terça-feira, 10 de maio de 2022

Balaustrada para a comunhão: restaurar o sentido do Sagrado

Ok, mudei de ideias! É tempo de trazer de volta a balaustrada! Estou tão surpreendido por esta esta mudança como qualquer outra pessoa. Há alguns anos expliquei a teologia da comunhão de pé e defendi-a. E por que não? Sempre recebi assim durante a maior parte da minha vida adulta; até me lembro da experiência da Igreja latina com a intinção nos anos 70. De pé e na mão sempre me pareceu sensível, prático e - com a catequese própria - apropriado.

Mas agora, depois de alguns anos de pé do outro lado da píxide - e a ver o que se passa - já vi o suficiente. Vi uma mãe, com o bébé ao colo, receber a Sagrada Comunhão, levá-la de volta para o banco e partilhá-la com o bébé como se fosse uma bolacha.

Pelo menos quatro ou cinco vezes por ano tive de parar alguém que pega na hóstia e vai-se embora com ela e pedir-lhe que a consumisse ali. Uma ou duas vezes por mês vejo pessoas que a deixam cair. Normalmente são pessoas que não o fazem de propósito, mas desliza-lhes das mãos e Jesus cai violentamente ao chão. Algumas vezes por ano apanho as multidões das encomendas. Recebem a hóstia de modo próprio e depois tiram um lencinho e perguntam se podem levar outra para casa para um familiar doente.

Para além disso, sou lembrado semana após semana que as pessoas não têm uma maneira uniforme de receber na mão. Existe a aproximação "mãos-como-um-trono"; há o "dá cá mais cinco", estilo uma mão estendida; há os notórios "ladrões de corpo" que levantam a mão e pegam na hóstia para a pôr na boca como um chocolate depois de jantar; e há os indecisos vacilantes que se aproximam com as mãos em concha e os lábios entreabertos. Onde é que a querem e como??

Depois de experimentar isto demasiadas vezes, em demasiados sítios, sob uma variedade de circunstâncias, decidi: isto tem que parar! A catequese não tem frutos. Nós tentámos. Podem mostrar às pessoas como se faz; podem instruí-las; podem pôr lembretes no boletim e falar do púlpito. Não adianta. Uma e outra vez, há uma parte considerável de fiéis que simplesmente não têm noção ou, pior, é-lhes indiferente.

O facto é que nós, homens desastrados, precisamos de lembretes externos - sejam cheiros e sinos ou posturas e gestos - para reforçar o que estamos a fazer, direcionar a nossa atenção e fazer-nos estar acima de nós mesmos. Receber a comunhão é algo acima de nós e para além de nós. Deveria transcender o que fazemos normalmente. Mas o que é que diz do nosso estado de devoção e da nossa recepção da Eucaristia o facto de que se começou a parecer como uma ida ao supermercado?
 
A nossa liturgia moderna tornou-se tão vazia de reverência e temor, de maravilha e mistério. Os sinais e símbolos que sublinham o mistério - os vitrais, os cânticos em Latim, as espirais de incenso no altar - desapareceram e foram substituídos por... quê? Cada vez mais agora as igrejas parecem armazéns e o Corpo de Cristo é só mais uma comodidade que armazenamos e deitamos fora.

Ajoelhar para receber na língua pode ajudar a aliviar alguma coisa disto? Bem, mal não faz. E por esta razão: subir à balaustrada da comunhão e ajoelhar e receber na língua é um acto de total e descarada humildade. Nessa postura para receber o Corpo de Cristo, tornamo-nos menos para que depois nos termos mais. Requer uma submissão da vontade e conhecimento claro do que estamos a fazer, porque é que o fazemos e do que está prestes a acontecer-nos.

Francamente, não deveríamos apenas ser humilhados, mas deveríamos ser-nos intimidados o suficiente para perguntarmos a nós mesmos se estamos mesmo preparados espiritualmente para participar deste sacramento. Ajoelhar significa que não posso subir e receber sem saber como se faz propriamente. Exige não só um sentido de concentração e propósito mas também algo mais, algo que tem iludido a nossa devoção nas últimas duas gerações.

Exige um sentido do sagrado. Desafia-nos ajoelhar-nos diante do milagre e curvar-nos diante da graça. Implica que não só percebamos completamente o que se está a passar, mas que apreciemos a generosidade de cortar a respiração por trás dela. Pede-nos que nos lembremos o que significa realmente "Eucaristia": acção de graças.

Eu hoje não vejo muito isso. Desapareceu. Temos que recuperá-lo. Temos de deixar de estar de pé e passarmos a estar de joelhos. Tragam de volta a balaustrada para a comunhão. É hora!

Padre Greg Kandra


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O que acontece quando um leigo se veste de sacerdote?

"O que acontece quando um leigo se veste de sacerdote?: Uma investigação sobre o poder do uniforme” é o título de uma reportagem fruto de uma experiência social de Tom Chiarella, que comprou uma batina e disfarçou-se de sacerdote para ver e provocar reacções nos transeuntes, enquanto passeava pelas ruas de Chicago nos Estados Unidos.

 O artigo foi publicado pela revista Esquire Magazine, que não costuma apresentar conteúdo católico nas suas páginas, e que posteriormente foi também utilizado pelo site ChurchPop, o qual publicou 5 curiosas descobertas que Chiarella fez depois de estar vestido com o clássico uniforme católico: a batina.

A primeira parte do artigo descreve como foi a experiência de andar vestido de batina pelas ruas de Chicago e que conclusões tira a propósito desses momentos. Chiarella chega a afirmar: “Eu não tenho uniforme. […] Tenho uma camisola azul muito catita quando quero vestir algo que me caracterize. É a minha escolha. De facto, esta é uma liberdade muito entediante, adquirida a partir de uma mudança social numa ou outra onda populista do último século. As pessoas olham para isto como uma espécie de libertação.” E acrescenta também: “Um bom uniforme tem presença. Sem dúvida, faz com que não se passe despercebido. Todos reagem. E acima de tudo, mostra com simplicidade a sua missão.”

Para efeitos de esclarecimento, Chiarella durante a sua experiência nunca mentiu a nenhuma pessoa e quando alguém perguntava se ele era um padre ele respondia que não. Aqui estão os 5 aspectos desta experiência que mais se destacam:

1. AS PESSOAS OLHAVAM-NO PARA ONDE FOSSE

“Uma hora com o uniforme e soube logo isto: Num dia radiante de verão, numa grande cidade, um padre com batina é algo digno de observar. As pessoas estabelecem imediatamente contacto visual com o Sr. Padre, inclinando a cabeça em gesto de reverência, ainda que muito ligeiramente por vezes. Da mesma forma, ficam a assistir ao sacerdote a passar. Respeitosamente. De longe.”

“Ao caminhar acompanhados, os homens deixam de lado a sua forma habitual de estar para saudar repentinamente com um: ‘Bons dias, Senhor Padre’. O que provavelmente é um hábito apreendido nos seus tempos passados na escola secundária”.

2. AS PESSOAS QUERIAM TOCAR-LHE

“Por norma, quando estás de uniforme, ninguém te quer tocar. Excepto, quando se trata de uma batina; nesse caso, as pessoas vão querer tocar no sacerdote. Na grande maioria das pessoas que encontrei, pretendiam basicamente agarrar-me a mão.”
“Ao contrário do que seria expectável, a veste sacerdotal é a que tem mais procura de acção física entre os uniformes que já vesti para o mesmo efeito social. Durante todo o dia tem que se dar abraços, ajoelhar-se para falar com os mais pequenos e até, por vezes, inclinar-se para as selfies”.

3) OS SEM-ABRIGO IAM AO SEU ENCONTRO PARA PEDIR AJUDA

“Particularmente as pessoas mais carenciadas. Durante todo o dia deparava-me com homens e mulheres a viver nas ruas. Por vezes, chegavam até mim e seguravam a minha mão. Em duas ocasiões pediram-me a bênção, a qual eu não podia dar. Não podia da maneira que eles mais queriam. E isso criou em mim um desejo de ser capaz de realizar um serviço para o mundo, contudo, encontrei uma situação em que não podia fazer nada.”

“O uniforme vem com algo de responsabilidade, caso contrário, não passava de um mera indumentária. Comecei a ajoelhar-me, oferecendo uma nota de 10 dólares e dizendo: ‘Não sou um padre, mas percebo-te’. E não podia fazê-lo apenas uma vez sem continuar a fazer umas quantas vezes mais. Chicago é uma enorme cidade, com uma quantidade imensa de almas encurraladas. Fico ainda mais entristecido do que poderia alguma vez ter imaginado depois de ver tudo isto.”

4) VEIO A SER PARTE DA ROTA TURÍSTICA DA CIDADE

 
Esgotado, o autor desta experiência ainda vestido como presbítero, dirigiu-se a uma carrinha de comida ambulante, comprou a sua refeição e cumprimentou um autocarro turístico, que devolveu essa saudação ao som das buzinas.

5) É DIFICIL SER SACERDOTE

Dada a maneira como muita gente recorria à sua presença em busca de alguma esperança ou de auxílio, o autor conclui depois de todas as experiências que fez com diversos tipos de uniformes: “Estranhamente, a veste sacerdotal foi a mais exigente. [...] É fácil vestir uma batina, porém, não é fácil andar com ela, de forma alguma."
 
in ACI Prensa


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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Santa Missa durante a Segunda Grande Guerra

A primeira Missa celebrada com a presença de soldados no interior de um hangar japonês.


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domingo, 8 de maio de 2022

Reconquista de Santarém e São Miguel Arcanjo

Em Santarém, a soleníssima festa da Aparição de S. Miguel, esclarecido patrono desta antiga e populosa Vila, em cujo feliz dia [8 de Maio] foi recuperada dos Bárbaros pelo ínclito Rei D. Afonso Henriques, acompanhado mais de seu católico zelo e confiança divina, que do numeroso exército de soldados e bélicos instrumentos, com que se achava naquela apertada ocasião, aparecendo no Céu à noite precedente à batalha sinais demonstrativos da famosa vitória, que no seguinte dia havia de alcançar dos inimigos da Fé. 

Arvorado então o Estandarte Real nas ameias de seus muros por três valerosos soldados, que no maior silêncio da noite, subiram a eles com admirável ousadia. Aberta a porta daquela inexpugnável praça com um martelo de ferro, que outros administraram de fora, entrou logo o S. Rei, e ajoelhado em terra, mãos e olhos no Céu, fez oração a Deus e uma breve fala aos seus, dizendo em alta voz, para que de todos fosse ouvido: Eia valentes Soldados, aqui tendes a vosso Rei e companheiro, não só para testemunha das façanhas que neste comenos obrardes, mas para exemplo do muito que estais obrigados a executar contra os inimigos da Igreja. 

Animados com estas fervorosas palavras, os Cristãos, invocando o Patrão de Espanha [Patrono da Península Ibérica], fizeram bravo estrago e carniceira lastimosa nos Mouros, avantajando-se entre todas, aquela invencível espada, banhada tantas vezes do Agareno sangue, executando tão inauditas proezas, que escurecem as mais célebres que publica a trombeta da fama, ouvindo-se por todas as partes desentoados gritos e alaridos, acrescentando este miserável labirinto a confusão das armas e obscuridade da noite, com que não havia quem se pudesse valer e dar a conselho, até que passados aos fios dos luzentes ferros os principais Mouros que lhe resistiram. 

Ao romper da alva, teve a duvidosa e travada peleja feliz remate em favor dos Cristãos. Porque no tempo que os invencíveis Portugueses, em companhia de seu vitorioso Rei, meneavam as armas temporais nas terras de sua conquista, contra esta vil e infame canalha, em defesa da liberdade Real e exaltação da Religião Católica, meneavam as espirituais, não somente S. Teotónio no Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, com seus Cónegos, mas também S. Bernardo no de Claraval, com seus Monges, implorando cada qual o glorioso triunfo, que o S. Rei conseguiu de seus contrários e declarados inimigos de Cristo. 

E vendo ambos com os olhos do espírito o processo de combate pouco favorável aos nossos, apressaram as rogativas e preces, com maior veemência, até que se decretou no Consistório divino, ficasse o campo e a vitória pelas Armas Católicas. Passados 24 anos, veio el-Rei de Sevilha, Albaraque, sobre a dita Vila com poderosíssimo exército, e vendo-se o magnânimo Rei D. Afonso Henriques apertado, recorreu (como tinha de costume) ao Céu, negociando o feliz despacho por meio do Arcanjo S. Miguel (de quem era particular devoto) e saindo os nossos ao campo, animados de suas afectuosas palavras e alentados com o diviníssimo Sacramento do Altar, andando o esforçado Rei no maior conflito da batalha, apareceu a seu lado um Braço armado com asa no coto, que jogava as armas destrissimamente (insígnia com que ordinariamente se pinta este tutelar da Igreja Católica e defensor do povo Cristão) fazendo bravo estrago nos Mouros, com que brevemente a duvidosa vitória ficou pelo S. Rei, e reconhecendo a ele a tão soberano patrocínio, instituiu no Real Mosteiro de Alcobaça a Cavalaria da Ala, com particulares Constituições, debaixo da Regra de S. Bento, que perseverou somente enquanto viveu. 

Por estes e outros singulares benefícios, que por intercessão do S. Arcanjo, alcançou esta nobre Vila do Senhor dos exércitos, lhe levantou Ermida, aonde vai o Senado dela todos os anos neste dia [8 de Maio], com solene Procissão, render as graças das assinaladas vitórias que ali conseguiram as Lusitanas Armas dos inimigos da Fé, nos primórdios deste escolhido e santificado Reino de Portugal.

Pe. Jorge Cardoso in 'Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas' (via accao-integral.blogspot.com)


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sexta-feira, 6 de maio de 2022

Haverá modo de sair desta situação eclesial?

A submissão subserviente da hierarquia da Igreja aos ditados do estado, representado pela direcção geral da saúde, aquando da “crise” da covid 19, é, culpa minha, para mim incompreensível (desde quando a Pastoral, as Celebrações e a Liturgia da Igreja está submetida ao estado?). Acresce que as consequências, a nível da prática cristã-católica, foram e são desastrosas.

A proliferação imensa de Missas transmitidas pelas chamadas redes sociais criou em muitíssimos católicos a convicção de que participar na Santa Missa nas Igrejas em comunidade com os outros fiéis ou assistir à Missa pela televisão ou internet era a mesma coisa. De facto, a diminuição patente de muitos fiéis na Eucaristia Dominical (e mesmo nas feriais) aí está como testemunho contra o desvario que nos acometeu.

Eu, evidentemente, como é do conhecimento geral, sou um tresloucado, não obstante, atrevo-me a sugerir que os Senhores Bispos e Cardeais ponham um limite mínimo, ou mesmo proíbam, a essas transmissões pelas redes sociais. Seria, sim, adequado proclamar as leituras e comentá-las, e nada mais. Acresce que o Episcopado português poderia fazer uma nota pastoral sobre a Eucaristia e a necessidade de nela participar presencialmente, para todos os que puderem - a ser lida em todas as paróquias nas Celebrações do Santíssimo Sacrifício, num Domingo.

Decresceu, também, drasticamente o número de intenções das Santas Missas. Também aqui me impressiona a ausência de uma indicação, de uma catequese, da parte dos Senhores Bispos, em Nota Pastoral ou de qualquer outro modo mais conveniente, que ensine e explique a importância e eficácia sobrenatural dessas intenções, e do respectivo estipêndio enquanto participação caritativa que proporciona maiores Graças naqueles que as mandam celebrar e que contribui para o sustento dos Sacerdotes e obras da Igreja.

À Honra e Glória de Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira



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quinta-feira, 5 de maio de 2022

São Pio V, um grande Papa

Hoje, no calendário tradicional, é dia de São Pio V, um grande Papa do século XVI. Foi um homem de muita oração e piedade, mas que também primou pela autoridade e excelentes qualidades de governo, juntamente com muito sacrifício e humildade. Apesar disto, é um Santo que por vezes é mal visto nos dias de hoje. 

O nome de São Pio V está associado à "Missa Tridentina" ou "Missa Tradicional" ou, simplesmente, "Missa de São Pio V". No entanto, essa Missa já existia pelo menos desde o século VI, com S. Gregório Magno, e era já bastante parecida com o que existe hoje em dia nas igrejas em que é celebrada. O Cânone Romano vem de tempos apostólicos. 

São Pio V limitou-se a uniformizar a liturgia onde fosse necessário (especialmente por perigo de heresias que tinham alterado os vários ritos existentes), passando o Rito Romano a ser muito mais predominante do que era antes no Ocidente. Com as descobertas foi este o Rito que foi levado pelos missionários até às Américas, e também para África e Ásia.

São Pio V foi nomeado Bispo de Roma três anos depois da conclusão do Concílio Trento, e foi sob o seu pontificado que os frutos do Concílio de Trento tomaram efeito na Igreja. Isto aconteceu não só com a publicação de um Catecismo, mas também com uma série de medidas que tomou: aumentou o nível de austeridade na corte papal, banindo qualquer tipo de luxo que pudesse existir, obrigou os sacerdotes a serem fiéis às suas dioceses e suplicou aos cardeais que vivessem vidas simples e piedosas.

Apesar dos enormes esforços e ansiedades que suportava no seu cargo, manteve-se fiel às suas práticas de piedade, fazendo pelo menos duas meditações de joelhos em frente ao Santíssimo Sacramento todos os dias. Nos primeiros anos de pontificado, começou por dar muitos bens aos pobres, por visitar os hospitais, lavar os pés dos sem-abrigo, abraçar os leprosos, ... É conhecida a história de um nobre que se converteu ao ver o Santo Padre beijar os pés de um pedinte cheio de úlceras. 

Além do mais, São Pio V era dominicano e, como qualquer filho de S. Domingos, tinha uma grande devoção a Nossa Senhora e ao Terço. A invocação "Auxílio dos Cristãos" foi acrescentada por ele à Ladainha a Nossa Senhora, na sequência da vitória que os Cristãos alcançaram contra o turcos, na Batalha de Lepanto. Esta vitória ocorreu no dia 7 de Outubro de 1571, que ainda hoje a Igreja celebra como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Nuno CB


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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Mães de Sacerdotes Tradicionais chegaram a Roma

Este corajoso grupo de Senhoras decidiu fazer uma peregrinação até Roma para defender a Missa em latim. São Mães de sacerdotes que celebram a Missa Tradicional. 

Sairam de Paris no dia 6 de Março e chegaram a Roma no dia 1 de Maio. Quase dois meses de peregrinação! Consigo levaram uma petição contento milhares de assinaturas em defesa da Missa Tradicional. 

Hoje, dia 4, estiveram na Audiência Papal e entregaram o seu pedido ao Papa. Mais informações no site da peregrinação: lavoieromaine.com


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terça-feira, 3 de maio de 2022

O nome do Brasil é Terra de Santa Cruz

A 3 de Maio do ano 1500, um Domingo, o Frei Henrique de Coimbra, confessor de D. João II e futuro bispo de Ceuta, celebrou a primeira Santa Missa no Brasil, que desde então recebeu o nome de Terra de Santa Cruz:

"O dia em que o capitão-mor Pedro Álvares Cabral levantou a cruz (...) foi a 3 de Maio, quando se celebra a invenção da Santa Cruz em que Cristo Nosso Redentor morreu por nós, e por esta causa pôs nome à terra que havia descoberto de Santa Cruz e por este nome foi conhecida muitos anos. 


Porém, como o demónio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que tinha sobre os homens, receando perder também o muito que tinha sobre os desta terra, trabalhou para que se esquecesse o primeiro nome e ficasse o de Brasil, por causa de um pau assim chamado de cor abrasada e vermelha com que se tingem panos, em vez do daquele divino pau, que deu tinta e virtude a todos os sacramentos da Igreja..."

Frei Vicente do Salvador, in História do Brasil (1627)



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segunda-feira, 2 de maio de 2022

Santo Atanásio contra o Mundo

Hoje é dia de Santo Atanásio, bispo de Alexandria (no Egipto). Viveu no século IV, em tempos conturbados. Depois do Concílio de Niceia (325 d.C.) ter condenado as teses do Bispo Ário, que defendia que Jesus era a mais perfeita das criaturas mas que não era Deus nem o Filho de Deus da mesma substância do Pai, os arianos contra-atacaram para que as suas ideias fossem aceites como doutrina católica.

O Imperador, Constâncio II, e muitos bispos católicos defendiam a heresia ariana, mas Santo Atanásio não desistiu de proclamar o erro de Ário e a divindade de Jesus Cristo. Graças a isso foi removido da cátedra de Bispo de Alexandria e exilado 3 vezes. Os erros arianos não prevaleceram, felizmente, muito graças a este grande defensor da verdade.

Daqui vem a célebre frase de 'Athanasius contra mundum':

"Se o mundo for contra a verdade, eu irei contra o mundo!"


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domingo, 1 de maio de 2022

Maio, mês de Maria

Começa mais um mês de Maio que, na tradição católica, é chamado o “mês de Maria”, por ser consagrado a Nossa Senhora. Esta devoção é cheia de beleza e de sentido, e acontece no contexto litúrgico muito apropriado do Tempo Pascal e durante a estação da Primavera onde a própria natureza grita o louvor cósmico a Deus.

O mês de Maria é no fundo o desenvolvimento da belíssima antífona mariana do Tempo Pascal, “Regina Caeli”: “Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia! Porque aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse! Aleluia! Rogai a Deus por nós! Aleluia!”. Para além de tudo isto, a própria Virgem Maria apareceu em Fátima aos Três Pastorinhos precisamente neste mês. 

O mês de Maria é uma excelente oportunidade para começar a rezar o terço todos os dias, como nos pediu Nossa Senhora em Fátima, para quem não o faz já. Refiro-me à oração que cada um pode fazer individualmente, mas também à oração do terço em família que é um verdadeiro caminho familiar de conversão e de santidade... e é tão simples! 

É muito oportuno que se dê um especial destaque à imagem de Nossa Senhora, com flores e velas. É importante que os pais promovam que os filhos participem activamente nestas liturgias familiares. Este mês é também uma excelente oportunidade para ir comprar imediatamente o importantíssimo “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, de S. Luís Maria Grignion de Montfort, para ir lendo cada dia, e terminar o Mês fazendo a consagração a Jesus por meio de Maria. 

Bom mês de Maria! 

Padre Fernando António



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S. Francisco, a Eucaristia e os Sacerdotes

1. As santas extravagâncias e excentricidades de S. Francisco de Assis não disseram unicamente respeito à sua relação originalíssima com os elementos da natureza, os astros e os animais. Também no que toca aos sacerdotes encontramos nele uma grande singularidade. Importa, a propósito, referir que o Santo era diácono e, por se achar totalmente indigno, nunca quis ser Ordenado Padre. Lembro-me que há muitos anos, antes de entrar para o seminário, num jantar com amigos e um sacerdote de uma Ordem Religiosa que não a Franciscana lhe referi isso mesmo. Aparentemente ele desconhecia o facto, mas, perspicaz, logo adiantou que provavelmente seria melhor que nem toda a gente pensasse assim pois, de contrário, deixaria de haver Padres. Percebi a mensagem, engoli em seco e mudei rapidamente de assunto.

A devoção e o fervor de S. Francisco pelos Sacerdotes exprimia-se, como dizia, de um modo singular. Por exemplo, afirmava aos seus que se fosse pelos caminhos e lhe aparecesse um Anjo ou um Santo descidos do Céu, de um lado, e do outro, um Padre pobrezinho, ignorante, simplório e pecador, primeiro se dirigiria a este, dizendo ó S. Lourenço espera aí que primeiro vou beijar as mãos deste Sacerdote, uma vez que na Terra só vejo e vem até mim o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo pelas mãos dos Padres que celebram o Sacrifício Santíssimo, no qual se torna verdadeiramente presente Jesus Cristo, nosso Salvador. E continuava exortando os seus frades a que quando vissem um Sacerdote se prostrassem, caso viesse em montada, e beijassem os cascos do cavalo, por reverência ao Mistério Eucarístico que só a eles é dado celebrar.

 

Numa carta a todos os cristãos escreveu: “Devemos ser católicos; frequentar as Igrejas e reverenciar os Sacerdotes, não tanto por si, se são pecadores, mas pelo ofício que têm de administrar o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eles sacrificam no altar, e recebem e distribuem aos demais. E firmemente nos compenetremos disto: Que ninguém se pode salvar, senão pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor que os sacerdotes proclamam, pregam e administram, e só a eles pertence administrar e não a outros.”

 

Numa outra missiva ao Capítulo Geral e a todos os irmãos, numa parte especialmente dirigida aos Sacerdotes, dita: “Ouvi, irmãos meus: Se a bem-aventurada Virgem Maria é honrada, como é de justiça, porque trouxe ao mesmo Senhor em suas santíssimas entranhas, se o bem-aventurado Baptista tremeu e não ousou tocar a cabeça sagrada do seu Deus, se é venerado o sepulcro no qual por algum tempo Ele jazeu, que santidade, justiça e dignidade não se requer naquele que trata com as suas mãos, recebe no coração e na boca, e distribui aos outros, como alimento, Aquele que já agora não morre, mas vive eternamente glorioso, o Cristo a quem os anjos desejam contemplar? Vede a vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede Santos, porque também Ele é Santo. E como, por motivo deste mistério, o Senhor mais que a todos vos honrou, assim vós amai-O, reverenciai-O e honrai-O mais que todos”. E num espanto, como que de incredulidade, continua: “Ó miséria grande, ó miseranda fraqueza, terde-Lo vós assim presente, e ocupardes-vos de qualquer outra coisa no mundo!” 


Depois, extasiado com este Mistério tão excelso, prorrompe arrebatado: “Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o Céu exulte, quando sobre o altar, nas mãos do Sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo! Ó grandeza admirável, ó bondade assombrosa, ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todas as coisas, Deus e Filho de Deus, se humilhe a ponto de Se esconder, para nossa salvação, nas aparências de um bocado de pão. Vede irmãos a humildade de Deus e derramai diante d’ Ele os vossos coraçõeshumilhai-vos também vós para que Ele vos exalte. Nada de vós mesmos retenhais para vós, a fim de que totalmente vos possua Aquele que totalmente a vós Se dá”.

 

A citação destes textos torna patente que a reverência e devoção de S. Francisco pelos Sacerdotes deriva de uma Fé firme e viva na Presença verdadeira e substancial de Jesus Cristo na Eucaristia. A sua primeira Exortação, intitulada “Do Corpo de Cristo”, sublinha-o como uma clareza meridiana: “Ó filhos dos homens, até quando haveis de ser de coração duro? Por que não reconheceis a verdade, e acreditais no Filho de Deus? Eis que Ele Se humilha cada dia, como quando Se baixou do Seu trono real, a tomar carne no seio da Virgem; cada dia vem até nós em aparências de humildade; cada dia desce do seio do Pai, sobre o altar, para as mãos do Sacerdote. E assim como aos Santos Apóstolos Se mostrou em carne verdadeira, assim agora Se mostra a nós no pão sacramentado. Os Apóstolos, com os seus olhos de carne, só viam a Sua carne; mas contemplando-O com os olhos do espírito acreditavam que Ele era Deus. De igual modo, os nossos olhos de carne só ali vêem pão e vinho; mas saiba a nossa Fé firmemente acreditar que ali está, vivo e verdadeiro, o Seu Santíssimo Corpo e Sangue.”

 

Não admira, pois, que S. Francisco que habitualmente envergava uma vestidura rota e remendada, áspera, da cor da terra, feita do pano mais vil e rude, quando ministrava o altar como Diácono se revestisse de uma esplêndida túnica branca, bordada por Santa Clara. Queria que houvesse o máximo decoro, limpeza e preciosidade em tudo o que servia à celebração da Santa Missa. Era solícito em proporcionar vasos sagrados preciosos para as celebrações, percorria os campos de vassoura às costas para que quando encontrasse uma Igreja ou Capela a deixar asseada, e pôs Santa Clara e as suas Irmãs a confeccionarem com amor e cuidado toalhas de altar, corporais, sanguíneos, alvas que pudessem servir dignamente em tão augusto Mistério.

 

Às diligências pelo decoro exterior ajuntava as do interior com amor e misericórdia severos: “… a todos imploro, irmãos, beijando-vos os pés e com quanta caridade eu posso, que presteis toda a reverência e toda a honra que puderdes, ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo o que há no Céu e sobre a terra foi pacificado e reconciliado com Deus Omnipotente. Rogo ainda no Senhor a todos os meus irmãos, que são e serão, e desejam ser Sacerdotes do Altíssimo, que quando quiserem celebrar Missa, puros e com pureza e respeito celebrem o verdadeiro Sacrifício do Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com santa e pura intenção, e não por qualquer motivo terreno, nem por temor ou consideração de qualquer pessoa, como para agradar aos homens. Mas que toda a sua vontade, tanto quanto ajude a Graça do Omnipotente, a Ele dirijam, não desejando agradar senão a Ele só, que é o Soberano Senhor. 


Porquanto neste Mistério só Ele opera como Lhe agrada. E pois Ele nos diz: Fazei isto em memória de Mim, se alguém fizer de outro modo, torna-se noutro Judas traidor, réu do Corpo e Sangue do Senhor. … O homem … despreza, ensuja e calca aos pés o Cordeiro de Deus, quando, como diz o Apóstolo, não discernindo e distinguindo o Pão Santo de Cristo dos outros alimentos ou das outras obras, ou o come sendo indigno, ou mesmo sendo digno o come de modo vão e indigno, quando é verdade que o Senhor diz pelo Profeta: Maldito o homem que faz a obra do Senhor fraudulentamente. E aos Sacerdotes que não põem estas coisas em lembrança no coração, condená-los-á o Senhor, que diz: Amaldiçoarei as vossas bênçãos.” (Carta ao Capítulo Geral e a todos os Irmãos).

 

2. a) Lembro-me ainda muito bem, quando era novo, do costume que tínhamos de cumprimentar os Sacerdotes beijando-lhes as mãos. Provavelmente, não sei ao certo, este costume que perdurou tanto tempo na Igreja terá tido origem na devoção de S. Francisco àqueles que oferecem, na Pessoa de Cristo, o Sacrifício Eucarístico (por curiosidade, deixem-me adiantar que nalgumas obras de Camilo Castelo Branco os Padres não dizem vou celebrar a Missa, mas sim vou Sacrificar; seria provavelmente o modo de se exprimir nas épocas que descreve e que a mim, homem vil e caduco, me parece bem mais apropriado).

 

Pena era que as senhoras se cumprimentavam, nalguns estratos sociais, do mesmo modo; pena, digo, pela confusão que poderia gerar em muitas mentes – ou a mulher era indevidamente divinizada, idolatrada ou o Padre era feminizado.

 

Aconteceu-me, várias vezes, na minha mocidade Sacerdotal que alguns fiéis me queriam beijar a mão e eu pressurosamente a retirava achando que era por humildade. Depois caí na conta que o mais certo era o meu coração estar endurecido e por isso estorvasse, em vez de aceitar com simplicidade, a reverência dos fiéis pelo dom de Deus que me tinha transformado ontologicamente, configurando-me com Cristo Sumo Sacerdote e Cabeça da Igreja. Impedia desse modo a manifestação de uma Fé viva e de uma devoção verdadeira a Jesus Cristo, o Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor. Como sou tonto pode bem ser que se alguém me apanhar desprevenido e me quiser oscular a mão eu procure retirá-la. Espero, não obstante, que com o tempo me vá emendando.

 

b) Confesso que experimento, com uma grande amargura, uma imensa vergonha e um intenso rubor em admiti-lo, mas a verdade é que tenho celebrado muitas vezes este Sacrifício Sublime e Santíssimo com alvas amarrotadas, enxovalhadas, curtas; cordões sebentos; estolas a desfiar-se; cálices e patenas de latão, ou algo parecido, com os dourados e prateados, contrafacções de ouro e prata, desmaiados, gretados, raspados, etc., etc. Mas devo também declarar que dadas as circunstâncias parece tantas vezes inevitável. Não dominamos nem mandamos de modo a poder dispor as coisas de outra maneira e a alternativa seria não Sacrificar.

 

Tenho, porém, a esperança que, neste ano Sacerdotal nos ajudemos todos uns aos outros, quer Sacerdotes quer Fiéis Leigos ou Religiosos, e assim possamos celebrar estes Mistérios Sacratíssimos com a dignidade que lhes corresponde.

 

c) Com mais grave cuidado importará, no entanto, trabalhar pela purificação das consciências através do sacramento da Confissão, Reconciliação ou Penitência de modo que todos entendam como necessário estar na Graça de Deus para poderem receber dignamente na boca e no coração o Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor, a Quem só é devida a honra a glória e o louvor, Jesus Cristo, Nosso Salvador.

 

E evidentemente deixar de vez e com a máxima firmeza de dar a Sagrada Comunhão a quem publicamente se encontre objectiva e obstinadamente em estado de pecado grave.


Padre Nuno Serras Pereira


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sábado, 30 de abril de 2022

Ajoelhar-se é estranho para a cultura moderna

Ajoelhar-se é um acto estranho para a cultura moderna – enquanto cultura que se afastou da Fé, e já não conhece Aquele diante do qual o estar de joelhos é a postura justa e necessária. 

Quem aprende a crer aprende também a ajoelhar-se. Uma Fé ou uma Liturgia que já não conhece o ajoelhar-se tem o seu núcleo (o seu coração) doente. Nos lugares onde se perdeu, o acto de se ajoelhar deve ser recuperado

Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI) in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Descanonização da Santa Gianna Beretta Molla, Mãe de Família

Todo o filho tem o direito de ser gerado pelos pais biológicos, que devem ser casados (e não por técnicos em laboratório), e de por eles, ambos e dois, ser criado e educado.  Este direito óbvio, em virtude da dignidade incomensurável de cada pessoa em qualquer idade, é nos dias que correm espezinhado por legislações torpes e aberrantes, geralmente repudiado pela mentalidade reinante, por grande parte de cristãos e, mesmo, por membros da Hierarquia, um pouco por todo o mundo.

Infelizmente, por diversas circunstâncias, isso - ser criado e educado por ambos, nem sempre é possível ou, pelo menos, torna deficiente a sua realização. Por exemplo, a morte de um dos pais, a prisão prolongada, o serviço militar em terras estrangeiras numa guerra, por tempo indeterminado, uma doença crónica incapacitante, a violência doméstica (psicológica, física ou moral), (o adultério, motivo que pode ser bastante para uma separação, a poligamia), a conjunção poli-amorosa, etc. Tudo isto, é de um modo geral compreendido e aceite pela generalidade das pessoas e em certa medida pela Igreja.

Porém, quando se trata dos filhos (de católicos validamente matrimoniados, que se divorciam pelo civil e “casam” civilmente) que são fruto dessa relação civil, objectivamente adulterina, considera-se um imperativo absoluto a permanência nesse estado, tido como único meio para não cometer uma grave injustiça para com os rebentos. Claro que, se os pais se decidem a viver como irmãos para o maior bem da prole que se quer salvaguardar, é compreensível que partilhem a mesma morada e se entreajudem no cuidar dos filhos. 

Mas naqueles casos em que um quer viver abstinente e o outro não aceita? Deve  aquele que quer, submeter-se à prepotência fornicadora do outro? Evidentemente que não. E nessa circunstância terá que separar-se, terminando definitivamente com a situação objectiva de adultério público e permanente, mas continuando consoante as suas possibilidades a contribuir para a criação dos filhos. Caso contrário deveríamos, por exe., descanonizar e condenar como gravemente injusta a Santa Gianna Beretta Molla.

Esta médica ginecologista era casada e tinha três filhos quando ficou grávida de uma quarta. “ ... (D)escobriu-se (então)que ela tinha um fibroma no útero e ela tinha três opções: retirar o útero doente (o que ocasionaria a morte da criança), abortar o feto ou, a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia perigosa para preservar a gravidez. Gianna (como médica tinha plena consciência do que lhe viria a suceder) não hesitou e disse: "Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!".” 

A cirurgia ocorreu a 6 de Setembro de 1961. “ ... deu entrada para o parto no hospital de Monza na Sexta-Feira Santa de 1962. No dia seguinte, 21 de abril, nasceu Gianna Emanuela. Sempre fiel, afirmava: "Entre a minha vida e a do meu filho, salvem a criança!". Gianna faleceu no dia 28 de abril de 1962 em casa.”

Perante as alternativas que lhe foram aconselhadas - não só por médicos como por familiares, pelo próprio marido, lembrando-lhe os três filhos que deixaria desamparados da sua presença materna -, a primeira era moralmente lícita, legítima. E, não obstante, pôs em primeiro lugar a filha que trazia dentro em si.

Se não foi gravemente injusto, muito pelo contrário, o abandono previsto mas não desejado a que Santa G. B. M. votou os filhos em virtude da sua entrega magnânima de amor, por que será gravemente injusto um pai o uma mãe entregar-se também com semelhante longanimidade, renunciando a um comportamento gravemente imoral, para não mais ofender a Deus, unir-se a Jesus Cristo e viver em comunhão com o Seu Corpo que é a Igreja - podendo continuar, embora com limitações, acompanhar seus filhos e contribuir para a sua criação? 

Padre Nuno Serras Pereira


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quarta-feira, 27 de abril de 2022

Como cientista posso afirmar que a homossexualidade não é inata

O Dr. Jokin de Irala, médico e investigador da Universidade de Navarra, explica que a exclusão desta conduta do manual de doenças da APA só aconteceu por simples votação. Questiona o facto de que todos aqueles que criticam o fenómeno sejam considerados homofóbico.

O médico, mestre em saúde pública e especializado em afectividade e sexualidade humana, aponta na entrevista a necessidade de passar para o plano cientifico o debate sobre a homossexualidade. Afirma que ela é um desenvolvimento inadequado da identidade sexual e assegura que é possível a mudança da conduta daqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo.

- Há alguma prova científica de que se nasce homossexual?

- Como cientista diria que a homossexualidade se faz, não é inata. Tem que se dizer que efectivamente não existe nenhuma evidencia cientifica que prove a teoria genética da homossexualidade ou que ela possa ser inata. Os especialistas em homossexualidade que trabalham em associações científicas como a NARTH nos EUA (associação nacional de investigação e terapia da homossexualidade) afirmam que se trata de um desenvolvimento inadequado da identidade homossexual. Assim, deveríamos pelo menos aceitar que o debate científico sobre este tema possa continuar a existir.

- Onde nasce a corrente de pensamento que afirma que é uma opção sexual normal?

- Esta ideia de que uma pessoa nasce homossexual tem a sua origem nos anos 70 quando os ativistas da homossexualidade nos EUA fizeram um grande lobby para que a APA, a Associação Americana de Psiquiatras, tirasse esse assunto do manual de classificação de doenças. Assim, houve uma votação em que votaram 25% dos membros, cujo resultado foi de 69% a favor de retirar a homossexualidade dessa lista. Que eu saiba, é o único exemplo na medicina onde se decide se algo é ou não uma doença através de uma simples votação de quem assiste a uma reunião. Imagine que se fazia uma votação na sociedade espanhola de endocrinologia para se votar a favor ou contra o facto de que a obesidade é um problema de saúde. Isto não tem precedentes. O que temos que fazer é analisar o problema com estudos científicos. 

- É uma conduta que pode ser alterada?

- Há dados científicos, estudos publicados em revistas científicas que mostram que a homossexualidade se pode mudar com uma terapia adequada, inclusive nos EUA onde há associações de ex gays. Muitos deles protestam porque dizem que estes grupos de ativistas não deixam que se saiba que a mudança é possível. Não só não deixam que se saiba como não admitem que alguém possa livremente pedir ajuda. Há, por exemplo, o caso de um juiz de Lombardía (Italia) que declarou ilegal ajudar um homossexual, mesmo que ele peça livremente. Isto é inacreditável. É um atentado contra a autonomia do paciente.

- Em que se baseiam?

- Afirmam que a terapia é quase uma tortura, traumática, com choques elétricos. No entanto, não tem nada a ver com isto, o tratamento é basicamente uma psicoterapia. Não se pode impedir que as pessoas escolham livremente pedir ajuda. Mas é preciso dizer que hoje se utiliza o termo AMS para identificar a atração por pessoas do mesmo sexo, porque uma coisa é alguém se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo, outra é que alguém, por causa dessas atrações, acabe a ter relações sexuais de tipo homossexual. O facto de que alguém se sinta traído não significa que seja homossexual, de todo. Aliás, hoje em dia, com o ambiente pró-homossexual envolvente e com a cultura que existe, há muitos casos de jovens que simplesmente têm uma confusão e pedem ajuda.

- Quais seriam as causas desta conduta?

- Há muitas causas possíveis, mas parece que a maioria dos casos de homossexualidade está na falta de identificação com a figura de homem ou de mulher da família. É muito comum o panorama do pai autoritário, passivo, ausente da vida de um rapaz que é sensível e perfecionista; ou de uma mãe muito possessiva do ponto de vista emocional. Este é um dos maiores caminhos que leva à homossexualidade.

- Há outras?

- Outro caminho que é visto em conjunto com este é aquele em que esse rapaz, por exemplo, sensível- o que não é uma coisa má-, é rejeitado na escola pelos do seu sexo devido a essa sensibilidade. Esta rejeição pode conduzir a uma diminuição da autoestima e, por conseguinte, quando chega à puberdade, a uma orientação homossexual. Outra causa é a conhecida ambiguidade da identidade sexual nos adolescentes. É normal que um adolescente, rapaz ou rapariga, possa ter dúvidas sobre a sua identidade sexual, mas essa ambiguidade, bem agarrada, fortalecendo a identidade masculina ou femininas dos jovens, não traz problemas, leva à heterossexualidade. O problema atual é que isto está a ser mal levado e diz-se a esse jovem que o que tem de fazer é “sair do armário”.

- Há problemas de saúde ligados à homossexualidade?

- Sim, a atividade sexual de tipo homossexual acarreta problemas de saúde, alguns dos quais são específicos. Para além dos problemas associados à promiscuidade sexual e às infeções de transmissão sexual, que também há entre heterossexuais promíscuos, existem problemas associados à utilização dos órgãos sexuais sem ter em consideração que o seu “desenho” está orientado à complementaridade entre homem e mulher. 

- Porque é que apesar dos dados científicos se continua a negar o problema?

- Há muitas razões. A primeira é que há desinformação. Muitos profissionais não trabalham com estes dados e só têm em conta o manual da APA. Depois estão as ideologias, os interesses económicos e a realidade do medo. Há profissionais que sabem disto, mas o preço que têm de pagar por afirmá-lo é muito caro. Se em Espanha um psiquiatra pusesse numa placa que é terapeuta da homossexualidade o óbvio é que lhe queimassem a porta do seu consultório podendo acabar sem clientes.

- Onde estaria o equilíbrio?

- O equilíbrio está em reivindicar um respeito incondicional por todas as pessoas com sentimentos homossexuais. Teria que se compatibilizar a ciência com o respeito pela liberdade; deve ser possível o debate científico sobre o tema. Deveria haver a possibilidade de eu, como cientista, poder dar a minha opinião sobre a homossexualidade sem que me chamassem homofóbico só porque tenho uma postura contrária à das organizações gays. 

- Há também muito sentimentalismo neste tema…

- Efectivamente. Por isso é preciso tirar este assunto do sentimento e do afeto. Há quem lhe diga: “O meu filho homossexual é boa pessoa e eu amo-o”. Claro que sim, e está certo, mas isso não tem nada a ver com o que estamos a falar. Não é uma questão de ser boa ou má pessoa, não é uma questão de sentimento. Tu podes e deves amar muito o teu filho homossexual; agora, isso não quer dizer que não possas mostrar que a tua opinião é que tem um problema e que há uma solução possível. É como se o debate sobre os diabetes fosse sobre se os diabéticos são ou não boas pessoas, pois isto é levar o debate para o sentimentalismo.

- Todavia, há medo de discriminar.

-Claro que a discriminação é uma barbaridade, mas isso não quer dizer que tenham o direito de adoptar (Nota de edição: a adopção não é um direito universal. Os adoptados, sim, têm direito a ter pai e mãe, e os candidatos a adoptar devem cumprir certas condições. Nem sequer todos os heterossexuais têm o direito de adoptar), por exemplo. Há que não misturar, este é outro problema. O problema é que hoje se tenta etiquetar de homofóbico qualquer pessoa que simplesmente não tenha a mesma visão da linha da homossexualidade política.

in conapfam.pe


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terça-feira, 26 de abril de 2022

Benedictio Dei Omnipotentis: Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper




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A primeira Missa no Brasil: 26 de Abril do ano 1500

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. (...)

Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam, acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença. (...)

Enquanto a ficaram fazendo, ele com todos nós outros fomos pela Cruz abaixo do rio, onde ela estava. Dali a trouxemos com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, em maneira de procissão. Eram já aí alguns deles, obra de setenta ou oitenta; e, quando nos viram assim vir, alguns se foram meter debaixo dela, para nos ajudar. Passamos o rio, ao longo da praia e fomo-la pôr onde havia de ficar, que será do rio obra de dois tiros de besta. Andando-se ali nisto, vieram bem cento e cinquenta ou mais.

Chantada a Cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar ao pé dela. Ali disse Missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram connosco cinquenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós.

E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram connosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assentar como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.

Estiveram assim connosco até acabada a comunhão, depois da qual comungaram esses religiosos e sacerdotes e o Capitão com alguns de nós outros. 

Alguns deles, por o sol ser grande, quando estávamos comungando, levantaram-se, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinquenta ou cinquenta e cinco anos, continuou ali com aqueles que ficaram. Esse, estando nós assim, ajuntava estes, que ali ficaram, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles falando, lhes acenou com o dedo para o altar e depois apontou o dedo para o Céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos. 

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima e ficou em alva; e assim se subiu junto com altar, em uma cadeira. Ali nos pregou do Evangelho e dos Apóstolos, cujo dia hoje é, tratando, ao fim da pregação, deste vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, o que nos aumentou a devoção. 

Esses, que à pregação sempre estiveram, quedaram-se como nós olhando para ele. E aquele, que digo, chamava alguns que viessem para ali. Alguns vinham e outros iam-se. E, acabada a pregação, como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda, houveram por bem que se lançasse a cada um a sua ao pescoço. Pelo que o padre frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e alevantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançaram-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinquenta. 

Pêro Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, em carta escrita a El-Rei D.Manuel


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sexta-feira, 22 de abril de 2022

Exorcismos durante o Baptismo no Rito Tradicional

No ritual tradicional, os dois exorcismos propriamente ditos são particularmente explícitos: 

«Exorcizo-te, espírito imundo, em nome do Pai † e do Filho † e do Espírito † Santo, vai-te, retira-te deste servo de Deus: é o mesmo Deus que te comanda, maldito, o mesmo cujos pés caminharam sobre o mar e cuja mão direita susteve Pedro que investia. Por isso, demónio maldito, aceita a tua sentença e dá honra ao Deus vivo e verdadeiro, dá honra a seu Filho Jesus Cristo e ao Espírito Santo, e deixa este servo de Deus...» 

O exorcismo conclui-se então com o traçar do sinal da Cruz: 

«E este sinal da Santa Cruz † que nós traçamos sobre a sua fronte, tu, demónio maldito, nunca ouses violar.» E o segundo exorcismo: 

«Exorcizo-te, espírito imundo, em nome de Deus † Pai todo-poderoso, e em nome do seu Filho Jesus † Cristo, Nosso Senhor e Juiz, e pela virtude do Espírito † Santo; vai-te desta criatura de Deus...»


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terça-feira, 19 de abril de 2022

"Temos falta de acólitos"

 
Algo que nunca foi dito onde se celebra a Missa Tradicional.



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Páscoa em Nova Iorque: 3 cruzes nos arranha-céus

Em 1956 a Páscoa foi celebrada na zona financeira de Manhattan com 3 arranha-céus iluminados, representando as 3 cruzes do Calvário. Foi apenas há 66 anos, mas hoje em dia isto seria impensável, graças à perseguição que está a ser feita no Ocidente aos símbolos cristãos.

Rezemos pelos que consideram ofensiva a imagem de Deus que morre numa cruz para salvar os homens.





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