é lembrar-nos de Deus e do Seu lugar nas nossas vidas, podendo assim ser veículo de Graça, através das bênçãos concedidas ao Agnus Dei e das orações do Papa que o consagrou.

Como no Círio Pascal, a cera tipifica a carne virginal do Senhor, o cordeiro com a cruz a ideia da vítima oferecida em sacrifício e, como o sangue do cordeiro pascal protegeu cada casa do anjo da morte, também o propósito deste sacramental é proteger quem o tem de toda a influência maligna. Nas orações de bênção encontramos referência directa ao perigo das tempestades, da peste, dos incêndios, das cheias e ainda dos perigos a que as mulheres estão expostas na gravidez e parto.

Na imagem, o meu Agnus Dei (oferecido por um caro amigo), consagrado pelo Papa Leão XIII (tanto quanto se consegue perceber) em 1894.

PF


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sábado, 15 de abril de 2023

Seminário de Wigratzbad (FSSP) vai ao Santuário de Nossa Senhora de Birnbaum













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Barrabás e outros Abusos

É sempre chocante escutar a narração da condenação à morte de JESUS, particularmente quando verificamos como o povo de Jerusalém, persuadido e instigado pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos, decide exigir a libertação de Barrabás e a crucifixão de JESUS (Mt. 27, 20). Aquele é um malfeitor e assassino (Mc. 15, 7) enquanto JESUS é absolutamente Inocente, como o próprio Pilatos reconhece. É a democracia liberal[1] a funcionar – partidos políticos e média convencem seduzindo e o Presidente, lavando as mãos, promulga – sentencia-se o inocente absolve-se o culpado.
 

Barrabás é a tradução portuguesa do aramaico Bar-Abbas que significa filho do pai. JESUS revela-se como Filho de Deus Pai, como Deus Filho humanado. No Evangelho segundo S. João JESUS numa das Suas polémicas com escribas, fariseus e sacerdotes acusa-os de não serem filhos de Abraão nem filhos de Deus, mas de terem como pai o diabo porque querem praticar as suas obras malvadas. Barrabás é filho do diabo que é assassino, mentiroso e pai da mentira (Cf. Jo. 8, 38-44), é, pois, um Anticristo. Cristo diz a verdade, Ele é a Verdade.

 

JESUS continua nos dias de hoje a ser ferozmente abusado-crucificado nos menores enquanto Barrabás é festivamente inocentado.

 

Exemplos? Aí vão alguns:

 

Crianças e adolescentes abandonados à pornografia sexual através dos smartphones, tablets e computadores que os pais alegremente lhes dão. Média etária da primeira exposição a essas imagens devastadoras, 9 anos.

 

Filhos de “gravidezes de substituição” (barrigas de aluguer).

 

Filhos produzidos por técnicas extracorpóreas. Dezenas senão centenas de milhares de crianças embrionárias congeladas e/ou sujeitas a experimentações laboratoriais letais.

 

Entrega de crianças produzidas artificialmente a parelhas do mesmo sexo.

 

Centenas de milhares de crianças assassinadas por aborto provocado.


Crianças e adolescentes sujeitos obrigatoriamente à sinistra deformação sexual da perversa ideologia de género.

 

Crianças e adolescentes mutilados e esterilizados em nome da ideologia trans.

 

Filhos da epidemia de divórcios à-toa e sem culpa.


Padre Nuno Serras Pereira


[1] A democracia liberal que não tem como fundamento a Ordem da Criação e o Direito Natural. Esta democracia é incompatível com o catolicismo. Felizmente pode e deve haver outro tipo de democracia, essa sim justa, embora actualmente, tanto quanto sei, não existente. Esta salvaguarda e promove o Bem Comum, na totalidade dos seus factores, de toda e cada uma das pessoas.


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quinta-feira, 13 de abril de 2023

Há Missas e Missas




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Sexta-Feira da Oitava da Páscoa é dia de Abstinência?

Sexta-Feira é um dia tradicionalmente associado à penitência porque foi o dia no qual Nosso Senhor foi crucificado e morreu na cruz para nos salvar. Para nos associarmos, mesmo que pouco, aos sofrimentos de Jesus também nós fazemos sacrifícios nesse dia da semana. Um dos mais antigos é a abstinência da carne, isto é não comer carne à Sexta-Feira.

Na Lei da Igreja esta obrigatoriedade sempre previu excepções. No Código de Direito Canónico de 1917 eram dias de abstinência obrigatória todas as Sextas-Feiras do ano excepto se fosse um dia de preceito, ou seja um dia tão importante que fosse obrigatório ir à Missa: dia de Natal ou dia da Imaculada Conceição, por exemplo. 

No novo Código de Direito Canónico, de 1983, a excepção a essa abstinência das Sextas-Feiras acontece sempre que nesse dia existe uma Solenidade, mesmo que não seja dia de preceito. 

A Oitava da Páscoa, os 8 dias que se seguem ao Domingo de Páscoa, são tratados, liturgicamente, como se fossem a Solenidade do dia de Páscoa. Por isso esta Sexta-Feira, segundo a lei actual, parece não ser de abstinência. 

Legalmente é esta a conclusão lógica, à luz dos cânones actuais. No entanto quem quiser fazer abstinência não perde nada, sabendo que é um costume que vem dos primórdios da Igreja, associando essa penitência ao arrependimento dos seus pecados e pedindo a graça de não voltar a pecar.


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quarta-feira, 12 de abril de 2023

A simplicidade dos relatos extraordinários

Se Moisés tivesse dito que Deus era a Energia Infinita, eu não teria a menor dúvida de que ele não havia visto nada de extraordinário. Porém, como ele disse que Deus era um arbusto em chamas, creio que é muito provável que contemplara realmente algo extraordinário.

Quando o céptico instruído declara: "As visões do Antigo Testamento eram locais, rústicas e grotescas", nós contestamos: "Naturalmente, pois eram genuínas". Se existisse um ser como Deus, e se Deus falasse com uma criança num jardim, a criança naturalmente diria que Deus vive no jardim e isso não me pareceria menos provável que fosse certo. 

Mas se a criança dissesse: "Deus está em todas as partes; é uma essência impalpável que envolve e sustenta todos os componentes do cosmos", se, digo eu, a criança se dirigisse a mim nesses termos que citei, inclinar-me-ia a pensar que era muito mais provável que tivesse estado com a professora do que com Deus.

G.K. Chesterton 


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terça-feira, 11 de abril de 2023

Ressurreição : O impensável aconteceu



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Porque é que São Leão Magno é Magno?

Encontro entre S. Leão Magno e Átila, o Huno (Rafael)

Século V
Todos sabemos o mínimo da história da Igreja Católica: Jesus ressuscitou e S. Pedro e S. Paulo foram para Roma, onde se tornaram mártires com muitos outros cristãos que lhes seguiram. Nos primeiros séculos, os cristãos foram brutalmente perseguidos pelo império romano. No ano 313, o imperador Constantino acabou estas perseguições mas os problemas não terminaram. Começaram a surgir inúmeras heresias que distorciam a doutrina da Igreja e, se não fossem uns homens fortes, sábios e santos, a Igreja não teria aguentado. Estes homens são hoje conhecidos como Padres da Igreja. S. Leão Magno foi um destes heróis e, para além das heresias que se espalhavam, viveu em pleno início das invasões bárbaras.

O império romano estava cada vez mais dividido entre Oriente e Ocidente e, em ambas as partes, reinava a corrupção. Enquanto que os soldados das legiões eram maioritariamente mercenários mal pagos, os povos da Germânia começaram a descer para o Sul da Europa. No final do ano 410 os Visigodos invadiram Roma. 

Um comandante ao serviço de Cristo
Estas invasões foram relativamente bem controladas, mas o pior ainda estava para vir. Um exército de meio milhão de homens guerreiros da Ásia começou a invadir a Europa pelo Oriente e chegou a conquistar tudo até às zonas da actual Suíça. Eram os hunos comandados por Átila que arrasavam tudo por onde passavam. No ano 452 invadiram a Itália e começaram a avançar para Roma e o imperador nada conseguia fazer para os travar. Foi então que o Papa Leão I, com outros membros do Clero, foi ao encontro do mais cruel e temido de todos os invasores, no Norte de Itália. Não sabemos do que falaram, mas uma coisa é certa, S. Leão Magno tinha uma personalidade fortíssima própria dos santos, de tal modo que Átila renunciou à conquista de Roma e retirou-se de Itália, assinando a paz com o império do Ocidente.

Três anos mais tarde o Papa também impediu que os Vândalos, quando invadiram Roma, saqueassem as Basílicas de S. Pedro, S. João e S. Paulo, onde se refugiaram centenas de pessoas.

O Concílio de Calcedónia
Todas estas guerras foram perigosíssimas, mas nada comparado ao perigo das heresias que se espalhavam no interior da Igreja e que ameaçavam levar tantas almas do caminho para o Céu. S. Leão Magno foi feroz nesta luta que culminou no Concílio de Calcedónia no ano 451.

Analisando com a distância de quase um milénio, percebe-se que estes tempos de heresia foram a maneira de Nosso Senhor ajudar a definir a nossa doutrina infalível. De facto, o Concílio de Calcedónia foi o último dos primeiros Quatro Concílios Ecuménicos, onde se definiram as bases fundamentais da nossa Fé. Estes concílios foram de tal modo importantes que S. Gregório Magno, no século VI, afirmou “acolher e venerar, como os quatro livros do Santo Evangelho, os quatro Concílios”.

O Papa, devido à guerra com os hunos, não conseguiu estar presente em Calcedónia e, portanto escreveu uma carta para ser lida no Concílio. Esta carta, lida para trezentos e cinquenta Bispos, era um texto doutrinal chamado Tomo a Flaviano que argumentava de um modo fenomenal contra as várias heresias. Ao pormenor, este santo Papa derrotou a heresia dos pelagianos, que negava a existência do pecado original, afirmando que o homem se podia salvar sem a graça de Deus, a heresia dos priscilianistas, uma seita que misturava teologia com astrologia, e a mais forte de todas, a monofisita, que afirmava que Jesus Cristo era Deus mas não homem.

Na nossa vida
É devido ao Concílio de Calcedónia e ao Papa S. Leão Magno, que temos bases fortes e racionais para afirmar que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Foi também neste concílio que foi confirmada a maternidade divina de Maria. Que alegria! Nossa Senhora, nossa Mãe, é a Mãe de Deus!

Gostava de referir duas últimas coisas. A primeira é que é importantíssimo conhecermos a História da Igreja Católica, até porque isso fortifica bastante a nossa Fé. A segunda é que ao aprendermos as heresias que atacavam o Cristianismo nos primeiros séculos, revemos tudo o que se passa nos nossos dias. Em quase todas as revistas encontramos uma página com os signos, o que tem tudo a ver com o priscilianismo, ou os novos ateus que afirmam que o ser humano vive por si, sem nenhuma ajuda de Deus, que é uma espécie de definição do pelagianismo. Para nos defendermos temos que rezar e ler muito os escritos dos Padres da Igreja.

NCB


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segunda-feira, 10 de abril de 2023

Prefácio Pascal cantado pelo Papa Pio XII

Uma rara gravação da voz do Papa Pio XII enquanto canta o prefácio da Missa de Páscoa.

V. Dóminus vobíscum.
R. Et cum spíritu tuo.
V. Sursum corda.
R. Habémus ad Dóminum.
V. Grátias agámus Dómino, Deo nostro.
R. Dignum et justum est.


Vere dignum et justum est, æquum et salutáre: Te quidem, Dómine, omni témpore, sed in hac potíssimum die gloriósius prædicáre, cum Pascha nostrum immolátus est Christus. Ipse enim verus est Agnus, qui ábstulit peccáta mundi. Qui mortem nostram moriéndo destrúxit et vitam resurgéndo reparávit. Et ídeo cum Angelis et Archángelis, cum Thronis et Dominatiónibus cumque omni milítia coeléstis exércitus hymnum glóriæ tuæ cánimus, sine fine dicéntes.


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sábado, 8 de abril de 2023

Sábado Santo, dia de repouso junto ao sepulcro

«E eis que um homem por nome José, senador, homem de bem e justo, que não tinha consentido no conselho e nos actos dos outros, de Arimatéia, cidade dos judeus, e que também esperava o reino de Deus; esse, chegando a Pilatos, pediu o corpo de Jesus. E, havendo-o tirado, envolveu-o num lençol, e pô-lo num sepulcro escavado numa rocha, onde ninguém ainda havia sido posto. 

Era o dia da preparação e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galileia, seguiram também e viram o sepulcro e como foi posto o seu corpo. Voltando elas, prepararam especiarias e unguentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.»

Lucas 23, 50-56


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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Sexta-Feira Santa: Morte de Jesus

“Et inclinato capite, tradit spiritum - E inclinando a cabeça, rendeu o espírito” 
(Jo. 19, 30)

Sumário - Contempla como, depois de três horas de agonia, pela veemência das dores, as forças faltam a Jesus; entrega o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira... Alma cristã, diz-me: não merece porventura todo o nosso amor um Deus que, para nos salvar da morte eterna, quis morrer no meio dos mais atrozes tormentos? Todavia, como são poucos os que O amam e muitos os que, em vez de O amarem, Lhe pagam com injúrias e ultrajes.

I. Considera que o Nosso amável Redentor é chegado ao fim da Sua vida. Amortecem-se-Lhe os olhos, o Seu belo rosto empalidece, o Coração palpita debilmente, e todo o Sagrado Corpo é lentamente invadido pela morte. Vinde, Anjos do Céu, vinde assistir à morte do Vosso Deus. E Vós, ó Mãe dolorosa, Maria, chegai-Vos mais próxima à Cruz, levantai os olhos para Vosso Filho, e contemplai-O atentamente, porque está prestes a expirar.

“Pater, in manus tuas commendo spiritum meum - Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito”. É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a Vontade divina. Foi como se dissesse: “Meu Pai, não tenho vontade própria; não quero nem viver nem morrer. Se é Vossa Vontade que Eu continue a padecer sobre a Cruz, eis-Me aqui, estou pronto para obedecer sobre esta Cruz; em Vossas mãos entrego o Meu Espírito; fazei de Mim segundo a Vossa vontade”. - Tomara que nós disséssemos o mesmo quando temos alguma Cruz, deixando-nos guiar pelo Senhor, conforme o Seu agrado. Tomara que o repetíssemos especialmente no momento da morte! Mas para bem o fazermos, então, devemos praticá-lo muitas vezes em nossa vida.

Entretanto, Jesus chama a Morte que, por deferência, não ousava aproximar-se do Autor da vida, e Lhe dá licença para Lhe tirar a vida. E eis que, finalmente, enquanto treme a Terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do Templo, eis que, pela veemência da dor natural, falha a respiração, Jesus abandona o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira: “Et inclinato capite, tradidit spiritum” - Parti, ó bela Alma do Meu Salvador, parti e ide nos abrir o Paraíso, fechado até agora, ide apresentar-Vos à Majestade divina, e alcançai-nos o perdão e a salvação.

As pessoas presentes, voltadas para Jesus Cristo, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplamo-No com atenção silenciosa, vêem-No expirar e, notando que não se move mais, dizem: “Morreu, morreu”. Maria ouve que todos o dizem, e Ela também exclama: “Ah, Filho meu, já morrestes; estais morto”.

II. Morreu! Ó Deus! Quem é que morreu? O Autor da vida, o Unigénito de Deus, o Senhor do mundo. Ó morte, que fizeste pasmar o Céu e a natureza! Um Deus morrer pelas Suas criaturas! - Vem, minh’alma, levanta os olhos e contempla esse Homem crucificado. Contempla o Cordeiro divino já imolado sobre o altar da dor; lembra-te de que Ele é o Filho dileto do Pai Eterno, e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolher; a cabeça inclinada para te dar o ósculo de paz; o lado aberto para te receber. Que dizes? Não merece ser amado um Deus tão bom e tão amoroso? Ouve o que do alto de Sua Cruz te diz o Senhor: “Meu filho, vê se há alguém no mundo que te tenha amado mais do que Eu, teu Deus!”

Ah, meu Jesus, já que para minha salvação não poupaste a Vossa própria Pessoa, lançai sobre mim esse olhar afetuoso com que me olhastes um dia, quando estáveis em agonia sobre a Cruz; olhai-me, iluminai-me, e perdoai-me. Perdoai-me em particular a ingratidão que tive para com’Vosco no passado, pensando tão pouco na Vossa Paixão e no amor que Nela me haveis mostrado. Dou-Vos graças pela luz que me concedeis, de compreender através de Vossas Chagas e de Vossos membros dilacerados, como, por entre umas grades, o afecto tão grande e tão terno que ainda guardais para comigo.

Ai de mim, se depois de receber estas luzes deixasse de Vos amar, ou amasse outra coisa que não a Vós!

Morra eu, assim Vos direi com São Francisco de Assis, morra eu por amor de Vosso Amor, ó meu Jesus, que Vos dignastes morrer por amor de meu amor. Ó Coração aberto de meu Redentor, ó morada feliz das almas amantes de meu Redentor, não vos dedigneis receber agora a minha mísera alma.

Ó Maria, ó Mãe de dores, recomendai-me a Vosso Filho, a quem vedes morto sobre a Cruz. Vede as Suas carnes dilaceradas, vede o Seu Sangue divino derramado por mim, e concluí disto quanto Lhe agrada que Lhe recomendeis a minha salvação. A minha salvação consiste em que eu ame, e este amor Vós mo deveis impetrar, mas um amor grande, um amor eterno.

Santo Afonso Maria de Ligório


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quinta-feira, 6 de abril de 2023

A Quinta-Feira Santa em que o Rei São Fernando lavou os pés aos pobres

A Quaresma passou e chegou a Semana Santa. Naquele ano, o amor de Cristo inflamou o coração do santo Rei mais do que nunca. Às vezes, passava a noite inteira contemplando as dores que Nosso Senhor sofreu para nos redimir; dormia tão pouco que os seus nobres, preocupados, chegaram a dizer-lhe que deveria cuidar melhor de si mesmo e não pôr assim a sua saúde em perigo. Afinal, a sua última doença ainda era bastante recente.

O Rei deixou-os falar e, quando terminaram, respondeu com um sorriso: “Se eu não vigiasse, como é que vocês poderiam dormir com confiança?” E, assim, continuou as suas longas vigílias.

Chegou a Quinta-Feira da Última Ceia. Era costume, no palácio, dar diariamente as mesmas iguarias servidas na mesa real a todos os pobres que apareciam, e D. Fernando III, muitas vezes, servia a refeição pessoalmente e preparava os pratos. Isso foi feito com tanta alegria e graça que ele conquistou os seus corações. Mas naquela Quinta-Feira Santa, ao entrar na sala onde os pobres esperavam, chamou doze, um a um, os mais velhos e mais esfarrapados de todos, e fê-los sentar num comprido banco de madeira, que ficava junto à parede. Então, ordenou a um servo: “Gil, vá e traga-me uma tina com água morna e uma toalha, a mais limpa e branca que puder encontrar”.

O jovem foi buscar o que havia sido pedido, esforçando-se no caminho para tentar adivinhar o que o Rei queria. A mesma perplexidade foi vista nos rostos dos nobres. O que é que ele vai fazer? Fernando, entretanto, com um semblante alegre, conversava com os mendigos, que exageravam com grande detalhe os seus muitos sofrimentos.

Gil voltou com a tina e uma toalha branca e limpa. O Rei despiu o manto, o cinturão da espada e o sobretudo. Depois, levantou a sua túnica; enrolou as mangas até o cotovelo; pegou na toalha e colocou-a em volta da cintura. Então, pegou na bacia e ajoelhou-se diante do primeiro velho e começou a lavar, com as suas mãos reais, tão limpas e belas, aqueles pés repulsivos que talvez nunca tivessem visto outra água senão a das poças sujas da rua.

A acção do rei deixou a todos sem palavras e paralisados. Quando recuperaram, muitos deles tinham lágrimas de emoção nos olhos. Os pobres irromperam em bênçãos para o Rei mais humilde já conhecido pelo Cristianismo. Mas Fernando disse-lhes que o que realmente deveria surpreendê-los é que Deus lavou os nossos pecados com Seu Sangue. Isto disse com convicção do fundo do seu coração. Na verdade, ele mal parecia ciente do que estava a dizer ou de que estava no salão do palácio. 

Naquele momento, ele esqueceu que era o Rei; o mundo inteiro havia desaparecido; apenas permaneceu um Cenáculo onde o Seu Senhor e Rei Jesus Cristo se ajoelhou diante de doze pobres pecadores e lavou os seus pés; ele parecia ouvir as palavras daquele mandamento de amor humilde: “Exemplum dedit vobis, ut et vos ita faciatis.”

in nobility.org


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terça-feira, 4 de abril de 2023

Domingo de Ramos, 1987: Reconquista da igreja de Port Marly

Os fiéis tinham sido expulsos da igreja de São Luís de Port Marly pelo Bispo de Versailles, que era contra a Missa Tradicional. No Domingo de Ramos tiveram a Santa Missa fora da igreja e, depois, voltaram a tomar posse do que era seu. Ainda hoje, 36 anos depois, esta igreja tem exclusivamente a Missa Tradicional.

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Considera a incerteza do dia da tua morte

1. Considera a incerteza do dia de tua morte. Ah, minha alma! Sairás um dia deste corpo. Quando? No inverno ou no verão? Na cidade ou no campo? De dia ou de noite? De modo imprevisto ou avisado? Por doença ou acidente? Terás tempo de te confessar ou não? Terás a assistência do teu confessor e pai espiritual ou não? De tudo isso absolutamente nada sabemos. A única coisa certa é que morreremos, e sempre mais cedo do que julgávamos.

2. Considera que então o mundo acabará no que te diz respeito. Ele não existirá mais para ti, ele virará de cabeça para baixo à tua frente. Sim, pois então os prazeres, as vaidades, as alegrias mundanas, os afectos vãos parecerão como nuvens e fantasmas. Ah, miserável, por que ninharias ofendi ao meu Deus? Verás que abandonamos Deus pelo nada. Ao contrário, a devoção, as boas obras te parecerão tão desejáveis e doces! E por que não segui este belo e gracioso caminho? Então os pecados que pareciam pequenos parecerão grandes como montanhas e a tua devoção, bem pequena.


3. Considera o longo e langoroso adeus que a tua alma dirá a este baixo mundo. Dirá adeus às riquezas, às vaidades, às vãs companhias, aos prazeres, aos passatempos, aos amigos, aos vizinhos, aos pais, aos filhos, ao marido, à esposa, em suma, a toda criatura e por fim a seu corpo, que ela abandonará pálido, magro, acabado, medonho e infecto.

4. Considera os trabalhos que terão para erguer o teu corpo e enterrá-lo; e que, feito isso, o mundo quase não pensará mais em ti, como tu quase não pensaste nos outros.Que Deus o tenha, dirão, e acabou-se. Ó morte, como és desdenhada! Como és implacável!

5. Considera que ao sair do corpo, a alma segue ou para a direita ou para a esquerda. Aonde irá a tua? Que caminho tomará? O mesmo que ela começou a trilhar neste mundo.

Afeições

1. Reza a Deus e te lança entre os seus braços. Ai, Senhor, recebei-me em vossa proteção neste dia apavorante! Tornai-me feliz e favorável esta hora, e que todas as outras me sejam tristes e aflitivas.

2. Despreza o mundo. Como não sei a hora a hora em que terei de deixar-te, ó mundo, não quero apegar-me a ti. Ó meus caros amigos, minhas caras alianças, permitai que não me afeiçoe a vós mais do que por uma amizade santa, que possa durar eternamente; pois por que me unir a vós para depois deixar e romper tal laço?

Resoluções

Quero preparar-me para esta hora e tomar os cuidados necessários para fazer felizmente esta passagem. Quero examinar com toda atenção o estado da minha consciência e pôr ordem nestas e naquelas faltas.

Conclusão

Agradece a Deus por estas resoluções que Ele vos deu; oferece-as à Sua Majestade. Roga-lhe mais uma vez que Ela torne feliz a tua morte pelo mérito de seu Filho. Implora a ajuda da Santa Virgem e dos santos. Pater Noster. Ave Maria.

S. Francisco de Sales in Novíssimos do Homem, Terça-Feira


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segunda-feira, 3 de abril de 2023

Satanás explicado pelo Catecismo da Igreja Católica

Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (Gn 3,1-5), a qual, por inveja, os faz cair na morte (Sb 2,24). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (Jo 8,44; Ap 12,9). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «O Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (Concílio de Latrão).

A Escritura fala dum pecado destes anjos (2Pe 2,4). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o Seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3,5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8,44). É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (São João Damasceno).

A Escritura atesta a influência nefasta daquele a que Jesus chama «assassino desde o princípio» (Jo 8,44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (Mt 4,1-11). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3,8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. (§§ 391-395)


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O que Deus une não pode ser separado




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domingo, 2 de abril de 2023

Domingo de Ramos há 91 anos na Praça de São Pedro



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Domingo de Ramos

Num dia como este, Jesus Cristo entrou em Jerusalém, onde foi recebido com honras de Rei e aclamado como O enviado por Deus. Mas o clima de festa não durou muito; 5 dias depois, essa multidão que tanto o louvara foi a mesma que gritou em uníssono: "Crucifica-O!" e que não descansou enquanto isso não aconteceu. Sobre este pequeno episódio diria o seguinte:

1. Não nos devemos preocupar com o que as pessoas pensam ou dizem de nós: num dia somos muito bons, no dia seguinte somos muito maus; para uns somos os melhores, para outros somos os piores. Apenas interessa o que Deus pensa de nós. Viver com essa consciência dá-nos uma grande liberdade. Foi assim que viveu Jesus.

2. As multidões podem ser manipuladas. Jesus foi recebido em festa e com pompa porque tinha feito bastantes milagres - alguns testemunhados por muitos dos presentes - e tinha ensinado como alguém com autoridade para o fazer, e não como os que ensinam uma coisa e fazem outra. Ainda assim, um pequeno grupo conseguiu influenciar essa multidão de maneira a que esquecesse o que sabia ser verdade e exigisse a maior injustiça do mundo: a morte de cruz a um homem que passou fazendo o bem.

3. Jesus aceita ser aclamado sabendo que uns dias mais tarde seria desprezado, insultado, agredido, açoitado, flagelado, crucificado e assassinado. Tudo aceitou sem se revoltar, com uma mansidão que faz corar a nossa revolta ao mínimo insulto ou correcção que nos fazem. Fez isso para nos salvar; e também para nos ensinar.

Santa Semana Santa a todos.


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sábado, 1 de abril de 2023

O paradoxo do mentiroso

Neste dia 1 de Abril, conhecido como dia das mentiras, vale a pena conhecer o paradoxo do mentiroso”, descrito por São Jerónimo, quando comentava os Salmos:

"Eu dizia na minha precipitação: Todos os homens são mentirosos.” (Salmo 116, 11). 

Será que David (autor dos Salmos) está a dizer a verdade ou a mentir?

Se é verdade que todos os homens são mentirosos, então a frase de David: “Todos os homens são mentirosos” é verdadeira, e assim David também está a mentir; ele também é homem.

Mas se ele também está a mentir, então a sua frase “Todos os homens são mentirosos”, não pode ser verdadeira.

Seja qual for a proposição, a conclusão é uma contradição. Como David é um homem, conclui-se que ele também está a mentir; mas se ele está a mentir porque todos os homens são mentirosos, a sua mentira é de outra espécie.


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